imagina que você é um gay uma moninha e tem uma mulher muito bonita muito bem vestida muito bem maquiada querendo te matar o que que você faria eu chamaria ela de mãe Olá meu nome é Thiago e neste canal a gente fala sobre cultura pop e a inerente conexão entre homens gays e figuras maternas meio abusivas pode acontecer tá bom vai nem todo gay mas será mesmo para conduzir esse profundo debate eu trouxe hoje uma obra que fala muito sobre maternidade culpa e paranoia e tem muita peruca e muito laquê não eu não tô falando
de rupos drag race nem de Minha Mãe é uma Peça o filme de hoje é instinto materno que estreou no cinema esse ano e já tá disponível no catálogo do Telecine aliás Esse é um dos grandes lançamentos da plataforma do mês de agosto mas não é o único Claro o Telecine tem um vasto acervo com o melhor do cinema de diversas partes do mundo tem as novidades mais quentes e os grandes clássicos do cinema tudo bem organizadinho bem bonitinho para você fazer sua maratona se diver e ter todo tipo de experiência audiovisual na sua casa
você pode acessar seu teline pela sua TV pela assinatura se você tiver ou através do Global Play ou do Prime vídeo O link tá aqui embaixo na descrição pode lá assistir que eu garanto que vai ser tudo de bom para você vamos aproveitar então vamos agora de volta para instinto materno estamos falando hoje de um filme com Annie hathway e Jessica chasten duas das mulheres brancas com o maior potencial de passe livre para maltratar um gay na história de Hollywood metaforicamente claro não sou eu que tô dizendo isso somos especialistas e essa é a primeira
vez que elas co protagonizam o mesmo o filme elas já apareceram juntas antes em a Mag Don time que também tem no Telecine mas nesse aí a Jéssica faz só uma pontinha aqui não aqui as duas estão brilhando e brilhando mesmo viu porque o forte de instinto materno é justamente essa presença magnética hipnotizante dessas duas atrizes e se quisessem dar um tapa na minha cara eu acho que eu deixaria viu Enfim vamos falar do filme ter mother mother em instinto materno A An hathway vive a personagem Celine enquanto a Alice é vivida pela Jessica chastin
essas duas mulheres são vizinhas num Subúrbio Americano dos anos 60 e o diretor do filme O benard del hol ele ambienta muito bem essa história que para uma audiência mais contemporânea lembre visualmente a série madman eu acho que madman hoje é a principal referência estética para esse recorte específico dos Estados Unidos enfim o filme Conta essa história de duas mães vizinhas esposas mulheres e acima de tudo amigas e as tensões que se constroem entre elas a partir de um terrível acidente Mas vamos por partes os filhos delas também são muito próximos e os maridos também
são Brothers não mas não tem nada de gay não E essas duas famílias vivem lado a lado em casinhas suburbanas com Gramado e cerquinha é a representação perfeita do sonho norte-americano sobre Urbano mas Nem tudo são flores nessa história uma das coisas que a gente aprende Logo no início do filme é que Alice se sente insegura como mãe mesmo sendo muito protetora com seu filho ela não acha que tem o dom ou algo assim é difícil colocar em termos muito objetivos mas ela se sente bastante insegura Ela acha que é uma péssima mãe eu acho
que ela explicitamente fala isso no filme não sei se estô lembrando errado isso tem a ver também com o fato de que para ela se tornar essa esposa dona de casa mãe ela precisou largar a carreira de jornalista Celine que é parece que ela curte muito esse papel de mãe e ela se encaixa muito bem na comunidade ao mesmo tempo que ela incentiva bastante a amiga a voltar a trabalhar elas são muito amigas Essas são algumas das tensões que já aparecem desde o início do filme Antes do estopin da história desde a primeira cena a
gente já sente alguns sutis spoilers do que tá por vir a gente já começa o filme vendo a Alice espreitando a vizinha sair de casa para entrar na casa dela sem ninguém ver Celine sai de casa para buscar os filhos na escola e quando ela volta tem aquele clima bem pesado de suspense como se algo muito horrível fosse acontecer a qualquer momento a vizinha entrou na casa dela sem ninguém ver tá aquele clima de suspens esquisito e aí quando a gente menos espera [Música] [Aplausos] é uma festa de aniversário essa cena inicial constrói muito bem
o tom do filme que a gente tá começando a ver a gente tem uma relação de amizade muito bem estabelecida duas famílias felizes estruturadas mas com algumas rachaduras emocionais aparentes existe também um certo subtexto queer entre essas duas mulheres que aparece ali Talvez para evidenciar essas rachaduras tem algo de podre no Paraíso éon normativo entende enfim o que acontece em seguida é o estopin da trama do filme e uma tragédia horrorosa se você se importa com spoiler Essa é a hora de pausar o vídeo mas veja essa cena tá no trailer do filme então eu
não sei se é um spoiler tão grande assim mas fica o aviso enfim o que acontece é o filho de Celine Anne hathway enquanto estava sob os cuidados de Alice Jessica chastin sofre um acidente terrível e morre ele cai da jela de casa como é se imaginar essa morte prematura é devastadora pras duas famílias em especial Claro para essa mãe que acabou de perdeu um filho e como eu disse ela é uma mulher que parece se encaixar muito bem nesse papel uma típica mãe Branca Suburbana dos Estados Unidos do meio do século 20 a perda
de um filho nesse contexto não é uma mera rachadura emocional numa configuração social frágil mas sim uma ruptura completa brusca e devastadora uma tragédia que abala Inclusive a amizade entre essas duas mães porque quem tava cuidando da criança era a el uma mulher que já se sentia inadequada como mãe Dentro de todo esse contexto emocional [Música] complicado a partir daí o filme vai ganhando gradativamente cada vez mais tons paranoicos al começa a desconfiar que Celine tá fazendo jogos mentais com ela e essa desconfiança passa a ativar alguns gatilhos al gatil nas duas a saúde mental
das duas é muito prejudicada pela violência pela culpa mas também pelas imposições da estrutura social onde elas vivem isso é representado Em alguns momentos pela comunidade escolar lembra do que eu falei antes a Alice a Jessica chasten tinha uma carreira de jornalista que ela largou PR ser mãe ela abriu mão da carreira PR ser mãe e pra sociedade ela é uma mãe e acabou a maternidade arrancou esse sonho de carreira da vida dela já a Celine parecia confortável parecia feliz com a maternidade mas o que que sobra para essa mulher depois que ela perde o
filho o que que ela é pra sociedade agora que ela não é mais mãe esse lugar da biologia do essencialismo de gênero do instinto materno versus o lugar da mulher na estrutura social é um elemento de discussão e de tensão durante todo o filme e de certa forma o roteiro sugere que parte do espectro de Emoções das mulheres ou dessas personagens femininas Pelo menos é vamos dizer assim um pouco mais do que simplesmente ser uma mãe pacata e bondosa essas mulheres essas mães Elas são complicadas Mas o foco da história que aliás é baseada num
livro de 2012 escrito pela Bárbara Abel é ser tipo um Thriller dramático em que você em especial se você for um homem gay precisa descobrir qual das duas mães tem razão a mãe número um que tentou salvar o filho da vizinha ou a mãe número dois que para tentar superar o luto acaba se aproximando bastante do filho da mãe número um Será que ela tá fazendo fazendo isso para curar o luto ou para se vingar Será que o objetivo dela é roubar o filho da outra mãe roubo de criança é coisa de novela né adoro
e veja eu não tô falando dessa coisa do gay à toa não eu tô trazendo esse assunto porque veja bem toda essa iconografia da mãe tradicional dos anos 50 e 60 dos Estados Unidos é um elemento muito forte nesse filme e por vezes até um pouquinho exagerado quase artificial isso não é uma crítica eu acho que essa ar artificialidade agrega uma camadinha de leitura na história toda Eu só queria dizer que eu tive que interromper a gravação porque tá passando carro de som aqui na frente da minha casa tocando a música Iris do Google Dolls
a gente tem duas mulheres duas mães muito bem vestidas muito bem maquiadas e uma relação de rivalidade que é construída a partir de morte paranoia e uma pitadinha de queer coding sempre bom [Música] né E essas duas mulheres são an haway e Jessica chest elas são as atrizes e as personagens divas elas incorporam no filme A ideia que se tem de uma diva uma diva gay tô viajando não tô não existe uma relação forte entre a comunidade gay homens gays e as suas divas a diva que te protege e te acolhe na mesma medida em
que te maltrata enquanto fuma um cigarro com uma piteira de 30 cm meu fale com isso né uma mulher sofisticada arrogante e um pouquinho desagradável uma mãe Essa cidade é um verdadeiro matadouro para uma pessoa fina no livro the rise and Fall of Gay Culture Ou seja a ascensão e a queda da cultura gay o autor Daniel Harris fala o seguinte no cerne da Adoração da Diva gay não está a diva em si mas a experiência homossexual quase universal de ostracismo e insegurança que em última análise levou ao que poderia ser chamado de esteticismo do
desajustamento a exploração do homem gay de visões cinematográficas da grandeza de Hollywood para se elevar acima de seu ambiente antagônico colocando em outros termos a experiência de ostracismo e isolamento vivida por homens gays induz a gente a incorporar a cultura de celebridade de uma maneira específica veja estamos todos mergulhados em cultura de celebridade Há muitas décadas praticamente um século talvez Mais Que Um século não sei fazer conta mas o espelhamento da comunidade gay de homens gays se dá segundo Daniel Harris através dessas visões cinematográficas de grandeza numa tentativa estética de se elevar mas eu não
acho que é só isso obviamente não é só isso tem muitas camadas existe esse espelhamento existe essa identificação especificamente com figuras femininas mulheres que mesmo em seus status de celebridade também estão no lugar de ostracismo e isolamento seja por serem mulheres seja por serem celebridades seja por serem mulheres celebridades mas através desse status de celebridade desse estatus de Diva essas mulheres conseguem uma elevação estética entenda não é uma emancipação é uma elevação estética é tipo uma performance não necessariamente intencional mas em alguns casos existe uma intencionalidade política por exemplo na cultura drag na cultura ballroom
com a ideia de opulência de andar como se você fosse dona de tudo essa ideia de andar como se você fosse dona de tudo vem do movimento LGBT dos anos 80 nos Estados Unidos e ele é protagonizado justamente por pessoas que não são Donas de tudo são pessoas que não TM nada mas elas andam elas performam elas agem Elas têm uma postura de quem é dona de tudo é uma espécie de elevação estética é uma espécie de empoderamento é todo um babado AP you Own Everything é uma performance de poder de status de riqueza Mas
é uma fachada e a gente sabe que é uma fachada a gente sabe que é uma faça parte da performance envolve a consciência de que tudo isso é uma performance é por isso que eu fiquei fascinado com o jeito que instinto materno brinca com essa ideia de artificialidade para mim pareceu uma artificialidade intencional as maquiagens impecáveis os cabelos perfeitamente armados e a estética perfeitamente calculada de uma configuração familiar tradicional dos Estados Unidos de 50 anos atrás uma configuração social que frequentemente é evocada por movimentos de extrema direita uma configuração familiar que não existe sem as
suas rachaduras essa é uma história sobre gênero e sobre obsessão e obsessão também é parte da cultura de celebridade da cultura de Hollywood e da relação entre homens gays e suas divas voltando rapidinho para Daniel Harris ele chega a comparar o culto gay as divas Pops com o futebol americano mas não é difícil enxergar o futebol brasileiro nessa dinâmica também embora essa analogia seja perfeitamente possível principalmente se a gente considerar as dinâmicas de rivalidade entre as divas eu acho que essas obsessões existem em lugares conceituais Sutilmente diferentes em especial por causa das dinâmicas de gênero
quando fãs de diva pop em especial jovens gays e mulheres expressam seus amores e suas obsessões eles são ados em parâmetros diferentes dos parâmetros relegados ao futebol quando Taylor Swift e RBD vieram pro Brasil causaram grandes comoções entre seus fãs a palavra histeria apareceu com bastante frequência nos noticiários e nas redes sociais enquanto que quando uma histeria semelhante acontece toda quarta-feira e todo domingo quando os times de futebol estão jogando esse fenômeno costuma ser visto com uma maior naturalidade é normal e por mim tudo bem que seja normal eu sei que tem muita gente doida
em tudo que é lugar mas o ponto Justamente esse tem gente doida e obsecada em tudo que é lugar ainda mais hoje em dia mas existem parâmetros e termos diferentes para avaliar o comportamento humano Dependendo de quem é o ser humano que tá sendo julgado o Daniel Harris também diz que o culto é divas proporciona aos homens gays uma forma paradoxal de entrar em contato com a própria masculinidade como é igual o futebol também proporciona isso para os homens héteros sedentários ele Fala especificamente assim étero sedentários nada contra esse encontro paradoxal com a masculinidade via
diva pop Pode surgir pelo costume de alguns homens gays de se apegarem a essas figuras femininas durante a infância por conta de uma suposta falta de identificação com figuras masculinas é meio esquisito Mas vem comigo isso não sou eu dizendo que todo gay tem pai ausente alguns tem da forma como eu vejo essas dinâmicas estão mais relacionadas com performances de masculinidade ou performances de gênero como um todo esse agir como um homem para homens gays mulheres trans ou qualquer pessoa que foi designada como homem ao nascer seja homem aja como homem performe em masculinidade são
frases que muitas vezes precedem violências simbólicas ou não tão simbólicas assim essa ideia do seja homem é incorporada à vivência LGBT de um jeito muito contraditório violento e causa com muita frequência comportamentos contraditórios e violentos na vida adulta diante dessas normas de gênero arbitrárias e agressivas é comum que crianças gays encontrem Refúgio numa espécie de reino feminino ou melhor num reino conceitual percebido como feminino é muito estranho mas gên é um negócio meio estranho mesmo obviamente na nada do que eu descrevi aqui são experiências universais Eu mesmo não me identifico com tudo que eu descrevi
aqui mas é possível reconhecer parcialmente algumas coisinhas um artigo de 2023 do site gay times argumenta que as divas pop exercem sobre os fãs gays um papel de força apoio e acolhimento um papel estético de força apoio e acolhimento pelo menos essa é uma notinha particular minha ou seja em certa medida é um papel que a estrutura social reserva para as mães são códigos percebidos como femininos e maternais eu não tô falando de ologia nem de essencialismo então Nesse artigo tem uma entrevista com Paul Baker que é um professor de língua inglesa da Universidade de
Lancaster e ele é autor desse livro aqui que é muito importante pra comunidade LGBT da Inglaterra ele argumenta que o termo mãe é usado pela comunidade gay há séculos para reforçar esse argumento ele traz a história de uma mulher chamada Margaret clpp que era dona de uma cafeteria que em 1720 era um refúgio para homens gays londrinos essa mulher essa Margaret clap Ela ajudou uma galera a se livrar de acusações de sodomia E ela ficou presa durante dois anos porque ela administrava um lugar que era conhecido como Molly House um termo que era usado na
época para se referir a esse tipo de lugar lugares que acolhiam pessoas gays pro Paul Baker a Margaret clap era o que a gente chama hoje de aliada Enfim uma mãe recentemente na história humana na história do movimento LGBT as comunidades de homens gays construíram o hábito de chamar de mãe o homem gay mais velho do grupo o termo é especialmente aplicado a um homem gay mais velho que viu de tudo e passou por tudo então posteriormente tem muita sabedoria arduamente conquistada para transmitir e pode fornecer apoio emocional aos membros mais jovens do grupo social
eu não quero me alongar muito nessa parte linguística da questão mas tem uma parte dessa história que envolve a rede social a forma como esse linguajar esse léxico LGBT vem sendo traduzido rapidamente de um país para outro tipo quando a gente fala Hoje que tal cantora serviu tal coisa que é uma tradição literal de termos como serving realness por exemplo tudo isso se torna parte desse universo conceitual que nos cerca e eu gosto muito que esse imagin ário atravessa diferentes mídias diferentes décadas e diferentes referências vai dar moda pro cinema pra música pop e pro
tiktok tipo sei lá você tem um look específico da coleção outono inverno de 1992 do tiry mugl que vira referência para uma vilã complexa e multifacetada de celor Moon que acaba no Instagram da drag Fifi rara em 2015 enfim todas são nossas mães e eu acho que esse arcabouço de referências pode criar uma percepção bem específica de um filme sobre mães mulheres vizinhas esposas e possíveis amantes que se tornam rivais e obsessivos uma com a outra se você for LGBT claro eu sinto que é por causa disso que se você entra no letter Box aquele
site de cinema as críticas mais curtidas de instinto materno estão justamente nesse lugar nesse lugar queer onde os espectadores estão imaginando uma versão do filme em que Alice e Celine largam tudo e ficam juntas ou que o lesbis smo teria salvado elas duas da ruína ou que todas as cenas entre elas poderiam ter terminado com beijo ou que o filme inteiro é um desafio de passar Du horas sem chamar a Ann hathway de mãe é quase Como Se existisse um filme paralelo na imaginação de lgbts ao redor do mundo inteiro e o mais interessante é
que para mim esse filme paralelo parece que tá incorporado ao filme real sabe parece que se você olhar direitinho Se você prestar muita atenção se você fixar seu olhar nas frestas que existem entre os frames A An hathway vai saltar da tela e voar no seu pescoço e você não vai ter escolha a não ser chamar ela de mãe Olá mamãe gente Esse vídeo é um pouquinho mais curto eu sei a partir desse segundo semestre a gente vai ter alguns vídeos um pouco mais curtos Mas isso não quer dizer que acabaram os vídeos longos muito
pelo contrário tem muito vídeo longo vindo por aí mas é aquilo né demora e esse é justamente um dos principais motivos que me levaram a fazer alguns videozinhos mais curtos PR a gente não ficar sem vídeo então assim pode comemorar vai ter bastante vídeo alguns curtos alguns mais longos tá bom para você Espero que sim deixe o comentário aqui embaixo para fortalecer o engajamento até o próximo vídeo