[Música] eu já morava em Recife Fazia tempo mas naquela época eu ainda era novo por aqui tentando me ajeitar conhecendo o povo os lugares meu amigo thgo que sempre foi mais festeiro vivia me chamando para sair ele dizia que a melhor coisa do Recife era a noite que a cidade não dormia que tinha festa em todo canto e eu besta acreditei Foi numa sexta-feira quente de Novembro Thiago apareceu lá em casa com um sorriso de canto a canto dizendo que tinha descoberto uma festa nova um baile daqueles antigos com orquestra e tudo diz que era
diferente das festas modernos que a gente ia que era um resgate da tem que ir de social ele avisou camisa de botão sapato tudo direito achei estranho mas topei eu ele e mais três amigos Diego Carla e Marina nos arrumamos e pegamos um táxi para lá o endereço ficava num canto meio esquecido da cidade num prédio antigo que segundo Tiago já tinha sido um salão de baile muito famoso nos tempos dos nossos avós quando o carro na frente coisa que me veio na cabeça foi que o lugar parecia velho demais para ter festa ali a
fachada era de outro século cheia de detalhes esculpidos na madeira Mas estava meio descascada gasta pelo tempo tinha um letreiro apagado em cima da porta mas as letras eram difíceis de ler será que é aqui mesmo Diego perguntou olhando desconfiado thgo sorriu claro que é olha o movimento ente parecia que a festa tava acontecendo tinha gente entrando homens de terno mulheres de vestido longo O estranho é que não dava para ouvir música Nenhuma vindo de dentro só o barulho dos Passos das pessoas e um murmúrio baixo como se todo mundo falasse bem baixinho Marina franziu
a testa sei não isso Tá esquisito mas já estávamos ali arrumados e prontos pra festa então entramos o salão era enorme com um lustre imenso no centro brilhando como se tivesse sido polido naquela mesma noite o piso era de madeira escura lustrado ao ponto de refletir as luzes das velas nos candelabros pendurados pelas paredes o cheiro era de coisa antiga madeira velha e perfume forte daqueles de antigamente a orquestra tocava uma música que parecia sair direto dos anos 50 um frevo lento cadenciado diferente do que a gente estava acostumado a ouvir no carnaval e as
pessoas elas dançavam de um jeito tão certinho tão ensaiado que parecia cena de filme Os homens conduziam as mulheres com delicadeza os vestidos rodavam no ritmo da música e ninguém parecia fora de lugar só que tinha uma coisa errada ali os rostos eles estavam sorrindo Mas os olhos os olhos não acompanhavam o sorriso era estivessem vazios olhando através da gente Diego se inclinou meu lado bicho que é essa esses caras tão estranhos Tiago que já tinha pegado um copo de bebida riu Parem de besteira o povo daqui só é mais na deles ué Bora dançar
e ele foi pegou a mão de uma moça de vestido azul claro e comeou a rodar com ela pelo salão a Dana como tivesse sido feita para aquilo o problema é que quando ela virou o rosto rápido eu tive certeza que vi algo estranho na pele dela como se fosse transparente por um segundo como se por baixo da camada de carne tivesse outra coisa eu engoli em seco Carla puxou meu braço Bora sair daqui mas quando a gente se virou pra porta não dava mais para ver a rua o salão parecia maior do que antes
e e a entrada não estava mais onde a gente lembrava E então a orquestra parou o silêncio foi tão repentino que o ar ficou pesado as pessoas pararam de dançar ao mesmo tempo e um por um começaram a se virar pra gente eu nunca vou esquecer dos olhos deles todos sem exceção tinham aquele mesmo olhar vazio mas agora mais de perto eu vi que a pele deles parecia pálida demais alguns com tons esverdeados azulados como se como se estivessem mortos a dias foi quando o primeiro deles abriu a boca mas não saiu som nenhum só
um vento frio que fez meu corpo todo arrepiar a gente correu Mas para onde a porta tinha sumido as janelas estavam cobertas por cortinas pesadas que quando a gente tentava puxar pareciam coladas na parede o salão Parecia um labirinto e os mortos vinham vindo devagar como se soubessem que a gente não tinha para onde irago gritava o nome da moça de azul Mas agora ela não parecia mais tão bonita o rosto dela estava mais apodrecido e foi aí que eu vi no espelho ao fundo do salão a gente não tinha reflexo meu coração disparou o
espelho não mentia a gente estava lá no meio do salão cercado por aquelas tinha reflexo nenhum era como se já não estivéssemos mais vivos corre gritou Carla puxando meu braço a gente disparou pelo salão tentando achar uma saída qualquer coisa mas cada porta que a gente abria dava pro mesmo lugar o salão de baile lotado de mortos dançantes que sorriam sem vida era como se o lugar estivesse brincando com a gente foi quando Tiago gritou Eu Me virei e vi a moça de azul aquela mesma que ele tinha puxado para dançar tava agarrando ele pelo
braço mas a pele dela já não parecia mais pele era fina frágil como papel Velho e quando ela apertou mais forte eu vi os dedos afundando na carne dele como se fossem se misturar o grito de Thiago ecoou pelo salão as outras figuras começaram a se mexer avançando devagar os rostos ainda congelados naquele sorriso bizarro Eu Nunca senti tanto medo na minha vida a gente estava preso sem saber como sair e aquelas coisas aquelas coisas iam nos transformar em um deles então Diego fez a única coisa que dava para fazer pegou um dos candelabros pendurados
na parede e jogou no chão o fogo subiu rápido a madeira velha pegou o fogo num instante e pela primeira vez na noite as criaturas recuaram mas não porque tinham medo era porque elas estavam mudando a pele delas começou a derreter como cera de vela revelando o que tinha por baixo caveiras restos de carne escurecida buracos onde antes tinham olhos mas elas ainda estavam sorrindo foi ali que percebi que se a gente não saísse rápido a gente nunca mais ia sair a fumaça começou a encher o salão e por um segundo o lugar pareceu se
distorcer como se a gente estivesse dentro de um pesadelo prestes a desmoronar E então do nada a porta apareceu de novo sem pensar duas vezes a gente correu passamos por ela sem olhar para trás sentindo o calor do incêndio nas costas os murmúrios e os risos dos Mortos se misturando ao estalar da Madeira queimando quando a gente finalmente saiu a rua tava vazia e o salão o salão estava completamente abandonado não tinha música não tinha luz não tinha ninguém só um prédio velho escuro e esquecido como se ninguém tivesse pisado Ali há décadas a gente
correu sem olhar para trás sem falar nada só paramos quando chegamos em casa cada um em silêncio tentando entender o que tinha acontecido no dia seguinte Thiago jurou que ia voltar lá para provar que aquilo tudo era era coisa da nossa cabeça mas quando a gente chegou no endereço o salão não tava mais lá no lugar só um terreno vazio cheio de mato como se o prédio Nunca tivesse existido a gente nunca mais falou sobre isso mas toda vez que escuto frevo tocando na rua Aquele arrepio volta e às vezes quando passo pelo Centro à
noite juro que ouço o eco de uma orquestra distante tocando um baile que nunca acabou se chegou até a aqui deixe seu like se inscreva e comente De onde você é carnaval em Ouro Preto é outra coisa quem já foi sabe do que eu tô falando as ladeiras viram um mar de gente todo mundo pulando bebendo Seguindo os blocos rindo alto sem se preoc com nada mas quem conhece bem a cidade também sabe que ela tem uma energia diferente Ouro Preto tem história tem sangue nas ruas de pedra tem gente que nunca foi embora de
verdade e naquela noite a gente percebeu isso da pior forma era sábado de carnaval eu Vinícius e o Maurão já estávamos no meio da muvuca desde cedo a gente tinha chegado na cidade de manhã deixado as mochilas na República onde um amigo nosso estava hospedado e sem rumo só seguindo o fluxo dos blocos era só festa até que lá pelas 10 da noite aconteceu a gente estava descendo uma rua menos cheia um Pouco Mais afastada do centrão Quando Vinícius Cutucou meu braço mano olha naquela mina ali no meio daa um pouco mais à frente tinha
uma Muler parada ela usava um vestido vermelho longo colado no corpo tava com um sorriso de canto um jeito meio hipnotizante era impossível não olhar o vestido dela não combinava com nada ali todo mundo suado de abadá camiseta rasgada tênis sujo ela tava limpa Impecável como se tivesse acabado de sair de um filme antigo parece que tá esperando alguém né Maurão comentou ajeitando a camisa A gente riu mas no fundo algo parecia estranho mesmo com tanta gente passando ninguém olhava para ela só a gente ela virou devagar na direção de uma ruazinha lateral bem mais
escura e vazia e olhou direto pra gente o sorriso dela ficou maior chamando a essa altura Vinícius já estava indo atrás sem pensar duas vezes Ô moça tá indo para onde ele gritou rindo ela não respondeu só continuou andando eu não sei explicar mas alguma coisa me fez arrepiar inteiro era como se não fosse normal não era medo era um incômodo uma coisa errada Vinícius vamos voltar véi falei segurando no braço dele que isso cara você tá medroso agora ele riu carnaval é isso pô e antes que eu pudesse segurar ele de novo Maurão foi
junto a rua era escura as casas antigas com Sacadas de Ferro sombras se formando nas paredes de pedra a gente desceu e de repente a música do carnaval sumiu era como se a gente tivesse entrado em outra cidade só dava para ouvir o barulho do vento e o som abafado dos nossos passos no chão de pedra e a mulher de vermelho lá na frente andando devagar foi aí que eu comecei a reparar melhor ela não andava normal os passos dela eram muito suaves o vestido não balançava com o vento e mesmo naquela rua escura ela
parecia sempre iluminada de um jeito estranho eu queria falar aluma coisa queria puxar os caras e sair correndo dali mas parecia que alguma coisa me impedia como se a gente já tivesse ido longe demais então ela parou a gente também parou ela virou de frente pra gente ainda sorrindo e quando ela abriu a boca para falar não saiu som nenhum a gente só viu os lábios dela se mexendo mas nenhuma palavra saiu foi nesse momento que eu senti que a gente estava e então no mesmo instante todas as luzes da rua piscaram e apagaram e
no último segundo antes do Breu completo ela sumiu quando as luzes se apagaram o silêncio tomou conta de tudo eu não conseguia ouvir nada nem os gritos da Galera nas ruas mais afastadas só o som abafado das minhas batidas cardíacas e o meu próprio fôlego a gente ficou ali parado no meio da rua escura por um tempo que parecia eterno eu não sabia se tinha sumido de verdade ou se era coisa da minha cabeça nada fazia sentido mas foi o Vinícius quem primeiro quebrou o silêncio mano cadê ela ele perguntou com a voz tremendo eu
não sabia responder olhei em volta e não vi nada a rua estava vazia não dava para ver a mulher de vermelho em lugar algum ela simplesmente não estava mais ali Maurão que estava mais à frente também comeou a se virar para procurar por ela eu crescente pela nuca algo me dizia que a gente não devia estar ali não naquele lugar e então aconteceu a voz dela não foi um grito não foi um sussurro Foi algo mais profundo algo que Pareci vir do fundo da terra do além vocês não vão mais sair era uma voz feminina
mas não parecia humana era como se estivesse ecoando dentro da minha cabeça mas ao mesmo tempo dentro dos meus ossos como se algo dentro de mim estivesse sendo rasgado eu olhei PR os meus amigos e vi que eles também estavam congelados os olhos arregalados ninguém se mexeu só o som da voz continuava repetindo a mesma frase e foi nesse momento que a rua que antes parecia normal se transformou as casas ao redor começaram a parecer distorcidas as fachadas se desfigurando como se tudo ao redor Estivesse se retorcendo se contorcendo Em um formato que eu não
conseguia identificar o lugar tava virando um pesadelo eu senti uma mão gelada apertando os meu ombro e quase caí para trás de susto quando virei vi que não era ninguém era o próprio ar denso e frio como se a cidade inteira estivesse respirando em cima de mim vamos embora agora falei quase sem voz mas a reação dos meus amigos foi est eles não se moviam pareciam hipnotizados Vinícius em especial Parecia ter perdido o controle os olhos vidrados ele não parecia mais ali estava em um trans como se fosse outra pessoa foi quando a mulher de
vermelho apareceu de novo mas não era a mesma não tinha mais o sorriso O vestido perfeito ou a postura suave ela estava distorcida com os olhos Fundos negros como uma noite e o rosto estava deformado era como se tivesse envelhecido de repente como se fosse um vulto uma sombra grotesca sem vida ela olhou diretamente para mim sem dizer uma palavra e eu senti uma pressão no peito como se fosse ser esmagado o que ela quer o que ela vai fazer com a gente perguntei com a voz falha Vinícius olhou para mim mas seus olhos estavam
perdidos ele não parecia mais meu amigo ele parecia estar em outro lugar como se o corpo dele estivesse lá mas a alma sei lá já tivesse ido embora Maurão foi o primeiro a acordar ele deu um passo para trás com a expressão de quem tinha acabado de ver o Diabo na frente dele ela não é normal cara ela não é de carne e osso ele sussurrou o rosto pálido eu não queria mais saber o que ela era só queria sair dali tentei puxar Vinícius mas não conseguia ele não se mexia como se estivesse preso e
a mulher se aproximava cada passo dela fazia a rua se fechar mais as pedras do chão pareciam afundar a cada movimento dela o medo tomou conta de mim eu nunca tinha sentido algo assim nem em filme de terror era como se a cidade inteira estivesse contra nós e então como se fosse o último sopro de vida de uma pessoa morrendo a mulher desapareceu tudo voltou ao normal as luzes se acenderam novamente os sons do carnaval voltaram a preencher a rua era como se nada tivesse acontecido a rua estava cheia de gente de novo pulando bebendo
rindo só nós três sabíamos que tudo tinha mudado e o pior de tudo é que ninguém mais Parecia ter visto a mulher ninguém mais sabia o que tinha acontecido como se fosse só coisa da nossa cabeça mas a sensação de que a cidade Nunca mais seria a mesma ficou com a gente o resto da noite foi um pesadelo disfarçado de festa quando o amanhecer Finalmente chegou a gente se olhou em silêncio não sabíamos o que tinha acontecido naquela rua escura nem como a gente tinha voltado à realidade mas sabíamos de uma coisa a mulher de
vermelho ainda tava lá a sensação de que ela estava nos observando não se apagava como se nada tivesse acabado como se ela estivesse esperando o momento certo para aparecer de novo a madrugada passou com a gente se arrastando pelas ladeiras de Ouro Preto completamente em choque nada parecia real as vozes e a música do carnaval que antes eram diversão agora pareciam gritos distantes como se o próprio som estivesse distorcido como um pesadelo Sem Fim cada passo nosso nas escuras parecia mais pesado como se algo invisível estivesse nos puxando para baixo quando chegamos ao centro da
cidade encontramos um grupo de foliões Mas nenhum deles parecia ter notado nada estranho o lugar estava de volta ao seu estado normal e as risadas e a alegria pareciam uma farça diante do que havíamos vivido eu queria acreditar que tudo tinha sido um pesadelo mas o peso no meu peito dizia o contrário algo estava muito errado ela estava por ali em algum lugar me vigiando Eu podia sentir as ruas que antes pareciam simples e acolhedoras agora tinham uma energia opressiva eu não conseguia parar de olhar ao redor procurando pela mulher eu sabia que ela não
iria embora Vinícius ainda no transe tentava sorrir e fazer piadas mas o brilho nos olhos dele estava ausente Maurão que sempre foi o mais cético de todos agora falava pouco como se tivesse medo de se aprofundar no que realmente aconteceu o sol apareceu lentamente no horizonte iluminando as pedras irregulares da cidade mas a sensação de que algo estava oculto ali esperando não Sumiu quando finalmente voltamos pro nosso hotel Cada um foi pro seu canto em silêncio os dias seguintes em Ouro Preto foram estranhos o carnaval terminou mas as lembranças da mulher mul de vermelho não
saíram da minha mente eu tentava conversar com meus amigos perguntar o que eles realmente tinham visto mas as respostas eram evasivas todos pareciam com medo de falar sobre ela e quanto mais eu pensava naquilo mais sentia que a cidade tinha mudado não era mais a mesma Decidi voltar para casa no dia seguinte já cansado de tentar entender o que tinha acontecido no trem olhando pela janela os olhos da mulher de vermelho me perseguindo cada curva da estrada me dava a sensação de que ela estava em algum lugar me observando esperando o momento certo de aparecer
novamente até hoje sempre que lembro daquela noite sinto frio na espinha e o aperto no peito nunca soube exatamente quem ou o que ela era mas eu sei que de alguma forma ela é parte daquela cidade uma presença que se esconde nas sombras das ladeiras de ouro es a próxima vítima e o pior de tudo nunca consegui mais falar com os meus amigos sobre isso depois daquela noite eles nunca mais mencionaram a mulher de vermelho como Se Tudo Fosse um segredo como se a cidade tivesse engolido Nossa memória será que ela já se foi ou
será que está apenas esperando alguém se perder de novo Recife sempre teve história de assombração desde pequeno eu escutava os mais velhos falando de coisa ruim de alma penada andando pela cidade dessas que nunca encontram descanso mas nenhuma delas me assustava tanto quanto a história do Homem da Máscara de prata eu só acreditei mesmo porque vi com meus próprios olhos Isso foi no carnaval de 1987 naquela época eu tinha uns 19 anos e saía pra farra sem medo o Recife antigo ficava uma loucura nessa época e eu e meus amigos estávamos sempre no meio da
confusão aquela mistura de suor cachaça e frevo no ar o bloco passava a gente seguia atrás e quando percebia já era madrugada e ninguém nem lembrava como tinha ido para ali mas naquela noite algo foi diferente a gente estava no bloco das Flores ali perto do pátio de São Pedro quando um cara estranho chamou nossa atenção no meio da multidão entre tanta gente fantasiada ele se destacava tava usando uma roupa antiga um terno preto bem alinhado daqueles que pareciam até de outro tempo e o que mais chamava atenção uma máscara prateada Lisa sem expressão nenhuma
dava para ver a boca e o queixo dele por baixo mas os olhos estavam cobertos o brilho da PR refletia as luzes da rua e tinha algo naquele sujeito que incomodava Quem é essa figura zenia perguntei pro Diego que tava do meu lado sei lá mas parece que tá só olhando né E tava mesmo o cara não se mexia como o resto do povo não pulava não dançava só ficava parado observando aí ele virou a cabeça na nossa direção o frio que senti na espinha foi instantâneo não era só um olhar ele sabia que a
gente estava falando dele a música seguiu e Em Um Piscar de Olhos o sujeito sumiu no meio do povo mas foi aí que a coisa começou a ficar estranha porque uns 40 minutos depois a gente resolveu andar até a Rua da Moeda onde ia passar outro bloco quando chegamos lá o mesmo cara tava lá também parado do mesmo jeito a mesma máscara brilhando na luz dos postes mas espa aí como é que ele chegou aqui tão rápido zerenia Carla perguntou o bloco onde a gente estava antes ainda estava desfilando lá longe não tinha como alguém
sair de lá e chegar antes da gente em outro lugar a não ser que tivesse corrido feito um louco mas o sujeito nem parecia suado eu senti um arrepio mas botei na cabeça que devia ser coincidência sei lá alguém fantasiado igual Mas alguma coisa dentro de mim sabia que não era de repente um bêbado que tava perto se aproximou do Homem da Máscara tentou puxar conversa E aí amigo que diabo de máscara bonita é essa o cara nem se mexeu o bêbado riu e esticou a mão para tocar na máscara na mesma hora o homem
Segurou o pulso dele foi coisa de um segundo o bêbado paralisou ficou branco branco mesmo como se todo o sangue tivesse sumido do corpo dele os olhos arregalados a boca abrindo e fechando Como se quisesse gritar mas sem conseguir a gente ficou ali sem reação vendo aquela cena absurda e então o homem Soltou o bêbado caiu no chão feito um saco de ossos tremendo os olhos revirando o povo em volta gritou chamaram ajuda e quando a gente olhou de novo O Homem da Máscara não estava mais lá a confusão tomou conta da Rua da Moeda
todo mundo tentando entender o que tinha acabado de acontecer com o bêbado que caiu duro no chão teve gente gritando que era ataque epilético outros dizendo que foi do álcool mas eu e meus amigos sabíamos que não era isso a gente viu o que aconteceu O Homem da Máscara Segurou o pulso dele por um segundo e pareceu que arrancou algo de dentro dele e o mais assustador foi que ninguém viu para onde o mascarado foi depois como é que um cara some assim sem ninguém notar Diego ainda tentou argumentar vai ver ele só se misturou
no meio do povo pô tá lotado isso aqui mas ninguém estava convencido a gente decidiu se afastar dali e seguir para um outro ponto do carnaval porque de verdade ninguém mais estava no clima de festa fomos pro pátio de Santa Cruz onde um outro bloco tava se organizando para sair o ambiente parecia mais tranquilo a música animada e a gente tentou esquecer o que viu mas o medo ainda rondava até que lá estava ele de novo na beira da rua parado mesmo terno preto alinhado mesma máscara de prata brilhando Sob a Luz dos postes a
gente gelou na hora não era possível como ele estava lá de novo antes da gente e agora parecia que ele estava olhando diretamente pra gente bicho isso não tá normal Carla murmurou segurando meu braço com força Ninguém queria acreditar no que estava acontecendo mas estava na nossa cara que tinha algo muito errado foi então que uma coisa estranha aconteceu a música da banda do bloco tava alta todo mundo dançando pulando mas naquele instante o som pareceu ficar abafado como se a gente tivesse entrado num lugar fechado o ar ficou pesado um cheiro esquisito subiu uma
mistura de ferro com alguma coisa podre o homem começou a andar na nossa direção não dava para ver os olhos dele mas parecia que sabia exatamente onde a gente estava a essa altura meu coração já estava martelando no peito Diego pegou no meu braço e sussurrou vamos sair daqui agora mas quando a gente se virou para correr aconteceu a coisa mais bizarra daquela noite o mascarado já tava do outro lado da rua como ele chegou lá tão rápido ninguém viu ele se mover ninguém viu ele atravessar Ele simplesmente estava lá e naquele instante eu percebi
uma coisa que me gelou a espinha Ninguém além da gente parecia notar a presença dele o povo continuava dançando bebendo brincando como se nada tivesse acontecendo como se ele não estivesse ali a gente começou a correr nem pensamos só seguimos o instinto saímos do pátio de Santa Cruz e fomos em direção à Avenida Guararapes o coração do carnaval de Recife onde tinha mais luz mais gente a única coisa que a gente pensava era quanto mais longe melhor mas não importa o quanto a gente corresse a cada esquina ele tava lá parado observando e eu juro
por tudo que é mais sagrado teve um momento que a gente viu dois dele ao mesmo tempo um parado na esquina da Rua Nova e outro nos olhando de dentro de um beco escuro imóvel como uma estátua aquilo não era coisa desse mundo a gente ficou sem saber para onde ir O medo tomou conta de um jeito que a gente só conseguia andar rápido tentando não olhar para trás mas a coisa piorou quando a gente passou pelo pátio do terço uma das meninas que estava com a gente Juliana começou a passar mal ela botou a
mão na cabeça e gemeu de dor Minha cabeça tá doendo muito tá doendo muito ela começou a ficar pálida do mesmo jeito que o bêbado mais cedo os olhos dela se arregalaram e ela caiu de joelhos segurando o peito como se faltasse ar foi aí que eu vi atrás dela entre as sombras O Homem da Máscara de prata se movendo sem andar era como se ele deslizasse pelo chão vindo em nossa direção sem fazer um som eu gritei eu não lembro direito como fizemos mas Diego e eu Juliana e saos o mais rápido que conseguimos
quando chegamos num trecho mais movimentado cheio de vendedores e ambulantes o ar norm elor nemos o vios naqua noitea por toda parte e ningém mais ver jiana ofegante segando aabe como se ainda sentisse dor mas pelo menos tinha voltado ao normal o que quer que fosse aquilo parecia perder força quando a gente estava no meio de muita gente mas a sensação de estar sendo observado não parou a gente tentou se misturar na multidão entrar em ruas mais movimentadas mas não adiantava toda vez que a gente olhava de canto de olho ele tava lá o Homem
da Máscara de prata sempre parado sempre olhando até que algo estranho aconteceu no meio daquela confusão a gente notou uma senhora sentada no banquinho perto de um ambulante vendendo tapioca Ela olhava diretamente pra gente como se soubesse o que estava acontecendo de repente ela fez um gesto discreto chamando a gente com a mão a essa altura qualquer coisa era melhor do que continuar fugindo do Homem da Máscara a gente foi até ela meio desconfiado e antes mesmo de alguém falar qualquer coisa a mulher disse baixinho vocês viram ele não foi minha espinha gelou Diego hesitou
antes de perguntar o quê Ela estreitou os olhos e falou baixo quase num sussurro o mascarado ele sempre volta no carnaval naquele momento o mundo pareceu girar a gente se sentou ao lado dela tentando entender o que tava acontecendo Dona a senhora já viu ele antes Juliana perguntou ainda ofegante a velha suspirou e olhou pra rua onde os blocos continuavam passando a música alta e as pessoas se divertindo sem fazer ideia do que acontecia ao redor vi vi faz muitos anos Ele não era desse mundo ela fez o sinal da cruz e continuou dizem que
era um homem rico nos anos 1950 gostava de esbanjar no carnaval mas também fazia coisas ruins machucava gente enganava mulher explorava quem era pobre até que um dia alguém o amaldiçoou Disseram que ele nunca mais ia descansar que ia andar entre os vivos e os mortos dançando no carnaval para sempre mas como ele some e aparece em todo canto perguntei sentindo meu corpo todo arrepiado ela me olhou nos olhos e disse a coisa mais assustadora da noite porque ele não é só um a gente se entre olhou Sem Entender direito como assim não é só
um Diego perguntou a voz trêmula a velha abaixou a cabeça e murmurou ele se multiplica ele pode estar em vários lugares ao mesmo tempo sempre vendo Sempre escolhendo Quem vai levar meu coração disparou então não era só um homem mascarado eram vários talvez fosse por isso que ninguém mais via porque ele estava em todos os cantos ao mesmo tempo mas só algumas pessoas conseguiam enxergar eu senti um arrepio profundo e então a senhora segurou minha mão e sussurrou uma última coisa vão casa não olem mais para ele se olhar muito tempo ele leva a gente
nem discutiu saímos dali correndo pegamos o primeiro ônibus que encontramos e voltamos direto para casa naquela noite ninguém conseguiu dormir e mesmo depois do Carnaval acabar a sensação de estar sendo observado não sumiu por semanas Diego jurou ter visto um homem de terno preto parado do outro lado da rua Juliana disse que ouviu sussurros no meio da madrugada como se alguém chamasse o nome dela e eu bem semana depois acordei no meio da noite com um peso no peito levantei para beber água e quando passei pelo corredor vi meu reflexo no espelho da sala tinha
uma silhueta atrás de mim alguém com uma máscara de prata Quando Me virei não tinha ninguém eu não sei o que aconteceu naquela noite de carnaval mas eu sei que a gente viu algo que não deveria e até hoje Toda vez que começa o carnaval em Recife eu não saio de casa porque sei que ele ainda está lá e se eu olhar de novo talvez ele me leve dessa vez eu moro no Rio de Janeiro H quase toda a minha vida já passei por muito durante todos esses anos E é difícil contar uma história sem
que ela pareça exagerada Mas o que eu vi naquele carnaval em 2011 Foi algo que até hoje não consigo explicar de jeito nenhum e vou te contar com todos os detalhes como aconteceu sem mudar nada para que você possa sentir o que eu senti naquela noite aquela noite começou como qualquer outra durante o carnaval eu e mais uns amigos como sempre estávamos saindo para os blocos o era 2011 e o rio estava fervendo Principalmente nos blocos de rua que aqui são tradição aqueles blocos de Santa Teresa então sempre foram o ponto alto para muita gente
aquelas ras históricas as ladeiras íngremes o som do Samba ecoando pelos cantos Todo mundo estava no clima Já estava até acostumado com a bagunça o calor e os gritos risos e as músicas altas e a cerveja claro sempre gelada no entanto naquela noite eu senti um estranho desconforto logo cedo não era medo nem nervosismo mas uma sensação ruim uma impressão de que algo estava por vir e eu não sabia o que era mas como o povo diz carnaval é festa e eu só pensava em me divertir Então fui indo com a turma mesmo ignorando esse
pressentimento nos encontramos com mais alguns amigos na praça do bairro e logo nos juntamos ao bloco Tá combinado que descia pelas ruas de Santa Teresa a música estava boa o clima quente e a cidade respirava aquele espírito festivo a multidão estava enorme mas nada demais fui conversando dançando e bebendo até que até que algo me chamou a atenção eu vi ela de longe parecia mais uma mulher comum no meio do povo mas à medida que me aproximei percebi que algo estava completamente fora do lugar ela estava sozinha usava um traje de columbina mas não era
um traje qualquer o vestido tinha um tom pálido quase desbotado e a máscara que cobria seu rosto parecia velha surrada como se estivesse ali há décadas eu pensei que fosse alguma fantasia simples mas havia algo estranho nela que eu não consegui identificar de ela estava parada no meio da rua entre os foliões mas sem interagir com ninguém ninguém parecia notar a presença dela o que me deixou ainda mais incomodado só eu vi aquela mulher e ela estava olhando para o chão como se estivesse em um lugar muito distante aproximei-me mais querendo entender o que estava
acontecendo as pessoas ao meu redor continuavam dançando e bebendo como se ela não estivesse ali mas eu estava olhando fixo para ela e o que eu percebi me gelou até os ossos quando cheguei perto a mulher levantou os olhos e me olhou diretamente não era um olhar comum de quem está ali curtindo a festa era um olhar perdido sem vida como se ela estivesse em outro mundo e então ela começou a se mover Eu dei um passo atrás mas ela parecia não me ver só se mexia lentamente seguindo um caminho sem rumo como se estivesse
procurando por algo ou alguém o mais estranho foi que à medida que ela se aproximava de mim eu comecei a ouvir um som abafado como se estivesse em um lugar distante era o som de alguém chorando mas não um choro normal era um choro baixo triste e parecia vir de dentro da própria multidão eu olhava ao redor mas ninguém parecia perceber a mulher de columbina Av e o choro aumenta não consegui mais ignorar sem saber por Eu segui os passos dela me afastando do bloco de rua eu estava hipnotizado como se algo invisível me atraísse
o bloco continuava atrás de mim mas eu não me importava mais só queria entender o que estava acontecendo eu estava paralisado mas o choro aquele choro pare me chamar som aumentava a cada passo até que finalmente eu chegi perto dela então algo aconteceu ela parou no meio daa e de repente virou para mim o rosto agora sem a máscara estava pálido Seus olhos eram grandes e estavam completamente sem vida o que mais me marcou naquele momento Foi o olhar vazio como se ela não estivesse realmente ali como se fosse uma Alma Perdida e ela falou
ele nunca vai me encontrar nunca a voz era baixa como se estivesse chorando Não entendi imediatamente mas naquele momento um gelo percorreu meu corpo eu tentei perguntar o que ela queria mas antes que eu pudesse abrir a boca ela deu um passo para trás levantou a máscara e a colocou de volta no rosto ela desapareceu foi como se ela tivesse sumido não desapareceu aos poucos não se misturou com a multidão ela simplesmente não estava mais lá eu olhei para todos os lados mas não vi mais ninguém Ninguém percebeu ninguém sabia mas eu sabia que algo
havia acontecido ali algo muito além do carnaval muito além de qualquer festa eu voltei para o bloco de rua mas tudo parecia diferente agora o som da música parecia distante e a energia estava completamente alterada as pessoas continuavam a dançar a rir a cantar mas para mim tudo estava vazio como se eu estivesse em outro lugar eu olhava para o meu redor E tudo o que conseguia ver era a mulher de Colombina em minha mente aquela expressão vazia aquele choro distante e a sensação de que ela estava procurando por alguém mas não conseguia encontrar aquela
noite foi uma das mais estranhas da minha vida e até hoje sempre que passo por Santa Teresa no carnaval eu me pergunto se ela ainda estará lá entre as ladeiras no meio da multidão a lenda diz que a columbina busca o noivo Que atraiu no passado mas eu não sei não sei se é apenas uma história ou se é algo que ainda acontece o que eu sei é que naquela noite ela me viu ela falou comigo e isso por mais que eu tente nunca vai sair da minha cabeça Eu nunca imaginei que um simples carnaval
no Rio de Janeiro Poderia virar o tipo de coisa que ninguém acredita eu sou de Niterói mas moro em Santa Teresa já faz uns anos e todo ano A história se repete é carnaval o rio fica animado a cidade respira música e alegria e eu como a maioria vou pra rua eu sempre curti a folia e nunca dei muita bola para essas histórias que rolam por aí mas vou te contar depois daquele dia eu nunca mais consegui olhar o Carnaval da mesma forma era o Carnaval de 2012 e o bloco me beija que eu sou
carioca descia as ladeiras de Santa Teresa estava um calor dos infernos mas era aquele calor bom de festa e todo mundo estava animado eu e a galera í combinado de ir bloco depois dar uma esticada no barzinho do bairro e curtir até tarde nem imaginava que esse carnaval ia ser o mais estranho da minha vida a primeira coisa que me chamou a atenção foi o homem mascarado eu vi ele de longe entre o mar de pessoas estava dançando como todo mundo misturado com a galera mas com algo que me deixou inquieto ele usava uma máscara
preta daquelas antigase teatral e estava todo de preto o que era estranho porque no carnaval as pessoas normalmente estão cheias de cor brilho e fantasia ele estava completamente deslocado mas ao mesmo tempo parecia estar no centro de tudo o mais bizarro é que ele dançava com todo mundo ele não estava sozinho e ninguém parecia perceber a estranheza dele as pessoas danam com ele como se fosse normal mas porum motivo certo aquelas danças eram agitadas o samba estava rolando solto e a galera estava se divertindo mas enquanto eu olhava aquele homem mascarado sentia Uma sensação ruim
uma sensação de que algo não estava certo eu não sabia dizer o que exatamente mas o jeito dele se movendo com uma graça Sobrenatural parecia não ser de um ser humano comum ele parecia flutuar entre as pessoas indo de uma para uma facante sempre com aquela máscara e sem jamais dizer uma palavra o bloco estava cheio de gente mas ele estava em toda parte eu vi dançando com um grupo de mulheres na esquina da rua depois já estava com um homem depois com um outro grupo de foliões era como se ele se espalhasse ninguém parecia
perceber o que eu estava vendo era como fosse normal ele estar ali no meio de Tod mundo pente ele parou no meio da pista de dança e ficou lá imóvel eu não sei se era só eu ou se mais alguém notou mas parecia que o tempo tinha parado o som da música desacelerou As pessoas ao redor continuaram a dançar mas ele estava completamente parado olhando para a multidão com aquela Máscara Negra como se estivesse esperando algo ou alguém o silêncio foi tenso como se o som da rua tivesse sido abafado por algum motivo a sensação
de desconforto só aumentava eu não sabia por mas parecia que quando ele olhava para alguém essa pessoa ficava meio que hipnotizada foi aí que eu vi algo estranho muito estranho Ele olhou diretamente para mim eu não sei explicar o que aconteceu mas por um momento fiquei paralisado eu estava com os amigos mas parecia que ninguém mais estava ali só eu e aquele homem ele me encarava sem mover a cabeça sem mudar de posição foi como se ele estivesse olhando lá dentro bem dentro de mim como se soubesse coisas que ninguém mais sabia não era um
olhar comum era pesado como se ele soubesse algo sobre mim algo que eu não queria que ninguém soubesse Eu Tentei desviar o olhar mas algo me impedia de me mexer não sei se era medo ou curiosidade mas eu não conseguia me afastar por fim ele sorriu ou melhor a máscara se moveu eu sei que não faz sentido mas a máscara Parecia esboçar um sorriso como se fosse uma expressão real um sorriso malicioso frio e nesse momento ele deu um passo em minha direção não foi um passo normal foi um movimento que parecia atravessar a multidão
sem tocar ninguém quase como se ele estivesse flutuando Foi aí que eu comecei a perceber que não estava mais no bloco a festa a música As pessoas tudo isso Começou a desaparecer e a única coisa que restava era aquele homem e eu no meio de uma rua vazia eu não estava mais na multidão estava no centro de uma rua escura com apenas o som da respiração pesada e o som distante de um samba que agora parecia apenas uma lembrança você me conhece ele perguntou mas a voz não vinha da sua boca era uma voz que
parecia vir de dentro da minha cabeça uma voz que sussurrava mas eu podia sentir cada palavra como se fosse dita diretamente para o meu ouvido eu não consegui responder eu estava paralisado completamente preso naquela sensação de que ele sabia algo sobre mim algo que eu não entendia e então ele começou a se mover novamente lentamente como se estivesse dançando de volta para a multidão mas ao invés de desaparecer de forma normal ele foi se distorcendo o corpo dele foi ficando mais alongado como se estivesse se esticando para o infinito e a máscara negra parecia absorver
a luz ao seu redor tornando-se cada vez mais sombria mais opaca por algum motivo eu consegui me mexer e quando olhei para trás a rua estava completamente vazia a música do bloco tinha sumido as pessoas tinham sumido e eu estava sozinho completamente sozinho em um silêncio que cortava a pele O Homem da Máscara Negra tinha desaparecido Não restava nada só o eco de Passos distantes eu não sei o que aconteceu eu não sei se era só uma ilusão se minha mente pregou uma peça em mim mas até hoje Toda vez que eu vejo uma máscara
preta eu lembro daquela sensação lembro do sorriso do Olhar daquela sensa de estar send observado por algo que não era humano desde aquele dia eu nunca mais consegui ir para um bloco sem olhar por cima do ombro toda vez que vejo uma pessoa mascarada eu me arrepio e a única coisa que eu sei é que eu nunca mais quero ver o Homem da Máscara Negra novamente mas quem sabe Ele ainda está por aí dançando nas ruas do Rio esperando para ser encontrado de novo eu vou te contar uma história que aconteceu em Olinda mas não
é dessas de fantasia não a coisa foi real e eu vivi para nunca mais esquecer se você acha que carnaval é só Folia e alegria é porque ainda não viu o que eu vi naquela noite pode até soar como coisa de quem tá exagerando Mas te garanto que o aconteceu aquela festa me deixou com o coração apertado até hoje era 1962 o carnaval estava bombando em Olinda como sempre o bairro inteiro Parecia um mar de cores com blocos e mais blocos ruas cheias de gente dançando rindo e se esbarrando todo mundo lá no clima da
festa eu na época era só um rapazinho Mas mesmo sendo jovem já tava acostumado com aquele burburinho de carnaval o linda é diferente tem uma energia única com seus casarões coloridos o cheiro de frevo no ar e claro a bagunça boa dos blocos eu tava ali com um grupo de amigos pulando de um bloco pro outro a cidade inteira parecia uma festa sem fim mas como tudo no carnaval a animação foi interrompida por algo que não dava para ignorar foi assim que tudo aconteceu Tava tudo normal a galera dançando o som de música de frevo
ecoando pelas ladeiras a animação rolando solta Eu e uns amigos tínhamos parado em uma esquina perto do mercado da Ribeira onde o bloco estava mais animado a rua estava tão cheia que mal dava para se mexer mas o que me chamou atenção foi uma figura solitária andando entre os foliões era uma mulher não tinha nada de muito estranho nela se a gente olhasse de longe mas tinha algo no jeito dela que me fez ficar com o pé atrás ela andava sozinha sem ninguém perto o que já não era normal eu lembro bem da imagem dela
uma mulher com o rosto coberto de sangue parecendo que não estava nem se importando com aquilo não parecia nem ligar pro que estava acontecendo ao seu redor ela simplesmente caminhava pela rua como se fosse parte do bloco mas ao mesmo tempo como se não estivesse ali a primeira vez que vi a mulher pensei que fosse alguma fantasia porque todo mundo ali tava fantasiado mas quando ela passou mais perto eu vi o sangue no rosto dela E aí meu estômago virou não era maquiagem não era tinta era sangue real escorrendo pelo rosto dela o pior é
que o sangue parecia estar ali há um bom tempo como se tivesse secado na pele sem a menor preocupação a mulher tava com os olhos fixos no chão parecendo perdida e caminhava devagar quase como se estivesse em transe eu e meus amigos ficamos olhando para ela tentando entender o que estava acontecendo mas a cada segundo que passava eu sentia que a coisa não estava certa o som da música parecia ficar mais distante e o cheiro de fogos de artifício que normalmente ia dando aquele clima de festa Parecia ter se dissipado foi como se o ambiente
todo tivesse se transformado a música ficou abafada e tudo ao redor parecia desaparecer a mulher que estava em frente a um barzinho de repente parou e olhou pra gente foi aí que a coisa ficou estranha de verdade os olhos dela estavam vazios como se não houvesse vida ali não sei explicar mas quando olhei para ela senti uma pressão no peito uma sensação de desconforto tão grande como se eu estivesse sendo observado por algo que não era humano eu não sabia o que era mas a sensação foi insuportável antes que eu conseguisse reagir a mulher virou
de costas e começou a andar de volta em direção à multidão eu pensei que agora a gente ia ver ela desaparecer entre os blocos Mas o que aconteceu foi pior ela começou a se mover de uma maneira que não fazia sentido ela não estava indo para onde A festa estava nem para onde as pessoas dançavam ela tava indo na direção da rua vazia onde as luzes quase não chegavam como se ela fosse se perder ali em algum lugar escuro onde ninguém a pudesse enar Foi então que o grito dela veio um grito alto como uma
agonia tão profunda que cortou a música não foi um grito de dor foi um grito que parecia vir de outro tempo como se a mulher estivesse presa naquela noite e na dor dela para sempre o som foi tão forte que até quem estava dançando parou as pessoas ficaram em silêncio sem saber o que fazer eu senti a pele arrepiar e meus amigos ficaram sem palavras O Grito parecia não vir do corpo dela mas de algum lugar além como se a própria cidade tivesse se lembrado de uma dor antiga o que aconteceu depois foi mais estranho
ainda a mulher sumiu da vista de todos como se tivesse se evaporado no meio da multidão Mas a sensação de que ela ainda estava ali observando ficou eu olhei pros lados mas ninguém parecia perceber que algo estranho tinha acontecido a festa continuou os blocos voltaram a tocar Mas a sensação de desconforto que ficou não passou até hoje se eu fecho os olhos e me concentro Eu ainda posso ouvir aquele grito ecoando na minha cabeça como um alerta de algo que não se pode ver mas sente algo que não tem mais explicação fui embora logo depois
tentando esquecer a mulher do sangue no rosto mas em Olinda a história não se apaga fácil naquele carnaval eu soube que as ruas as ladeiras a festa tudo tem uma memória e às vezes essa memória se manifesta entre a folia como um lembrete de que a dor do passado nunca é esquecida e se você esem Olinda na hora cer no lugar errado pode até encontrar a mulher do sangue eu espero nunca mais cruzar ela porque se a gente olhar de novo ela vai olhar de volta e quando isso acontece não tem mais volta era o
melhor Carnaval que eu já tinha vivido a cidade fervia as ruas estavam lotadas de gente dançando cantando e os blocos tomavam conta de tudo eu e mais uns amigos todos jovens e animados tínhamos saído de um bar ali perto do circuito barr onina e decidimos seguir o fluxo dos blocos que estavam se espalhando pela rua já estava noite e a energia na cidade parecia mais forte do que nunca o Som dos Tambores e do Aché tomava conta misturado com o cheiro de perfume e suor dos foliões Salvador naquela época tinha um ritmo único uma energia
que não se encontra em lugar nenhum Mas nem tudo era festa naquela noite e olha que o que V contar aconteceu bem no meio da folia quando passamos por um pedaço do circuito onde o bloco já tinha ido embora a rua estava mais vazia mas ainda dava para ouvir os ecos das músicas e das vozes ao longe o que parecia uma rua normal com as luzes da cidade iluminando de longe rapidamente se transformou numa sensação estranha a rua ficou silenciosa de repente nenhum grito nenhum som da música Só Um silêncio engolir tudo a redor meus
amigos e eu sem entender direito continuamos andando mas já começamos a sentir um peso no ar era como se estivéssemos sendo observados mas não por pessoas algo diferente foi quando começamos a ver a neblina Primeiro ela apareceu de forma suave como uma Bruma fina que comea a cobr o chão mas conam e logo não conseguimos enxergar mais do que alguns metros à frente a coisa toda foi ficando estranha e eu senti uma pressão no peito como se algo estivesse nos fechando nos aprisionando ali eu tentei rir disso achei que fosse só o cansaço ou uma
brincadeira do ambiente Mas a sensação não passava Foi então que ouvi os passos não eram meus nem dos meus amigos eram passos de alguém ou alguma coisa que estava atrás da gente e quando nos viramos não havia ninguém a rua estava vazia só A neblina e o silêncio mas os passos continuaram rápidos como se alguém estivesse nos seguindo isso foi o suficiente para me fazer gelar o que estava acontecendo Eu disse PR os meus amigos para corrermos mas antes de qualquer um de nós conseguir se mover A neblina se fechou de vez e de repente
mais figuras começaram a surgir saindo de dentro da Bruma eram sombras não dava para ver os rostos não dava para ver nada além de formas encapuzadas dançando ao nosso redor o pior de tudo era que eles não pareciam humanos não se mexiam como pessoas não falavam não sorriam eram apenas figuras sombras que se moviam com uma agilidade assustadora eu tentei gritar mas não consegui a garganta parecia seca e a minha voz saiu como um sussurro fraco lembro de ver uma dessas figuras dançando bem na minha frente era como se ela estivesse acompanhando o ritmo da
música mas sem uma expressão sem emoção só o movimento dos braços e pernas uma dança mecânica quase hipnótica fiquei parado congelado não sabia o que fazer quando ela levantou a mão e apontou para mim um calafrio percorreu todo com o meu corpo o que era aquilo eu sentia uma presença maligna algo tão denso tão pesado que parecia me puxar para dentro da Neblina com cada movimento que eles faziam vai embora vai embora eu gritei para mim mesmo e Por um momento achei que fosse surtar Mas então eu consegui me mexer e puxei um dos meus
amigos eles estavam assustados também mas por alguma razão todos nós começamos a correr naquela direção sem saber direito para onde amos só fugindo daquela sensação horrível a Bruma no entanto parcia nos seguir como se ela soubesse onde queríamos ir quando olhei para TRS uma das figas encapuzadas esta nos seguindo não parcia querer nos fazer mal masen dela era tão opressiva que não conseguia mais olhar de frente a sensação de que algo de outro mundo estava nos observando nos encarando me deixou sem ar não tinha mais música Não havia mais festa o que existia Ali era
só o som dos nossos próprios corações batendo rápido como se o tempo tivesse parado a nossa fuga só Terminou quando conseguimos chegar na Avenida Oceânica já perto de um local mais iluminado A neblina sumiu tão rápido quanto apareceu como se ela nunca tivesse existido Mas a sensação que ficou em mim a pressão no peito medo de olhar para os lados era algo que eu nunca havia experimentado antes Voltamos para o centro da cidade em silêncio sem falar sobre o que tinhas acontecido não sabíamos se o que vimos era real ou apenas um pesadelo coletivo causado
pelo cansaço e pela confusão mas até hoje quando passo por aquelas ruas mais desertas de Salvador durante o carnaval o peso volta às vezes escuto os passos atrás de mim e por mais que eu tente ignorar sei que a neblina pode voltar a qualquer momento desde aquele carnaval nunca mais voltei para aquele pedaço de Salvador depois do entardecer e os outros também não se você gostou desses relatos não se esqueça de deixar seu like comentar o que achou e se inscrever no canal para não perder nenhuma história Ah e se você assistiu até o final
deixe um emoji de fantasma nos comentários assim eu saberei que você é um dos Corajosos que enfrentaram as histórias até o fim e se quiser fazer parte da nossa comunidade e ter acesso a benefícios exclusivos torne-se membro do canal isso fortalece ainda mais nossa Comunidade dos