Olá! Sejam todos bem-vindos e bem-vindas. Hoje eu tenho o prazer enorme de conversar com esta que vocês estão vendo aqui, a Vanderly Eliane de Oliveira.
A Vanderly, né, é minha querida ex-aluna. E lá vai eu, falando com vocês, né? Então, a Vanderly, ela foi minha aluna no curso de Letras, lá pelos idos de 1993 e 1994, e ela participou, na época, do grupo de teatro Catses.
Ela participou de duas montagens: "Crônicas no Teatro Um" e "Crônicas no Teatro Dois". E, depois de mais de 30 anos como professora e educadora, né, ela acabou se aposentando pela rede municipal de ensino de Sorocaba. Hoje, ela vem até aqui contar um pouco da história dela.
Depois do curso de Letras que ela fez na Uniso, ela cursou Pedagogia pela Universidade de Guarulhos, Administração Pública pela Fatec e cursou a pós-graduação em Psicopedagogia na Uniso e também em Mídias na Educação pela USP. Nesse caso, também um curso de pós-graduação. Então, Vanderly, seja bem-vinda!
É um prazer enorme ter você aqui conosco e queremos ouvir agora um pouco dessa sua história e da sua experiência dentro da educação, a sua experiência também contando um pouco das suas viagens dentro do teatro, né, e das técnicas teatrais aplicadas ao ensino. Mas vou começar lá do começo, né? Onde você nasceu?
Bom, oi! Obrigada, Roberto, pela oportunidade de estar falando, né? Eu nasci em Sarapuí, sou a sétima filha de uma família do sítio, né?
E, na verdade, a cidade é Sarapuí. Fui a única dos sete filhos que nasceu numa maternidade, em Tatuí. Mas onde a gente morou mesmo era mais no interior ainda.
Sarapuí é uma cidade muito pequena, né, para quem conhece. A gente morava no sítio, a 6 km da cidade. Então, foi lá que eu tive os primeiros contatos com a paixão que eu tenho até hoje, que é literatura e história, que me levou para o lado da educação, né?
Trabalhei 30 anos. E ali no sítio, você tinha a presença de quem? Sua avó e seu avô moravam juntos também?
Não, na verdade, assim, eu morava com meus pais. Meu pai era agricultor, né? Então, minha mãe ficava em casa e meus irmãos eram todos mais velhos.
Eu não tinha muita criança para brincar onde era a minha casa, né? Era um sítio onde moravam pessoas bem longe até, inclusive das outras, e eu não tinha colegas para brincar. Então, eu brincava praticamente sozinha.
Eu costumo dizer que a necessidade é a mãe da criatividade, né? Então, a partir daí eu tinha que elaborar brincadeiras. Eu passava o dia todo fugindo da minha irmã, que queria brigar comigo, e aí ficava brincando e fantasiando.
E para estudar, a primeira escola que eu fui tinha que ser em outro bairro onde tinha escola, porque onde eu morava não tinha. E era uma regra geral da minha família: todos iam morar com minha avó, que lá tinha. Foi lá que, assim, minha paixão começou.
Meu avô era um homem muito simples, ele era tropeiro, mas tinha uma poesia, uma alma que encantava. Ele era analfabeto, mas as noites eram fantásticas. Eu passava o dia inteiro esperando chegar a tardezinha para ele contar os causos.
Ele botava a cadeira na frente da casa e, naquele terreiro, a gente ficava ouvindo ele contar histórias. Ali era a nossa fuga da realidade para um mundo fantástico, cheio de mitos e lendas. Era mágico, e sobre o ar estrelado, né?
Então, era muito poético e isso me encantou, me deixou uma marca que até hoje tenho muito viva dentro de mim. E aí, lá você ficou até. .
. Ah, bom, depois você terminou? Não, então, lá eu fiquei na casa dos meus avós.
Fiquei um ano. Depois, comecei a ir para Sarapuí porque a prefeitura começou a enviar transporte. Eu não ia estudar em Sarapuí por conta disso, porque era difícil pra gente ir a pé.
A gente era pequeno ainda, então morávamos com meus avós, que eram perto e dava para ir a pé. A partir do momento que a prefeitura começou a estabelecer um transporte fixo, a gente ia, mas era muito precário. A gente chegava de caminhão, de caçamba, que passava para pegar as crianças.
A gente subia, mas aquilo era tudo uma festa, né? Quando chovia, o caminhão encalhava, e a gente chegava na cidade toda cheia de barro, mas era um desafio. Agora, só me traz as recordações boas, porque eu acho que na época não devia ser tão bom, né?
Mas era muito legal, era um desafio de estudar. E aí, eu fiz os outros anos até o magistério na cidade de Sarapuí. Sei que o magistério era a única opção.
Se você quisesse estudar mais alguma coisa, tinha que sair. E como já estava difícil o transporte para chegar a Sarapuí, a gente ficou por ali mesmo e acabei fazendo o magistério. E aí, depois, você já chegou a trabalhar já nessa época ou não?
Não, então, nessa época até me formar no magistério, eu estudei. Foi aí que comecei a ter o primeiro contato com o teatro, que foi na quinta série. Ah, é, na quinta série!
É outra das minhas paixões, além da literatura, poesia e artes. Eu adoro artesanato, adoro coisas manuais, técnicas novas. Assim, eu vivo.
. . Tentando descobrir coisas novas porque eu adoro.
E aí, a professora de educação artística, que era uma pessoa que eu ficava muito em cima dela, chegava até a incomodar, resolveu montar uma peça de teatro para apresentar para as outras salas. Como eu acho que eu era, eu ficava em cima dela, não tinha muita opção. Eu fui a primeira a ser escolhida e foi muito legal, porque ali, aquela criança tímida que vivia brincando no meio do mato sozinha e não se encaixava direito, eu fui meio que, assim, me encontrando.
Fizemos a peça e foi muito legal, nossa, foi bem acolhida, ia em todas as salas. Foi muito legal, mas foi a única experiência que eu tive no magistério; já não tive mais nada, porque já foi mais. Aí, depois, saí do magistério.
Saí do magistério e a gente tinha que ir para algum lugar, porque trabalhar em Sarapuí era difícil. Inclusive, teve um concurso lá, logo que eu formei com 18 anos, na rede municipal, que precisava de vaga para professoras. E aí teve um concurso que eu acabei passando, eu passei em terceiro lugar.
Só que eu queria estudar, eu queria fazer faculdade e, nessa época, minha irmã tinha vindo para cá, para Sorocaba, para morar e para trabalhar. E aí, ela precisava de gente para ajudar, alguém para dividir o aluguel. Nós viemos, daí veio eu e meu irmão, e mais um irmão; nós viemos em quatro.
E aí que eu comecei a trabalhar no supermercado, aqui no Supertuba, em cima da rodoviária, né? Fiz cursos com a Marinis Panus, que na época era secretária de educação, e ela dava muitos cursos. Eu, como vim para cá, precisava arrumar emprego; só o Supertuba não dava para fazer as coisas que eu queria.
Aí, fiz os cursos com ela, teve uma entrevista que eu consegui passar, fui chamada e comecei a trabalhar com educação infantil. E aí, nesse ano de 93, que eu comecei a trabalhar na prefeitura como CLT. Na época, eu entrei para a faculdade e, a partir daí, eu não saí mais da prefeitura, porque teve o concurso para efetivar, eu me efetivei e fiz letras, por conta da, como eu costumo dizer, da literatura, que era minha paixão.
As outras matérias eu passei, né? Mas eu sempre gostei mais de literatura. Eu sempre gostei muito da questão de literatura.
Certo, e aí, ali dentro, você também acabou participando de saraus, né? Você falou que… como que acontecia, em que disciplina? Então, a gente que vem do interior, eu não sei hoje em dia, mas naquela época, a gente tinha aquele medo.
Quer dizer, não é só questão de ser do interior, eu acho que era uma coisa minha mesmo; muita insegurança, muito medo, né? Eu precisava me sentir acolhida. E aí, nas disciplinas que o Roberto, o professor, ministrava, tinham as apresentações de sarau.
A gente elaborou primeiro, que foi. . .
ai, não me lembro, mas acho que eu fiz a morte, que era um personagem que transitava entre os outros e declamava poesias. Aquilo para mim foi muito gratificante, porque eu entrei no palco com todos os medos, com todas as inseguranças, e cheguei lá e comecei a declamar, né? E, mesmo atrapalhada, gaguejando, errando o texto, concluí, porque eu acho que eu era uma boa vendedora, né?
Porque, medo, eu estava apavorada, mas ali, né? E aí, assim, terminei por conta de uma proposta que era obrigatória para ter nota, né? E aí, quando eu li o roteiro que entra para o professor, que eu tenho guardado até hoje, que eu falo que é meu tesouro pessoal, foi muito importante a avaliação que você fez, onde falava de qualidades que nem eu sabia que tinha, né?
Que me fez enxergar uma luz que estava apagada, eu acho. E a partir daí, eu comecei a desenvolver mais essa questão de autonomia, questão de segurança, e me encantou o teatro. Eu não fazia parte do grupo; eu só fazia parte das apresentações que eram obrigatórias, e o grupo já era formado, né?
O grupo com os colegas de sala. E eu comentei com a Adriana, uma amiga minha, que eu queria muito fazer parte. Só que vocês já estavam ensaiando para uma apresentação, que eram “Crônicas”, e acho que já estava próximo de ter a apresentação.
E aí, num belo dia, eu lá fazendo prova, o professor Roberto aparece e me convida para fazer parte do grupo, porque uma menina tinha saído e se eu queria entrar. Nossa, eu fiquei muito feliz; ali foi uma realização, foi um divisor de águas, porque aí eu me encaixei, eu me encontrei, fui convidada a fazer parte de alguma coisa e fiquei durante os últimos dois anos que o Roberto ficou, né? Que depois o Roberto Gil saiu.
E aí fizemos, e a convivência foi muito boa. Não quero dizer que você fez parte do grupo de teatro, isso com o Roberto Samuel. E depois, então, que eu saí, saiu e entrou o Roberto Gil.
Daí, porque, na verdade, você já também estava em outro grupo, né? Nesse período em que eu estava fazendo parte do grupo da faculdade, eu conheci a Bianca, que é uma das colegas, e o tio dela, o Ari; ele tinha um outro grupo, Ari Marçal, Bianca Molina. Sim, e ele estava fazendo uma montagem de apresentação de uma peça, que apresentava “O Avarento”.
Ah, e aí eu comecei a ensaiar junto com eles. Ah, eu não me lembro que papel que. .
. Eu ia fazer, só que o que acabou era o último ano, acho que era '95. Eu estava fazendo, estava trabalhando e trazendo uma ADP do segundo ano de inglês, então eu estava meio.
. . eh.
. . não dando conta.
Aí, acabei saindo do grupo de teatro da faculdade e saí do grupo do Ari também. Eu só acompanhei a apresentação que eles fizeram no teatro, que foi muito linda. Eu falo que eu fiquei encantado.
. . eh.
. . encantada quando eu vi o figurino, que foi assim.
. . eh.
. . roupas de época.
Até acho que eles ganharam um prêmio, né? Foram indicados, eu não sei, pelo figurino, que era riquíssimo. Eu não sei quem fez, mas era maravilhoso.
Eram todas as roupas de época, aqueles vestidos longos, os sapatos, todos feitos em juta. Entendi. Então, é uma coisa que hoje eu faço, que é figurino, que foi assim.
. . ali também foi uma coisa que me despertou.
Entendi. Agora, durante as duas montagens, você participou, né? Crônicas no Teatro 1 e Crônicas no Teatro 2.
Você chega a lembrar de alguma coisa de como era seu envolvimento com o grupo? Ah, muitas coisas! O grupo da gente não era só teatro, né?
A gente tinha uma relação de amizade, a gente saía, a gente convivia. Foram dois anos assim que a gente. .
. tanto que eu trago até hoje contato com algumas pessoas do grupo, que eu não esqueço, né? A coxia, coisas de coxia a gente não esquece, coxia, né?
Que fala. . .
Isso! Então, a gente não esquece. O Edson, o Edvaldo, a Adriana.
. . Eu fui descobrir um primo meu no teatro, coisa que a gente nem convívio familiar tinha trazido, né?
Porque primo de longe tem uma família enorme, a gente acaba não conhecendo todo mundo. E daí, no teatro, colegas do grupo, então era seu primo do grupo. Eu acabei descobrindo que era meu primo Ivan.
E aí, né? A gente se reunia. .
. além dos sábados dos ensaios, a gente se reunia pra casa dele. A gente saía.
. . inclusive eu.
. . a gente foi pro sítio lá em Sarapuí visitar.
Você levou os seus filhos, lembro, né? O pessoal foi lá. Acho que a gente fez um piquenique.
Se não me engano, foi no domingo, né? Foi no domingo conhecer Sarapuí, o grupo todo. Foi conhecer mais precisamente Mato Dentro.
É, Mato Dentro! É que a gente tem um sítio ainda lá. Sei que coisa boa, é muito bonito!
Ah, garal. Aham. Então, essa.
. . E aí, você dando aulas, você chegou a começar a fazer alguma coisa nesse sentido de utilizar essas experiências das atividades teatrais na escola?
A parte de literatura, a parte de poesia, eh. . .
presente, né? Eu sempre trabalhei com educação infantil e as pessoas que não são da área não têm muita noção, porque eles acham assim: "Ah, a educação infantil é só brincar". É a primeira infância que a gente estimula, né?
Ou procura mediar, pelo menos, esses tipos de conhecimento, poesia, música, artes. Então, a gente trabalha muito de forma lúdica, essas coisas, para transformar de uma forma prazerosa e leve pras crianças. E a gente.
. . e literatura é uma coisa que, no dia a dia, todo dia, você tem que estar com uma história.
Você tem que estar inventando, você tem que estar se transfigurando, né? Em personagens, porque pense bem, ficar as crianças olhando pra cara da gente 4, 5 horas por dia é enfadonho, né? Então, a gente usa as mil faces que foi graças ao teatro, né, que a gente adquiriu.
Então, tem que entender de todas as formas, não só ensinar, mas empreender também. E dentro desse desenvolvimento, nessas ações, né, o que tem, assim, de que se salienta? Qual o tipo de atividade que você desenvolveu com o pessoal?
Ah, a gente fazia muita montagem nas apresentações, eh. . .
de final de ano, apresentações para os pais também. Eh. .
. principalmente na última escola que eu trabalhei, a gente fez. .
. teve um projeto que chama Piquenique Literário, que foi a primeira escola aqui de Sorocaba que desenvolveu. Como a gente tinha a sorte de trabalhar do lado de uma praça que tem um coreto, eu me lembro que a primeira diretora que propôs esse projeto, eh.
. . ela é muito ligada a questões de poesia e de literatura, né?
E aí, ela queria que a gente aproveitasse o espaço, que ela falava que era um absurdo ter um espaço tão bonito, cheio de árvores, e a gente não usar. Então, como a gente já trabalhava com literatura e poesia, a gente resolveu unir essa parte de literatura com piquenique e levar as crianças até o coreto. Então, era um momento que a gente enfeitava o coreto, a gente arrumava o chão pra as crianças sentarem, e as crianças vinham e assistiam à apresentação.
Os pais também ficavam à vontade, se quisessem assistir, porque era na praça. E lá tinha ou era apresentação que nós, professores, montávamos, ou eram grupos de contação de histórias. Era grupo de recriação que vinha para sempre apresentar alguma coisa artística, e após essa apresentação, as crianças tomavam lanche e colhiam um livro, porque tem a história, se não me engano, do Cláudio Fagundes, que ele derrubava o alfabeto no chão, e as letras caíam e cresciam árvores, e essas árvores davam frutos, e os frutos eram livros.
Então, a gente tinha essa abordagem de colocar os livros nas árvores pras crianças escolherem. Então, era um momento total de imersão as crianças. E essa escola, qual que era mesmo?
Era a 67, Moura Pereira. Certo? Que foi a escola que eu me aposentei.
E eles têm esse. . .
Projeto, até hoje, é, se eu não me engano, a primeira apresentação no coreto, que foi em 2012. O nome, então, é Piquenique Literário, que é o marco, né? E a escola foi pioneira.
É claro que tem outras que também fazem o trabalho, mas, entendo, se eu não me engano, a primeira a fazer esse tipo de trabalho aqui foi o 67. É tanto que, durante a pandemia, a gente não podia reunir, então nós trabalhamos em forma de driving para entregar os livros. Drving!
Então, os pais passavam e a gente entregava panfletos, né, e entregava os livros para as crianças. Então, na verdade, vocês faziam também o que eram atividades com pequenas peças teatrais, ou como que era? Sim, tinham peças.
Então, cada ano tinha uma coisa, né? Então, começou com contação de histórias. Depois, a gente fazia montagem teatral.
Nós, os professores, fazíamos figurino e apresentávamos a peça. No outro ano, era recreação, eram músicos. Então, a gente tinha que variar, sei, e o tema, né?
E parece que até vocês entraram. As apresentações, os teatros eram nós que fazíamos. Vocês que interpretaram.
Além de interpretar, fazíamos o figurino, a decoração. Então, nós éramos a parte. E, em alguns momentos, as crianças também entravam.
Então, nessa proposta do Piquenique Literário, não, as crianças não faziam apresentações. O que a gente elaborava dentro da unidade era para apresentar para os colegas delas, só ali dentro. Mas lá dentro, porque elas eram pequenas, sim.
Sim, muito bem, parabéns! Não evitar expor a criança muito nova. A creche, integral e parcial, então tem crianças até 5 anos.
Até esse ano agora, tem uma turma de dois, mas até o ano passado eram turmas de dois anos a cinco. Sei, então são crianças bastante pequenas. Nós fazíamos teatro, sim, montávamos peças com elas, mas lá dentro, lá dentro.
Permita, porque até 5 anos, evitar expor a criança não, não era expô-la de forma nenhuma. Era entre eles, entre os pares, que era como se fosse uma brincadeira. Isso, muito bem!
Daí, a gente fazia várias coisas também. Mas, e quando tinham profissionais? Ou a gente mesmo, sim, enganava um pouco na atuação.
E aí, parece que você falou alguma coisa também, né? Estava querendo falar alguma coisa sobre Votorantim, né? Umas atividades que eram desenvolvidas numa escola?
Então, isso aí foi referente ao meu filho. O meu filho, ele estudou uns anos aqui em Sorocaba. Mas como ele tem dislexia, né, e a gente acabou descobrindo durante esse período que ele estava aqui em Sorocaba, eu tive uma orientação de uma supervisora da Uniso, que hoje é falecida, de um colégio em Votorantim, que tinha tido uma abordagem, um trabalho muito bom com o neto dela, que tinha dislexia.
E, como eu tive muita dificuldade em vários colégios aqui em Sorocaba com o meu filho, nós o levamos até lá. Inclusive, ele ficou desde a sexta até o ensino médio nesse colégio porque ele foi muito bem acolhido. Ele desenvolveu um vínculo muito forte lá, desenvolveu autonomia.
As dificuldades dele foram superadas, e lá ele também teve contato com a questão do teatro, questão desses espetáculos, porque eles desenvolviam um trabalho muito bonito de sarau. Então, sarau literário. E a primeira peça que meu filho fez, ele era um personagem de desenho animado.
Acho que era "Festival", onde tinham várias montagens com personagens animados. Ele era o Gru. E aí, eu não queria só simplesmente botar uma roupa, botar uma máscara e colocá-lo como ele gostava.
Essa parte de arte de figurino, eu fiz questão de fazer a máscara, a máscara a careca, né? E aí, eu fui atrás de quem fazia, mexer com látex. Encontrei um rapaz, Cláudio, eu não me lembro o sobrenome dele, mas ele é bem famoso aqui na cidade, que faz a parte de figurino, de máscara para o parque, para os encontros à noite que tinham de terror, que tinha no PlayCenter, não sei se não tem mais, né?
E ele fazia essas máscaras de terror. E eu fui atrás dele, comprei o látex, ele me explicou a técnica, fui lá e fiz o nariz, fiz a prótese de látex, modelei em massinha de criança, fiz o molde de gesso, fiz a máscara. Ah, e aí, quando meu filho subiu no palco, ele estava todo caracterizado do Gru, careca, com narizão, e fiz o cachecol.
Nossa, foi assim, ele ficou encantado, as pessoas também. E, a partir daí, todo ano eu fazia o figurino e foi muito importante para meu filho. E essa questão do teatro, ele, como tinha passado por várias escolas aqui em Sorocaba, imagine uma criança com dificuldade, que não é escolha, que é um modo de ser, ser julgado, não ser aceito, não ser enquadrado.
Era muito agoniante para ele e para mim. Então, quando ele entrou no colégio lá de Votorantim e foi acolhido e começou a ter essa dinâmica do teatro, então foi como se fosse uma válvula de escape para ele. Através do teatro, percebi que ele se autorregula.
Então, eu vejo, e não só como profissional, mas como mãe, do outro lado, de como é importante ter essa forma de trabalhar, sem ser uma forma só punitiva, só, né, muito fechada, digamos assim. E que como desenvolver as potencialidades dele, porque até então ele achava que era menos que os outros. Outros, e ele tem um Q ir acima da média, então ali ele viu potencialidades que ele jamais.
. . como eu, né?
Porque eu vejo a dificuldade, eu vejo reflexos meus no meu filho, né? Então, muitas das dificuldades que ele tem, eu tinha. Então, vê isso aflorar, esse outro lado positivo é muito gratificante, é muito.
. . sim.
Você lembra o nome da escola? É Colégio Dimensão. Como Colégio Dimensão?
Dimensão! Ah! Ótimo, ótimo!
Então, agora, você, né, aposentada, uma educadora. . .
mas lógico, agora você está também montando, né? Você tem a intenção de montar um espaço, acho que é online, né? Uma loja online.
. . verd?
Princípio é uma coisa modesta, sem muita pretensão, sim, mas envolvendo o seu processo criativo, né? Que está dentro do processo criativo. Exatamente!
Como eu, eu atuo, não eu especulo, digamos assim, em muitas partes e muitos jeitos, tanto artesanato, de costura, de modelagem, de agulhamento, de tudo que você imagina, eu acabo aprendendo a técnica porque eu sempre tive muita facilidade para aprender. E, trabalhando na educação, eu sempre fiz muita coisa de fantasia, de decoração, eu faço decoração de festas também. Então, agora, eu queria montar uma coisa que eu gosto, mas sem muito compromisso, muita pretensão, sabe?
Uma coisa bem simples, montar objetos de artesanato personalizados, digamos assim, que as pessoas podem ter oportunidade de escolher e sair com a cara dela ou, melhor, com a alma, diferente de uma coisa de linha de montagem, entendeu? Pelo menos é o que eu estou com a intenção de fazer. A sementinha aqui.
E se você olha para trás agora, nessa professora, agora aposentada, né? Mas que trabalhou todas essas experiências na escola, como você vê a importância dessas atividades teatrais dentro da escola, atividades na educação? Então, para você, ou também, né, no contexto educacional, eu acho fundamental.
Eu acho que, principalmente, nós viemos em uma educação onde tudo era muito fechado. Não vou dizer travado, mas tinha que tudo. .
. você tinha que se moldar para se encaixar; você não podia sair daquilo. Tudo que você saísse do padrão era considerado efeito, era pontado, e isso fazia com que as crianças acabassem matando potenciais que são maravilhosos, fantásticos.
E a gente tem que incentivar, não matar. A gente não pode podar. E eu acho que a potencialidade, não só curricular, que é o que a nossa geração recebia.
. . a cobrança de ser bom aluno, da questão acadêmica.
Claro que não estou dizendo que é para deixar para trás; é importante, tem que ir também, mas quantos têm um leque de possibilidades de talentos que a gente só vai conseguir desenvolver? E pessoas, né, que têm uma afetividade, que têm uma segurança. .
. ainda mais pós-pandemia, que está todo mundo muito doente emocionalmente, a gente tem que acolher. E o teatro, e essa questão de acolher a criatividade, é fundamental para a personalidade desses futuros profissionais.
Digamos, não importa a área que cada um deles escolha; eles vão ter que ter uma base emocional muito forte, porque ninguém, nada, ninguém é realizado, seja na família, seja profissionalmente, se não tiver uma base emocional. A gente vê adultos emocionalmente doentes por conta do encaixe, do ter que corresponder a uma expectativa. Então, a gente tem que ter esse olhar.
Então, arte-educação, teatro é fundamental para os educadores que atuam hoje olhar para essas crianças, né? Não só como indivíduos reproduzindo, mas com potencial criativo ilimitado, né? Is, Vandeli, querida, muito obrigado, viu?
Foi um prazer enorme ouvi-la, né, nesses relatos muito gostosos. Nossa, é tão bom relembrar todos esses momentos e a importância. Parabéns pelo seu trabalho, parabéns pela sua aposentadoria!
Obrigada! Parabéns por toda essa história de vida maravilhosa que você tem ao chegar aqui, né? Eu falo que, se não fossem pessoas como.
. . profissionais de excelência como você, eu acho que a gente não se realiza como profissional, né?
São esse toque delicado e com tanta gentileza que pessoas como você fazem na vida dos alunos, que faz toda a diferença, que faz a realização pessoal, né? A gente atingir o objetivo, não só profissional, mas como pessoal, como pessoa, né? E é isso: chegar à aposentadoria, é que coisa boa olhar para trás.
Parabéns, viu? Muito obrigada! Eu que agradeço!
E com certeza estaremos juntos em outros momentos, de outras formas, mas vamos continuar presentes. É que agora. .
. agora é em figurino! Se quiser, eu faço figurino.
Tá vendo só, ó, figurinista! Tá vendo quanta coisa linda! Quer mostrar alguma foto daí de alguma coisa que você fez até.
. . Olha, está a foto em que ela está presente.
Tá vendo? Ela está logo acima do Edson, que está com a boca aberta bem no meio. E, embaixo, aliás, todos estão quase com a boca aberta, né?
Mas olha aqui que é a figura. . .
Ah, é! Eu não parava! Que difícil de fotografar!
E agora ela vai mostrar. Ali, ó! Essa é um figurino de cangaceiro, ótimo!
Baseado num personagem do Tuca Andral, que ele fez uma minissérie, certo? Aí, ó, é o próprio filho dela! Meu filho, que é a modelo.
Meu filho sempre foi o meu! E ela tem assim. .
. nossa, impressionante! E a maquiagem também, ela que faz!
Faz a maquiagem! Tem um personagem aqui. Esse envolvimento dela continua dentro do teatro, na educação.
Isso. . .
um pouquinho mais. Ótimo! Aí, olha que bonito, né?
Então, alguns dos trabalhos que ela desenvolveu! Minha melhor produção: meu filho! Muito obrigado, querida!
Obrigada eu! E para vocês que nos acompanham, né, a nossa gratidão por mais este momento, né? Uma.
. . Delí ouvir aqui a Vander e que estejamos juntos nos próximos encontros, tá bem?
Muito obrigada a todos e a todas. Obrigado, Vand, e obrigada, obrigada pelo tempo e pela paciência.