[Música] [Música] meu avô sempre me contava histórias de quando vivia no interior de Minas Gerais a história se passou em um pequeno município chamado da Andrelândia Andrelândia está localizada no estado de Minas Gerais na região sul do estado próximo à Serra da Mantiqueira A cidade fica a aproximadamente 300 km de Belo Horizonte hoje tem uns 10.000 habitantes mas quando isso ocorreu era apenas um pequeno povoado meu avô sempre teve uma vida dura no campo era homem simples que aprendeu a caçar pescar e a viver da terra nós morávamos perto meu pai pegou um pedacinho de
terra que meu avô deu para ele então vira e mestre a gente estava lá e meu avô adorava contar os seus causos no meio dessas histórias algumas se destacavam Principalmente as que envolvia seu amigo Antônio como você pediu Robert vou contar como se fosse ele para facilitar a narrativa bom meu avô falava assim de Antônio Antônio era um rapaz bem conhecido no povoado tinha um bom coração ajudava a quem precisasse mas era visto como Boêmio gostava de uma farra de uma boa cachaça e quando havia festa era um dos primeiros a chegar e um dos
últimos a ir embora naquele tempo as festas eram os grandes eventos do ano todo mundo se preparava com antecedência roupa limpa chapéu bem ajeitado e os homens levavam suas melhores montarias e as mulheres traziam doces e Quitutes para poder compartilhar não era apenas diversão mas uma tradição que mantia a comunidade unida naquele tempo o povo era bem pequeno poucas casas e um armazém aqui outro lá certa vez meu avô contou que estava acontecendo a festa do Padroeiro em um povoado vizinho coisa de umas duas réguas de distância Antônio estava animado para ir ele não se
importava com a caminhada longa Nem com um trabalho pesado do dia a dia passou o dia inteiro no sol cuidando dos animais da lavoura mas quando o sol começou a descer ele já estava decidido a se arrumar para ir pra festa a vida no campo exigia muito esforço e qualquer oportunidade de sair daquela rotina dura era agarrada com unhas e dentes era nessas festas que o pessoal dos povoados Vizinhos se encontravam então era algo bem esperado principalmente pelos homens solteiros ao final da tarde Antônio tomou um banho no riacho próximo vestiu sua melhor roupa simples
mais limpa e bem cuidada o chapéu já velho mas ajeitado e dava um bom Toque de respeito a sua figura com tudo pronto montou em seu cavalo um bicho magro mas Valente conhecia bem aqueles caminhos e adivinha o nome do magrelo pé assim ele chamava o seu cavalo o caminho até o povoado vizinho não era dos mais fáceis havia uma mata densa a ser atravessada e era comum ouvir histórias de gente que se perdia ali dentro Antônio no entanto não se deixava amedrontar conhecia aquela mata com a Palma de sua mão e confiava na bravura
de seu cavalo partiu sozinho com a ideia fixa de que naquela noite ele se divertiria até o sol nascer ao chegar ao povoado já era noite fechada e a festa estava em pleno damento o som da sanfona se espag pelo ar junto com o riso Alto das pessoas e o barulho dos Passos de dança Antônio desceu do cavalo e prendeu a montaria em um lugar um pouco mais afastado sabendo que a noite seria Na festa ele reencontrou amigos e conhecidos alguns homens já meio tortos pelo efeito da bebida mas todos com um sorriso largo no
rosto as mulheres com os vestidos coloridos dançavam e sorriam enquanto os mais velhos se sentavam em cadeiras improvisadas conversando e observando pessoal an logo encontrou seu lugar com uma de cachaça na mão rodeado de amigos e começou a conversar a música não parava e ele mal vi o tempo passar as horas se avançaram e a pinga continuava circular cada gole parecia aumentar mais o calor da festa tornando os risos mais altos e as danças mais animadas Antônio já se sentia leve o corpo Solto No Ritmo da música e alegria tomava conta dele esqueceu-se do trabalho
pesado do dia e da dureza da vida no campo naquele momento só existia a festa a cachaça e o riso ao seu redor E a noite foi se arrastando e quando os primeiros sinais de cansaço apareceram Antônio percebeu que já passava da meia-noite A festa ainda estava animada mas ele sab que se não partisse logo enfrentaria a escuridão completa no caminho de volta e a solidão da estrada ele teve um pressentimento ele nunca soube explicar Antônio deu uma última olhada na festa e a música tocando e todo mundo brincando e sorrindo Mas ele sabia que
tinha que voltar foi até o cavalo afrouxou a corda e subiu o corpo estava cansado mas estava satisfeito o caminho de volta era escuro e a Lua mal iluminava o chão ele conhecia o trajeto mas a mata parecia estranha naquela hora sombras para todo lado uns barulhos meio abafado ele ia cavalgando no silêncio quando do Nada ouvi um choro fino Parecia um bebê chorando ele parou o cavalo deu uma olhada em volta E se perguntou a Que diabo é isso tentou ignorar mas o choro continuava chamando a sua atenção não deu outra virou o cavalo
na direção do som e foi entrando na mata andou um tanto e o choro ficando mais forte Antônio se perguntava quem diabo tinha coragem de largar uma criança ali sozinha no mato aí ele viu um ponto claro no chão e tinha um formigueiro grande e em cima um bebê sujo de terra cheio de formiga subindo pelo corpo a criança se mexia tentava se livrar das formigas mas estava toda enrolada oh meu Deus murmurou Antônio ele desceu do cavalo na pressa espantou as formigas com a mão e pegou o bebê no braço botou a criança na
garupa do cavalo ajeitou e já se preparava para voltar Antônio ajeitou bebê na garupa do cavalo deu uma última olada e seguiu o caminho o choro havia parado mas peso do cavalo estava estranho como se carregasse mais do que apenas uma criança conforme avançava o cavalo parecia cada vez mais cansado arrastando as patas pelo chão chão Antônio tentava apressá-lo mas o bicho Estava pesando uma tonelada e algo ali não fazia sentido foi então que ele não aguentou mais virou-se devagar para dar uma olhada quando viu que estava na garupa o sangue gelou no lugar da
criança estava algo que parecia humano mas deformado de uma forma que desafia explicação era pequeno e contorcido com uma pele acent e enrugada como uma árvore velha cheia de rachaduras os olhos eram grandes redondos e de um vermelho escuro eles estavam fixos nele cheios de um ódio profundo e inexplicável a boca da criatura era Estranha torcida com dentes pequenos e afiados como se tivessem sido quebrados e postos ali de propósito o rosto não parecia ter expressão mas os olhos os olhos transmitia uma Fúria contida como se algo muito antigo estivesse esperando por aquele momento de
repente a criatura soltou um som rouco que misturava o choro de um bebê com algo que parecia um sussurro Antônio ficou paralisado sentiu o coração acelerar e um frio percorreu seu corpo antes que ele pudesse reagir a criatura abriu a boca e com uma voz sussurrante começou a falar com ele num tom que parecia vir direto dos seus piores pesadelos Por que você me tirou de lá me deixe onde eu estava você não devia ter se metido as palavras pareciam Ressoar Dentro da Cabeça de Antônio ele mal conseguia se mover o medo tomou conta dele
de um jeito que nunca tinha sentido ele virou o cavalo bruscamente tentando voltar pelo mesmo caminho quando chegaram perto do Formigueiro a criatura começou a se contorcer e a soltar um som fraco quase como o último lamento Antônio desceu do cavalo pegou-a rapidamente e deixou ali sem olhar para trás montou de novo e saiu em disparada com o coração disparado rezando tudo que sabia depois daquela noite ele nunca mais passou por aquela mata e o Antônio de antes o homem feliz e despreocupado Esse ficou para trás junto com o que quer que ele tivesse encontrado
naquela madrugada até hoje ele não faz a mínima ideia do que seja não faz sentido nenhum bom esse foi o relato do meu avô muito obrigado por contar e uma boa noite a todos