o vapor quente do banho ainda pairava pelo ar formando uma névoa fina que se dissipava lentamente enquanto eu saía apressada do banheiro a toalha escorregava dos meus ombros e minha pele ainda estava úmida quando me apressei pelo quarto sentindo o tempo correr contra mim o relógio na parede marcava os minutos impiedosamente e meu cursinho logo começaria abri o guarda-roupa sem cerimônia puxando as primeiras peças que meus dedos encontraram uma blusa simples e minha saia preta sempre confiável vesti-me as pressas nem mesmo conferindo no espelho se a combinação fazia sentido meus cabelos ainda gotejava tempo para
secá-los foi quando ouvi a campainha soar cortando o ar abafado do quarto meu coração deu um salto o carteiro minha encomenda finalmente havia chegado esqueci o resto o cabelo molhado a maquiagem inexistente o atraso iminente e corri até à porta descalça com a adrenalina misturada a expectativa acelerando meu passo como não havia mais ninguém em casa além de mim não perdi tempo com enrolação assim que a campainha tocou larguei o que estava fazendo e saí correndo os pés descalços batendo contra o piso frio o choque térmico me fez estremecer mas a urgência me impulsionava para
a frente enquanto avançava pelo corredor ia ajeitando a blusa de qualquer jeito puxando-a para baixo na tentativa de dar ao menos uma aparência de compostura a porta da frente rangeu levemente quando a empurrei e o vento roçou minha pele só então percebi uma estranha sensação de frescor Mas minha mente estava ocupada demais com o meu atraso sem pensar muito destranquei o portão e encarei o carteiro um homem de meia idade olhar cansado e expressão neutra como se aquela fosse apenas mais uma entrega entre tantas ele me estendeu a prancheta sem nem notar minha pressa ou
o leve rubor no meu rosto e eu assinei rapidamente quase arrancando a caneta da sua mão quando ele me entregou a caixa Senti seu peso firme e sólido nos braços pronta para voltar para dentro Obrigada falei rápidamente antes de voltar correndo e largar a encomenda na mesa sem nem ao menos olhar o remetente conferir o que era sem chance eu estava absurdamente atrasada peguei minha mochila o celular e saía toda quase tropeçando no tapete da entrada o vento me atingia em cheio assim que pisei na rua ajustei a alça da mochila no ombro e continuei
apressada Meu foco estava em chegar ao ponto de ônibus a tempo mas uma sensação estranha começou a me incomodar foi só no meio do caminho sentindo o vento me envolver de uma forma diferente do habitual que algo finalmente me alarmou franzi a testa sentindo a brisa deslizar contra minha pele de um jeito indevido meu meu passo vacilou meu coração deu um salto desconfortável e uma onda quente subiu do meu peito até minhas bochechas parei bruscamente na calçada quase esbarrando em um senhor que passava ao lado meu rosto esquentou com a constatação na pressa de sair
eu havia esquecido uma coisa essencial minha peça íntima a saia até era curta mas também não chegava a ser um absurdo bastava evitar movimentos exagerados e tudo ficaria sob controle esse pensamento me trouxe um pouco de alívio ainda que superficial inspirei fundo ajeitei a alça da bolsa no ombro e olhei ao redor como se alguém pudesse de alguma forma adivinhar minha hesitação ou perceber meu deslize apertei a bolsa contra o corpo buscando um apoio invisível para meu desconforto mas já estava na rua meu ônibus se aproximava e voltar atrás não era uma opção então corri
Foi aí que tudo piorou a cada passo apressado sentia a saia subindo um pouco mais teimosa reagindo ao movimento como se tivesse vontade própria o tecido dançava no ar leve demais para se manter no lugar instintivamente tentei segurá-la com uma mão mas a bolsa na outra atrapalhava meu equilíbrio o vento que até então parecia inofensivo se tornou um inimigo declarado soprando forte e zombando da minha tentativa frustrada de manter a a compostura meu coração martelava contra o peito um misto de adrenalina e desespero subindo pela espinha eu precisava chegar ao ponto de ônibus rápido mas
a cada passo minha dignidade parecia pender Por um Fio olhares casuais na calçada pareciam agora atentos demais mordi o Lábio sem saber se ria da minha própria desgraça ou se rezava para que um buraco no chão me engolisse antes que Algo pior acontecesse o ônibus parou no ponto exatamente no momento em que cheguei sem me dar tempo para ajeitar nada não havia espaço para hesitação subi os degraus rapidamente sentindo as coisas fora do lugar mas sem poder fazer nada a respeito assim que passei pela catraca fui engolida pela multidão estava lotado o ar dentro do
ônibus parecia mais denso Carregado Pelo calor de dezenas de corpos espremidos no corredor o espaço era inexistente ombros se chocavam braços roçavam uns nos outros sacolas e mochilas pressionavam contra quem estivesse por perto o motorista acelerou bruscamente e um solavanco me jogou para a frente minhas pernas esbarraram nas de alguém à minha frente e um pedido de desculpa saiu baixo e rápido da minha boca embora ninguém parecesse prestar atenção a cada curva meu corpo era empurrado contra desconhecidos e a única barreira entre mim e o contato direto era aquele fino tecido já bagunçado podia podia
sentir o calor alheio impregnado no ar a mistura de perfumes suor e cansaço de um dia que parecia pesar sobre todos ali dentro Meu Coração batia acelerado a sensação de desconforto se misturando a impotência de não ter como evitar os choques involuntários segurei firme no ferro acima da minha cabeça tentando me estabilizar mas o ônibus freou de repente e fui empurrada outra vez meu equilíbrio vacilou meu corpo colidiu contra um ombro qualquer e naquele instante a proximidade era inevitável e meu ponto ainda estava longe o ônibus sacudia mais e mais a cada buraco da rua
e eu tentava me equilibrar o problema era que cada vez que o veículo freava bruscamente meu corpo era lançado para frente ou para trás e eu inevitavelmente esbarrava em alguém meu coração martelava no peito a consciência do meu deslize crescendo a cada segundo gente demais calor demais contato demais de repente o ônibus virou uma curva fechada e meu corpo tombou para trás tentei me segurar mas minha mão escorregou e acabei sendo empurrada ainda mais contra alguém que estava atrás de mim um homem alto de ombros largos que soltou um som baixo de surpresa quando fui
jogada contra ele Ei cuidado murmurou ele a voz grave perto do meu ouvido desculpa Moço sussurrei minha pele queimando de vergonha mas não havia espaço para me afastar e com cada novo solavanco do ônibus meu corpo continuava roçando no dele a essa altura meu rosto já estava vermelho Meu Coração batia forte demais e as coisas pareciam cada vez mais perigosas o que antes era só um descuido agora se tornava uma coisa maior que crescia eu podia sentir um jogo duro e tenso entre o desconforto e aquela estranha sensação de adrenalina e ainda faltavam vários pontos
até o meu destino a cada solavanco eu sentia meu corpo sendo pressionado a tensão aumentando no meu espaço apertado minha respiração estava curta Meu Coração batia acelerado e minha pele parecia quente demais para o clima do dia Tentei me afastar mas era impossível gente demais o corredor estreito e aquele homem atrás alto forte com uma presença grande impossível de ignorar ele não disse nada mas senti que reagia com a proximidade um ajuste Sutil um movimento quase imperceptível como se também estivesse consciente da situação e e eu me segurava no ferro queria me equilibrar enquanto os
solavancos do ônibus faziam com que Cada centímetro de contato entre nós se tornasse ainda mais intenso praticamente não havia nenhuma barreira real a ausência da barreira Extra que havia esquecido em casa era cada vez mais Evidente para mim uma lembrança constante a cada vez que o ônibus freava e e meu corpo era lançado para trás novamente o calor dele estava ali a respiração perto do meu ouvido o aperto do espaço nos empurrando juntos minha garganta estava seca meu peito subia e descia rapidamente eu ainda tinha mais cinco pontos antes de chegar ao meu destino o
calor dentro do ônibus parecia insuportável um misto de ar abafado corpos pressionados e a adrenalina pulsando forte em minhas veias mas eu respirei fundo eu precisava me concentrei no meu destino no cursinho no motivo pelo qual eu tinha saído de casa com tanta pressa mas era difícil quando cada curva me jogava contra alguém faltavam três pontos agora foquei na paisagem do lado de fora na cidade se movendo lá fora como se nada estivesse acontecendo aqui dentro as ruas passavam rápido os prédios conhecidos desfilando pela janela tudo continuava normal como se meu pequeno caos interno não
fosse nada além de um detalhe invisível no mundo ao redor dois pontos o aperto do ônibus era grande pouco espaço para respirar tentei ajustar minha postura me ajeitar e soltava o ar devagar com toda aquela tensão acumulada um ponto eu me movia apressada em direção à saída sentindo o tecido da saia se prender em bolsas braços e puxões inesperados faziam o meu coração acelerar ainda mais o ar sufocante carregado de e calor e tudo o que eu queria era escapar daquele espaço apertado minhas mãos tremiam levemente enquanto tentava me desvencilhar dos obstáculos sem olhar para
trás apenas focada no objetivo de descer dali o mais rápido possível quando meu ponto chegou saí do ônibus com passos firmes sentio o ar fresco da rua como um alívio o vento bateu contra minha pele aquecida e pela primeira vez desde que saí de casa sorri estava Suada molhada meu coração ainda batia acelerado mas eu tinha sobrevivido eu tinha vencido aquela provação e essa experiência Serviu de lição para ser mais atenta na próxima vez antes de sair de casa Obrigado por assistir Se gostou curte comenta e se inscreve que tem muito mais histórias como essa
por aqui até a próxima