[Música] Bom dia para todas e todos eh Bom dia companheiros da mesa a ida querida de tantos anos eh é muita com alegria e com um sentimento Assim de eh a alívio por nós podermos fazer um uma exposição das coisas brutais que nós vivemos mostrando que isso tudo é parte da história do Brasil que não pode ser esquecida e que a juventude precisa conhecer para escolher conscientemente eh que isso nunca mais aconteça Eu dividi a minha fala em Cinco partes e a primeira é simplesmente eh compartilhar com vocês os sentidos desse testemunho por que que
eu vim aqui falar por que que eu me ofereci para dar um testemunho à Comissão da Verdade primeiro para identificar os crimes do Estado ditatorial ocupado por militares e civis autoritários que usaram do Poder para estabelecer o terrorismo de estado e aprofundar o atrelamento da economia brasileira ao império corporativo transnacional segundo sentido purificar a memória do Brasil resgatar o heroísmo dos que morreram por um Brasil libertado dos seus julgos Próspero verdadeiramente democrático e feliz Men especial aos ao desaparecidos aos desaparecidos Pedro Alexandrino de Oliveira Paulo w Luiz irata hestin Guimarães Eduardo Bacuri José Carlos da
Mata Machado mostrar que nós e eles somos parte viva da história do nosso país somar o meu grito ao de todos os que exigem o fim de todas as ditaduras a das torturas a dos sequestros a dos assassinatos impunes Cadê Marildo a das Armas contra o povo o que implica uma reestruturação radical do sistema de segurança pública em todo o país e o fim das polícias militares e também a ditadura da dívida pública da corporatocracia e do lucro acima da vida ponto é a minhaa lutar contra o sistema do Capital que é uma motivação que
me levou à aquela luta contra a ditadura e mantém o meu compromisso de luta para um outro Brasil e um outro mundo humanizado primeiro o sistema do Capital adota diferentes formas da democracia representativa excludente até a ditadura mais sanguinária seu objetivo é perpetuar o os privilégios das classes que controlam o capital o sistema político que prevalecia e continua a prevalecer é a corporatocracia e não a democracia a maioria dos políticos que ocupam o estado federal estadual e municipal ou são membros da classe capitalista ou são políticos que escolheram servir ao capital mesmo se dizendo representantes
do povo terceiro Uma Breve passagem pela minha história para me referir inclusive ao tema das igrejas eu nasci numa numa família de classe média bastante conservadora ligada aos à história da direita no Brasil o Pena Boto Almirante era da minha família e a herança Nossa era ser antigetulistas an an Sindicalista anti Jango anti Getúlio antitudo não é e ainda pró Carlos lerda e pró Eduardo Gomes e toda essa história eu cheguei até a universidade com uma consciência muito alienada e foi na juque juventude Universitária católica que eu descobri a história do Brasil descobri que as
injustiças não são um dado da da vida mas sim uma produção cultural Econômica política que pode ser transformada e a partir dessa consciência a partir de lutas muito concretas contra o o golpe quando o Jano eh renunciou eh eh pela constituinte pela constituição e pela democracia etc foi que eu comecei a a sofrer perseguições tanto na rua nas manifestações como na na Universidade onde o diretor da Escola de Geologia era meio nazista e logo rapidamente ele percebeu que a minha presença lá ia ser um problema Eu Fui eleito presidente diretório e depois da criamos a
executiva nacional dos estudante de Geologia e o o foco central do nosso trabalho político era a política mineral era trabalhar o tema da da nossa profissão e não a generalidade da política brasileira né então eu já tinha um problema na universidade e a juuk foi um fator fundamental de reforçar a luta social naquela época e foi da Ju que nasceu também a ação popular e eu fui membro da ação popular eh a ação política na profissão de geólogo também me levou a ajudar a organizar um encontro eh que ficou bastante conhecido na época em Belo
Horizonte em fevereiro de 64 onde governadores como Miguel Arrais o Almino Afonso que era Ministro do trabalho do Jango e outros participaram e nós lançamos o meu grupo de política mineral lançamos a palavra de ordem de criação da Miner obras a proposta de uma eh Petrobras que controlasse os minérios a serviço da população brasileira a minha luta contra a ditadura continuou depois quando eu larguei a profissão com dificuldade de encontrar trabalho e trabalhei em fábrica sindicato eh de metalúrgicos durante do anos eu fui Operário Metalúrgico em uma grande empresa sub subsidiária da Mercedes Benz experimentando
as condições terríveis de vida dos operários na maior cidade da América Latina não é São Paulo já fugido da repressão aqui no Rio e nesse momento eu aprendi que a luta de classe não é uma escolha dos oprimidos ela é uma imposição da da da classe dos donos do capital sem essa desigualdade não há luta de classe porque há não há classes sociais e é isso que nós queremos alcançar daí que eu adotei esse caminho não só de luta contra a ditadura mas de promoção de um socialismo democrático e eh essa forma de luta continua
até hoje com o trabalho que nós fazemos em promoção da eom solidária né e de outros caminhos que refor a construção de uma outra economia no interior da velha n criando relações sociais emancipadas sem esperar que a libertação venha de cima ou de qualquer instituição é o povo se organizando e se empoderando para virar Sujeito da economia e portanto da política também o quarto ponto então é a experiência de prisão tortura e os nomes principais que o meu testemunho deve apresentar a vocês EUA já viendo num bairro Operário em São Paulo e trabalhando na fábrica
sofe quando eu assumi a responsabilidade de ajudar uma moça que estava saindo de uma organização de guerrilha Urbana para a ação popular e queria trabalhar em fábrica ela era dentista e vinha de Santa Catarina eu não tinha conseguido o lugar para ela mas marquei um encontro e ela foi presa quatro dias antes de mim então foi brutalmente torturada e não aguentou então foi levada para pela operação Bandeirante para o encontro comigo e aí eu fui preso na Lapa em São Paulo Isso foi em 11 de maio de 1970 eu fui levado à operação Bandeirantes debaixo
de socos e violências e chegando lá sem qualquer pergunta me mandaram tirar roupa e me penduraram no pau de arara né Eh inclusive prendendo meus punhos eh com uma corda que eles pisavam na minha mão para apertar ao máximo antes de fazer o Nó e me pendurar né então uma das torturas mais terríveis eu acho da do pau de arara é a mão que vai ficando como se fosse gangrenar né ela vai inchando e quanto mais incha mais apertada e mais vermelha e mais roxa e a dor é lancinante de modo que mesmo quando não
tá havendo choque elétrico está havendo a tortura das mãos né então durante muitas horas eu fiquei pendurado levando choques e sendo interrogado sem parar né a o som de uma música Aos berros que virou também um instrumento de tortura o som né um som excepcionalmente alto e no caso meu era Jesus Cristo eu estou aqui a música do Roberto Carlos gritando para a população em torno edifícios próximos da Rua Tutoia não ouvisse os gritos de torturados então no final desse período me baixaram e eu tava praticamente morto exaurido sem voz sem som sem sentir mais
nada completamente eh próximo de de morrer e eh de repente o meu corpo começou a se convulsionar e eu passei a ter um processo de convulsões que não parou mais durante meses né isso apavorou os torturador eles chamaram o Enfermeiro me deram injeção e eu dormi e só acordei bem mais tarde os detalhes disso tudo eu acho que merece mencionar ão no livro que a minha mãe escreveu Lina pena satamini chamado esquecer nunca mais né que eu tenho um exemplar Se quiserem olhar depis pois E aí estão vários detalhes do que eu tô contando brevemente
Inclusive a carta que eu escrevi ao Papa depois que Fui libertado Paulo VI eh a convite da do escritório de América Latina do conselho dos bispos católicos dos Estados Unidos que me deram grande apoio Principalmente quando eu cheguei a Washington eu fui em uns meses depois a Roma com o padre responsável que eu homenageio aqui Michael colonise e fomos lá para ver o papa e eu contar a minha história e pedi a intervenção dele contra as torturas no Brasil que continuavam mesmo que eu já estivesse liberado né delas e eh essa carta tá transcrita aqui
nesse livro também com todos os detalhes do que foi a minha prisão e tortura Resumindo então eu depois de 9 meses fui solto passei 3 meses eh tentando me ressituar no Brasil sem colocar pessoas em risco tinha que ir cada mês me entrevistar com um coronel eh no Ministério do exército e um dia o técio linse Silva advogado que eu gostaria de homenagear pela imensa solidariedade junto com o modesta Silver e outros eh me avisou que o meu nome estava incluído num processo contra várias pessoas acusadas de serem subversivas e era então a probabilidade era
que me prendessem preventivamente de novo então como eu eh estava em tratamento neurológico família ação popular Todos Nós escolhemos a alternativa de ir pro exterior Então como a minha mãe já morava nos Estados Unidos e foi ela que mobilizou a resistência a as a repressão e a tortura no meu caso mas usando o meu caso também para ilustrar o que que acontecia no Brasil né então a minha mãe e eu fomos pros Estados Unidos e eu passei então 4 anos lá e mais 7 anos e meio eh morando na Suíça eu gostaria de mencionar os
seguintes nomes deixa olhar o relógio aqui para vigiar tá 15 minutos eh então a Marlene socas é essa dentista bravíssima que não aguentou a tortura mas depois quando nós fomos acados na operação Bandeirante ela foi como eu tava em mau estado não tinha condição de levar choque nem ser pendurado de novo no pau de arara eles então usaram torturar ela para eu falar e não existe maior tortura do que essa né eu podia aguentar até a a morte a tortura que eu passei mas vê ela sofrer e ainda eles dizerem que eu era responsável né
é uma tentativa de gerar uma culpa espantosa numa pessoa e eu respondia de jeito nenhum vocês é que estão fazendo mal a ela né eu pelo menos não me conformava com o discurso deles né mas o drama o desespero só foi aliviado quando eh milagrosamente nós fomos levados assim de sopetão de volta pras celas lá no andar da tortura da operação Bandeirantes porque um novo grupo de presos tinha chegado e que tinha que ser torturado imediatamente por causa das informações então isso nos deu um momento de respiro e foi aí nesse intervalo que a Marlene
então Eh consegue se comunicar comigo também milagrosamente eu ouço uma batida embaixo da cama da salinha onde eu estava e eu Estiquei o ouvido e ela tava falando do outro lado por uma tomada de eletricidade Então o que ela disse para mim foram três coisas fundamentais primeiro eu estou morrendo de culpa por não ter resistido e ter levado a polícia a você e a outros três companheiros então eu que tava com medo que ela estivesse com alguém lá esperando para me ouvir né E para eu me incriminar eu vi na mesma hora que não era
o caso ela estava sozinha procurando se comunicar comigo segunda coisa que ela disse foi você já é um caso conhecido de preso político lá fora porque desde que eu fui para prisão Tiradente que eu comuniquei com o exterior que você está aqui preso na operação Bandeirante para nós isso é uma garantia de sobrevivência porque enquanto a gente tá incomunicado eles podem matar e largar em qualquer canto e depois dizer que foi um conflito de rua ou qualquer outra coisa né tiroteio com a polícia o que seja quando a gente sabe que lá fora já sabem
que a gente está ali a gente tá mais ou menos com a sobrevida garantida e a terceira coisa que ela disse foi Marcos não importa o que façam comigo não muda a sua história porque se você mudar uma unha eles querem o dedo muda um dedo eles querem a mão o braço e o corpo inteiro então mais vale morrer sem dizer nada do que morrer aos pouquinhos sendo arrancado confissões que vão incriminar outra gente de modo que isso aqui é um testemunho do heroísmo da Marlene socas diante do que viria de novo como tortura para
nós dois aziel Pereira é um companheiro meu brano que morava comigo e mais dois companheiros e foi depois preso e violentamente torturado João e família Um operário Metalúrgico que foi responsável de me introduzir no espaço da fábrica e na cultura de operário que era tão distante da minha com ele eu aprendi a falar Operário né e fui apoiado em cada etapa da minha integração na produção da a oposição sindical Metalúrgica de São Paulo Pedro Alexandrino de Oliveira novamente um desaparecido do Araguaia que nunca clarificam o destino dele a mãe continua Lutando Até hoje não é
e e nunca teve uma informação O Valdemar Ross o Vitor janotte companheiro aqui morando no Rio atualmente a Cida que era mulher dele na época e que me viu na Bandeirante quando eu fui preso ela estava sentada num banco no pátio da Pe quando me viu passar ainda na chegada ela é um testemunho da minha prisão e Luiz irata que era um irmão de um colega meu do seminário e que foi violentamente assassinado eh também pela pela repressão em São Paulo torturadores da operação Bandeirantes important mencionar Capitão benone de Arudo Albernaz que foi o que
me prendeu e depois participou de uma sessão de acamento com acaria com a Marlene brutal absolutamente sádico né batia sem qualquer razão nas pessoas fora de interrogatório com uma um chicote que ele carregava Capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirilo que também comandava de interrog de tortura Capitão homo César Machado Capitão Maurício Lopes Lima e capitão Faria que participou de interrogatórios na Oban e no hospital militar curiosamente eu procurei no portal do grupo Tortura Nunca Mais e não encontrei referência ao capitão faria mas eu queria registrar que ele foi um dos que atuou na operação an além
do sargento Tomás do Chico e Paulinho que eram meros torturadores obedecendo as ordens na sessão de tortura ao longo da carção Com a Marlene disseram Major Gil mas eu diretor da operação Bandeirantes Mas eu desconfio que podia ser o próprio Coronel Valdir coelho que era o diretor da operação na época Capitão Dalmo Cirilo novamente um tenente do corpo de bombeiros que estava na equipe de tortura e o carcereiro Roberto na operação Bandeirante me interrogou também um Sargento médico ncei com o nome coberto por esparadrapo que se assemelha à fotos do Legista Harry shib que vi
posteriormente no hospital exército lá em São Paulo Sérgio Adão que era um torturador local que entrou num dia de domingo na minha cela e disse agora você vai morrer agora você vai saber quem é Sérgio Adão e começou a me esmurrar e tudo como se fosse me matar então companheiros presos na Oban mencionaram também para mim o assassinato pelos mesmos torturadores 10 dias antes de eu ser preso e do Metalúrgico Olavo Hansen que eu já tinha conhecido na oposição Metalúrgica no dood do Rio de Janeiro a única pessoa que eu retenho de nome é o
Capitão Gomes Carneiro que liderou o meu transporte do Hospital Central do Exército para o do COD no dia 22 de dezembro de 70 eu passei lá no dood TRS dias de ter eh até o dia 25 de dezembro dia de Natal sendo que a noite inteira do Natal eu passei ouvindo gritos de torturados e esperando a minha vez de ser levado e talvez eu t sido poupado porque eu tive uma convulsão eles pararam de me dar remédio durante três dias e aí me levaram de volta para Hospital Militar o comandante do primeiro exército na época
era o general siseno Sarmento que chefe Ava de cima toda a operação de repressão tortura e assassinatos é importante registrar o nome do siseno ele era um dos mais sanguinários da da equipe da ditadura militar durante o m o diretor do hce na época era o general Galeno O vice-diretor era o tenente coronel Dr Aquino e ainda havia doutores Oscar Elias e mota o chefe da segurança foi o major Sadi depois substituído pelo Capitão Morais que nos tratava excepcionalmente como seres humanos o responsável de tratamento dos presos e presas era o major boia que preparava
a gente para voltar para tortura quando tivesse melhorado no Ministério do exército o tenente coronel Mel da cavalaria chefe da Pe do primeiro exército e a minha mãe já o tinha visitado com o advogado técio o Miguel meu irmão o meu pai clemildo e o cônsul dos Estados Unidos ele fez declarações espantosas como por exemplo eh eu entendo as suas tendências subversivas porque você tem uma inclinação genética para isso eu disse Por que que Uai Marcos não é um nome judeu Coronel Melo presos com quem convivi na operação Bandeirantes apenas Marlene socas não sei quem
foram meus companheiros de Sela na única noite que passei lá mas ouvi prolongados e repetidos gritos lancinantes de pessoas torturadas no Hospital Militar de São Paulo estive em Sela de enfermaria do os soldados convivi e gravei o nome de alguns que Se mostraram solidários comigo e eles estão citados na no livro da minha mãe no Rio de Janeiro ainda convivi com o argentino Hugo Miguel Moreno e um preso que foi eh baleado e que torturado com bala no corpo foi levado para minha cela no hospital militar em São Paulo eh para fazer a operação e
voltar pra tortura eu não sei exatamente o nome dele mas pode ser um dos desaparecidos ou mortos pela ditadura eu não consigo mais me lembrar da da imagem dele na opera no hospital militar não no Rio de Janeiro eu no hospital militar convivi com José Carlos tort com estrela boad minha companheira e amiga estrela que perdeu a a gravidez pela tortura quando eles souberam que ela estava grávida deram golpes na barriga até ela ter hemorragia ela tá Atualmente como uma das companheiras do nosso grupo de testemunha e Ironi Bezerra que já faleceu que era uma
grande companheira nossa ela estava num quarto anex da estrela e em suma Esses são nomes da época igreja muito importante então o meu a parte do meu testemunho primeiro para mencionar o Capelão do Hospital Militar de São Paulo que foi chamado para me ouvir a minha confissão e me dar a Extrema unção porque os torturadores achavam que eu ia morrer eu tava num estado bastante precário e veio esse Capelão então eu aproveitei aquele momento para fazer uma um histórico do que que eu tinha passado e dizer para ele que se ele contactasse a minha família
só para dizer que eu tava preso já era uma garantia de que eu ia sobreviv e pedir para ele voltar para me trazer comunhão logo que pudesse ele então sumiu nunca contactou a minha família e nunca voltou para me trazer comunhão mas as maiores experiências mais frequentes foram com pessoas da igreja muito solidárias e eu quero mencionar primeiro que tudo Dom Aluísio lorscheider que era arcebispo do Rio de Janeiro que deu o maior apoio à minha família e que quando eu Fui libertado me acolheu também lá no no no palácio Episcopal e conversamos e ele
foi um incansável lutador contra as brutalidades que fizeram durante a ditadura aqui no Rio e lá em São Paulo Dom Evaristo com mais o Paulo o o jaim W que prepararam o dos que virou então o Brasil nunca mais do qual eu também tô incluído tem um bispo da época que era o Dom Alberto Trevisan eu não conheço pessoalmente não sei se foi ele que esteve me visitando no hospital militar perto da minha libertação ele era né então pode ter sido ele e ele veio para me perguntar se eu quando fosse libertado ia sair por
aí falando coisas que iam eh sujar a imagem do Brasil ou se eu ia cuidar da vida ficar quietinho etc né esse foi o discurso desse Bispo para mim a a eu passei 11 anos e meio no exílio e e tenho que mencionar também além da Anistia Internacional o escritório da América Latina do Concílio dos bispos católicos dos Estados Unidos que me deu um grande apoio o Conselho Nacional de igrejas dos Estados Unidos e o conselho ecumênico de igrejas em Genebra todos eles com programas de direitos humanos e absolutamente solidários arriscando Inclusive a vida para
poder ajudar presos perseguidos torturados a sobreviver então eu tenho especial gratidão além do Michael colonis ao Pastor William wipfler do Conselho Nacional de igrejas americano Charles Harper do Conselho ecumênico de Genebra e o professor James Green da Universidade Brown atualmente Historiador de Brasil pela sua Incondicional solidariedade com a luta de libertação do povo brasileiro eu quero mencionar aqui esse livro do professor Green apesar de vocês oposição à ditadura brasileira nos Estados Unidos do qual eu e o meu companheiro e amigo anivaldo somos eh personagens como refugiado político então eu recebi esses apoios e apoios também
de outra gente a qual eu sou imensamente grato inclusive Elizabeth and Patrick french que financiaram o meu primeiro semestre no mestrado de Economia na American University e outros companheiros como Harry Stark e a mulher dele loreta que ajudaram a criar comigo o comitê contra a repressão no Brasil e depois do golpe do Chile em 73 o comitê pela libertação da américa latina kla que fez um tremendo trabalho de denúncia do golpe chileno nos Estados Unidos e de busca de contato com os refugiados tanto brasileiros como chilenos em várias partes do mundo no exílio em Genebra
eu trabalhei 4 anos no instituto de ação cultural liderado pelo Professor Paulo Freire e a gente dava Assessoria a governos da África de neb salal Cabo Verde e também durante 10 anos Nicarágua eu já separado do Instituto trabalhando no ibas que eu ajudei a criar junto com o Betinho e o Carlos Afonso e depois no Pax que é o nosso Instituto de políticas alternativas para o con su onde eu trabalho até hoje nós temos 27 anos de existência eu queria prestar homenagem ao grupo Tortura Nunca Mais pelo Bravíssimo e persistente trabalho não só de apoiar
as vítimas de tortura mas também a durante a DIT n torturas da época mas também as vítimas da ditadura do Capital que prevalece até hoje no Brasil em particular reconhecer o grande benefício do projeto Clínico do qual eu me beneficii através da minha amiga psicóloga Tânia ker que tá aqui deonte gratidão imensa Tânia e também minha irmã e minha mãe que foram apoiadas pelo projeto Clínica uma homenagem à Comissão da Anistia Dr Marcelo laven primeiro agora o nosso amigo e companheiro Paulo Abrão e eh felizmente embora com tanto atraso no caso do Brasil né a
a Comissão da Verdade da memória e da Justiça que está procurando passar a limpo essa história chegando lá na rabeira depois dos países do con Sul que começaram esse processo assim que acabaram as suas ditaduras nós estamos com um atraso gigante eu queria terminar então compartilhando com vocês o sentido último do meu testemunho eu vou citar então o chefe americano c na sua carta ao Presidente Franklin Pierce de uma uma coisa sabemos a terra não pertence ao homem é o homem que pertence à Terra todas as coisas estão interligadas como o sangue que une uma
só família tudo que agride a terra agride os filhos da terra não foi o homem quem teceu a Trama da vida ele é meramente um fio da mesma tudo que ele fizer a Trama a si próprio fará a humanidade também é uma família e tudo que fazemos de bom ou de ruim uns aos outros fazemos a nós mesmos os alges os torturadores os ditadores também são nossos irmãos nessa Grande Família e temos dois modos de ajudá-los a evoluir a passar de seres infos a seres humanos primeiro o perdão a ser dado pelo mais íntimo do
nosso ser e segundo a justiça a fim de que mediante a exposição e punição dos crimes ediondos por eles cometidos sua consciência desperte para nunca mais desejarem ou tolerarem qualquer violência e opressão contra pessoas e contra o povo brasileiro a quem eu amo e presto a última [Aplausos] homenagem bom nós temos alguns minutos ainda e Ah acho que é o momento que a gente pode abrir para algumas perguntas primeiramente da mesa se tiver mas principalmente do público que ah um dos objetivos das audiências públicas É exatamente esse de das comissões da Verdade quer dizer dialogar
com o público e uma forma também de sensibilização da sociedade porque em grande parte que um dos principais trabalhos da comissão das comissões da Verdade É exatamente esse processo de relações com a sociedade civil e as audiências públicas são para isso as pessoas ouviram testem temunhos interagir com as vítimas e com testemunhas daquele período Portanto vamos abrir para pelo menos três ou quatro perguntas Se tiverem dirigidos a Marcos um aspecto particular você mencionou várias mulheres Inclusive a essa dentista né Marlene ses e eu gostaria de saber um comentário seu eh tendo em conta que a
comissão nacional da Na verdade tem um grupo de gênero eh qual é sua impressão Sua percepção sobre eh a maneira com que as mulheres que você conheceu e partilhou momentos difíceis a maneira com que elas foram afetadas por essa repressão eh em comparação com os homens se elas foram afetadas de uma maneira particular tendo em vista a a questão eh da feminina da gravidez da Maternidade e eu gostaria que você pesse esse destaque obrigada você acha que se tiver mais se tiver mais algumas perguntas ou comentário e depois o Marcos responde todas elas reage a
elas de uma ver só bom se não Marcos se não tiver eu tenho uma Gostaria que você comentasse se possível aprofundar um pouco mais com mais detalhes porque a um dos objetivos do nosso grupo de trabalho é investigar Como disse o papel das igrejas durante a ditadura tanto aqueles setores que resistiram à ditadura quanto aqueles que colaboraram ou por meio da negligência ou conivência e às vezes colaboração direta né você citou dois eh episódios da tua prisão que acho que merece a gente avançar um pouquinho mais que é o caso do Capelão em São Paulo
né que foi no mínimo omisso mas ah pode ser também conivente né E no caso aqui do Rio com o Bispo que te visitou se você poderia dar mais detalhes dessa conversa porque são são dois casos bastante importantes quer dizer a gente não consegue não conseguiu ainda determinar a nas investigações quer dizer quais Qual o papel dos capelães militares naquele período muito bem obrigado Lucia Obrigado nva pelas perguntas o papel das mulheres eh bom primeiro um um o comentário mais forte que eu tenho é que as mulheres certamente sofreram muito mais do que os homens
porque havia a tortura do sexo em grande quantidade de presas políticas elas foram violadas brutalize pelos torturadores e algumas delas por vários torturadores e não um só então isso aí as outras companheiras que vão fazer depoimentos podem muito melhor do que eu mas eu imagino que uma mulher sendo presa torturada brutalizada por homens e só isso já é uma tortura muito mais brutal do que a que nós homens sofremos né houve também ameaças de brutaliza de mim Eh pelos soldados lá pelos torturadores mas eu nem levei em conta isso porque fazia parte do pacote de
ameaças que eles jogavam né agora pensar no caso de mulheres é é é uma coisa muito mais séria e por outro lado eu tenho tido contato com pessoas que foram bastante heróicas seja durante a tortura seja depois no caso da Marlene foi depois eh o heroísmo dela veio quando ela disse podem me matar mas não importa na tua frente mas não importa importante é você não entregar ninguém né É você não mudar a história e pessoas que aguentaram por exemplo a Angela cechas com 19 anos foi brutalizada de todas as formas e não dava uma
informação que interessasse aos torturadores né E como ela muitas outras a estrela que depois de ter sido brutalizada e inclusive ter a hemorragia eh pós gravidez já internada lá no hospital central aqui do do Rio de Janeiro que nós queremos visitar nós queremos filmar localmente o nosso depoimento dizendo nós estivemos aqui nessa sala nessa cela né e dar o testemunho ao vivo antes de eh como argumento para transformar esses locais em memoriais né de uma de tadura que não pode voltar a existir no nosso país né então a estrela Depois dessa estgio lá no hospital
foi levada de novo paraa tortura não é passou por uma eh corredor polonês de soldados não é recebendo cacetadas com cacetete um por um enquanto ela passava nua entre duas filas de soldados lá em Volta Redonda E por aí vai então eu afirmo só isso é preciso fazer uma homenagem especial às mulheres pelo seu papel na luta e pelo risco ainda maior que elas corriam do que o nosso homens bom falando do Capelão e do bispo realmente Esses foram os dois eh momentos de mais triste experiência com gente da igreja né Eh o Capelão Ele
estava me vendo ali massacrado né eu tava numa condição que levou até um mês e meio depois do Capelão me visitar n é o torturador que me inquiriu junto com a Marlene antes de eu entrar na sala de tortura Ele disse pra Marlene Se prepara para ver o Frankenstein de tão deformado que eu tava né de modo que eu devia est num péssimo estado que devia pelo menos comover o Capelão para ele ter alguma solidariedade e no entanto depois de eu contar a história inteira e dizer olha a minha garantia de vida é o senhor
avisar a minha família e ele nem voltar lá para me dizer avisei e a família não foi avisada e também não voltar para trazer a comunhão né quer dizer isso ainda é mais grave Talvez né porque não atendeu ao pedido de um fiel digamos assim né bom o Bispo eh eu fiquei muito feliz de estar com o Bispo lá porque era uma garantia mais é preciso dizer que quando a gente tá preso num tempo de ditadura e de tortura cada segundo é de terror A gente mal consegue ler um livro porque o terror tá presente
o tempo todo a espera de que em algum momento qualquer momento se abre aquela porta da da cela e a gente é levado paraa tortura e se eu fosse levar do hospital onde eu fiquei a maior parte do tempo muito mais privilegiado digamos do que a maioria dos nossos companheiros né mas abr a porta do hospital e dizer você vai voltar paraa operação bandeirante ou para o do COD já era em si o terror porque era ser levado paraa tortura Como de fato foi né então o Bispo veio mas quando eu ouvi a fala dele
eu disse Caramba esse cara veio aqui para me me apaziguar me me domar não é aí é claro que eu entrei no jogo dele e disse não eu vou cuidar da vida e pronto e só que eu fui paraos Estados Unidos e fiz o contrário do que eu disse pro Bispo né aqui não dava mas lá deu obrigado muito obrigado