Embora haja literalmente centenas de esquemas em circulação para superar o mercado, todos são variantes de alguns temas básicos que existem há tanto tempo quanto existe o mercado de ações. De tempos em tempos essas promessas são modificadas, rebatizadas e comercializadas como novas e diferentes estratégias de investimentos a cada nova geração de investidores. Todos nós, como investidores, em algum momento já fomos vítimas do famoso "papo de vendedor" vindo de corretoras, bancos, analistas, amigos ou conselheiros de investimentos sobre ações, que segundo eles nos levariam a rendimentos espetaculares.
Essas histórias, verdadeiros mitos de investimentos, não só parecem convincentes e razoáveis, como também são sustentadas por provas pontuais. Quando tentam implementar em seus próprios investimentos raramente os investidores conseguem igualar os resultados teóricos e muitas vezes se veem arrependidos e empobrecidos pela experiência, e prometem jamais acreditar de novo numa dessas. O pior é que muitas vezes os investidores se esquecem das lições aprendidas no passado e caem facilmente em outra conversa mole que escutou sobre grandes ações.
Embora haja, literalmente, centenas de esquemas em circulação para superar o mercado, todos são variantes de alguns temas básicos que existem há tanto tempo quanto existe o mercado de ações. De tempos em tempos essas promessas são modificadas, rebatizadas e comercializadas como novas e diferentes estratégias de investimentos a cada nova geração de investidores. Há algo nessas histórias que apelam para o nosso instinto de investidor e para as nossas fraquezas humanas, ganância, medo e orgulho, para citar apenas três, ou elas não teriam tamanha longevidade.
Se parece tão óbvio assim, como isso pode acontecer? Uma explicação é que em cada história assim com um pouco de verdade que a torna crível, e uma base de teoria financeira que permite a seus defensores alegar raciocínio sólido. Mas por que nos preocupar com a teoria?
Porque ela não apenas nos permite, ver o que faz com que essas histórias funcionem, como também nos permite identificar os pontos fracos que elas apresentam. Se você já se viu atraído por uma dessas histórias de investimento, provavelmente foi informado de estudos que a sustentam e recebeu provas do seu poder. Não é de surpreender que a maioria desses estudos tendo em vista sua fonte, só transmita parte da verdade.
Cada estratégia de investimento conseguiu ter sucesso em alguns períodos e com algumas ações, mas uma visão ampliada deve determinar se funciona por períodos prolongados e com grande número de ações. Desde que surgiram os mercados financeiros, sempre houve pessoas e empresas dedicadas à atrair investidores com promessas de enriquecimento rápido que acabam falhando. Após cair uma dessas, a vítima muitas vezes fica tentada a recorrer aos tribunais ou ao governo para buscar uma proteção de "si mesma".
E aqui eu aproveito para enfatizar o que sempre transmito em meus vídeos, o responsável pelos seus investimentos é apenas você mesmo. Não caia na velha máxima de que o seu sucesso foi por mérito próprio e o seu fracasso por culpa dos outros. O melhor antídoto contra conversas como: "não tem como dar errado" ou esquemas do tipo "fique rico em pouco tempo", está nos investidores céticos e informados.
Os seres humanos tendem a ser convencidos mais facilmente por boas histórias do que por números. O papo mais eficaz de venda para investidores é uma história atraente e sustentada por evidências de experiências pessoais. Mas o que, em primeiro lugar, faz com que uma história seja atraente?
As histórias de investimentos são convincentes não só por serem bem contadas, mas também porque tem diversos fatores em comum: A maioria dessas boas histórias apela para algum componente fundamental da natureza humana, seja ele a ganância, a esperança, o medo ou a inveja. Na verdade, o que separa os bons vendedores dos mal sucedidos, é a sua impressionante capacidade de avaliar os pontos fracos de um investidor e criar uma história capaz de tirar proveito deles. As histórias assumem diferentes formas, algumas são concebidas para atrair investidores avessos ao risco, em geral essas mostram maneiras seguras investir no mercado de capitais.
Outras têm por alvo os propensos ao risco, aqueles que querem enriquecer rapidamente, estas enfatizam o potencial de rendimento e raramente falam sobre o risco. Há outras ainda que são estruturadas para aqueles que acreditam ser possível obter algo a troco de nada, se forem mais espertos ou mais bem preparados que os demais agentes de mercado. Em qualquer lista de defeitos humanos, a ganância costuma estar perto do topo.
Filósofos e religiosos ao longo do tempo sempre se manifestaram contra este que é, também, o combustível que alimenta os mercados financeiros. A demanda por ações seria muito limitada no mundo em que os investidores não tivessem ganância por maiores rendimentos. Não é de surpreender que os vendedores de histórias de investimentos tenham percebido que o apelo, ainda que sutil, a ganância dos investidores, seja o bastante para despertar o seu interesse.
As histórias voltadas para a ganância têm entre si um tema em comum: permitem acreditar que é possível obter alguma coisa a troco de nada. Todo investidor sonha em encontrar o que equivaleria, no mundo dos investimentos, a um almoço grátis: um investimento sem risco e com alto rendimento. Para que exista essas oportunidades de arbitragem, é preciso encontrar dois investimentos idênticos que tenham os seus preços estabelecidos simultaneamente de maneira diferente pelos mercados, e ter certeza que esses preços convergirão com o passar do tempo.
Evidentemente essas oportunidades de arbitragem pura são raras e tem mais chance de surgir no mercado de opções e futuros, e mesmo neles, somente são acessíveis para alguns investidores com baixos custos de transação e excelente capacidade de execução. É muito mais fácil achar oportunidades que chamamos de semi-arbitragem, em que dois ativos que não são inteiramente idênticos são negociados a preços diferentes, e de arbitragem especulativa, que é mais uma especulação do que uma arbitragem propriamente dita. Como não há garantias de convergência de preços, esses investimentos serão arriscados até para os investidores mais sofisticados e trarão um risco ainda maior se uma parcela significativa desse investimento for alavancada, ou seja, proveniente de empréstimos.
Mesmo que você acredite ter descoberto a melhor de todas as estratégias de investimento, deve se perguntar o que faz com que ela funcione, isso vai lhe permitir modificar e ajustar a estratégia frente as mudanças no mundo. Por exemplo, se você acha que as ações apresentam um impulso de preço porque os investidores demoram a receber novas informações, pode precisar modificar a estratégia para refletir o fato de que, atualmente as informações chegam aos investidores muito mais rapidamente do que há 10 anos. Nenhuma estratégia funciona todas as vezes.
Entender a teoria ajuda determinar os períodos em que uma estratégia tem maior chance de funcionar ou de fracassar. Por exemplo, se você encara as ações com dividendos elevados como uma alternativa atraente aos títulos de renda fixa, essa atração deve ficar ainda maior quando as taxas de juros dos títulos do tesouro estiverem baixas. Na qualidade de investidor e partindo da teoria, você poderá identificar aquilo com que precisa se preocupar mais em cada investimento, e o que você é capaz de controlar para atender essas preocupações.
Toda história tem seus pontos fortes e fracos. Embora você vá, com toda certeza, ouvir falar em detalhes dos pontos fortes, os defensores das estratégias quase nunca falam sobre os pontos fracos. Para usar uma estratégia de investimentos de maneira eficaz, você precisa estar familiarizado, tanto com as suas limitações, quanto com seu potencial.
Enfim, as histórias de investimentos existem há tanto tempo quanto existem os mercados financeiros e demonstram gozar de notável longevidade. As mesmas histórias são recicladas a cada nova geração de investidores e apresentadas por seus defensores como sendo novas e diferentes. Aguardo vocês nos próximos vídeos.
Um forte abraço!