Olá, acadêmico! Estamos na Unidade 1, Tópico 3. Caro acadêmico, veremos agora alguns saberes na área da medicina que influenciaram na psicopedagogia.
A partir de agora, você irá visualizar de que maneiras outras teorias, abordagens e áreas do saber causaram impacto na formulação da psicopedagogia, tais como: a teoria evolucionista de Darwin, a matemática, a estatística, a psicanálise, os primeiros profissionais que passaram a atender pessoas com deficiência, e até mesmo a literatura. Isso nos mostra que as concepções não vão sendo totalmente superadas nem substituídas. Há conexões e impressões de pontos de vista diferentes, ou seja, outras percepções.
Vamos ver? Concepções e teorias que fundamentaram a psicopedagogia. Em meados do século XX, tivemos muitos progressos na medicina, proporcionando aos profissionais médicos um conhecimento da concepção humana.
Por meio das novas descobertas da anatomia, passaríamos a uma gradual substituição das lendas milenares, mitos, crendices e superstições sobre a humanidade. Esse fato tem relação direta com a compreensão do homem a partir de moldes racionais ao invés de místicos. O ser humano passa a ser estudado através de alguns pontos e objetivos de análise, tais como os fenômenos da natureza.
Para Ferreira, embora os médicos dessem enfoque à ciência de seus argumentos, esse discurso também era enviesado por questões políticas e religiosas, que eram dominantes, sobretudo no século XVIII. Ainda segundo o autor, o novo saber médico estava buscando propiciar uma consciência desenvolvimentista, que vinha acentuar a necessidade de atuação preventiva de promoção da saúde de cada um. Sendo assim, havia que cuidar desde o início, ou seja, desde a concepção.
Com essa ideia, a medicina moderna abria todo um novo olhar sobre a criança. Para tanto, além das influências das concepções de sujeito, de criança, de saúde, de patologias propagadas pela medicina e pelas obras literárias, existem as influências no que tange a diagnósticos e tratamentos. A medicina deixou suas marcas no que se refere ao processo de identificar o estado de saúde de um sujeito através de sinais, sintomas e testes.
Nesse sentido, de acordo com Ferreira, ela exerceu influências tanto na psicologia quanto na pedagogia e, consequentemente, na psicopedagogia, ligando pontos importantes na psicopedagogia. Então, é muito importante e comum que o psicopedagogo solicite que a família traga laudos ou exames que foram feitos/requisitados pelos médicos, psicólogos e outros profissionais da saúde, pelos quais a criança foi atendida, para fazer o diagnóstico psicopedagógico. Portanto, o olhar da psicopedagogia pousou sobre os déficits, ou seja, as coisas que estavam faltando para que a criança aprendesse.
Aos poucos, a psicopedagogia foi passando a olhar com mais sensibilidade para os sujeitos, observando mais a particularidade deles, e ampliando a visão para a família, grupos, instituições, história e também para os fatores sociais e culturais que estavam no entorno da criança. No entanto, a psicopedagogia era totalmente voltada à compreensão da aprendizagem, do insucesso da aprendizagem, e objetivava a cura daqueles que não aprendiam. Posteriormente é que ela começou a pensar e a propor intervenções que favorecessem a aprendizagem e que prevenissem as dificuldades de aprendizagem, passando a atuar não mais apenas atendendo a crianças no consultório (individualmente ou em grupo), mas, também, a atuar nas instituições educacionais.
Mas, caros alunos, e a pedagogia? Em determinado momento, os professores sentiram necessidade de verificar se as crianças estavam aprendendo ou não, quanto estavam aprendendo, quais estavam aprendendo e quais não estavam etc. Assim, eles começaram a elaborar instrumentos de avaliação, de exame da aprendizagem e, da mesma maneira que na medicina e na psicologia, resultavam em números ou em conceitos.
As notas das provas escolares exemplificam isso. É importante que a gente reflita, a partir dai, que a psicopedagogia, no Brasil, pretende privilegiar os problemas de conduta e de aprendizagem, bem como a perspectiva da psicologia clínica de tratá-los. Em resumo, a psicopedagogia, no Brasil, pretende ser inserida, de modo integral como "solução nova" dos velhos problemas escolares, os quais tanto a pedagogia quanto a psicologia (e suas variantes psicologia da educação, psicologia escolar e psicologia clínica) fracassaram, por fatores objetivos, solenemente em resolver.
Os psicopedagogos vêm elaborando testes próprios da área da psicopedagogia e metodologias de intervenção que se assemelham às propostas de atuação médica. Agora, caros alunos, vamos falar sobre as heranças argentinas. Podemos afirmar, já de inicio, que antes de chegar aqui, a psicopedagogia foi se desenvolvendo em solo argentino.
Apesar de o Brasil estar geograficamente mais perto da Europa do que a nossa vizinha, Argentina, pode-se afirmar que, antes de chegar aqui, a psicopedagogia foi se desenvolvendo em solo argentino. Os autores europeus já citados, dentre outros, foram dando subsídios aos autores argentinos. Exemplo disso é a autora Sara Paín, psicóloga argentina, doutora em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e em Psicologia pelo Instituto de Epistemologia Genética de Genebra.
Segundo Sara Paín, as dificuldades de aprendizagem não são exclusivamente ocasionadas por fatores localizados no corpo do aluno, como os fatores orgânicos, alguma alteração da estrutura cognitiva, por conta de algum transtorno da linguagem ou, ainda, por fatores psicógenos. Por conseguinte, ressaltamos que a França se destacou nos movimentos ligados à psicopedagogia. Inclusive, um centro psicopedagógico foi fundado em Paris, contando com diversos profissionais da medicina, da psicologia, da psicanálise e da pedagogia.
Resgatando suas memórias das leituras dos tópicos anteriores, você deve recordar que a psicopedagogia foi formulada, inicialmente e de modo mais corpulento, na França. Algumas pessoas que estavam lá na França trouxeram-na para a Argentina. E da Argentina, ela veio para o território brasileiro.
Portanto, os princípios dos psicopedagogos argentinos influenciaram e continuam exercendo influência na psicopedagogia no Brasil. Dicas de livros recomendados pela ABPP. Lembramos que esses livros tiveram o enfoque e o percurso da psicopedagogia.
• "O diagnóstico operatório na prática psicopedagógica". • "Técnicas projetivas psicopedagógicas e pautas gráficas para sua interpretação". • "Clínica psicopedagógica: epistemologia convergente".
Portanto, a psicopedagogia, admitida como esforço de articulações de conhecimentos produzidos por ciências tão distintas quanto a biologia, a psicologia, a medicina, a linguística, a sociologia, é de todo modo, de acordo com os autores que a reivindicaram, uma realização da educação escolar, no âmbito da escola e da sala de aula; não uma realização em clínicas e consultórios, de analisar os problemas pedagógicos. Enfim, a psicopedagogia expande o olhar para o contexto familiar, cultural, socioeconômico, social, e histórico dos sujeitos. Aos poucos, a psicopedagogia vai percebendo que os fatores que atrapalhavam a aprendizagem não estavam centrados necessariamente nos alunos que não conseguiam aprender.
Bons estudos, caro acadêmico, e até a próxima!