é uma grande alegria tá agora mesmo que remotamente gostaria muito de estar ainda no sexo para compartilhar ao vivo com vocês esses primeiros resultados mas eu espero que a conversa hoje eh seja bastante produtiva bom eh eu vou compartilhar com vocês o hoje alguns dos pontos de uma investigação mais Ampla né que eu tenho realizado conjuntamente eh ao professor Cristiano Desde o ano passado como ele disse quando eu estive no sexo para realizar meu estágio de pós-doutorado né eu vou retomar aqui as linhas principais que tem norteado esse nosso trabalho conjunto antes de avançar o
tema específico desse seminário para que vocês compreenda um pouco o quadro geral no qual se insere é o problema que a gente tá levantando aqui para discussão eh em primeiro lugar né eu destacaria que a gente tem uma inquietação mais Ampla de fundo sobre os desafios que são colocados a ciência política eh ao menos desde 2016 né para compreender a crise contemporânea né em especial esse fenômeno né que pegou a a todos e todas de surpresa né Eh com a ascensão assim avassaladora da Extrema direita por vias eleitorais em diversos países do mundo agora infelizmente
também uma expressiva presença em Portugal né Estamos aqui no Brasil ao menos desde 2018 lidando com esse eh com essa onda né que não não foi um estouro imprevisto permanece aí como uma força política bastante relevante eh no cenário né Essa conjuntura né Ela vem sendo interpretada por muitos analistas como uma crise de hegemonia ou crise de hegemonia neoliberal e as formações políticas e lideranças que daí eh T se destacado ou que resultaram desses fenômenos T sido frequentemente entendidas como populistas né então é um fenômeno complexo que somada a essa desestabilização né Inesperada vamos dizer
assim eh pelo menos pro mainstream da Ciência Política né da Democracia Liberal tem levado então muitos dos críticos a rememorar essas antigas categorias né e conceitos e aí nesse ponto eu e o Cristiano A gente buscou estabelecer um diálogo entre nossas agendas de pesquisa Ares né No meu caso centrada sobre a noção de hegemonia eh de modo especial usos que foram feitos da ideia de hegemonia para pensar A Ascensão do neoliberalismo no Brasil em especial pelo sociólogo Chico de Oliveira e no caso da agenda de pesquisa do Cristiano e de todos do anpop né centrada
sobre a questão do populismo e as emoções bom eh a retomada dessas categorias desses conceitos né para analisar a crise contemporânea marca também de certo modo né uma crise das próprias categorias que são forçadas aí a se Reinventar né e diante dos Desafios novos que são colocados por essa realidade sociohistórica que estamos vivendo e eu diria que nesse processo né um ponto de partida bastante comum tanto pra ideia de populismo como paraa ideia de hegemonia eh tem um lugar de destaque nesse processo a obra tanto do laclau quanto da muf né nesto laclau e Chantal
muf que difundiram né amplamente ambas as ideias desde pelo menos a publicação do hoje já clássico emon and socialist strategy em 85 né Eh o livro ele tinha sido elaborado né naquela naquele momento de modo a sugerir justamente né um caminho que ultrapassasse a lacuna existente entre a tradição marxista e os problemas postos pelo capitalismo contemporâneo de então Eh pros autores essa lacuna ela tava principalmente relacionada aos Campos da discursividade né que seriam cruciais pro entendimento das sociedades contemporâneas então laclau e muff revisitar né para isso a categoria de hegemonia à luz desses problemas enfatizando
como a partir da elaboração grana né eles não partem de gram na verdade eles partem de antes mas eles destacam que é a partir de gramich né que a dimensão da hegemonia teria finalmente se tornado constitutiva da subjetividade dos atores históricos né não mais concebidos meramente como atores de classe Pado em termos estruturais ou meramente econômicos Ou seja a hegemonia teria eh introduzido a dimensão da subjetividade como uma uma dimensão fundamental para pensar a política bom passada uma década e meia dessa publicação né em 2000 na introdução à segunda edição da obra inglesa os autores
lembraram que a dimensão da contingência e a concomitante autonomização do político propiciada por essa elaboração de gram teria se tornado ainda mais visível no mundo contemporâneo em que as rearticulação hegemônicas estariam muito mais generalizadas então para dar conta dessa mudança eh laclau e muff traduziam e aqui Vale destacar com um alto grau de abstração teórico né que é é um nível da análise bastante diferente daquela de grams que era como eu vou falar um pouco mais adiante mais voltada a casos concretos históricos eh eles traduziam né O que seria uma relação hegemônica entendendo-a como a
alto grau eh eh entendendo como possuindo uma dimensão universalista né que resultaria da específica dialética existente entre a chamada lógica da diferença e a lógica da equivalência bom esses são são temas eh bastante complexos eu vou passar um pouco rápido por eles mas é que eu acho importante antes de de entrar eh no tema né então Eh embora os autores sociais ocupassem diferentes posições dentro dos discursos que constituem o tecido social né existiriam antagonismos sociais mais amplos segundo laclau e muf que criariam fronteiras internas da sociedade então junto às Forças opressivas esse conjunto de particularidades
estabeleceria relações de equivalências entre si e a essa cadeia de equivalências em que certa particularidade assume a representação de uma universalidade que os autores deram o nome de relação hegemônica então nessa concepção as divisões sociais eram entendidas como inerentes à própria possibilidade de uma política democrática eh então aqui é importante destacar que a democracia né era vislumbrada não como uma mera competição de interesses que tomariam lugar num suposto terreno neutro eh aliás esse teria sido o erro né em que os partidos de esquerda teriam incorrido nos anos 90 eh que ao tomar a democracia nesse
sentido estrito teria se tornado impossível alcançar a estrutura das relações de poder e nem ao menos imaginar a possibilidade de estabelecer uma nova hegemonia a proposição dos tores ao contrário era de desafiar a hegemonia neoliberal a partir de uma plataforma de extensão das lutas por igualdade e liberdade a um alcance mais amplo das relações sociais e para isso definir um adversário era necessário de modo a retomar o elemento anticapitalista que sempre teria estado presente segundo eles na democracia social bom mas como se dá então a relação entre hegemonia e populismo nessa perspectiva né em a
razão populista né publicada Originalmente em 2005 talvez a gente encontra a definição mais acabada do conceito por Ernesto laclau em linhas Gerais o populismo seria uma lógica própria de construção política e não um tipo de ideologia anomalia ou mesmo de um subdesenvolvimento irracional da democracia representativa ou seja para laclau o populismo não seria incompatível com a democracia não podendo ser resumido a relação de alienação pura entre liderança política e uma massa populacional na verdade haveria aí uma espécie de convergência entre a política como hegemonia e a política como populismo né como sugerem alguns dos seus
críticos como adit e mazolini bom vale a pena destacar né que as indicações teóricas de laclau ela e eh embora a minha fala hoje tenha um sentido crítico né vale a pena valorizar né que essas indicações elas T sido produtivamente desenvolvidas pela sociologia ao abrir a possibilidade né de entender o popul como um fenômeno que possui consequências e vocaliza os conflitos sociais em vez de meramente identificado a uma forma de de demagogia né Eh como o professor Cristiano eh afirma num trabalho de 2017 né ou seja se tornou necessário a partir daí investigar cada fenômeno
particular eh e a ambiguidade que neles eh apresentam os discursos populistas contextualizando de modo a avaliar o potencial democr prático ou não das demandas populares então o populismo ele representaria na verdade uma lógica política específica da formação de identidades coletivas nesse sentido representaria uma construção do Povo contra o seu inimigo retomando sua argumentação no livro la Clau enfatizava ser na verdade este o Ponto Central abre aspas em certo momento o sistema institucional vigente entra em obsolescência e mostra sua incapacidade de absorver as novas demandas sociais pelas vias adicionais em decorrência disso Tais demandas tendem a
se aglutinar fora do sistema num ponto de ruptura com o sistema é o corte populista eh fecha aspas é bastante interessante como esse trecho de laclau né ele rememora dizeres de gramich sobre a crise de hegemonia que tem sido bastante utilizado para pensar a crise contemporânea e aqui eu eh leio esse trecho abre aspas se a classe dominante perdeu o Consenso Isto é não é mais dirigente mas unicamente dominante detentora de pura força coercitiva isto significa precisamente que as grandes massas se separaram das ideologias tradicionais não acreditam mais naquilo que antes acreditavam etc a crise
consiste precisamente no fato de que o velho morre e o novo não pode nascer neste interregno se verificam os fenômenos mórbidos mais variados fech asos eh foi justamente esperada por esses dois raciocínios né que a Chantal mouf afirmaria paraa crise atual estarmos vivendo um momento populista bem como o interreg entendendo-a como a expressão de diversas resistências às transformações políticas e econômicas observadas durante os anos de hegemonia neoliberal mas poderíamos entender essas reações contemporâneas né Eh em grande parte expressas como ataques à democracia Liberal pela mão da Extrema direita como forças hegemônicas né segundo mazolini num
trabalho de 2020 não necessariamente né pro autor a excessiva proximidade conceitual entre populismo e hegemonia em laclau seria um problema já que nem todos os projetos políticos que lançam candidaturas bem sucedidas ao poder pela Via populista conseguem alterar o conformismo que está na base da formação social que supostamente tentam superar E aí eu acho bem interessante que para ilustrar esse ponto né o autor ele relembra o fenômeno que ficou conhecido como a onda Rosa né na América Latina na década de 2000 e início de 2010 eh apesar da eh alegada ofensiva hegemônica né contra o
neoliberalismo o sucesso Eleitoral da esquerda em países como Argentina Brasil e Equador ainda que tenha gerado uma clara mudança de de liderança No que diz respeito às políticas públicas não foi acompanhado por uma capacidade semelhante de institucionalizar as vitórias e irradiar uma cultura política diferente de uma forma fiva Então nesse caso o momento populista portanto não teria conseguido criar uma nova hegemonia eh Basta ver eh a rapidez com que esses ganhos que que havíamos eh conseguido nesses anos foi rapidamente revertido eh pelos governos de extrema direita que se seguiram né então nessa visão a hegemonia
ela teria que ver com uma certa capacidade de institucionalização ou seja de permanência né no âmbito do Estado junto a uma difusão Ampla de uma nova cultura política no âmbito da sociedade civil e haveria espaço então nessa perspectiva para abordar a vida cotidiana os hábitos e afetos dos indivíduos né entre os que reivindicam estarmos vivendo tempos pós hegemônicos o lugar dos hábitos e dos afetos na manutenção de uma ordem social e política tem sido justamente um dos argumentos principais para apontar os limites e insuficiência da noção de hegemonia como ferramenta de interpretação contemporânea um dos
principais críticos desta linha John bisley Murray em 2011 chegou a afirmar mesmo que não só o tempo da hegemonia acabou Como de fato ele nunca existiu cito aqui um trecho dele abre aspas não há hegemonia e nunca houve Vivemos em tempos cínicos e pós hegemônicos ninguém se sente muito persuadido por ideologias que outrora pareciam para garantir a ordem social todos sabemos por exemplo que trabalho a exploração e que política É engano mas sempre Vivemos em tempos pós hegemônicos a ordem social nunca foi de fato assegurada através da ideologia nenhuma crença na dignidade do trabalho ou
na abnegação dos representantes eleitos poderia ter sido suficiente para manter as coisas Unidas o fato de as pessoas já não abdicarem de seu consentimento da forma como Fizeram no passado e ainda assim tudo continuar praticamente igual mostra que o Consenso nunca esteve realmente em questão ch esse trecho ele é bastante ilustrativo de uma certa ideia de hegemonia né que se estabeleceu no senso comum que associa ela a uma genérica noção de consentimento por parte de de indivíduos ou uma visão estática né não dinâmica não dialética da fórmula gramich da hegemonia como coerção mais consenso nessa
visão a hegemonia seria sobretudo um sistema de consentimento né eh e para embasar essa ideia é interessante ver como o bisley Murray se refere algumas vezes a gramich mas deixar claro que sua referência principal é a versão laqua uniana da teoria da hegemonia vista como abre aspas a mais bem desenvolvida bem como a mais influente para os estudos culturais embora o grupo social fosse o ponto de partida para análise da política democrática pela Clau muf assumia né segundo aqui a visão do parta chegi assumia que indivíduos poderiam integrar e sair de grupos e também serem
membros de muitos grupos ao mesmo tempo então de certo modo né com isso talvez a ideia Liberal da autonomização do sujeito cidadão teria sido abraçada por esse entendimento da Democracia social radical o bisley Murray buscou se contrapor essa essa concepção de hegemonia focalizando processos que não envolveriam nem consentimento nem coersão o foco no hábito e não na opinião no Afeto e não na emoção na multidão e não no povo no poder constituinte e não no poder constituído e por fim no real e não no discurso teria como intenção compreender o funcionamento do hábitos um sentimento
coletivo e corporificado pelas regras do jogo social que é ativado e reproduzido Em um nível abaixo da consciência tratava-se então nessa perspectiva de mudar uma eh de uma retórica da persuasão para um regime de investimento efetivo no Social bom o que eu gostaria de questionar hoje é se essas duas abordagens são mesmo inconciliáveis né Eu acredito que não e eu gostaria de investigar possibilidades de elaboração da política através de um duplo foco na persuasão e nos afetos nos hábitos e na opinião a partir de um retorno aos espíritos granos né buscando desvencilhar um pouco da
elaboração de laclau e muff a hipótese né que tá sendo discuti nada por mim e eh nesse trabalho conjunto com com o professor Cristiano é de que em primeiro lugar nem toda a política populista se estabelece como uma ofensiva hegemônica né como eh tratei muito rapidamente aqui nessa introdução em segundo lugar de que a perspectiva da pós hegemonia simplifica muito a ideia de hegemonia Concebida em termos de um consentimento subjetivo ao poder projetado do nível individual ao das classes e grupos sociais então nesse sentido o objetivo da minha fala aqui é retornar aos cadernos do
cárcere de Antonio gram em busca de uma maior complexificação do seu olhar sobre a política uma nova leitura de GR eh uma nova leitura eh que Busque focalizar o lugar dos afetos e dos hábitos em sua elaboração teórica E com isso superar uma estrutura binária entre consentimento e coerção ou hábito E opinião priorizando em vez disso as formas pelas quais os aspetos e a persuasão podem contribuir dialeticamente para o desenvolv mento de teorizações eh diferenciadas sobre populismo e hegemonia em alguns dos parágrafos de grames que nos ajudem aí a vislumbrar qual o papel desempenhado pelos
hábitos e afetos na manutenção e ou transformação de uma ordem social e política ou seja na manutenção né ou na superação de uma dada hegemonia em especial eu vou fazer isso buscando destacar a forma como gramich abordou as percepções e os sentimentos das classes subalternas em seus parágrafos dedicados ao tema do senso comum bom a mim deixar aqui muito claro que a minha intenção aqui não é definir conceitualmente o senso comum GR eh e apenas mostrar algumas elaborações e possibilidades de interpretação até porque seria muito difícil achar uma definição conceitual eh mesmo de hegemonia né
já que o estudo de gram ela ele guarda algumas dificuldades que me parecem importantes mencionar então Eh escritos na prisão né como um conjunto de anotações iadas a partir de um programa de pesquisa os cadernos do cárcere foram produzidos em diversas fases e gram trabalhava com vários cadernos ao mesmo tempo o processo de escrita né embora muito complexo não não era arbitrário e obedecia portanto a esse plano né Então legram guarda essa dificuldade né porque você tem que fazer junto uma tentativa de Reconstruir a história interna desses cadernos né porque eles não são livros não
foram organizados pelo autor para publicação né mas registram a ali o pensamento em ato eh eh nessas diferentes fases e diferentes cadernos né então eh só dar essa nota metodológica antes de entrar a no tema né bom o senso comum ele aparece já na lista dos temas principais que gram queria estudar e no programa que ele redigiu em fevereiro de 29 na prisão né então a atenção eh ao ao a a ideia do senso comum insere-se desde o início em seu programa de trabalho desde as primeiras passagens é possível aprender dois modos particularmente diversos de
entender o senso comum um primeiro seria como concepção de mundo difundida e muitas vezes implícita de um grupo social ou territorial nesse sentido Por exemplo até os intelectuais teriam seu senso comum e no segundo sentido como oposto à concepção de mundo desenvolvida e coerente bom eu vou me concentrar sobre o senso comum tal qual elaborado por gramich para pensar os grupos sociais subalternos cuja característica principal seria o seu caráter compósito ou seja heterogêneo diverso e contraditório eh essa ideia né o termo concepção de mundo eu acho que inclusive é bastante produtivo para pesquisas empíricas né
indicaria aí um terreno Mais amplo né sobre o qual surgem diversos graus de elaboração das capacidades do sujeito de interpretar a realidade e de agir no mundo né Então nesse sentido entre a filosofia e o senso comum não haveria uma diferença de valor mas de grau assim uma concepção de mundo poderia indicar tanto a filosofia do simples o senso comum quanto as concepções elaboradas hegemônicas ou potencialmente hegemônicas tanto as grandes ideias coletivas quanto as elaborações individuais etc aqui eu cito um trecho eh bastante famoso do gram sobre o assunto e que é bastante elucidativo abre
aspas é preciso portanto demonstrar que todos os homens são filósofos definindo os limites e as características dessa filosofia espontânea peculiar a todo mundo Isto é da filosofia que está contida um na própria linguagem que é um conjunto de noções e conceitos determinados e não simplesmente de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo dois no senso comum e no bom senso três na religião popular e consequentemente em todo o sistema de crenças superstições opiniões modos de ver e de agir que se manifestam naquilo que geralmente se conhece por folclore fecha aspas então o ponto de partida de grish
né era uma concepção bastante ampliada de filosofia né ele começa já dizendo que todos os homens são filósofos Ou seja todos os homens possuem uma determinada concepção de mundo que pode ser aprendida na forma como se expressam pela linguagem e na forma como operam como agem no mundo seja pelo senso comum ou bom senso seja pela religião Popular daqui depreende-se a importância dada por gramich a vida cotidiana dos homens simples a forma como vivem pensam e agem no mundo não em momentos de Franco conflito nas revoltas ou rebeliões mas ao contrário nos momentos de aparente
estabilidade então o problema colocado né era era o de como superar esse senso comum né caminho que ele vai desenvolvendo ao longo dos cadernos através da ideia de filosofia da Praxis então em sentido estrito a filosofia seria uma concepção de mundo criticamente coerente uma ordem intelectual a superação dos SOS comum essa essa concepção ela só poderia ser obtida por uma luta de hegemonia de direções contrastantes primeiro no campo da ética depois na política ating Finalmente uma elaboração superior da própria concepção do Real então eh uma coisa importante né de de destacar é que a ideia
de hegemonia ela não tinha intenção apenas né de instruir uma análise realista das relações de poder ou seja como se mantém as relações de Poder da forma como elas se encontram em determinado momento histórico mas ela possuí também um valor estratégico ou seja como transformar eh Essa realidade né entãoo tanto Num caso né do ponto de vista analítico como do ponto de vista político estratégico A análise para grish deveria partir do mundo do subalternos né e de uma aproximação entre intelectuais e povo filosofia e senso comum o traço mais fundamental né como como eu havia
dito desse último do senso comum seria Justamente a de ser uma concepção inclusive nas mentes individuais desagregada incoerente e inconsequente conforme a posição social e e cultural das multidões das quais é a filosofia então o senso comum seria o fundamento ideológico de Uma Vida subalterna na qual o grupo social encontra dificuldades para conseguir unidade e forjar uma concepção de mundo coerente e integral Bem como uma Norma de Conduta adequada ancorada no senso comum a consciência apresenta-se Então ocasional e desagregada e a própria personalidade individual é compósita existindo nela elementos de várias concepções de mundo de
sistemas filosóficos antag ou mesmo de diferentes épocas então a elaboração de um grupo social homogêneo tem assim como pressuposto a crítica do senso comum Enquanto essa crítica não conseguir se realizar e essa filosofia não surgir predominaram sempre no novo grupo social ou seja nas classes trabalhadoras concepções de mundo que amarram o novo ao velho os efeitos dessa consciência incoerente amarrada ao velho podem se manifestar na Vida Prática na ação desses grupos subalternos ou dos seus indivíduos mais ativos sua Vanguarda ou mesmo no partido que organiza essas pessoas então para gram deveria fazer inicialmente essa análise
ou seja enumerar levantar e classificar Tais marcas históricas ultrapassadas acrescentando que seria necessário ainda proceder com uma certa ordem e método né segundo a ponta a sequência sugerida por gram então partir do senso comum em primeiro lugar da religião em segundo e só numa terceira etapa dos sistemas filosóficos ela elaborados por grupos intelectuais tradicionais hoje não vai dar tempo de eu entrar muito nesse assunto mas é muito interessante eh ver como gram quase que identifica senso comum a religião né É claro que ele tava pensando a Itália da época dele mas acho essa uma sugestão
para nós brasileiros muito interessante né eu pude participar de uma pesquisa em 2018 uma pesquisa eleitoral de entrevistas à pessoas e esse fenômeno tem se intensificado eh ainda hoje e as pessoas usam muito a linguagem religiosa para expressar as suas opiniões políticas então há uma uma uma aproximação grande eh e bastante bem sucedida entre uma linguagem um certo tipo de linguagem evangélica e a defesa eh da plataforma política do bolsonaro e uma disputa por outro lado através de uma linguagem do catolicismo Popular identificada com a plataforma do lulismo né Em ambos os casos há aí
uma formação eh interessante de um senso comum e de diversas linguagens religiosas para expressar essas plataformas né Isso aqui é são são parênteses né então bom esse método sugerido por grams né para se aproximar do senso comum ele pretendia evidenciar as características negativas né que eu que eu vinha falando enfim a desagregação a estratificação a concepção metafísica f objetivante e dualista da realidade A criticidade a passividade mas também suas características positivas as camadas progressivas os veios dialéticos a contraposição da cultura popular à cultura oficial Então por um lado negar e se possível transformar as características
negativas por outro lado saber reconhecer valorizar e amadurecer suas suas características positivas né a o que gram chama de bom senso ou de núcleo saudável do senso comum eh e aqui eu destaco um trechinho sobre o bom senso sobre o senso comum do grande abre aspas em que reside exatamente o valor do que se costuma chamar de senso comum ou bom senso não apenas o fato de que ainda que implicitamente o senso comum empregue o princípio de causalidade mas no Fato muito mais restrito de que numa série de juízos o senso comum identifique a causa
exata simples e à mão não se deixando desviar por fantasmagorias obscuridades metafísicas pseudo Profundas e pseudocientíficas fecha aspas ISS é um trecho interessante né o GR Não viveu para ver a divulgação das fake News eh e a formação eh de uma de difusão assim sem Paralelos de Justamente obscuridades metafísicas que do Profundas esp científicas mas esse é um dos trechos em que ele em que ele Val ia eh o que ele considera como núcleo saudável do senso comum né Eh um um desses trao seria a rejeição do intelectualismo com um fim em si mesmo n
então o bom senso despertado por uma oportuna sacudida aniquilaria quase que fulminant os efeitos do ópio intelectual né segundo GR então Eh esse núcleo sadio né do senso comum deveria ser desenvolvido e transformado em algo unitário e coerente então Eh o senso comum para gramit ele não é visto como algo rígido e móvel mas que se transforma continuamente enriquecendo-se de noções científicas e opiniões filosóficas introduzidas nos costumes ou seja enquanto passivo evidenciaria atrasos mas também apresentaria momentos elementares de elaboração crítica então não seria na verdade o seens comum seria como uma espécie de inimigo a
ser vencido né Eh mas um ponto de partida para uma elaboração eh eh mais coerente a partir da Qual deveria se instaurar uma relação que fosse transformando e se tornasse num novo senso comum bom aqui a gente tá amplamente no campo do pré-intelectual amplamente pré-intelectual [Música] e favorece numa base histórica específica que contém as premissas materiais para esse desenvolvimento não poderia limitar-se a simples enunciação teórica de Claros princípios de método isto seria pur ação de iluminismo des Grand então ao contrário do que se poderia supor gram realiza Na verdade uma forte crítica à concepção histórico-política
Escolástica e acadêmica para a qual só seria real e Digno um movimento que é consciente 100% e que antes é determinado por um plano minuciosamente traçado em antecedência ou que corresponde O que é o mesmo à teoria abstrata né cito aqui um trecho Eh abre aspas a realidade é rica das combinações mais bizarras e o teórico que deve rastrear nesta bizarrice a prova de sua teoria traduzir em linguagem teórica os elementos da vida histórica e não vice-versa a realidade apresentar-se segundo o esquema abstrato isto não vai acontecer jamais e portanto essa concepção não é mais
que uma expressão de passividade chas eh bastante interessante esse trecho né porque acho que é aqui aqui no Brasil em termos mais amplos na América Latina onde uma série de movimentos se deu se deram sob essa eh organização Nacional Popular né tantas vezes interpretada como formações populistas há uma parte da intelectualidade que simplesmente tomou esses movimentos como eh um movimento eh de agem ideológica das massas as lideranças como uma forma de pura demagogia ou um movimento que não seria nem mesmo político né ou seja se recusaram a compreender a particularidade desses dessas formações políticas desses
temas porque não eh eram compatível com o que a teoria dizia que deveria acontecer né E aqui Grand tá dizendo o contrário né que essa seria uma posição passiva eh dos intelectuais que deveriam entrar em contato com a as particularidades desses movimentos e buscar interpretá-los né então Eh seria necessário justamente reconstruir essa vida do dos subalternos Né desde suas fases primitivas e notando cada manifestação de seu espírito decisão né eu destaco esse termo que é bastante interessante que o GR toma na verdade de surrel e que designa a conquista progressiva da consciência da própria personalidade
histórica ou seja o processo necessário ao desenvolvimento das forças inovadoras dos grupos subalternos para grupos dirigentes e dominantes né expressão das necessidades nascidas no terreno da Luta hegemônica o espírito decisão é o que se poderia contrapor as trincheiras e fortificações representadas pelas ideologias da classe dominante Isto é pela organização material voltada para manter defender e desenvolver a frente teórica ou ideológica e manter desagregada e incoerente a consciência subalterna espírito decisão Então seria a conquista progressiva da consciência da própria personalidade histórica né Eh mas como isso se dá primeiramente pela negação ou contraposição a outro de
classe ainda que individualizado e aqui eh eu vou eh ler para vocês um trecho muito interessante eh em que gramit Analisa eh alguns desses sentimentos espontâneos das classes subalternas pensando o caso italiano abre aspas o conceito puramente italiano de subversivo pode ser explicado assim uma posição negativa e não positiva de classe o povo sente que tem inimigos e os individualiza apenas empiricamente nos chamados senhores esse ódio genérico É ainda de tipo semifeudal não moderno e não pode ser trazido como um documento de consciência de classe é apenas o primeiro brilho só É de fato a
posição negativa e polêmica elementar não só a pessoa não tem uma consciência exata da própria personalidade histórica mas também não não tem consciência da personalidade histórica e doss limites precisos do adversário as classes inferiores estando historicamente na defensiva não podem conquistar a consciência de si senão pelas negações através da consciência da personalidade e dos limites de classe dos adversários de fato esse processo ainda é crepuscular pelo menos em escala Nacional bom o estudo desse desenvolvimento Por parte dos grupos subalternos deveria levar em conta que toda força inovadora é ao mesmo tempo racional Ade e racionalidade
arbítrio e necessidade é vida né citando aqui um trecho do Grand Ou seja é um processo contraditório e multifacetado eh a superação do senso comum ela não poderia ser feita sem levar em conta esses elementos populares que combinavam essas características Como por exemplo o ódio aos senhores né Eh como exemplo aí de sentimento espontâneo um ponto de partida de um sentido de diferenciação dos demais segmentos sociais aqui eu abro um parênteses para um caso que eu estudei na Minha tese de doutorado muito interessante de um grupo de estudiosos argentinos dos anos 70 granos que partiram
dessa ideia de espírito decisão para fazer uma pesquisa para observar os grupos diferentes que haviam eh entre o movimento peronista né eles estavam se opondo tanto aos intelectuais liberais como aos comunistas tradicionais que diziam que o peronismo era um movimento fascista né né eles importavam essa categoria sem se atentar o que havia de específico naquele momento ou era um movimento de pura alienação né ou pré-político e eles demonstraram de uma forma muito interessante como havia grupos peronistas que a partir dessa plataforma conseguiram se diferenciar socialmente e construir uma plataforma anticapitalista e radical naquele período então
havia ou seja através eh do peronismo um sentido de diferenciação eh e bastante que que os levaram a uma combatividade política e as a análises muito interessantes da realidade então não tomar o peronismo como um um fenômeno monolítico mas pensar as contradições no interior deles né bom eh Eles foram atrás justamente dessa ideia de bom senso e e e fizeram a daí uma análise muito interessante bom eh do ângulo vou fechando parênteses voltando aqui né Já tô caminhando paraa conclusão do ângulo intelectual né Eh grish considerava portanto um erro manter-se focado apenas no lado racional
eu peço desculpas agora por ler um trecho grande do gramit mas eu acho que é um um um parágrafo eh bastante eh interessante e estimulante para terminar essa conversa né o parágrafo chama passagem do saber ao compreender Ao Sentir e vice-versa do sentir ao compreender ao saber então abre aspas o elemento Popular sente mas nem sempre compreende ou conhece o elemento intelectual sabe mas nem sempre compreende e principalmente sente os dois extremos são Portanto o pedantismo e o filismo por um lado e a paixão cega e o sectarismo por outro não que o pedante não
possa ser apaixonado pelo contrário o pedantismo apaixonado é tão ridículo e perigoso quanto o sectarismo e a e a demagogia mais desenfreada o erro do intelectual consiste em acreditar que se pode conhecer sem compreender e principalmente sem sentir e ser apaixonado não apenas pelo conhecimento em si Mas pelo objeto do conhecimento Ou seja que o intelectual pode ser tal e não um puro pedante se distinto e desligado do Povo nação é sem sentir as paixões elementares do povo compreendendo-as e portando explicando-as e justificando-as na situação históric específica e ligando-as dialeticamente às leis da história a
uma concepção superior do mundo elaborado de forma científica e coerente o conhecimento a história política não pode ser feita sem esta paixão Isto é sem esta ligação sentimental entre intelectuais e povo nação na ausência dessa ligação as relações do intelectual com o povo nação são ou são reduzidas a relações puramente burocráticas e formais os intelectuais tornam-se uma casta ou um sacerdócio se a relação entre os intelectuais e o povo nação entre os dirigentes e os dirigidos entre os governantes e os governados se dá por uma adesão orgânica em que o sentimento paixão se transforma em
compreensão e portanto em conhecimento não mecanicamente mas de forma viva só então a relação é de representação e ocorre a troca de elementos individuais entre governantes e governados Ou seja realiza-se a vida coletiva que é a única força social o bloco histórico é criado fecha aspas então Eh para gramit né o sentimento paixão seria esse nexo que tornaria orgânico e viva a relação entre governantes e governados né não haveria história nem política sem sem essa sem essa paixão Isto é sem essa conexão essa ligação sentimental sentimental entre intelectual e povo sem que os intelectuais sejam
apaixonados ou seja sintam as paixões populares e portanto saibam compreendê-las e explicá-las historicamente a conexão sentimental então era um ponto central da teorização de gramich sobre a hegemonia bem como sobre a consciência o homem era concebido como um bloco histórico de elementos puramente subjetivos individuais e de elementos de massa e objetivos ou materiais com os quais estaria sempre em relação ativo então transformar o mundo exterior as relações Gerais significava também fortalecer a si mesmo desenvolver a si mesmo para Grand seria uma ilusão e um erro supor que o melhoramento ético seria puramente individual a síntese
dos elementos constitutivos da individualidade é individual Mas ela não se realiza e desenvolve sem uma atividade para fora transformadora das relações externas desde aquelas com a natureza e com os outros homens em vários níveis nos diversos ciclos em que se vive até a relação máxima que Abarca todo o gênero humano por isso é é seria possível dizer que o homem é essencialmente político já que a atividade para transformar e dirigir conscientemente os outros homens realiza sua humanidade sua entre aspas natureza humana então se a consciência não é separável dos homens de sua história ela não
pode ser uma entidade estática e nem únic existem antes diversas consciências e contraditórias de acordo com a diversidade e a contrariedade das relações sociais nos grupos subalternos né como eu busquei mostrar aqui a desagregação seria mais grave sendo mais forte a luta para se libertarem dos princípios impostos e não propostos para obter uma consciência histórica autônoma para gramit então a consciência era um processo múltiplo e multiforme em algumas fases ela ainda não está elaborada como nova linguagem verbal própria de um grupo de modo que possa exprimir e elaborar em forma explícita orgânica coerente homogênea as
novas necessidades expressas sim em nível operacional por isso era necessário começar essa fase de elaboração crítica Ou seja aquele inventário entendido como um conhece-te a ti mesmo ou seja trabalhar para produzir a passagem do saber ao compreender Ao Sentir e vice-versa bom eh espero não ter passado muito meu tempo espero ter conseguido transmitir para vocês aqui mesmo que de uma forma ainda pouco sistematizada pelo qual peço desculpas eh alguns trechos que nos permitem vislumbrar uma ideia de hegemonia um pouco mais dinâmica mais plástico né E que condensa essa associação entre pensamento e ação entre hábitos
e União um trabalho de persuasão e convencimento de nada adiantaria sim conexão sentimental para gramit e vice-versa sentimentos sem compreensão também seriam insuficientes para Superação do senso comum em filosofia da prax é claro que os tempos de grandes são muito distintos doos nossos né Eh eh mas me parece interessante retomar algumas dessas considerações né E algumas de suas sugestões como por exemplo de que todas as pessoas pensam e que em suas ações no mundo prático se revela uma determinada concepção de mundo que tá sempre em disputa né E que vale a pena escutar com atenção
a todos os segmentos sociais em sua complexidade buscando situá-los em seu contexto particular é isso muito obrigada