Quem nunca ouviu ou falou: “sua única responsabilidade é estudar! ” Vamos conversar! É muito comum quando os pais falam para os filhos, crianças ou adolescentes, “você só têm a responsabilidade de estudar e está indo mal.
” Primeiro, só essa responsabilidade não é verdade. Eles têm muitas outras. Essa responsabilidade, ela não pode ser um peso tão grande para as crianças.
Quando a gente fala para uma criança: “você só tem uma responsabilidade, ir bem na escola ou fazer as tarefas de escola. . .
” Fica demais. Fica demais porque as outras coisas, que ele precisa ser, são de responsabilidade dele. Ele precisa ser um bom amigo, ele precisa ser muito respeitoso, ele precisa ser um cidadão.
Isso é responsabilidade. Isso são grandes responsabilidades, responsabilidades maiores e que requerem um preparo muito mais delicado, do que o simples: “Faça a sua lição de casa e estude. ” Quando eu dou para uma criança, pequena que seja, “a sua responsabilidade é arrumar a sua cama, a sua responsabilidade é tirar o lixo ou me ajudar na louça”, Isso pode ser visto como um fardo ou isso pode ser visto um voto de confiança, algo muito importante.
É preciso entender, então, que não cumprir com uma responsabilidade que lhe foi dada, também é uma responsabilidade. Do adulto, que tem que perseverar naquilo, tem que ser muito coerente. E da criança e do adolescente entenderem que, quando se falta com uma responsabilidade, algo vai acontecer.
Aí entra o tema punição, que para mim deve ser mudado, deve ser substituído por responsabilização. O que vem acontecendo? Nós damos responsabilidades para eles, nós falamos sobre responsabilidades, sobre a sanção de não se cumprir com essa responsabilidade.
Mas aí vem o adulto e passa por cima disso, minimiza, dá uma contemporizada. Isso dá uma mensagem muito conflitante para os meninos. Isso dá uma mensagem muito conflitante para os meninos.
As crianças e os adolescentes precisam entender responsabilidade por algo conquistado e não atribuído. Eu crescendo, eu conquistei uma responsabilidade. O ser um bom cidadão é algo conquistado.
Um bebezinho não vai ser um bom cidadão. Ele vai primeiro se entender como participante daquilo, para ser um bom cidadão. Na escola, em casa, em todos os lugares, os meninos recebem atribuições, responsabilidades e cargos, condizentes com o tamanho e com a maturidade deles.
O adulto precisa deixar isso acontecer. É responsabilidade fazer a lição? É uma responsabilidade.
Você conquistou, com o seu crescimento, a possibilidade de gerenciar isso. O não cumprimento, o não atendimento a essa responsabilidade, cria consequências, que pode ser desde a consequência mais primária, como: “eu achei que você ia conseguir fazer isso sozinho, eu vou ter que fazer com você. E você vai ter que conquistar novamente essa confiança, para de fato conseguir fazer a sua tarefa, sem que eu precise ficar vistoriando.
” “Não, eu não fiz a minha lição de casa. Não, eu não cumpri com a minha tarefa. .
. Não, mas dessa vez eu vou quebrar seu galho: Vou ligar na escola. ” Isso atrapalha muito e não atrapalha porque ele vai achar que ele é impune.
Não é nada disso. Ele vai achar que ele não tem competência para isso, que ele não é tão bom a ponto de ter uma responsabilidade dessa grandeza. E mais: lá na frente, ele vai questionar as responsabilidades dele.
Então, vamos pensar na responsabilidade como uma consequência do crescimento, da maturidade, da competência de fato de cuidar daquilo. Vamos conversar!