Hoje teremos o prazer de conversar com Luí Augusto de Melo Matos. Seja bem-vindo, Luí! Ah, obrigado por me receber.
Eu espero colaborar, professor. Dissertação, prazer enorme, viu! O Luí, né?
Augusto de Melo Matos, também chamado de… No contexto familiar, né? Ele foi aluno da Escola Municipal Dr Getúlio Vargas. Em que período mesmo, Luiz?
De 1970 a 1982? Isso, então eu conclui lá tudo que o Getúlio podia oferecer em termos de ensino. Então você entrou já na pré-escola?
Exatamente. Professora Luísa. .
. quem a é? Professora Luísa, olha, lembro até… lua, na verdade, né?
E lembro depois das outras professoras. Em seguida… puxa, eu lembro da Dona Dulce, da Dona Cilda, da Dona Nice. .
. tá faltando uma… Mas é isso aí! Aí, coisas do segundo grau.
Os olhos dele já estão começando a ficar… Jos? Tá vendo? É, então.
E aí ele, na época do festival de teatro, de Túlio Vargas, era o presidente do Centro Cívico da escola, tá? E atuava diretamente lá com a professora Rosa Maria Badini. E ela, a Rosa Maria Badini, né?
Que estava diretamente ligada ao Centro Cívico. E aí, alguém propôs o festival de teatro. Foi você mesmo, não foi?
É, foi como. . .
uma plataforma, na verdade, né? Porque o presidente do Centro Cívico, ele era eleito. Então, nós fazíamos campanha, né?
E, como plataforma para ser eleito, foi proposto um festival de teatro, que ganhou uma popularidade até inesperada, né? E, na base dessa popularidade, na verdade, estavam as aulas de Comunicação e Expressão, que era o que era oferecido naquela época, né? Muito impulsionado pela Dona Marilene, que era uma professora que tinha o dom de nos apresentar o indivíduo que nós éramos, né?
Causar uma reflexão assim do tipo: "Quem sou eu? " A primeira pessoa fora da minha família, né? Que se preocupou comigo como indivíduo, né?
E isso, acho que não foi só comigo. Foi com toda a geração que passou por ela lá e que gerou uma grande quantidade de potenciais poetas, atores e escritores, né? Que poderiam perfeitamente ter saído de lá.
E você foi aluno dela só na quinta e sexta séries, né? Só do… anos foi, mas era o início da minha adolescência, num período especial da minha vida. Então, teve uma grande influência que eu levei pro resto da vida.
Eu me casei, falava da Dona Marilene para minha esposa, falava para a Dona Marilene e também de outros professores que tinham uma influência importante lá, como a Dona Rosa, o seu Marins e outros professores, né? Da época, cada um tinha uma coleção de professores preferidos e variava bastante. É, eu achei muito interessante porque você contou também de uma reunião que os ex-alunos da professora Marilene fizeram na chácara dela.
Conta sobre isso para nós. Isso foi em 2019, que foi a última vez que eu a vi, né? E o interessante dessa reunião, além da presença maciça dos ex-alunos dela, foi que cada um levou um fragmento daquilo que aprendeu com ela: uma poesia, um texto, alguma coisa.
E isso foi usado lá como uma forma de homenageá-la, né? Então foi uma coisa bastante significativa. E cada um foi falando um poema naquele momento.
Teve um momento dentro da reunião em que isso foi aventado e foi muito bacana, foi bem interessante. Certo, muito bom, viu! Então, e aí… O Luí, ele, em 1980, né?
Durante o festival, ele participou de uma peça que ele escreveu, né? Chamada "Crime no Palco". E, depois, logicamente, houve o auxílio da Daisy Machado de Oliveira e Maria Luísa Sartorelli.
Vocês todos eram alunos da primeira série, né? Do curso de auxiliar de laboratório de análises químicas. E aí, essa peça, então, foi apresentada durante o festival, né?
Esse foi o primeiro festival, inclusive. Você lembra de alguma coisa disso? Sim, nós organizamos esse festival assim do zero.
Desde a criação do logotipo, que depois mudou, mas, naquela ocasião, me lembro gente na mesa de casa desenhando logotipo e depois procurando patrocínio, se organizando para ensaiar no salão nobre da escola. Foi uma coisa muito bacana porque foi como as Olimpíadas, assim. Todas as rivalidades entre os alunos desapareceram e todo mundo se mobilizou para participar daquele evento, né?
E é lógico que essa primeira peça foi uma brincadeira, na verdade. A gente não tinha nem maturidade para descrever uma peça como se deve, mas foi muito divertido. Eu me lembro que o detetive principal era o Pedro Fiorenzo, a minha irmã Laura participou, eu participei.
. . e havia também, fora do escopo do festival, apresentações de esquetes, de peças humorísticas, assim, que estavam vinculadas à disciplina de Comunicação e Expressão.
Então, eu acho que daí surgiu, depois, a ideia de fazer algo mais organizado e competitivo, né? Certo. Então, se existe uma matriz para esse festival, não foi uma geração espontânea, na verdade.
Foi uma atividade que nós gostávamos, que era de fazer teatro e nós já fazíamos através de apresentações esporádicas, né? Até porque a escola dispunha de um recurso que era muito valioso, que era um salão nobre, muito bem, com toda a estrutura de teatro: iluminação, camarins. .
. então a gente aproveitava esse recurso e aí nós fizemos esse festival. Eu não me recordo agora qual foi a peça que ganhou.
Não foi a nossa, certamente, mas a vontade de transformar isso em um evento permanente foi total. Certo, e aí, no ano seguinte, não aconteceu festival, né? Foi em 81.
E daí você escreveu. . .
Um monólogo que é a última noite, né? Você estava na terceira, exatamente. Eu estava no último ano da escola, eu já estava ganhando mais maturidade.
E eu me lembro que, naquela época, assim, durante boa parte da minha vida na escola, eu ia a pé para a escola, mas naquela época eu tomava um ônibus. E no ônibus de volta para casa, eu comecei a pensar no texto da peça. O texto saiu praticamente inteiro na minha cabeça durante a viagem da escola para casa.
A minha mãe tinha uma máquina de escrever Royal, né? Então, eu sentei e comecei a passar para o papel. E foi bem interessante porque foi a primeira vez que isso tinha acontecido comigo: saiu o texto inteiro, sabe?
Teve muito pouca correção depois. Já havia o plano de fazer o festival, né? E o formato dessa peça era um monólogo, então era um formato bem diferente do que a gente tinha feito da primeira vez.
Era arriscado porque, imagina, o público era formado basicamente por adolescentes, né? Por adolescentes de várias idades ali. Então, hum, quem iria gostar de ouvir um monólogo, não é?
Era um monólogo que durava os seus bons 40 minutos. Aham. Eu me lembro que a outra peça tinha um tema mais social, a peça concorrente que depois foi interessante também.
Bom, eu vou contar como foi a apresentação, depois eu volto na preparação para tudo isso. Sim. Mas a peça, ela requeria, por se chamar "Última Noite", que fosse uma noite sombria, porque é uma peça que fala sobre alguém que está desistindo.
A gente tinha organizado todo um esquema com luzes e tal, com um cenário, com uma janela com uma luz por trás que simulava raios e tudo. E durante a apresentação da peça caiu uma tempestade. Com o ros, foi, sim, foi super, eh, veio bem a calhar, né?
Isso. E durante toda a apresentação, por incrível que pareça, a plateia ficou em um silêncio, um silêncio de 40 minutos, seguido por um aplauso que durou mais uns cinco minutos depois. Foi um choque para a plateia e foi um choque para nós também, sim, porque a gente não esperava que tivesse essa recepção, sim.
Então foi muito bacana, sim, né? E o difícil depois, como a peça passou, afinal, era repetir o mesmo impacto, né? As pessoas já esperavam isso.
Aham. Então, foi interessante nesse aspecto, né? E a moça que fez o personagem principal, ela incorporou o papel.
É interessante porque eu escrevi aquilo como um desabafo pessoal, mas havia muita coisa em comum, né, do ambiente ali. Assim, muito foi uma, na verdade, amatar. Poxa, que bom!
É que bom você usar esse termo, né? Também. Mas é que foi isso mesmo: as pessoas tinham na cabeça delas um sentimento comum que naquele momento se tornou público e coletivo, né?
Então foi isso mesmo, muito legal. Muito bom. Você sabe que durante isso, foi depois, né?
Num outro festival, o "Vestido de Noiva", na hora que estava entrando o caixão, entrando lá pela Rodrigues, foi uma adaptação. E isso, e vai entrando o pessoal carregando o caixão, né? Começou a tempestade também, vento, eles entrando com velas acesas, então cria um clima especial.
Dúvida aconteceu aí na "Última Noite" também, né? Foi muito. .
. Você parece que escreveu mais um texto depois, não foi? Apresentado, não foi isso?
Aham. Não, aquele era meu último ano na escola. Eu voltei no ano seguinte, quando eu já estava na faculdade, para a edição seguinte do festival, mas aí participei do júri.
Ah, foi isso? Participou do júri. E como que foi?
Se eu não estou enganado, uma das peças era do Salt Banks. Foi muito bom, foi muito mais organizado e muito maior do que a gente tinha organizado. Já tinha uma certa fama na cidade, então já tinha uma expectativa a cumprir, né?
Então foi bem interessante. Assim, a minha experiência ali já era outra, né? Eu estava vendo aquilo de fora, mas vendo algo que estava começando a crescer.
Depois eu soube que aquilo continuou e se tornou um evento esperado por todos, né? Sim, sim, anualmente. Eu nem sei quantas edições teve depois que eu saí.
Foram até 1987, foi a última. Então, pelo menos quatro ou cinco, cinco. Foram cinco, porque teve duas interrupções, né?
Teve um ano que não foi autorizado porque houve muita bagunça dos alunos no final do ano, assim, ó. Se continuar desse jeito, o ano que vem não tem. Depois deixaram de.
. . Não, mas naquele ano, então, essa que era uma forma de fazer o pessoal entender que tinha um comportamento dentro de um público, né?
O público tinha um. . .
né? Porque as coisas aconteciam muito doidas. Imagine que um dia, numa das apresentações mais para frente, começaram a estourar chiclete durante a apresentação e era um momento assim muito silencioso tudo.
E uma das meninas começou a estourar chiclete na plateia e interrompi. Nossa, começou a criar uma. .
. E aí eu fui obrigado a parar e avisar: por favor, parem com isso, estão atrapalhando. Aí eu olhei e vi que não era bem uma menina, já era quase uma mulher.
Você sabe que na. . .
Depois interromper, parei, levantei, né? Fui lá, peguei a pessoa e tirei fora e falei: você não entra no próximo, nem venha, porque era louca, né? Para fazer graça.
Então, mas isso tudo contribuía para a formação de um público, né? Porque Sorocaba não estava acostumada, né? Essas pessoas.
Aliás, né? Essas pessoas não. Estavam acostumadas a assistir a um espetáculo teatral.
Então, de repente, vão aprendendo que têm que ficar em silêncio, têm um comportamento, né? Mas, fale, você sabe que na segunda apresentação da peça havia se formado duas torcidas: uma torcida para cada uma das peças. Então, durante a apresentação da nossa peça, que na verdade na primeira vez tinha sido ouvida em completo silêncio, em uma ocasião alguém tentou fazer um gracejo, mas a plateia barrou na hora, sabe?
E aí a peça foi concluída como ela deveria ser, né? Com respeito. Foi bem interessante.
Aham, entendi. Muito bom, muito bom. A peça, ela ficou em segundo lugar, certo?
Mas a atriz principal ganhou o prêmio de melhor atriz. Para mim, que estava organizando o festival, o que menos interessava era ganhar, sim, sim, porque o fato de algo, entendo, eu tinha 17 anos, o fato de algo que começou ali, que eu comecei a parar e a organizar, tá dando certo e ter ficado popular, para mim, já valia muito mais do que o prêmio no festival, entendeu? E você, para você então na época, qual a importância dessas atividades na época e depois, pense hoje.
Então, na época, foi uma maneira de fechar o ciclo da escola com chave de ouro, porque eu era. . .
a minha história na escola, embora eu tenha ficado lá do início até o fim, eu fiz o primário com um grupo de pessoas, depois eu fui deslocado para um período diferente e passei quatro anos com outro grupo. Da quinta série em diante, eu voltei ao grupo original. Só que já tinham se formado as lealdades, eu era um estranho para eles e, ao mesmo tempo, eu estava entrando na adolescência e meus pais tinham acabado de se separar, o que naquela época era uma coisa rara.
Hoje em dia não faz diferença, mas naquela época era algo raro e constrangedor. Então, como resultado de tudo isso, não só eu, mas os meus irmãos éramos pessoas introvertidas. E esse caminho, né, por meio da comunicação, por meio do teatro, ajudou, não só a mim, como aos meus dois outros irmãos, a Laura e a Isaura, que é a menor, que hoje é advogada, ajudou a gente a vencer essa fase difícil e concluir aquele período com bastante autoestima, né?
Na verdade, sabendo que a gente não tinha passado em branco. Uhum, ao mesmo tempo, várias pessoas com quem a gente não se dava inicialmente, a gente se tornou amigos, né? Porque o festival permitiu essa trégua, uhum, né?
Como eu disse anteriormente, pessoas que não se davam muito bem acabaram participando juntas das equipes, né? Certo? E depois, entrando na faculdade, o ambiente de São Paulo é diferente, né?
Não é só o fato de passar para a faculdade, passar para um ambiente maior, um mundo maior como São Paulo. É um passo diferente, mas eu me sentia preparado. Eu me senti plenamente preparado.
Na verdade, eu saí e entrei concomitantemente na faculdade de tecnologia e na faculdade de administração. E na faculdade de tecnologia, por incrível que pareça, haviam aulas de teatro. Verdade, na Fatec havia aulas de teatro, na Fatec de Sorocaba.
Não, na Fatec de São Paulo, no prédio da Politécnica, na Fundação Paula Souza. Verdade, sei. E ali era um prédio antigo, eles também tinham muitos recursos, fica em frente à estação Tiradentes do metrô.
Ah, e tinha sala de cinema, tinha um local para as peças de teatro. Paradoxalmente, na GV, não. Na GV, basicamente, se falava de negócios, né?
Então, até a quadra da escola era uma quadra, a quadra do J dava de dez a zero na quadra da Fundação Getúlio Vargas. E, então, assim, para mim foi uma continuação, né? Eu tinha aula de humanidades na Fatec.
Agora, na Fatec, então, na aula de teatro você chegou a fazer alguma atividade? Então, se apresentar? Sim, sim.
Eu não sei se vale a pena dizer isso aqui, havia uma propaganda antiga do Bamerindus, e que vinha um senhor correndo assim e falava: "Bamerindus, tudo fica numa boa", e era justamente o meu professor na Fatec, né? E ele era uma pessoa que despertava também muita. .
. eh. .
. ele era do teatro profissional em São Paulo, então ele puxava a gente para isso, não só para participar de montagens, mas também para ir assistir peças, né? Então, eu tive uma continuidade em um meio acadêmico que eu nem esperava, que era uma área de informática, mas depois eu aprendi com o tempo que informática tem muito menos a ver com exatas e muito mais a ver com humanas, especialmente porque eu me dediquei à área de desenvolvimento de linguagens de programação e o trabalho essencialmente era transformar mais fácil a comunicação entre o computador e as pessoas em algo mais agradável, mais fácil.
Sim, então a gente usava muito mais análise sintática, figuras de linguagem, ideias visuais do que propriamente a matemática, porque a matemática estava resolvida já, né? Então, [Música], eu tive bastante espaço para usar tudo que eu aprendi na escola para frente, não só na faculdade, mas na minha profissão também. Sei.
Você, então, eh, motivaria o Gabriel, seu filho, que tem sete anos, né, a participar de uma atividade teatral hoje na escola ou não? Ele tem aula de circo, né, na escola, vai começar a ter aula de teatro. Embora ele tenha só sete anos, ele também já decorou e tira de cabeça algumas musiquinhas no teclado, então ele.
. . e tudo isso, não tô forçando nada.
É o interesse dele, né? Musiquinha do Harry Potter, musiquinhas de coisas de músicas que ele vê na TV e, enfim, tem ali um dom artístico a ser aproveitado, né? Desenho também, que é mais comum, né?
Você gosta de fazer, sim? É, claro! Claro, sim!
Tá na minha família, isso, né? Teve uma pessoa dentro do festival que eu lembre vagamente, que escreveu um texto sobre separação de pais e acabou não sendo apresentado. Não foi você?
Então, não chegou a ser você. Não teve, teve um naquela época. Coincidência, esse era um assunto que nunca quis tocar, porque era um assunto que pertencia aos meus pais, né?
Na verdade, é. . .
Então, você não quer falar alguma coisa sobre o seu pai? Não? Claro, claro!
Então, porque para quem não sabe, o Bruto é filho do Mário Matos, né? Irmão da Laura, né? A Laura Matos também, né?
E Laura de Melo Matos, que também é uma grande artista plástica, né? Já premiadíssima também, foi professora da Uniso e foi coordenadora do curso de moda, né? Então, conta um pouquinho também a respeito dos dois, porque você tá envolvido nisso.
Falando nisso, ó, vou mostrar para vocês, ó, isto aqui, ó, olha quanto tempo já faz. Naquela época em que ele era adolescente, ele fez isso aqui, ó, a professora Terezinha de Jesus Gomes conversou com ele, tinha bastante tempo, sabão, e ela me deu de presente. Olha, coruja lindíssima!
Então, foi o Luís Augusto Matos que fez. Então, conte agora um pouquinho, é. .
. mas essa relação nas coisas, nessas coisas eu sou menos talentoso. Na verdade, o meu pai foi um pai maravilhoso, para quem é criança, desde muito cedo.
Ele não é só um pintor de temas gaúchos, meu pai viveu esse ambiente que ele pinta, né? O avô dele tinha uma fazenda no Rio Grande do Sul, a qual ele nos levava no final do ano, e a gente andava muito a cavalo. Às vezes, eles matavam uma ovelha lá e faziam um churrasco.
A gente passava algumas noites na campanha ali gaúcha. E também, quando ele organizou, junto com a Vera Job, a semana do tropeiro em Sorocaba, nós participávamos dos desfiles. A gente esperava por aqui, né?
Eu me lembro de uma vez que nós fomos buscar cavalos lá em São Roque, que hoje parece perto, mas você vencer a distância de São Roque a Sorocaba a cavalo, como nós fizemos, demorou um dia e meio. Imagina! Hoje, de carro, faz 30 minutos e tanto, né?
Sim! E a gente desfilava! Era um evento, nossa, maravilhoso!
Ele também é um excelente contador de histórias, né? Criou uma reputação em Sorocaba, né? A minha mãe também, a Dona Iuní, ela foi diretora em Pilar do Sul, na escola estadual.
Ela era professora da rede estadual, depois lecionou no Padilha e em outras escolas, eu acho, na Santa Escolástica e em outras escolas da região, né? E ela era muito ligada à ideia de aproveitar aquilo que estava no ambiente para criar a partir do que tinham, né? Eu creio até que isso é um método, não entendo muito disso, mas é um método consagrado.
Qual que é o nome dela completo, mesmo? É Dionísia, com S, de Melo Matos. Isso aí!
Eles foram casados por 22 anos, depois se separaram. A minha mãe faleceu em 2005 e o meu pai está vivo até hoje, vai completar 100 anos. Hoje ele mora em Pelotas, né?
Recebe uma porção de homenagens lá, como eu sei que ele também recebeu muitas homenagens de Sorocaba, né? Ele guarda tudo isso com muito carinho. Vamos ver, no final do ano, eu vou pro aniversário de 100 anos dele e com certeza ele vai estar lá, vestido de gaúcho, pronto para comemorar!
Não, mas as obras dele são lindíssimas, né? E então, teve uma ocasião. Eu tinha feito já a dissertação de mestrado e a minha professora da USP, né, a Mei Barbosa, que é da arte de educação, uma das grandes figuras da arte de educação do Brasil, ela me convidou para participar da SBPC lá em Porto Alegre.
Tá? E aí nós fomos, né? E chegou um certo momento que também estava participando a Maria Helena Martins, né?
Autora do "Que é Leitura", vários outros livros, uma grande figura nessa parte da leitura no Brasil, né? E ela fez, enquanto fazia o mestrado na USP, o doutorado, ficou, se tornou uma grande amiga. E aí ela me convidou, né?
Para participar no CTG. Ia ter um jantar no CTG e eu tinha contado para ela a respeito do seu pai, né? Porque o pai dela é o Ciro Martins, uma grande figura do jornalismo, né?
Ele era jornalista de Porto Alegre e escreveu vários livros. E eu conheci naquela ocasião, nós jantamos juntos também. E aí ela pegou e contei do seu pai, das pinturas dele, da toda essa parte do tropeirismo e tal.
E tudo bem. Então, aí, quando nós chegamos ao CTG, imagine as paredes todas forradas de obras do seu pai! Nossa!
Foi emocionante, né? Daí eu falei. E aí ela disse: "Roberto, eu já tinha visto, adorado, eu não sabia que era do Mário Matos.
" Falei: "Pois é, ele é daqui, né, de Pelotas. . .
" Qualquer maneira, tá lá em Sorocaba, né? Na época, é verdade, é verdade, ele também tinha uma atuação política, né? E que, em certos sentidos, se confunde um pouco com uma parte da história do Brasil.
Ele conhecia bem o Luiz Carlos Prestes, conhecia outros políticos da época, assim. . .
enfim, ele gostava disso, né? Então, e aí tem a sua irmã, a Laura. Exato, a Laura.
A Laura é uma pintora muito talentosa, né? Herdou esse talento, seguiu, obviamente, por um caminho próprio, né? Ela tem outros temas, né?
E tem sido bem-sucedida nessa linha, o que nos orgulha muito. Todos aqui nós somos uma família grande, né? No total, somos em nove.
Quer dizer, fomos em nove, né? Hoje, alguns já faleceram, mas a gente sempre se encontra e comemora isso, comemora esse sucesso juntamente com os da Isaura, também que é uma outra irmã que estudou no Getúlio e que era mais nova, sim, que hoje é advogada e trabalha muito na área de família em Votorantim. Então, é muito gratificante ver como eles progrediram nessa.
. . e para nós é muito gratificante conhecer vocês e ver a história que vocês conseguiram construir dentro de Sorocaba, né?
Nossa gratidão por tudo isso que vocês nos ajudaram, né? E fizeram acontecer. E eu queria agora que você, né, antes de finalizar, vamos dizer que tivesse alguma coisa que você ainda não falou e gostaria de falar.
Pense um pouquinho nesse contexto todo. Olha, eu gostaria de dizer o seguinte: o Getúlio era uma escola singular. É muito difícil você comparar tempos diferentes, né?
Porque hoje você tem recursos, né? Você tem salas de computador, você tem um monte de coisa nas escolas, né? Mas ele tinha um corpo docente que era fantástico, que fazia aquela escola brilhar, sabe?
Às vezes, as pessoas podem achar "ah, não, mas isso você tá falando só por. . .
" né? Não, não! É uma escola que a gente.
. . ela foi tão importante que, depois, por exemplo, eu fui na Fundação Getúlio Vargas e conheci pessoas de várias origens que estudaram em colégios de elite em São Paulo, e eu posso dizer com toda a segurança que não ficou nada a dever.
Fui muito bem preparado, então, não só do ponto de vista de conhecimento, mas do ponto de vista de saber me situar dentro de uma discussão, né? Eu peguei um período das Diretas Já dentro da faculdade, um período de abertura, e eu estava plenamente equipado para conversar com as pessoas que estavam lá, que estudaram em Bandeirantes, em Dante Alighieri, em colégios aqui que custam fortunas, né? E não me sentia em nenhum momento com falta de alguma coisa.
Inclusive, é interessante que, dentro da GV, eu estudei com um professor chamado Esdras Martins, que era uma pessoa importante lá, já até faleceu. E nós tínhamos que preparar um trabalho semestral, e eu fui o único 10 da classe. E com um tema que eu usei como base bibliográfica um livro que eu ganhei da professora Rosa sobre educação moral e civismo.
Ora, veja, num tempo em que falar em educação moral e civismo era praticamente falar um palavrão! Porque imagina a universidade onde todo mundo estava cansado disso? Mas eu usei esse livro como base e aprendi ali quem era Emanuel Kant, aprendi sobre família nuclear e fiz o meu trabalho.
E ganhei o único 10 numa classe de 35 alunos. Sim, o professor me conheceu ali. Ótimo!
Foi muito legal, muito bom. Então, é isso que eu queria dizer. Que bom!
Muito bonito tudo sua fala. E vou só agora dar um pulo mais, que é. .
. na verdade, você, na nossa conversa agora, não chegamos a citar, mas você, um pouquinho antes de nós começarmos, lembrou também do professor Carlinhos. Então, é relembrar, né?
Que você teve, elogiou bastante a figura da professora Marilene. Eu tive aula de religião com o professor Carlinhos e depois aulas de português. Carlinhos é português.
Então, você falou muito bem dele, né? Na época era a Sônia Re que era a diretora e depois o Carlinhos. Isso, durante boa parte, foi o Dr Pedroso.
Isso tá. Sua parte é o Dr Pedroso, foi na época mais aqui, oitava. Tudo isso.
Depois, puxa vida, acho que a Sônia Re foi sim diretora. O Carlinhos eu não peguei como diretora, eu estava saindo, ele entrou. Entendi.
É, acho que quando eu saí ele virou. Então, é. .
. Essas pessoas aí, né? Que você elogiou, né?
Eu acho que vale a pena. Tinha vários professores, a professora Vera, com certeza, de matemática, né? Isso, professor João.
Então, professor Marins, vários. . .
Nós tivemos nesse final de semana uma reunião com o Evaldo Marins, tá? Uma turma que se formou em 1983. Eles se formaram.
Então, tivemos uma reunião, foi uma delícia! Então, são esses grandes amigos que estão presentes ainda. Guto, Deus abençoe você!
Muito obrigado por esses depoimentos, né? Sobre essa história do Getúlio Vargas, festival de teatro, sua história de vida. A gente sabe que você tem bastante coisa ainda boa para contar.
A nossa gratidão mesmo, viu? Então, eu te agradeço por me lembrar dessa época tão boa da minha vida e fico à disposição aqui se precisar de mais alguma coisa que eu consiga me lembrar. Tá bom?
Muito obrigado! Então, Deus abençoe! É, você viu?
E a vocês que estão nos acompanhando, né? Nas narrativas compartilhadas, a nossa gratidão por estar conosco novamente e até o próximo encontro! Muito obrigado a todos vocês.