essa carta foi retirada do livro professor assim tia não Cartas a quem ousa ensinar no qual Paulo Freire dialoga sobre questões da construção de uma escola democrática e Popular este livro foi escrito durante do meses do ano de 1993 Paulo Freire pouco tempo depois de sua experiência na condução da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo [Música] carta de Paulo Freire aos professores ensinar aprender leitura do mundo leitura da palavra nenhum tema mais adequado para constituir-se em objeto desta primeira carta a quem ousa ensinar do que a significação crítica deste ato assim como a
significação igualmente crítica de aprender é que não existe ensinar sem aprender quero dizer que ensinar e aprender se vão dando de tal maneira que quem ensina aprende de um lado porque reconhece um conhecimento antes aprendido e de outro porque observando a maneira como a curiosidade do aluno aprendiz trabalha para a aprender o aprendizado do ensinante ao ensinar não se dá necessariamente através da retificação que o aprendiz lhe faça de erros cometidos o aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica a medida em que o ensinante humilde aberto se ache permanentemente disponível a repensar o pensar reverse
em suas posições em que procura envolver-se com a curiosidade dos alunos e dos diferentes caminhos e veredas que ela os faz percorrer alguns desses caminhos e algumas dessas veredas que a curiosidade dos alunos percorre estão grávidas de sugestões de perguntas que não foram percebidas antes pelo ensinante mas agora ao ensinar não como um burocrata da mente mas reconstruindo os caminhos de sua curiosidade razão porque seu corpo consciente sensível [Música] emocionado se abre à adivinhações dos alunos a sua ingenuidade e a sua criatividade o ensinante que assim atua tem no seu ensinar um momento Rico De
seu aprender a responsabilidade ética política e profissional do ensinante lhe coloca o dever de se preparar de se capacitar de se formar antes mesmo de iniciar sua atividade docente esta atividade exige que sua preparação sua capacitação sua formação se tornem processos permanentes sua experiência docente se bem percebida e bem vivida vai deixando claro que ela requer uma formação permanente do ensinante formação que se afunda na análise crítica da sua prática o que me interessa Aqui de acordo com o espírito mesmo deste livro é desafiar seus leitores e leitoras em torno de certos pontos ou aspectos
insistindo Que Há sempre algo diferente a fazer na nossa cotidianidade educativo enquanto preparação do sujeito para aprender estudar é em primeiro lugar um fazer crítico criador e recriador não importa que nele eu me engaje através da leitura de um texto trata ou discute um certo conteúdo que me foi proposto pela escola ou se realizo a partir de uma reflexão crítica sobre um certo acontecio social assim em nível de uma posição crítica A que não dicotomização mas busca uma síntese dos contrários do ato de estudar implica sempre o de ler mesmo que neste não se esgote
de ler o mundo de ler a palavra e assim ler a leitura do mundo anteriormente feita mas ler não é um puro entretenimento nem tampouco um exercício de memorização mecânica de certos trechos do texto se na verdade eu estou estudando e estou lendo seriamente não posso ultrapassar uma página Se não conseguir com relativa clareza ganhar sua significação minha saída não está em memorizar porções de períodos lendo mecanicamente duas três quatro vezes pedaços do texto fechando os olhos e tentando repeti-las como se a sua fixação puramente maquinal me desse o conhecimento de que preciso ler é
uma operação inteligente difícil exigente mas gratificante ninguém lê ou estuda autenticamente não assume diante do texto ou do objeto da curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo Sujeito da curiosidade Sujeito da Leitura sujeito do processo de conhecer em que se acha ler é procurar buscar criar a compreensão do livro daí entre outros pontos fundamentais a importância do ensino correto da leitura e da escrita é que ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da compreensão da compreensão e da comunicação E a experiência da compreensão será tão mais profunda quanto sejamos
nela capazes de associar jamais dicotomizar os conceitos emergentes da experiência escolar a que resultam do mundo da cotidianidade uma das formas de realizarmos este exercício crítico da Leitura consiste na prática que vem me referindo como leitura da Leitura anterior do mundo entendendo-se aqui como leitura do mundo a leitura que precede a leitura da palavra e que perseguindo igualmente a compreensão do objeto se faz no domínio da cotidianidade a leitura da palavra fazendo-se também em busca da compreensão do texto e portanto dos objetos nele referidos nos remete agora a leitura anterior do mundo o que me
parece fundamental deixar claro é que a leitura do mundo que é feita a partir da experiência sensorial não basta Mas por outro lado não pode ser desprezada como inferior pela leitura feita a partir do mundo abstrato dos conceitos que vai da generalização ao tangível estudar é desocultar é ganhar a compreensão mais exata do objeto é perceber suas relações com outros objetos implica que o estudioso sujeito do estudo se arrisque se Aventure por isso também é que ensinar não pode ser puro processo de transferência de conhecimento do ensinante ao aprendiz ao estudo crítico corresponde um ensino
igualmente crítico que demanda necessariamente uma forma crítica de compreender e de realizar a leitura da palavra e a leitura do mundo a leitura do contexto a forma crítica de compreender e de realizar a leitura do texto e a do contexto não exclui nenhuma das duas formas de linguagem reconhece todavia que o escritor que usa a linguagem científica acadêmica ao dever procurar tornar-se acessível menos fechado mais claro menos difícil mais simples ninguém que lê que estuda tem o direito de abandonar a leitura de um texto como difícil porque não entendeu o que significa determinada palavra o
leitor estudioso precisa de instrumentos fundamentais sem os quais não pode ler ou escrever com eficácia dicionários a leitura comparativa de texto de outro autor que trate o mesmo tema cuja linguagem seja menos complexa usar esses instrumentos de trabalho não é como às vezes se pensa uma perda de tempo o tempo que eu uso quando leio ou escrevo ou escrevo e leio na consulta de dicionários e enciclopédias na leitura de Capítulos ou treos de livros que podem me ajudar na análise mais crítica de um tema é tempo fundamental de me trabal de meu Ofício gostoso de
l ou de escever enquanto leitores não temos oito de esperar muito menos de exir que os Escritores faç sua tarefa a de escrever e quase a nossa a de compreender o escrito explicando a cada passa no texto ou numa nota ao pé da página o que quiseram dizer com Isto ou Aquilo seu dever como escritores é escrever simples escrever leve é facilitar e não dificultar a compreensão do leitor mas não dar a ele as coisas feitas e prontas a compreensão do que se está lendo estudando não instala assim de repente como se fosse um milagre
a compreensão é trabalhada é forjada por quem lê por quem estuda que sendo sujeito dela se deve instrumentar para fazer melhor por isso mesmo ler estudar é um trabalho paciente desafiador persistente não é tarefa para gente demasiada essada ou pouco humilde que em lugar de assumir suas deficiências as transfere para o autor ou autora do livro estudar é uma preparação para conhecer é um exercício paciente e impaciente de quem não pretendendo tudo de uma vez luta para fazer a vez de conhecer é preciso que nosso corpo que socialmente vai se tornando atuante consciente falante leitor
e escritor se aproprie criticamente de sua forma de vir sendo que faz parte da sua natureza histórica e socialmente constituindo-se é necessário então que aprendamos a aprender Se nossas escolas de maisra idade dos seus alunos se entregassem ao trabalho de estimular neles o gosto pela Lea cura e o da espeita gosto que continuasse a ser estimulado durante todo o tempo de sua escolaridade haveria possivelmente um número bastante menor de pós-graduandos ou graduandos falando de sua insegurança ou de sua incapacidade de escrever se estudar para nós não fosse quase sempre um fardo se ler não fosse
uma obrigação amarga a cumprir se pelo estudar e ler fossem fontes de alegria e de prazer de que resulta também o indispensável conhecimento com que nos movemos melhor no mundo teríamos índices melhores reveladores da qualidade de nossa educação Este é um esforço que deve começar na pré-escola intensificar-se no periodo da alfabetização e continuar sem jamais parar pensando relação de intimidade entre pensar ler e escrever e na necessidade que temos de viver intensamente essa relação sugeriria a quem pretenda rigorosamente experimentá-la que pelo menos três vezes por semana se entregasse a tarefa de escrever algo uma nota
sobre uma leitura um comentário em torno de um acontecimento de que tomou o conhecimento pela imprensa pela televisão não importa uma carta para um destinatário inexistente ninguém escreve sen não escrever assim como ninguém nada sen não nadar a leitura crítica dos textos e do mundo tem que vir com a sua mudança em processo antes de encerrar o vídeo eu vou fazer aqui Um Desafio o Paulo freiro falou sobre a escrita o quanto é importante a gente escrever será que você consegue fazer aqui embaixo nos comentários uma resposta a do Paulo fre para quem quiser ler
de forma integral eu deixei na descrição do vídeo A gente se vê