[Música] Olá pessoal tudo bem Eu gostaria de conversar com vocês um pouquinho sobre Paulo Freire ou sobre as funções sociais da da leitura no mundo de hoje porque Paulo Freire para mim é sinônimo de discussão sobre a leitura né Nós vimos que ele venceu o o carnaval aqui de São Paulo né o tema da da escola escolhida em primeiro lugar foi justamente Paulo Freire então a Águia de Ouro acertou bastante fazendo essa essa justa homenagem ao Paulo Freire eu não sei se vocês sabem mas o Paulo Freire ele é o c3º autor mais citado de
todas as Universidades do mundo então se a gente for pensar cada universidade em todos os seus cursos né de todas as áreas existentes no mundo inteiro eh o o Paulo freir ocupa essa posição né ou seja ele é um intelectual um pesquisador um professor um educador bastante respeitado não só no Brasil mas no mundo todo E isso é importantíssimo a gente saber eu vou como é que eu sei essa informação vou colocar um link aqui embaixo para vocês eh para vocês entrarem que é um site né que levanta chamado open silabus que levanta as ementas
Ou seja aquele programa resumido das disciplinas que que a gente tem nas na na universidade e ele vai levantando automaticamente todas as obras que são ali referenciadas e eles jogam isso num grande banco de dados e conseguem fazer esses levantamentos né então assim ele é o na área da Educação se a gente for pensar essa área todos os cursos de graduação relacionados a educação em todas as Universidades do mundo ele é o sexto autor mais citado ou seja ele é uma referência e a gente tem que entender por que ele é uma referência porque ele
tá tão associado assim à à questão da leitura né da escrita e da Leitura mas eu queria falar hoje mais da leitura né então para isso eu tô usando dois verbetes do dicionário Paulo Freire que depois também eu vou deixar a indicação bibliográfica certinha para você Vocês que são sobre a leitura do mundo e sobre eh o ler e a leitura tá então no com relação à à leitura do mundo a gente já tem no prefácio da de uma das obras mais conhecidas do Paulo Freire chamada Pedagogia do Oprimido que inclusive É essa obra que
está em sexto lugar em todos os cursos relacionados à educação do mundo inteiro né no prefácio da obra eh ao a autora que prefacia Fiore diz que a cultura letrada não é invenção caprichosa do Espírito surge no momento em que a cultura como reflexão de si mesma consegue dizer-se a si mesma de maneira definida Clara e permanente A Essência humana existencia se autod desvelando-se como história né então a questão da da escrita né Não é simplesmente uma invenção caprichosa comentei isso um pouco no outro vídeo né das funções sociais e da origem da escrita né
então é a partir do momento que a humanidade e que um e que um eh grupo social começa a se ver a si mesmo refletido no mundo mas começa a refletir sobre si mesmo também que a gente tem a a cultura letrada e que a gente tem a possibilidade de preservar de acumular conhecimento de criar arquivos como eu eu comentei né então a leitura do mundo e da palavra é para Paulo Freire um direito subjetivo né um direito que todos os indivíduos temos né Por quê Porque se a gente dominar os signos e os sentidos
a gente consegue esse processo de humanização e a gente consegue acessar o poder e a cidadania que são eh os fins últimos né não que a gente queira o poder da maneira como ele tá estabelecido hoje mas que a gente queira mas a gente quer com certeza criar uma outra forma de estrutura né Eh de poder né em que as chaves sejam menos eh de poucos mas estejam distribuídas pela população então continuando aí nesse verbete que é a leitura de mundo a leitura do mundo da palavra é assim uma forma de humanização E se a
gente for pensar na palavra do Oprimido há um olhar né uma sintase que eh esconde alguma coisa H ali uma ausência né que grita e se a gente pensar na na no aniquilamento desse Oprimido né Há uma ampla bagagem de experiências feitas né que lhe tomam o corpo e que lhe marcam a alma né então desses enfrentamentos do Oprimido dessas sofrença a vítima busca a necessária resistência do no saber sobreviver no saber solidário que a protege da completa rendição a que o opressor intenta submetê-la garantindo o direito à insurgência Ou seja a ter sua voz
ouvida a fazer diferente né e ele lembra sempre que ninguém lê o mundo isolado né os oprimidos em comunhão asseguraram se de manhas para não se deixarem transformar em coisas então do lugar onde eles estão eles possuem uma leitura singular né análogo ou seja próximo parecido com aquele que situado na periferia vê também o centro da cidade agora os moradores do centro da cidade dificilmente enxergam a periferia né Se a gente for pensar numa numa cidade como como São Paulo esse centro e essa Periferia numa numa Metrópole tão tão grande eles estão distribuídos né então
Existem muitos Centros e muitas periferias no sentido dessa imagem Mas normalmente esses moradores do centro né Eles não conseguem ou não querem né enxergar essa Periferia então Eh pro Paulo Freire há um papel pedagógico e político nesse processo né então nessa troca de saberes nessa interlocução nesse compartilhamento o educador o professor ele nunca pode ser o omitir de também ele comunicar a sua leitura do mundo né então nós temos cada um de nós a nossa leitura do mundo então se o professor sempre pode comunicar essa leitura ele sempre pode tornar claro para todos que não
existe uma única leitura possível né E é disso que a gente sempre tenta se salvar né então sempre quando alguém chega e fala não isso aqui é a verdade Então essa é a forma de ler e a única forma possível só existe essa a gente sempre tem que desconfiar e mais do que desconfiar a gente tem que enfrentar a gente tem que confrontar porque existem muitas né leituras possíveis então a gente pode dizer que há tantos mundos quanto leituras possíveis dele que é o que a gente chama de pocem né que são muitos que é
poli sentidos né muitas leituras possíveis então nenhuma leitura é definitiva ou terminal né a palavra tá sem Seme mudando e nos recriando né o o Paulo Freire falava de uma releitura do mundo supondo uma leitura feita antes então antes da gente falar antes da gente colocar em palavras a gente está lendo o mundo e essa releitura do mundo seria o momento em que a gente coloca isso em palavras né Mas a gente sempre pode recriar a palavra o mundo e nós mesmos nesse processo de leitura né e ao dizer a palavra que somos no irrequieto
contexto cultural da história materializamos essa libertação na luta histórica contra toda a opressão que essa era a grande luta do Paulo Freire então a temática da Leitura perpassa várias obras dele discutindo a sua concepção né O que ele entende por Leitura e qual a sua importância a partir das suas experiências nesse Campo eh é mais ou menos conhecido né que o Paulo Freire Trabalhou muito com a Alf alfabetização de adultos né Inclusive a sua obra inaugural que é essa a mais citada Pedagogia do Oprimido né ela foi escrita no exílio no Chile em 1967 então
na época da ditadura militar né E ela nessa obra ele dedica atenção especial à leitura no processo de alfabetização né então ele traz uma ampla abordagem sobre a investigação dos temas geradores tem uma outra obra dele que chama a importância do ato de ler em três artigos que se completam que foi publicado em 82 né que ele coloca as ideias centrais dele a respeito da leitura né então ele fala sobre a importância do ato de ler tá no próprio título né E ele fala da alfabetização de adultos e como a leitura da palavra e a
leitura do mundo estão interconectadas né então esse livro traz vários textos que eram eh compartilhados com esse grupo de adultos que ele ensinava a lei a escrever né E esses textos são textos que dizem sobre a realidade dessas pessoas né são textos que não são não que Calam fundo né na alma desses oprimidos que estavam ali sendo alfabetizados por Paulo Freire né porque quando a gente vê textos que não não conversam com a gente né esses textos não fazem tanto sentido Então se a gente vai ensinar alguém a ler a gente precisa ensinar eh de
forma de forma crítica de forma ativa né então precisa ter um sentido naquilo que tá sendo lido né então Eh para ele né a aprendizagem da leitura e a alfabetização são questões eh que fazem parte né da educação política porque ele de toda a educação como um ato profundamente político né Ele diz lá no prefácio desse livro que eu acabei de comentar inicialmente me parece interessante afirmar que sempre vi a alfabetização de adultos como um ato político e um ato de conhecimento Por isso mesmo Um Ato criador assim ele descarta a possibilidade de uma educação
neutra não existe uma educação neutra existe uma educação em que há um professor que pode colocar a sua visão de mundo a sua leitura de mundo e essa leitura de mundo nunca é neutra ela é sempre de um indivíduo né Então essa temática eh da Leitura vai ser recorrente na obra dele e ele vai dizer que a alfabetização deve consistir justamente em aprender a ler o mundo a compreender o texto e o contexto Aí surge uma das afirmações mais famosas do Paulo Freire que talvez vocês já tenham lido que é a leitura do mund precede
a leitura da palavra daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da Leitura daquele linguagem e realidade se prendem dinamicamente né então a leitura do mundo precede a leitura da palavra Então antes de eu conseguir ler determinada palavra ou colocar em palavras a minha relação com o mundo eu já estou lendo o mundo né mas a posterior leitura da pal né Depois do momento que eu aprendo a ler a palavra eu não posso mais prescindir da continuidade da Leitura daquele Ou seja a maneira de eu ler o mundo ela passa necessariamente pela
conhecimento adquirido da leitura da palavra né então é sempre uma concepção crítica de leitura né que implica perceber as relações entre o texto e o contexto né Eh e é o que denomina de lei leitura da palavra mundo palavra mundo escrito tudo junto né com contudo quando ele fala em mundo ele não tá se referindo ao mundo longe de nós e sim ao mundo imediato a realidade próxima o seu contexto de vida né então o o universo por exemplo dos dos adultos que ele alfabeti né e são esses esses textos que pertencem a esse universo
que ele usa para fazer o processo de alfab né ele mesmo falando sobre a sua própria alfabetização num texto chamado minha primeira professora ele diz minha alfabetização não me foi nada enfadonha porque partiu de palavras e frases ligadas à minha experiência escritas com gravetos no chão da terra do quintal existem muitas muitos relatos de alfabetização principalmente eh na zona rural que acontecem com eh suportes e instumentos de escrita nada tradicionais como por exemplo com gravetos há relatos no interior da Bahia no Sertão da Bahia de pessoas adultos já ou mesmo crianças que aprenderam a ler
eh e a escrever com carvão né no em troncos de árvore né então são formas de alfabetização que tem a ver com a experiência do indivíduo né E essas são formas muito mais ricas muito mais críticas né que marcam mais a o processo de aprendizagem né então ele diz numa num numa frase também bastante conhecida o seguinte a pesquisa do que chamava de universo vocabular nos dava sim as palavras do Povo grávidas de mundo elas nos vinham através da leitura do mundo que os grupos populares faziam depois voltavam a eles inseridas no que chamava e
chamo de codificações que são representações da realidade essa essa esse trecho que ele fala das palavras do povo que são palavras grávidas de mundo se junta com aquela aquele conceito da releitura ou seja o mundo já tá ali o mundo próximo imediato da realidade da experiência vivida do Oprimido já tá ali ele já tá sendo lido né mas entender Qual é essa leitura de mundo para saber quais são as palavras que estão ali para serem lidas para serem escritas para serem entendidas é o trabalho que deve ser feito pelo educador né então continuando lá no
verbete nesse sentido a palavra tijolo é exemplar como palavra geradora usada por freir na alfabetização de adultos trabalhadores na construção civil em Angicos no Rio Grande do Norte na década de 1960 como ele mesmo escreve né então ele usa ele pesquisa o universo vocabulário e usa uma palavra Então nesse caso a palavra tijolo né e o Paulo freira afirma sobre esse essa essa forma de alfabetização né Essa forma de fazer ler no fundo esse conjunto de representações de situações concretas possibilitava aos grupos populares uma leitura da Leitura anterior do mundo antes da leitura da palavra
né ele não gostava muito dessa expressão método Paulo Freire né ele não não costumava usar essa expressão mas ela eh a maneira do Paulo Freire alfabetizar né com certeza é uma concepção uma prática pedagógica que vincula a aprendizagem e o exercício da leitura da palavra a leitura do mundo né sem a dicotomia entre a leitura do texto e do contexto visando pronunciar o mundo e desvelar a realidade né então eu queria que vocês ficassem eh com a principal função social da da Leitura Mas também da escrita mas eu queria enfocar um pouco mais na leitura
por isso que eu selecionei esses verbetes para para comentar com vocês que eh essa leitura da palavra Mundo De acordo com o que eh escrevia Paulo Freire e aplicava no no processo de alfabetização é a leitura importante né que não é uma leitura eh não é uma leitura banal não é uma leitura sem razão de ser né mas é uma leitura informada uma leitura em que o o leitor escolhe o que ele tá lendo o que ele tá construindo o que ele tá relendo a partir do que ele observa no mundo então era isso que
eu queria mostrar para vocês espero que tenha ficado Tudo Claro e [Música] e é isso eu vou deixar os links aqui embaixo e aí vocês podem procurar mais informações muito obrigada [Música]