Quando é que a indignação da população passa a se tornar justa a ponto de legitimar que ela mesma Se defenda em vez de esperar pela polícia defendê-lo essa pergunta surge no contexto de uma polêmica recém criada né recém instituída recém-nascida que aconteceu no bairro de Copacabana no Rio de Janeiro eu quero falar sobre essa polêmica Eu quero fazer uma reflexão tanto quanto diferente da dos especialistas e uma reflexão diferentes na que eu fiz inclusive nesse vídeo aqui quando eu falava sobre a diferença entre justiça e Vingança quero falar sobre justa indignação aqui nesse vídeo quando
é que a indignação pode ser considerada justa meu nome é Vítor Lima Eu sou seu professor de Filosofia de hoje de sempre isto aqui não é [Música] filosofia eu quero te mostrar duas notícias aqui uma no YouTube outra no no próprio site da do veículo de Notícias eh para que a gente reflita sobre essa essa essa situação toda tá primeiro eu vou te mostrar uma notícia da CNN no próprio site da CNN depois eu quero mostrar no Wall E no YouTube do Wall então na CNN aparece essa notícia aqui ó tem que ser com pau
entre aspas moradores de Copacabana criam grupos para caçar ladrões ação de Justiceiros em resposta aos episódios de violência é desaconselhada por especialistas tá vamos focar nesse aqui dos especialistas mas eu vou fazer algo diferente aqui nesse vídeo a iniciativa ocorreu após a repercussão do assalto e da agressão sofrida pelo comerciante Marcelo Rubim benchimol de 67 anos no último sábado o idoso tava caminho da academia na Avenida Nossa Senhora de Copacabana altura da Rua Dias da Rocha quando percebeu que uma mulher estava sendo assaltada por um bando e aqui o que tá em cima é a
convocação dos moradores e tal para fazer o grupo de justiçamento os comentários desse vídeo aqui eu também quero destacar o vídeo é um vídeo curto que noticia também moradores de Copacabana prometem fazer justiça com as próprias mãos mas olha os comentários o mais curtido É esse aqui pais sem leis sem vergonhas ladrões policiais corruptos temos que fazer justiça nós mesmos né ou seja estado de anomia que a gente chama né estado um estado em que a lei não consegue a lei e as instituições do estado não conseguem manter a ordem e portanto a percepção de
desordem é tal que leva as pessoas a sentirem legitimadas a se defenderem por conta própria segundo comentário tem que Expor os juízes que soltam bandidos o povo precisa conhecer terceiro comentário Parabéns aos Justiceiros vamos devolver a paz à nossa cidade maravilhosa e o quarto aqui né Parabéns aos moradores né Eh E por aí vai E por aí vai o povo tem que se unir e ir para cima de bandidos porque a lei para atag de bandidos então nota se você for aqui para baixo o teor Dos comentários é só isso é só isso em vez
de ir atrás de Justiceiros tem que ir atrás de bandido sem bandido não tem Justiceiro nota eu tô pegando como amostra aqui Claro completamente enviesado não tem nada de científico essa mostra né a mostra de um vídeo né e tal mas eu confesso que tem alguma coisa aqui que fala no íntimo de cada um de nós que leva a seguinte conclusão não tem como a percepção de indignação da população apoiando os Justiceiros ser ignorada e ser só simplesmente tratada como mais um crime a frase um crime não justifica o outro é Essa frase me lembra
uma história pessoal que eu tenho convicção que você em alguma medida já passou senão igualzinha parecida se não testemunhou quando eu era criança eu tava na sexta série tava lá em Manaus ainda estudando num Colégio chamado Instituto Batista ida Nelson o famoso ida Nelson sexta série 11 anos por volta de 11 anos e eu tava ali assistindo a aula de matemática a professora tava explicando e tal Eu lembro que ela tava com braço quebrado tava explicando só com uma mão tava não na frente propriamente mas perto do da da primeira fileira né do Meio para
pra primeira fileira ali e um cara lá atrás começa a tacar bolinha de papel na minha cabeça tacou a primeira eu olhei para trás e não vi quem era né Falei puts Oli de papel eh Eu não conhecia não era amigo dele né era novato no colégio tinha recém chegado no colégio tinha acabado de sair do meu bairro estudi uma vida inteira no meu bairro para para estar no colégio longe segura bolinha de papel ele Taca e eu consigo virar a tempo e ver quem foi que tacou e ele ri na minha cara assim com
aquela cara de deboch eu falei ô cara qual é para aí pô para aí prenção na aula aqui eh voltei ele tá com a terceira falou professora tacando bolinha de papel aqui ó aí ela para para com isso né Para com isso Fulano para com isso voltei Quarta bolha de papel ele tacou de novo Olhei pro professor ela olhou para mim olhou para ele fez aquela cara assim aí eu caramba professora não vai fazer nada continuei na minha quinta bolinha de papel eu olhei para trás olhei pra professora puto da vida levantei peguei a bolinha
de papel fui até a cadeira do moleque e tentei esfregar a bolinha de papel na cara dele assim e a professora veio de lá e tentou separar a gente né e o braço dela quebrado e tal conseguiu e levou a gente pra coordenação e aí na coordenação e a diretora o coordenador daquela daquele setor ali né falou a seguinte frase que eu nunca me esqueci nunca me esqueci perguntando por que a gente tinha feito aquilo né e tal e eu falei olha eu só tava retribuindo uma uma injusta agressão depois de muito reclamar e depois
da professora saber o que tava acontecendo Eu eu tava indignado né claro que não falei com essas palavras porque meu vocabulário devia ser muito mais pobre naquela época mas Mas essa é a ideia e a coordenadora ou barra diretora falou assim Quando um não quer dois não brigam Quando um não quer dois não brigam e aquilo me deixou tão puto mas tão puto mas tão indignado porque eu era uma criança não podia fazer nada né criança barra pré-adolescente ali eh e ela deu advertência para nós dois aí você pode dizer assim mas Vítor você errou
também Você foi lá e bateu no moleque eu falo para você beleza eu errei mas eu errei em que contexto hein em que contexto que eu errei eu errei num contexto assim que eu resolvi do nada bater num num outro ser humano porque eu queria vê-lo sofrer foi isso Eu queria ver qual é não eu bati num outro ser humano porque eu tinha esgotado todas as outras instâncias de recursos digamos assim né Falei pra professora deixei ele me agredir mais de uma vez mais de três vezes né mais de três vezes e só na quinta
eu resolvi reagir e quando eu reajo eu sou tratado como igual a ele igual ora mas tem alguma coisa profundamente injusta acontecendo aí ou não Ou eu tô errado profundamente injusta se eu sou tratado n na mesma proporção dele ora então a realidade inteira ignorada em prol de um legalismo formal né que só acontece no mundo abstrato percebe que que essa história de Infância tem a ver olha veja guardadas as devidas proporções é exatamente o que tá acontecendo é certo do ponto de vista jurídico e até ético o que os V fazem não não a
lei não permite e refletindo eticamente não há justificativa Ah para aquilo no sentido de dizer que aquilo é certo percebe eh no sentido assim olha aquilo ali é justificado em prol de da da da ética das virtudes do Aristóteles da ética deontológica do Kant da ética consequencialista do do né do st 1 e tal tudo bem você pode argumentar por aí dizer que aquilo ali é ruim mesmo eh não dá para você dizer que agredir outro ser humano é justificado agora veja Isso é uma possibilidade de raciocínio tá correta outra possibilidade que Jamais devemos né
nos esquecer quando lidamos com assuntos complexos socialmente falando é a percepção da população quando ela sofre primeiro injustiça e quando as instâncias as quais ela recorre né não resolvem a situação e a situação de injustiça permanece essa ideia de que você jamais pode confundir a reação de quem tá sofrendo né com a agressão de quem faz sofrer ela é tão intuitiva tão intuitiva que ela tá na base da nossa percepção moral você não pode confundir a reação de quem tá sofrendo com a agressão de quem faz sofrer percebe é claro que fazer sofrer e tal
é uma relação e portanto tem idas tem vem de lá e vem de Cá tudo bem É isso mesmo né não é não é bem contra o mal né não é luz contra as trevas Não não é disso que se trata Não tô falando disso não é moralismo que tá sendo discutido aqui tá sendo discutido aqui é a percepção mais profunda do nosso senso de justiça ou seja o nosso senso de justiça ele nunca se dá em abstrato isso É contra lei isso é antiético o nosso senso de justiça sempre se dá contextualizado entende nesse
sentido não dá para tratar do mesmo modo né tirando a reflexão jurídico ética não dá para tratar do mesmo do mesmo modo as pessoas que estão se reunindo para né Para dar conta da violência do bairro e as pessoas que estão praticando a violência do bairro não dá para tratar do mesmo modo percebe me parece um erro de comunicação fundo das instituições profundo todos os vídeos divulgados sobre o assunto são pessoas condenando Justiceiros é um erro de comunicação no final das contas se o objetivo é fazer com que as pessoas entendam que a melhor solução
não é o justiçamento e não é mesmo a longo prazo não é óbvio que não é justiçamento leva a um ciclo de Vingança infinito já refleti sobre isso no vídeo que eu apontei para vocês se isso é verdade e o nosso objetivo é acabar com esse ciclo de Vingança infinito acho que o primeiro passo em termos de comunicação pública é reconhecer a justa indignação de alguém que num contexto em que a injustiça né é constante as instâncias de apelação não funcionam a indignação é justa tô dizendo que o ato de se vingar é justo entenda
bem tô dizendo que a indignação é justa Mas é claro que é justa entende Você não pode tratar como igual alguém que tá evid dando um dano sofrido né em relação a quem causou o dano orha é claro isso mas é claro mas parece que não tá sendo Claro parece que as autoridades estão tratando o assunto como se da distância de uma de uma de umas pretensa a especialidade no assunto olha os especialistas dizem que não é essa questão não é essa questão entende eh é óbvio que é errado do ponto de vista de jurídico
não tem nenhuma novidade nisso A questão é não dá para tratar do mesmo modo a justa indignação de quem sofre né com a agressão de Quem comete um ato violento que o primeiro passo é acolher essa justa indignação para a partir daí encaminhar a situação percebe a partir daí encaminhar a situação do contrário a gente só coloca mais fogo né mais lenha nesse fogo melhor dizendo fazendo ele ficar maior do que já é e causar mais indignação ainda ainda olha essa minha contribuição aqui a essa a essa celeuma que tá acontecendo repetindo em resumo do
ponto de vista da reflexão abstrata A Vingança não é a melhor solução porque Vingança não leva ao fim da violência leva a perpetuação da violência OK agora A análise não é sobre o papel filosófico social da vingança Eu quero fazer uma análise sobre o papel da indignação essa sim percebe essa sim tem que ser acolhida porque ela conversa com o que tem de mais íntimo do nosso senso de justiça que não deve ser jamais abdicado sob pena da gente não né ser justo o senso de justiça é o que tá na base do ato de
Justiça o modo como ele tá sendo manifestado não é o melhor possível mesmo mas ele isso tem que ser analisado à luz do contexto não a luz de uma abstração por is simples certo me diz aqui embaixo o que que você acha se você discorda se você concorda e passa à frente esse vídeo para quem você acha que vai aproveitar alguma coisa daqui certo nos vemos na próxima