“O que é o desapego? Desapego é estar consciente do fato de que não há nada que valha a pena ter ou se alcançar além do Conhecimento sobre o verdadeiro Eu”. - Siddharameshwar Maharaj.
A lembrança, ou o Conhecimento, é Brahman – a Realidade Espiritual; a não-recordação, ou ignorância, é Maya – a Ilusão Mundana. Para estabilizar tal Conhecimento, é necessário um desejo pela luz do Conhecimento. O fogo do desejo sincero, apaixonado e ardente é a fonte do Conhecimento.
É o desejo sincero pelo Senhor que eventualmente atrairá a Sua iluminação. Esse desejo é o resultado de um profundo amor ou devoção a Deus. Mas não podemos sentir e desenvolver devoção pelo Senhor, a menos que sintamos desapego pelos objetos materiais.
A devoção não pode brotar ou crescer sem o desapego. É por isso que os santos nos disseram: “O desapego é a fonte da devoção”. Devoção e desapego são interdependentes.
Eles ajudam um ao outro em seu desenvolvimento. Quando nossa devoção é aumentada com a ajuda do desapego, nossa meditação ganha intensidade. Devemos refletir profundamente sobre os aforismos: “O fogo é a fonte da Iluminação e o desapego é a fonte da devoção”.
Realmente, a devoção e o desapego são interdependentes. Eles se retribuem. O desapego desenvolve a devoção, e a devoção desenvolve o desapego.
Isto é Vairagya – A Liberdade do Desapego. Bhausaheb Maharaj. “Liberdade significa desapego.
As pessoas simplesmente não tem a intenção de desapegar. Elas não sabem que o finito é o preço do infinito”. - Nisargadatta Maharaj.
A disciplina moral tem dois aspectos, um negativo e outro positivo. O primeiro aspecto pede para que eliminemos os nossos vícios, enquanto o outro pede para que cultivemos virtudes. O ego, nascido de nossa identificação com o corpo é o pai de todos os vícios, como a luxúria, a raiva, etc.
Ele dificulta tanto o bem-estar material quanto o espiritual. Portanto, deve primeiro ser eliminado. Devemos começar percebendo as nossas deficiências e aprendendo a discernir entre o essencial e o não essencial.
Isto é Viveka, o discernimento da Realidade. Depois, para se atingir o essencial, devemos evitar o não-essencial. Isto é Vairagya, o desapego.
A renúncia não é externa, é interna, é renúncia mental. A menos que abandonemos nosso desejo pelos objetos dos sentidos, não alcançaremos Deus. Mas o homem miserável não percebe isso de forma alguma.
Ele não presta atenção à devoção. Ele a negligencia completamente. Tal é a poderosa atração dos objetos dos sentidos.
Para alcançar a Bem-aventurança, devemos estar preparados para desistir dos prazeres dos sentidos. Não podemos ter prazer dos sentidos e prazer divino simultaneamente. A devoção ou paixão pelo Senhor requer necessariamente o desapego.
O desapego é a chave para a verdadeira liberdade. Portanto, devemos sempre tentar intensificar a nossa meditação e devoção. Ao desenvolver Vairagya (desapego), aprendemos a nos libertar da atração dos objetos dos sentidos, e ao mesmo tempo, aprendemos a levar uma vida moral.
Só isso nos permitirá fazer algum progresso na vida espiritual. Em suma, você deve ser disciplinado, verdadeiro e imparcial em sua conduta. Aja de tal maneira que notícias perfumadas sobre seu comportamento sejam ouvidas.
Só então você estará apto para o Caminho da Devoção. Para ser breve: Você deve ser sincero e verdadeiro em todas as suas ações, na conduta e nos negócios. Você nunca deve deixar de manter a sua palavra.
Não deve haver disparidade entre suas palavras e ações. Sua palavra não deve preceder sua ação. Sua conduta deve estar livre de manchas.
O reconhecimento do perdão, da compaixão e da paz em seu comportamento inspirará as pessoas a adorar ao Senhor. Portanto, um buscador deve necessariamente desenvolver essas virtudes. Se assim rompermos as armadilhas do apego, e aumentarmos a nossa devoção, o anseio apaixonado pelo Senhor assim produzido, nos concederá o Autoconhecimento e nos fundirá no estado de Liberação no qual a consciência do corpo é completamente eliminada.
Esta pessoa Liberada, absorta em Deus, não tem mais nenhum dever obrigatório. Brahman, transcende todos os deveres. Essa é nossa verdadeira liberdade.