[Música] Olá estudante como nós vimos a teologia é o discurso o estudo sobre Deus e Deus é o objeto primário dessa ciência quando anteriormente Nós estudamos a questão do método científico nós chegamos à conclusão de que a teologia cumpre determin das funções da ciência mas que há uma especificidade própria em relação ao método teológico dado a natureza do nosso objeto de Estudos em geral as ciências estão voltadas para o mundo do fenômeno daquilo que é constatável E verificável então portanto elas estão voltadas para aquilo que é sujeito ao processo de verificação de comprovação isso se
dá pela via seja da experimentação seja pela via da simulação a natureza da teologia ela não corresponde a esses aspectos das outras Ciências porque ela tem uma epistemologia e um método que são próprios Devido as características muito singulares de seu objeto que como nós vimos é Deus cada ciência tem sua própria maneira de conduzir o seu método de pautar o Rigor teórico e de de fazer parte de uma comunidade científica então a gente pode concluir que há uma pluralidade de jogos linguísticos uma diversidade de saberes que expressam como se compreende a ciência de maneira moderna
no que diz respeito à teologia ela aí se inclui então tendo retomado até aqui agora é hora de nós lançarmos o nosso olhar para a linguagem própria da teologia que é uma linguagem simbólica e narrativa nós vivemos Entre Dois Mundos de linguagem A primeira é a linguagem comum corrente diária e também a outra o outro mundo da linguagem é a linguagem científica que é pautada por regras decididas pela comunidade científica a linguagem da teologia ela não se coaduna bem com nenhuma dessas duas por porque ela vai além da linguagem corriqueira por um lado e por
outro lado ela não se deixa prender Nas Malhas da linguagem objetivista e fria das ciências a teologia prefere a linguagem simbólica ela ama o ícone ela sente-se bem no universo da liturgia isso porque a teologia ela fala a inteligência por ser ciência mas ela tem por pretensão aquecer as fibras do coração ela pretende provocar a conversão levar a ação Sob a Luz da fé e o imperativo do Amor a linguagem teológica responde a duas exigências difíceis e desafiantes a primeira e Fundamental ela se refere ao seu objeto principal que é Deus a linguagem humana dista
infinitamente do mistério sobre o qual quer discorrer essa experiência tem produzido a oscilação entre o que chamamos de teologia apofática que se refugia no silêncio do Mistério ou se perde em paradoxos quase ininteligíveis e a teologia cataf que ousa verbalizar o mistério Então dessa forma teólogos e teólogas bem como os místicos eles se aproximam do Mistério conjugando palavra que são antitéticas transgredindo os códigos semânticos vigentes essa linguagem ela se enche de paradoxos ao querer exprimir aquilo que é inexprimível a segunda exigência consiste em que ao falar do Mistério teólogos e teólogas possam conseguir atingir um
leitor um ouvinte que muitas vezes se sente seja alheio seja hostil a esse universo religioso Então se ela pretende falar ao coração é pela via do simbólico e pela via do narrativo que ela busca alcançar esse objetivo para nós interessa aprofundar a linguagem a natureza da linguagem teológica a partir do objeto que é o mistério o que está em jogo é uma linguagem que se faz necessária mas ao mesmo tempo impossível ela é necessária Porque sem linguagem nós não podemos acessar a realidade e por mais misterioso Que Deus seja Deus é uma realidade e é
impossível porque nossa linguagem ela vai se forjando a partir de experiências humanas experiências que são criatura que são históricas e Deus é Deus para além de toda criatura e de toda a história é por isso que a linguagem teológica não pode se situar na ordem da objetividade expositiva tal como naquela linguagem que é própria das outras ciências é uma linguagem a teológica que não exprime sem mais um dado que seja verificável observável descritível é uma linguagem que não expressa um simples pensamento o pressuposto último do dizer teol Lógico é uma atitude de fé diante da
palavra reveladora de Deus no interior de uma comunidade e a linguagem simbólica é uma resposta melhor à natureza própria da liturgia porque se trata de uma outra lógica que é própria das imagens diferente daquela linguagem que se debruça sobre os conceitos enquanto o conceito ele ambiciona a exatidão a Universidade o símbolo ele vai provocar a diversidade dos Sentidos então por exemplo quando sorrimos para alguém esse sorriso significa ironia desprezo carinho acolhida timidez é próprio do símbolo provar menos e sugerir mais o símbolo nos leva a conclusões aproximativa e não a conclusões Preto no Branco 880
falar de de Deus e falar de seu mistério pressupõe uma linguagem mais sugestiva do que argumentativa mais aberta que fechada é uma linguagem que tá mais próxima da Encruzilhada que da mão única o símbolo capta o mistério profundo da realidade o lado escondido que o conceito deixa escapar a linguagem simbólica toca profundamente a natureza figurativa da nossa inteligência mesmo aquelas ideias mais abstratas elas são captadas por nós sob certa conotação imaginativa para responder à estrutura da Inteligência é nesse sentido que a linguagem simbólica responde muito mais à nossa qualidade e nossa necessidade imaginativa como exemplo
dessa linguagem simbólica vejamos um poema de Adélia Prado que é uma poetiza mineira o poema se chama catecumena e diz assim se o que está prometido é a carne incorruptível é isso mesmo que eu quero disse acrescentou mais o sol numa tarde com tanajuras o vestido amarelo com desenho semelhando urubus um par de asas em maio e indescritível multiplicado ao infinito o momento em que a palavra alguma serviu a perturbação do amor assim quero vem a nós o vosso reino os doutores da lei ganhados de fé tão Ávida disseram delicadamente vamos olhar a possibilidade de
uma nova exegese deste texto assim fizeram ela foi admitida com reservas catecumena é uma palavra que se refere a uma pessoa que está candidata ao batismo e batismo é o sacramento Cristão que simboliza a Adesão de fé a Jesus Cristo e também a proposta de Jesus Cristo Além disso o batismo é a porta de entrada para a vivência Comunitária na igreja o pano de fundo do poema nos leva a pensar que essa cena se passa numa espécie de entrevista final do eu poético que é candidato ao batismo o que chama atenção é que a fala
do eu poético não é a repetição de dogmas e verdades de fé tá como era comum no catic ismo antigo o eu poético fala do seu Anseio por uma experiência de céu por meio de linguagens poéticas e nada comuns A aquelas antigas respostas engessadas daquele tipo de catecismo a criatividade Magé do eu poético manifesta uma fé Ávida Como pode expressar os examinadores ali que no poema são nominados de doutores da Lei e isso se torna motivo suficiente para admissão ao batismo e às fileiras da comunidade de fé ainda que a catecumena fosse admitida com reservas
como diz o último verso do poema é importante a liberdade simbólica para a manifestação de um desejo esperançoso que não se limita a repetir formulações pré-estabelecidas pelas autoridades religiosas e esse é sem dúvidas o papel dos teólogos e teólogas que é a partir de sua experiência de Deus em comunhão com aqueles que os precederam na fé dedicarem-se a dizer o mistério com a criatividade de Quem experimentou em profundidade um mergulho transformador em Deus como nos ensinou o filósofo ou riquer e que podemos ver ilustrados nesse poema de Adélia Prado o símbolo dá o que pensar
e por isso a linguagem simbólica é tão eficaz para o fazer teológico nosso próximo passo será o de fazer um exercício A partir dessa linguagem simbólica para colocar em prática Nossa hermenêutica teológica até lá [Música]