Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, uma alegria iniciar mais uma vez o nosso programa Testemunho de Fé, quero convidar você a nos próximos minutos refletirmos juntos a respeito da Palavra de Deus que a Igreja nos proporciona a cada domingo. Aqui quem fala é o Padre Paulo Ricardo e devo dizer mesmo que nesse nosso programa queremos pedir a Deus a graça de ter um momento de iluminação divina, que realmente uma Palavra venha para iluminar a nossa alma. Nesse domingo celebramos com grande alegria, grande alegria mesmo, a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, é a Páscoa do Senhor.
Veja, a Igreja celebra a sua Páscoa semana, em cada domingo em que celebramos a ressurreição de Jesus, mas vivemos isso de forma mais intensa na Solenidade Pascal porque, uma vez por ano, nós temos esse domingo mais solene do que todos os outros domingos em que no centro do ano litúrgico, no centro da nossa liturgia temos a ressurreição de Jesus. E por que a ressurreição de Jesus é tão importante? Em primeiríssimo lugar, porque Jesus que ressuscita está nos introduzindo nessa vida nova que Ele veio trazer.
Algumas pessoas olham para a ressurreição de Jesus como se Jesus tivesse simplesmente morrido e voltado atrás, Ele voltou para a vinda velha, para a vida antiga, mas isso não é verdade. O que acontece é que Jesus, ao ressuscitar dos mortos, Ele entra numa vida em que, como ser humano, sai do seu estado de servo, de miséria, para entrar num estado glorioso. O que descreve todo o processo pelo qual passou Jesus é aquele capítulo 2 da Carta de São Paulo aos Filipenses, em que Jesus, Deus desde toda a eternidade, se esvaziou a Si mesmo e Se fez homem, assumindo a forma de servo, de escravo, Ele se esvaziou, se fez obediente até a morte e morte na Cruz.
Esse foi todo o processo de descida. Esse foi todo o processo de descida, de humilhação, em que o Filho de Deus veio nos resgatar do abismo da nossa miséria. Agora, não para por aí, “por isso, Deus O exaltou sobremaneira”, então, ressuscitado, o homem Jesus agora entra na glória de Deus e aqui vemos a nossa humanidade participar em toda plenitude da vida divina, da vida do próprio Deus, é a vida que Deus veio prometer para nós, a vida eterna.
Deus, que é Deus da vida, não estamos dizendo que Deus é o Deus dessa vida daqui, dessa vida biológica, não, nós estamos dizendo que Deus é a fonte de toda vida, a vida eterna, a vida que Jesus veio trazer para nós e é isso que nós celebramos na Páscoa. Mas a Páscoa, a palavra Páscoa é passagem, pra gente entender realmente o que se celebra na ressurreição de Jesus, precisamos olhar um pouco para a morte, ou seja, o que aconteceu na Sexta Feira Santa. Jesus morreu e, com a sua morte, com a sua obediência até a morte, venceu a morte e o pecado, foi derrotado Satanás e foi derrotado o pecado e agora, no domingo de Páscoa, essa derrota se manifesta e se manifesta plenamente, se manifesta com clareza.
Vejam, o relato mais antigo que temos da ressurreição de Jesus está na 1ª Carta de São Paulo aos Coríntios, o relato mais antigo não são os Evangelhos, os Evangelhos foram escritos um tempo depois, aqui, São Paulo está escrevendo mais ou menos uns vinte anos depois da ressurreição de Jesus. Ao escrever esse relato da ressurreição, no capítulo 15, de 1ª Coríntios, São Paulo diz uma frase que é a chave de leitura de tudo isso que estamos tentando refletir: “Se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados”, vamos refletir sobre essa frase. Veja só, vamos começar pela última parte: “Ainda estais nos vossos pecados”, o que é a morte?
A morte é uma punição pelo pecado, sim, por que qual era o projeto de Deus? Deus, quando criou Adão e Eva no Paraíso, Ele criou os dois que, como organismos biológicos, o ser humano, é claro, como qualquer organismo biológico iria morrer, iria perecer, mas Deus deu a Adão e a Eva, lá no Paraíso, dons especiais que a gente, em teologia, chama de dons preternaturais. Acontece que Adão e Eva não iriam morrer, pelo seu organismo biológico, eles morreriam, mas Deus deu a eles esse dom, Deus iria fazer alguma coisa, iria providenciar que eles não morressem, o organismo de Adão e Eva não iria morrer, mas o que acontece?
Acontece que nossos primeiros pais pecaram e, ao pecar, introduziram o egoísmo, a maldade, introduziram o próprio demônio, Satanás, em nossas vidas, nós nos tornamos escravos de Satanás. Isso é uma verdade que a Igreja prega há muitos séculos, pelo pecado nós nos tornamos escravos de Satanás. O batismo é a libertação, é a nossa libertação da escravidão de Satanás.
Veja só, Adão e Eva tornaram-se escravos, ora, escravos de Satanás e do egoísmo, se Deus tivesse deixado Adão e Eva daquele jeito e ainda vivendo uma vida eterna, sem morrer, isso seria a pior desgraça. Então, exatamente porque Deus, na sua bondade infinita, quer a nossa salvação, Deus permitiu o castigo da morte, ou seja, Deus retirou aquele dom que ele tinha dado a Adão e Eva, para que Adão e Eva, vendo a morte física, a morte biológica, tivessem medo da morte eterna. Vejam como Deus é bondoso, é como um pai que, por exemplo, dá uma mesada para o filho, mas o filho começou a usar a sua mesada para comprar drogas, o que o pai faz?
Castiga o filho e tira a mesada. Assim também Deus deu o dom de não morrer para Adão e Eva, mas Adão e Eva começaram a se prejudicar e com isso, eles que começaram a se fazer mal, precisaram ser punidos. Deus, na sua providência e na sua bondade, puniu, castigou o homem com a morte.
O primeiro dado importantíssimo que precisamos ter diante dos olhos é que a morte é um castigo pelo pecado, ora, quando Jesus, na manhã de Páscoa, ressuscita, é um sinal evidente, é um sinal claro, é um sinal reluzente de que Ele venceu o pecado. Sim, porque se a morte foi vencida, a morte que era o castigo por causa do pecado, se a morte foi vencida, então o pecado foi vencido. Sim, quando a gente vê e a morte é uma coisa palpável, você enxerga a morte, você não enxerga o pecado, o pecado, na realidade, é invisível e como Deus ia mostrar isso?
Como que Deus ia mostrar a sua vitória sobre o pecado? Ele tinha que ter essa manifestação na vitória do Domingo de Páscoa. Então, na Sexta Feira Santa, quando Jesus morre na Cruz e diz: “Pai, em tuas mãos entrego o Meu Espírito”, aquela morte obediente é a vitória.
Por isso, na Sexta Feira Santa, a Igreja canta a vitória: “Vitória, Tu reinarás, ó Cristo, tu nos salvarás”, é a Cruz que é a vitoriosa, “Salve, o Cristo vitorioso, salve, o Cristo obediente, salve, o Amor onipotente”. É isso que nós cantamos na Sexta Feira Santa. E essa vitória da Sexta Feira Santa é realmente a vitória sobre o pecado, ali Satanás é derrotado, o homem é libertado, é a nossa Cruz libertadora.
Nós que éramos escravos de Satanás, quando Jesus morre na Cruz, a sua morte destrói a morte, com a sua morte, como diz um texto da liturgia bizantina: “Com a sua morte Ele pisa na morte”. Pisa na morte, pisa no pecado, pisa na cabeça de Satanás, Ele esmaga a cabeça da Serpente. Então, vejam, faz sentido novamente recordar aquela frase da 1ª Carta aos Coríntios, capítulo 15, versículo 17 que eu já citei aqui: “Se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais em vossos pecados”, ou seja, vamos trocar a frase, vamos fazê-la positiva: Se Cristo ressuscitou, isso é sinal de que não estamos mais nos nossos pecados, porque se a morte era consequência do pecado, quando vemos a morte vencida, o Cristo ressuscitado, os nossos pecados sumiram.
O que precisamos agora fazer/ Bom, agora precisamos aplicar, aplicar os frutos dessa vitória em nossas vidas, ou seja, Cristo morreu por todos e ao ressuscitar nos introduziu na vida nova, mas isso que Ele fez com a humanidade inteira agora precisa ser aplicado a cada um de nós. Aqui é que vem a nossa tarefa e a nossa missão, não é assim: “Ah, fomos todos salvos, pronto, acabou, vamos embora para casa, não precisa fazer mais nada”, não, precisamos, agora começa a missão. Por quê?
Porque a graça que brotou do lado aberto de Cristo na Cruz agora precisa ser realmente vivenciada, recebida na nossa vida e nós fazemos isso através da fé. A fé é realmente o que nos introduz nessa nova relação com Cristo, é aquilo que abre as portas para recebermos as graças dos sacramentos que brotaram do peito aberto de Cristo na Cruz. Toda a liturgia pascal é uma liturgia voltada para essa vivência da fé, precisamos crer no Cristo ressuscitado e é por isso que Jesus aparece.
Os vários relatos das aparições de Jesus a respeito dos quais nós iremos meditar nesses dias, a aparição de Jesus a Maria Madalena, a aparição de Jesus aos discípulos de Emaús, a aparição de Jesus a Pedro, aos Apóstolos, etc. , todas essas aparições têm uma finalidade: ressuscitar a fé no coração dos discípulos porque a fé tinha morrido. Na Sexta Feira Santa quando a pedra rolou sobre o túmulo de Jesus, ali foi sepultado não somente o cadáver de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi sepultada também a fé porque a fé sobreviveu somente no coração de Maria Santíssima.
Todos os outros, todos os outros sucumbiram. Algumas pessoas, piedosamente, acreditam que na manhã de ressurreição, Jesus teria feito uma aparição privada para Nossa Senhora, para a Sua Mãe bendita. Vejam, é totalmente lícito, não tem problema nenhum você acreditar nessa tradição piedosa, mas eu, sinceramente, não acredito nisso, eu não acredito que Jesus apareceu para Maria Santíssima, por quê?
Porque as aparições do Cristo ressuscitado são sinal de uma fraqueza na fé dos discípulos. Vejam, eu estou falando com você agora: se você crê saiba, Jesus ressuscitado, no ato de fé, no momento em que você faz um ato de fé exercida, Jesus ressuscitado está tocando você no centro da sua alma. Sim, você recebe a graça Dele, ressuscitado, aí, então, Jesus ressuscitado está em contato conosco, Ele é presença.
Nós usamos a palavra, na teologia, usamos a palavra virtual porque a palavra virtual vem de “virtus” que quer dizer força, a força do Ressuscitado está conosco, Ele é uma presença, Ele age, a graça Dele está nos tocando agora, nesse momento, portanto, Ele é uma presença universal, em todos os lugares. Mas isso só acontece se você tem fé, ora, a Virgem Santíssima, Nossa Senhora tinha fé, ela nunca perdeu a fé, ela continuou crendo, aliás, no Sábado Santo só ela cria na face da terra, todos os outros perderam a fé. Quando a gente lê o Evangelho das mulheres que foram ao túmulo para embalsamar Jesus, essas mulheres estão atestando que elas não criam na ressurreição porque se elas estão indo lá embalsamar um cadáver é porque sabiam que Ele não estava ressuscitado.
Por que Maria não foi junto com essas mulheres? Porque ela sabia que Ele estava ressuscitado, ela tinha fé. Quando as mulheres chegam esbaforidas e dizem aos Apóstolos que o túmulo está vazio e Pedro e João saem correndo na manhã de Páscoa, por que eles saem correndo?
Porque não tinham fé, porque achavam realmente que tinham roubado o cadáver. Então a fé, até mesmo João que ficou lá aos pés da Cruz, fiel até o último momento, até as mulheres benditas que ficaram lá junto de Maria Santíssima até o último momento, até essas pessoas invictas que não negaram como Pedro, que não fugiram como os outros Apóstolos, até essas pessoas sucumbiram. Quando a pedra rolou em cima do túmulo de Cristo a fé desapareceu da face da terra e sobreviveu no coração de Maria.
Ora, quando Jesus ressuscita, uma pessoa que tem fé e que tem o ato de fé, nota o toque do Ressuscitado e se você, que tem fé, não está notando é porque a sua fé ainda é pequena. Os grandes místicos notam a presença do Ressuscitado, pergunte para os santos de Sétima Morada se eles precisam rezar, eles não precisam rezar, por quê? Porque sentem o toque da graça do Ressuscitado o tempo todo, 24 horas por dia, por mais que o corpo deles esteja doente, sofrendo, etc.
, eles sabem daquela presença. Isso é uma certeza meridiana, uma coisa claríssima. Então Maria Santíssima que tinha a maior fé que uma criatura já teve, Maria Santíssima que tinha uma fé maior do que todas as criaturas, quando Jesus ressuscita ela sabe, ela tem a experiência da Ressurreição no momento da Ressurreição.
No momento que Jesus ressuscitou naquele domingo de manhã, Maria Santíssima, onde quer que ela estivesse, ela teve a experiência da ressurreição na alma dela. Jesus não precisava aparecer para ela. E Jesus começa a aparecer exatamente por fraqueza, ou seja, durante quarenta dias, nos próximos quarentas dias, a Igreja vai celebrar as aparições de Nosso Senhor Jesus Cristo durante quarenta dias, por quê?
Porque Jesus precisava ressuscitar a fé daqueles Apóstolos. Uma vez que a fé apostólica foi ressuscitada pronto, Ele não precisa mais aparecer, se encerram os ciclos das aparições e agora os Apóstolos sabem. Depois de Pentecostes, os Apóstolos sabem que Ele está conosco, Ele está ressuscitado conosco.
Meus irmãos, Cristo está ressuscitado e vivo agora no nosso meio. É verdade, você não enxerga, o que você enxerga? Você enxerga ao seu redor tantas coisas vivas e tudo parece mais vivo do que Jesus, no entanto, Ele é a vida, Ele é a vida, Ele é a vida de tudo aquilo que nós vemos ao nosso redor.
Ele sustenta a vida de tudo isso e Ele é a verdadeira vida de nossas vidas. Por isso, nós, na manhã de Páscoa cantamos o Aleluia, nós cantamos o júbilo pascal junto com os anjos. Quando a Igreja, no Sábado Santo, na noite de Páscoa, canta o seu cântico pascal “Exsultet”, exulte de alegria, o Precônio Pascal, exulte de alegria, a multidão dos anjos, exulte de alegria a Igreja, a mãe Igreja exulta de alegria, por quê?
Porque naquele ato de fé nós podemos ter a experiência da presença do Ressuscitado em nosso coração. Você precisa renovar essa fé. É tempo de Páscoa, é tempo de nossa fé também, se ela está fraca, cambaleante, é tempo de ressuscitá-la, é tempo de nós experimentarmos essa presença do Ressuscitado em nossas almas.
Portanto, você precisa elicitar, produzir, realizar um ato de fé, Ele sim, está ressuscitado e é por isso que São Paulo nos diz: “Se cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor”, é vã, é vazia, vamos fazer essa frase positiva: se Cristo ressuscitou, então a nossa fé é o lugar do encontro. Quando você realiza um ato de fé, o Ressuscitado toca com a sua “virtus”, com a sua força, você. Sim, é aí que você entende o que São Paulo diz na Carta aos Romanos: “O Evangelho é força de Deus para aquele que crê”, quando você realiza um ato de fé, você está recebendo uma força.
A palavra que está lá em grego é “dynamis”, força, é “dynamis”, é força, é dinamite, é força. Por isso, vamos erguer as nossas cabeças, Ele está ressuscitado, Ele está vivo, sim, aí no seu coração, no interior da sua alma, no mais íntimo do seu íntimo, o Ressuscitado fala ao seu coração e pede um ato de fé. Que Deus abençoe você e que essa Páscoa seja verdadeiramente um período de graça e de bênção para todos nós.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.