Nós já vimos qual é a natureza das distrações, ou seja, o que é uma distração, agora precisamos ver quais são as suas causas, por quê? Porque não existem somente as distrações voluntárias, ou seja, você vai, reza, se coloca numa tentativa de rezar, mas a sua cabeça começa a voar para tantas coisas e preocupações, por quê? Porque você não tem virtude, ou seja, você não está querendo tomar as rédeas de sua vida espiritual.
Bom, se a distração fosse somente isso, estava resolvido o problema, era só promover a sua virtude e você vai ficar sempre concentrado. Mas, infelizmente, não é somente isso, não existem somente as distrações voluntárias, existem distrações das quais você não é culpado e é importante saber quais são essas distrações, quais são as causas das distrações para que você não fique se torturando, porque senão você se propõe a rezar, as distrações acontecem e você fica dizendo: "puxa vida, eu sou um pecador mesmo, não é? " E vai se confessar de uma coisa que no fundo, no fundo, você não tem culpa alguma.
Quais são então as cinco causas de distrações involuntárias, ou seja, das quais você não é culpado? Em primeiro lugar, o objeto que nós queremos contemplar, ou seja, que nós queremos aplicar a nossa inteligência, a nossa vontade, que é o que nós chamamos de recolhimento, é um objeto obscuro, é um objeto, digamos assim, difícil de alcançar, para o nosso intelecto porque a nossa inteligência está acostumada com a luminosidade das coisas que nós vemos e não com a obscuridade do objeto da fé, ou seja, vamos fazer uma comparação: você imagina um cenário, onde o cenário inteiro está na penumbra, mas tem um objeto bem iluminado. O que é que a sua visão faz, o que é que o seu olho faz?
Procura o lugar onde está a luz e você então se sente muito mais confortável de enxergar aquilo que está iluminado do que ficar procurando um objeto escondido na penumbra que você não enxerga direito. Esse é o problema da oração. A oração é procurar um objeto na penumbra da fé, enquanto a nossa inteligência se sente muito mais confortável enxergando um objeto na luminosidade do nosso dia a dia, então é mais fácil você pensar na conversa que você teve com seu amigo, momentos antes da oração, do que você pensar na vida eterna ou no amor de Deus, que é um objeto que está lá, é verdadeiro, mas está na penumbra da fé.
A primeira coisa, existe uma tendência da distração na própria realidade que você está tentando contemplar, que você está tentando ver através do ato de fé. Além disso, quais são as quatro outras causas? Essa é uma causa intrínseca do próprio objeto, mas existe o problema da nossa natureza decaída, essa segunda causa que a nossa inteligência e a nossa vontade são afetadas a todo momento pelas nossas paixões desordenadas, nós temos uma certa debilidade da inteligência e da vontade por causa do nosso pecado.
Se nós fossemos Jesus, se nós fossemos Maria, sem o pecado original, a nossa inteligência, a nossa vontade não teriam dificuldade nenhuma de rezar, mas nós ainda não passamos pelo processo de purificação, nós ainda não estamos lá, ainda não temos aquilo que os santos adquirem quando passaram pela purificação, então, vamos ter que aguentar as paixões desordenadas. Além disso, temos o fato de que fisicamente você pode estar doente, essa é a terceira causa. Existem doenças físicas que indispõe você para rezar, alguns dias é uma dor de cabeça, um mal-estar, alguma coisa que impede você de se concentrar, não é o que você quis, se você está doente, a orações fica difícil.
Então, realmente, às vezes, a oração, por causa da realidade física se torna uma verdadeira luta. E as duas últimas distrações vão ser ataques do demônio ou pode ser uma simples permissão divina, Deus está permitindo aquilo para te provar. Os ataques dos demônios nós podemos lutar, principalmente usando a água benta, a água benta ajuda bastante para evitar esse tipo de ataque, embora não seja uma coisa garantida ao 100%, você pode pedir a Deus antes de iniciar a oração que livre você desses ataques do demônio, mas não é uma coisa que nós possamos garantir aos 100% porque aí vem o número cinco, existem as permissões divinas, Deus às vezes quer nos ver lutar, por quê?
Porque a luta é uma forma de nós mostrarmos o nosso amor, se você nunca lutou por nada é porque você nunca amou nada. Se você luta por Deus, você está mostrando que você ama a Deus e talvez seja aqui que nós tenhamos que passar por esse vale da sombra da morte das distrações, quem sabe até pelo vale da aridez, que são as distrações quando elas realmente se tornam uma realidade estável na nossa vida. Deus, Deus quer ver você lutar.
Deus quer ver o seu amor.