E [Música] aí pessoal vamos para mais uma contação de histórias [Música] Teleco o coelhinho Murilo Rubião e Odilon Moraes e o [Música] moço me dá um cigarro a voz era sumida quase um sussurro permaneci na mesma posição em que me encontrava frente ao mar absorvido com ridículas lembranças o importuno obediente insistia mo suor moço moço me dá um cigarro ainda com os olhos fixos na praia resmunguei vai embora moleque se não chama a polícia que está bem moço não se zangue e por favor saia da minha frente que eu também gosto de ver o mar
Oi Isa super-homem insolência de quem assim me tratava E virei disposto escorraça lo com pontapé fui desarmado entretanto Diante de Mim estavam com ele no Cinzento a minha interpelar delicadamente você não dá é porque não tem não é moço o seu jeito polido de dizer as coisas como vemos bem o cigarro e afastei-me para o lado a fim de que melhor ele visse oceano não fez nenhum gesto de agradecimento mas já está estão conversávamos como velhos amigos ou para ser mais exato somente o coelhinho falava contava-me acontecimentos extraordinários aventuras tamanhos que os sucos com mais
idade do que realmente aparentava e ao fim da tarde indaguei onde ele morava disse não tem morada certa a rua era o seu pouso habitual foi nesse momento que reparei nos seus olhos pau nos mansos e tristes deles me atender e convidei-o a residir comigo a casa era grande e morava sozinho ou acrescentei a explicação não convenceu exigiu me que revelasse minhas reais intenções por acaso o senhor gosta de carne de coelho não esperou pela resposta se gosta pode procurar outro porque a versatilidade é o meu fraco dizendo isso transformou-se em uma girafa a noite
prosseguiu serei cobra o pombo não me importará a companhia de alguém tão estável respondido que não e fomos morar juntos e chamava-se Teleco depois de uma convivência maior descobri que a mania de metamorfosear-se em outros bichos era nele Simples Desejo de agradar o próximo gostava de ser gentil com crianças e velhos divertindo com água e os malabarismos ou prestando eles ajuda o mesmo cavalo que pela manhã dela tava com a gurizada a tardinha inventa o caminhar conduzir Anciões ou Inválidos as suas casas não simpatizavam com alguns vizinhos entre eles o agiota e suas irmãs aos
quais costumavam aparecer sobre a pele de leão ou tigre assustava os mais para nos divertir que por maldade as vítimas assim não entendiam E se queixavam a polícia que perdi o tempo ouvindo as denúncias E jamais encontrarão em nossa residência vasculhada de cima a baixo outro animal além do coelhinho os investigadores irritavam se com os queixosos e ameaçavam prendê-los é apenas uma vez tive medo de que as travessuras do meu G quieto companheiro nos valessem sérias complicações estava recebendo uma das costumeiras visitas do Delegado quando Teleco movido por imprudente Malícia transformou-se repetidamente em um porco-do-mato
a mudança e o retorno ao primitivo estado foram bastante rápidos para que o homem tivesse tempo de gritar mal abrir a boca horrorizado novamente tinha diante de si um Pacífico coelhinho o senhor viu que eu vi responde forçando uma cara inocente que nada havia de anormal o homem olhou meio desconfiado avisou a barba e sem se despedir ir ganho ou a porta da rua Amin também pregava me peças se encontrava vazia a casa já sabia que ele andava escondido em algum canto dissimulado em algum pequeno animal ou mesmo no seu corpo sob a forma de
pulga fugindo me dos dedos correndo pelas minhas costas e quando começava para mim para sentar e pedir-lhe que parasse com a brincadeira não raro levava tremendo susto debaixo das minhas pernas cresciam Body que em disparada me transportava até o quintal eu me reconhecia prometi ali uma boa surra simulando arrependimento Teleco dirigia me palavras afetuosas e logo fazemos as pazes não mais era o amigo dócil que nos encantava com inesperadas mágicas amava as cores e muitas vezes surge atrás mudado em Av que as possui a todas e dispersa inteiramente desconhecida ou de raça já extinta não
existe pássaro assim sei mas seria insípido disfarçar-me somente em animais conhecidos [Música] é o primeiro atrito grave que tive com o Teleco ocorreu um ano após nos conhecemos eu regressava da casa da minha cunhada e me com quem discutirá asperamente sobre negócios de família vinha mal humorado e a cena que deparei ao abrir a porta da entrada gravou minha irritação de mãos dadas sentados no sofá da sala de visitas encontravam-se uma jovem mulher e um o Finn no canguru as roupas dele eram mal trabalhadas seus olhos se escondiam por trás de uns óculos de metal
ordinário o que deseja a senhora com esse horrendo animal perguntei aborrecido por ver minha casa invadida por estranhos eu sou o Teleco antecipou-se dando uma risadinha mirei com desprezo aquele bicho esquisito de pelos ralos ao denunciar subserviência torpeza nada nele me fazia lembrar o Travesso o coelhinho Oi como verdadeira a afirmação pois Teleco não sofria da vista e se quisesse apresentar-se vestido teria o Bom Gosto de escolher outros trajes que não aqueles ante a minha incredulidade transformou-se numa perereca saltou por cima dos móveis pulou no meu colo não sei a longe cheio de asco retomando
a forma de canguru inquiriu me com a extremamente grave basta esta prova basta e daí o que você quer de hoje em diante serei apenas homem homem ainda gay atônito não resiste ao ridículo da situação e dei uma gargalhada é isso apontei para a mulher é uma lagartixa um filhote de salamandra ela me olhou com raiva quis retrucar porém ele atalhou é Teresa eu venho morar conosco não é linda é sem dúvida linda durante a noite na qual me faltou o sono meus pensamentos giravam em torno dela e da cretinice de Teleco e afirmar-se o
mico levantei-me de madrugada e me dirigi a sala na expectativa de que os fatos do dia anterior não passassem de mais um dos gracejos do meu companheiro enganava me deitado ao lado da moça no tapete do Assoalho o canguru ressonava alto acordei uh puxando pelos braços vamos Teleco chega de trapaça abrir os olhos Assustado mas ao reconhecer sorriu Teleco meu nome é Barbosa Antônio Barbosa não é a Teresa ela que acabara de Despertar a sentiu movendo a cabeça explodir encolerizado são é Barbosa boa e não me ponha mais os pés Aqui filho de um rato
de serão minhas lágrimas pelo rosto e a joelho e na minha frente acariciava minhas pernas pedindo-me que não expulsasse de casa pelo menos enquanto procurava emprego embora encarasse com ceticismo a possibilidade de empregar se um canguru seu pranto me demoveu a decisão anterior ou para dizer a verdade toda foi persuadido pelo olhar Suplicy de Teresa que apreensiva acompanhava o nosso diálogo o Barbosa tinha hábitos horríveis amiúde cuspir no chão e raramente tomava banho não obstante a Extrema vaidade que impedirá ficar horas e horas diante do espelho utilizava-se do meu aparelho de barbear da minha escova
de dentes e pouco serviu comprar esses objetos pois continuou a usar os meus e os deles se me queixava do abuso desculpava se alegando distração também a sua figura tosca me repugnava a pele era gordurosa os membros curtos a uma dissimulada não medir esforços para me agradar contando uma anedota sem graça exagerando nos elogios a minha pessoa por outro lado custava a tolerar suas mentiras as refeições à sua maneira ruidoso de comer enchendo a boca de comida com auxílio das mãos talvez por ter me abandonado aos Encantos de tereso o para não desagradar lá o
certo é que aceitava sem protesto a presença incômoda de Barbosa e se afirmava ser tolice de Teleco queremos impor sua falsa a condição humana ela me respondia com uma convicção desconcertante ele se chama Barbosa e é um homem e o canguru percebeu o meu interesse pela sua companheira e confundindo a minha tolerância como possível fraqueza tornou-se atrevidos zombava de mim quando recriminava por vestir minhas roupas fumar dos meus cigarros ou subtrair dinheiro do meu bolso em diversas ocasiões apelei para a sua frouxa sensibilidade é pedindo-lhe que voltasse a ser Coelho voltar a ser Coelho nunca
fui bicho nem sei de quem você fala só no de um coelhinho Cinzento e meio que costumava se transformar em outros animais nesse meio tempo meu amor por Teresa oscilava por entre pensamentos sombrios e tinha pouca esperança de ser correspondido mesmo Na incerteza decide propor e casamento fria Sem Rodeios ela encerrou o assunto a sua proposta é menos generosa do que você imagina e ele vale muito mais as palavras usadas para recusar me convenceram de que ela pensava explorar de modo suspeito as habilidades de Teleco frustrada a tentativa do noivado não podia vê-los juntos de
íntimos sem assumir uma atitude agressiva o canguru notou a mudança no meu comportamento e evitava os lugares onde me pudesse encontrar [Música] em uma tarde voltando do trabalho minha atenção foi alertada pelo som ensurdecedor da eletrola ligada com todo o volume logo ao abrir a porta sentir o sangue fluir minha cabeça Teresa e Barbosa os rostos colados dançavam samba indecente indignado se aparelhos agarre o canguru pela gola e sacudindo com violência a ponteiro espelho da sala é um não é um animal não sou um homem isso no sába esperando transido de medo pela Fúria que
via nos meus olhos e a Teresa que acudir ouvindo seus gritos pedia não sou um homem querida fala com ele sim amor você é um homem por mais absurdo que me parecesse havia uma trágica sinceridade na voz deles eu me decidir porém joguei Barbosa ao chão eles morrerem a boca em seguida em rodeios ainda na rua muito excitada ela me advertiu parede Barbosa um homem importante seu porcaria e foi a última vez que os vi tive mais tarde vagas notícias de um mágico chamado babosa fazer sucesso na cidade a falta de maiores esclarecimentos acreditei ser
mera coincidência de nomes a minha paixão por Teresa se formaram no tempo e voltava meu interesse pelos selos as horas disponíveis eu já as ocupava com a coleção estava uma noite precisamente colando exemplares raros recebidos na véspera quando saltou janela dentro um cachorro refeito do susto fiz menção de correr o animal toda via não cheguei a enxota Lu eu sou Teleco Seu amigo afirmou com uma voz excessivamente trêmula e triste transformando-se em uma cutia e ela perguntei com simulada displicência Teresa sempre concluísse a frase adquiriu as formas de pavão havia muitas cores o circo ela
estava linda foi horrível prosseguir o seu calhando os guizos de uma cascavel seguiu-se breve silêncio antes que voltasse a falar uniforme muito branco 5 cordas amanhã serei um homem as palavras saíram deprimidas sem nexo à medida que Teleco se metamorfoseado em outros animais por um momento ficou a tossir uma tosse nervosa fraca a princípio ela voltava com as mutações dele em bichos maiores enquanto eu explicava aqui esse aqui e tá se contudo ele não conseguia controlar-se é debalde tentava exprimir-se os períodos saltavam curtos e confusos pare com isso e Fairy mais calma insistir eu um
paciente com as suas contínuas transformações não posso tá tão odiava sobre a pele de um lagarto há alguns dias transcorridos perdurável mesmo caos pelos cantos a tremer Teleco se lamuriar vá transformando-se seguidamente em animais os mais variados e gaguejava muito e não podia alimentar-se pois a boca crescendo diminuindo conforme o bicho que encarnava na hora nem sempre combinava com o tamanho do alimento dos seus olhos então escorriam lágrimas que pequenas nos olhos Miúdos de um rato ficavam enormes na face de um hipopótamo ante a minha impotência em diminuir o sofrimento abraçava minha ele chorando o
seu corpo porém crescia nos meus braços atirando me de encontro a parede não mais falava fugia trouxe tava surrava guinchava pra me apressava e por fim já menos em tranquilo limitava as suas transformações a pequenos animais até que se fixou na forma de um carneirinho abale tristemente coelhinho nas mãos e sentir que seu corpo ardia em febre transpirava na última noite apenas estremecia de leve e aos poucos se aquietou cansado pela longa vigília cerrei os olhos e adormeci Ao acordar percebi que uma coisa se transformaram nos meus braços no meu colo estava uma criança encardida
sem dentes morta e [Música] E aí e [Música] se você curtiu inscreva-se compartilho a