[Música] [Música] o enganche funcionava assim um representante dos fazendeiros vinha a comunidade visitava a comunidade oferecia uma compensação financeira para que os índios saíssem da comunidade durante uma estação do ano para trabalhar na fazenda esses índios muitas vezes aceitavam eles precisavam de recursos para fazer as festas dos poemas luz suas festas religiosas como no méxico que demandavam flores demandavam velas e mandavam comida então eles precisavam de dinheiro pra pagar também o imposto a contribuição pessoal vinha esse representante dos fazendeiros convidá-los a receber um dinheiro que não necessariamente eles tinham porque essa comunidade essa economia de
auto subsistência era uma economia muitas vezes primária em que ali se plantava e se comia sem se depender de segundo tempo então o engraxador oferecia uma recompensa e esse camponês muitas vezes aceitava que o processo se dá a partir daí e à florencia malu no livro dela descreve isso nenhum ciosamente com base numa documentação muito rica um camponês que saía para trabalhar por três meses por exemplo fosse uma fazenda fosse numa mina na mineração extração de minérios esse camponês que saísse com as suas próprias mulas carregando seus mantimentos ea trabalhava comigo que ele tinha levado
voltava com um dinheiro no bolso o camponês kia mas não tinha nula não levar os seus mantimentos e aí sim dívida' vá esse camponês muitas vezes voltava mais pobre do que ele tinha ido no momento da sua partida e ao voltar mais pobre isso produziria assimetrias no interior da comunidade muitas vezes o camponês que tinha dinheiro guardado com provas terra do camponês individado e aquele camponeses endividado já não tinha mais terras na comunidade porque vejam do ponto de vista jurídico as terras foram loteadas então já é possível que um campo neutro simplesmente vender seu lote
do ponto de vista jurídico já era uma realidade então o camponês que volta mais rico viaja de novo com mais recursos ainda e ele ganha mais dinheiro ele tem mais condições de guardar esse dinheiro que ele ganha na viagem a trabalho do ano seguinte quando ele volta mais poderoso ainda e ele já tem mais terra do que o outro seu vizinho tem ele também tem mais poder político no interior do pedro e os cargos que eram cargos onde os índios e legião por exemplo o arcade o seu prefeito essa autonomia administrativa do povo havia no
méxico e havia no peru também os cargos eram cargos decididos por eleição dentro do partido em si camponês mais rico começava a ter mais chances de se eleger prefeito e essa dinâmica vai portanto introduzindo uma série de diferentes diferenciações sócio econômicas e políticas no interior dos pedros das serras entrar tipo por sua vez vão expressando essa penetração do capitalismo nas comunidades a chave a partir da qual esses autores explicam essa dinâmica é de uma interação entre o mundo dos andes mundo das comunidades indígenas o mundo das fazendas e as forças de desenvolvimento capitalista reorganizando redimensionando
certas práticas certas estruturas que conformavam esse universo sem que fosse destruído de uma vez de uma vez por todas de uma hora pra outra ou seja houve sim uma modernização capitalista e essa modernização capitalista conviveu com um do tradicional e é essa forma de engajar os camponeses foi o que permitiu às pequenas fazendas prosperarem e ao mesmo tempo também deu a possibilidade às comunidades de continuarem vivendo como comunidades indígenas mas isso mesmo tempo foi abrindo caminho para novas dinâmicas para novas com relações de poder no interior do pedro que ao mesmo tempo foram dando uma
nova novo perfil um novo contorno pra essas comunidades na região da serra central já que esses autores querem chegar à final de contas que é a grande questão do nosso curso não é isso que eu tenho procurado trazer em cada aula sobre um país diferente da história da modernização ea história da formação desses estados nacionais não é tão simples assim e que há diferenças regionais que há negociações que há dinâmicas que não significam ou é só o capitalismo ou sol anticapitalista a tradição acaica ou é assim impor a comunidade indígena existe como ela era antes
ou ela desaparece não ela não necessariamente desaparece tanto é que essa dinâmica vai se estendendo por algumas décadas e ela sobrevive no século 20 em algumas regiões as guerras entrar em algumas regiões na região de pasco não porque a região de tasco teve um momento de inflexão na sua história um momento divisor de águas na sua história que foi o ano de 1901 quando se instalou na região de cerro de pasco cerro de pasco em ti da região da grande região de páscoa uma empresa chamada cerro de pasco corporation e é ser o de pasco
com a polícia é foi uma empresa de exploração de minérios que chegou ao peru quando o peru se recuperava da guerra do pacífico a guerra do pacífico acabou em 1884 1888 de 90 semanas de profunda desorganização interna no peru no início do século 20 na passagem do século 19 para o 20 um novo grupo político consegue se organizar no peru com através em torno do chamado partido civilista e esse partido significa tanto é um partido que assegura a prosperidade o bem estar das elites crioulas e mínima às custas de abrirem as portas dos recursos naturais
do peru que são muitos para investimentos estrangeiros então a virada do século 19 para o 20 no peru é um momento em que o peru se recupera mais uma vez de uma profunda crise econômica que teve relação com a guerra do pacífico e por outro lado essa recuperação está ligada a uma abertura do país para as intervenções integralistas as intervenções de grandes empresas que vinham em busca dos recursos naturais isso vai produzir uma situação já caminhando aqui para a conclusão da nossa aula isso vai produzir uma uma situação bastante contraditória no peru que é por
um lado lima vivendo um momento de modernidade lima vivendo um momento de uma certa prosperidade como única e vivendo um momento de setores médios ligados ao serviço da profissional as profissões liberais que vão se tornando mais expressivos ao lado daquela velha aristocracia ou seja livrar se diversifica do ponto de vista social surgem também com mais nitidez setores de trabalhadores urbanos trabalhadores de manufaturas depois trabalhadores de indústrias incipiente ou seja existe um gérmen de um certo operariado em lima nesses primeiros anos do século 20 em razão dessa nova era em que o partido se visto em
conta a fonte de renda para o peru e essas fontes de renda estão sobretudo nessa exportação de gêneros primários para o mercado europeu e depois também para o mercado norte-americano por que os estados unidos vão entrando também nessa nessas esses investimentos estrangeiros que se fazem no peru então existe uma dimensão do peru o início do século 20 que é dessa lima que se diversifica e que se moderniza existe uma outra dimensão que é de se ter uma ingênua que recebe intervenções como a da cerro de pasco corporation onde o que havia nas eras entrar nessa
região de possibilidade de negociação entre os pedros e os fazendeiros o embaixador que vinha recrutava mas o camponês voltava para casa depois voltava para as suas terras e que ainda tinha uma margem de autonomia esse tema da autonomia camponesa é fundamental para a história do peru camponês que tem autonomia tem uma condição o que não tem autonomia porque não tem terra para plantar está entregue ao deus dará então aquele cenário em que as comunidades conviviam com uma certa modernização econômica desaparece com a chegada de uma empresa poderosa que tomar terras que desaloje comunidades e que
incorpora essa mão de obra de uma forma bastante autoritária bastante arbitrária e as comunidades que estavam perto das propriedades da segunda e paço corporation função também engolidas um pouco à maneira da sierra sur da região sul dos andes peruanos isso que acontece em cerro de pasco e acontece em outros pontos dos andes significa aqui e isso acaba implicando seguinte situação as comunidades camponesas continuam tendo essa margem de manobra de negociação de sobrevivência onde não houve grande presença desses investidores estrangeiros que vinham atrás da mineração e lá onde houve esse tipo de intervenção as comunidades se
desestruturam e alcides a estruturarem esses índios ficam à mercê de relações de trabalho que são muito do santa são relações de trabalho desregrados arbitrárias e se submetem essas relações de trabalho por necessidade por outro lado vão cada vez mais buscando o caminho da migração interna ea cidade de lima ao mesmo tempo em que vive a ser vez em ciência de setores médios de uma vida intelectual psi que se num que se enriquece nesse período a importantes intelectuais peruanos que produzem escrevem que discutem o problema do índio esse é o momento de uma certa efervescência intelectual
que tem a sua base sobretudo em lima ao mesmo tempo em que isso acontece os índios começam a migrar para a capital e essa esse êxodo rural esse êxodo de populações indígenas que saem do campo que saem dos andes em razão desse cenário em que as comunidades não desapareceram de uma vez por todas mas elas vão sendo de alguma forma elas vão sendo asfixiadas nevão sendo estranguladas em algumas regiões isso favorece o êxodo rural ea cidade de lima vive uma explosão demográfica que começa aqui de uma forma suave e começa a ser visível vindos não
fazendo visíveis em lima mas ainda de uma forma tênue e a partir da década de 1940 essa exclusão e de fato muito muito intensa e isso isso representa um novo capítulo na história de lima um novo capítulo na história de lima de uma cidade que era a cidade de los reyes fundada pelo pizarro onde havia tantos nobres tanta gente com com títulos nobiliárquicos da espanha uma cidade que o tempo todo olha para o pacífico e das costas para os andes nos andes começam a chegar a lima e à eu quero fechar essa reflexão dizendo o
seguinte lima passa a concentrar uma parte importante da população do peru quer desequilíbrio demográfico é extraordinário com esse êxodo rural e essas populações que têm um pé nos andes nas comunidades indígenas mas que cada vez mais tem uma parte da família que foi pra lima que se instalou em lima são objeto de as populações são objeto de estudos muito interessantes por exemplo por parte dos antropólogos há toda uma escola de antropologia no peru que tenha como referência nos pinheiros dessa escola cosmatos mar o senatur mar que levantaram a seguinte pergunta afinal de contas o que
aconteceu com esses índios em meio a essa avalanche de transformações léo que o que são esses índios que vem parar em lima se uma vez em lima não tem emprego formal porque o peru não foi um país que fez uma revolução industrial não tem emprego para todo mundo esses homens muitas vezes não trabalhar no mercado informal em outras palavras se tornam camelôs lima uma cidade tomada pelos camelôs nas ruas do centro antigo desse centro com traçado espanhol são cobertas por barraquinhas de camelôs e esses homens que também não tinham estácio físico e marca que vão
viver nas encostas que são desérticas e onde se instalam as chamadas barradas às variadas são as favelas em lima então lima fica num vale onde chove muito pouco é as populações que foram chegando se instalaram em favelas à cidade tradicional está em baixo e as favelas estão em cima e como não chove são casas muitas vezes têm estrutura quase que aberta estrutura de construção fica aparente porque as pessoas usam a a laje pra para tudo já que no enfim princípio não chove e nesse cenário então esses antropólogos como você natos mar se perguntam seguinte ficou
desses índios que chegaram a lima e perderam em tese completamente a ligação com esse mundo rural com esse mundo da comunidade com esse mundo das relações coletivista e a conclusão a que chegam vários deles a começar pelo você matos mar e seu lanço aqui pra vocês se quiserem depois irei pensar respeito nessa leitura sem fim para se fazer com calma a tese que eles defendem é de que essas populações que emigraram dos andes para as cidades mas especialmente para lima reproduzem na cidade os laços de solidariedade que caracterizavam os povos indígenas eles reconhecem portanto uma
sobrevivência de uma forma de vida de uma forma de pensar um grupo social o conjunto a comunidade que mantêm vivas uma série de práticas que são próprias desse mundo dos povos indígenas ou seja as comunidades não desapareceram dos andes mas ela certamente ela certamente foram perdendo espaço e ainda que tenham desaparecido o índio no útero é um índio que o índio falou índio mas é um índio mestiço né porque um juiz em fim a noção de mestiço aí talvez seja mais adequada mas que carrega consigo essa experiência do pedro das relações comunitárias e que se
reproduzem nas baseadas de lima então esses antropólogos são atores que em geral fazem os seus estudos com base nas favelas nas baseadas para pensar de que forma essas populações absorveram essa experiência da modernização que para elas teve especialmente esse sentido de de obrigá las a um deslocamento de obrigá las a um deslocamento para a cidade só a última ressalva é claro que o rosé matos mas por exemplo também foi lá cruzam anjos atrás de poemas que continuarão existindo foram atrás depois que continuarão existindo mas que dificilmente nos tempos contemporâneos nem isso nos anos 1970 e
1980 dificilmente já conseguiam ter assegurada a sua auto subsistência são bobos que em que as terras já não dão conta da subsistência da população que a dívida então eles precisam dessa relação com um mistério a a vida comunitária já não não se basta ela depende de fontes de renda que vem de fora mas o que eu queria que vocês retivessem realmente dessa aula de hoje é essa provocação que vem sido trazida por alguns autores no sentido de pensar olha a história do peru uma história marcada pelo imperialismo por essas intervenções por essa fraqueza do estado
que faz a reforma mas volta atrás no século 21 mariátegui foi um dos autores que levantou a voz para denunciar isso dizer olha a nação peruana uma nação frágil uma nação numerá véu é uma nação que não têm organizado adi de fato porque ele está sujeita a todas essas debilidades wire dellatorre fundador do ar para um importante partido no peru no século 20 nós vamos falar disso no próximo semestre também me chamando atenção para todas essas mazelas da nação peruana então por um lado essa é essa perspectiva uma perspectiva que se coloca é inegável por
outro lado é possível também olhar para a forma pela qual esse tecido nacional foi sendo transformada pela qual esse tecido nacional foi se conformando aos novos tempos de estado independente e de modernização capitalista e perceber que nem tudo se deu de uma forma homogênea se há nuances que há dinâmicas que fazem com que esse mundo das populações indígenas e camponesas também dialogue com essas tônicas que vem das grandes fazendas da mineração do capital estrangeiro [Música]