Oi, Cobori. Boa tarde. Me chamo Nicolas Rodrigues, falo aqui de Lajado, no Rio Grande do Sul.
Primeiramente queria parabenizar teu trabalho, né? Hoje a gente sabe que as redes sociais faz com que a gente veja conteúdo sempre com o mesmo viés e acaba nos cegando, né? Então eu vejo que teu conteúdo tem um papel social de conscientizar a sociedade, né?
Inclusive teu trabalho me ajudou a enxergar eh que eu defendia cegamente à direita, né? uma visão muito parcial da economia e do mundo. Agora eu vejo, né, como tudo tem seus pontos positivos e negativos.
Nesse sentido, eu gostaria que tu comentasse sobre o aumento do poder econômico do Estado, né, da arrecadação do Estado, em específico aqui no Brasil. Eu vejo que os serviços públicos aqui no Brasil não correspondem muito bem ao valor de tributos arrecadado hoje, né, em comparação com os outros países do G20, por exemplo. Então eu tiro a conclusão que a máquina pública brasileira é menos eficiente e mais corrupta do que a máquina pública desses outros países que a gente comparou.
Nesse sentido, tu acredita que antes de a gente aumentar a arrecadação do Estado brasileiro, a gente não deveria focar no aumento da eficiência dessa máquina pública? Muito obrigado, Cobores. Ainda mais sucesso aí pro teu trabalho.
Abração. >> Bem, Nicolas de Lagado, no Rio Grande do Sul. Legal, Nicolas.
Primeiro seu depoimento, né, que você tinha essa visão muito ligada à direita, né, com essa com esse foco e enviezado e e muito restrito, né? E eu fico feliz aqui de ter transmitido, né, algum conhecimento que te fez fazer reflexões, né? Agora, quanto ao poder, né, arrecadatório do estado, é, obviamente a sua crítica tem validade e eu acho que todo mundo concorda com você, né?
A gente precisa aumentar a eficiência e a qualidade dos serviços públicos, porque realmente a impressão de todos os cidadãos brasileiros é que a a qualidade desse serviço prestado não corresponde, né, à quantidade de impostos que que a população paga. Então, eh, você tem toda a razão. Agora, as coisas tm que andar e paralelamente.
Você precisa aumentar a eficiência do serviço público, mas precisa, eh, não é aumentar o poder de arrecadação do Estado. Na realidade, a gente tem que e equilibrar esse poder e torná-lo eh uma tributação mais progressiva, ou seja, que quem ganha mais paga mais imposto e quem ganha menos paga menos imposto. Na realidade é aqui no Brasil é invertido, né?
nosso nossa sistema tributário é regressivo, ou seja, as camadas mais pobres da população pagam mais impostos, né, e os mais ricos pagam menos impostos. Eh, e a classe média por si só é a que paga mais impostos, né? Porque sempre que você tem eh essas medidas aí de aliviar a carga tributária da população, eh quando eu tô falando de imposto de renda, né, a as camadas mais pobres eh tem uma faixa de isenção e quem acaba arcando com todo o ônus da do imposto de renda é a classe média, né, que paga até 27,5% de imposto de renda.
E aí quando você sobe paraas classes eh mais altas, mais ricas, elas têm uma série de subterfúgios, planejamento tributário que elas não pagam e imposto de renda, paga muito pouco imposto de renda. Foi isso que passou no Congresso agora, né? É a pessoa que ganha acima de R 1.
200 por ano, ou seja, R$ 100. 000 por mês, é uma grande parcela dessas pessoas não tava pagando nem 10% de imposto, né? E agora vai passar a pagar 10, ou seja, vai pagar esse diferencial.
Se ela pagava só sete, vai pagar mais três para pagar o mínimo de 10. Eh, mesmo assim é baixo, né? Se comparado com a classe média que paga até 27,5%.
Mas quando a gente fala isso, as pessoas eh confundem. Imposto de renda é um dos tributos que nós pagamos. Eh, quando você olha a arrecadação total, ou seja, todos os impostos que são recolhidos no Brasil, quando você olha a arrecadação total, o que eu tenho batido assim, entre 40 e 50% é só sobre consumo, ou seja, quase 50% de toda arrecadação total vem do consumo.
Isso é extremamente regressivo, né? Porque eh o mesmo imposto do consumo é para toda a população. Então, se o cara é bilionário, sempre dou o exemplo aqui, né, o Jorge Paulo Lema, ele paga exatamente o mesmo imposto que paga um desempregado, um morador de rua, quando ele vai eh consumir, quando ele vai comprar alimentos, ele acaba acaba pagando o mesmo imposto que o Jorge Paulo Lema.
Então, ele é extremamente regressivo, né? Eh, e como e aí a matemática é número de pessoas, né? eh mais de 90% da população está nessa camada que ganha muito pouco, elas acabam eh 90% da população acaba fornecendo metade da arrecadação do estado via consumo e a outra metade, uma boa parte, grande parte dela, a classe média e os ricos e super ricos pagam muito pouco imposto quando eu olho a arrecadação total.
Então, a gente tem que equilibrar eh essa forma de cobrar imposto e e essa tributação ser mais progressiva. Novamente, quem ganha menos paga menos imposto, quem ganha mais paga mais imposto quando eu tô olhando a arrecadação total. E aí, paralelamente, obviamente, todo esse imposto que é arrecadado, que é utilizado pelo Estado, não só para fornecer serviços públicos, né, para toda a população, assim como para fazer investimentos públicos, que é o que eu defendo, esse serviço tem que ser melhor prestado, com a qualidade melhor.
E isso é um dever de todos nós, né, da sociedade, eh, fiscalizar e cobrar que esses serviços sejam e mais eficazes, né, ten uma qualidade melhor. Como eu digo, nenhum país começou, como as pessoas citam, os países nórdicos, eles não começaram fazendo tudo certinho. Eles lá no passado também tiveram seus problemas, mas a sociedade via luta política, né, via cobrança, acabou eh fazendo com que tudo isso evoluísse.
Então, não é a gente parar de prestar o serviço público, a gente tem que cobrar por um serviço público melhor, por políticas públicas, eh, que transformem aí eh esses serviços prestados à população, eh, com mais qualidade. Então, não é que a gente brinca, não é jogar a água e o bebê, a água suja e o bebê junto fora, né? Na verdade, a gente tem que jogar água suja e tentar limpar o bebê.
Então, é essa é a grande missão. E a gente, como eu digo, não existe caminho fora da política, né? Quando a gente tá falando de mexer em tributos, a gente vê o que acontece, porque o poder econômico é poder político e a gente nunca consegue alterar isso, né?
E aí vem junto com essa esteira da meta fiscal, ah, tem que melhorar, tem que cortar gasto. Tem que cortar gasto. Mas sempre que que propõe-se cortar gastos, né, desnecessários, ou seja, privilégios, né, da do legislativo, privilégios do judiciário, privilégios do próprio executivo, privilégio dos militares, você vê que nada disso passa, porque esse pessoal tem um poder eh político muito grande, né, de fazer lobby, de influenciar os políticos no Congresso.
E a grande maioria dos congressistas estão lá representam esses interesses. Então não mexe, né? Então é tudo um jogo de cena, é só retórica.
Quando você vê esse pessoal da oposição, o governo tem que cortar gastos, cortar gastos, mas quando propõe cortar esses gastos desnecessários, né, esses privilégios que muitos dos políticos do legislativo e de servidores, juízes, né, do judiciário tem, eh, ninguém deixa mexer nisso, né? Então tem um lobby ali muito forte, uma pressão política muito forte que não muda. Então a sociedade tem que ter essa consciência, né?
A sociedade tem que saber avaliar isso e saber enxergar, né? Que tudo ali não passa de retórica, de discurso e para enganar a população, porque eles realmente não querem eh que os gastos públicos desnecessários sejam cortados, né? Todos eles se aproveitam desses gastos públicos desnecessários.
Então, a gente precisa aprender a eleger pessoas melhores, políticos melhores, eh, que realmente nos representem no Congresso Nacional, eh, do poder executivo, políticos do poder executivo, que realmente represente a vontade da população, né? Não só e na promessa durante a campanha eleitoral, quando eles a gente tem que aprender brasileiro, a gente tem se defender, vota e depois muito provavelmente daqui 4 anos, nem lembra em quem ele votou para deputado, né? que ele votou para senador, vota e passa os 4 anos, no caso de senador, 8 anos acompanhando o que esses políticos fazem lá no Congresso, né?
você vai ver que a grande maioria não faz nada. Ele só fica ali hoje, né, com o advento das redes sociais, eles só ficam ali querendo lacrar, né, querendo eh fazer discurso ideológico, uma pauta de costumes, uma pauta de ódio, nada assim que é muito produtivo pra sociedade. É só retórica, retórica para ficar alimentando, né, eh, essa polarização, ficar alimentando e o que as pessoas têm de ruim.
Eh, mais de útil para sociedad, eles não propõe nada. Então, você votou em algum desses políticos, entra ali no site da Câmara, acompanhe o que ele fez, quais os projetos de lei que ele tá propondo, eh, o que que ele faz no dia a dia ali. Você vai ver que a grande maioria não faz nada, só fica ali gravando o videozinho para pôr na internet.
Então, a gente precisa ter essa consciência política e novamente saber que não existe caminho fora da política. Por mais que a gente não goste, critique, não existe, né? uma sociedade organizada depende da política para evoluir.
Eh, então é isso, tá? OK, Nicolas, fico feliz aí com as suas reflexões e fico feliz que você segue nesse caminho aí de busca de de mais conhecimentos. Yeah.