Olá, turma. Estamos com uma aula especial hoje aqui, com uma pessoa especialíssima da no tema e uma pessoa especial para mim, a Marcela que é paulista, assim como eu, e veio pro Ceará, veio paraa Fortaleza e me fez o convite para dar aula também aqui. Então, quando eu tive a experiência de dar trabalhar na UFC, foi a convite.
Ela só foi a culpada para ter mudança pro Ceará e agora estou 10 anos aqui. Ela deve est a 11, quase 12 aí. 11 >> 11 anos.
Para quem não conhece, eu já mandei currículo da professora Marcela, mas ela é graduada, ela fez mestrado, doutorado na UNESP de Rio Claro, era docente no programa de graduação e no programa de pós-graduação da da UFC, Universidade Federal do Ceará. Ela é membro diretora da Sociedade Brasileira de Comportamento Motor desde 2018 e tem uma vasta experiência na área de aprendizagem motora, coordenação, controle motor, desenvolvimento motor e seus transtornos. E além de ser uma grande amiga, ela é uma pessoa eh especialista nessa área e a gente tendo eh muito interesse na área de ah intervenção, produção de conhecimento na área de autismo, na confluência com o transtorno do desenvolvimento da coordenação, que é chamado aqui então de TDC, eh eu convidei ela pra gente debater um pouquinho e ela preparou uma apresentação desde para aquelas pessoas, né?
vai falar mais sobre isso. Pessoas que não conhecem sobre o TDC, embora a gente já tenha tido algumas aulas sobre isso, e como é que isso impacta, quem avalia na área. Então, Marcela, fique à vontade.
Muito obrigado pelo convite mais uma vez e se você achar que a gente vai eh debatendo, você vai dando espaço para isso, senão a gente vai tocar a apresentação e discute no final. >> Tranquilo? Tá bom.
Agradeço aí então ao Paulo pelo convite para estar aqui com vocês, a todos vocês também presentes. Eh, agradeço a apresentação, né, que falou aí toda meu currículo. Eh, então já já dispenso essa essa parte, mas queria só reforçar que tô bastante animada por estar aqui com vocês, né, falar sobre essa temática.
Eh, como eu disse pro Paulo um pouquinho antes de vocês entrarem, que é uma área de grande interesse, né, da minha atuação profissional, mas e a gente tá sempre aprendendo, né? Então, preparar essa apresentação para vocês também foi eh desafiador, né? Como eu disse, para ele não tem todas as respostas, mas foi importante fazer essas reflexões pra gente tentar pensar nos caminhos a para atuar, né, nessa junto a essa temática aí dos dois transtornos.
E e é isso. Que vocês também quiserem, né, durante a apresentação falar alguma coisa, não tem problema. A gente não precisa ficar só no expositivo aqui.
A gente pode ir eh debatendo junto, tá? E como ele disse também, vou vou tentar trazer alguns aspectos mais centrais, né, e depois essas essas reflexões que não sabia ao certo qual é o nível, né, de conhecimento sobre essa condição específica que é o TDC, tá certo? Então, eh, começou, né, essa essa preparação dessa dessa fala a partir do do Paulo, que me questionou, né, sobre essa questão do TDC junto ao um como se fosse um diagnóstico conjunto, né, ou duplo da do indivíduo com T.
E aí, então, eu vou falar um pouquinho, né, da minha da do meu conhecimento a respeito disso, tá certo? Eh, vamos lá. Eu sou professora, como ele falou, da área de comportamento motor, né?
E dentro dessa dessa área de estudo, não só ensino, né, mas também atuo com os projetos de extensão e também pesquisa. E basicamente todas essas ações elas têm buscado, né, compreender essa relação entre um comportamento motor que é considerado típico, ou seja, dentro do que é esperado pro desenvolvimento eh comum, né, da nossa espécie, da nossa espécie humana, se é que existe algum comportamento comum, né, pra gente, eh, mas entender basicamente quais são esses fatores que influenciam o o que é esperado, né? o que o que é determinado como prescritivo pro desenvolvimento motor humano, basicamente do desenvolvimento motor humano.
E a partir daí, né, a gente tem alguma referência do que não tá dentro desse esperado, ou seja, que tá fora, né, o que pode ser chamado de atípico. Eu sei que essa terminologia não é muito aceita, né, em vários contextos, inclusive áreas de estudo, mas eu gosto de trazer pra gente refletir também, né, dentro desse desse âmbito do que tá sendo esperado acontecer mediante, né, as aos fatores que influenciam esse processo de desenvolvimento do do desenvolvimento motor e quais são os fatores que implicam ou que faltam, né, ou que de alguma maneira não são suficientes para gerar esse comportamento. esperado, tá?
Então, é nessa linha, né, que eu atuo basicamente. É, e aí entendendo esse comportamento motor, né, entendendo, não, buscando entender esse comportamento motor atípico, basicamente a explicação nas teorias é que se são os fatores genéticos, né, biológicos, inatos, eh, em relação combinados aí, né, com os fatores ambientais ou externos ou os estímulos, né, que vem do ambiente. é dessa relação entre esses dois fatores que a gente explica o desenvolvimento motor típico.
Então também é dessa relação, né, que vem o atípico, ou seja, eh o que falta ou o que eh caracteriza desses dentro desses aspectos das questões tanto inatas quanto externas, né, tanto mais biológicas quanto ambientais que vão eh favorecer esses déficites, atrasos, problemas, né, dificuldades motoras. sempre, lógico, né? Aí olhando pelo âmbito motor, entendendo também que não é só esse âmbito que é acometido, mas é através dele que a gente olha, tá?
Só só para ficar claro sobre isso, nossa preocupação é sempre o desenvolvimento pleno do indivíduo, mas o nosso olhar é através do desenvolvimento motor, eh, do comportamento motor. Então, as teorias elas dão esse suporte também, né, tanto para explicar o que tá dentro quanto o que não tá muito ali alinhado dentro dessa expectativa. E a partir daí que as pesquisas também com os transtornos desenvolvimentais especificamente, né, vem contribuir muito pro crescimento da área de comportamento motor.
Então, na década de 90, né, ali finalzinho na década de 90, anos 2000, e começou a avançar mais o estudo sobre essas características, né, por que algumas crianças, mesmo sendo estimuladas, né, m mesmo vivenciando várias práticas, mesmo tendo condições tanto eh físicas quanto maturacionais, quanto ambientais, porque que elas não apresentavam comportamento esperar, né? E aí o diagnóstico, o avanço também do conhecimento sobre condições específicas eh de saúde, né? Condições condições de maneira geral, não necessariamente saúde, né?
Mas como isso eh ajudou nessa competição e alavancou essa área também, né, de estudo. Então, muito conhecimento tem sido produzido científico, né, e até mesmo difundido paraa comunidade, pra sociedade de maneira geral. Mas ainda há algumas lacunas, né?
Porque parece que a nossa sociedade tá sempre querendo buscar justamente as respostas. Por que que causa isso, né? Por que que é assim?
Por que que é assado o diagnóstico? Eu preciso de um diagnóstico, eu preciso dar um nome para isso, eu preciso dar um rótulo para isso, né? Muito mais do que como ajudar, né?
Ou como viver com essa condição, né? E tá tudo certo. Então é um pouco nesse sentido essa primeira reflexão, né?
e para falar também do meu, qual é o meu olhar para essas questões, tá? Para vocês entenderem também o meu, a as a o meu olhar basicamente, né? é o óculos que eu uso para tratar dessas questões.
E aí também lembrando, né, que todo transtorno ele tá ligado a a impactos no indivíduo, né, na sua totalidade em diversos âmbitos, por mais que ele tenha uma natureza de um elemento específico, por exemplo, né, uma condição motora específica, né, ou transtorno específico do desenvolvimento motor, mas ele vai acometer o indivíduo como um todo. Então não tem como, né, a gente eh olhar assim só para esses quadradinhos, né, e falar assim, ó, vamos trabalhar só aqui, porque aqui que tá a natureza do problema. Então, a gente trabalha aqui e aqui se resolve, não porque qualquer impacto, né, todos esses elementos, eles interagem entre si.
Então, se um elemento muda ou não se desenvolve ou acontece de determinada forma, isso vai gerar um impacto no todo, né? Eu trouxe até um exemplo aqui para mostrar para vocês que é muito comum quando, por exemplo, uma pessoa, uma criança especificamente, né, nesse exemplo que eu trouxe, ela tem um comportamento motor atípico que pode ser caracterizado por um atraso, tá? um atraso em relação a seus pares.
Ele apresenta um comportamento, né, que se parece que ele é mais novo do que ele realmente é. Isso vai gerar várias consequências, né? Não só em relação ao âmbito das habilidades motoras em si, em conseguir ou não conseguir fazer determinadas coisas.
Mas a gente tem conhece vários relatos. Por exemplo, se uma pessoa tem esses atrasos, né, no comportamento motor, no desenvolvimento das habilidades motoras, é muito provável que isso vai impactar na forma como ele se desenvolve academicamente, né, com um porque ele tá inserido num contexto social também que não tem como ele não se comparar ou não compararem ele com outras pessoas que estão sendo estimuladas, né? Então, as suas atividades acadêmicórias, isso gera uma cobrança além, né, ou a mais do que normalmente as crianças já recebem, uma crença de que ele é ou desligado, né, ou que ele não tem interesse, ou que ele é preguiçoso porque ele não apresenta essas atividades acadêmicas satisfatórias.
Como consequência disso, né, dessa cobrança ou desses rótulos que é colocados, pode vir a ter uma baixa autoestima, né? acompanhado aí do baixo rendimento, ele vai querer se is vai querer não, mas acaba se isolando cada vez mais, né? Ou não se sujeitando a praticar, porque ele não consegue mesmo, né?
Não. E e por ele não conseguir, ele é tido como eh preguiçoso ou não tá se esforçando e assim por diante, o que vai gerar prejuízos sociais, escolares e aí, né, vai receber menos estímulos, então vai virando aquela bola de neve. Então, por mais que a natureza do problema, né, ou do transtorno ou da dificuldade possa ser motor, as consequências elas são no todo, né?
E identificaronde isso tá eh impactando, né, acho que é o principal é a principal questão pra gente parar. a gente, eu falo, né, o profissional preocupado com a intervenção, que vai gerar essa intervenção no sentido de parar essa bola de neve, né, e favorecer todos os âmbitos aí, não só a parte motor especificamente, tá? Então, eh, é nesse sentido que a gente enxerga essas questões, né, do desenvolvimento de maneira geral.
E aí o âmbito motor é um deles que vai impactar nessas questões. E por isso também, né, por conta dessas consequências, dessa interação entre os fatores, é que é tão difícil identificar também esse desenvolvimento atípico, né? Porque as consequências são várias ou eh muitos chamam aí de sintomas, né, ou comportamentos são vários, são diversos em diferentes âmbitos, né, em diferentes níveis.
Então, eh, a avaliação desse comportamento, ele pode ser nessas diferentes âmbitos também, né, no físico, motor, social, eh, cognitivo e assim por diante, porque de fato o acometimento aí dessa condição, ela vai gerar um impacto, né, em várias em várias situações, em vários dos outros anos. Então esse já é o primeiro desafio do do profissional, né, que trabalha com intervenção, porque é identificar qual é esse comportamento que está fora, né, do que é esperado, não só no âmbito motor, mas no social, acadêmico, né, no no afetivo, cognitivo, aí pode ser qualquer um. Eh, e para que a intervenção ela possa vir a trabalhar nesses em cada um deles, né, não só através do automotor.
E aí, então, nesse cenário, eh, três transtornos, mais especificamente, né, tem chamado atenção e ganhado também essa, esse espaço na pesquisa, principalmente na área do comportamento motor, eh, que são transtornos, né, mais evidentes aí na na infância e que tem esse impacto na no desenvolvimento total do indivíduo, né, e não só isolado, né, nas casinhas aí, como eu coloquei, eh, que é o transtorno do Ô, perdão, pessoal, passei sem querer o transtorno do desenvolvimento da coordenação, transtorno do espectro autista e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, tá? Então, inclusive, né, há relações entre eles, né? vocês já devem saber disso também, mas como o transtorno do desenvolvimento da coordenação, a gente já tem dado sobre isso, que ele é um dos menos conhecidos, tanto por profissionais da educação quanto por profissionais da saúde, né, que atuam com o público infantil, eh, o nosso foco, né, tem sido falar um pouco mais e a e a minha fala aqui hoje vai ser direcionar um pouco mais para isso, tá, pessoal?
Alguém tem alguma pergunta até aqui? Posso seguir? Tá tudo OK?
>> Por mim tá ótimo. Alguém que eu gostaria de perguntar? >> Eu tô vendo só o Paulo por enquanto, mas não sei se tem mais gente, mas se tiver tudo OK aqui também, sem dúvidas.
>> Tá certo? >> Estamos em 10 contando eu e você. >> OK.
Beleza. Eh, então vamos lá, pessoal. Vocês já ouviram falar do TDC, do transtorno do desenvolvimento da coordenação.
Alguém aqui não nunca ouviu falar? Pode falar, não tem problema. Todos ouvi falar, >> Marco.
Pois não, Marcos. >> Eu nunca ouvi falar. >> Nunca ouvi falar, né, Marcos?
Mais alguém? >> Não, também não. >> Pedro também não.
OK, bacana. Obrigada aí pela pelas respostas. Bom, pessoal, eh, então, como eu disse, né, não é tão conhecido assim, apesar desse avanço que a gente tem na pesquisa, na área do comportamento motor, especificamente, e não tem sido ainda tão difundida, né, paraa atuação profissional.
Eh, mas vamos lá. O transtorno do desenvolvimento da coordenação é um transtorno neurodesenvolvimental, ou seja, ele ele vai acontecer na infância, basicamente, né, nas primeiras interações mais sociais da criança, é que essas eh essa condição vai ficar um pouco mais evidente, porque basicamente ele reflete, né, a dificuldade que a criança vai ter em realizar tarefas simples, tá? tarefas comuns do dia a dia.
Então, não, não é dificuldade em jogar futebol ou dificuldade em jogar videogame ou dificuldade de pular amarelinha, isso vai ter também, mas é é um pouco atrás, né? Um passinho atrás. As dificuldades elas vão estar mais presentes naquelas tarefas mais básicas do dia a dia, como por exemplo, se vestir, usar os talheres, né?
escovar os dentes, as atividades relacionadas aos seus cuidados básicos, eh amarrar os sapatos, segurar objetos pequenos, escrever, desenhar, né? Coisas assim comuns também que a gente vai aprendendo, desenvolvendo na infância e que passa, né, por um padrão mais inicial, vai melhorando, vai evoluindo conforme a gente vai vivenciando isso e vai amadurecendo também. Mas essas crianças elas têm grandes dificuldades nisso, mesmo com o avanço da idade, mesmo vivenciando essas tarefas todos os dias, né, elas apresentam essas dificuldades.
Então esse é o primeiro ponto, né? Além disso, esse transtorno ele reflete um desempenho motor abaixo do esperado pra idade daquela criança. Então, comparado com com crianças da mesma idade, né, ele tá sempre inferior.
Então, não quer dizer que ele também não melhora, ele melhora, mas quando comparados com idade, com crianças da mesma idade, ele sempre tem um desempenho inferior, tá? Eh, e esse desempenho abaixo do esperado, né, ou inferior, quando comparado comidade, ele não tá associado a nenhuma questão neurológica, né? Então, só por esse ponto, a gente já tem algumas, né, indicações claras aí das diferenças, né, de de transtornos, mas eh não tem nenhuma condição de saúde associada, né, não pode ter nenhum, enfim, por exemplo, né, crianças que têm alguma dificuldade de na visão, né, logo cedo, algum problema de visão e e que é comum quando não é identificado muito cedo esse problema, elas aparecem um pouco desajeitadas, né, elas não se coordenam muito bem, não consegue realizar algumas tarefas, mas isso é por causa do problema da visão, né?
Então o TDC não tem nada, não tem nenhuma relação com nenhuma condição médica de saúde dessa criança, tá? Ô >> Marcela, me permite interrompê-la e entrar na discussão até pelo termo, né, transtorno, né? Eh, o próprio nome transtorno, ele não tem clareza exata do que do que eh leva essa condição e nem um tratamento eh padrão, né, para tudo, né, o que seria diagnosticado como uma deficiência ou uma doença, que aí sim a gente tem procedimentos padrões, né, para essas condições.
Então, ah, o transtorno ele não pode ser adivindo de uma doença e nem deficiência, né? É isso que tá tá me trazendo, né? >> Exatamente.
Como os outros também, né? Então, o transtorno isso também acho que tá bem claro para todo mundo, né? o que é o transtorno, um transtorno.
E como todo transtorno também vai ter um impacto, né, de maneira geral no do desenvolvimento como um todo, né, na como eu disse, não só no âmbito motor, no caso aqui, ah, ele só não faz essas atividades, não. Isso gera consequências na vida da criança, principalmente na consequências psicossociais, né? Ou relato e dados já são bem robustos na literatura, que essas crianças têm baixa autoestima, né?
Apresentam altos níveis de estresse quando tão são colocados, por exemplo, numa situação comum, que é estar na aula de educação física, né? Então isso são impactos reais, perdão, consequências reais, né, do da dificuldade motora que elas apresentam, tá? Eh, e o diagnóstico, então o diagnóstico, segundo o manual, diagnóstico estatístico de transtornos mentais, ele precisa atender a quatro critérios.
Então, o primeiro, o desempenho motor, ele tem que tá ser abaixo do que é esperado, né, como eu disse, considerando a idade cronológica. Eh, então isso vai refletir na forma como eles se realizam tarefas motoras, eles vão se apresentar desajeitados, né? não vão ter muito sucesso naquilo que eles fazem ou são mais lentos, mais imprecisos, apresentam muitos erros, eles não têm um padrão, né, de execução assim no sentido de consistência, por mesmo que eles errem muito, né, mas a gente erra também, né, mas a gente tem um padrão até do erro, eles não, né, eles ora fazem de um jeito, hora fazem do outro, não tem uma certa consistência de como executar a ação.
É, e aí esse critério ele é atendido com testes padronizados também, né? Testes motores, avaliações motoras. E esses testes, quem pode aplicar, né, são profissionais movimento.
O profissional de educação física ou fisioterapia ou da fisioterapia terapeuta ocupacional, normalmente tem essa condição de aplicar esses testes e eh atender a esse critério de do diagnóstico. Eh, o segundo ponto é que esses déficits motores, né, eles devem interferir negativamente ou significativamente na vida diária dessa criança. Então a gente precisa também ter essa informação, né?
Não basta só a criança apresentar um desempenho abaixo ou ser desajeitada, descoordenada, mas a mãe relata que não. Lá na casa dela ela faz tudo bem, ela ela tem autonomia, ela, né, interage bem, ela se resolve. Então, então não é o caso também, tá?
Então, para ser o TDC tem que atender esse critério, tem que ter um prejuízo significativo aí na vida ou social ou escolar, né, ou das atividades de vida diária dessa criança. Então, a gente tem também ferramentas para fazer essa avaliação, né? Hoje existem checklists que tanto os pais quanto os professores podem responder, né, e indicar se naqueles contextos da escola ou da casa, contexto familiar, essa essa condição ela aparece, né, ela e isso reflete lá nas interações que a criança tem naquele ambiente.
O terceiro, os sintomas não são observados nos primeiros anos de vida, então também precisa daí, né, de uma participação eh dos pais, né, dos cuidadores dessa criança para para apontar eh o que ou relatar, né, o que é observado quando comparado com seus irmãos ou com primos, né, o que eles mesmos notam eh de diferente, né, que que eles nas primeiras interações ali, nas primeiras habilidades básicas que vão surgir surgindo e também do registro, né, do profissional, por exemplo, profissional da saúde, um médico que faz o acompanhamento da poericultura, que faz esse acompanhamento dos marques do desenvolvimento da criança, né, logo nos primeiros meses. Então, esses relatos e esse esse registro serve pra gente identificar isso também ou atender esse critério. E o último, né, os sintomas não são melhor explicados por nenhuma outra condição de saúde, que eu já tinha comentado também, né?
Então não tem que descartar uma deficiência intelectual, visual e condições neurológicas que podem afetar o movimento. E aí só o o profissional médico, né, também pediatra, neurologista, faz normalmente essa avaliação, tá? Nós não temos, eu sou professora de educação física, né?
Não tenho habilidade para esse, para descartar esse, esse ponto, tá? >> Marcela? Marcelo, só pra gente finalizar, antes de passar esse slide, você me permite de novo.
>> É, >> e aí que tá o ponto, né? Se a gente descarta para para até o diagnóstico do TDC descartar outra outro fator que desencadeia, aí que tá a questão de você ter um duplo diagnóstico, né? >> Uhum.
Se você vai descartar de um de uma doença, tudo bem. Mas aí se você vai descartar, por exemplo, de uma deficiência intelectual, então uma pessoa com deficiente intelectual também não poderia ter o TDC. E aí essa as características, né, para você definir o o TDC que não por vindo da deficiência intelectual é que vai ser um dilema.
É que a gente ainda não sabe a resposta, Paulo, sobre isso. A questão aqui, o DSM5 ele permite esse duplo diagnóstico, tá? Do TDC e do TEA.
Isso já também tá claro. Então, por exemplo, pô, mas tem o TDC, mas o TEIA tem ali, pode ter, né, uma deficiência intelectual. Eh, então, mas ele permite, se esses outros critérios ficar muito evidente, essas dificuldades eh motoras primárias, tá?
É, esse é o ponto que essa é a grande diferença do TDC, vamos colocar assim, no âmbito motor, não é do TDC e do TEA. O TDC, a dificuldade motor, ela é primária, ela vem antes das consequências sociais, né? no teia, pelo menos no no que a a literatura aponta, eh a dificuldade motora, ela é secundária, ela é consequência, né, da condição que ele ele apresenta.
Então, se isso é identificado, e aí que tá e que eu falei, eu não sei se essa é a resposta, mas até onde eu tô entendendo, né, do que eu li, e do que eu tô buscando é isso. Se se for identificado concomitantemente essa dificuldade motora logo lá no começo, né? E esse esse comportamento, como eu falei, desajeitado ou impreciso, né?
O mesmo sendo estimulado, que não avança, que não melhora, que é atrasado, isso pode representar também o TDC já tem o Tia, por exemplo, diagnóstico do T. Mas eu não tenho claro assim, né, de como isso é feito. Eu encontrei um estudo, eu posso falar ou Claro, claro.
É que tá no final aqui, mas já posso adiantar, né? É, até porque eu também não tenho muito tempo, já tô enrolando aqui, falo muito se deixar, mas um estudo que analisou, é uma amostra muito grande dos Estados Unidos, aqueles parqu, não sei se você >> conhece, >> isso, a amostra populacional indivíduos com teia e eles fizer aplicaram um questionário e que é o DCDQ, que é o o questionário para identificar o TDC, né, nessa população. E aí eles identificaram que a nesse questionário, né, eh, é indicado que eles se só pelo questionário que eles teriam sim o transtorno, né, o TDC além do T.
Então, ele e lá, não sei se você conhece o questionário, mas ele é bem específico assim de, né, das dificuldades motoras mesmo em realizar essas tarefas básicas, tal, que não são assim eh uma condição para toda criança com té, né? toda criança com té vai ter essa dificuldade, pelo contrário, o indivíduo com té, alguns vão ter. E aí muitos têm eh segundo esse estudo, né, muitos não têm os diagnósticos, mas deveriam ter de terdário que foi aplicado.
Então esse foi o único que eu encontrei assim, que tá buscando eh estratégia para fazer esse duplo diagnóstico e não só para ter o diagnóstico, né, mas para dar a partir daí gerar a intervenção apropriada para essa para esse indivíduo, né, que a de desses tantos que eu já mostro os dados aqui. Deixa eu passar, vai, posso passar? >> Pode.
Claro. Ó, a apresentação é toda, que a gente >> querida aqui perguntar antes da hora. Deixa eu passar aqui.
Aí eu ia mostrar os testes aqui. Aqui, ó. Eh, de só lembrar a quantidade.
Acho que não tem, mas era, ah, tem aqui, era 11. 814 indivíduos com teia, né, na amostra do Spark. E se aí foi aplicado o questionário, a partir dessa aplicação do resultado do questionário, eh, mais de tá aqui, pera aí, 80%, né, 85% teriam TDC também, né, pelo questionário e só 13 que não, 13%.
E aí tá o resultado que eles encontraram, né, que elas estão não estão recebendo esse diagnóstico PDC. Apenas 15% tem o diagnóstico e apenas 31% tá tá tendo também o tratamento específico motor, né, paraa intervenção motora. Então essa a justificativa para esse levantamento, por exemplo, é justamente isso, né?
Porque o esses indivíduos eles não estão recebendo o tratamento que eles precisariam, né? uma uma terapia específica, né, voltada para esse âmbito motor. Então, seguem com os tratamentos, né, típicos comuns também aí dessas demandas sociais, da comunicação, até mesmo acadêmico, mas não voltado pro âmbito motor.
Então acho que já é um alerta assim, né? Não só para ter o diagnóstico em si, mas olha, 80%, 85% dessa população tá com eh um comportamento motor muito atrasado, né? Com dificuldades muito significativas, que se fosse possível teria até o diagnóstico do TDC, né?
Se se fosse descartada aí a questão da, por exemplo, da deficiência ou de outra condição associada. Então o que importa mesmo nesse caso é que eles estão com um comprometimento motor muito grande, né, muito alto, que caracteriza até como aquele parecido com da criança com TDC, né? Então é acho que é essa é a grande questão, né?
Não é ter o diagnóstico. Aí ele tem TDC e tema, não. Ele pode ter o TEA, mas ele tem um comprometimento motor muito grande que pode ser primário ou secundário, né?
pode ser causa ou consequência, mas na real o que ele precisa é da intervenção específica para isso, né? Ele precisa eh do fío, do TOO que faça essa intervenção, né, do profissional de educação física voltado para o âmbito motor especificamente, tá? Entendeu?
Então, era mais nesse, deixa eu voltar tudo que eu passei aqui. Eh, ia só, né, apresentar algumas características do TDC. Acho que eu sei, vai falar um pouco da prevalência, que ela é de 6% de crianças em idade escolar, né, crianças e adolescentes.
É um transtorno permanente, como todo transtorno também, né, que que permanece na vida adulta. A diferença é que pro adulto não vai ficar tão evidente, porque normalmente o adulto ele aprende a lidar com essas dificuldades, né? Então, por exemplo, eh foi a criança, o adolescente que sempre teve dificuldade em amarrar os sapatos, né, em fazer o laço lá no cadarço.
Quando ele se torna, tem uma certa autonomia para comprar os próprios sapatos, ele não vai comprar um sapato que tem cadarço, ele vai comprar o sapato de enfiar o pé só, né? ou se ele tem grandes dificuldades em tarefas com equilíbrio, com que envolve bola, né? Não é o tipo de atividade que ele vai fazer, ele vai tentar fazer outra, se é que faz, né?
Porque já tem dados mostrando que eles se afastam da prática de atividade física, eh, que geram outras consequências daí, né? Mas não fica tão evidente quanto nas crianças e adolescentes que eles estão na escola, eles têm que vivenciar, né, as aulas de educação física, as brincadeiras, as atividades escolares. Então, eh, as dificuldades estão sempre presentes.
Eles vivenciam o fracasso ou o insucesso o tempo todo, né? Então, eh, o que acaba gerando essa baixa autoestima, essa desmotivação, baixa aptidão física, porque aí eles vão, eh, evitar, né, fazer algumas práticas, vão se isolar, vão buscar se adaptar mais do que realmente aprender aquela habilidade. Eh, de tem muito estress, ansiedade, porque já sabe que vão vivenciar isso o tempo todo, né?
Não sei vocês, mas por um exemplo, né? Vocês vão comer lá, vai cortar a carne, tá comendo o arrozinho, a carne você corta, voa o arroz para todo lado, né? Já aconteceu alguma vez com vocês de espirrar o arroz porque você botou muita força, eu tava meio desajeitada.
Você imagina isso acontecer em todas as refeições, né? Em toda a refeição você deixa cair alguma coisa, eh, espirra, você fica rotulado lá, né? como ô bagunceiro ô desajeitaram, vai tomar o suco, baba tá sempre sujo, né?
É, é isso que acaba acontecendo. Isso acontece com a gente, né? Vila e mexe acontece, mas imagina acontecer todo dia.
Então é realmente muito frustrante, né? E desmotivante para eles. Tá lá na aula de educação física e toda aula ele, né?
não consegue fazer, não brinca direito e as crianças vão zoando com ele, vão deixando ele mais de lado porque não se sabe ao certo ainda, não tem conhecimento dessa condição específica, né? Eh, no e e isso é claro, nem profissionais de saúde, nem do nem da educação tão tão conhecendo ainda, né? Tem o conhecimento sobre o TDC, é diferente do TEIA, por exemplo.
Eh, aqui eu trouxe um exemplo, né, da letra de uma criança com teia. Esse é um pangrama, eh, uma criança da primeira série americana, né, que ela escreve uma frase com todas as letras do alfabeto, né, é um pangrama. Naqu em cima é uma criança com desenvolvimento típico e aqui embaixo, né, é uma criança que tem TDC escrevendo a mesma frase, o mesmo pangrama.
Aqui são todas as letras primeiro e depois o pangrama, né? Então, vejam que não é só uma questão de eh uma letra feia, né, ou pouca legibilidade, eh, mas é de padrão mesmo. Eu não sei se vocês conhecem, conseguem ver meu mouse aqui?
>> Sim. >> OK. Então, veja o O, a letra O, né?
Aqui ela tem um formato. Logo na próxima palavra ele tem outro que eu falei, não tem uma constância, né? Não tem um padrão.
O espaçamento entre as palavras. Hora tá muito em cima da pauta, hora muito embaixo da pauta. Hora tá muito pertinho, hora tá muito afastado.
Então não é só a letra que é feia, até porque as nossas letras também são feias. É esse o ponto. Mas não tem um padrão da escrita, tá?
E aí eu trouxe alguns vídeos aqui também. Posso mostrar, Paulo? >> Pode, manda ver.
>> E aproveitando, eu já mandei pra minha equipe aqui, não sei se a equipe tem, né? O DCDQ eu mandei pra equipe e eu inclusive já tenho feito, Marcela, um documento eh do modelo exercícia que ele é um PDF e ele é editável, então dá para responder no próprio PDF o DCDQ. Depois, se quiser eu posso te mandar, >> tá legal?
Primeiro, uma criança com desenvolvimento típico, executando uma tarefa de equilíbrio estático, né, um apoio unipedal, então bem, né, consistente, bem organizado, tem umas oscilações que são comuns, mas, né, bem organizado, sabe, tá? Não, não é muito variável o comportamento que ele apresenta. Logo já vai mostrar uma criança com TDC.
E agora uma criança com TDC. Reparem, né, que é bem diferente. Ele não não tem um padrão, né, de organização, apesar de conseguir fazer, mas ele ainda oscila muito.
Ele não olha, né, para tá buscando uma referência assim da onde olhar, da onde colocar a percepção visual. até que ele ajusta, né? Mas começa todo mais desajeitado.
Pera aí que tem outro. Eu não sei mexer com esse negócio aqui em cima. Olha aí.
Eu vou chegar lá, gente. Aguenta. Ô meu pai.
Aqui aqui a mesma eh tarefa de equilíbrio aí. Tão vendo? Então, né?
>> Sim, sim. Tarefa de equilíbrio ainda, só que agora na posição tandem, que é um pé na frente do outro, tá? Os dois pés no chão, não um tá em meia ponta nem lá, >> certo?
>> Pé um frente do outro. Deixa eu avançar aqui pra criança com o TDC. Ó lá, a mesma coisa, né?
E veja que ele fica meio sem gracinha também, né? Do jeito que ele se porta, porque ele entende o que ele precisa ser feito, né? Não é um, não é uma dificuldade na compreensão da tarefa.
>> Uhum. >> Eh, é de se organizar mesmo, né? Planejar e praticada nem >> não necessariamente imitação, né?
>> Não. >> A mesma tarefa, né? Relativamente simples.
É mais simples que a outra, né? Ele não tava porque tem são os dois pés no chão, ele não tá conseguindo se organizar. Uma questão de latência também, né?
>> Isso aqui com habilidade com bola. A criança, né? Primeiro desenvolvimento típico, ela arremessa e agarra uma certa precisão.
Tem vezes que ela erra, que é normal, né? coloca mais força, volta mais, ele consegue se organizar e ter um certo padrão. Ó lá, agora caiu, mas o que é esperado também, ele consegue se organizar bem, planejar ação, produzir força suficiente, né, pro para o arremesso e o agarre na volta.
Apesar mudou a tarefa, né, o vídeo, mas eh depois ele vai fazer de novo essa tarefa. É, tem que jogar a bolinha no chão e pegar de volta, né? Hora ele consegue, hora não.
Até para pegar a bolinha no chão, né? Se joga mais assim, fica mais soltinho o corpo. Essa também é uma criança que tem um desenvolvimento típico, então também se organiza bem, consegue ser preciso, ajusta a posição das mãos só na hora que a bolinha tá chegando, né?
Tá vendo? faz o agarre preparatório no momento certo e agora no na tarefa de quicar também é bem tranquilo. a mesma tarefa.
E agora uma criança com TDC. Vejo que ele já fica com a mãozinha assim, né? Bem característico de criança pequena de 3, 4 anos, já fica esperando a bolinha com a mão levantada.
Então é o que eu falei, é um comportamento atrasado, né? Parece que é uma criança menor e fica sem graça porque não consegue fazer, né? fica aí quando consegue quase cai para trás.
Aí agora a tarefa de quicar a bola e pegar de volta, né? Não julga a força necessária, né? Hora foi pouca força, hora força demais, né?
Mesmo com a instrução, a demonstração, né? Não, não gerou o ajuste adequado. E aí, por fim, vai fazer a tarefa de Tem mais uma dessa.
a tarefa de arremessar a bolinha na parede. >> Aí tem atenção compartilhada. >> Hum.
>> Esperou. >> Sim. Bem como outro meio que você joga no chão para pegar >> e um movimento completamente diferente do outro.
>> O outro. Exatamente. Eu vou parar aqui, né?
Que tem vários exemplos. Depois eu posso compartilhar esses vídeos com vocês também. São vídeos que ficam disponíveis na rede.
Eh, vou voltar lá pra apresentação. Alguém tem alguma pergunta, pessoal, sobre isso? Sobre >> Não, eu tô segurando uma, mas eu vou fazer mais pro final para não atrasar mais sua apresentação, >> tá?
Tá bom. As intervenções para essas crianças que já são também bem consolidadas na literatura, né? tanto orientada, né, para função, estrutura corporal, melhorar essas funções, né, relacionadas ao problema de controle motor, de postura, de força, né, tem mostrado eh benefício, né, melhoras quanto orientada pra atividade.
Então, se tá com dificuldade amarrar o sapato, vai lá, né, e treina amarrar o sapato. Repete, repete, repete, repete. e também orientada pra participação, que é a grande consequência também dessa dessa condição na vida das crianças, né?
Elas tendem a reduzir demais a os níveis de participação em atividades e contextos sociais gerais, tá? Também tem melhorado, eh, mostra significativa melhora. A grande questão é que essas crianças elas ficam dependentes da intervenção, porque como o desempenho ele é atrasado, né, em relação às crianças da mesma idade, quando há intervenção eles até igualam, né, mas as crianças estão crescendo, né, elas continuam se desenvolvendo.
Então, então ela sempre precisa da intervenção para esse para que esse desenvolvimento ele prossiga, né, dentro aí do que tá sendo esperado. Então, eh, os resultados eles são positivos de maneira geral nos estudos de intervenção, né, com essas com essas propriedades. Tem sido muito utilizado o uso de videogames para tratar também os problemas motores dessa população, porque com o videogame, né, realidade virtual, a criança pode errar e volta, não tem muita frustração ali no erro, né, e repete e a bolinha cai, ela não tem que ir lá buscar a bolinha, é só voltar e vivenciar.
Então, eh, tem sido muito eficiente o uso com a realidade virtual e jogos eletrônicos, né, para melhorar o comportamento motor dessas crianças. >> Além da além da consequência arbitrária, né, que para além da do do próprio aprendizagem, que talvez não seja nem fazendo mais eh função reforçadora direta de acertar uma coisa para uma criança conhece a história, acertar já não tem mais valor reforçador, né? Então, tendo uma fonte extra de ganhos, né?
Eh, o videogame também tem funcionado. Boa. >> Exatamente.
Exatamente. Ele ele consegue vivenciar, né, o sucesso, mas mais chance de vivenciar o sucesso do que em outras condições mais mais comuns, assim. Yeah.