Sejam bem vindos ao Nerdologia! Eu sou o Átila, biólogo, pesquisador e escalador de escada rolante. Hoje vamos entender porque faz todo o sentido geológico o topo do Everest ser novo e formado pelo fundo do mar.
Entendemos montanhas como algo presente em várias paisagens. Mas como as montanhas mais altas foram parar lá? O que elas fizeram pra crescer desse jeito?
O Monte Fuji representa o jeito mais independente de uma montanha se formar: quando um vulcão deposita camadas de lava, que vão se acumulando umas sobre as outras até formar uma montanha. Várias das montanhas que conhecemos foram, na verdade, chaminés vulcânicas, como o Monte Elbrus, o vulcão mais alto da Europa, e o Monte Kilimanjaro, o mais alto da África. Até o arquipélago inteiro do Havaí foi formado através de uma chaminé vulcânica no meio da placa do Pacífico que primeiro formou vulcões submarinos e depois as ilhas, entre elas Big Island, onde ainda dá pra se ver os vulcões ativos!
Todo esse vulcanismo na ilha mais nova, Big Island, fez a maior montanha do mundo! Daqui, do alto do Mauna Kea, que vocês estão vendo aqui atrás, são 4. 200 metros de altitude, muito mais baixo do que a gente conhece, o Everest, com quase nove quilômetros.
Mas, se você contar da base, do fundo do mar até aqui, o Mauna Kea tem mais de 10. 000 metros de altura, enquanto o Everest, da base dele até o topo, já que ele foi formado por outro processo geológico, tem só cerca de 4. 000 metros!
O ar aqui é tão limpo e tão rarefeito que o topo do Mauna Kea é forrado de observatórios, da Universidade do Havaí à Nasa! Aqui tem menos de 40% do oxigênio que a gente encontra ao nível do mar. Por isso, quem trabalha nos observatórios aqui atrás precisa descer todo dia pra moradia deles a 2.
800 metros de altitude. Assim eles conseguem respirar um pouco melhor, mas se mantêm aclimatados para voltar pra cá no dia seguinte e trabalhar aqui. Já a cadeia dos Andes mostra a forma coletiva de montanhas se formarem, que gera picos a mais de 6.
000 metros de altitude! Como já contamos no Nerdologia sobre o centro da Terra, a superfície terrestre, ou "crosta", é uma camada sólida boiando sobre magma, que se comporta como líquido. Isso faz com que a crosta tenha movimento, através de placas sólidas enormes chamadas de placas tectônicas.
A aceitação dos movimentos tectônicos e da deriva continental é bastante recente, como Bill Bryson descreve no recomendadíssimo "Uma Breve História de Quase Tudo". Enquanto a placa africana avança pra cima da Europa, se afastando do Brasil a cerca de 2,5 centímetros por ano, nós, aqui no Brasil, estamos relativamente livres de terremotos, porque ficamos no meio de uma placa enorme, a sul-americana, onde pouca coisa acontece. Já na outra costa do continente, a nossa placa está avançando pra cima da placa de Nazca, mais antiga e mais pesada, em um processo chamado de subducção.
As rugas do continente se desdobrando sobre a placa de Nazca formam a Cordilheira dos Andes, uma série de montanhas e formações que se estende do sul da América do Sul até a Colômbia e uma pontinha da Venezuela. O maior pico, o monte Aconcágua, na Argentina, chega a quase 7. 000 metros de altitude.
Por isso tantas cidades da América do Sul, como La Paz, são tão altas e por isso temos vulcões e terremotos violentos na Costa do Pacífico. Mas tudo isso é brincadeira perto do conjunto de montanhas que separa e regula o clima da Ásia: o colossal Himalaia. ou "Morada da Neve", uma cadeia de montanhas de quase 3.
000 quilômetros formada pelo norte do que era o continente indiano colidindo com o continente asiático há cerca de 70 a 50 milhões de anos atrás e enrugando, conforme entra embaixo da placa tectônica da Eurásia. Sim, com muita determinação tectônica, a placa indiana subiu desde mais ou menos onde está a Austrália até colidir com a Ásia e entrar embaixo dela. O Himalaia foi formado pelo que era o fundo do mar do norte da Índia, que se enrugou e foi empurrado pra cima.
Por isso encontramos calcário e fósseis marinhos no alto do Everest a mais de 8. 800 metros de altura! Esse movimento é incrivelmente recente e ainda acontece, já que a Índia ainda está entrando na Ásia e empurrando o Himalaia meio centímetro pra cima a cada ano.
A cricatriz da colisão de continentes é tão monstruosa que formou quase todas as 14 montanhas que passam de 8. 000 metros de altitude, enquanto o monte mais alto fora de lá é o Aconcágua. Uma cadeia de montanhas tão alta que influencia o clima do mundo em uma escala global, barrando as chuvas que sobem da Índia em direção à China e formando as nascentes de rios, como o Ganges, que servem mais de 600 milhôes de pessoas.
Essa altitude toda também clama vidas: centenas de pessoas já morreram tentando escalar os picos com mais de 8. 000 metros: mais de 250 só no Everest, 16 no ano de 2014. Como já explicamos, ainda no terceiro Nerdologia, sobre Zona da Morte, a falta de água, já que as nuvens são barradas pelas montanhas, e o pouco oxigênio de tamanha altitude faz com que o ambiente no alto do Himalaia seja um dos mais agressivos do planeta.
O ar rarefeito e o frio fazem com que poucas espécies consigam viver a mais de 5. 000 metros de altitude. O platô do Tibete inteiro foi formado pela colisão de placas tectônicas, como a da Índia, e, por conta desse enrugamento, fica a mais de quatro quilômetros de altitude, o que fez com que os tibetanos evoluíssem adaptações à altitude nos últimos milhares de anos.
Enquanto eu estava ofegante no Mauna Kea e passaria alguns dias respirando mais rapidamente até me aclimatar, os sherpas mantêm um ritmo mais rápido de respiraração por toda a vida, têm pulmões maiores e conseguem manter bons níveis de oxigênio no sangue mesmo acima dos 7. 000 metros. Tudo isso com mutações únicas deles.
Verdadeiros X-Men! Quanto ao Homem das Neves, ou "Yeti", tudo indica que, além da falta de ar, os animais avistados até agora são ursos típicos da região. Mas não deixa de ser legal saber que, até centenas de milhares de anos atrás, um primata enorme, chamado Gigantopithecus, realmente vivia naquela região.
Não se esqueça de curtir e compartilhar o vídeo, assine nosso canal pra mais falta de ar e até a próxima quinta! Uma agradecimento especial à Lúcia Malla, do blog Uma Malla pelo mundo, e à Claudia Chow, do blog Ecodesenvolvimento, pelo apoio! Esse Nerdologia é um oferecimento de Far Cry 4, da Ubisoft.
Visite o mundo aberto e diversificado de Kyrat, entre as montanhas do Himalaia, conheça a natureza exótica do local, enfrente tigres, rinocerontes, e transforme um elefante em uma arma destruidora e mortal! Jogue a melhor experiência já criada para o universo de Far Cry em partidas co-op, com uma imensa variedade de veículos e armas. Salve o mundo enquanto tenta sobreviver à tirania e ao sadismo de Pagan Min!
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