Estou partindo de Salvador com destino a Mangue Seco, o último pedaço de terra do litoral da Bahia antes de começar o Sergipe, lá na pontinha nordeste. Vai ser um trecho de vento contra, correnteza contra, então eu não tenho certeza de quanto tempo exatamente vai demorar. Eu imagino que umas 30 horas.
E é por isso que eu saí nesse horário. Apesar de pegar duas noites, assim eu chego lá em uma das pequenas janelas do dia que é possível para o meu barco, com dois lado entrar na barra. Porque ela é rasa.
E contra a correnteza fica potencialmente perigosa. Depois daquele facho de luz, que é o farol da Barra de Salvador, é o mar aberto. Até aqui parecia tudo super tranquilo.
O mar estava liso, uma corrente fazia andar quase sete nós, que era bem mais rápido do cinco que eu havia colocado como média planejando a viagem. Tudo estava ótimo. Ter prédios enormes, assim como o cenário, É a exceção na quase uma década que eu moro em Veneza É sempre algo interessante e meio curioso estar perto deles.
A lua, além de obviamente enfeitar a moldura, também é algo que ajuda muito navegando à noite. Sem ela, é um breu total e é difícil ver alguma coisa que não tenha luz própria. Por sorte, o oceano é um lugar bem vazio.
Mas mais longe da costa, não tão perto quanto eu estou agora. Há várias coisas que eu posso colidir aqui.