Caros amigos, bem-vindos a mais um episódio de hoje no mundo militar. Neste vídeo falaremos sobre a base militar secreta que Israel construiu no meio do deserto iraquiano e do importante papel que desempenhou na guerra travada contra o Irã. Você sabia que um CNPJ, uma conta do Instagram ou domínio de site não garantem que a marca é sua de verdade e que só existe uma forma de proteger o nome do seu negócio?
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Um pastor beduíno em pleno deserto ocidental do Iraque leva o seu rebanho por uma área que ele conhece como a palma da mão. Mas de repente ele vê algo que não deveria estar ali. Helicópteros pousando, homens armados, movimentação intensa de equipamentos.
Ele liga para as autoridades iraquianas e pouco tempo depois uma coluna do exército do Iraque é enviada para investigar o que está acontecendo. E é então que esses soldados iraquianos são bombardeados com um saldo de um morto e dois feridos. O que esse pastor descobriu sem saber foi uma base militar secreta, mas não uma base americana, uma base israelense montada em pleno deserto, no meio do território iraquiano, a centenas de quilômetros da fronteira de Israel.
A história veio a público no último sábado, 9 de maio, através de uma reportagem do Wall Street Journal. O jornal, citando autoridades americanas e outras fontes próximas ao assunto, revelou que Israel montou uma base militar secreta no deserto ocidental do Iraque, na província de Ambar. A base não era uma instalação permanente com infraestrutura pesada, era o que os militares chamam de FARP, sigla em inglês para ponto avançado de reabastecimento e armamento.
Basicamente um nó logístico temporário desenhado para operar próximo à área de combate, encurtar o ciclo de missão das aeronaves e prover apoio crítico em situações específicas. Segundo o relatório, a instalação cumpria três funções principais. Primeiro, servir como hub logístico para a Força Aérea de Israel, reduzindo a dependência dos reabastecedores aéreos em uma campanha que precisava cobrir cerca de 16 km entre Israel e os alvos no Irã.
Segundo, hospedar forças especiais para missões dentro de território iraniano. E terceiro, talvez a mais sensível, abrigar equipes de busca e resgate em combate, prontas para serem acionadas caso algum piloto israelense fosse derrubado em solo inimigo. A base ficava nas proximidades da localidade de Alucaib, na província de Ambar, a cerca de 180 km a sudoeste da cidade Santas Xitas de Najaf e Carbala, perto da fronteira saudita.
Em primeiro de março, a área era apenas o leito de um lago seco no meio do deserto, mas na imagem do dia 2 de março, ou seja, literalmente da noite para o dia, já havia ali uma pista de pouso improvisada de aproximadamente 1,6 km de extensão, marcada e nivelada sobre a superfície dura do leito seco. Apareciam também tendas, veículos de apoio e o que parecia ser sete fuzelagens compatíveis com helicópteros e uma estrada de terra ausente no dia anterior agora ligava o local à malha próxima. No dia 5 de março, novas imagens mostraram uma formação grande de aeronaves chegando ao local.
E no dia 6, helicópteros pesados de transporte foram observados. Mas agora, em maio, após fortes chuvas e inundações repentinas que atingiram a província de Ambar no final de março, boa parte dos vestígios já foram eliminados. A escolha do local não foi aleatória, pois o deserto ocidental do Iraque é o ambiente ideal para esse tipo de operação clandestina.
É uma área gigantesca que cobre cerca de 23% do território iraquiano, escassamente povoada, habitada apenas por beduínos, com cobertura de radar precária e conectada por terra com os desertos da Síria, da Jordânia e da Arábia Saudita. Em termos militares, é um corredor natural e foi assim que Israel possivelmente entrou, atravessando o espaço aéreo sírio antes de cruzar para o deserto de Ambar. Mas porque essa instalação aparentemente modesta foi tão importante para a operação israilense que recebeu o cudome leão rugidor?
A campanha aérea de Israel contra o Irã envolveu milhares de surtidas durante a guerra. O problema é que a distância entre as bases israelenses e os alvos iranianos profundos como Isfarhan, Natans e Fordau gira em torno de 1600 km. Em termos de raio de combate, isso significa que todos os caças que decolam para bombardear o Irã precisam obrigatoriamente ser reabastecidos em voo, tanto na ida quanto na volta.
E esse é o maior calcanhar de Aquiles da Força Aérea de Israel, com a sua frota relativamente pequena de aviões tanque. Por isso, com uma pista de 1,6 km em solo duro, no meio do caminho entre Israel e Irã, é possível operar aeronaves de transporte tático, como C130 Super Hércules. Helicópteros pesados como CH53 e azur, a versão Silence do Sea Stalion conseguem usar o local como base de saltos e para transporte.
E em situações específicas, até mesmo caças podem fazer paradas táticas para emergências. Mais importante, uma FARP permite que equipes de busca e resgate em combate fiquem posicionadas próximas ao teatro de operações. Segundo a reportagem do Wall Street Journal, as duas unidades mais prováveis que operaram naquela base foram a unidade 501, mais conhecida como Shaudag, e a unidade 669.
A Shald é uma das unidades de operações especiais mais reservadas de Israel. Fundada em 1974, após o trauma da guerra do Yonkpur, ela é parte do sétimo comando de forças especiais aéreas da IAF. A sua especialidade é justamente o que descrevi aqui: infiltração de longo alcance, reconhecimento especial em território hostil, marcação de alvos para ataques aéreos, estabelecimento de zonas de assalto e pistas improvisadas.
e hiides no estilo comando. A unidade 669 é a unidade de busca e resgate em combate CAR da IAF, também criada em 1974 após a guerra do Yonkpur. A 669 opera com helicópteros ch5 e azur e UH60 Anchuv, a versão israelense do Black Hawk.
Essa farpe no Iraque era tão importante que os israelenses optaram por atacar as tropas iraquianas que se aproximaram do local após a denúncia do pastor beduíno. Mas por que essa história vazou justamente agora, dois meses após o cessar fogo? Em um momento de impasse diplomático com Teeran.
Enquanto Washington e Israel buscam manter a pressão sobre o regime iraniano, isso revela que israelenses operaram uma base secreta em pleno coração do Iraque, enviando uma mensagem clara de que Israel pode operar onde quiser. A história desse pastor iraquiano que descobriu uma base israelense no meio do deserto vai entrar para a literatura da inteligência militar como um dos episódios mais curiosos e reveladores da guerra de cinco semanas que ainda está abalando o Oriente Médio. Na era da inteligência por satélite em alta resolução e das redes sociais, esconder uma operação militar, mesmo no mais remoto pedaço de deserto ficou quase impossível.
E de fato, a pista em um leito de Lago Seco durou questão de dias antes de ser geolocalizada por analistas civis com acesso à imagens do Sentinel 2. Mas também confirmou que Israel possui hoje uma capacidade expedicionária e de projeção de poder que vai muito além do que se imaginava, com forças especiais e aeronaves operando rotineiramente a mais de 1000 km do seu território e com ampla cobertura logística. E se gostou do vídeo, não se esqueça de deixar aqui o seu like.
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