O medo do abandono, ele faz com que você insista em situações que te dão pouco. Eu vou te contar algo muito curioso quando a gente fala sobre medo de abandono, algo muito muito muito interessante sobre medo do abandono. O nosso cérebro, ele tem um um mecanismo extremamente curioso.
Quanto mais medo eu tenho de algo, mais a minha atenção está sobre isso. Pegou essa? Quanto mais medo eu tenho sobre algo, mais a minha atenção está focada nisso.
Sim, porque o medo ele se torna uma meta. Pensa, pensa comigo. Quando você tem medo de alguma coisa, você fica pensando em tudo para evitar que essa coisa aconteça.
Ou seja, o ponto crucial do teu pensamento é essa coisa. Por isso que a gente precisa vencer nossos medos. É.
E a gente vence nossos medos como? Conhecendo os nossos medos. Muito prazer, medo.
Muito prazer, medo. Você sabe que criança quando tem medo escuro, eh, a minha mãe é psicóloga, né? Claro.
Filho de peixe, peixinhõ. E eu lembro que eu eu uma vez eu cheguei no quarto dela. Mãe, mãe, tô com medo de escuro.
Mãe, tô com medo de escuro. Tô com medo do monstro. Tô com medo do monstro.
Medo do monstro. Aí minha mãe chegou para mim e falou: "Que monstro, filha? O monstro.
O monstro tá lá no meu quarto. O monstro. Aí minha mãe falou assim: "Eu vou lá com você.
Não quero, eu quero ficar aqui. Eu não quero". Minha mãe falou: "Calma, você pode ficar aqui, mas antes deixa eu ir lá ver que eu tô preocupada com esse monstro no teu quarto".
Chegou lá no quarto, eu morrendo de medo do monstro, ela acendeu a luz do meu quarto, foi maior paciência do mundo, foi em armário, em armário, gaveta em gaveta embaixo da cama e nós duas procurando o monstro. Onde tá o monstro? Onde tá o monstro?
Tal, tal, tal. Olhamos tudo lá. Ficamos lá uma meia hora olhando.
Tal tá tá tal. Eu era pequenininha, ela falou assim: "E aí, satisfeita? Sem monstros aqui?
" Não, mamãe, ele é invisível. Mamãe, ele é invisível. Filha, olha aqui para mim.
Nós procuramos o monstro em tudo. O monstro não está aqui. Se esse monstro aparecer, você vai gritar pra mamãe e eu venho aqui com você pra gente encarar esse medo, esse monstro juntas.
Combinado? Aí eu fiquei meio assim, não muito convencida e falei: "Não, mamãe, eu quero dormir com você". e fui dormir com a minha mãe.
No dia seguinte, minha mãe falou assim: "Filha, você precisa dormir no seu quarto? Eu sei que você tá com medo do monstro, eu já entendi, mas você precisa estar no seu quarto. O que eu posso fazer é quando esse monstro aparecer, já que você tá falando que ele vai aparecer, você me grita que eu venho aqui.
" E você sabe, nós tínhamos vasculhado todo o meu quarto e não encontramos um monstro. Eu já tinha entendido que eu podia dormir com ela se eu precisasse e também tinha entendido que se o monstro surgisse, eu podia gritar e clamar por ela. Quantas vezes na vida a gente só precisa que alguém acredite nos monstros que a gente vê?
Alguém que nos diga: "Sim, isso te assusta? " Mas vem cá, vamos olhar direito, vamos ver o quanto esse monstro é de fato ameaçador para ti. E ó, você pode contar comigo, eu tô aqui.
E no medo do abandono, no medo da sensação da solidão, a gente pode aceitar muita coisa. justamente por ter entendido que ficamos e somos sós durante toda uma vida, a sensação de que precisamos de algo e precisamos de alguém pode funcionar como uma bengala emocional, como uma utopia, sim, resolutiva. Eu preciso ter alguém para que então eu simplesmente acerte todas as pontas e nunca mais me sinta só.
É como se me sentisse sozinha a vida inteira e agora na altura do campeonato eu preciso ter alguém, porque se eu tiver alguém eu vou contar para mim que eu sou boa bastante. Vou contrariar todo o meu histórico e vou de fato me curar da solidão que me aniquila. Quando curiosamente deveria ser justamente por ter percebido quão só foi toda uma vida, que eu não preciso de ninguém para me validar, mas que eu tenho capacidade de escolher alguém para estar comigo caso realmente vha a pena.
Quando você olha para quando você olha de frente o teu medo, quando você percebe que esse medo do abandono, ele é reflexo de abandonos importantes que você teve na sua história, mas que você seguiu da forma que deu e suportou muita coisa para tá aí até hoje. Ao invés de aceitar pouco, ao invés de passar por cima do seu valor, ao invés de sustentar relacionamentos limítrofes, ao invés de dizer sim, quando você devia dizer não, ao invés de ficar sustentando o pouco que essa pessoa te dá, você deveria olhar para toda a sua história e perceber quantas coisas você passou sozinha. O quanto você já suportou, o quanto você já tolerou, o quanto você tocou o teu barco consigo mesma.
Ainda que tivesse medo da solidão, a solidão te acompanhava. E atualizar isso dentro de você, olhando para agora e antes tarde do que nunca, se convencendo de que você não precise de forma nenhuma. Aceitar pouco.
É como uma matemática lógica. Se durante tanto tempo na minha vida fiquei tão só e segui se durante tanto tempo da minha vida eu não tive praticamente nada, me arrancaram tanto e eu conquistei tantas coisas. Eu sobrevivi.
Por que que eu vou me contentar com pouco? Por que que eu vou aceitar que alguém não me veja? Por que que eu vou me contentar com migalha?
Por que que eu vou permanecer em interações indisponíveis? Por que que eu vou aceitar ser tratada assim? A outra raiz emocional desse padrão comportamental está aonde?
Aonde? Na baixa. Autoestima.
Aham. Sim. Baixa autoestima, gente.
Autoestima. Como eu me percebo, né? Autoestima não tem nada a ver com batom.
Ah, passa um batom, põe um põe um crop de e sai pra vida. Bobagem. Tem muita gente com batom, make maravilhosa, look do dia incrível e autoestima no ralo.
Autoestima tá de tá de dentro para fora. Eu abraçar a minha história, eu perceber os pedaços que eu preciso ressignificar, eu perceber as raízes emocionais que fomentam padrões disfuncionais e ressignificar cada pedacinho dela. eu perceber o que eu aceito e aonde isso me leva e perceber o que eu não devo aceitar mais.
Não é um processo fácil, mas estimar-se é tratar-se com amor e com carinho. É algo que nós precisamos exercitar e não é assim num passe de mágica, mas é um processo e pode ser assim primoroso e providencial na nossa vida. Quando eu começo a me tratar com mais amor, quando eu começo a me tratar com mais respeito, quando eu quando eu passo a olhar para mim com mais delicadeza, quando eu vejo que eu valho a pena, é quando eu percebo o que faltou, quando eu noto a minha carência afetiva crônica, que são os gritos dos buracos que eu tenho, quando eu percebo o meu medo do abandono e Quando eu tenho certeza que a chave tá e me amar mais, me cuidar mais e me querer melhor, eu entendi quais passos que eu darei para ressignificar esse amor aqui dentro.
E é tão interessante porque quando a gente começa a se gostar mais, quando a gente começa a se respeitar mais, quando a gente começa a entender que talvez durante toda uma vida eu tenha enxergado o amor com a ótica distorcida que eu aprendi, mas que o amor não tem nada a ver com isso. E não tem forma melhor da gente começar a enxergar o amor saudável que não seja se amando. É se amar isso.
É se tratar com carinho, é se respeitar, é se acolher, é se dar ombro, é parar de mandar essa mensagem que você tá mandando, é parar de stalquear a pessoa, é parar de correr atrás de quem corre de você, quem te evita, parar de querer quem não te quer, parar de dar para quem não merece. Dá todo, dá em todos os sentidos que você possa imaginar. Dá desde atenção ao seu corpo.
Respeite-se. Perceba-se os contornos do seu merecimento. Não se diminua para caber imundo pequeno e disfuncional de ninguém.
Não se despedace. Qualquer pessoa que te faça se sentir insuficiente ou que te provoque a sensação de pouca valia, não merece estar contigo. Amor não é sofrimento.
Amor não é dor, amor não é lamentação. Amor não é tristeza crônica. Amor é combustível.
Amor agrega, acrescenta, revitaliza. O amor é generoso, o amor humilde, o amor é fiel. O amor é leal.
Qualquer coisa diferença, qualquer coisa diferente disso é amor pirata. Qualquer coisa diferente disso é perdas de tempo. A vida é curta.
Nosso tempo aqui é muito curto. Eu até acredito que haja muito mais do que aqui. É cá entre nós.
Eu acredito. Mas essa vida aqui, ela é curta. Dê o melhor de si para quem te dá o melhor de si também.
Ame quem te ama. Olhe quem te vê. Se empenhe com quem se empenhe contigo.
Esteja com quem queira estar com você. Planeje com quem faça planos contigo. Sonhe com quem sonha junto com você.
Escolha quem te escolhe. Penso que essa é a meta e esse é o lugar confortável que você merece.