Muito boa noite. Estamos no convento do Seixo no Fundão, bem perto da terra natal de António José Seguro. Este é um dos concelhos onde foi declarada a situação de calamidade, o estado de calamidade, devido aos estragos provocados por uma das tempestades mais severas que alguma vez Portugal conheceu.
António José Seguro, muito boa noite. >> Boa noite, muito gosto e recebê-la também aqui na Beira Baixa. Exatamente.
Eh, António J Seguro, o senhor quis inicialmente visitar os locais mais afetados, foi sozinho, foi na região de Leiria, disse que não queria interferir com os trabalhos. O que é que se vê sozinho? O que não se vê quando está rodeado de uma comitiva de campanha ou de jornalistas?
>> Eh, designadamente escutar e ouvir as pessoas, porque eu quando vou esses locais quero ver, quero ouvir e as pessoas têm mais tempo para falar comigo e eu também para lhes fazer perguntas. E, portanto, há um entendimento da situação completamente diferente. E eu fiz isso com pessoas, com empresários, com autarcas para recolher essa informação.
>> E diga-me uma coisa muito concreta que tenha visto nesse momento em que esteve de facto mais sozinho, percebeu ali que tenha mudado o seu critério sobre como deve ser a atuação de um presidente em crises como estas? >> Não, absolutamente nenhuma. Eu na quarta-feira, por exemplo, estive na cidade de Leiria e percebi que o papel do presidente da República é estar junto das pessoas, é perceber e é sobretudo também prestar-lhes e dar-lhes solidariedade que eu quero renovar a todos neste momento.
>> Perante o impacto de uma tempestade tão destruidora como esta, o que é que é realista pedir ao Estado? >> O que é realista pedir ao Estado é que o Estado possa reagir melhor, quer preventivamente, quer ter planos de redundância. O que é que isso quer dizer?
Enquanto, por exemplo, o fornecimento de energia elétrica de alta tensão, como há planos de redundância, a renta em esses planos, foi possível restabelecer rapidamente, já em média e baixa tensão, não existem esses planos de redundância. Portanto, nós temos que perceber que as alterações climáticas não é uma conversa entre cientistas, é uma realidade. E fenómenos com esta severidade vão acontecer mais vezes no nosso país.
Infelizmente não desejávamos que assim acontecesse. Então, o que é que é necessário? Nós precisamos ter planos de energia, podemos ter planos de redundância para que quando existam falhas de eletricidade, falhas de abastecimento de água na cadeia alimentar, possam o mais rapidamente possível serem restabelecidos.
E mesmo também em matéria de telecomunicações, muita gente isolada, muita gente que teve horas, dias sem saber verdadeiramente o que é que estava a acontecer. E, portanto, esses planos >> e muitos deles ainda estão neste momento, >> é verdade, mas neste momento já têm alguma informação. Portanto, isto não pode ser algo que se responde no momento, tem que ser planeado em função dos níveis de alerta e da severidade e das consequências.
o estado reagiu a tarde, tem sido muito criticado. Por isso, >> eu tenho para mim que neste momento nós devemos acudir às famílias e às empresas e às autarquias para os ajudar rapidamente a recuperar a sua vida normal e também ajudá-los na recuperação dos estragos, das casas, dos telhados. Essa é a preocupação.
Mas a seguir resposta, a resposta que foi dada hoje pelo primeiro-ministro, depois do Conselho de Ministros parece-lhe a mais adequada, >> mas depois temos que fazer essa avaliação. Nós temos que tirar elações. Nós temos que tirar elações do apagão que houve em Portugal.
Temos que tirar elações do incidente que houve, por exemplo, no elevador da Glória. Portanto, nós temos que verdadeiramente tirar essas elações. >> A Cláudia, a a Clara, desculpe, recorda-se perfeitamente na terça-feira no debate que estava lá.
Lembra-se eu ter anunciado que o primeira reunião do Conselho de Estado seria dedicada às questões de defesa e de segurança. E de segurança é obviamente a prevenção e o combate à criminalidade, mas também é a segurança de bens e de pessoas. O país precisa de robustecer a sua resposta para que ela seja mais rápida, mais eficiente para acudir às pessoas e às empresas.
>> Falou há pouco da prevenção, houve, como sabemos, avisos meteorológicos nos dias anteriores, mas o primeiro-ministro diz que a evolução da situação não era antecipável por ninguém. concorda ou discorda? >> É uma avaliação que tem que ser feita.
O presidente da República acabou por propor há dois dias a criação de uma comissão técnica independente. Essa comissão técnica independente deve, do meu ponto de vista, avaliar o que correu bem e o que correu mal, mas fundamentalmente retirarmos lições para o futuro. >> Mas que reflexão, exatamente, tem um exemplo concreto dessa dessa reflexão, porque senão não passamos muitas vezes de de frases feitas, as pessoas dizem: "Mas para quê?
Mais uma comissão técnica independente, qual é o resultado? decisões, concorda com essa comissão independente, tal como disse o presidente da república, nós vamos ter que avaliar a situação. Existe é uma situação gravíssima.
O que está a acontecer e o que aconteceu é uma catástrofe. >> Mas acha que era ou não antecipável? >> Quer dizer, eu houve um alerta por parte das entidades competentes.
Agora, o meu ponto é a reação que o Estado deve ter. Eu mim tenho claro que todos os instrumentos que o Estado tem ao seu dispor precisam de ser melhor coordenados. e melhor articulados.
Por exemplo, surgiram notícias de que as Forças Armadas estavam disponíveis para ajudar e apoiar mais rápido. É verdade? Se é verdade, porque é que não aconteceu?
Ou seja, nós, esta é uma situação concreta e que poderia ter ajudado a melhorar muitos dos problemas e das dificuldades. >> E quando recupera aquela frase de Jorge Coelho que a culpa não pode morrer solteira, quer dizer exatamente o quê? Quer dizer, exatamente isso, que tem que ser apurado, se alguma coisa falhou, mas fundamentalmente para futuro prevenir situações destas.
Dou-lhe um exemplo, nós dentro de meses vamos ter um aumento das temperaturas em Portugal. Vem aí o verão, >> certo? >> E sabemos que é a época de incêndios.
Ora, neste momento, com a corte das árvores, nós temos milhares de árvores que estão cortadas e troncos que e partes das árvores que estão na floresta completamente. Material. Nós devemos ajudar a retirar rapidamente esse esse material combustível.
Primeiro porque essas madeiras ainda têm algum valor económico e isso ajuda aos nossos agricultores e as pessoas que têm as florestas e simultaneamente limpa as florestas para que não haja material que ajuda à propagação dos incêndios. Aqui tem um exemplo de prevenção e de atitudes que devem ser tomadas imediatamente quando esta situação de chuvas pararem. Se tivermos a tal comissão independente e se o senhor for eleito, o que é que fará com as conclusões que lhe chegarem à às mãos?
De que forma é que usará o seu peso político para exigir que essas recomendações sejam mesmo aplicadas? Esse será um elemento de informação, mas se eu merecer a confiança dos portugueses, no próximo dia 8, eu já disse publicamente que depois de eleito vou trabalhar com os parceiros da proteção civil para compreender melhor a forma como devemos organizar o país para responder a situações desta e magnitude e destas consequências. E acha que há muito que que ainda há tem que ser feito?
>> Acho daquilo que eu tenho que eu tenho falado com autarcas e com empresários, há muito, designadamente em matéria de comunicação com as pessoas que ficaram muitas delas isoladas, a necessidade de rapidamente fazer a cobertura de telhados que eh não havia mão deobra disponível, eh a reação com as cadeias alimentares, houve pessoas que não tiveram água, ainda há pessoas que não têm água nas suas casas, que não têm energia elétrica. Portanto, para além de uma prevenção individual que as pessoas devem ter, o Estado deve ter níveis de alerta e canias, cadeias de abastecimento, centros logísticos para acudir rapidamente às pessoas. >> Falemos agora de um outro tema.
Uma coisa que eu também lhe quero dizer é que a solidariedade do país e dos portugueses tem sido magnífica, não pode substituir a responsabilidade que o Estado deve ter para proteger bens e pessoas >> nestes momentos difíceis, sobretudo. Mudemos de tema e falemos de um que não tem sido muito abordado eh durante esta campanha, nomeadamente em debates e em entrevistas, que é a Posição Internacional de Portugal. E o senhor fala de alianças, de consensos, de diplomacia, mas como disse o primeiro- ministro canadiano, o mundo movou e dificilmente voltará atrás.
Quando nós temos um aliado como os Estados Unidos, que passa a tratar-nos como um adversário económico e político, o J seguro acha que a diplomacia chega ou ou é preciso preparar uma resposta mais dura? >> Vamos ver. A diplomacia é o instrumento que os estados têm para resolver pacificamente os seus problemas, os seus conflitos para criarem alianças.
Ora, é verdade aquilo que disse e, portanto, o que é que nós devemos fazer, quer como Estado, quer a própria União Europeia e nós dentro da União Europeia, é aumentarmos a nossa capacidade de autonomia estratégica e aumentarmos a nossa competitividade económica. os acordos que foram estabelecidos tanto com o Mercosul como a Índia, que nos abrem mercados fundamentais, 100. 000 milhões na Índia, 700 milhões no Mercosul, são ótimas oportunidades para a nossa economia, >> mas essa, enfim, essa necessidade estratégica, autonomia estratégica da Europa, eh, tem um preço e o preço não é pequeno, exige o investimento público a volotado, está disposto enquanto presidente para explicar aos portugueses a necessidade desses custos.
Está a falar em matéria de defesa >> também. Em matéria de defesa não tem matéria económica. >> Mat defesa.
Em matéria de defesa. Nós temos várias perguntas para fazer antes de investirmos mais. A primeira porque é que é 5%?
Quem é que definiu? Com que evidência científica? Eu julgo que em primeiro lugar é >> até pode ser mais António José.
>> Não, eu julgo que não é necessário tanto porque a primeira decisão que nós temos que fazer é comprar europeu. E, portanto, se nós tivermos economias de escala, >> acha que basta? >> Não, mas é importante.
Porquê? Porque se nós tivermos economias de escala, em vez de cada forças armadas de cada país ter o seu submarino, o seu helicóptero, o seu eh carro de combate, nós podemos ter aqui economias de escala e devemos sobretudo fomentar a tecnologia europeia que tenha uma aplicação dual que sirva para nos defendermos e, portanto, aplicar-se em equipamentos militares, mas simultaneamente que sirva também a economia. Isso acontece com eh, por exemplo, os drones com sensores, com infravermelhos ou se quiser ir a setores tradicionais nos txais e no calçado.
Eh, as nossas empresas que tanto eh fazem eh sapatos, por exemplo, passeio, também podem fazer botas e militares. O mesmo acontece com o ferdamento, com coletes antibalísticas. Portanto, nós temos aqui uma oportunidade para nos defendermos melhor, para estarmos menos dependentes dos Estados Unidos sem abandonarmos numa aliança.
A cooperação transatlântica é fundamental, mas para ajudar a nossa economia decisivo em que Portugal poderá ter que optar. Por exemplo, se esta visão dos Estados Unidos e se consolidar de olhar para a Europa ou querer uma Europa mais fraca, eh não haver como uma uma Europa forte como uma vantagem. Se esta posição e esta visão se consolidar, qual deve ser a posição de Portugal alinhar com os seus parceiros numa Europa mais firme, eh, ou de alguma forma entrar em confronto e esquecer esta esta questão de preservar uma uma aliança?
>> Portugal não deve abandonar nenhuma das suas alianças, deve continuar. É possível continuar em cima do muro na sua? >> Não, não, não, não é em cima do muro.
É ser inteligente do ponto de vista estratégico. Isto é, não se pode pedir a Portugal, eu não concordaria com isso, que nós abandonássemos a NATO ou que abandonássemos a União Europeia. Nós somos um país com a nossa dimensão precisa de estar em alianças que promovam a nossa defesa e garantam a nossa prosperidade.
Isso é uma coisa. A outra é nós fazermos pela vida e termos capacidade para aprofundar a nossa autonomia estratégica. Por isso é que na primeira reunião do Conselho de Estado, se merecer a confiança dos portugueses, quer sempre dizer isto com uma grande humildade.
Esse é um dos pontos que nós temos de discutir. Porquê? Como sabe, o país vai investir 5.
8000 milhões de euros, uma parte essencial nas fregatas. Há um consórcio que já está escolhido, Itália e França, mas nós podemos e devemos lutar para incorporar empresas portuguesas nessa área de defesa na construção, por exemplo, dessas fregatas. Quando eu falo de investimento inteligente, falo um investimento que reforça a nossa capacidade estratégica, que beneficia nossas empresas e a nossa economia.
>> Eu sei que é um otimista, percebemos pelo seu discurso que é um otimista, mas há uma frase antiga que diz: "Espera o melhor, mas prepara-te para o pior". E na sua visão, olhando com realmo para o atual contexto geopolítico mundial, qual é o melhor e o pior cenário que Portugal pode ter que enfrentar nos próximos 5 anos? >> Bem, o pior cenário seria haver uma guerra em que nós tivéssemos que participar.
E eu quero acreditar que é possível que os homens têm racionalidade e que a paz vai prevalecer e sobretudo as relações entre os estados. Mas como diz, nós temos que encontrar e olhando para o mundo, novos parceiros, manter as alianças que temos e depois no quadro da União Europeia estabelecermos novas parcerias. Volto a referir, o acordo com a Índia, o acordo com o Mercosul são dois pontos estratégicos importantes, não apenas para a nossa economia e para o comércio, mas também para criar novas relações com dois países ou com vários países, que no Mercosul tem mais do que um, que são bastante relevantes.
>> Eh, o senhor diz que 1. 700. 000 eleitores votaram em si na primeira volta porque defendem um presidente que una os portugueses que proteja o chão comum.
É uma expressão que utiliza muito, e que não recorra a métodos que não são democráticos. A que métodos não democráticos se refere precisamente? >> Refiro-me ao meu adversário, as falsidades.
>> Humum. Ainda hoje o jornal do Observador faz nota de um abaixo assinado, suposto abaixo assinado contra mim, que envolve figuras públicas como Pedro Passos Coelho e Marcelo Rebel de Sousa e que verdadeiramente não assinaram nem preferem declarações que são associadas. As redes sociais estão cheias de mentiras, de falsidades contra mim.
Isto não é aceitável de uma democracia. >> Não é apenas contra si, mas de qualquer maneira esses métodos são apenas retóricos ou podem ter consequências reais para o funcionamento das instituições? que tem a desinformação.
A desinformação não ajuda à democracia, pelo contrário, >> é considerada uma das maiores ameaçadas, >> certo? E houve um estudo recente que demonstrou que 85% da desinformação e das falsidades que existem na na internet se devem precisamente a André Ventura. Portanto, o país tem que ser claro no próximo dia 8it, tem que repudiar esta situação.
É por isso que tanta gente apoia a minha candidatura. Porquê? quer defender esse chão comum, que é um chão de decência, que é um chão de consideração.
Nós podemos ter opiniões diferentes, mas considerar-nos não precisamos de andar a lançar mentura, mentiras, falsidades nas redes sociais e sobretudo muitas das vezes não dar a cara. >> Mas a polarização é um fenómeno social e e a pergunta também é sobre instituições e sobre a própria Constituição. Está a dizer-nos e Preto no Branco que André Ventura e representa um risco para a democracia.
Claro, claro. Então, uma pessoa que recorre a metros dessa natureza, há desinformação, claro que é um risco para >> não traça uma linha entre um candidato que divide e uma ameaça para as instituições. >> Não, vamos ver.
Os métodos desse candidato não são métodos democráticos. Nem e e nem vamos à questão da democracia. não tem a ver com a maneira de ser de dos portugueses.
Nós somos um povo pacífico, um povo que diverge, concorda, mas que se considera. Aliás, o primeiro de ver de um democrata, eh, Clara de Sousa, é muito simples. É de considerar o adversário, é de debater ideias, é debater propostas, não é o insulto, o ruído, a divisão, o sonhar o ódio, o pôr portugueses contra portugueses.
Isso é não querer debater mais. >> Não. Vamos ver.
Eu tive um debate e estive presente nesse debate. Foi o debate número 31. Se há alguém que faltou algum debate em Portugal alguma vez, foi precisamente o meu adversário a um debate da rádios em 2022.
>> Na noite do debate, o senhor disse que não iria baixar o nível da discussão para preservar a relação que terá de manter com André Ventura quando receber em Belém. Depois de tudo o que já disseram um ao outro, ante um primeiro encontro muito tenso, tem cabb ou relativamente descontraído? Não, eu aquilo que lhe devo dizer é que eu não deixo de dizer aquilo que tenho que dizer, >> mas sou fiel aos meus princípios e, portanto, tenho tem tido tentado fazer tudo possível para manter umas condições mínimas para que haja esse relacionamento institucional.
Eu não me esqueço que o Dr André Ventura é presidente de um partido em Portugal que tem uma representação parlamentar importante e, portanto, como presidente da República, se merecer a confiança dos portugueses, naturalmente que terei que reunir com ele, que trabalhar com ele e eu quero preservar esse mínimo. Mas há uma coisa que não é aceitável, é a falsidade e o recurso à desinformação, porque isso é não respeitar os eleitores. >> Se for eleito, terá um primeiro mandato de 5 anos.
Eh, falava agora de André Ventura neste momento enquanto líder do maior partido da oposição, mas nesse período pode acontecer o Chega vencer eleições legislativas e André Ventura ser eleito primeiro-ministro. Nesse cenário, como é que o António José Seguro, presidente, e que fala em proteger o tal chão comum e em rejeitar métodos não democrátimos, não democráticos, como é que vai exercer o cargo? Bem, para mim é muito claro, eu não darei posse a governos que são contra a constituição e, portanto, tem que haver essa garantia.
>> Isso significa o quê? Na prática significa a constituição é a nossa lei fundamental. Isso significa que há um período, vamos ver, há um resultado eleitoral.
Depois desse resultado eleitoral, o presidente ouve os partidos e depois, antes da nomeação, o presidente tem que se assegurar que qualquer governo deve dar garantias, caso seja necessário pedi-las, de de respeitar a nossa constituição. A minha primeira lealdade é à constituição da República Portuguesa e assim farei. Elitorais também.
Mas eu sou um democrata e, portanto, em Belém eu serei um presidente equidistante dos partidos, mas eu farei tudo, tudo, tudo, tudo para que haja estabilidade política no país. E porquê? Não é um fim em si mesmo, mas é um instrumento, tal como a paz social, para garantir que o país possa resolver os seus problemas na saúde, no acesso à habitação, nas oportunidades para os mais jovens, no aumento salarial, no combate à desigualdade entre homens e mulheres, a começar pela desigualdade salarial.
Nós temos muito para resolver e agora estas catástrofes cada vez mais frequentes no nosso país. >> Eh, a verdade é que também nem todos olham para a possibilidade de André Ventura chegar a primeiro-ministro, no caso de não vencer naturalmente este esta segunda volta presencial. Nem todos olham para isso com terror e pavor.
Há há quem olhe, nomeadamente para exemplos internacionais e e veja depois um processo de moderação desses partidos que inicialmente eh se mostravam mais eh radicais ou mais extremistas ou mais divisivos. Qual seria a sua expectativa? Se é que tem >> bem, não sei, porque disso dependerá do comportamento que o Dr André Ventura tirar tiver.
Mas há uma coisa para mim clara. Dos dois, eu sou verdadeiramente o único que é candidato [música] a presidente da República e que ambiciona ser o presidente da República de todos os portugueses, enquanto o meu adversário é candidato a primeiro-ministro. Em todos os momentos ele está a ter atitudes de oposição ao atual governo e verdadeiramente essa a sua ambição.
>> Mas ele não está a ser suficientemente combativo nesta primeira que já passou e nesta segunda volta, afinal de contas, foi o segundo mais votado. >> Bem, mas isso serão os portugueses que farão essa avaliação no próximo dia 8ito. >> Ora, eh, o presidente, como sabe, ganha maior importância nos tempos de crise, não apenas pelo poder da palavra, como pelos poderes que lhe são conferidos pela Constituição.
Tenho aqui eh dois exemplos em que gostaria de saber como é que atuaria por princípio eh num cenário em que o orçamento do Estado seja chumbado não uma, mas duas vezes. O governo mantém sem funções, o o país entra num impasse político prolongado. O que faz o presidente António José Seguro?
>> Bem, em primeiro lugar, eu farei tudo para que os governos possam dispor dos seus instrumentos, neste caso do orçamento, para executar a sua política. É esse o dever do presidente da república. É isso que os portugueses exigem ao presidente da república.
Os portugueses não querem instabilidade, não querem crises políticas, nem querem aventuras em Belém. >> Se houver um impasse político prolongado, o que faz? Nessa altura eu terei que avaliar os contextos, terei que avaliar essa realidade.
Eu não quero dar uma resposta que limite os poderes que terei com presidente da república se merecer a confiança dos portugueses. >> Mas já, mas já disse que chumbar uma vez o orçamento de estado não seria motivo para para isso. Duas vezes.
>> É verdade. Bem, mas vamos ver se é chumbado uma vez. O presidente da república tem que avaliar as condições conjuntamente com o governo e com os partidos para garantir essa estabilidade.
E eu vou-me empenhar nesse nesse sentido. O país não pode passar a vida em eleições. Claro, nós tivemos um período de ouro durante 32 anos.
>> 2021 não havia condições para para haver outro resultado que não aquele que acabou por acontecer. >> Pois, mas eu não ficarei em bé à espera que as crises lá cheguem. Se eu intuir que pode haver uma crise, eu agirei com a descrição que é necessária, mas para garantir que haja entendimento entre os partidos.
Os partidos também têm que ter uma responsabilidade que é o seguinte. Até 2019, nós durante 32 anos tivemos ciclos governativos de quatro em 4 anos e a partir de 2019 passamos a ter ciclos governativos mais curtos. Desculpa, é impensável governar um país e e resolver os problemas dos dos portugueses com ciclos curtos de governação.
Olhar para França e para outros países da Europa, a situação é muito acidarmos de eleição em eleição. Tem cada dois anos haver eleições. >> Não é o novo normal.
O quer que seja novo normal? Não, não pode ser um noro normal, porque isso seria a distribuição do país. Teríamos governos a prazo e o país ficaria a prazo.
>> Vou dar outro exemplo e diferente deste. Eh, há protestos sociais prolongados, há setores chave paralisados, há um desgaste visível da autoridade política. O governo resiste, mas a tensão aumenta.
Quando é que o presidente deixa de observar e passa a intervir politicamente? Bem, o presidente nunca deixa de intervir, desde que a sua intervenção, a começar por ser discreta, ajude a resolver o problema ou a prevenir crises. Dou-lhe um exemplo.
Eu não sou eh presidente, sou apenas um candidato que humildemente se coloca à disposição do nosso país e dos portugueses. E no entanto, em matéria de eh desta revisão do pacote laboral, eu falei com representantes dos trabalhadores. Eu falei com representantes dos empresários para perceber das condições de poder haver um acordo, poder haver um diálogo, poder haver um compromisso.
Eu sou uma pessoa de diálogo e de compromisso e tenho a experiência de conhecer bem o sistema político português, quer no governo, quer no parlamento, quer como académico do ter estudado. E, portanto, eu sei qual é o momento, a oportunidade para fazer valer às pessoas que é preciso bom senso e haver convergência. >> E se houver uma tensão social insuportável?
>> Não, mas porque é que nós vamos para o pior? Porque é que não fazemos ao contrário? Porque é que nós chegamos junto dos parceiros sociais e junto do governo e dizer-nos: "O nosso país precisa de criar riqueza, o nosso país precisa de fazer alterações para incorporar com mais rapidez a inteligência artificial, robótica, aérea aérea digital.
Porque é que não vamos fazer um acordo e uma de uma política de rendimentos ligada à produtividade, aumentar a produtividade das nossas empresas? Porque é que não vamos fazer legislação que dê cabo dessa desigualdade entre homens e mulheres, que cria oportunidades para os nossos jovens? Os nossos jovens são formados nas nossas universidades, as famílias fazem um esforço e depois eles não têm oportunidades em Portugal para se realizarem profissionalmente.
Quando nós precisamos de jovens, quando nós precisamos de rejuvenecer a nossa população com mais bebés, desculpo, isto não pode acontecer. O país está a entrar em muitas situações, em becos, sem saída. E, portanto, eu venho para cuidar e melhorar aquilo que está bem, mas para mudar muito, muito daquilo que está mal no nosso país.
>> Nós, ao longo da nossa democracia tivemos situações em que presidentes da República entenderam eh que a permanência de membros do governo no governo criava eh um problema político institucional, mesmo sem ilegalidades comprovadas. Enquanto Presidente da República vê-se em alguma circunstância a exercer pressão política para afastar um membro do governo. >> Vamos lá ver.
O país já teve demasiadas situações em que geraram desconfiança dos portugueses em relação às instituições e às pessoas que a representavam. E, portanto, aí nós temos que ser muito exigentes. E eu serei o primeiro a ser exigente e a começar logo na formação dos governos.
Eu quero a garantia de que o que o primeiro-ministro me dê de que todos os membros do governo passaram o crio e que não vão ter problemas, quer do ponto de vista ético, quer deoutros, no exercício das suas funções. >> E acha que pode ter essas garantias logo a partir? >> Poderei ter em relação ao passado.
O primeiro- ministro tem que as dar, >> mas em relação ao futuro não se pode ter. Deixa-me lembrar-lhe dois casos. Jorge Sampaio fez isso em relação a Armand Vara, como se lembra.
Marcelo Rebel Sousa fez o mesmo em relação a João Galamba. Um foi mais nos bastidores, o outro foi mais eh público. Reconhece esses precedentes, vê-se a agir de alguma forma eh idêntica a eles.
>> Vejo, mas o meu primeiro dever de lealdade é com o primeiro-ministro >> e, portanto, eu falarei com o primeiro-ministro, não preciso de vir para a praça pública. >> Portanto, será mais um presidente que fará pressão nos bastidores, mais numa linha de Jorge Sampaio. >> Não, não é uma questão de pressão.
Eh, claro, é uma exigência ética. O país tem que ter uma dimensão ética e os portugueses têm que confiar nas suas instituições. Há muita gente desiludida, há muita gente desagradada com muitas das atuações de políticos a vários níveis.
E o presidente da República tem esse dever de reconciliar os portugueses com as suas instituições e de reforçar essa relação de confiança. >> Falando dessa confiança e dessa credibilidade, o seu adversário propõe-se liderar eh mesmo na presidência uma uma luta sem trégoas contra a corrupção. Eh, o que é que um presidente da República pode fazer concretamente nesta matéria sem se substituir à justiça, sem se substituir ao governo?
em primeiro lugar, exigir comportamentos éticos de quem quer servir o país como membro do governo. Ou seja, o governo toma posse perante o presidente da República. Em segundo lugar, pode enviar mensagens ao Parlamento, caso seja necessário que o parlamento legisle para fazer esse combate à corrupção de uma maneira mais eficiente.
Terceiro, há hoje instrumentos, quer à disposição da administração tributária, quer da própria justiça, para serem mais céres para que esse combate se possa fazer. Depois, os planos anticorrupção, falei-lhe [música] há pouco da do investimento de 5. 8.
000 1 milhões de euros na área de defesa. Eu já propus eh como candidato que houvesse planos anticorrupção e que os mecanismos de prevenção da corrupção no nosso país pudessem acompanhar cada fase desse investimento para garantir livre concorrência, neutralidade, imparcialidade. É que o combate à corrupção começa com a prevenção.
Nós temos um quadro legal que é um quadro legal interessante e robusto. Temos é um problema de falta de meios para garantir que esse quadro legal é executado e não pode haver falta de meios no combate à corrupção. Serei implacável.
Em casos mais mediáticos e temos alguns, eh, alguma vez poderemos ver o presidente António José Seguro, naturalmente, se vencer estas eleições, a pronunciar-se publicamente sobre eles, >> se for necessário, se isso for útil para a nossa república e aumentar em circunstâncias, de-me um exemplo em que isso passa. Vou agora dizer em que circunstâncias, teria que ser uma circunstância muito extraordinária. Agirei >> em que seja útil eh ao nível da da em que seja útil para a república, porque o presidente é um servidor da república, é aquele que dá o exemplo e, portanto, eu não quero o protagonismo para mim.
>> E não receia a crítica de que poderá estar a a fazer pressão ao pronunciar-se publicamente a pressão sobre a justiça. >> Um presidente nunca faz pressão quando defende valores. >> Então segur estamos mesmo no fim e estamos a uma semana da segunda volta.
Todas as sondagens neste momento lhe dão a vitória. No entanto, o senhor diz que nada está decidido, pede a mobilização do eleitorado. O que é que acha que do seu lado ainda pode correr mal?
>> Não, aquilo que [música] eu quero é que corra bem. Por isso é que eu peço aos portugueses, a cada portuguesa e cada português para ir votar no dia 8. As sondagens não elegem presidente e por isso aquilo que elege presidente da democracia é o voto de cada portuguesa e de cada português.
Eu venho para unir. Quero colocar a minha experiência, as minhas características e sobretudo este bom senso e esta moderação e esta capacidade de agregar de diálogo ao serviço do nosso país para que possamos resolver os problemas. Como eu costumo dizer, >> mas se nada, se nada está decidido, como disse, qual é o maior risco que posso?
>> O maior risco é de facto as pessoas sentirem isto está ganhos que ir votar no seguro. >> Hum. >> E não está ganho, é preciso irem mesmo votar.
>> Muito bem. Portanto, hh, se não está ganho, fica o apelo deixado aqui mesmo no final desta entrevista. António J Seguro, agradeço e a sua presença.
Segue-se agora uma semana de campanha. Foi um prazer. Obri.