[Música] Olá, olá a todos e todas. Estamos começando mais um episódio do Veja Seu Bolso, um programa dedicado aqui a tratar com você sobre finanças pessoais e investimentos para você aí do outro lado justamente aprender a investir melhor e a cuidar melhor também do seu dinheiro. Meu nome é Juliana Machado, eu sou editora de finanças aqui de Veja, te acompanho mais uma vez nesse programa e a gente vai fazer uma interrupção aqui que a gente tinha desenhado do nossa no nosso especial de imposto de renda para falar de um assunto que se sobrepôs, né, simplesmente se tornou aí o tema mais importante do mercado nos últimos dias, que é justamente a guerra comercial instaurada aí pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação a outros países do mundo.
Para quem não tá muito dentro do negócio, no fim das contas vocês devem estar acompanhando aí as notícias. A gente teve a imposição por Trump aí das tarifas recíprocas que foram aplicadas a diversos países e que representam aí essa imposição de um percentual que é equivalente ao percentual que essas empresas em nesses países cobram no caso de produtos americanos. O que o Trump fez foi fazer aqui um equilíbrio entre essa conta, né, entre esses dois elementos para aplicar essas alíquotas que vão definir aí certamente o rumo do mercado internacional.
E para falar um pouco do assunto aqui, esclarecer e trazer dúvidas importantes para você que tá assistindo a gente, eu trouxe o Felipe Miranda, que é fundador e estrategista chefe da casa de análise Empíricos. Olá, Felipe, tudo bem? Como é que você tá?
Tô muito bem, Juliano, um prazer falar com você. Muito bom estar com todos aqui da da Veja e bater esse papo nesse momento tão relevante. Com certeza.
E a gente já vai direto pro que importa, né, que justamente comentar esse movimento recente que a gente teve de trégua nos mercados, que foi um movimento que de fato acompanhou uma piora significativa dos indicadores no Brasil. a gente teve dólar para cima, ultrapassando aí a faixa até de R$ 6, como a gente viu só no fim do ano passado. E um Ibovespa também em queda significativa, tirando aí essa eh essa alta que ele que o índice vinha tendo, né, vinha galgando desde o começo do ano.
Mais recentemente, né, na sexta-feira e agora na segunda, a gente teve uma reversão desse efeito, uma certa acomodação desses mercados. E eu queria te perguntar justamente isso, se a gente pode estar falando eventualmente de um momento um pouco mais tranquilo, uma melhora aqui no Mor dos investidores ou se a gente tem água ainda para rolar pela frente e coisa ainda para esperar aí do cenário internacional? Olha, eu acho que sem dúvida ainda é um momento bastante turbulento, né?
Acho que quem escreveu um pouco sobre guerra, né? De uma forma que ficou super famosa é o closets, né? que tinha aquele general prsiano que escreveu sobre a guerra militar, mas ela se aplica também a uma guerra comercial, que é a ideia do The Fog of War, né?
Aquela neblina da guerra. Você sabe como você entra ah na guerra, mas você não sabe como você sai dela, né? Eu acho que isso é muito válido pro ambiente que a gente tá tá vivendo aqui, né?
Quando Trump coloca aquelas tarifas, obviamente os demais atores eles eh reagem e você entra num ambiente de complexidade que você não sabe exatamente onde para essa história, né? Então acho que qualquer prognóstico de onde as coisas terminam, ela é até um pouco irresponsável nesse momento, né? O futuro é um bicho meio danado que ele insiste em ficar lá ah no futuro.
Sabemos que o Trump é bastante negocial, né? Ele inclusive já ah captulou em algumas medidas, né, atrasando em 90 dias algumas das suas tarifas, agora no final de semana tirando aí eletrônicos também da dessa tarifação, mas já vem prometendo, não, mas a gente vai voltar com esse papo, não é bem assim, ninguém tá isento dessa história. Então tem muita dúvida, né?
Eh, agora não necessariamente não tem oportunidade também para se investir, né? né? Acho que o o os investidores que têm sido hábeis têm conseguido ganhar bastante dinheiro, né?
Eh, o Brasil mesmo tá bastante volátil, o Ibovespa caiu, mas é uma queda bastante concentrada em em ações ligadas a comotes. Se você pegar ações ligadas ao ciclo doméstico, muitas se deram bastante bem eh recentemente. Empresas agrícolas brasileiras como a SLC, por exemplo, também se deram bastante bem.
Então é muito difícil você traçar um prognóstico muito único nesse momento. Eu acho que vai ter bastante diferenciação no pós-pânico. No pânico, né, no dia do anúncio não tem tanto, mas no pós-pânico pode ter bastante diferenciação.
E eu acho que é isso que o investidor deveria aqui eh garimpar, né? Não é um momento de você ir de peito aberto, não é um momento de muita assunção de riscos, mas por outro lado é um momento de bastante atenção para aproveitamento de oportunidades. Sim, interessante esse comentário que você fez, que a gente vai voltar nele em breve, né, mais pro final do programa, pra gente falar dessas eh recomendações e, né, das oportunidades que a gente tem em bolsa de valores eventualmente em outras classes de ativos.
Mas antes acho que a gente tem que discutir um tema bem importante aqui, que é justamente uma piora ou uma melhora nas condições comerciais aí entre China e Estados Unidos, né? Quem sa ganhando e quem sai perdendo aqui se a gente tiver uma melhora ou uma piora, né, nessas condições aí nos próximos meses? Olha, eu acho que no fundo a eu como defensor do liberalismo, né, eh do livre comércio, eu acho que é é todo mundo meio perdedor nessa história, na não há ganhadores numa guerra comercial, né?
Você pode até ganhar do seu inimigo, né? Confúcio falava isso, né? Quando você vai para uma vingança, né, cabe duas covas, né, a daquela pessoa que você vai vingar e também de si mesmo, né?
E é um pouco disso nessa história, né? Acho que o o dos principais perdedores tem sido justamente os Estados Unidos, né, que é quem mais eh formalizou o início dessa guerra comercial. E digo formalizou porque acho que essa é uma das grandes dificuldades desse momento, né?
A gente tá aqui diante de um mero processo negocial em que a gente vai muito agressivo, como é o Trump, né? Avança sempre, nunca admite derrota, continua sempre avançando e tal. Eh, ele pede na Lua e vai abrandando ou não?
ele coloca uma tarifa na China, a China devolve, daqui a pouco a gente deslista as empresas chinesas eh eh dos Estados Unidos e a gente daqui a pouco tá numa numa guerra física propriamente, né? Lembra que a última vez que a gente teve algo semelhante nos Estados Unidos foi em 1930, né? Smutthy no no no durante o governo Hoover.
A gente ali eh os Estados Unidos adotam a a tarifas em torno de 50%, também o o comércio global cai em 60%. E como resposta a gente tem tanto a Alemanha quanto o Japão se isolando eh muito economicamente, se remilitarizando e não não coincidentemente, né, a gente vê o que acontece no final da década de 30. Então, até os cenários de maiores catástrofes, eles estão na mesa.
Não acho que que necessariamente esse seja um cenário de maior probabilidade. Acho que a gente deveria eh tirar todo esse recrudescimento recente e começar agora a aliviar um pouco e tentar ser ser negocial. Agora, no fundo, acho que essa é a grande dúvida, Juliana, do momento.
sabe se é um processo negocial em que eh a gente vai sair com algum tipo de acordo dessa história ou senão a gente vai continuar escalando e no fundo ah reordenando, né, o que foi o mundo, tal como nós conhecemos pós 45, né, todas as instituições multilaterais, todos os organismos supranacionais, OMC, a ONU, eh, a OTAN, tudo isso de alguma forma e o mundo que a gente conheceu a partir dos mecanismos eh multilaterais, ele tá sendo revisitado, né? E aí você cai numa aventura que sabe lá Deus no que vai dar, né? Esse tipo de aventura que nos nos levou justamente ao nazismo e ao fascismo.
Então eu acho que é que é um é um ambiente muito incerto nesse momento, né? Então eu acho que os Estados Unidos são perdedores, a China claramente eh é perdedora. Agora, em termos relativos, né, eu acho que você pode acabar sendo bom pra Europa, né?
Eh, não se o mundo entrar numa grande recessão ou se a gente for para uma terceira guerra mundial, porque de fato todo mundo perde, perde muito. Mas se for simplesmente uma desaceleração da economia global com uma reessão branda nos Estados Unidos, eu acho que China é muito impactado porque tem um modelo muito pautado em exportações. os próprios Estados Unidos, né, eh, perdendo essa posição, né, do grande império americano, né, perdendo essa esse essa grande referência de que norteava, né, os valores ocidentais clássicos, que norteava o multilateralismo, os princípios do livre comércio, a livre concorrência, tudo isso sendo revisitado.
Os Estados Unidos são muito perdedores, né? O turismo os Estados Unidos já tá caindo dramaticamente. O sentimento do consumidor nos Estados Unidos tá caindo dramaticamente.
As expectativas de inflação estão se deteriorando muito fortemente nos Estados Unidos. Num ambiente como esse, de maior versão a risco, o dólar tá performando mal contra as principais moedas. Os treasurriies, que são os títulos da dívida pública americana, que sempre foram um porto seguro, tem performado mal desde a última quarta-feira.
Então, os Estados Unidos são claramente perdedores, mas a Europa, né, que sempre foi mais uma desunião europeia do que propriamente uma União Europeia, até pelas particularidades do que um português e um grego são bem diferentes de um alemão, né? Então, a Europa do ponto de vista econômico é uma força de barra, né? Mas de repente você tem um inimigo externo e a Europa é obrigada a se unir, né?
E você vê a Alemanha fazendo política fiscal como ela não fazia há décadas, né? Então você vê o setor de defesa e infraestrutura alemão despontando como grande ganhador em bolsa no mundo todo, né? Então acho que a Europa o makeup rat, né?
O movimento mega e não maga, né? A Europa se une contra esse inimigo externo. E pela primeira vez talvez seja uma boa ideia você tá no meio do planalto central brasileiro, né?
Até do ponto de vista geográfico, né? Se explodiu uma terceira guerra mundial, isso provavelmente vai acontecer no Pacífico, isso vai acontecer no leste da Europa, no Oriente Médio e nos Estados Unidos, né? América Latina tá meio blindada dessa história.
A gente tá também na zona eh debaixo das tarifas, né? A gente tá ali nos 10%, ainda que elas estejam suspensas, né? Daqui 90 dias a gente vai rediscutir.
Então a gente tá na na parcela de baixo das tarifas, somos uma economia relativamente fechada, então fluxos de comércios menores eh não nos afetam tanto, né? nos afetam menos comparativamente aos demais países. E sobra dessa história toda, né, um juro que eu acho que vai ser menor do mundo.
A gente já tá com uma probabilidade crescente de quatro cortes ah de juro nos Estados Unidos. Tem gente já falando que o COPOM vai parar no 14,75. A discussão do final do ano era 16, 17%, o Brasil tava em dominância fiscal.
Era isso que a gente tava falando 4 meses atrás. Agora não, a gente já tá discutindo a que a SELIC para no 1475 e a gente pode ter CELIC abaixo de 10% no ano que vem. Então, em termos líquidos, né, eu acho que o Brasil é ganhador.
Então, não é à toa que você vê muitas ações ligadas ao ciclo doméstico andando muito bem em abril. A bolsa brasileira sobe no ano e sobe mais que o CDI, mesmo com os Estados Unidos em beir market, né? Então, eu acho que o Brasil é um dos dos vencedores relativos desse processo também.
Agora, um ponto que eu acho importante a gente trazer aqui mais um detalhamento, né, em relação ao que você trouxe da recessão global, eh, quando a gente tá trabalhando aí com o cenário de vocês, né, apresentado aos clientes, qual que é esse cenário básico o qual vocês têm trabalhado? É de recessão global, é de recessão nos Estados Unidos? É de não termos uma recessão, mas uma parada das economias?
Como é que vocês estão trabalhando isso aí com o cliente de vocês? É, o que a gente enxerga é uma distribuição de probabilidade, né? né?
É muito difícil você cravar qual vai ser o cenário nesse momento, que todos os analistas têm feito, é tentado atribuir um pouco qual a chance dessa história. Eu acho que a a chance é de um, nesse momento tá um meio a meio se a gente vai pra recessão ou não, mas eu não acho, eu ainda acredito, né, que algum tipo de racionalidade econômica vai prevalecer de alguma maneira. ou o Fed vai interferir reduzindo taxa de juros e provendo liquidez dos mercados.
Isso vai sanar um pouco eventual crise, própria proximidade do Trump a a uma série de empresários, o próprio lobby de de do mainstream americano, o próprio congresso americano. Eu acho que assim, a capacidade individual de você guiar a economia americana ah rumo ao precipício, né, eu acho que tem limites, né, os mecanismos de pesos e e e freios e e contrapesos dos Estados Unidos, eles historicamente são relevantes. Eu acho que alguma medida essa história ela vai mais uma vez se manifestar, né?
E eu acho que o próprio Trump, né, o o há uma máxima eh clássica, né, no nos mercados que assim os mercados param de entrar em pânico quando os governos entram em pânico, né? Acho que o Trump não chegou lá, mas claramente ele já recuou. Então existe a tal ah do Trump né?
A ideia de que você, na pior das hipóteses, o Trump vai parar e você vai poder vender pro governo, né? O próprio Fed na sexta-feira falou: "Olha, se precisar a gente vai estabilizar os mercados". Então eu acho que existe uma chance de recessão, mas mesmo que ela venha ainda acho que é uma recessão branda, uma recessão suave que para eh mercados emergentes pode catalisar ainda mais esse movimento que tá acontecendo, que é esse excepcionalismo americano sendo questionado.
E a gente viver um período semelhante ao que foi o final dos anos 90, quando os Estados Unidos passa de 95 até 99 se beneficiando da ideia da internet, quando tudo que era para fazer era para comprar Estados Unidos. E os mercados emergentes passaram por uma série de crises, 97 no México, 97, Tailândia de Malásia, 98, 99 a Rússia. E a história bolha da NASDAQ em 2000.
E aí você tem revisitada a ideia do excepcionalismo americano e você vai comprar mercados emergentes. Aquele Lula 1, né, o super ciclo de Brasil 2003, 2007 é só um ponto entre vários outros mercados emergentes que se beneficiavam dessa dessa ideia do pico do excepcionalismo americano. Substitua a palavra internet por inteligência artificial e você vai ver a história se se não se repetindo pelo menos rimando aqui, né?
Então eu acho que fundamentalmente, para resumir, acho que o cenário mais provável é de uma desaceleração, talvez uma recessão branda nos Estados Unidos, mas em termos de fluxo de capitais pode continuar beneficiando mercados emergentes que vê muito castigados num ciclo ruim desde 2011, né? Então eu acho que é normal essa alternância entre o excepcionalismo americano e o resto do mundo. A gente tá entrando um pouco num numa grande onda pró resto do mundo.
E agora a gente tem um tema importante também para conversar que é a relação Brasil China. a gente tem de fato aí uma relação comercial muito importante do Brasil com a China, envolvendo a questão de commodities principalmente, mas de várias outros pontos comerciais aqui que o Brasil tem um canal aberto aí com o gigante asiático, até por fazer parte, né, dos bricks, que é esse bloco aí de países em desenvolvimento. Queria muito entender com você, Felipe, como é que funcionaria eventualmente essa eh enchurrada de produtos chineses no mercado global, considerando que os Estados Unidos realmente eh leve a cabo e feche aí as suas fronteiras eventualmente para esses produtos chineses.
Eles vão escoar e devem chegar ao Brasil? Isso pode ter algum tipo de impacto nas nossas indústrias, por exemplo? Olha, eu acho que eles já já está vendo esse movimento que você diz, né?
eh o tanto de Bid que a gente vê na rua, né, ou o aço chinês chegando aqui com dumping, né, esse excesso de oferta que existe na China hoje, que ele é eh exporta eh deflação pro resto do mundo há anos. Acho que é uma intensificação desse processo. Então, eu acho que você tem razão.
De um lado, a China pode vir aqui comprar mais soja brasileira, né, em resposta às dificuldades e e ao encarecimento da soja americana pros chineses. Isso é bom para Brasil. você tem uma maior demanda chinesa, né?
O a capacidade neutralidade eh geopolítica brasileira, né? A a capacidade de você estar nos dois lados e também com a União Europeia, né? Outros países vão acelerar acordos com o Brasil.
Acho que o Brasil pode de novo ser um ganhador líquido, mas por outro lado você pode ter sim eh mais produtos chineses chegando por aqui. O que tem esse lado ruim de se você é um é um é um industrial que eventualmente compete com a China, você já tá meio em maus lençóis, porque você já tá enfrentando essa concorrência há bastante tempo, essa coisa só vai piorar para você, mas em bolsa, né? Ou seja, que que aqui a gente faz macroeconomia com o objetivo não de ser o melhor cara que vai projetar a produção industrial ou desemprego, mas a gente olha a macroeconomia olhando para como as ações ou os títulos de renda fixa ou os fundos imobiliários vão se comportar.
Nesse aspecto tem uma variável macro que me importa mais, que se a China chegar aqui com uma enchurrada de produtos mais baratos, a gente vai ter provavelmente uma ajuda no controle dessa inflação e isso vai reverberar com uma selique potencial menor. Então, eh, eu acho que em termos líquidos pros ativos financeiros brasileiros, eu acho que essa ideia ela é até boa, no sentido de que ela conduz a uma inflação menor, a gente poderia ter juros menores. É por isso também que eu tenho recomendado esses títulos indexados à inflação no Brasil.
Acho que podem ser uma bela pedida pro momento. E também ações brasileiras. E aqui também a gente pode entrar agora no tema que todo mundo tá esperando para ouvir, né, que é justamente aí quais as recomendações que vocês aí na Empíricos também estão passando pros clientes de vocês, o que que vocês têm conversado com o mercado, que é justamente pra gente entender um pouco melhor isso.
Queria te perguntar, né, Felipe, como é que aí no fim das contas uma pessoa física, né, alguém que tá ouvindo a gente aqui, né, assistindo o nosso programa, como que ela pode enfrentar, né, o que que ela deve fazer diante desse cenário e quais são essas oportunidades eventualmente que ela pode aproveitar? Olha, eu acho que primeiro o o investidor tem que entender o momento de incerteza e de cautela, né? Então, se proteger é muito importante.
No Brasil, a gente tem o benefício de se proteger num negócio que corre a 15% ao ano, né? Então, você ter uma posição grande no pósfixado, você não precisa ser herói, né? Aliás, um investidor que tenta ser herói, normalmente ele ele ele se dá bastante mal.
Então, você se proteger no CDI, fazendo caixa nesse momento, esperando esse essa incerteza se dissipar um pouco, eu acho uma boa ideia. Acho que o ouro tem sido e acho que continua sendo, né? Ouro bateu aí $.
250 por onça, máxima histórica absoluta com esse grande red geopolítico que ele é. grande beneficiado de de recrudescimento da atenção política historicamente é justamente o ouro. Então, acho que temos que ter uma posição em ouro, acho que temos ainda que ter uma posição diversificada em moedas fortes.
Então, ainda que o dólar esteja se enfraquecendo, acho que pode, podemos ter composição em um pouco de dólar, um pouco de euro, um pouco de IEN. Nesse momento tô pessimista com a moeda chinesa, porque eu acho que a saída paraa China é um pouco de desvalorização da moeda, mas você ter uma combinação de in franco, suíço, euro, Estados Unidos te defende um pouco e feito essa sua defesa, acho sim que é a hora de você se aproveitar de um juro real brasileiro pagando em torno de 7,5% ao ano até acima disso, que é bastante estressado inclusive para para o histórico brasileiro que é de convivência com juros reais muito altos. Então acho que a gente tem que se aproveitar disso e acho um ótimo momento para se comprar ações brasileiras menos impactadas pelo fluxo de de queda do comércio global ou até mesmo beneficiadas, né?
Você vê a ação da SLC, por exemplo, subindo tremendamente, né? com a ideia de que olha, a China vai comprar produtos agrícolas brasileiros, então essa empresa deveria se beneficiar fortemente. Você vê as localiza subindo tremendamente.
Não só elas têm atravessado bem o o choque do Trump Nomix, como elas são ganhadoras, porque o preço de carro novo tá subindo muito, então você troca por usado, o usado sobe de preço também e você resolve o problema de eh depreciação de localiza. As ações têm performado muito bem de localiza. B3 tá tendo uma explosão nos seus volumes.
Quase o dobro da média recente tá acontecendo de negociação em B3, ah, em abril. Pode ter um segundo trimestre bem melhor do que as expectativas. as ações da Rumo são muito beneficiadas também pela pela pelo ambiente favorável ao agrobrasileiro.
Então você pode começar a comprar ações que se beneficiam inclusive eh desse movimento ou mesmo grandes empresas brasileiras que acho que atravessam bem essa história também estão muito baratas e se beneficiam dessa mudança em favor dos do mercado emergente e dos juros menores, como eu falei agora a pouco, caso de Itaú, caso de BTG, caso de Guatemi. Então são ações de grandes empresas que podem se dar muito bem. Então, essas seriam algumas recomendações que eu prescreveria nesse momento.
E antes da gente encerrar, acho que tem um tema importante aqui pra gente conectar também, que é a questão da eh percepção de risco que o investidor tem que ter, analisando aí todo o cenário e o cuidado que ele tem que ter em relação a isso, né? Em geral, os investidores, a gente sempre traz aqui, né, Felipe, essa recomendação de investimentos de longo prazo. Então, a gente fala de oportunidades, mas sempre reforça que o investidor tem que evitar a fazer o market timing, né, que é justamente essa tentativa de acertar o movimento do mercado e procurar ter uma posição estrutural, levar essa posição aqui no longo prazo.
Eu queria que você pudesse comentar justamente em relação a esses cuidados que esse investidor tem que ter, eh, tanto do ponto de vista de carteira diversificada, quanto até dos títulos ligados à CDI que você comentou, eh, essa mensagem, né, que realmente o investidor tem que ter em mente na hora que ele for aproveitar nessas chances aí baratas que ele tem aí, principalmente na bolsa de valores. É, Julian, eu comecei justamente com uma ordem aqui e não foi uma ordem eh aleatória, né? Eu comecei assim, ó, primeiro você se protege, né?
Então, primeiro você vai estar no CDI, você vai est no ouro e você vai est em moeda forte. Feito isso, você vai aproveitar o resto, né? Eh, e porque de fato, né, o risco tá associado à oportunidade, né?
Na China, essas coisas são vistas inclusive como a mesma coisa. Você ganha dinheiro de verdade justamente quando existe um problema, esse problema é dissipado e as coisas melhoram. Se tá tudo também sem risco, tá tudo precificado também de acordo com o ambiente sem risco e não tem tanta oportunidade de ganhar dinheiro se as coisas ficarem boas, porque elas já eram percebidas como boas.
Mas para isso você precisa chegar vivo lá, né? Você não pode morrer no meio do caminho. Por isso as as posições diversificadas e de proteção são fundamentais para qualquer investidor.
E a segunda coisa é o que você mesma colocou, né? A necessidade de dilatação ah do do horizonte temporal. Agora a pouco o mês de abril tava horroroso, de repente ele ficou bom de novo, né?
E por quê? Porque de uma forma absolutamente errática, né? dionisíaca imprevisível, o presidente americano resolveu nas suas redes sociais mudar um pouco de discurso.
Então, claramente, né, a não ser que você saiba, né, uma de inception, né, o filme do Christopher Nolan, a não ser que você esteja lá inserido dentro da cabeça do Trump, você não sabe o que vai acontecer, nem você, nem ninguém, né? Então, diante disso, você tentar adivinhar o que é próxima semana e tal, eu acho muito complicado. Agora, me parece um tanto claro que esse ambiente é mais favorável para mercados emergentes, sobretudo aqueles que foram pouco afetados pelas tarifas e que são economias mais fechadas.
Sobra daí um juro que eu acho que vai ser menor e sobra daí aí uma discussão que entra de Brasil no segundo semestre sobre uma possível alternância do ciclo de economia política também. Então acho que você tem ao mesmo tempo que estar protegido, dilatar o seu horizonte temporal até o final de 2026 e aí a sua matriz de risco e retorno melhora tremendamente. Felipe Miranda, que é fundador estrategista chefe da Casa de Análise Empíricos.
Felipe, muito obrigada pela participação. Um prazer, Juliana. Sempre bom falar com você.
Um grande abraço. No programa de hoje, a gente falou um pouquinho sobre o impacto das tarifas aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação às mais de 100 países, né? 185 países aí que foram afetados por essa imposição de tarifas.
São as tarifas recíprocas, que como eles foram chamadas, que são justamente essas tarifas aplicadas aos países na mesma proporção em que esses países cobram, né, em relação aos produtos americanos. Houve um cálculo aqui, né, apresentado pelo Trump em relação a quanto seria aplicado a cada uma das economias. Algumas foram mais ou menos beneficiadas, que é o caso do Brasil, que ficou com 10% e aplica 10% sobre produtos americanos, mas é diferente da situação de China, por exemplo, e de outros países que têm uma tarifa muito mais alta e que por isso, né, justamente sofreram com uma alíquota bem mais alta imposta pelos Estados Unidos.
E aí começou a guerra comercial. A gente viu aí o desenvolvimento, o desdobramento dessas informações, o desdobramento do noticiário, dando conta que diversos países, incluindo a China, passaram a retalhar os Estados Unidos, aplicando sucessivas alíquotas, conforme o outro país também vinha aplicando em sequência. Elas chegaram a ultrapassar 100% quando a gente analisa a distância.
Talvez voltem, talvez não. A gente tem uma série de dúvidas em relação a como esse cenário vai se desenrolar. Afinal de contas, o Donald Trump tem uma postura aí bastante errática, né?
Ele já tomou diferentes decisões e diferentes horizontes aqui. E, portanto, pros investidores, fica um cenário mais difícil de operar no mercado e também mais complicado quando o ponto de vista aí pelo ponto de vista de risco que você deve ter na carteira, porque você que é pequeno investidor certamente vai sofrer aí os impactos dessa movimentação. Isso bagunçou, né, o xadrez global.
E aí, justamente gerando essas dúvidas, a gente teve movimentos, como eu falei, de retalhação de outros países, como até a União Europeia, que chegou a aplicar e depois voltou atrás. A gente tem China e eu sendo aí de fato os grandes protagonistas e são de fato as duas economias mais fortes batendo de frente. E justamente diante disso que o investidor tem que ter a famosa cautela, como a gente fala aqui.
Mas como é que você traduz essa cautela? Você tem que fazer de duas maneiras: proteção e diversificação. Não tem outra forma.
Diversificação é você ter uma carteira, independentemente de qual que é o seu tipo de investidor, se você é mais conservador, mais moderado ou arrojado, não importa. Sua carteira tem que ser diversificada. Você tem que ter diferentes classes de ativos, não uma grande quantidade de ativos, mas classes de ativos diferentes para te blindar aí de alguma maneira em relação a essa volatilidade global.
Você precisa ter um pouco na de produtos ligados a Tesouro Selic, por exemplo, que são os mais conservadores da economia. algo como inflação também que você vai ter aí um rendimento ligado ao IPCA e também outros produtos como as próprias ações que tão bastante eh bastante descontadas, como costumamos dizer no mercado financeiro, que quer dizer é um jargão para baratas, né? E ter alguns outros produtos como dólar e ouro.
E a gente tem aqui essa proteção e moedas fortes justamente no dólar que você pode fazer eh por meio de fundos de investimento. Você já tem fundos de dólar que você pode trazer para dentro da sua carteira. O dólar não necessariamente vai ser uma moeda forte se a gente tiver falando de uma recessão nos Estados Unidos, que é o que pode acontecer se as tarifas realmente forem aplicadas e por um longo período de tempo.
Você desacelera a economia americana e faz com que ela entre em recessão. Então assim, isso pode acontecer e nesse cenário não é o dólar necessariamente que vai ganhar, mas o dólar vai ter esse comportamento eventualmente mais fraco contra outras economias fortes. O Brasil que tem justamente uma uma moeda considerada mais fraca, ele pode eventualmente continuar perdendo nesse cenário para o dólar.
E é aí que tá o ponto, né, o grande pulo do gato de você ainda assim ter dólar na carteira por causa dessa dinâmica que o dólar tem relação ao Brasil, ainda que lá fora a moeda esteja se desvalorizando frente a uma cesta de outras moedas consideradas mais eh de uma economias, né, mais saudáveis. E a gente também tem proteção em ouro, que vale sempre lembrar que também pode ser feita via fundos de investimento. E o ouro é uma reserva de valor, vem batendo recordes atrás de recordes aí no tempo, justamente por ser aí essa grande commodity procurada pelos investidores no momento de tensão de nos mercados e de volatilidade aí eh nas negociações feitas todos os dias.
e as ações, como a gente também já comentou, o Felipe trouxe pra gente alguns nomes ligados aí ao setor agrícola e que podem se beneficiar, afinal de contas, a China tá aí para consumir essa parte do grande desse grande mercado, além das grandes companhias que também podem capturar alguma coisa do fluxo global e que são companhias aí dominantes nos seus setores e podem ter um desempenho positivo, mesmo justamente partindo aqui desse ponto de um mercado um pouco mais amassado, um pouco mais prejudicado, mas que tem uma um potencial muito muito grande de retorno, justamente por estarem partindo de um ponto mais baixo. Ponto final no programa Veja Seu Bolso. Um grande prazer estar aqui com você por mais um episódio.
Lembre-se que semana que vem nós temos um encontro novamente para continuar falando de imposto de renda, um assunto que a gente parou por aqui justamente para falar aí da realidade que se impôs em relação aí das tarifas do Donald Trump, mas a gente volta a tratar desse tema e eu espero você aqui pra gente continuar falando desse assunto. Um grande abraço e até lá.