Narrativas compartilhadas continua. Então, ouvindo o professor Roberto Gill Camargo, que agora vai falar um pouco sobre a experiência dele no teatro da banda e por aí afora, e também a vontade de se lembrar de alguma outra coisa para ir contando, se quiser. Também faz uma retrospectiva de alguma coisa que tiver vontade.
Então, o teatro da banda funcionou durante uns três anos, e aí a gente fez uma montagem do Diário de Anne Frank. Nós apresentamos entre atos; foi uma peça muito marcante para mim e, acho que, naquele momento, também que a gente levou a festivais, o pessoal comentava muito. Além do que foi uma peça que tinha acontecido, o caso do "resolve".
E aí eu escrevi entre atos, que era uma espécie de rapsódia, que, geralmente, eu faço nessa recorrência a elementos de diversificados da cultura nacional ou estrangeira. Juntei aquilo tudo e suas cenas e informações, e foi censurada; foi proibida pela censura federal. E aí, eu fiquei na lista das peças censuradas naquele momento.
Deve sair uma relação: nós estávamos ensaiando, paramos um ensaio, e não demorou mais do que uns dois meses. O Estadão publicou uma relação de peças que tinham sido liberadas pela censura. Encarece, tinha "Puxando Carroças no Coração" e estava lá o "Entre Atos" na relação; também tinha sido liberado.
Por aí a gente tem. Só que chega de cortes, o filme chegou pra vocês comunicado: "Dodô, mal, né". Não que digam.
Se não, antes que tinha sido proibida. Publicado, não é? Primeiro, nós íamos para São Paulo para buscar o atestado de liberação e falando sobre a interpretação da peça que não vai ser apresentada.
Então, entendo essa conta: como era você escrever a peça e tinha que mandar pra onde? Então, ele descrevia: a gente tinha que ir a São Paulo registrar a peça. A gente estava na entrada na Polícia Federal; era encaminhado para Brasília, onde era uma tortura.
E aí ficava o tempo: um mês, um mês e meio. Aí a gente voltava para São Paulo para pegar o atestado, geralmente, era liberada com cortes. No caso dessa peça "Entre Atos", foi censurada mesmo, porque tinha cenas que eram explicitamente; embora não falasse o nome das pessoas, mas tinha cenas muito fortes.
E aí, cenas de violência e política; religião e política, e a parte de sexo, assim, estivesse sendo explícita. Qualquer coisa que eu não colocava muito; era mais questão de ordem política e religião. Pegavam muito nessas portas, que, né?
O banco já tinha sofrido bastante cópia também, se sentindo. E aí, eles cortaram cenas que falamos sobre liberdade. Eu tinha colocado um professor dando aula de sociologia e falava sobre liberdade, e não podia falar essa palavra naquele momento.
Isso foi em 71, coisa em meados dos anos 70, né? Então, estava pesado. E aí foi cortada, daí vi o texto: não interditado, mas liberado com cortes.
Nós tínhamos que fazer uma censura visual, ou seja, a gente apresentava o espetáculo para censores, que eram outros censores, três censores que vinham de Brasília e assistiam ao espetáculo. Não falavam; tinham caras fechadas, a gente não sabia se tinham gostado ou não; estavam duros assistindo. E depois eles davam a comparecer lá e liberavam, né?
Então tive todos os tempos praticamente liberados, com exceção do "Entre Atos", que tinha dado esse probleminha aí. Mas logo depois foi resolvido com cortes. E aí a gente apresentou com os cortes.
E às vezes também faz lá. Não tem um censor aqui também, se tiver, já é. E a gente fazia; não era coisa preocupante, mas foi isso: foram vários espetáculos que eu montei e que tiveram que passar por processo, inclusive "Diário de Anne Frank".
A gente tinha que guardar. . .
Los Angeles, buscar um lugar. Sim, tal era isso: é humano, o ritual mesmo de censura, né? E tomara que isso nunca mais aconteça, porque é uma coisa horrorosa, né?
Submeter um grupo de teatro que, na época, era bem amador, sei lá, no interior, né? Pra do Brasil inteiro, por 300. .
. Brasil inteiro. Nessa experiência, tendo já assinado por Druzio Varella.
Eu não sei quem é esse, é o próprio. Você é um outro; está a assinatura de uma gravidade. Ocorre em agência federal, sem conversa.
Ele foi um momento bem sombrio da nossa cultura que a gente atravessou, e espero que nunca mais se repita. Agora, eu estava. .
. Eu falei um pouco sobre o Banco do Brasil; teve um tempo que trabalhei, morei em São Paulo. Depois eu fiquei no vai-e-vem, vai ver em transferir a equipe do Mackenzie e depois eu voltei.
Então, nesse momento, eu também comecei a dar aula, e aí eu me apaixonei pelas aulas. E, fazer, teve uma época que eu trabalhava em São Paulo. Eu vou gravar em Sorocaba, e eu dava um salto de tudo que eu não abriria mão daquelas aulas, que eu adorava, naval, inglês.
[Música] E aí, é fazer um triângulo e eu não estava nem aí com nada que fazer teatro. Então, é, naquela época, tinha aula sábado; uma notável de mim. Eu tinha até as novelas.
Agora, o período serviu de intermediário entre a tarde e noite, umas coisas assim. E aí eu fazia esse circuito. Aí me leva, muitas vezes, eu tomei um táxi em Salto, que acabava de ensaio em Sorocaba.
Não abri mão; nem sei. Uma vez cheguei a Galaxy; a mãe falou de tudo o que se ganhou. Nenhum porte, eu pensei: vou.
. . É galaxy pagar o táxi; segundo a guerra, não tem ônibus para vir.
Eu ficar no show. Ganha melhor, é, eu vou ficar lá na e tal, e ganhava melhor. Possível é melhor.
Eu estava no banco, então, era uma situação de mil privilegiados e dava 20 táxis. Pensar era muito louco, mas era muito bom. Yetta, análise nesse circuito, né, de uma vida do bancário.
Mas eu não gostava porque o termo "lado bom" que eu, quando eu fiquei em São Paulo, nesse período, eu saía do banco uma hora tarde, e havia muita sessão de cinema, vigoda de cabo a rabo, todos os filmes de Godard, aquelas sessões especiais. Em época, Augusto aparecia, ia lá e ficava, entrava duas horas da tarde e, até 10 à noite, ia e voltava, assistindo um filme atrás do outro. Eu saí atordoado e não conhecia, né, mas fiquei conhecendo pela Dona Dulce, que foi nossa parceira maravilhosa de teoria, que apresentou a Vila, e a partir daí a família quis mudar.
E aí não perdia e guardava. E Eto'o, todos aqueles caras que na época não tinham mãe do dono. Velha vaga, estava muito mesmo em vaga, estava na onda.
E foi muito importante esse conhecimento. Frequentava muito o Teatro Oficina, é o subtenente, porque eu tenho um apartamento quase na frente do Brigadeiro Luís Antônio, perto do Teatro Oficina. Então, e ali, eu ficava rodeando a Oficina de José Celso.
Entrei, falei uma vez com ele, assisti os espetáculos. Vital e meio assim. É porque também é um espetáculo zé.
É um. . .
eu já tinha 18 anos, mas cheguei a ver "Vive as Três Irmãs", que foi um dos últimos espetáculos da Oficina. E a Oficina acabou justamente com "11 Graças ao Senhor", foi um espetáculo 0 que foi o último da Oficina, histórico, me marcou muito isso daí. É esse terno a assistir o último, a última encenação do Renato Boccino na Oficina, fazendo "As Três Irmãs", quando ele anunciava que estava se desligando da Oficina, aquelas coisas, e isso mexeu um pouco com a gente.
E agora que estou acompanhando e vai embora. Era Renato Boccino, era o pessoal do "Rei da Vela", histórico, né? E foi isso, então, esse momento importante.
Eu estava começando a dar aula também, então comecei com essas duas paixões aí, né, e nunca mais parei de dar aula, nunca mais parei de fazer teatro. Então, foi um acontecimento muito, muito forte, assim, em Tannum. Não respondeu até hoje, né, no lago das duas coisas.
Um workshop das duas coisas, não posso parar com o nome das duas. Estou atualmente em três grupos de teatro da Uniso. Não é que eu mesmo me pedi e 635 informing o cartaz, depois um cata dos dois e o cata de terceira idade, que é da universidade da cidade.
Então, ficou essas coisas, entende, né? E passou da hora de. .
. a família até fala. Às vezes brincam, poucas vezes eu fico.
Domingo, quatro, cinco, seis horas ensaiando, assim. Ele só vai sair os dez mandamentos, hoje é fã, não acaba amanhã, mas é muito bom, né, num novo em contato com os jovens, com gente que está querendo em proença e o universo da arte. Tal, né?
Muito legal. E também, na hora que você voltou para Sorocaba, né? E como que você.
. . qual são os seus passos depois, se você voltou para Sorocaba, seguido de São Paulo?
Bom, então, eu. . .
muito trabalho com teatro da banda, nenhum, nesse momento eu já vou pra Campinas fazer mestrado, comece metade do mês, 0, 35 anos e se mostrado ao lado. Eu dava aula na faculdade de Tui, isso é dar balão, Bragança, letras, não há ainda nada, é em Itu. E eu estava aqui no bairro e bati no BRB, fiquei alguns anos na minha barriga, estava down um estado e dava aula em uma faculdade já.
. . o caso da pós que eu comecei em uma estrada.
Então, consegui aulas ali, fiquei um tempo longe, uns três anos, Renan. E foi isso. E aqui já estava montando peça, sempre montando também, mas estudando.
E aí, quando entro na linguística, que eu falei: será que é isso que eu quero? Quando eu fiz letras me chamou mais atenção literatura do que linguística, como é que é? Aí comecei a fazer linguística logo quando já estava dentro da área de linguística, com grandes professores, o Tom Tom, Só de Abreu, a Dorothy Stranha Cabral, gente da Unicamp, um pessoal muito bom, o mestrado em teoria da literatura.
Aí eu vou, como o 21º dia que chego lá, saí das minhas aulas de linguística, entrava na outra classe da turma de teoria da literatura para assistir aula de semiologia com Aquino, Sebastian, que é um canadense negro que estava aqui no Brasil, vindo pela PUC e estava dando aula. Aí fiquei encantado com negócios e. .
. hoje, porque é isso, né? Tá, tá, tá.
E aí foi o primeiro contato que eu tive com essa área foi no final dos anos 70, quando estava muito quente ainda, né, as coisas de romã baixa, de todo o pessoal que trabalha na área. Aí eu juntei com o circo, a linguística e tal, ficou uma cabeça do meio embaralhada nesse momento. Mas aí eu fui por conta própria na área da semiologia, escarafunchando, entregando material, lendo textos e tal, né?
E assim que eu terminei a linguística, eu parei um tempo de estudar, mas continuei escrevendo. Assim que eu terminei a minha defesa de mestrado, eu falei: vou transformar esse livro. E aí, como era eu, mexer com som e mexia com um aparelho fonador também, né, na linguística, eu falei: vou juntar essas coisas, eu vou escrever alguma coisa de som.
E aí eu escrevi um livro chamado "Cimentoplastia". No Tea, era um concurso, um concurso que teve no Rio de Janeiro no Serviço Nacional de Teatro sobre monografias, inúmeros técnicos sobre tela. E eu peguei e previu, estava em Goiânia.
Montando o Fio Terra, isso no começo dos anos 80, com a Carolina Ferraz no 13 da Globo. Lá, Carolina estava começando. Não cheguei lá, todo mundo.
Aí tem uma menina que vai fazer a peça com você. Falar quem é essa daqui? Carolina Ferraz, linda de morrer, é novinha, ainda, né?
Apaixonada por teatro, contexto global. Na mão e perna. Aqui vai ser bem, né?
Deixa pra depois. Vamos fazer Fio Terra porque eu tinha ido pra montar o filtro. É, Roque já tinha montado aqui.
Aí ela entrou no Fio Terra e fez. Em tão bom! Esse é outro capítulo.
Aí, mais voltando aqui pra praia, pra esse momento. É de Sorocaba, é, é, é. .
. Eu estava nessas três coisas aí, né? Passando da linguística, Praça Elogia e, ao mesmo tempo, escrevendo.
Aí mandei pro Rio de Janeiro o texto que eu tinha escrito, no próximo ao teatro, e foi pra mim, é, premiada. Eu falei: "Muito aquém! Mas como que premiou isso daí?
" A força! Quer saber? A Michells, crítico do Jornal do Brasil, desce de Almeida Prado, em um sábado, Magaldi.
Eu falei: "Está abrigado nos sustos. " Assim, tem uma outra peça que eu não te escrevi, não sei se você sabe, porque eu não montei. Essa peça chamava-se "A Última Estação".
Lembro, então, que eu escrevi, mandei por revelar, mandei para o Rio de Janeiro também, num concurso, e o presidente do júri era Nelson Rodrigues. A peça ganhou, foi uma das cinco peças classificadas pelo governo. Nem Braga era o ministro.
Ministro Nem Braga, que ela não me sinto muito voltado para a área de cultura, né? E tinha criado um movimento novo, o Mobral, de alfabetização. E aí o Mobral promoveu um concurso de dramaturgia, e eu entrei nisso daí.
Walmir Ayala e outros autores foram premiados também. E aí foi muito legal, porque também levei um susto quando soube que era Nelson Rodrigues. Estava longe.
Aí um belo dia me ligam lá da TV Globo: "A gente vai fazer uma maior interação da sua peça, mais uma encenação. " Muito, é, ainda meio precária minha leitura dramática, mas com atores. E nós estamos em dúvida com relação ao personagem principal, que é um velho tabu na estação.
É, temos dois atores aqui, né, que o diretor está indicando pra fazer. Qual que você prefere? Um deles é Zoinho Vinsky e outro é o Paulo Garcia, KM 11, em Nova York.
Daí eu optei pelo Paulo Gracindo, que estava no auge com "O Bem Amado", né? E que, aliás, eu tinha me inspirado muito, né, a idade, um jeito de fazer pra descrever o papel que ele fez. Informações, 11.
Tinha pensado. Aí eu fui pra lá assistir, tal. E foi um dia, assim, que eu estava nas nuvens, já vendo ali, montou a pereio, toda aquela gente lá, encenando uma peça em uma tenda.
Tem inscritos, embora acho que eu fiquei com medo, nunca montado. Pra saber se o atleta sentia e guardar. Esse você, muito, muito bom.
E eu voltei. Foi o de 1999, publicou depois, né? A instalação foi encenada algumas vezes.
Eu fui assistir, foi legal. É isso, então, é esses momentos assim aqui, em queimar com a gente. Aí eu terminei o mestrado, minha filha, nascida, Andréia.
A gente vai pra Bragança Paulista. Eu fico lá um tempo, é. Tenho seis anos, mais ou menos, trabalhando na Universidade.
São seis anos. Foi de 82 a 81 e 86 anos. E eu dava aula numa faculdade particular, daí é pequena, mas que me recebeu muito bem.
Fui coordenador do curso de Letras, lá na época, tal da Literatura Inglesa e Língua Inglesa. Depois eu fui para a Universidade São Francisco. Não fui chamado, é, pra cuidar da parte de teatro.
Fui assessor do projetor, é, comunitário, né? E eu ficava com teatro, cinema. E me deu um circo.
Tinha um círculo aqui levantado no campus. Cuida do circo, passa filme pra turma de Medicina, Biologia, Letras, História, do concurso. E aí eu toquei em cinema, né?
Eu ia pra São Paulo, na Boca do Lixo, pegava os filmes, trazia aquela vaca e ficava passando o filme, né, pra eles. Era muito gostoso, Slota Flor e aluno, né? Eu era muito legal.
E tem um grupo de teatro também. Assumir o grupo, tem a fazer o teste pra umas 500 pessoas na Universidade da Bolsa Integral, para os alunos. Chovia gente de Medicina, ótimos atores, meninos e meninas, muito bons.
O carro de cabeça. Discutir um texto de uma formação muito legal, né? E, ou de outros cursos também, têm até o sábado 15, no único até hoje.
É, assim, a gente pelo Facetime, né? E aí eu fiquei com esse grupo de teatro universitário. Levei um festival de teatro pró, né?
Fiz um filhote altos com os três anos dentro da Universidade e fiquei trabalhando ali, né, nesse momento, escrevendo ainda. Daí eu começo a pesquisa. A iluminação já tinha uma biblioteca muito boa e eu virava aquilo em italiano, francês, inglês, tudo que tinha sobre os noivos.
Eu fiquei, sinceramente, uns mais de dez anos, uns 15 anos, só pesquisa de vê Los Angeles. Só aí, quando chega em 2000, é que o público, o livro, é isso. Foi nos anos 80, com leveza.
E bem, esse período pra eliminação fazer, né, esse livro que tenha apanhar de nome sobre sua admiração, que a gente não tinha ainda, é, publicado aqui, né? E eu nem sabia que estava fazendo uma coisa que depois seria muito importante, é, referência. Hoje, esse livro é um monte de recuperado, é, de grupos de teatro e tal, é porque realmente uma pesquisa muito, muito aprofundada, nessa área de uma.
. . Eu lembro que eu ia muito na Livraria Francesa, importado, Controle, no Jardim, em São Paulo, pra ver o que tinha em inglês.
Francês, e pegava tudo aquilo. Tinha trabalho de ir lendo e anotando para poder incorporar na pesquisa. É só depois que eu vou fazer o doutorado que aí já tem essas coisas, já tudo mais ou menos às pontas.
Então, daqui a pouco você fala sobre o doutorado para nós. Já, então, daqui a pouco o professor Roberto vai falar sobre o momento dele a partir do doutorado que já.