As narrativas compartilhadas têm o prazer de continuar, ouvindo Silvana Gabaldo, que agora vai contar um pouco mais a respeito dessas atividades, dessas experiências no curso de Letras e também o que significou isso para ela, essa continuidade. Mas, enfim, quem sabe o que vai contar a ela mesma, como você é? A palavra é Silvana.
Então, um outro momento muito importante que tivemos no curso de Letras foi a elaboração de um livro infantil. Foi da disciplina de Teoria Literária. Exatamente, cada aluno precisava elaborar, criar uma história e fazer o trabalho todo como se fosse um livro.
Lembro que na época o professor Roberto, e todo, eu acho que depois de 20 anos, eu fui surpreendida. Eu sempre lembrei desse livrinho, mas nunca tive coragem de perguntar e te cobrar, porque eu queria mostrar para o meu filho. E aí, passados 20 anos, ele veio e, surpreendeu-me, devolvendo o meu livrinho, que era o "Fusquinha".
Eu guardo essa boa lembrança até hoje. Não quero. .
. era para ir no último ano, no terceiro ano de Letras, foi em 1995, mas na verdade eu sempre devolvi para todos. É que talvez no dia você não veio e eu guardei.
Vai que toda hora eu não lembrava que tinha devolvido para você. Até aqui, 20 anos, sobrou em perfeito estado, guardadinho, como se eu tivesse entregado ontem para ele. Enfim, os três anos que passamos lá em Letras eu acho que foram muito significativos.
Eu acho que para formação, o sentimento do professor que ia atuar nas escolas públicas, lecionando, principalmente, português. Eu acho que era o foco de todo mundo; inglês, sempre uma meia dúzia que se identifica, que gosta. Então, passar por discussões assim de forma saudável, nem ligava.
Isso é enriquecedor para todos, porque eu vou sair ali, a maioria com 19 e 20 anos, para enfrentar uma sala de aula, então e lidar com pessoas com educação diferente, convivência diferente e com opiniões diferentes. E essa parte mesmo do teatro, da representação da vida, a um personagem, era muito importante, porque nós íamos encontrar os personagens na sala de aula. Ah, e quando me formei em Letras, eu tive o prazer que uma pessoa pode ter na vida.
Eu voltei a lecionar na escola. Fiz talvez treinamento, então eu não era mais aquela aluna que frequentava as aulas. Agora eu era a professora.
Então, lá eu tive a oportunidade de encontrar alguns dos meus professores. Eu sentava agora juntinho ali, e eu vim aqui para ele. Também é um prazer muito grande para mim.
Então, é incrível nessa emoção de guardar o meu carro, ouço porque na época eu lembro que logo comprei um fusca com ajuda do meu pai e eu colocava o carrinho no mesmo lugar que os produtores. Então, era muito legal. O cantineiro era o mesmo de quando eu era aluna, né?
Então, eu revivi uma memória. Esse seu momento, que ninguém pode dar essa importância, né? E aí eu fiquei lá na escola por dois anos, tendo eventual, e eu dava aula de manhã, saía lá e vinha para o Uniso, que eu entrava às 13 horas, e ficava lá na biblioteca até às 22 horas.
Então, por isso que meu pai precisou me ajudar a comprar um carro para dar tempo, porque eu saía da escola meio-dia e já entrava uma hora na biblioteca. Então, ele foi lá e decidimos comprar um carrinho. Eu tinha meu salário de professora conferente e meu salário da Uniso.
E, após dois anos, eu tive boas experiências, ótimas experiências, e também experiências não tão agradáveis. Como sempre gostei de estudar, eu fui lá, e pensei: "eu quero fazer mais um curso". Aí fiquei pensando que gostaria de fazer Direito.
Mas não era nem pensando em atuar, mudar de área, ser advogada, prestar um concurso. Era só mesmo para saber das coisas, né? E aí, eu entrei no curso de Direito.
Não pude mais lecionar como eventual, mas continuei trabalhando na instituição. Recebi aqui por dois anos as escolas me ligando, porque eu não fiquei só na nossa; eu fui em várias escolas, no Paineiras, no São Bento, porque eu tinha meu carrinho, então dava para eu ir. Eles até preferiam logo me chamar porque sabiam que em 10 minutos eu estava na escola.
Então, esse Direito mudou um pouco a minha vida. Acho que tudo em Direito requer muita leitura, e que começou a fazer sentido. O curso de Letras me ajudou no Direito, né?
Na classe, eu era a segunda ou a terceira aluna que já tinha, era a segunda faculdade que estava fazendo, mas especificamente Letras era só eu. O Direito, eu tinha que trabalhar a interpretação das leis, a escrita, elaborar as respostas das provas. Então, casou!
Eu me dei muito bem, assim, nesses termos, em escrita, interpretação no Direito, por conta de ter feito Letras. Mas a questão de ter docente estava lá, guardadinha, né? Em nenhum momento eu pensei: "Ah, nunca mais vou entrar na sala de aula.
" Não, eu guardei e deixei. Aí, no decorrer do curso, eu conheci meu esposo, e ao término do curso a gente casou. Ele também fazia Direito.
Né, ele trabalhava na polícia, né, aqui de Sorocaba. Aí mudou; ele estudava à noite, eu estudava de manhã. Aí ele mudou da noite para a manhã e tentou ali na mesma mesa, ali, né?
E ele, por fim, em menos de dois anos, a gente já estava terminando. A gente casou e logo eu já quis engravidar. É, hoje, né, eu tenho um menino de 15 anos.
E quando eu descobri que eu estava grávida, era o mesmo dia que eu estava começando no Estado em 2004. Só que assim: constituir uma família, né, ter mãe, era mais prioridade para mim na época. Então, eu fiz uma disciplina, né, um barrigão.
A professora Maria Lúcia, né, a Beleza Amorim, que já não deixou, né? Ela era minha professora, então eu vou usar essa grávida. A grávida, a grávida não pode passar vontade.
Assim foi que sumiu a disciplina. Terminei, guardei lá de novo e falei: “Só volto quando o meu menino estiver alfabetizado. ” E então fui ser mãe, foi construir casa, né, foi passar farda.
E aí, quando o meu menino, exatamente com 5 aninhos, já estava alfabetizado, eu prestei o processo seletivo para o mestrado. E, ah, e assim foi. Isso tudo fez muito sentido.
Eu tenho comigo que lá em 2004, quando eu estava fazendo a primeira disciplina, eu perguntava em um trabalho: com o passar desses anos, né, desse tempo que eu dei para minha vida pessoal, fez um sentido. Virou totalmente. E o que fazer?
Outro assunto. Eu penso até hoje que se eu tivesse continuado com o primeiro tema, teria sido puxado. E quando, como eu amadureci, tive outras vivências, eu fui para um tema que não me deu trabalho, que foi um prazer escrever, que eu estudo sobre a extensão universitária à distância.
Isso que é, né? E esse tripé que tem na universidade: do ensino, pesquisa e extensão, né? Então eu fui estudar extensão aqui no meio, e o professor Luiz Fernando Gomes, que também era docente, né, e recheado de letra, grande amigo nosso, e não foi meu professor em letra, né?
Mas aí tive oportunidade, né? Boníssima pessoa. Assim, foi meu orientando, lado do metal.
E tudo fez sentido para mim, foi gostoso, não sofri, né? Porque foi um tema legal, um tema da minha seara. Inclusive, foi o Fernando que sugeriu criar o blog para estas entrevistas.
Olha só! Então, fazendo entrevistas, ele disse: “Não sei porque você não mostra um blog para colocar as entrevistas. ” Isso, e olha só.
Aí eu tive também uma graça, alegria, que ao término do mestrado, eu acho que eu terminei dia 25 de junho de 2013. É, um mês e meio depois, eu estava tendo, recebendo o convite da professora Denise Lemos Gomes, né, me convidando para assumir uma disciplina de texto, língua portuguesa, texto e contexto, que é um componente curricular aqui dentro. Então, né, institucional.
Eu até lembro que brinquei assim com ela: “Falei seu posto, né? ” Porque ela, claro, né? Eu falei: “Então, vamos.
” Aí foi bem legal, foi minha primeira experiência no ensino superior, né? Então eu fui dar aula para engenharia de produção, engenharia elétrica e engenharia de computação. Pensa, a professora xingando, falando que vai dar aula de português na engenharia, né?
Eu sempre brincava: “Eu sei que vocês não gostam de português, professora! Eu escolhi fazer dele engenharia para fugir de ler. ” Eu sempre brinco, mas português, né?
E matemática, o básico a gente vai usar para a vida. Eu falo que o português a gente vai escrever relatório, a gente vai fazer pedido, a gente vai se comunicar. E, por matemática, gente, já calculei o cálculo do salário das contas.
É o público com ele. Aí eu fiquei lá no seu mestre, bom, e era desafiador eu trabalhar essa disciplina com uma turma que preferia Amazonas. Então, no testei, vou ter que desenvolver algum trabalho, algum seminário que eu vou quebrar esse gelo com eles.
Aí, o que que eu pensei? Como era uma junção das três engenharias, e eles estavam bem assim imaturos, acabaram de entrar numa universidade, não tem a dimensão, né? Eu também já tinha passado por isso, né?
Na verdade, duas vezes: quando fui aluna de letras e quando fui aluna de direito. E aí eu tive a ideia de fazer o seguinte: eu pensei em que cada engenharia venderia um produto. Bom, então, ele teria o que fazer uma encenação, né, para vender aquele produto e depois na classe tinha o que iria voltar.
Então, a engenharia… eu lembro que a engenharia da computação vendeu a impressora 3D, né? A engenharia elétrica vendeu uma lâmpada que era quase custo zero de energia, e a engenharia da produção vendeu um aparelho que ajudava nos afazeres domésticos, né? Produção, cadeia e tudo mais.
Aí, mais foi aquela coisa. Eu tinha que pedir para parar sempre. Aí, agora espera aí, outro grupo.
Eles se empolgaram, adoraram, internado, que eles tinham que convencer as pessoas, né, a comprar o produto. Então, eu fiquei muito satisfeita na época com essa atividade porque aí eu tive o que? Eu peguei de tudo isso a fala, dentro, o comportamento, né?
A postura, o jeito de falar com o outro, né? Como que você chega no seu cliente. Nesse, vai chegar assim, falando: “E aí, beleza?
” Não, não é assim. Então, e com a fala, eu percebia que eles ignoravam bastante regra de português, né, na escrita. Eles também tiveram que entregar um trabalho escrito.
Então, de tudo isso, eu tirei o que precisava focar com eles, ainda que fosse minimamente para ficar legal. Então foi uma experiência bem legal. Aí depois você mexe o seguinte: eu engrandei o direito.
Aí foi outra satisfação e menos, né? Eu estava com três, quatro, é. .
. 34 professores, meu, né? Da minha época.
E já não. . .
o que é? Tão grande, né? Era assim: 78 anos, né?
Então, hoje eu ainda trabalho com quatro do peito que podem ser meus professores, né? Eu ainda tenho como um protetor; eu ainda não consigo me sentir uma colega de trabalho, né? Em torno, em função do respeito, né?
E tudo mais. Aí, no direito ao trabalho, algumas disciplinas diferentes, né? E, no meio disso, também sumi.
Uma língua portuguesa desse contexto na publicidade. E aí, outro desafio, porque o povo gosta de falar, gosta de escrever. Criativo, uma sala com 70.
. . Meu Deus!
Como que eu vou assumir essa sala no meio do semestre em virtude de uma professora tirar licença para cuidar da saúde, né? Então, eu já era a outra professora, e falávamos de novo. Tá encarnação!
Aí dividi a aula e peguei uma marca antiga, tipo Coca-Cola, chinelo Havaianas. É o busca, né? Assim, representativas, que são marcas que estão no mercado há anos e décadas.
Sorteei. Aí tinha que trazer um trabalho escrito e fazer lá, explicar toda a história do produto, a importância, porque hoje ainda se usa a tal marca, por que faz diferença disso e tudo mais. Eles adoraram também.
Aí eu peguei lá a fala do comportamento no trabalho, inscrevi os erros e tudo mais. Então, assim, e a informação, né? Porque eles tinham que convencer qual era o produto que merecia um prêmio, né?
De todos os produtos, eu acredito que foi em torno de 7, 8 grupos. Os vídeos de hoje. .
. Nem eu trabalho com um TCC, com o valor do direito, com projeto. Já trabalhei no curso de psicologia, agora, outono, voltei para as engenharias novamente, com a matéria direito do trabalho.
Então, assim, é uma experiência muito rica, porque a cada sala de aula há experiências diferentes, públicos diferentes, vivências que cada um tem a sua história, né? Como eu tenho a minha, todo mundo traz a sua história. E eu gosto muito de ouvir os alunos.
Então, você vai falar sobre isso no próximo bloco. Donos. .
. É uma pequena curso também. Então, até daqui a pouco, quando a Silvana vai continuar contando essa experiência dela enquanto professora aqui na Universidade de Sorocaba, atualmente.
Até já!