Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, celebramos hoje a festa do Batismo do Senhor.
Nessa festa, celebramos exatamente a manifestação de Cristo. Conforme já foi dito, na festa da Epifania estamos concentrados na manifestação de Cristo aos reis Magos, nas bodas de Caná e no batismo do Senhor. O Evangelho deste ano, dedicado ao evangelista São Mateus, narra o batismo de Jesus com uma peculiaridade, diferente um pouco dos outros evangelistas.
A narrativa do batismo segundo São Mateus, em primeiro lugar, nos coloca diante de um grande problema teológico: como é possível que Cristo, sendo santo — o Santo de Deus —, se disponha agora a ser batizado num batismo de penitência por São João Batista? É por isso que São Mateus nos coloca esse diálogo entre Jesus e São João Batista. São João Batista fica indignado e protesta: “Como é que Jesus vem ser batizado, quando sou eu”, diz João Batista, “que precisaria ser batizado?
” É aí então que Jesus diz que, por enquanto, as coisas fiquem assim, “para que se cumpra a justiça”. De que se trata? O que é esta “justiça” a respeito da qual Jesus está falando?
Em seu comentário ao batismo do Senhor, no livro “Jesus de Nazaré”, Joseph Ratzinger, ou seja, Bento XVI, nos diz que, ali, nós vemos e vislumbramos o mistério da salvação, o mistério da cruz. Que é o mistério da cruz? Nosso Senhor toma sobre si os nossos pecados, ao entrar na fila com os pecadores para ser batizado por São João Batista.
Jesus se está fazendo pecador, digamos assim, se está se colocando na posição de pecador exatamente porque, solidário a nós, pecadores, quer tomar sobre si as nossas dores. Aqui acontece a justiça, a união de Jesus conosco que faz com que nós sejamos purificados. Existem várias situações e episódios no Evangelho em que Jesus entra em contato com objetos ou pessoas impuras: Jesus é tocado por um leproso, é tocado pela mulher que sofria de hemorragia etc.
, e no entanto, embora as pessoas, ao tocarem essas realidades impuras, ficassem contaminadas, com Jesus acontece exatamente ao contrário. Ele, o que toca, santifica-o. Jesus, ao tocar o leproso, não se contamina, mas purifica-o.
Assim acontece conosco. Jesus, ao entrar em contato com os pecados e os pecadores, não se contamina, não se torna Ele um pecador; mas, como Salvador, faz a justiça, ou seja, santifica. Aqui vemos que a Cristo acontece sempre o contrário daquilo que a nós.
Quando fomos batizados, as águas do batismo nos santificaram; quando Cristo foi batizado, Ele santificou as águas do batismo. Quando nós entramos em contato com o pecado, somos nós os contaminados; quando Cristo entra em contato com os pecados dos pecadores, é Ele quem os salva e purifica. Que essa manifestação de Deus salvador, grandioso em sua misericórdia, realize também em nós a justiça.
Para isso, precisamos estar arrependidos dos nossos pecados, ser batizados e, no caso de estarmos em pecado mortal depois do batismo, confessar os nossos pecados. Assim estaremos renovando o nosso batismo, recebendo a justiça e entrando em contato com aquele que realiza a santidade em nós. Deus abençoe você.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.