[Música] olá hoje a gente vai conversar um pouquinho sobre um dos livros mais maravilhosos que eu já vi na minha vida gente esse aqui é o é isto um homem do primo leve se você nunca ouviu falar sobre esse livro prepare se este livro aqui na verdade é um testemunho do autor sobre o período que ele ficou em lost its o interessante é que ele só foi pra lá em 1944 ou seja faltava ainda um pouquinho pra acabar a guerra ele fica lá por cerca de 11 meses é um dos pouquíssimos sobreviventes e ele resolve
então escrever esse livro que muito além de ser apenas um testemunho pessoal é também um testemunho de uma tragédia que afetou milhões e milhões de pessoas logo no comecinho aqui nesse livro na introdução ele vai deixar bem claro pra gente essa necessidade que ele sentiu assim que ele saiu do campo de concentração de compartilhar essa história mas não pra compartilhar conhecimento e informações não era bem isso que ele queria fazer ele sentia necessidade de contar aos outros e fazer desses outros participantes daquilo que ele havia vivido quem seriam esses outros nós não os leitores então
ao ler esse livro é quase como se a gente tivesse realmente uma imersão ali naquele campo de concentração o que nós temos aqui é quase que um relato dia-a-dia de tudo o que ele vivenciou ali dentro ele comece este livro dizendo que por sorte nem olha só foi deportado para o xiv só em 1944 depois que o governo alemão em vista a crescente escassez de mão de obra resolveu prolongar a vida média dos prisioneiros a serem eliminados concedendo sensíveis melhoras em seu nível de vida e suspendendo temporariamente as matanças arbitrárias então ele se sente apesar
dos pesares como grande sortudo por ter ido parar em auschwitz apenas no final da guerra mas veja só que interessante este livro não foi escrito em forma de denúncia o autor mesmo disse pra gente lução que o intuito de lhe escrever esse livro além de ser ali um relato que faz com que o leitor seja também um participante de tudo aquilo que foi vivenciado por ele é também o de oferecer um estudo sobre a alma humana então se a gente pára para pensar todo o processo pelo qual os judeus passaram durante os anos do nazismo
foi um processo de desumanização então ele questiona muito essa questão de humanidade aqui nesse livro todinho e por isso nós temos aqui o título do livro né isso um homem ele coloca aqui pra gente também no começo do livro logo após a introdução um poema intitulado é isto um homem nem que ele vai dizer o seguinte ó vocês que vivem inseguros em suas calhas das casas vocês que voltando à noite encontram comida quente rostos amigos pensem bem se isto é um homem que trabalha no meio do barro que não conhece paz que luta por um
pedaço de pão que morre por 15 por um não pensem bem se isto é uma mulher sem cabelos e sem nome sem mais força para lembrar vazios os olhos frio ventre como um sapo no inverno pensei que isso aconteceu eu lhes mandar suas palavras gravem nas em seus corações estão em casa andando na rua ao deitar levantar repitam na seus filhos ou c não desmorone se a sua casa a doença os torna inválidos os seus filhos virem o rosto para não vê los forte não então logo após esse poema a gente começa então a acompanhar
tudo o que aconteceu com o primo leve antes e durante sua estadia em noves mas afinal de contas quem foi o primo leve bem antes de parar no campo de concentração ele era um químico italiano da cidade de turim ele era bem jovem zezinho quando isso tudo acontece na vida dele tinha ali por volta dos seus 24 anos e ele também acaba exercendo mais ou menos a sua profissão de químicos dentro desse campo de concentração por conta disso ele acaba tendo algumas regalias entre muitas aspas mas isso demora um pouco em alguns meses até que
ele comece a trabalhar num laboratório ali também antes disso ele era somente mais um número ali dentro de och bits ele conta aqui pra gente né o fato de que junto com ele estavam também cerca de 650 outros italianos e que ele foi um dos 20 que sobreviveram isso em 11 meses veja só aqui na minha biografia é que nós temos ao final aqui do livro na orelha a gente fica sabendo que depois de sair de och 20 ele volta a trabalhar como químico mas resolveu colocar suas experiências num papel e acho que não foi
o único livro sobre o assunto que ele escreveu ele tem um outro livro muito famoso chamado a trégua que eu ainda não li mas em breve devo ler também e ele tem diversos outros relatos também além de poesia e contos ele tem uma vida literária bastante política também ele se matou nos anos 80 se eu não me engano em 1987 infelizmente mas deixou aí uma bela obra para que a gente conheça mas então com relação ao estilo de escrita que neste livro o que a gente vai encontrar que é um texto muito simples e muito
claro e talvez a gente possa atribuir isso ao fato de que ele era uma pessoa de exatas nem mão de humanas então não existe nenhum tipo de gordura que nesse livro não existe nenhum tipo de excesso ele é muito direto principalmente na exposição dos horrores que ele e os seus colegas ali também viveram e ele cumpre aqui nesse livro exatamente aquilo que ele propõe para a gente na introdução então sua intenção é informar o leitor de tudo aquilo que aconteceu e com isso atingir ali também o maior número de pessoas possível então ele expõe aqui
todos os ocorridos de forma muito clara muito direta muito simples mas nem por isso o texto dele deixa de ser bonito este aqui é um dos livros mais bonitos que eu já vi na minha vida e olha que eu já li pra caramba você percebe que o autor não faz o menor esforço pra agradar ou até mesmo para convencer o leitor daquilo que ele está descontando ele não enche o texto de adjetivos de sentimentalismo mesmo porque não há necessidade e bem o tema que permeia a obra toda além de claro não é ser um livro
sobre o holocausto e tudo mais é a questão da humane adnet como já havia comentado com vocês ele vai mostrando aqui pra gente todo o procedimento de humilhação tortura e desumanização mesmo pelos quais esses prisioneiros passavam então você tem ali desde o deslocamento forçado de sua terra é praxe vitis a perda de seus objetos pessoais de suas roupas a perda de seu nome então eles passaram a ser conhecidos como um número que era tatuada em sua pele eles também perdi o cabelo perdiam a dignidade em que passavam ali por torturas tenebrosas desde o início até
o final da estadia que poderia ser sua morte o fim da guerra como foi aqui o caso do primo leve aqui na página 32 ele diz o seguinte olha só a condição humana mais miserável não existe não dá para imaginar nada mais é nosso tiraram-nos as roupas os sapatos até os cabelos se falarmos nos escutaram e se nos escutar em não nos compreenderam a ele continua roubaram também o nosso nome e se quisermos mantê-lo deveremos encontrar dentro de nós a força para tanto para que além do nome sob alguma coisa de nós do que éramos
e quando a gente lê isso a gente precisa ter em mente é aquilo que ele colocou pra gente na introdução lembro neve que ele só foi chamado ali pra chivitz em 1944 então existia uma necessidade por parte dos nazistas que eles ficassem vivos e trabalhassem agora imagina o que não aconteceu com as pessoas que não tinham saúde que não conseguiam trabalhar enfim e com tudo isso o autor vai mostrando pra gente então a degradação humana não só dos prisioneiros aí que tal bacana desse livro aliás um dos grandes méritos do livro ele vai mostrando pra
gente que a desumanização atingiria também os vigias então aquelas pessoas da ss que ficavam ali vigiando ogx também não eram vistas como seres humanos ali na página 132 ele vai comentando com a gente sobre uma visão que ele tinha dos novos trens que chegavam a todo o tempo trazendo novos judeus nem olha só a sua vida curta mas seu número é imenso são eles o submersos são eles a força do campo a multidão anônima continuamente renovado e sempre igual ao dos não homens que machão e se esforçam em silêncio já se apagou neles a centelha
divina já estão tão vazios que nem podem realmente sofrer e zita sem chamá los vivos e zita sem chamar morte a sua morte que eles já nem temem porque estão esgotados demais para poder compreender lá então olha só se você é desprovido de racionalidade capacidade de pensar por si só compreensão do que está vendo a capacidade de fazer o bem e consciência da morte o que é que sobra é isto um homem bn a gente ali na página 191 e falar um pouquinho sobre essa questão da desconexão como divino veja bem a gente tem ali
um rapaz que acaba dando graças a deus porque outros foram chamados para a câmara de gás e ele não e aí o autor vai dizer o seguinte olha só com agradece a deus por que não foi escolhido insensatos não vê na cama ao lado b com o grego que tem 20 anos e depois de amanhã e irá para o gás e bem sabe disso e fica deitado olhando fixamente a lâmpada sem falar sem pensar não sabe com que da próxima vez será a sua vez não compreende que aconteceu hoje uma abominação que nenhuma reza propiciatório
nenhum perdão nenhuma inspiração nada que o homem possa fazer chegar à nunca a reparar se eu fosse deus cuspiria fora reza de culpa então como é que você faz para manter a fé num ambiente como esse e tem um outro porém também a respeito desse livro nem apesar de ele ser um relato de um sobrevivente de och e se tudo mais a gente não tem aqui um livro sobre o poder da fé da luz de esperança nada disso esse é um livro sobre aquele determinado estado de coisas sobre como autor age ali dentro e como
ele conseguiu sobreviver ele vai contando os casos de outros sobreviventes também vai contando como é que aquelas pessoas conseguiam se virar ali dentro cada uma a seu modo então ele vai mostrando pra gente nesse dia a dia miserável e vai sobrar contando pra gente sobre a infelicidade em que eles viviam que aliás ele mesmo vai dizer aqui pra gente que nunca era uma infelicidade completa nem aliás como a felicidade também nunca é completa então nós temos ali por exemplo o capítulo 102 que ele vai intitular então de um dia bom então aqui a gente vai
lendo sobre esse dia de sol e tudo mais assim parece que vai começar dali um sobrinho de esperança e para aquelas pessoas mas ainda páginas 105 e vai dizer o seguinte ó hoje é um dia bom olhamos ao redor como cegos que recuperaram a visão e nos entreolhamos nunca nos viramos no sol alguém sorrir se não fosse pela fome ea gente tem reticências estão assim às vezes você tem até um vislumbre de uma esperança de uma felicidade mas tem sempre alguma coisa que vai te puxando pra realidade no caso aqui é a fome e ele
continua descreveu decide tudo mais ele encerre esse capítulo desse jeito olha só durante algumas horas podemos ser infelizes à maneira dos homens livres é uma dureza no mesmo ali na página 182 a gente percebe também uma certa preocupação do autor sobre a forma da mensagem que ele quer passar através desse livro então ele vai se preocupar por exemplo com algumas palavras vejam bem olha só assim como nossa fome não é apenas a sensação de quem deixou de almoçar nossa maneira de termos frio mereceria uma denominação específica dizemos fome dizemos cansaço medo e dor dizemos inverno
mas trata se de outras coisas aquelas são palavras livres criadas usadas por homens livres que viviam entre alegrias e tristezas em suas casas se os campos de extermínio tivessem durado mais tempo teria nascido uma nova aspiração linguagem e ela nos faz falta agora para explicar o que significa labutar o dia inteiro no vento abaixo de zero vestiu apenas camisa cuecas casaco e calças de brim e tem dentro de si fraqueza fome ea consciência da morte que chega então apesar da essa preocupação com o léxico mesmo do autor ele conseguiu escrever um dos livros mais incríveis
como eu disse para vocês é um dos melhores livros que eu já vi na minha vida com certeza é um dos livros mais importantes sobre essa época e é um livro que recomendo demais que você lê ele é culto ele tem cerca de 250 páginas é aquele tipo de livro que apesar da tristeza imensa da miséria humana do processo de desumanização que você vai acompanhando de como mesmo sabendo ali o que estava acontecendo os russos estavam chegando os americanos chegaram à normandia não sei o que lá e tudo isso chegava pra eles nem eles pensavam
se fosse mais alta num dia tão longe da rússia tattoo eles não conseguiam ter esperança pra nada é um livro difícil de engolir mas é o tipo de livro que não dá vontade de largar minha gente que livro não deixa essa super recomendação para vocês vejo vocês os próximos vídeos do canal um beijo grande e até mais