Então, será que você é perfeccionista? Pois é, hoje nós estamos aqui para falar sobre essa característica que é tão prevalente na sociedade como um todo e, principalmente, entre mulheres. Mulheres autistas com superdotação e TDAH muitas vezes têm esse componente do perfeccionismo.
E aí, nós vamos saber quais são as consequências, por que isso acontece e como superar esse drama, né, na vida de muitas pessoas. E, começando, deixa eu compartilhar a minha tela para que vocês vejam os meus slides. Bom, e aqui eu trouxe o conceito de perfeccionismo da doutora Ros Shafran.
E ela diz que o perfeccionismo é o estabelecimento e o esforço para cumprir padrões muito exigentes, muito elevados, geralmente autoimpostos, e que são perseguidos incansavelmente, apesar de causarem problemas. Ou seja, perfeccionismo não é uma qualidade, isso não é para ser usado em entrevista de emprego como uma vantagem em relação às outras pessoas, pois o perfeccionismo real vai gerar prejuízos. O perfeccionismo envolve basear a sua fonte de autoestima quase que exclusivamente na forma como esses padrões elevados são definidos e atingidos.
Alcançados, pois bem. E quais são as origens do perfeccionismo? De onde vem isso?
Nós temos basicamente duas origens. A primeira é interna, então a própria pessoa se impõe esse tipo de comportamento. E aí nós chamamos de perfeccionismo auto-orientado.
Então, para ilustrar o perfeccionismo auto-orientado, a imagem dessa estátua que se chama "Self-made Man", que representa bastante a cultura americana. E, para os americanos, isso é muito claro: a própria pessoa precisa se esforçar para ter os seus resultados, né? Eles trabalham pela meritocracia, e muito do perfeccionismo vem daí.
Outras vezes, o perfeccionismo é imposto pela sociedade, e nós vamos chamar de perfeccionismo socialmente prescrito. Que trouxe a imagem da capa da revista Time, trazendo a crítica às "mães-tigre", que são as mães muito exigentes, né? Japonesas, da Coreia do Sul, de outros países também que são matriarcais.
Muitas vezes, tem outras culturas também que exigem bastante dos filhos, mas, aqui no caso, a crítica é a essa exigência e mostra que as mães desses países às vezes ocupam a agenda da criança com natação, xadrez, aulas de matemática, violino, equitação, várias atividades extremamente complexas para crianças muito pequenas. Não sobra tempo para brincar. Elas querem resultados e isso, claro, tem os pontos positivos.
Muitas crianças desenvolvem bastante as suas habilidades, a inteligência e tudo, mas costuma ter consequências muito sérias também. Não é à toa que nós vemos os índices de suicídio no Japão e na Coreia do Sul, em outros países, altíssimos; e pessoas jovens, né, que acabam ficando frustradas, têm depressão, se criticam muito. Então, basear a sua fonte de autoestima em like, seja dos seus pais, ou na escola, né, dos amigos ou nas redes sociais, é sempre um problema.
Muitas pessoas também, é, que nós estamos falando, às vezes, de habilidades intelectuais, cognitivas e tudo, mas a pessoa pode basear o seu ideal físico a partir de fotos que ela vê na internet, vê nas redes sociais. Isso também, às vezes, leva a comportamentos extremamente perigosos, nocivos, né, não adaptativos, que podem deixar a pessoa menos saudável. E esse é o perfeccionismo socialmente prescrito.
Pois bem, nós temos uma curva aqui que é uma curva em U invertido, que é a curva do desempenho. Essa não é a curva do perfeccionismo, mas para entender o perfeccionismo nós precisamos entender esse gráfico aqui. Então, no eixo vertical nós temos a performance, no eixo horizontal, o esforço e o estresse.
Então, o que significa esse U invertido? Significa que, quanto mais esforço a pessoa vai tendo, ela vai elevando o seu nível de desempenho, seja na escola, seja em atividades físicas e tudo. Eu me esforço, eu aumento o meu resultado, mas até um limite, que é o limite X.
Então, aquele é o ponto ótimo. De acordo com as minhas competências e com o meu nível de esforço, eu posso atingir esse ponto ótimo. A partir daí, o meu esforço passa a não ser suficiente para elevar mais a minha performance.
A partir daí, o esforço extra é inócuo ou, às vezes, até prejudicial, não vai fazer efeito, né? E aqui trouxe a imagem. Então, esse ponto X, né, a pessoa que está no ponto X, ela está com a bateria dela carregada e está tendo o melhor desempenho possível para a sua fase.
Por outro lado, nós temos a pessoa Y. E aqui nós entramos no gráfico que representa o perfeccionismo. A pessoa Y é a pessoa perfeccionista.
Ela chegou ao ponto X, ela conseguiu seu desempenho máximo, seu desempenho ótimo de acordo com as suas competências, mas, para não deixar o desempenho cair, ela mantém o esforço muito elevado. Ela vai aumentando o seu nível de esforço, nível de estresse. A consequência disso é que a pessoa fica drenada e, muitas vezes, ela vai nos procurar porque já entrou em burnout.
Ela se esforçou tanto que a vida para ela parece perfeita, parece que ela está entregando os resultados, mas não está tendo satisfação, está cansada, perde cabelo, ganha gordurinha, não consegue cuidar da própria alimentação e vai acumulando problemas. Muitas vezes essa pessoa não tem uma boa intercepção, quando é autista, não consegue perceber quais são os seus limites, não consegue estabelecer os seus limites, dizer os "nãos" necessários. E aí vai ficando sobrecarregada, acumulando tarefas.
Então, são várias atividades, né, vários tipos de intervenção que são, muitas vezes, necessárias nesse momento para que a pessoa se restabeleça. Um outro comportamento muito característico que está associado ao perfeccionismo, e nem sempre a pessoa está atenta a esse tipo de comportamento, é a procrastinação. E isso tem dois motivos.
O primeiro é que, no meu mundo ideal, nada vai dar errado. Meu plano, na minha mente, é sempre perfeito. Então, se eu não executo, eu não corro o risco de me criticar e nem de ser criticada.
Então, isso acontece. Por um mecanismo de defesa, um outro motivo para que a procrastinação surja em pessoas perfeccionistas é que, às vezes, a pessoa fica lapidando o seu próprio projeto por muito tempo e ali, minuciosamente, observando os detalhes da sua planilha e nunca coloca esse plano tão maravilhoso, tão perfeito, em prática. Então, temos esses dois componentes que precisam ser avaliados.
Mas, então, o que fazer para superar o perfeccionismo e esses comportamentos, tanto de se esforçar demais, de não saber dizer não ou de não sair do lugar, ficar em paralisia, só pensando ali no seu plano perfeito, em tudo que você pode conquistar? Bom, o primeiro passo vai ser tomar consciência. Aqui, nós estamos falando do sujeito Y.
Então, se a moça está esgotada, né? Eu estou falando de uma moça autista, por exemplo, que chega ao seu consultório cansada, esgotada em burnout e pensando em tudo mais que ela ainda deve fazer para ter a vida perfeita e para satisfazer, né, o ideal dela mesma ou dos pais. Aqui, nós precisamos dizer que ela pode sair do ponto Y e chegar ao ponto X sem perder desempenho e, o melhor, ganhando qualidade de vida.
Essa é uma troca muito justa e que muitas pessoas, quando percebem, quando têm esse tipo de clareza, elas vão fazer as modificações necessárias. Isso é ótimo! Agora, no caso da procrastinação, como nós podemos trabalhar isso?
Essa é uma dificuldade tanto para os nossos alunos, nossos clientes, quanto para os profissionais. Por isso, eu trouxe aqui o modelo TR teórico de mudança, que é um recurso visual e facilita a identificação da fase em que a pessoa está nesse ciclo, nesse processo de mudança. E daí você faz a intervenção compatível com aquele momento da pessoa que está à sua frente.
Você dá o auxílio personalizado. Isso é excelente! Meu esposo é médico, é ginecologista, e ele tem na gaveta dele esse modelo TR teórico plastificado, porque esses recursos visuais facilitam muito e ele precisa também orientar a sua cliente a respeito dos hábitos mais saudáveis.
E aqui, então, é importante saber que a primeira fase vai ser a pré-contemplação. Então, nesse momento, a pessoa nem cogita que ela tenha um problema, muito menos que exista uma solução para a procrastinação. E daí, o nosso papel vai ser caminhar com essa pessoa para a fase de contemplação.
Nós vamos apresentar a ela, né? Às vezes, nós vamos comentar o que nós escutamos da narrativa sobre o que ela trouxe, quais são as demandas e tal, e mostrar que esse é um comportamento compatível com o de uma pessoa perfeccionista, que nós estamos vendo aquele plano perfeito no papel e que vai ser importante executá-lo para que ela tenha resultados reais. Muitas vezes, vai ser extremamente difícil, sobretudo se a pessoa tem inflexibilidade mental, no caso de pessoas autistas.
E aí, o combinado, o que a gente pode propor e mostrar que é possível, é a execução de micropassos ou micropartes daquele projeto, para que a pessoa tenha uma satisfação. Mas, aí, nós já estamos falando da fase de ação. Então, se a pessoa ainda está na pré-contemplação, a gente leva para a contemplação, depois para a fase de preparo.
Aqui, muitas vezes, o nosso aluno procrastinador, que é perfeccionista, já tem esse plano muito bem estabelecido. Por isso, nós podemos já caminhar para a fase de ação. Então, se ele previu que ele tenha que executar aquele plano gigantesco todo de uma vez, aí trazê-lo para a realidade, dar um passinho atrás e propor esse exercício da execução de micropassos já vai facilitar.
Então, ele vai entrar na fase de manutenção e girar esse ciclo para não ter recaídas. Esse é o objetivo. Mas, por que é importante levar essa pessoa a agir o mais rápido possível?
Porque é justamente executando o plano que a pessoa vai ter mais feedback sobre o que ela pretende construir e aí vai aprimorar o seu projeto. Então, é fundamental. Vai ganhar habilidades e, aí, né, vai realmente cumprir o seu padrão de excelência.
E quais outros recursos nós temos aqui? Eu trouxe uma listinha curta. Lembrando que, ah, talvez apenas assistindo a esse vídeo você já consiga fazer melhorias na sua vida, porque aqui nós fizemos parte da psicoeducação.
E, claro, com um profissional, um terapeuta, um professor, um psicólogo, esse processo de psicoeducação vai ser muito mais personalizado, mais aprofundado. Você vai saber quais são as suas reais dificuldades, quais são os recursos, em que fase você está desse processo de mudança. Então, tudo tende a ser mais efetivo.
Mas eu sei que, para muitas pessoas, a clareza desse momento já vai ser efetiva para pelo menos sair do lugar e executar algumas atividades que são necessárias para você. E o próximo passo, próximo recurso, é o treino de habilidades. Então, essa proposição de agir, de treinar, de cultivar as habilidades, às vezes em micropassos, pode ser útil.
Cultivar a habilidade também de dizer não, se a pessoa estiver esgotada, de enxugar a agenda, de não se preocupar tanto com os olhares alheios. É muito importante identificar quais são as suas distorções cognitivas. E o que é isso, né?
O que são distorções cognitivas? Distorções cognitivas são pensamentos pouco precisos, pensamentos imprecisos. E todos nós temos, todas as pessoas têm esses pensamentos, às vezes catastróficos, ou ficam imaginando o que o outro está pensando dele.
Acreditam que, se não tirar a nota 10, não é um bom aluno. São pensamentos exagerados, imprecisos, que muitas vezes não nos ajudam a progredir na vida. Então, é importante identificar isso e também reestruturar, né, esses pensamentos, flexibilizar esses pensamentos, né?
Às vezes atualizar os pensamentos. O outro ponto vai ser reduzir a autocrítica. Isso tem a ver com as distorções cognitivas, porque, às vezes, esse julgamento que nós fazemos contra nós mesmos.
. . Contra os nossos projetos, né?
O que a gente vê, às vezes, da nossa imagem frequentemente nem é uma voz real que surgiu da nossa própria cabeça. Às vezes, são pensamentos que nós internalizamos lá na infância, ouvindo um treinador, um professor ou os nossos pais, né? Que não aceitavam nota menor do que 10, ou que viam algum erro no nosso desenho, ou que queriam corrigir o nosso jeito de pensar, de vestir, de querer, o corte de cabelo.
. . Tudo isso, às vezes, influencia.
Dependendo da interpretação da criança, ela assume uma autocrítica mais elevada. E aí, exercitar, então, a compaixão, quando vierem esses pensamentos, acolher, né? Com mais cuidado, sem pensar que isso seja real, e sabendo que você tem outras qualidades, que você tem muitas qualidades, que está no caminho para a mudança.
. . Tudo isso ajuda.
E, claro, o objetivo maior aqui é que você aproveite a sua liberdade mental e se divirta ao longo do processo de mudança e ganho de competências. Lembrando que você não precisa rebaixar os seus padrões de comportamento, os seus padrões morais, se você quiser deixar de ser perfeccionista. Por quê?
Porque você pode almejar a excelência, e isso é muito mais flexível, é muito mais saudável, e você pode realmente se divertir, aproveitando as belezas imperfeitas da vida. Então, excelente crescimento a todos! Aproveite para se inscrever no canal, curtir o vídeo, compartilhar com quem você ama e deixe seu comentário aqui.
Me diga se você é perfeccionista ou, melhor, se você era perfeccionista e se, agora, a partir desse momento, você já está contemplando a possibilidade de mudanças e já vai entrar no seu preparo para agir em breve. Grande abraço e até o próximo vídeo! Tchau tchau.