São José Maria Escrivá tinha uma regra de ouro para a vida espiritual que cabe em um pequeno pedaço de papel, mas que tem um poder extraordinário contra a preguiça e nossa falta de foco. Se você está cansado de prometer e não cumprir, pare tudo. Você precisa ouvir esses três ensinamentos que mudaram a forma como devemos organizar nossos propósitos.
Estamos em pleno início de um novo ciclo. Há algo misterioso e potente no ar quando o calendário vira. Parece que de repente o peso dos nossos erros passados foi aliviado e uma página em branco se estende à nossa frente.
É o momento em que o coração humano, naturalmente inclinado à esperança, se enche de planos. Você olha para o espelho e promete que desta vez será diferente. Você diz para si mesmo que este será o ano da virada, o ano em que a oração será constante, o ano em que a paciência reinará na sua casa, o ano em que aqueles vícios antigos finalmente perderão a batalha.
No entanto, se formos realmente honestos, existe uma pequena voz lá no fundo, um sussurro incômodo que nos lembra de todos os janeiros passados. Lembra daquela lista de resoluções de três anos atrás onde ela foi parar? Lembra do entusiasmo que teimava no peito no dia primeiro e que misteriosamente se transformou em cinzas frias antes mesmo de chegar o segundo mês do ano?
A estatística humana é cruel e nos mostra que a grande maioria desses propósitos morre nas primeiras semanas. E por que isso acontece? Será que não temos força?
Será que não amamos a Deus o suficiente? A resposta pode estar não na falta de vontade, mas na falta de método, na falta de sabedoria espiritual para lidar com a nossa própria fraqueza. É justamente para que você não caia nessa armadilha novamente e para que sua fé ganhe raízes profundas e não apenas flores passageiras, que nós construímos este conteúdo.
Se você deseja transformar sua vida espiritual com a sabedoria bimilenar da igreja, considere se inscrever agora em nosso canal. Aqui nós buscamos a santidade e queremos que você caminhe conosco. Para iluminar este, vamos recorrer a um homem que foi mestre em transformar o cotidiano em poesia divina.
Um santo que olhava para a agenda, para o relógio e para o trabalho duro e via neles o altar de Deus, São José Maria Escrivá. Ele nos deixou a frase que mencionei no início, uma sentença curta, mas capaz de sustentar toda a sua vida interior pelos próximos 12 meses. Ele dizia: "Faz poucos propósitos, faz propósitos concretos e cumpre-os com a ajuda de Deus".
Parece simples, não é? Mas não se engane. Escondida nestas três sentenças está uma teologia profunda que desmonta a nossa soberba e nos reconstrói na humildade.
Vamos mergulhar juntos em cada parte deste conselho, porque ele é a chave para que este ano não seja apenas mais um ano que passou, mas o ano da sua verdadeira conversão. Comecemos pela primeira ordem. Faz poucos propósitos.
Por que um santo nos diria para fazer pouco? Não deveríamos almejar muito, não deveríamos querer ser perfeitamente santos em todas as virtudes? O problema, meu irmão, minha irmã, é que nós frequentemente confundimos santidade com perfeccionismo.
Quando o ano começa, nossa soberba oculta nos faz desenhar um eu ideal na nossa mente. Queremos acordar às 5 da manhã, ler um livro por semana, rezar o rosário completo, ir à missa diária, ser fitness, ser o melhor funcionário e o melhor pai. Tudo ao mesmo tempo, começando agora.
Sabia que quem tenta caçar 10 coelhos de uma vez acaba sem nenhum? A dispersão é inimiga da profundidade. Quando você estabelece 20 metas para o seu ano, você está, na verdade, assinando o atestado do seu fracasso.
A alma humana é limitada e nossa força de vontade é um recurso escasso. Ao pedir poucos propósitos, o santo está nos convidando à virtude da humildade e ao realismo. Ele está nos pedindo foco.
Na teologia cética existe um conceito chamado defeito dominante. Todos nós temos muitos defeitos, mas existe pelo menos um que comanda os outros. Para alguns é a preguiça, para outros a vaidade, para outros a ira ou a sexualidade.
Se você tentar atacar todos os soldados inimigos de uma vez, você perderá a guerra. Mas se você identificar esse defeito dominante e fizer um, apenas um ou dois propósitos firmes para combatê-lo, todo o resto do exército inimigo começa a recuar. Portanto, a primeira lição é: escolha as suas batalhas.
Não queira reformar sua vida inteira em janeiro. Escolha a coluna mestra que precisa de reparo. É melhor chegar em dezembro tendo vencido um único grande vício do que ter lutado mediocremente contra 10.
Agora avancemos para a segunda parte da frase, que talvez seja a mais genial e a mais ignorada. Faz propósitos concretos. Aqui reside o erro de 90% dos católicos bem intencionados.
Nós adoramos as abstrações. Nós dizemos a Deus: "Senhor, este ano eu quero ser mais paciente isso soa bonito, piedoso, mas é inútil. O que significa ser mais paciente?
Como se mede isso? Quando você saberá se conseguiu ou não? " O cérebro humano e ar risco a dizer a própria vida espiritual não operam no abstrato.
O amor só é real quando é concreto. São José Maria abominava aquela espiritualidade de desejos vazios. Ele nos ensina que o propósito vago é o esconderijo da covardia.
Se você diz: "Vou rezar mais", você se sente bem consigo mesmo. Mas na prática, quando o cansaço bater na terça-feira à noite, você não terá uma obrigação clara a cumprir. O propósito concreto é cirúrgico.
Ao invés de ser mais paciente, o propósito é: "Não vou reclamar do trânsito no caminho para o trabalho e vou rezar uma Ave Maria se alguém me fechar. " Percebe a diferença? Ao invés de ser mais devoto, o propósito é: vou rezar o Angelos ao meio-dia, custe o que custar, ou vou rezar o terço com a minha família aos sábados, até que isso se torne pouco e você consiga avançar mais um passo.
O exemplo máximo dessa concretude em São José Maria é o que ele chamava de minuto heróico. Veja como ele descreve isso com precisão. É a hora exata de te levantares sem vacilar um pensamento sobrenatural e fora o minuto heróico.
Aí tens uma mortificação que fortalece a tua vontade e não debita a tua natureza. Ele não diz acorde cedo ele diz levante-se no instante exato, sem o botão soneco, sem os 5 minutinhos. É um ato concreto, mensurável, binário.
Ou você fez ou não fez. Não há meio termo para nos enganarmos. A santidade se esconde nesses detalhes minúsculos.
Se você quer ter um ano vitorioso, pare de escrever poesias na sua lista de metas e comece a escrever manuais de instrução. Troque o Quero Amar minha família por o Vou deixar o celular em outro cômodo quando estiver jantando com eles. A concretude não deixa espaço para a nossa autoilusão.
E então chegamos ao terceiro pelar. Aquele que sustenta tudo e sem o qual seríamos apenas estóicos ou coaches de nós mesmos, cumpre-os com a ajuda de Deus. Aqui entramos no terreno sagrado da graça.
Há uma heresia antiga chamada pelagianismo, que volta em meia ronda o nosso coração. É a ideia de que nós podemos nos salvar ou nos aperfeiçoar apenas com a força dos nossos punhos cerrados. Achamos que se tivermos disciplina suficiente, planejamento suficiente, motivação suficiente, seremos santos.
Isso é mentira. Sem mim nada podeis fazer, disse o Senhor. Não é pouco podeis fazer, é nada podeis fazer.
Quando São José Maria diz com a ajuda de Deus, ele está nos lembrando que um propósito não é uma aposta conosco, é uma promessa a ele. E é aqui que precisamos trazer um amigo para essa conversa, porque sejamos realistas, você vai falhar, eu vou falhar. Mesmo com poucos propósitos, mesmo sendo concretos, haverá aquele dia em fevereiro ou março em que a carne será fraca, o cansaço vencerá e você quebrará algum propósito.
O que acontece nesse momento? Geralmente o demônio aproveita a nossa queda para nos injetar dois venenos, o desânimo e a vergonha. Nós pensamos: "Olha só, eu não tenho jeito mesmo.
Quebrei o propósito, agora já era. Deixa pro ano que vem. " e abandonamos tudo.
É aqui que a ajuda de Deus se manifesta de uma forma que outro grande santo, São Francisco de Sales, explica com maestria. Ele é o doutor da doçura e nos ensina a ter paciência conosco mesmos. São Francisco de Sales dizia que a inquietação e a raiva que sentimos quando falhamos não é zelo por Deus, é amor próprio ferido.
Ficamos irritados porque nossa imagem de perfeito cumpridor de metas foi quebrada. Cumprir com a ajuda de Deus significa que quando você cair, você não vai ficar se lamentando no chão. Você vai olhar para o céu, sorrir da sua própria fraqueza e dizer: "Senhor, vês?
Este sou eu. Se tu não me segurares, eu cairei todos os dias. Perdoa-me e levanta-me.
E recomeçar imediatamente. A vida espiritual não é uma linha reta ascendente, ela é feita de recomeços. O santo não é aquele que nunca cai, mas aquele que sempre se levanta.
Nunque coepe dizia a escritura e repetia São José Maria. Agora começo. Se você quebrou o seu propósito de manhã, não espere até amanhã para retomar.
Retome à tarde. A ajuda de Deus é essa mão estendida que nunca se cansa de perdoar nossos fracassos, desde que tenhamos a humildade de continuar lutando. Portanto, meus irmãos, a estratégia para este ano muda completamente de figura.
Não estamos mais falando de uma lista de desejos para satisfazer nosso ego. Estamos falando de um plano de batalha. espiritual.
Imagine agora você sentando-se com calma, talvez diante do santíssimo ou no silêncio do seu quarto. Você não vai escrever 20 itens. Você vai sondar seu coração e perguntar a Deus: "Senhor, o que tu queres que eu mude este ano?
Qual é a única coisa que se eu mudar vai te agradar mais? Talvez seja a língua solta que fofoca. Talvez seja a preguiça de levantar.
Talvez seja a falta de caridade com um parente difícil. Você vai pegar essa única coisa e vai transformá-la em algo concreto. Se é a fofoca, o propósito será: sempre que sentir vontade de falar mal de alguém, rezarei uma Ave Maria em silêncio pela pessoa e mudarei de assunto.
E então você vai selar esse propósito não com sua força de vontade, mas com a misericórdia divina, sabendo que haverá dias ruins, mas que a graça de Deus é maior que a sua miséria. São José Maria usava uma imagem muito bonita para ilustrar essa constância. O burrinho de Nora, aquele animal que fica girando a roda para tirar água do poço.
Ele anda, anda, anda sempre no mesmo lugar, dia após dia. Parece monótono. Parece que ele não está indo a lugar nenhum.
Mas é esse caminhar humilde e constante que faz a água jorrar, que rega os campos, que faz o jardim florescer e mata a sede. Nossos propósitos de ano novo devem ter essa fidelidade do burrinho de Nora. Não precisamos de brilho, nem de aplausos, nem de grandes revoluções visíveis.
Precisamos da constância humilde nas pequenas coisas concretas. É ali na rotina cinzenta, que a santidade é forjada. Deus não espera que você termine este ano como um santo canonizado, perfeito e impecável.
Ele espera que você termine este ano mais apaixonado por ele, mais humilde em suas quedas e mais fiel em suas pequenas promessas. Ele espera que você lute. A batalha é sua, mas a vitória é dele.
Então fica o convite. Rasgue aquela lista imensa e irreal que você fez. Pegue um novo papel.
Escreva pouco, escreva concreto e coloque no topo da página com a ajuda de Deus. Que este ano não seja o ano das grandes promessas vazias, mas o ano das pequenas vitórias reais. Que São José Maria nos ensine a disciplina e que São Francisco de Sales nos ensine a doçura do recomeço.
Lembre-se sempre: Deus é mais perseverante em nos perdoar do que nós somos em cair. Tenha coragem. O ano está apenas começando e a eternidade nos espera.
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