Salve salve, gente. Bem-vindos e bem-vindas a mais uma aula de bioquímica. E o tema da nossa aula de hoje é metabolismo de etanol. O etanol, também conhecido como álcool etílico, é o tipo de álcool que está presente nas bebidas que normalmente as pessoas ingerem, como cerveja, cachaça, vinho, espumante, voddica, corote e sei lá o que que as pessoas gostam de tomar, tá? O nosso organismo, ele possui as enzimas Necessárias para fazer a metabolização desse etanol. Porém, nós temos que ter em mente que o etanol é tóxico para nós. O etanol é tóxico pra nossa saúde,
certo? Então, primeira reflexão que eu quero trazer aqui é: existe um nível seguro de consumo de etanol? Eu já respondo de bate pronto pra gente aqui. Não, não existe essa dose segura que muitas vezes a gente vê por aí, tá? Não existe dose segura. Qualquer quantidade de etanol que entra no nosso corpo já Está causando algum grau de dano. E olha que quem tá falando aqui é alguém que gosta de tomar ali um vinho, uma cerveja, mais uma cerveja, mais uma cerveja, de vez em quando um whisky, tá? De vez em quando, né? Não sempre.
Mas isso não muda o fato de que o álcool faz mal à saúde. Ponto final. Então não tem benefício real, não melhora em nada do ponto de vista biológico a nossa saúde, é só prejuízo. Dito isso, agora a gente pode ir para uma visão mais química da Molécula de etanol. Então, na química, o termo alcool é um termo genérico que representa uma família de compostos orgânicos que t um grupo OH, ou seja, que tem uma hidroxila. Dentro dessa família, nós temos vários tipos de alcoóis, como metanol, glicerol e o próprio etanol, que também é chamado
de álcool etílico. Então, para entender melhor isso que eu tô falando para vocês, pensa da seguinte maneira. Vamos para um exemplo mais para mais Elucidativo para isso ficar claro para vocês, tá? Quando eu falo álcool é como dizer fruta, tá? Então, imagina álcool como fruta. É uma categoria ampla. Então, dentro de fruta, a gente vai ter várias frutas, certo? banana, maçã, laranja, manga, pêssego. Eu adoro pêssego, melancia. Tá? Do mesmo jeito, dentro da categoria alcool, nós temos o etanol, o metanol, o glicerol e por aí vai. Entenderam a lógica das coisas aqui? Então, eh, ao
longo dessa aula Aqui, eu vou usar os termos etanol, como é mais comum no dia a dia, tá? Mas sempre que eu usar o termo alcohol, saiba que eu estou me referindo especificamente ao etanol, OK? Então, aqui nós temos a estrutura do etanol. O etanol tem uma fórmula de C2 H6O, mas a gente costuma representar essa molécula da forma mais clara, como CH3, CH2OH. Então essa estrutura é bem pequena, é uma estrutura bem simples. E ela é formada por um grupo etil, que são dois Carbonos em sequência e um carbono tá ligado a três hidrogênios,
que é o CH3, e tem outro carbono que tá ligado a dois hidrogênios, que é o CH2. Esse segundo carbono tá ligado a um grupo hidroxila. Tá vendo? OH. Pronto. Isso aqui hidroxida, né, que é o grupo funcional característico aí dos alcoóis. Então essa estrutura confere ao etanol a capacidade de ser polar e também apolar. Esse meiotermo permite que o etanol circule com facilidade por diferentes Compartimentos do corpo, tanto os meio acuosos, como é o caso do plasma sanguíneo, mas também ele pode circular facilmente pelos lipídios, que é o caso das membranas celulares. Então, meu
povo, o etanol é uma molécula bem pequena, é solúvel tanto em água quanto em lipídios. Isso quer dizer que o etanol atravessa facilmente as membranas biológicas e vai ser rapidamente absorvido pelo nosso intestino. A absorção acontece Basicamente no nosso intestino, tá? Por um processo de difusão passiva, visto que é uma molécula que tá solúvel tanto em água quanto em lipídio. Então é uma difusão passiva, tá? Isso significa que o etanol consegue atravessar as células sem a necessidade de transportadores ou de gasto de energia. Cerca de 20% do etanol é absorvido ainda no estômago, o que
já é bastante coisa, tá? Mas a parte mais importante, a parte mais significativa de absorção, que é Mais ou menos aí 80%, vai ocorrer no nosso intestino delgado, especialmente na porção inicial do nosso intestino delgado, que é altamente vascularizada. Então, após ser absorvido, o etanol vai chegar rapidamente na circulação sanguínea. E depois que ele chega na circulação sanguínea, ele vai ser distribuído para todos os tecidos, correto? Correto? Então, quando a gente ingere o etanol, seja ali numa taça de vinho, seja numa cerveja, seja numa dose De destilado, seja ali no corote, seja numa pinga, sei
lá, eh, ele não precisa, o etanol não precisa passar por um processo de digestão complexo. Por quê? Porque é uma molécula bem simples. A molécula de etanol já é uma forma bem simples que vai ser prontamente absorvida pelo nosso sistema digestório e vai pra circulação sanguínea, onde vai ser distribuído para todos os órgãos. Então, é por isso que muitas vezes, em poucos minutinhos após a gente consumir O etanol, a pessoa, nós, né, ou as pessoas já começam a sentir os efeitos do álcool, porque ele já está circulando no nosso sangue e chegando principalmente no sistema
nervoso central, chegando aqui na nossa cuca, no nosso cérebro. Então, o efeito do etanol no sistema nervoso central é facilmente sentido, onde ele causa uma sensação de uma cedação, uma redução da ansiedade, uma sonolência para algumas pessoas, desinibição e também redução da Capacidade de julgamento. E aí que mora o perigo? E aí que eu caio ali, aí fica perigoso, né? Então, apesar de muitas pessoas pensarem que o álcool, o o etanol, é um estimulante, na verdade, ele é um depressor do sistema nervoso central. Quando o etanol chega aos neurônios localizados no nosso córtex cerebral, que
é essa região aqui da da frente, né, mais especificamente no córtex pré-frontal, eh o etanol potencializa a ação de um Neurotransmissor chamado de gaba. O GABA é o principal neurotransmissor inibitório do nosso cérebro. Então isso vai levar à inibição da atividade dessa região, que é justamente a região responsável por controlar os impulsos, os desejos, o comportamento social. Daí por isso que as pessoas ficam desinibidas quando tomam um pouco de álcool. Então, por isso ali nas primeiras doses, principalmente, as pessoas tendem a se sentir mais Animadas, desinibidas e mais falantes. Não é porque o etanol estimula
o cérebro, não pense que é isso, tá? Mas isso ocorre porque ele inibe os freios que controlam essa questão da inibição e desse comportamento social. No entanto, com o aumento das los dos, conforme a pessoa vai tomando o álcool, o etanol, ele começa a inibir também o glutamato, que é o nosso principal neurotransmissor excitatório do cérebro. Então, essa ação dupla, aumentar a Inibição do gaba e reduzir a excitação através do glutamato, isso leva, portanto, à depressão global do sistema nervoso central. O resultado disso tudo é que a pessoa começa a apresentar perda de coordenação motora,
lentidão, alterações nos sentidos e dificuldade de raciocínio, entrando no típico quadro de embriaguço, bebum, né? Se o estômago estiver vazio, bom, aí vocês já devem saber o que acontece, né? A absorção vai ser ainda mais rápida desse etanol. Por Quê? porque não tem nenhum obstáculo para esse etanol ser absorvido. Por isso que se beber de estômago, se você beber, né, se você optar por beber de estômago vazio, isso vai acabar potencializando os efeitos do álcool no corpo e no cérebro, aumentando o risco de intoxicação aguda. uma pequena fração do etanol que ingerimos, algo em torno
de 5%, já começa a ser metabolizado ou processado na boca, no esôfago e também No estômago. Mas a maior parte, cerca de 85 a 95%, segue pela corrente sanguínea até o fígado. Ah, o fígado, o fígado é o nosso grande centro de processamento de etanol. Anota isso aí. Anota aí, pega aí. O fígado é o grande centro de processamento do etanol, basicamente, né? Quase 805 a 95% do etanol sobra pro fígado, então pobre do fígado, tá? Então, uma pequena porcentagem eh do etanol que não passou nem pelo fígado ou Aí não foi absorvido pela boca,
enfim, uma parte muito pequena vai ser excretada pelos pulmões através da respiração. Daí por isso que quando a gente faz o bafômetro e o aparelho do bafômetro, né, acaba detectando níveis de álcool. Então a gente excreta um pouco do álcool pela respiração e também um pouco vai através da urina. A gente elimina esse etanol através da urina ali pelos rins. Bom, vamos imaginar agora que você tomou um Corote. Ah, que coisa. Como é que alguém consegue tomar um corote? Ou foi numa festa e no balado tomou um capeta ou tomou uma caipirinha para simplificar, né?
Ou todos eles, imagina ressaca no outro dia, tá? Então o etanol foi ingerido, absorvido, tá? Imagina aí, tá? Tomou p tomou ali. Então o etanol foi absorvido, você ingeriu, né? Ele foi absorvido e agora ele chegou no fígado para ser metabolizado. Vem comigo no raciocínio, tá? No fígado, a principal Rota de metabolização do etanol é catalisado por uma enzima chamada de alcohol deshidrogenase ou como eu disse, ADH. A sigla dela é ADH. Então essa enzima fica no citosol das células. Só para você ter uma ideia, no fígado, a alcohol deshidrogenadas representa 3% das proteínas totais
presentes ali no fígado. Ou seja, nós temos muitas dessas enzimas. A gente tem muita álcool, deshidrogenase no nosso fígado e ela é altamente eficaz, mesmo quando a Quantidade de álcool no sangue não é muito alta, ela já entra em ação. Então ela funciona como um sensor. Se tiver um pouquinho já de etanol circulante, ela já vai entrar em ação. Então é uma enzima que nos ajuda bastante. Agora, um ponto interessante, tá? Nem todas as pessoas têm a mesma versão dessa enzima. Existem pequenas variações genéticas. Então, o que a gente chama de polimorfismos, que fazem com
que algumas pessoas tenham Versões mais eficientes e outras pessoas possuam possuem versões menos eficientes da alcoal desrogenáia, tá? Então isso ajuda a explicar porque que algumas pessoas bebem um pouquinho e já ficam mais alteradas, enquanto outras pessoas parece que bebem o monte e já quase não sentem nada. Por quê? é o corpo lidando de uma forma diferente com o mesmo desafio. Então, essas pessoas provavelmente têm uma quantidade ou isoformas diferentes dessa alcool Deshidrogenase. Então, quando a alcohidrogenase age sobre o etanol, ela transforma essa molécula em uma outra substância chamada de acetaldeo. Anota essa molécula aqui,
é bem importante pr nós. Acetaldeído. E a gente vai falar muito dela na nossa aula de hoje. acetalo. Então, durante essa reação aqui, o NAD mais é reduzido a NAD de H. Então, guarda essa informação porque ela é importante também. Aqui nós temos a formação de quem? De NAD H. Outra coisa importante que aconteceu aqui foi a formação de quem? Do acetaldeído. O acetaldeído é extremamente altamente tóxico. As nossas células têm pavor desse acetaldeído. Então, ele é um problema para nossas células, tá? Então a gente pode pensar no ácidoído como um vilão nessa história toda,
tá? Por por trás dos efeitos do álcool, do etanol, quem é o vilão mais, vamos dizer assim, o pior de todos vai ser o acetaldei, tá? porque é ele que Provoca aquela ressaca braba no dia seguinte e a longo prazo ele pode causar danos mais sérios no fígado, como inflamação e até mesmo culminar todo esse processo em cirrosse. Se isso obviamente se o corpo não conseguir eliminar rapidamente esse acetaldeído. Então além do fígado, outras regiões do corpo também possuem álcool deshidrogenase. por exemplo, o estômago, o esôfago, eles possuem enzimas que já começam a transformar o
álcool em Acetaldeído, né, ainda na mucosa quando a gente tá ingerindo o etanol, tá? E isso pode ser bem perigoso, porque esse contato direto do dessas mucosas com o ácetalleido pode acabar danificando os tecidos locais e até aumentar o risco de alguns tipos de câncer, especialmente em pessoas que consomem o etanol com uma certa frequência. Uma das vias alternativas para fazer a degradação do etanol a acetaldeído é a via chamada de sistema microssal ou oxidante de etanol Ou simplesmente chamamos pela sigla de mels. Então essa via se torna mais ativa principalmente em pessoas que consomem
etanol de uma maneira crônica ou consomem etanol em uma grande quantidade. O MEUS é composto por enzimas do citocromo P450. Essas enzimas são especializadas em fazer a detoxificação tanto do álcool quanto de outras drogas que podem ser nocivas pra nossa saúde. Então, essas enzimas do citocromo P450, elas ficam Localizadas no retículo endoplasmático das células hepáticas. Gente, células hepáticas é a célula do fígado, tá? É um tipo de célula do fígado, porque existem outras células ali do fígado, tá? Mas o hepatócito é a principal células, podemos dizer assim, do nosso fígado. Então, dentre essas enzimas e
que fazem parte do cit citocromo P450, a principal delas é a enzima citocromo P450 2E1, que eu vou chamar apenas de CIP 2E1 para facilitar a vida aqui. Então essa enzima Transforma o etanol em acetaldeído, que ela para fazer essa conversão, essa enzima utiliza o NADPH e também utiliza o oxigênio. Então para que essa conversão aqui aconteça, para que isso aconteça, é é necessária ajuda de proteínas que vão transferir os elétrons, como é o caso aqui da enzima citocromo P450 redutados, que eu não vou aprofundar nessa explicação aqui porque não não cabe aqui, tá? Então,
essas enzimas do Citocromo P450, como é o caso da CIP 2 e 1, elas estão ali associadas na membrana do retículo, do retículo endoplasmático. E quando elas estão isoladas, quando a gente isola essas enzimas em laboratórios, ela elas acabam formando uma fração chamada de microsso. Daí o nome do sistema, sistema microssomal oxidante do etanol, certo? Só não queria deixar em branco porque é microsso, tá? Mas é basicamente por isso, né? Quando a gente isola elas, Elas vão acabar formando essas estruturas chamadas de microsso. Bem, diferente da álcool deshidrogenase, que atua muito bem em baixas concentrações
de álcool, a CP2 em1 tem um km elevado. Que que isso significa? Significa que que significa esse km elevado, né? A gente vê isso na aula de enzimas. Se você não viu a aula de enzimas, dá uma olhadinha, tá? Então a CIP 21 tem um km elevado, então ela vai ser somente vai ser ativada quando tem uma alta Concentração de etanol no sangue. É como se fosse um, sei lá, um motor reserva aí de alguma coisa, tá? Que só vai entrar em funcionamento quando o corpo tá muito sobrecarregado do etanol. Então chega um determinado ponto
que tem tanto etanol, tanto etanol, que daí então esse sistema aqui microssomal entra em cena para ajudar a fazer a detoxificação do etanol. Então, em pessoas que bebem de forma moderada, essa via é responsável por apenas 10 a 20% da oxidação do Etanol. Porém, com o uso crônico de álcool, o organismo induz e a esse aumento pode chegar em até 10 vezes, tá? Então é uma quando a pessoa consome de maneira crônica o etanol, a gente tem essa adaptação fisiológica, essa adaptação bioquímica que ajuda o nosso corpo a processar melhor o etanol. Então além dela,
além dessa enzima, outras enzimas da família P450 também podem ser induzidas pelo excesso de etanol, mesmo que não atuem diretamente Aí sobre o etanol. Então vamos falar um pouquinho sobre as consequências da ativação do MES. Então, apesar de parecer uma adaptação útil, essa ativação tem efeitos colaterais que são bem importantes. Por exemplo, ocorre um acúmulo de acetaldeído. Por quê? Porque o acetaldeído é gerado mais rápido do que a acetaldeídrogenase consegue eliminar, tá? Isso favorece então a toxicidade porque acumula muito acetaldeído. Daqui a pouquinho a gente Vai falar sobre essa enzima que eu mencionei, que é
a acetaldeída desidrogenas, tá? O outro colateral que é importante aqui é o aumento do stress oxidativo, que aumenta demais, porque o aumento da atividade das P450 acaba gerando muitos radicais livres. Isso aumenta o risco de danos hepáticos, inflamação, eh, fibrose e até mesmo cirrose. Além de tudo isso, o como o Mels também metaboliza medicamentos e e toxinas ambientais, a indução enzimática Desse sistema aqui pode acabar interferindo na farmacocinética de alguns fármacos, o que é especialmente relevante em alguns pacientes que são alcoolistas. E a última via, que é uma das vias menos eficazes para detoxificar o
etanol, é a via da catalase. Então essa via representa menos de 10% da biotransformação de etanol. Isso vai ocorrer nos peróxossomos e se faz necessária a presença de peróxido de hidrogênio. Então a catalase ela utiliza O etanol mais o peróxido de hidrogênio para formar o acetaldeído que sai aqui do peroxossom e vai ser convertido em acetato pela ah acetalíde hidrogenase 1 ou acetalíde hidrogenase dois. Então agora a gente pode começar a falar nessa outra enzima que eu mencionei para vocês, que é a acetaldeído deshidrogenase. Então vejam só, todos os sistemas falados anteriormente convertem etanol em
acetaldeído, que é extremamente Tóxico. Já pegaram essa visão, né? Então, precisamos degradar de uma maneira urgente esse acetaldeído. E aí então entra em cena uma enzima que é fundamental nesse processo, que é a nossa enzima acetalde deshidrogenase ou simplesmente a sigla ADH. Essa enzima tem a função de transformar o acetaldeído em acetato, que é uma molécula que já é muito mais segura pra gente. Aliás, o acetato pode até ser usado como fonte de energia. Então, veja Só, o corpo não apenas neutraliza um composto tóxico, como também aproveita parte dele. O nosso organismo é é uma
máquina impressionante, né? Fala sério, mas o funcionamento dessa etapa aqui também varia de pessoa para pessoa. Qual que é o motivo disso variar? Nós temos duas versões principais da acetalditogenase que elas atuam em locais diferentes na célula do fígado. Uma vai atuar no citosol e a outra vai atuar dentro da mitocôndria, tá? Anota Aí. Então nós temos uma isofora da acetal deshidrogenase no citozol e a outra está localizada na mitocôndria. Então a versão mais eficiente, a iso mais eficiente é a enzima que fica localizada dentro da mitocôndria da célula do fígado. Essa enzima é a
acetaldeído, deshidrogenase dois, OK? dois fica na mitocôndria. Essa enzima tem um km baixo para a acetaldeído. Isso significa que ela é muito sensível ao acetaldeído. Um pouquinho só de Acetaldeído já aciona essa enzima, então ela consegue agir muito rapidamente para detoxificar esse acetaldeído. É como se fosse a uma linha de frente que ajuda muito, uma linha de frente muito bem treinada e que ajuda muito a combater o problema. Então essa enzima vê o problema chegando e ela pega e já resolve logo para não causar nenhum tipo de dano na mitocôndria e também na célula hepática.
Mas o que acontece se essa enzima, se a acetalde hidrogenase 2 Mitocondrial não funcionar bem, que que vai acontecer? Isso pode ocorrer por conta de algumas alterações genéticas, tá? Em algumas pessoas essa enzima pode ser menos ativa ou até mesmo ausente. Então, pegando a visão, que que eu disse para vocês? A isoforma da mitocôndria é a forma mais funcional, a mais ativa, a que funciona melhor, que detoxifica melhor o acetaldeído, até mesmo em baixas concentrações de acetaldeído, essa enzima já entra em ação. Porém, tem Algumas pessoas que têm uma deficiência ou tem algumas pessoas ainda
que têm a ausência dessa enzima. E o que que pode acontecer a partir disso? Se a pessoa tem uma enzima deficiente ou ausente, qual que é o resultado disso? O acetaldeído vai se acumular na célula. Então ele vai escapar paraa corrente sanguínea e começa a afetar outras partes do nosso corpo. E aí aparece os sintomas clássicos que provavelmente você já viu acontecer com alguém. Por Exemplo, vermelhidão no rosto, que chamamos de rosácia, batimentos cardíacos que se aceleram muito, a pessoa tem uma rritimia ali, né? Uma sensação de mal-estar e as ressacas no outro dia são
realmente muito mais intensas. Então, esses sintomas surgem em algumas pessoas, mesmo se elas tomarem poucas doses de etanol. Tudo isso é culpa de quem? Do acetaldeído. O acetaldeído vai irritando, irritando os tecidos que não possuem a enzima Acetaldeido desidrogenase. Isso acaba provocando respostas fisiológicas que são extremamente desagradáveis. Então, a segunda versão da enzima se chama acetaldeído, deshidrogenase. Um, aonde ela tá localizada? Localizada no citoplasma do hepatócito. Então, ela também consegue transformar o acetaldeído em acetato, mas com menos eficiência do que a versão mitocondrial. Então ela só entra em cena com força total quando o acetaldeudeído
já está em Alta concentração. Ou seja, essa iso citozólica possui um km alto, tá? Isso significa que ela é pouco sensível ao acetaldeído. Então ela precisa de muito acetaldeído para entrar em ação. É como se fosse uma equipe de reforço. Se a outra lá da mitocôndria era a linha de frente, aqui nós temos a a linha a linha de reforço ou a equipe de reforço que só vai entrar em cena quando o problema já está bem sério, tá? Tá? Então, a ácetal de deshidrogenase um até tenta compensar O problema da deficiência da versão da isoenzima
que tá presente na mitocôndria ou que tá ausente no caso, né? Só que às vezes tem tanto acetaldeído que a enzima nem sempre dá conta do recado, ela não consegue eliminar a o acetalde, então ela acaba sendo insuficiente para conter o acetaldeí. Aí a gente vê esses problemas que eu falei para vocês anteriormente. Então vamos adiante aqui na nossa aulinha. Vamos lá então vamos entender um pouco melhor qual que é o Destino do acetato. Então o etanol foi convertido em acetaldeído. Até aqui tá todo mundo junto comigo, né? Então o etanol, pum, se converteu em
acetaldeído, que por sua vez foi convertido em quê? Em acetato. Tudo isso acontecendo no fígado, tá? O que acontece agora com esse acetato? O acetato ele pode ter dois caminhos. O primeiro caminho é ser convertido em acetilcoa. E isso é feito por uma enzima especializada que é chamada de acetilcoa Sintetase. Essa enzima aqui precisa de ATP e também precisa de uma coenzima A, como tá sendo mostrado aqui nessa reação. Então o acetilco formado pode ser encaminhado aqui pro ciclo de crebes para ser completamente oxidado. Ou então esse acidilqu pode entrar em vias de biossíntese de
ácidos grxos, biossíntese de colesterol corpos cetônicos. Por quê? Porque o esse acíocoai é o precursor de todas essas moléculas, dos ácidos grásos, colesterol e dos corpos Cetônicos. O segundo caminho possível para o acetato formado aqui no fígado é ser liberado aonde? na circulação sanguínea. Então, outros tecidos, como o coração, os músculos esqueléticos, vão acabar fazendo um bom uso desse acetato. Então, o acetato ele vai entrar nesses outros tecidos, mais precisamente vai entrar nas mitocôndrias nesses tecidos e vai encontrar uma isoforma da acetilco sintetase que vai converter o acetato em acetilco e esse acetilco vai entrar
no Ciclo de crebes e passar por tudo aquilo novamente até formar ATP. Muito legal, né? Muito massa isso aqui. Então, Juciano, isso significa que o etanol é uma fonte de energia, correto? E não é pouca energia. O etanol que a gente consome em bebidas, como cerveja, o vinho ou o corote, pode ser usado como fonte de energia pelo nosso corpo. Quando o etanol é metabolizado a acetilqua, o acetilco é oxidado pelo ciclo de crebes e isso gera ATP, NADH e FAD H2. E o NID e o FAD H2 vão acabar entrando na cadeia transportadora de
elétrons. Isso vai resultar na formação de ATP, que é a nossa moeda energética. A via de oxidação do etanol pela alcool deshidrogenase vai gerar 13 ATPs. Enquanto que a via de oxidação do etanol pela pelo sistema microssal MEOs vai gerar em torno de 8 ATPs. É bastante coisa. Então o curioso disso tudo aqui é que o etanol é bem calórico. Hum. Cada grama de etanol fornece em torno de 7 Kcalorias. Isso significa que é mais do que os carboidratos e mais do que os aminoácidos, que possuem em torno de 4 kcaloria por gama. O etanol
possui 7 kcalorias por gama. Ou seja, do ponto de vista energético, o etanol tem um potencial energético que é altíssimo, mesmo que não seja uma fonte nutritiva, digo-se de passagem. Então, para você ter uma ideia, olha só, 200 250 ml de cerveja ou de shope ou 100 ml de vinho ou 30 ml de algum deste lado, como Cachaça, voda, visk e assim por diante, contém em média 10 g de etanol. Isso já dá em torno de 70 kcalorias só de álcool, fora os os outros componentes de cada bebida. É bizarro, né? É bastante coisa. Então,
pense bem antes de tomar um copinho aí de alguma coisa. Mas vale lembrar o seguinte aqui, né, galera? Vamos vem comigo aqui no raciocínio, tá? Apesar de fornecer energia, o etanol não tem valor nutricional essencial, tá? Não tem valor nutricional. O consumo Excessivo traz uma série de risco à saúde, né? Os nutricionistas gostam de chamar de caloria vazia. Por quê? Porque não tem nutriente nenhum ali. É simplesmente uma bomba tóxica que você tá jogando aí pro seu corpo. Certo? Agora nós vamos abordar alguns fatores que influenciam a forma como o corpo lida com o etanol.
O primeiro fator é o genótipo. Então, cada pessoa herda a variantes genéticas diferentes das enzimas envolvidas no metabolismo Deutonal, principalmente a a álcool deshidrogenase e também a cetald deshidrogenase. Então, essas variações podem tornar as enzimas mais ou menos eficientes. Em algumas populações asiáticas, por exemplo, há variantes da acetal de desesidrogenas que funcionam muito mal, o que faz com que o acetaldeído se acumule bastante, causando efeitos colaterais que são, é, bem desagradáveis, como a gente viu Anteriormente. Então, além disso tudo, a atividade da enzima CIP 21 também pode variar em até 20 vezes entre as pessoas.
Isso também vai acabar afetando como o álcool é processado, especialmente quando a gente ingere doses mais altas. Então é é interessante reafirmar aqui para vocês que as enzimas alcoal deshidrogenase e também a acital de deshidrogenase e as enzimas do sistema microssal são famílias de isoenzimas, o que significa que cada pessoa possui Variantes genéticas distintas dessas enzimas, tá gente? Outro fator que influencia bastante a forma como o nosso corpo lida com o etanol é o padrão de consumo. Mexo cenável, né? Se eu bebo muito vai ter uma consequência. Sim, é basicamente isso. Mas eu preciso falar
para vocês o que acontece, tá? Então quando a pessoa bebe com frequência ou bebe bastante, o organismo tende a se adaptar essas essa beberragem, mas nem sempre o organismo se adapta de uma Maneira positiva. Então o que que acontece com o corpo quando a gente bebe muito? O corpo começa a depender mais do sistema microssal, aquele sistema que eu chamei de mels, tá? É como se o organismo acabasse chamando reforços para dar conta desse grande excesso de etanol que tá chegando. Só que esses reforços que chegaram para dar conta do etanol, eles vêm com um
custo muito alto, porque o sistema MS, ele obviamente transforma o etanol em Acetaldeído. O acetaldeído já é tóxico, mas não é só isso. O sistema Mels, ele também acaba gerando muitos radicais livres que são instáveis. Eles são bastante agressivos pras nossas céus. Eles são capazes de gerar, de danificar a a as nossas células. Então isso se torna um problema. Isso não acontece só com pessoas que bebem com frequência. Se uma pessoa ingerir grandes quantidades de álcool de uma maneira muito rápida, o sistema clássico de metabolização com as Enzimas ali da álcool deshidrogenase, da acetalde e
deshidrogenase, eles acabam ficando sobrecarregados e a partir desse ponto, então, as enzimas não conseguem mais acompanhar o ritmo e o corpo vai acionar o sistema Mels. Então, ela vai acontecer tanto em pessoas que bebem muito rapidamente ou então naquelas pessoas que bebem de maneira crônica. O problema é que ao depender mais dessa via aqui, o fígado acaba produzindo ainda mais ácido aldeído, ainda mais Radicais livres e isso aumenta o risco de inflamação, aumento de lesão hepática, doenças crônicas, como é o caso da esteatose e da cirrose. Um outro fator que vai acabar também influenciando a
maneira como o etanol é metabolizado no nosso organismo é o sexo da pessoa. Em média, as mulheres apresentam níveis mais baixos da álcool deshidrogenase no estômago. Isso faz com que uma fração maior do álcool que é ingerido chegue no sangue. Bom, se não foi metabolizado ali uma parte não foi metabolizada pelo estômago, então esse etanol passou, certo? e esse etanol vai chegar na circulação sanguínea. E o corpo da mulher, ele normalmente ele costuma ter um pouquinho mais de gordura e menos água em relação ao corpo masculino. Então o álcool ele acaba ficando mais concentrado no
organismo feminino. Isso significa para que para que uma mesma dose de bebida pra mulher ou para o Homem, elas ah acabam gerando situações diferentes. Por quê? Porque a concentração de álcool no sangue da mulher tende a ser maior do que na do homem. Então, essas variações, não só apenas do sexo, mas também da quantidade de consumo de etanol e também eh a respeito do dos fatores genéticos, né, do genótipo de cada um. Tudo isso, todas essas variações acabam nos ajudando a explicar porque algumas pessoas ficam embriagadas mais rapidamente do que Outras, porque alguns alguns organismos
conseguem metabolizar o etanol o com mais eficiência ou não. E porque também há diferenças individuais na suscetibilidade ao dano hepático causado pelo álcool, gerando a longo prazo, de maneira crônica, algumas doenças. Agora vamos adiante, vamos falar sobre os efeitos tóxicos do metabolismo do álcool, que é um tema central paraa gente entender como o consumo crônico e até mesmo o consumo Agudo em excesso, né, pode afetar profundamente o nosso fígado. Quando a gente fala em doenças induzidas pelo etanol, nós estamos falando basicamente de cinco manifestações principais. A primeira é o fígado gorduroso, que é é chamada
de esteatose hepática. A segunda é a hepatite alcólica. Nos casos mais graves, nós temos a cirrose hepática, além da hipoglicemia, e também da acidose alcoólica. Então, esses quadros podem aparecer isoladamente ou Coexistirem no mesmo paciente. Vamos abordar agora um pouquinho melhor essas doenças. Então, um ponto chave para entender, para que a gente entenda os efeitos do metabolismo do etanol, está na razão de nad H. Quando o fígado metaboliza o etanol pelas enzimas alcohesrogenase e também pela acetalido degenase, há uma produção intensa de NADH, tanto no citozol quanto na mitocôndria. Então esse acúmulo de NADH altera
o equilíbrio redox da célula E isso vai elevar muito a proporção de NAD de H para NAD mais. Trocando por outras palavras, a gente vai ter muito NAD de H, certo? Então, por que que isso importante? Porque várias reações metabólicas dentro de uma célula dependem desse balanço do NADH NAD mais. Então, quando há muito Nad H, algumas vias são inibidas e outras vias são estimuladas. E isso acaba modificando toda a dinâmica do metabolismo energético hepático. Primeiro, então o Excesso de NADH reduz a velocidade do ciclo de crebes e também inibe a beta oxidação dos ácidos
gros. Com isso, os ácidos grchos começam a se acumular aqui no fígado. Detalhe importante é que os ácidos gráxos podem ser formados pelo próprio fígado, ou podem vir da dieta ou ainda podem vir da lipe do tecido adiposo, tá? Então, a gente tem diferentes fontes, eh, gerando aqui, trazendo, gerando ou trazendo ácidos gros para o fígado. Então, isso Significa que tem muito ácido groso no fígado e esses ácidos gráxos serão utilizados para formar triácil glicerol. Outra coisa que acontece é que quando tem a falta de nad porque a gente tem pouco NA de mais disponível
dentro da célula. E se esse N de mais foi reduzido, ele foi convertido em NAD de H. Então, se eu tenho muito NadH, eu tenho pouco NAD+, correto? Então, quando tem a falta de NAD mais, isso acaba inibindo a glicólise, né? Então, a gente Vai ter um desvio da glicólise paraa formação de glicerol 3 fosfato, que vai ser importante para formar o glicerol que está presente no triaciloglicerol. Pensa no nome triaciloglicerol. O que que é tri? Tri de três. Ail é de ácido gráso e glicerol. Glicerol é a molécula. É, esse esse é um tipo
de álcool, certo? Então, triacilogliceral. Então, quando tá faltando, né, demais, acaba tendo esse desvio da glicólise para formar mais glicerol, para que esse glicerol Seja utilizado para formar o triacil glicerol. Então, o que que acontece quando a gente junta ácidos gráxos com esse glicerol três fosfato ali? Vai ocorrer a formação de triaciloglicerol. Então, os triacilogliceróis eles podem ser empacotados em lipoproteínas, como é o caso da VLDL. E essa parte dessa velaba indo para o sangue, né, transportando esses tr gliceróis. E isso vai poder ser usado para energia ou basicamente nesse estado aqui que a Pessoa
tá bebendo e tudo mais, isso vai acabar acumulando muito velho del na circulação sanguínea, causando uma hiperlipidemia induzida por etanol. E parte dos triacogliceróis vão acabar ficando no próprio fígado, causando o acúmulo de gordura hepática. Com o consumo crônico de etanol, esse processo acaba se intensificando. Então, esse ciclo todo leva a um quadro conhecido como fígado gorduroso ou como esteatose hepática alcoólica. Então, vamos Acompanhar agora passo a passo as lesões hepáticas provocadas pelo consumo crônico de etanol, usando essa figurinha aqui como um guia visual pra gente entender bem isso. Então, aqui no topo da imagem
nós vemos um fígado saudável, bonitão, né, vermelhão, tudo mais. Então esse fígado saudável deve manter essa estrutura bem organizada, bem limpinha, sem filtração de gordura para desempenhar suas funções de síntese de proteínas, detoxificação, metabolismo de Lipídeos, metabolismos de carboidratos. Então ele tem que ficar saudável, tá? Contudo, o consumo frequente de bebida alcoólica altera drasticamente o metabolismo hepático. Como a gente viu anteriormente, uma das primeiras consequências do consumo excessivo dietanol é o estímulo exagerado para a produção de lipídios, o que acaba levando então o acúmulo de gordura nos hepatócitos. Esse processo leva ao quadro chamado de
esteatose hepática, Tá? Então tá mostrado aqui à esquerda. Então, nota aqui na ilustração como o fígado tem um tamanho aumentado e tem algumas áreas amareladas que representam um acúmulo de triacogliceral. O problema é que o nosso fígado não foi feito para armazenar essas gorduras. Anota? O fígado não pode armazenar gorduras. Essa gordura, então, ela está sendo armazenada aqui no fígado de uma maneira inadequada. Então esse acúmulo vai acabar prejudicando o funcionamento Celular e aumentando o risco de inflamação. A boa notícia aqui, gente, é que se houver abstinência do etanol e nesse estádio aqui, o fígado
ainda tem uma boa capacidade de se recuperar, então ele pode voltar a sua estrutura bonitona ali e suas funções normais. No entanto, caso o consumo de etanol continue de forma intensa ou prolongada, o fígado evolui para um estágio mais grave, representado aqui à direita, ó. Que que nós temos aqui? Nós temos a Hepatite alcoólica. Aqui o dano não é apenas pelo acúmulo de gordura, mas também pelo acúmulo de quem? do bandidão, o acetaldeído, que a gente viu que ele é extremamente tóxico. Então, o acetaldeído, ele vai acabar formando adultos, ele provoca a formação de adultos,
que são o que que é um adulto, tá? Os adultos são complexos formados pela ligação do acetaldeido com lipídios, com proteínas, com DNA e tudo mais, tá? É como se fosse, é como se Esse excesso de acetaldeído grudasse nessas moléculas. É, é uma ligação que vai acontecer ali, tá? O acetído se liga nessas moléculas e isso acaba impedindo o funcionamento dessas moléculas. Imagina a cetído se liga numa proteína, proteína na parte funcionar. A cetodeído se liga no DNA, pô, vai acabar danificando DNA. Ou aetodeído se liga no lipídio, vai acabar danificando o lipídio. Se o
lipídio for de membrana, vai danificar uma membrana biológica, Certo? Então é um problema grave. Então essas proteínas, os lipídios e o DNA que foram danificados, eles acabam se acumulando dentro dos hepatócitos. Eles vão acabar atraindo bastante água, eles vão causar inchaço celular, inflamação, vão causar inflamação difusa, além de toda a distorção da da arquitetura anatômica e fisiológica do fígado. Então, a situação pode piorar ainda, tá? Eu vou passar para o próximo slide aqui, ó. O acetaldeído também Impede o funcionamento da gluta que é um dos principais sistemas antioxidantes que a gente tem. Então isso vai
acabar levando a um aumento significativo de radicais livres que vão acabar também danificando DNA, proteínas e lipídios. E esses danos eles vão escalonando porque as mitocôndrias também vão ser lesionadas e o metabolismo energético do hepatócio vai acabar entrando em colapso. Então nesse cenário, com todo esse contexto aqui, o fígado vai entrar Em um ciclo vicioso de dano. Quanto mais etanol, mais aceteleido, mais radicais livres, mais lesão celular, tá? Então, se esse quadro inflamatório e oxidativo persistir por muito tempo, nós temos a progressão final, que é a cirrose hepática. A cirrose é caracterizada por uma perda
definitiva da estrutura e da função do fígado. Aqui o tecido hepático tá todo danificado com fibrose. A fibrose são são cicatrizes formadas por colágeno e elas vão elas surgem nódulos De regeneração desorganizados. Essa remodelação que ocorre por essa tentativa ineficaz do fígado de tentar se recuperar, vai acabar desencadeando a perda da a perda da função do fígado. Então, nessa condição, o fígado não vai conseguir mais executar suas funções básicas, como, por exemplo, produzir albumina. O que que acontece se não tem albumina sendo produzida? Isso vai causar uma desregulação grave da pressão oncótica. Outra coisa que
acontece, o fígado não consegue mais sintetizar fatores de coagulação. Isso vai aumentar o risco de hemorragias. O fígado não consegue mais eliminar a amônia via ciclo da ureia. Isso vai levar a uma condição chamada de encêéfalopatia hepática, vai ocorrer uma confusão mental e até mesmo coma. Outra coisa que acontece, o fígado não vai conseguir mais conjugar a birrubina. Isso vai causar aerícia, deixando a pele e os olhos amarelados. E por fim, essa Produção excessiva de radical livre que a gente viu, vai acabar induzindo substâncias tóxicas e até mesmo carcinogênos, que vai acabar explicando porque que
o álcool está ligado ao maior risco de desenvolvimento de câncer hepático. Então, minha gente, o fígado cirrótico torna-se muito enrijecido e com essa aparência horrível. Claro que isso aqui é uma uma ilustração, mas a gente através dessa ilustração a gente pode ter uma ideia, né, dessa aparência Sinistra de de um de um fígado que tá totalmente eh problemático e, obviamente, perdendo as suas funções básicas. Então, a abstinência nesse estágio aqui pode até retardar a progressão dos danos, mas não vai reverter as lesões que já estão estabelecidas nessa condição. Então, resumindo, essa figurinha aqui que eu
fiz pra gente, ela nos mostra como o consumo crônico do etanol leva à progressão de algumas doenças do fígado, Iniciando ali pela esteatose, passa pela inflamação grave, né, na hepatite alcoólica e isso vai culminar então na cirrose. O quadro, a cirrose é um quadro irreversível com consequências sistêmicas graves. Mas tenha em mente, pessoal, que esse fluxo aqui, esteatose, hepatite, cirrose, é apenas o fluxo mais clássico que vai culminar na cirrose, tá? Mas não é uma uma sequência obrigatória. Pode existir casos que a própria esteatose hepática po pode Evoluir diretamente para uma cirrose, mesmo sem uma
inflamação evidente, tá bom? Então, a mensagem final aqui é clara, né? A abstinência precoce nesses casos aqui é a única maneira de interromper esse ciclo de destruição hepática e desse modo permitir que o fígado consiga se recuperar, né? Dar uma folga para esse fígado para para ele ter tempo para se recuperar. Outra consequência importante do excesso de NADH gerado no metabolismo do etanol é a Chamada cetoacidose alcoólica. Normalmente, gente, quando os ácidos grásos são quebrados, eles viram a cetioco que entra pro ciclo de crebes. Só que quando tem muito NADH circulando, o ciclo de crebes
fica inibido. Isso acontece porque o NADH em excesso, ele acaba inibindo várias enzimas ali do ciclo. Então é como se o ciclo tivesse congestionado e ele não consegue mais funcionar direito. Resumindo isso, tá? E qual que é o resultado disso tudo? O Ácidoco que normalmente iria para o círculo, ele fica meio perdidão, ele fica meio sem destino. E aí que que o fígado faz? o fígado começa a produzir, começa a transformar esse acetilco excedente em corpos cetônicos, como é o caso do acetoacetato e do beta hidroxibutirato. Então esse processo é chamado de cetogênese e a
cetogênese em excesso vai acabar levando a uma condição chamada de acidificação do sangue ou simplesmente Cetoacidose alcoólica. Então uma acidose desencadeada pelo consumo eh de álcool. Então, consumo de álcool leva a produção de corpo citônico, corpo citônico acumula no sangue, deixa o sangue mais ácido, cetoacidose alcoólica. Então essa condição costuma acontecer especialmente em pessoas que bebem muito álcool, especialmente durante o jejum, ou seja, sem glicose disponível como fonte de energia, o corpo tenta compensar essa falta de energia utilizando a gordura, Utilizando os ácidos gros. Mas o metabolismo da oxidação de ácido gráso tá meio problemático,
tá meio distorcido porque tem muito na DH. Então o fígado, o nosso fígado acaba entrando num modo de produção exagerada de corpos cetônicos. Isso pode virar um problema, um problema grave, como é o caso da cetocidose alcoólica. Pronto, agora quero falar de um outro problema que é a hipoglicemia. Vamos entender agora como o consumo de Etanol pode levar a uma complicação séria e potencialmente fatal chamada de hipoglicemia induzida pelo álcool, que em casos extremos pode evoluir para um coma alcoólico. Quando uma pessoa está em jejum, o organismo precisa manter a glicose circulante no sangue para
suprir tecidos que são dependentes de glicose, como as hemácias, a célula do cristalina do olho, em alguns casos o nosso cérebro, mas especificamente os nossos neurônios, tá? neurônios, eles são Utilizam bastante glicose ao longo do dia, então eles são grandes consumidores de glicose. Então para gerar essa glicose, se a pessoa não está consumindo carboidratos, quem assume o protagonismo é uma via chamada de gliconeogênese. Gliconeogênese é um processo que produz glicose a partir de moléculas que não são carboidratos, como os aminoácidos glicogênicos, o lactato e o glicerol. Porém, ai, porém, sempre um porém, né? O excesso
de NADH desencadeado pelo Autoconsumo de etanol acaba desequilibrando o metabolismo e desvia os precursores da gliconeogênese para outras vias. Com isso, a síntese de glicose pelo fígado também vai ser bloqueada. Então, se a pessoa não ingeriu carboidratos, os níveis de glicose no sangue despencam, certo? diminui bastante. Então essa hipoglicemia pode acabar se manifestando com sintomas como sudorese, confusão mental, irritabilidade, tremores e nos Casos mais graves até mesmo perda de consciência e o coma. Então esse é o chamado coma alcoólico hipoglicêmico. Isso é uma emergência médica que muitas vezes é confundido com embriaguez profunda, mas que
na verdade é uma crise de hipoglicemia severa com risco de morte. E é por isso que a hipoglicemia induzida pela etanol deve ser reconhecida e tratada rapidamente com administração intravenosa de glicose. Então, a pessoa chegou hipoglicêmica lá No hospital, ela vai receber na aveia uma uma alta concentração de glicose para repor essa glicose que tá faltando, né? e aí o cérebro vai conseguir voltar a processar as informações novamente. Então, por isso que é fundamental que os profissionais da área de saúde saibam reconhecer os sintomas da hipoglicemia induzida pelo etanol. Porque nem todo coma alcoólico é
só sobre embriaguez. Às vezes também é falta de glicose no sistema circulante. Vamos conversar Agora sobre um tema bastante sensível e extremamente importante, os efeitos do etanol durante a gestação. Quando uma mulher grávida consome etanol, o etanol acaba atravessando facilmente a barreira placentária, ou seja, o etanol passa diretamente do sangue da mãe para o feto. O problema é que o organismo do feto ainda tá num processo de formação, né? Então ele não possui as enzimas adequadas para fazer a metabolização do etanol. Estão entendendo onde eu quero Chegar? Então o o álcool vai acabar circulando livremente
pelo corpo do bebê por mais tempo e isso pode acabar interferindo diretamente no desenvolvimento dos órgãos desse bebê. Os efeitos que o etanol provoca durante a gestação é chamado de síndrome alcoólica fetal. Essa condição é uma condição grave com repercussões que vão desde o período gestacional até a vida adulta. E aqui nós temos uma imagem de um bebê de 4 meses. Aqui nós temos uma Criança de 5 anos e essas crianças foram expostas ao etanol durante a gravidez. Então, entre os principais problemas causados pela síndrome alcoólica fetal, a gente pode destacar aqui dificuldades de aprendizagem
e problemas cognitivos, malformações físicas como alterações faciais. Aqui a gente vê fissuras palpebrais, que são os olhos mais estreitos, lábio leporino ou então o lábio superior muito fino e e o nariz mais mais achatadinho. Essas crianças Também apresentam baixo peso ao nascer e um crescimento que é extremamente prejudicado. Em casos mais graves, a mãe pode sofrer aí os aborto, um aborto espontâneo, que em muitos casos, né, casos graves, pode acontecer isso. Um ponto importante que eu tenho que destacar aqui com vocês com bastante carinho, bastante atenção, é que não existe uma dose segura de consumo
de etanol durante a gravidez. Isso não existe. Mesmo pequenas quantidades de Etanol acabam trazendo consequências, especialmente se esse consumo de etanol ocorrer durante as fases críticas da formação fetal. Quando acontece isso? principalmente no primeiro trimestre, quando a o bebê, né, quando os órgãos do bebê ainda estão em formação. Então não se deve beber enquanto carrega um bebê aí na barriga, certo, gente? Em resumo disso tudo que eu falei aqui sobre o álcool durante a gravidez, o álcool sempre vai agir como uma toxina Pro nosso organismo. E para um feto é muito pior, vai ser muito
mais grave, porque esse etanol vai acabar afetando qualquer parte desse desse pequeno organismo que tá desprotegido e está em desenvolvimento. Por isso, a recomendação médica, a recomendação científica é clara. a abstinência total de etanol durante a gestação. O consumo excessivo do etanol também acaba prejudicando o metabolismo de várias vitaminas essenciais pro nosso Organismo. Então, a gente pode dizer que o álcool funciona como um agente antivitaminas. Um dos principais impactos vai ocorrer sobre a tiamina, que é a vitamina B1. Então, muitos alcoolistas eles acabam desenvolvendo a deficiência dessa vitamina porque o álcool dificulta o transporte e
isso acaba reduzindo a absorção de tiamina. Então, no nosso corpo, a tiamina ela vai ser convertida em tiamina pirofosfato. A tiamina Pirofosfato é a forma ativa da vitamina B1 ou simplesmente da da tiamina. A deficiência da tiamina pirofosfato vai acabar afetando especialmente o sistema nervoso central, porque o cérebro é um grande consumidor de glicose, correto? Então, quando essa glicose entra ali no neurônio, essa glicose precisa ser convertida em piruvato. E de piruvato então será convertido em acetilco A pelo complexo piruvato de deshidrogenase. A piruvat de deshidrogenase é dependente Dessa vitamina. Então, se não tem essa
vitamina, não tem como o piruvato ser convertido em acetilcoa. Ou seja, a gente tá falando aqui que vai ocorrer um déficit energético, porque o acilco não tendo acetilco não pode entrar no ciclo de crebes e, enfim, o piruvato vai acabar se acumulando. Então, essa deficiência dessa vitamina vai acabar causando diversos distúrbios neurológicos bem importantes. Por quê? Porque causou um déficit energético Porque não tinha essa vitamina. Por quê? Porque a pessoa tá lá bebendo demais. Sinistro, né? Então o álcool além disso, né, desse efeito, ele também vai atrapalhar o metabolismo de outra vitamina que é a
vitamina A. E ele vai atrapalhar a vitamina A de duas maneiras. Primeiro, ele vai competir com a vitamina A para se ligar na enzima retinol deshidrogenase, que é uma enzima essencial paraa formação de uma molécula chamada de altransretinal. e e ela vai Ser importante pra visão e pra diferenciação celular. Então, a gente não vai ter a formação dessa molécula e por conta disso, problemas de visão e problemas de diferenciação celular podem ocorrer. A segunda via que vai que o etanol acaba atrapalhando a vitamina A é que o como a gente viu, o etanol acaba ativando
o sistema microssal MS, que vai acabar acelerando a degradação da vitamina A. Isso vai, obviamente, diminuir a disponibilidade da vitamina No organismo. Bom, agora um outro ponto importante que agrava ainda mais esse cenário é a má nutrição. Mesmo que a pessoa se alimente relativamente bem, o consumo de etanol vai acabar prejudicando a absorção de vários nutrientes no intestino, como é o caso do folato, eh, os aminoácidos essenciais, ácidos grásos essenciais e obviamente isso vai ter uma consequência. Então, essas deficiências nutricionais acabam acelerando a Progressão de diversas doenças. Existe um recurso terapêutico que é chamado de
dissulfiran. de sufrirã é um fármaco que inibe a enzima acetaldeído deshidrogenase, responsável por fazer a metabolização do acetaldeído. Então, com o acetaldeído da hidrogenase bloqueada, o acetaldeído acaba se acumulando e isso vai acabar provocando várias reações desagradáveis, como náuseas, palpitações, ressaca, vômito, falta de arodorese. Então isso acaba ajudando a Desencorajar o consumidor, né, o alcoolista e desencoraja o alcoolista a consumir mais. Por quê? Porque a pessoa tá lá passando mal, né? Tá cheio de estataldeída, então com isso vai evitar essa esse consumo de etanol novamente. Mas é horrível, né? Pense na situação, né? Para quem
não consegue largar do etanol, essa é uma possibilidade. Seguimos aqui, então, gente, falando agora um pouco de exercício. Então, o consumo de etanol, mesmo que em Quantidades moderadas, pode prejudicar o desempenho físico e também vai atrapalhar a recuperação muscular. Tem alguns estudos que mostram que a ingestão de álcool vai acabar reduzindo em cerca de 4% a potência durante o exercício. 4% é bastante coisa, né? E além de tudo, o etanol vai acabar interferindo também na oxidação da glicose, que vai ser uma fonte de energia importante pros músculos que estão em atividade. Outro impacto Importante do
excesso do consumo de etanol, né, o consumo de etanol excessivo tá relacionado com um outro sistema energético que é o glicogênio, porque o etanol acaba impossibilitando a ressíntese rápida do glicogênio muscular. O glicogênio é a nossa principal reserva energética que que é usada durante os exercícios intensos. Então o etanol vai acabar dificultando a reposição de energia durante o exercício físico e acaba isso desse modo Comprometendo então tanto o exercício quanto a recuperação pós exercício. Outra coisa importante sobre o etanol e agora falando exclusivamente para atletas, então atletas que se passam aí no consumo de álcool,
que excedem no consumo de álcool, eles apresentam uma maior incidência de lesões musculares. Então é um valor em cerca de 55%, uma incidência maior de lesão comparado com aqueles que não bebem, cuja taxa de lesão fica em torno de 24%. Ou seja, beber muito álcool é um fator importante para desenvolvimento de lesões. Então, em resumo, tudo que eu falei aqui para você sobre o exercício, o consumo de etanol prejudica o desempenho esportivo, dificulta a recuperação muscular e aumenta muito os riscos de lesões, o que torna a ingestão de álcool desaconselhável para quem quer otimizar os
resultados nesse exercício físico. Além disso, se você tá buscando emagrecer, a sugestão é: pare de tomar Etanol, porque realmente ele tem muita energia potencial e essa energia, se você não usa, ela vai ser armazenada na forma de gordura no seu organismo. Gente, foi um prazer falar sobre esse assunto aqui com vocês. Espero que vocês tenham curtido. Esse livro aqui foi o que eu usei de base como referência para essa aula. Então, se você gostou, deixa o like, clica aí no like. Se aparecer a opção hypar, pode te clicar em hypar. Se for possível, compartilha esse
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