Bom dia, moçada! Tudo bem? Baita prazer reencontrá-los aqui.
Obrigado pela presença de todos vocês com mais uma meditação estóica. Oi, tudo bem? Como é que tá meu peludo?
Tudo bem, coração peludo? Tudo bem, coração peludo? Talo veio para dar bom dia para vocês, né?
Tales veio para dar bom dia pros amigos do papai. Tá soluçando de tanto comer. Acabou de tomar um café da manhã especial.
Cadê o seu lado histórico que não é para comer mais do que necessário? Hein, gente? Hoje, que dia é?
Hoje é dia 13, né? Dia 13, dia 13 de março. O ano está voando com uma meditação de Epicteto, intitulada "Um dia tudo isso fará sentido".
Não gosto desse título e não gosto do comentário que foi feito pelos nossos autores. Eu vou dizer por que eu acho que foi mal escolhido, mas vamos ver se vocês concordam comigo. Depois, vocês colocam aí no comentário, por gentileza.
Papai pode fazer a leitura. Papai, hum, então vamos lá. Culpando a providência, para quem tá seguindo essas meditações históricas, há de se lembrar que, quando os estóicos, tá bom, papai também te ama, tá?
Quando os estóicos falam de providência com esse "P" maiúsculo, eles estão falando de uma certa racionalidade em tudo aquilo que acontece na vida. Essa racionalidade de tudo aquilo que acontece na vida pode não nos ser favorável. É como se existisse uma dinâmica cósmica, uma certa inteligência cósmica.
Isso não está relacionado à inteligência de uma divindade coordenando todas as coisas; existe uma dinâmica imanente às coisas. As coisas acontecem como elas devem acontecer. Isso é o que eles chamam de providência.
Sempre que te vires culpando a providência, ou seja, sempre que te vires culpando as coisas como são, as coisas como acontecem, vê a situação de outro ângulo em tua mente e perceberás que tudo que aconteceu está de acordo com a razão. Por que eu acho que esse título não é bom? "Um dia tudo isso fará sentido"?
Porque não é que tudo um dia fará sentido! As coisas acontecem independentemente de nós; o mundo não se importa com a gente. As dinâmicas da natureza não se importam com a gente.
Nós não somos tão importantes quanto gostaríamos de imaginar. O mundo é como é; não é nossa causa. É muito arrogante imaginar isso.
Entendeu? De repente, eu adoeci. Sei lá, acordei com um tumor na cabeça.
Nossa, como o mundo é injusto comigo! Como a história foi injusta comigo! Logo eu, que me alimento bem, que faço exercício, igual vocês, que são malucos da cabeça, têm psicopatia, acordam 5 horas da manhã para ir pra academia.
Aí acordam um dia doente, com uma doença séria, incurável. Aí você se revolta. Você acha mesmo que o mundo parou para introjetar uma doença na sua cabeça?
Você é o fodão? O mundo gira em torno de você? Não!
Foi só uma coisa que aconteceu ali, numa dinâmica que é própria da realidade. Não tem que ter um porquê. Você tá num avião que cai.
Aviões caem, né? Eles estão no ar, estão voando. Aí você tem centenas de milhares de voos todos os dias no mundo inteiro.
Aí um cai, e você tá lá dentro! Aí seus pais. .
. "Oh, como a vida foi injusta! ".
Acha mesmo que você tinha alguém que olhou para aquele avião e falou assim: "Ah, vou derrubar aquele ali porque o Denis está nele"? Tem que ser muito autocentrado, né? Tem que ser muito autocentrado!
As coisas acontecem como elas acontecem, pro bem e pro mal. Outro dia, eu visitei o Hospital do Câncer aqui em Uberlândia, que é uma referência nacional, e aí me levaram lá no setor de Oncologia infantil. Setor de Oncologia infantil: uma criança com 2, 3, 4 anos de idade com câncer, eventualmente um câncer terminal.
Aí o mundo foi injusto? Não sei, cara, são as merdas da vida. Esse é o fato.
São as merdas da vida. Você não é especial, e as coisas acontecem. Às vezes pro bem, às vezes pro mal.
Às vezes a gente se dá bem, às vezes a gente se dá mal, e o mundo é indiferente, entende? Então, essa coisa aqui de "um dia tudo isso fará sentido"? Não, porque não tem que fazer sentido.
O mundo não tem compromisso com o fazer sentido para você. "Ah, isso que aconteceu aqui para mim não tem sentido"? Ótimo!
Porque em nenhum momento o mundo disse que teria que fazer sentido para você. As coisas são o que são, entendem? E o que eu posso fazer se um dia eu acordar com um tumor na cabeça?
Tá bom, eu olho pro modo como eu posso lidar com isso. Aí fui castigado. Sério?
Sério que você tem a capacidade de pensar isso? Tem que ser muito arrogante, velho! Tem que ser muito arrogante.
Aí fui castigado! Castigado pelo quê? Porque você não passeou com seu cachorro na segunda-feira, que você tava com preguiça?
Tenha santa paciência! Agora eu posso lidar com isso de formas diferentes. Eu posso me rasgar todo em desespero ou eu posso perguntar pro médico quantos dias me restam.
E aí eu vou tentar fazer alguma coisinha com os dias que me restam. É a vida: todo mundo vai embora. Uns vão mais cedo, outros vão mais tarde, e é isso, cara!
Claro que você vai se entristecer quando aquela pessoa querida vai embora e tudo, e é isso, é da vida. Mas não pense que o mundo está girando em torno de você. Olha o Denis lá no centro do mundo assim: "Ó, e tudo acontecendo para que tenha sentido para ele!
" É muita arrogância. Então, eu não concordo com isso aqui: "Um dia tudo isso fará sentido", porque não tem que fazer sentido. Lutamos contra as coisas que acontecem em parte.
Porque estamos tão concentrados em nosso plano que esquecemos que pode haver um plano maior, do qual não temos conhecimento. Um plano maior, um plano maior: as coisas acontecem como acontecem. Não é verdade que, muitas vezes, algo que tínhamos considerado um desastre acaba se revelando, com o passar do tempo, um golpe de sorte?
Sim, óbvio! Por quê? Porque é aleatório!
Como eu não consigo discernir sobre o futuro, o porvir é incerto; o amanhã é incerto. Às vezes, uma coisa que eu falo: “Nossa, cara! Hoje aconteceu uma merda na minha vida”, amanhã se mostra um golpe de sorte.
Sim, por quê? Porque é aleatório, aleatório! Entenda, no modo como eu vejo: eu não tenho condições de determinar o que vai ser amanhã, de uma coisa que está acontecendo hoje.
Amanhã eu sou curado desse negócio da cabeça e descubro um outro sentido para minha vida. Vou abrir uma pousada em Porto de Galinhas e vou largar a filosofia, vou largar tudo e vou viver fumando charuto, olhando pro mar. Sei [Música].
Lá, não somos as únicas pessoas dignas de importância e que nossa perda pode ser o ganho de alguém. Do ponto de vista do mundo, nós não temos importância nenhuma. Você vai morrer, vai virar comida para verme que vai fazer cocô, que vai virar comida de planta, que vai virar comida de bicho, e assim por diante.
Pro mundo, essa sensação de estar sendo injustiçado é um simples problema de consciência. Precisamos lembrar que todas as coisas são guiadas pela razão: uma razão vasta e universal que nem sempre podemos ver. Essa é a visão dos estóicos.
Existe um elemento condutor da realidade lá fora, uma providência. As coisas acontecem como acontecem, que o furacão repentino foi o resultado de bater de asas de uma borboleta no outro hemisfério, ou que o infortúnio vivenciado é simplesmente o prelúdio para um futuro agradável e invejável, ou não, ou não. A filosofia estoica é, antes de tudo, uma filosofia que nos leva a uma certa modéstia em relação à nossa existência.
É preciso não ser tão autocentrado, é preciso não imaginar que. . .
Aliás, eu fiz uma meditação, acho que ontem ou antes de ontem, falando exatamente sobre isso, né? Sobre que, para mim, foi uma das meditações mais difíceis: olhar pro outro que erra, tentando compreender os motivos pelos quais ele erra — é o modo de ele ver o mundo. Entende?
Fazer o quê? É o modo de ele ver o mundo. Nós estamos limitados ao nosso modo de ver o mundo.
Tudo que nós podemos fazer é tentar melhorar o nosso modo de ver o mundo. É para isso que serve a filosofia, é para isso que serve o estoicismo, é para isso que servem todas as correntes filosóficas. É por isso que a filosofia é tão importante e por isso que não há saída fora da filosofia: é porque ela tenta atirar, melhorar, qualificar o nosso modo de ver o mundo.
Mas não porque isso vai fazer com que sejamos super importantes, mas é porque, eventualmente, isso vai fazer com que nós compreendamos o quanto nós não somos assim tão importantes na perspectiva do [Música] mundo. Viva bem, faça boas escolhas, controle aquilo que pode ser controlado. Não tente segurar aquilo que não pode ser segurado, porque isso vai te machucar, isso vai te causar dores horríveis e desnecessárias.
E não se veja assim como um ser tão importante, como se as coisas acontecessem com você porque alguém está promovendo males contra você. É só a vida acontecendo. Às vezes você se dá bem e às vezes você se dá mal.
É assim. Beijo grande para vocês! A gente se encontra aqui amanhã.