o Olá amigas e amigos da filosofia e de outras áreas também do conhecimento das Artes especialmente hoje vou começar com a Ana Avelar que a professora é da série B no departamento de artes visuais professora de teoria e crítica de arte e também coordenadora do grupo academia de curadoria Depois eu deixo o link aí para vocês a descrição para vocês já se quiserem clicar para saber do que se trata mas a gente vai conversar com ele sobre isso ela vai explicar direitinho como é que funciona Obrigado pela sua presença aqui no canal eu queria perguntar
começar com uma pergunta bem básica sobre a curadoria do que que se trata curadoria o que que é curadoria como é que funciona e daí você pode cortar também já do do grupo de pesquisa né que que se chama a academia de curadoria explica porque o só por esse título né E a gente vai conversando você pode falar também das posições e tal é o prazer recebê-lo aqui no canal o bom dia Bom dia Caio muito obrigada pelo convite e pela paciência da gente conseguir encontrar um horário finalmente para conversar e por essas forças que
você tá fazendo por divulgar né o nosso trabalho científico para outros públicos que talvez estejam aí procurando esse tipo de material né e que fica às vezes represado dentro das Universidades ainda mais em época de pandemia então muito obrigada pelo seu trabalho pela sua dedicação pelo convite e se você me pergunta o que é curadoria né eu teria algumas entradas para te responder uma delas é que curadoria são escolhas né então a narrativa que deriva do processo do curatorial ela é uma narrativa feita de recortes né e os recortes como todo pesquisador toda a pesquisadora
sabe ele deixa muita coisa de fora né então a gente precisa fazer escolhas né você vai abordar um tema abordar uma momento histórico né o vai abordar o trabalho de um artista de um artista de um coletivo de artistas você vai ter que ter aí uma proposta de recorte de entrada nesse assunto né Então essa seria seria um primeiro aspecto o segundo aspecto Diferentemente daí da pesquisa né o a curadoria lá é negociação então a negociação do seu tema com a instituição onde você vai fazer essa exposição é negociação com artistas envolvidos é negociação com
outros curadores Talvez né com aí fazer equipes que sustentam a curadoria porque a curadoria ela só existe porque tem muito mais gente em volta né produzindo as Exposições então a montadores produtores executivos assistentes de todos os tipos o pessoal da comunicação da arte-educação então é um trabalho de fundamento essencialmente coletivo então a parte da negociação é grande parte também do trabalho curatorial então se nós temos nesses dois aspectos né esses dois elementos né a as escolhas né o recorte junto com recorte e as a ideia de que vamos negociar e sempre mas eu acho que
conseguimos realizar uma exposição é de de maneira realista e É frequente eu acho entre jovens na aqui que estão estudando para fazer curadoria né que vem de várias áreas hoje em dia não são da história da arte da antropologia da sociologia da Ciência Política como um todo da filosofia é às vezes tenho a impressão de que a curadoria né é como a escrita do texto acadêmico né você reúne ali argumentação você reúne né a fonte e apresenta uma interpretação principalmente nas nossas áreas né das humanas é isso é sem dúvida a parte da curadoria mas
ela por ser por acontecer no mundo né em termos tanto presenciais como digitais ela tem essas outras esferas também então eu eu acho que é importante dizer que a é a ideia não faz uma curadoria né a curadoria exige um nível de engajamento no trabalho né e na produção propriamente dita de uma exposição aí né de novo sendo ela digital ou presencial que exige em inúmeras outras habilidades Então esse curadora essa curadora além de fazer a seleção as escolhas né a negociação ainda tem que compreender que o seu trabalho é com equip bom então há
uma negociação em planejamento né e o um aspecto projetivo que é se Desenrola ao longo desse processo às vezes também com arquitetos né com os povos por aí vai né é que se Desenrola e que é necessário para que a exposição ocorra são muitas etapas né então eu te diria para começar nossa conversa que curadoria é isso bom E como que surgiu o projeto da academia de curadoria conta um pouco também o que que ela vem fazendo é quando surgiu então a academia de curadoria é um grupo de pesquisa né registrado no CNPQ que deriva
dos projetos curatoriais que eu fazia anteriormente na casa né Mayra que faz parte da Universidade de Brasília então a minha equipe de estudantes que compunha né esses projetos curatoriais em vários níveis né E que são estudantes provindos do curso de teoria crítica e história da arte e me acompanharam a saída da casa de malha né gente deixou os projetos havia um interesse de fazer projetos em outros espaços né e de se manter dentro da discussão da arte contemporânea então nós saímos em março de 2020/2021 em março de 2 21 e passamos a realizar então projetos
para outras instituições esses projetos são projetos pedagógicos curatoriais Então qual é a estrutura né propriamente do que a gente faz a gente dá suporte para instituições é que de alguma maneira são precarizadas né em termos de orçamento né ou de equipes e que precisam então de um de um reforço né de um apoio de Cunha ou a qual mais que também tem uma base acadêmica né de pesquisa propriamente então nos últimos tempos a gente tem envolvido alguns projetos em parceria é tanto com os seus universitários como com museus públicos e Fundações e o que nós
oferecemos são projetos curatoriais que tem uma produção teórica né e uma saída de textos mas também um planejamento né e um desenvolvimento de um discurso por meio das redes sociais que está associada a comunicação né das exposições e um discurso da mediação né do setor de arte e educação que compõem também esses nossos projetos curatoriais então nós entendemos que a curadoria ela ocorre como eu tava dizendo né é do nosso nossa primeira pergunta ela ocorre de maneira coletiva São equipes trabalhando juntos tá então todos os membros pesquisadores da academia de curadoria realizam curadoria da frente
dita né as escolhas as negociações e também desenvolvem outras atividades como por exemplo cuidar do nosso sai pensar estratégias de postagem para as nossas Exposições é desenvolver aspectos tecnológicos né se aprofundar em termos atuais a pensar atividades com os diversos públicos que nós temos então nós entendemos a curadoria como esse complexo na que com é composto por esse vários elementos que exige várias habilidades e que nós partimos sobretudo do que nós temos em comum que é justamente a nossa perspectiva como pesquisadores e pesquisadoras e você disse que surgiu esse ano então durante a pandemia eu
queria perguntar Quais foram os principais desafios para quem trabalha com curadoria nesse período e como que tá sendo pensar exposição totalmente digital é eu que que muda o que que é também trouxe de coisas que não eram tô exploradas para essa pergunta é fundamental né porque ela ela se coloca para todo mundo que trabalha com cultura e arte né durante a pandemia a gente nem pode falar após com Demi ainda né a gente entrou na pandemia e não saiu mais então o grupo ele ainda antes né de ser oficialmente academia de curadoria teve que se
deparar com o fechamento da casa da minha mãe era a gente estava realizando a exposição da coleção que nós havíamos acabado de formar a triangular o século com mais de 200 obras de vários artistas várias artistas de todo o Brasil é imediatamente a situação acho que abriu em dezembro de 2019 e fechou em março de 2020 né fechou presencialmente e nós não tínhamos uma estrutura digital a própria universidade e levou um tempo né todas as Universidades levarão um tempo para conseguir se adaptar né a essa realidade do digital porque ela nunca tinha se apresentado antes
dessa maneira né então nós fizemos uma adaptação que partia sobretudo desse caráter de precarização né da nossa estrutura como instituição pública é com poucos vídeo né espaço de arte e nós adotamos um procedimento que hoje a gente chama de um o pagamento que era ocupar as redes sociais com as nossas Produções então nós tivemos que criar diversos planejamentos de atividades para as redes sociais ações né ações às vezes até radicais como takeovers por exemplo do nosso Instagram e aí nós passamos a trabalhar estritamente no digital e isso nos ensinou né nos abriu os olhos eu
posso falar por mim mesma como professora de história da arte de artes Live o que nos abriu os olhos para as artes digitais né E para potência política das Artes digitais no Brasil hoje porque você mesmo né esse projeto aqui é fruto na desse na sua necessidade de conversar de debatendo digital durante a pandemia e o isolamento social então nós tivermos também que aprender com isso e percebemos que as artes digitais elas se abrirão neste momento de pandemia em larga medida Inclusive para quem não tinha apoio institucional né então inúmeros e inúmeros artistas passaram as
entender como artista e a poder mostrar seu trabalho por conta das redes sociais né então se por um lado as redes sociais são excludentes né é possuem um elemento de censura que tem que ser discutido que a gente mesmo o centro do grupo academia de curadoria já fez até ações em relação a isso por outro lado né na situação de desigualdade tecnológica que a gente vive no Brasil o acesso a pelo menos um celular ele hoje em dia é bem mais comum do que mesmo acesso à educação né para gente pensar o mínimo né a
estrutura então a linguagem do digital elas Se mostraram para nós como pesquisadores como algo urgente de ser dominado né dominado por nós compreendido por nós porque a gente entendeu que um espaço que precisasse ser apenas que funcionasse sendo apenas presencial ele não ia ter repercussão não ia até alcançar justamente porque grande parte da vida principalmente das novas gerações ocorre digitalmente bom Então nesse primeiro momento antes de formarem da academia de curadoria né a gente fez uma exposição de artes digitais que se chamou tá me vendo tá me ouvindo narrativas do digital e falava sobre essa
nova forma de comunicação e ao mesmo tempo ruídos né que essa nova forma de comunicação trouxe do dia para noite para nós né E aí num segundo momento a gente saiu da casa de Mayara então depois dessa exposição e fundou a academia de curadoria com sobretudo projetos de Exposições digitais porque quando eu tava tendo antes né é grande parte das instituições com as quais a gente colabora ainda tem uma limitação do trabalho presencial além do trabalho presencial tem um lado que é muito oneroso em termos de montagem de Exposições né Então as instituições precisam ter
orçamento para isso e tem um outro lado que agora com academia as equipes estão em rodízio né o público tem que agendar para poder visitar Então as instituições que estão conseguindo fazer esse trabalho mais rapidamente né de adaptação aos novos as novas exigências de saúde né Elas não são as instituições precarizados elas são as instituições que tem bons orçamentos e que podem rapidamente ser inflexíveis e se adaptarem Então esse ano nós estamos com três projetos é o primeiro é o do Instituto de arte contemporânea que é uma é um espaço de acervo né de São
Paulo nós é lidamos uma grande exposição sobre vários artistas concretistas brasileiros mostrando os seleções de documentos e quando outras histórias sobre esses artistas na então nós contamos uma história sobre hermelindo fiaminghi que se separa do grupo de concretos no qual ele participava por meio de uma carta bastante controversa né nós contamos uma outra história que é de um artista concreto chamado sacilotto e que começa a sua carreira sendo expressionista nem olhamos para esses sacilotto nós compramos uma outra história é do Willys de Castro que é um artista do neoconcretismo né Muito referenciado no Brasil a
partir da parceria que ele tinha afetiva com o Barsotti que é um outro artista concreto né e contamos também mais duas histórias uma sobre o sérvulo Esmeraldo que é um artista concreto é do norte do nordeste do país e que vai muito cedo para Paris né se muda muito cedo para Paris por conta de uma oportunidade e quando volta nos anos 70 é passa não é compreendido pela crítica local e uma outra história que é sobre a a ideia de que o local se arrumo outra concretista então aí desse centrais teria um trabalho ao mesmo
tempo com Rigor e sensibilidade e como a crítica constrói essa essa ideia do artista né Então essa é o primeiro projeto que a gente já viabilizou aí que tá em cartaz até o final desse ano e aí nós temos mais alguns projetos um deles é que deve abrir em dezembro é com o Museu Nacional da República que fica em Brasília né Oi e o Museu Nacional da República é um museu absolutamente importante para o centro-oeste que tem uma das coleções mais referenciais em termos de arte brasileira na arte contemporânea brasileira mas o museu que até
então não contava com uma coleção de artes digitais então nosso projeto é um da e apresentar uma coleção de artes digitais para o Museu Nacional e a gente vai abrir no aniversário do museu dezembro nós temos um outro projeto que é para Universidade Federal de Pelotas em particular com uma aug o museu Leopoldo gotuzzo que é um museu também com coleções muito importantes na daí não só de arte brasileira mas de arte de todo mundo e de vários períodos inclusive o uma alguém recebeu diversas doações de pelotenses né então a gente que é da cidade
sai da cidade para trabalhar para fazer a vida e depois volto e doa para o museu eles têm não me engano cerca de quatro mil itens nas coleções não o seu enorme e o mal e então nós temos um projeto com eles de curadoria uma exposição por ano que vem e para esse ano de residência artística Ah mais tarde quando saiu o edital eu te te envio né Para a gente poder divulgar a gente quer receber artistas brasileiros para essa residência artística digital e um outro projeto é que nós estamos encaminhando agora também é um
projeto de artistas mulheres é é que nós gostamos de chamar de artistas desobedientes né porque não não aceitam as regras do sistema e que deve ficar para o ano que vem também em termos de tratativas nós estamos conversando com algumas plataformas para podermos oferecer cursos né lá e palestras sobre curadoria E especialmente sobre curadoria no digital a fotografia digital Artes digitais né e também com outras instituições como por exemplo do ibram no sentido de poder dar apoio precisa para essas instituições preciso espaços é um apoio que é de fato acadêmico né e da nossa conversa
prévia você tinha até comentado né ela fala um pouco do nome o e academia de curadoria justamente se chama academia de curadoria porque a gente faz aí uma brincadeira com a ideia de que a curadoria precisa ser estudado e sistematizada então não seríamos desses acadêmicos de plantão No melhor sentido né que partem de um universo da pesquisa da importância que a pesquisa tem para o trabalho com artes né inclusive para a valorização das artes visuais como lugar de produção de conhecimento e aí nós oferecemos esses projetos com esse fundamento da pesquisa entendendo que a curadoria
a melhor curadoria tem que ser essa curadoria aqui se aprofundar nos assuntos com os quais ela trabalha é muito bom como eu falei no começo deixa o like também embaixo as pessoas a passearem né pela pelo site tal é uma outra pergunta que eu queria te fazer que também me chama muita atenção é sobre o contemporâneo todo mundo que trabalha com contemporâneo seja Nas artes também na literatura e na filosofia isso acontece também tem uma grande dificuldade que é o que que é relevante já que tem uma massa de produção e coisas que ninguém conhece
ainda porque estão sendo produzidas agora né É você falou fazer curadoria é estabelecer escolhas na como que são os critérios como é que é como é que são estabelecidos os critérios para para fazer essas escolhas sobre material que ainda não têm às vezes nem teoria e as pessoas Nem falaram sobre aquilo ainda diz com certa né o os clientes enfim como que é esse trabalho a teorizar sobre essas escolhas fazer as escolhas e é Caiu essa é uma questão fundamental né como escolher o que é contemporâneo né então eu que eu teria para te dizer
né É que hoje em dia eu tô pensando em termos de sistemas né então arte contemporânea tem um sistema né Ele é um sistema composto por diversos atores Então são artistas são criadores e curadoras Galerias museus críticos na uma estrutura Universitária cursos livres enfim tem todo um universo aí composto por essa coletividade que nos apresenta se apresenta como o sistema da arte contemporânea mas existem outros sistemas de arte também e que são contemporâneos também né recentemente eu fiz a curadoria da Bienal naifs do SESC Piracicaba em São Paulo e na Bienal Nair o sistema que
rege né o da Qual o sistema do qual a análise participa é justamente o sistema das Artes ditas populares que são tão contemporâneas quanto a arte dita contemporânea e que são regidos Então por outras regras por outros atores e compostos né por suas próprias linguagens seus próprios critérios seus próprios valores então quando a gente fala em termos de arte contemporânea o que a gente tá pensando é em elementos sejam eles assuntos artistas obras né espaços que dizem respeito a esse sistema da arte contemporânea e aos seus critérios e aquilo que está sendo discutido na contemporaneidade
de sistema é o que está sendo discutido hoje em larga medida no mundo inteiro né na Esfera da Arte Contemporânea São justamente as faltas identitária de todos os tipos né e um olhar mais atento para os assuntos que até agora foram marginalizados então o interesse das da curadoria na arte contemporânea de ponta digamos assim hoje é justamente olhar para esses assuntos não é para artistas para narrativas para histórias que foram pouco abordadas né dentro de uma visão da história da arte mais conservadora e que hoje estão sendo contempladas inclusive em termos de representatividade de grupos
sociais por exemplo e para que nós possamos repensar as nossas abordagens repensar a maneira como nós fazemos curadoria e como fazemos história da arte e como os museus são estruturados o foram estruturados até hoje bom então a arte contemporânea ela tá nesse momento de uma revisão que é Ampla e é altamente politizada né no sentido de buscar uma menor desigualdade do próprio sistema da arte contemporânea né e de poder rever os seus próprios discursos Então hoje em dia né assim quando a gente fala de arte contemporânea algo que mudou radicalmente né É nos últimos anos
eu diria assim de 10 anos para cá é justamente a gente revê uma posição Judy cativa e passar tem uma posição é muito mais discuta né e de troca inclusive quando o nosso nos deparamos com tradições diversa e não estão contempladas pelas ditas a mentais né e com os quais nós não temos intimidade bom Então nesse sentido né olhar hoje para as diversas exposições de artistas mulheres né de artistas indígenas contemporâneos né das questões afro tem esse sentido maior que é justamente repensar todo o sistema que é também amparado pela história da arte né pela
crítica de arte a partir de outras abordagens e de outros valores então é um momento muito rico para se pensar o que é contemporâneo na arte porque efetivamente qualquer coisa pode ser contemporâneo na arte hoje né mesmo recuperar tradições passadas uma vez que essas tradições em larga medida não foram contempladas né ou foram silenciadas Ou foram diminuída se dentro de uma espécie de hierarquia e e é que o uma visão mais conservadora tinha da arte como um todo então eu acho que é um momento realmente muito mobilizador para se trabalhar com artes porque embora Nossa
tenhamos um lado né que é um lado de muita precarização no país né do da própria estrutura das Artes do sistema artístico por outro lado nós temos uma potência de debate enorme e que aparece aí inclusive em espaços que nós não esperávamos novos espaços né que é uma discussão hoje ela tá nos museus Mas ela tá com bem nas ruas né na arte de rua ela tá nos coletivos de artistas que estão operando digitalmente e ela tá na Claro sempre na universidade mas também nas escolas Independentes nos Espaços Independentes não te por artistas tão é
houve uma mudança dentro de sistema inclusive em termos de veiculação do debate é E aí a perspectiva que cada um cole trabalhar né E aí eu tô falando como curadora né é é é uma coisa que tiver muito particular que diz respeito aos assuntos que a gente trabalha você escolhe trabalhar com o curador como curadora também a sua posição dentro desse sistema E aí quando eu falo sobreposição eu tô falando sobre uma posição política mesmo né e curadora eu quero ser dentro desse sistema na minha experiência particular né eu tenho interesse por uma curadoria que
tem um cunho mais ativista ou seja aqui tá preocupado em produzir conhecimento que tá preocupada com questões de desigualdade no sistema né outros curadores e curadores tem outras Bandeiras aí tem outros compreensões sobre como agir em termos curatoriais né mas para mim é essa e a maneira como hoje dentro do grupo a gente escolhe trabalhar né em termos estratégicos e nós temos uma série de atividades internas em que nós nos questionamos bom então o tempo todo nós estamos nos perguntando Será que nós estamos promovendo uma menor desigualdade dentro do sistema da arte contemporânea Será que
nós estamos sendo é tô vendo uma perspectiva propriamente aprofundada sobre esse tema que nós estamos trabalhando onde é que nós vamos buscar um aporte teórico que seja mais confiável que retrátil debate Na sua atualidade né então é um trabalho interno o tempo todo de revisão e readequação e critica nao é um grupo de tudo que faz muito uma autocrítica quando está fazendo curadoria e que tem aí a perspectiva de trabalhar rumo a uma contribuição para um sistema que seja um sistema em que as pessoas efetivamente se sintam contempladas em que esse sistema se Abra para
públicos que a gente sabe que até hoje não conseguem penetrar e no sistema da arte contemporânea porque a inúmeras Barreiras invisíveis né em termos de falta de acesso daí ai tô pensando aqui não só de falta de acesso aos espaços né mas a de falta de acesso de fato aquilo que a arte promove onde ela promove né porque no fim das contas me parece né que trabalhar com ética contemporânea deveria ser muito mais no mínimo muito mais democrático do que trabalhar com a perspectiva histórica da né porque a arte contemporânea ela deveria estar aberta a
todos todas e todos ela deveria né os seus discursos são discursos que podem contemplar diversos grupos sociais e quando isso não acontece tem algo de errado com o sistema é justamente porque são linguagens que falam a todos nós então é diferente por exemplo né eu te apresentar uma exposição de arte moderna digamos mas uma exposição de impressionista né que é um gosto muito comum para que você possa aproveitar profundamente as posição é claro você pode ter só uma experiência estética mas você precisa dominar um certo código né da pintura um código do sistema das Artes
impressionistas um código do sistema europeu da história da arte da Visão europeia de arte ocidental porque se não é a gente acaba perdendo muito nessa experiência né arte contemporânea não ela é muito mais acessível embora muita gente veja isso da maneira contrária né Ela deveria ser muito mais acessível ela fala justamente da nossa realidade bom Então nesse aspecto eu acho que é o trabalho com educação isso é importantíssimo na quando se pensa em curadoria porque é justamente a mediação os arte-educadores que vão fazer essa conexão com os diversos públicos que querem participar da sistema que
querem aproveitar mais uma mostra como a Bienal por exemplo né E que o quanto essa essa arte contemporânea pode de fato é tá aberta para as pessoas que dela querem participar aproveitar experimentar é muito bom hum é uma última pergunta Só para te fazer como que você vê o possível papel da arte brasileira nesse cenário nesse sistema contemporâneo tem um lugar para pensar o Brasil que tem alguma singularidade os é tão múltiplo que não dá para falar nesses termos como é que essa questão Patch brasileiro sabe que o meu objeto é arte brasileira né sim
eu trabalho Sobretudo com arte brasileira artistas brasileiros e esse termo nessa denominação arte brasileira ela já sofreu muitos muitas acusações muitas críticas né justamente porque ela vem de um projeto e principalmente Modernista mas anterior também é o Projeto vai mudando de cara mas existe sempre o projeto né da arte nacional e que hoje vem sendo obviamente muito criticado justamente por ter sido um projeto de visão universalista mas efetivamente é Exclusive Vista né então incluiu inúmeros atores aí atrizes e hoje o termo é altamente discutido né e traz muita complexidade não me avisam particular eu gosto
muito né de falar sobre arte brasileira porque eu acho que e o Brasil o primeiro porque eu acho que o Brasil tem um sistema artístico pulsante né mobilizador Fortíssimo nem e isso diz respeito a todos os sistemas das Artes que a gente tem né então é realmente impressionante como que dentro de um país com níveis de desigualdade em todos os sentidos né como o nosso a produção artística tem um relevo uma qualidade né de discussão inclusive altíssimo e esse essa importância já foi apresentada já foi apontada por vários sistemas artísticos internacionais né então os Estados
Unidos vários países da Europa estão muito interessados no que o Brasil Produza em termos de arte né E aí temos arte cultura e a gente sabe disso então eu gostaria de reabilitar Justamente esse ter um arte brasileira porque eu vejo de fato algo em comum né nas nossas várias Produções que estão sem dúvida absolutamente heterogêneos mas é o fato de haver aí uma é a predileção né uma abertura para as nossas adversidades bom então eu penso um pouco lembrando aí do Hélio Oiticica né que a a nossa possibilidade né de contornar esses Desafios que se
apresentam para nós todos os dias né nessa sociedade é é algo feito brilhantemente né assim as respostas são brilhantes Então hoje a gente tem um cenário artístico é impressionante né E aí em termos de linguagens em termos de discussões né discussões inclusive filosóficas dentro das artes visuais e execuções sociológicas e antropológicas o que é de uma variedade imensa na e com um aporte teórico bastante interessante é claro que eu teria que te responder né dividindo aí os inúmeros espaços em que a gente atua e as formas em que a gente atua então eu não quero
mencionar nenhum artista nenhum artista em particular para não correr o risco de deixar Outros tantos e tantos de fora né já que esse sistema é de fato muito complexo mas o que eu tenho para te dizer é que é o nosso a nossa produção artística ela é heterogênea na altamente politizada em vários níveis bom né então isso a discussão é muito Ampla né E nós estamos atingindo né temas assuntos e esferas é em todo mundo né então a discussão sobre a arte produzida no Brasil EA presença efetivamente de artistas brasileiros e brasileiras no mundo inteiro
né como referência a uma inclusive uma uma legitimação eo reconhecimento do sistema daí de arte contemporânea Internacional pela nossa produção também em termos de ideias né a nossa crítica de arte como o fundamento importante para como as nossas narrativas são estabelecidas né é e o as ideias também de artistas que compõem o nosso nosso próprio cânone né da Arte Moderna EA arte contemporânea é bom você tava e sobre o interesse é conferido a arte brasileira no mundo e tal e se você quiser retomar essa última parte do sua resposta bom obrigada Caio é a minha
visão é essa né de que há um [Música] reconhecimento dessa produção já há anos né pelo menos dez dos anos 60 mas desde os anos 90 com interesse renovado no mundo inteiro e que o que hoje mas é mais Central para mim né É como acadêmica e como curadora é justamente como se dão as negociações entre esse interesse internacional é externo e as nossas Produções e os nossos espaços e os nossos instituições né E como a gente deve ser protagonista dentro dessas negociações né então se não passar a e nós talvez não é a música
é gerar há tempos de arte de Conhecimento hoje me parece que há uma necessidade de nós nos assumirmos com esse lugar legítimo né de intelectuais artistas né visões da arte contemporânea e com uma produção de arte contemporânea que tem o seu lugar na que é absolutamente e complexa e profunda e que não precisa mais negociar é um as trocas que não interessa em lá então o fato de artistas por exemplo né como a Tarsila terem sido contemplados por grandes instituições internacionais né não deve nos deixar sem defesas né a gente deve entender que isso é
claro o interesse absolutamente importante para nós Porque nós queremos né que a produção circule em vários aspectos mas que também nós guardamos né é o nosso património as nossas ideias né que nós temos as nossas ideias e que elas também estão vinculadas a própria noção que a gente tem de cultura contemporaneamente no Brasil e como ela ela precisa aparecer né E como ela na verdade precisa até espaço como as vozes precisam que a divulgam né precisam ser bom então eu acho que a gente já tá nessa outro nesse outro estágio né que é saber negociar
Porque de fato o reconhecimento que no passado nós procuramos ele já chegou a muito tempo e agora a gente precisa entender o que que é importante para nós né para o nosso sistema para nossa produção artística para as nossas ideias é muito obrigado Ana pela entrevista é essa última fala sua me fez pensar aqui na filosofia e se ainda não acontece na original ver se interesse pela produção brasileira em filosofia é fora do país e e também aqui dentro e São umas coisas difícil tem pessoas trabalhando com isso né mas definir o que que é
o caráter brasileiro da produção filosófica né e significa nessa discussão é eterna já tem um século que a gente tenta pensar isso e é muito difícil talvez a gente possa aprender com as artes nesse sentido é eu só tenho agradecer você quiser dizer alguma última coisa aí antes da gente ferrar entrevista e fica vontade eu só quero te agradecer mais uma vez cai por tá fazendo esse trabalho de difusão do nosso da nossa pesquisa né do que nós estamos produzindo dentro da Universidade porque você como professor sabe bem né que muitas vezes a gente tem
dificuldade para divulgar o que está sendo produzido mas que ao mesmo tempo nós produzimos muito nós trabalhamos muito né E o nosso engajamento com a pesquisa acadêmica ele é muito denso Néia e completo então para nós professores trabalhar com pesquisa é efetivamente né noventa porcento da sua vida bom então muito obrigada por ter aberto esse canal para que a gente possa conversar e ter momentos aí para discutir essas nossas Produções às vezes pouco visibilizados [Música] que agradeço obrigado Ana pela gentileza que de compartilhar com a gente no canal sua pesquisa Espero que quis esteja assistindo
aí tu vai nos assistir depois também tenha gostado Eu sempre peço para deixarem comentários é que vocês acharam sugestões e fim clique no link aí para conhecerem melhor trabalho da academia de curadoria e fiquem ligados nas próximas conversações pelas obras e [Música]