[Música] oito bom seja bem vindo ao salto para o futuro o brasil possui hoje 2.465 quilombos certificadas pela fundação cultural palmares comunidades que tiveram reconhecidas as suas ligações com os negros escravizados que habitaram aquelas terras e que lutaram contra o regime escravocrata que perdurou no país até 1888 em vários desses quilombos da educação considera as heranças culturais desses povos são 2366 escolas 264 mil e 404 alunos e 17 mil duzentos e oitenta e oito professores espalhados principalmente na bahia no maranhão em minas gerais e no pará a educação quilombola está presente em quase todo o
território brasileiro uma educação que requer um currículo específico além de materiais didáticos e de formação continuada para os professores que atuam com meninos e meninas que vivem nas comunidades remanescentes de quilombo são nossas convidadas rita potiguar que está à frente da diretoria de políticas de educação do campo indígena e para as relações étnico raciais da secad secretária de educação continuada alfabetização diversidade e inclusão do mec e benedita rosa da costa professora da educação básica de comunidades remanescentes de quilombo em cuiabá no mato grosso pela internet contamos com a participação da professora maria auxiliadora lopes que
é da coordenação de educação para as relações étnico raciais também da secad professora maria auxiliadora muito prazer em recebê lá que a professora rita e professora benedita vamos começar com a professora rita falando um pouquinho de si do panorama da educação escolar quilombola no brasil a gente tem alguns números né mas é importante entender esse cenário dos números é o que está por trás desses números qual é esse panorama a professora então a educação escolar quilombola é um tema muito bem vindo sobretudo num momento em que o brasil todo discute base na jornal como curricular
em educação escolar quilombola nesse cenário traz contribuições muito importante para se pensar a pluralidade da sociedade brasileira ea pluralidade que devem ser os currículos das nossas escolas então é em todo o país as escolas quilombolas elas são aquelas que possuem é na verdade uma condição é digamos assim uma infraestrutura precária é a maior parte dos prédios das escolas quilombolas não são prédios é que tenham é condições por exemplo de acesso à internet de acesso à água potável poucas têm este acesso o retrato um pouco do que são as comunidades quilombolas em nosso país em que
pedem é essa precariedade apontadas no pop o censo educacional realizado pelo inep do ministério da educação as escolas quilombolas elas também são ricas né em universidades em caracas pedagógicas né e modos de 6 de fazer as escolas quilombolas de nosso país benedito você atua como eu disse há pouco no em cuiabá no mato grosso com escolas quilombolas em escolas quilombolas o panorama é esse mesmo que que acaba de trazer pra gente fazer um cenário de precariedade chamou a atenção aqui ouvindo isto aqui até água potável é um desafio que a gente seja ainda superar nossas
escolas enfim lá no mato grosso a mesma questão assim é lá no mato grosso a gente vivencia essa mesma realidade né esse mesmo contexto é eu estou professor da educação básica 15 anos né é trabalho numa escola remanescente de quilombo são benedito ea gente vê realmente essa realidade nessa problemática é com relação à estrutura dos prédios né é problema do transporte escolar é problema de estrada né é as estradas que que no período da chuva nem a a a ponte vai embora nem o córrego transborda né é problema de água potável também nem é materiais
didáticos pedagógicos específicos né e também é o que a gente presencia muito é a questão é a falta de informação pessoas né é é só que a partir do ano de 2013 para cá é a universidade federal do mato grosso em parceria com o mec nem com a seca de é começou o curso de formação de professores que atua em comunidades remanescentes de quilombos no estado mato grosso nem e aí de lá pra cá e nós tivemos nós enquanto professores quilombolas temos mais acesso à informação né e essa formação ainda continua queria a gente quer
ouvir agora a professora maria auxiliadora também né professora coordena e uma área dessa das relações étnico raciais para o ensino das relações étnico raciais a gente já ouviu aqui um panorama em relação à estrutura física né agora o que uma escola quilombola se diferencia da escola regular do ponto de vista de currículo é como mesmo disse aqui a professora benedita né uma formação é específica pra educação escolar quilombola é o que como é que se diferencia isso é atender de combate ao fumo a mãe e os professores e diretor hora participar dessa elaboração tanto para
os indígenas quanto a essa mulher não tenha carrasco lá fui mãe tá certo professora muito obrigado pela sua participação aqui no salto para o futuro de hoje certamente contribuiu muito para que a gente se aprofunde nessa discussão sobre educação escolar quilombola muito obrigado viu obrigada agora itabom falar então de desafios a gente já falou dos desafios do ponto de vista da infraestrutura é vocês falaram a professora maria auxiliadora lembrou da importância primeira inclusive da palavra escolar nesse nome da educação escolar quilombola e também de todo um leque de especificidades que o trabalho com alunos e
alunas dessas comunidades remanescentes de quilombo acaba exigindo nesse sentido quais são os desafios que existem diretrizes curriculares nacionais para a educação escolar quilombola como você também apontou a pouco a gente está num momento de discussão da base comum quais são os desafios que estão colocados aí para o brasil nessa área então a educação escolar quilombola é uma modalidade da educação básica né essa modalidade ela veio com bastante força desde a conferência nacional de educação de 2010 depois dessa conferência ministério da educação realizou alguns seminários nacionais para tratar dessa modalidade especificamente que neste seminário nós fomos
construindo nem dando é algumas orientações para que o conselho nacional de educação emanasse as diretrizes curriculares nacionais para a educação escolar que no bolo então dentro do panorama da educação básica à educação escolar quilombola também ganhou o status de modalidade nesse sentido é uma modalidade que tem dentro de si outras modalidades daí a sua especificidade ela tem educação infantil educação especial educação de jovens e adultos ensino médio ensino fundamental educação profissional então a modalidade que é briga essas outras modalidades dentro dela desculpe interromper ela isso é muito bom a gente esclarecer porque muita gente tem
a idéia de que a educação quilombola seria uma multisseriada né de como é já houve no país né todas as crianças ligadas a uma determinada comunidade quilombola estudariam todas no mesmo na mesma sala no mesmo espaço vamos dizer assim pelo que está dizendo não ela respeita por ser uma modalidade ela respeita as etapas da educação básica respeitar essa moda essas etapas da educação básica agora a organização com do seu currículo do seu calendário escolar aí vai se adaptar tanto a especificidade da comunidade quilombola como também as diretrizes do sistema de ensino ao qual ela pertence
nós temos escolas quilombolas ligadas à rede municipal e escolas quilombolas ligadas à rede estadual também pode ser organizada por ser a reação por exemplo né pode ser organizada também de forma multisseriada então nós temos escolas que têm número de estudantes bastante em que - não é que não dá pra formar uma turma muito grande e se organiza naquela comunidade uma escola para atender aquele público é evitar então que esses alunos se desloquem da sua comunidade para estudar fora isso é importante porque reforça os vínculos da educação escolar educação quilombola é bom destacar isso com a
professora maria auxiliadora destacou com a sua comunidade é da época em que nós estávamos construindo as diretrizes curriculares da educação escolar quilombola também nós tivemos a oportunidade de realizar audiências públicas em todo o país e nessas audiências públicas nós escutamos muito as demandas das comunidades quilombolas em relação à educação pois é exatamente essa pergunta em que demandam essas comunidades demanda essas comunidades inicialmente elas demandam escolas um atendimento em seu território pelo mesmo é pedido das comunidades quilombolas é esse uma escola que atenda a a aquela comunidade então é imprescindível época fortalecer essa relação da educação
é mediada pela escola com o território então território quilombola têm a ver com a sustentabilidade daquela comunidade tem a ver com a cultura tem a ver com a sexualidade tem a ver com a memória então a escola vem nesse sentido e daí colocam seus desafios para que se mantenha essa escola qual com o desafio professores da própria comunidade por pessoas com formação específica escolas com infraestrutura adequada para atender há de se ofertar uma educação de qualidade das comunidades quilombolas né é uma grande demanda é que como são escolas é geralmente que tem um número de
alunos pequenos que esses alunos não sejam transportados sobretudo quando são crianças pequenas né pra longe de suas comunidades estão é organizada assim é a educação escolar quilombolas escolas que não bola por meio algumas vezes por meio de nuclear ações essas criações a orientação e as diretrizes da é que junte um grupo de escolas que no bola e forme uma escola grande uma escola mãe como a gente gosta de chamar né que elas não estejam relacionados a uma escola que não sejam é relacionado ao projeto pedagógico de uma educação escolar quilombola que isso é muito importante
ser enfatizado e aí eu queria ouvir um pouquinho professora benedita nesse sentido né nas questões culturais que a gente sabe que o currículo considera as questões culturais como é que funciona esse processo é dos saberes locais os saberes tradicionais e o currículo formal é muitas vezes as pessoas perguntam mas como é que não é fácil como é que constrói um currículo em que se considera que já está lá dentro né sim então é esse currículo é considerando os nossos saberes nem considerando a cultura em si que vem costumes saberes crenças tradições é elaborada o na
comunidade com a participação da comunidade nem é pela necessidade de mão de de manter viva nem a nossa a nossa cultura ea nossa história e história dos nossos ancestrais também e o currículo específico é ele é um currículo que ele de fato vem vem nos fortalecer fortalecer não só na questão é da educação escolar como mas também uma questão da própria luta do movimento quilombola né que perpassa pela permanecer na terra entre permanecer na comunidade nem permanecer no local né é também em tempo é continuar com as nossas tecnologias com nossos saberes e passando pelo
pelo modo com a gente planta colhe né pelo modo como a gente constrói os saberes né é também é esse currículo ele perpassa é pela forma dodô saber pela ciência saberes e fazeres quilombolas por exemplo o chá né o modo de como utiliza é o chá caseiro o banho né e então assim as tensões religiosas são os religiosos bem eu respeito a essa religião nem então assim é nós temos um currículo nem que que a gente recebe que o estudo é de língua portuguesa é língua inglesa a história geografia é enfim ciências e tudo mais
que inclui semelhante o currículo do caso revela exatamente mas também nós temos esse cué temos é um currículo específico em que inclusive no mato grosso temos três disciplinas que vai trabalhar a ciência saberes e fazeres quilombolas e que esses professores lhe são atribuídos nem para ministrar essas aulas nessas disciplinas específicas atua em quais em quais turmas meu trabalho é língua portuguesa nos ano na etapa final do fundamental que responde o 6º ano 9º ano e agora já fiz aqui matérias no tempo que a gente tinha reportagem no programa eu tive a oportunidade ea sorte na
verdade de conhecer algumas comunidades remanescentes de quilombo em algumas escolas de educação escolar quilombola e chamou muita atenção que nesse currículo específico que você acabou de contar pra gente benedita os mais velhos da comunidade têm um papel decisivo não é inclusive na própria aproximação no diálogo com a escola e portanto com toda a comunidade que fala um pouquinho bem rápido ea gente vai para o intervalo em um hotel é é as pessoas mais velhas da comunidade elas vão para a escola elas vão para a sala de aula elas ministram aulas nem que são essas aulas
é com relação aos saberes por que é os os descendentes novos às vezes não tem todo esse domínio mas planeja sua aula considerando todo esses saberes nem e aí a gente pega um dos moradores mais velho tanto mulheres quanto homens nem para estar falando de determinada marca que será estudada com esses alunos ou seja em relação à medicina tradicional ou seja a relação é a meios e modos de produções nem e e também com relação à história da comunidade nem ao costume da comunidade a origem da comunidade né e aí a gente chama é essas
pessoas nem que a gente tem em comum é verdadeiros mestres e doutores nem que falo maravilhosamente bem nem que falo com conhecimento de causa néné e que a gente leva para a sala de aula para está estudando conosco ministrando aquelas aulas a gente terminou falando um pouco da contribuição dos mais velhos nas comunidades remanescentes de quilombo pra educação escolar quilombola em que medida isso poderia até é e incentivar essa talvez influenciar outras áreas da educação da educação regular por exemplo que a gente fala muito já muito tempo aqui no salto na necessidade do diálogo mais
próximo com a comunidade escolar que a gente vê essa experiência das escolas quilombola e pensa assim a gente poderia ter com essa experiência bem sucedida que está em curso já exatamente às escolas quilombolas elas são um exemplo de que se pode trabalhar o currículo e que os diversos conhecimentos são tratados né são tratados de forma bastante respeitosa né é de fato uma intelectualidade que é um retrato da nossa sociedade brasileira intercultural é plural é as escolas quilombolas quando elas é trabalham com os conhecimentos locais os conhecimentos mais velhos não é dos mestres como a nossa
professora que falou nem os sábios que tem todo o conhecimento tenha tecnologia né de anos e anos quando é conhecimento tecnologias milenares que devem ser trabalhados no currículo escolar dão mostras de que é possível sim trabalhar o saber local com saber universal não é é não é preciso separar é codificar inclusive 70% é o conhecimento universal 30% sabem local não mas a própria dinâmica da sala de aula né e o projeto pedagógico da escola que é muito importante isso né quando a escola cento de forma comunitária e constrói seu projeto político pedagógico ela vai eleger
de fato quais são os conhecimentos deve ser tratados naquela escola não há desmerecendo não desqualificando não menosprezamos sabendo universais que são importantes nessa um reconhecimento que foram acumulados ao longo da nossa história e que a escola tem um papel muito importante na transmissão na elaboração desses conhecimentos mas as comunidades quilombolas sabem dosar né essa necessidade de trabalhar o saber local com o saber universal né agora eu queria falar de uma situação um pouco delicada a gente está vivendo um momento acho que no país como um todo de uma certa é vamos dizer intolerância não acho
que a palavra está é em voga e com determinados grupos com grupos variados a gente resolveu aqui em outros momentos não agora a as populações indígenas dos povos indígenas reclamando muito da maneira como entorno olhava pra essas comunidades indígenas né pelo que você já apontaram logo no começo você dá pra ver que tem uma sociedade que não entende muito bem o que é uma comunidade quilombola porque uma comunidade quilombola que não têm água potável que não tem uma escola com uma estrutura específica ou de qualidade é porque tem uma sociedade que não olha pra isso
da maneira que deveria olhar cair aqui usando como é que você vê essa questão professora que conquistei ótimos a sociedade do entorno têm relação para não enxergar esse saber de todos que estão lá dentro então é o que eu percebi que o estereótipo que que a gente na forma como a gente é visto é de que é como se a gente não for sujeito de direito né e de fato mas só um sujeito de direito né e até então é o artigo 68 da constituição não usar com a disposição constitucional transitória vem falar né dessa
vem nos fortalecer bem nos dá visibilidade nem como comunidade remanescente de quilombo que devemos ter em nossas terras é garantidas nem respeitadas então assim é quando a gente cobra é do poder público nem aquilo que que é nosso que nós temos direito por exemplo a água potável saúde educação moradia esporte lazer segurança justiça né e por estarmos numa comunidade mas sempre quilombo na zona rural nem é isso civis é visto assim de modo é com muita muito descaso é muito descaso mesmo e só que a gente continua lutando gente pra gente perde a gente solicita
né ea gente sabe que embora essa esses problemas é eles vêm nos é nos impedir né em todos os momentos e todas as situações é de a gente ter uma educação de qualidade porque toda e qualquer mudança ela perpassa pela educação né e aí a gente continua lutando buscando pra quê de fato essas políticas públicas específicas para a comunidade remanescente de quilombos ela seja implementado nas comunidades rurais nas comunidades que estão no campo ea gente sabe que é uma dificuldade porque porque o que eu percebo que o que que o poder público ele ele ainda
tem esse olhar de que é nós somos de que nós somos sujeitos de direito mas que não temos todo esse direito não né até por uma questão que eu penso que o poder público não têm um conhecimento nem de toda a nossa história é de toda a nossa o rito da nossa ancestralidade na construção socioeconômica político deste país e aí a gente tem uma lei 10.639 que institui o trabalho com história e cultura afro brasileira ficando nas escolas depois dessa lei foi reformada 11 645 e também inclui a questão indígena mas focando na questão afro
brasileira na história cultura africana nas escolas muitos professores das escolas regulares dizem a gente não consegue implementar o trabalho porque não temos materiais vocês já apontaram que há materiais a necessidade de materiais também como em educação escolar quilombolas a questão está sendo vista a me parece um talvez um facilitador que é o contato mais próximo com a comunidade e você consegue trazer aqueles moradores fazer esse diálogo costurar esse currículo de uma forma pouco mais integrada ali com o território mas enfim que saídas você aponta diante desse impasse porque me parece um passo e ainda bem
grave tanto tempo depois da criação da lei exatamente a lei já tem mais de 1010 anos é muito mais de dez anos longo de 2011 exatamente 14 anos é o que a gente tem que entender é que essa lei ela trata da lei de diretrizes e bases da educação nacional ela é a lbp do seu artigo 26 a então é uma lei que tem que ser cumprido em todos os estabelecimentos de ensino sejam eles públicos ou privados as escolas quilombolas elas já fazem é essa especificidade trabalhar porque faz parte do projeto pedagógico faz parte do
projeto de sociedade das fotos quilombolas nas comunidades quilombolas se tratar da identidade não é importante é essa lei é a educação escolar que no bola vem desmistificar isso né essa identidade como que a professora benedita nos falou que os quilombolas ainda são vistos como um sujeito que não têm direitos eles têm direito sim direito há inclusive a sua identidade identidade de quilombola não há identidade de escravos não é assim não é essa ideia a ideia é que são pólos com culturas diversas são povos que contribuíram e contribuem ainda hoje para a cultura brasileira a economia
brasileira não é para o saber pra educação brasileira então a educação escolar que na bola ela traz essa perspectiva de trabalhar é essa pluralidade que é com foco e aí é está bem claro nas diretrizes contidas em um momento em que a comunidade quilombola foi chamada eo conselho nacional de educação cá ajudar na construção dessas represas eles firmaram isso com toda a segurança nós queremos sim de fato reafirmar a importância que é ser quilombola está o país não é a importância que nós temos para o país a sociedade brasileira para a cultura brasileira mas em
relação aos materiais por exemplo os materiais didáticos mesmo para o trabalho nessas escolas ainda desafios ainda precisa avançar aí na distribuição no acesso a esses materiais como nas escolas regulares com essa situação e damos precisamos bem muita coisa já foi conduzida né desde a criação da secad tendo do ministério da educação ainda em 2003 a cantar e foi criada nesses no sentido de trazer as pautas da diversidade é que estavam diluídas no mesmo ministério da educação em várias e cantares juntou numa pasta só que a secad para poder dar lamento é digamos assim mais prioritário
aquela porção de batatas inicial né é nós já avançamos muito na produção de material didático agora é materiais didáticos que nem todos chegam à sala de aula que isso é um grande desafio não é a universidade tem uma contribuição muito grande por meio dos núcleos de estudo é a brasileiros e africanos na condição de materiais didáticos os cursos de formação de professores também sentados na questão da educação das relações étnico-raciais nós temos apoiado muitos cursos né de formação continuada com essa temática e tem produzindo materiais o problema é que nem sempre esse material ele é
traduzido para o fazer didático do professor né na academia na universidade é produzido na pesquisa que são materiais importantes vai aumentar de modo geral para contribuir em diversas pesquisas mas ainda falta s e se essa produção mesmo específica para os professores porque é importante isso que você está falando desculpa de interromper mas é pra reforçar só você tá dizendo que a gente ouve muito quando enfim viajava e ouvia muitos professores não têm material didático cama não tem no site da secad tem muita coisa disponível lá é tem produção do do cabelo e sangue desculpa se
eu tiver falando o nome errado mas tem livros lado em pdf que as pessoas podem baixar e trabalhar a questão é esse é isso que está falando de uma formação para aquela leitura esse é exatamente aí nós estamos planejando nós aqui na secad agora nós temos um planejamento de de abertura do plano de ações articuladas em que os estados e municípios vão poder fazer a adesão às iniciativas que o ministério da educação disponibiliza fazer um link da formação continuada da formação inicial com o material didático nós temos de fato grandes produções inclusive voltadas especificamente para
a sala de aula nós temos isso né acontece que muitos professores não sabem já sexta não sabe como baixar aquele material é preciso que a secretaria de educação locais não é fácil um esforço de adequá-las né trazer para o cotidiano das formações mas a hipótese é exatamente a e tem outro ponto a gente já fez vários programas aqui sobre a 10 639 que queria ouvir vocês e muitas das questões fica uma polarização né a não temos material ou quando temos não tem essa discussão ou também as secretarias de talvez não incentivem tanto quanto deveriam incentivar
porque a gente ouviu dizer assim não aqui a gente implementa não porque você faz um trabalho com um livro um livro didático um livro paradidático achar que aquilo é um trabalho com a 10 639 queriam ouvir um pouquinho benedito em relação a isso porque tem muitas secretarias que até é o ministério público tem entrado com ação pedindo para que ela trabalhe mas ela alega eu tenho eu trabalho com esse livro que é um só né é o entendimento de que ao trabalhar um livro é que discute diversidade o encontro é um trabalho com as relações
com as questões afro brasileiras né então é as secretarias elas têm uma dificuldade imensa trabalhar a educação das relações étnico raciais e educação escolar quilombola é por conta de que é o que eu vejo que a escrita até a aaa os próprios componentes da secretaria técnicos assessores preciso ler nem preciso conhecer e precisa se informar mais e o que eu vejo também é de que nem todas as secretarias municipais e estaduais ele tem 11 uma pessoa um profissional que possa estar contribuindo trabalhando nessa área da educação das relações étnico-raciais pra pra trabalhar é essa formação
com os professores nem e é isso refletirá na base é quando nós falamos de educação escolar quilombola é com relação às diretrizes curriculares nacionais para a educação escolar e quilombola é lá a gente lá está a de que prioritariamente o professor de escolas é em comunidade e manter byd escolas quilombolas deve ser da comunidade né porque que deve ser da comunidade prioritariamente na comunidade porque esse professor ele é mas que esse professor ele é um professor mas que ele é parte da liesa que ele conhece a história da minha nem aí e não vai excluir
seus olhos com essa história não vai ter dificuldade para trabalhar essa história né esses saberes e aí é esses saberes envolve o que porém envolve um dos exemplos os hábitos alimentares nem tem que ser trabalhado ali com essa criança meios e modos de produções quando de quando eu digo mesmo modo de produções é a que a comunidade produz desde a sua alimentação nem até a sua arte nem ea forma de como ela é se organiza nesse meio de modo de produções né se ela vende seus produtos o ceará não vende então tudo isso é a
escola tem que ser também tem que trabalhar né e se a gente não tem um professor é que seja dessa comunidade esses saberes eles são desconsiderados são desrespeitados por que as crianças já têm seus saberes né elas trazem os seus saberes e que esses saberes deve ser intercalado deve ser relacionado com o saber universal né pra que essa criança não se não não perca é só a sua cultura né desde que ela é permaneça no seu local e quando ela saia fora do seu local ela tem que ter essa é ter essa identidade fortalecida se
auto e identificar se auto reconhecesse a apresentar socialmente como é com você analisa o rita o trabalho nas comunidades remanescentes de quilombo com essas questões porque é muito comum de novo comparando com a educação regular encontra crianças negras que não se percebem com tal né e que tem só referências brancas e também por questões mídia enfim tudo isso a gente pode discutir depois foi o caso mas que não se percebem como como seres é com essa identidade então é a educação escolar quilombola ela embora aconteça em uma comunidade quilombola ela faz parte de um sistema
nacional de educação e dentro desse sistema nacional de educação as questões da diversidade elas são é construída ela se dá num contexto de conflitos não é não é fácil não mesmo os professores que novos estando com estudantes quilombolas dentro da comunidade quilombola há conflito porque porque tem as normas e orientações mais gerais nosso sistema nacional de educação que são normas que homogeneízam que apagam as diferenças que não reconhece o sujeito na verdade os nossos materiais didáticos por exemplo ainda mais voltarei a mente ainda é escuro em né os personagens as culturas negras desses materiais né
então é as escolas quilombolas também elas recebem esse tipo de material até o que não faz com que a criança se veja ali então a representatividade que essa criança vai tomando como referência são personagens brancos que ocupam lugares mais privilegiados na sociedade no lugar de referência lugares de poder digamos assim quando aparece os negros ainda nos livros didáticos infelizmente ainda se reporta uma história dos cabos ainda se reportam a abolição dos escravos é como se num passe de mágica ou então benevolência né alguns personagens alguns obtiveram libertado esses escravos e 8 os problemas vão resultar
em todos esses problemas estão resolvidos então a autoestima da criança também ela é prejudicada com essas imagens que são ainda veiculadas mesmo né na verdade a os currículos das escolas quilombolas se dão uma relação conflituosa detenção de tensão entre o que os sistemas de ensino ainda é querem que essas escolas realizem né de tratar majoritariamente os conhecimentos universais que ainda despeje ambos da virgin não o saber os locais que ainda as comunidades negras né elas elas são tidas daí a a precariedade das escolas é um reflexo do que essas comunidades elas elas sofrem né quando
a escola é não têm acesso a esses bens materiais que vão fazer com que essa educação ela de fato tem uma qualidade melhor o que é preciso não só o saber eo fazendo as pessoas que não bola como também dos médicos que não bolas mas é preciso também que tem um aparato institucional é do poder público a fazer com que a educação ela se realize melhor talvez mais plenamente daí quando a comunidade é não têm acesso a estradas por exemplo é um senhor acredita que falou muito bem disso é quando essa comunidade não têm acesso
à água potável a escola também é reflexo disso né então as escolas quilombolas elas ainda disputam esse lugar é com relação às escolas não quilombolas em boas escolas não quilombolas no em do modo geral que são escolas geralmente escolas do campo né que são bem costas nas comunidades também não gozem de certos privilégios mas elas estão em condições um pouco melhores da é preciso entender que nem nossa sociedade infelizmente um racismo racismo estrutural esse racismo se faz presente também na gestão pública pois é eu queria pegar nesse ponto da autoestima ainda retomando a questão anterior
porque fico aqui ouvindo vocês falando e tem toda essa questão do racismo que é histórica uma questão que o brasil não consegue resolver tristemente a criança que nasça uma comunidade quilombola que percebe que a sua escola não tem água que o prédio é feio é não é confortável que não têm condições para que ela estude que a sua comunidade também muitas vezes e precarizada não está atendida não está assistida como deveria estar essa criança também ela já chega para essa escola com uma carga assim então me dizendo tá tão querendo me dar um recado com
esse cenário é esse recado é que talvez o meu valor não seja o mesmo de outras crianças quer dizer fico aqui todos indo você sente é esse impacto benedito assim os alunos eles chegam de alguma forma também se sentindo captando essas mensagens aí às vezes nem tão subliminares assim e como você faz para reverter e construir auto estima dessas crianças então é a gente percebe esse impacto que é o que a professora é rita já disse nem que está dentro dos conflitos nem e um dos conflitos seria é essa é perceber a criança perceber que
ela está num espaço esse espaço é não é visto é pela gestão pública como um espaço que deve ser ter mais investimento nem é pra ter uma educação de qualidade para ter saúde de qualidade para moradia de qualidade mas quando nós por fé da comunidade percebemos isso eu digo nós da comunidade e não só já o processou o professor né mas nós da comunidade percebemos isso é a gente começa a conversar a contar nossas histórias né porque as nossas histórias são muito lindas são muito ricas e as nossas histórias nos tira desse é dessa tristeza
essa melancolia é decidisse dessa indignação nem tão assim a gente conta muitas histórias a gente ouvir os mais velhos nas histórias nem as escolas é trabalha é com com atividades nem com seminários trabalha com oficinas né pra que essa criança de fato ela se auto reconheça de que ela é uma criança negra de que ela é quilombola de que ela está no espaço é vista por quem não está ali como espaço de não de não privilégio no espaço privilegiado de que ela é não terá esse privilégio social também por ser uma criança negra mas que
ela é sujeito de direito e que ela é deve começar a se observar se olhar se autoafirmar né é assumir a sua identidade para desconstruir ou seja para combater o racismo nem que é muito velado então assim a gente trabalha várias atividades às escolas trabalho não só as escolas de mato grosso mas pela conversa que a gente tem com outros professores de outros estados nem a gente trabalha durante o ano nem todo esse currículo é multi né currículo aniversário currículo é local nosso nem e aí a gente tira um dia pra gente fazer toda essa
celebração e tudo isso é lindo tudo esquemática maravilhoso né aí a gente vai apresentar toda essas atividades né a gente vai fazer desfile né da menina negra do garoto negro da criança negra nem a gente vai durante todo esse processo a gente já é passou por pelas oficinas de fazer é bonecas negras né é de trabalhar a culinária além de trabalhar com essa mudança [Música] tinham tatão introjetada na cultura com as culturas afro africanas e afro brasileiras né sim e é um é um saber tão rico tão próprios e não tem como não discutirem como
discutir porque é tanta a religião conta dança quanto todas as atividades todas as manifestações culturais nossa está relacionada às nossas vidas nem relacionado a nosso saber está relacionada à religião né então não tem como separar nem e aí a gente tira esse dia para comemorar não tem como viver em comunidade remanescente de quilombo e não usar a palavra resistência na essência é a base em benghazi queria perguntar um pouquinho para rita voltar só uma questão a gente falou na abertura assim estão mais presentes na bahia se não me engano eu falei maranhão pará e minas
gerais ainda nesta obra a gente entender por que né a gente que já conhece um pouco da história sabe que é uma questão de movimento migratório né porque nos outros lugares outras regiões é estão mais fortemente nessas regiões e não em outras regiões é importante destacar que essa presença negra né esses estados não é é uma presença que tem a ver obviamente que a gente vive num país em que há uma parte da nossa população é esse fato a quem diz conhecer pode dizer que a minoria né ele é desconhecido aqui em nosso país ele
é conhecido aqui na américa latina mas da informação de que o brasil é o segundo maior do país com população de que o povo fica pensando eu não sabia disso aqui mesmo no nosso país não saber então é importante destacar que essas comunidades quilombolas que são comunidades negras né elas têm a ver também o que você falou é muito bem com a história de resistência desses ovos ea escola vem nesse sentido de fortalecer essa identidade quilombola e forçou benedita que nos brindou não é com s mesmo depoimento dela porque a gente não ficar com essa
imagem também que as escolas quilombolas são só precariedade é uma coisa é a precariedade física da infraestrutura de alguns prédios outra coisa essa riqueza se aposenta eu tive a sorte o diretor do programa está no na sala de controle que comandando aqui o direção da gravação ele também estava comigo lá tive a sorte de estar exatamente num dia como este você acabou de ponta assim não tinha lá uma senhora que falava duas senhoras que falavam pra comunidade contava histórias locais e tinha o desfile tinha comida você falou de comida essa hora já que dá conforto
enfim a potência é sempre bom é exatamente estava dizendo exatamente a potência a minha área que é isso da educação a super a gol especificamente é uma potência pedagógica né que a educação escolar que a bola caísse da educação brasileira e que a escola regular pode aprender também para se inspirar pois é é queria perguntar para benedita ainda nessa questão dos jovens porque quando vocês falaram olha é muita gente pensa assim é pra viver em guetos não é uma questão de gueto é obviamente a relação com a comunidade mas há a valorização desse local desses
baixo desse território e dessas pessoas o que sonham essas esses jovens quilombolas o que querem estes jovens quilombolas como você lida com eles o que eles dizem para você tá bom é essa interação mas essa interação com a valorização do que eu tem enfim o que eles contam pra você é a gente conversa muito e nessa interação dessa troca nessa conversa né eles dizem que de fato eles é que querem eles como vão continuar afirmando a sua identidade mas ele sonho em ter uma profissão em ser um profissional ele sonho em ser juízes promotores e
educadores ele sonhos e é piloto nem em sonhos e administradores nem tão assim dos diversos cursos de informações de graduações que que existe eles querem ser então assim é ouvindo dar um exemplo de mato grosso ouvindo mato grosso é a cinco anos atrás é até porque nós estávamos com um programa de inclusão quilombola na universidade federal do mato grosso está ouvindo esses estudantes de mato grosso é eles disseram que fizemos tivemos um levantamento eles disseram os cursos de graduação né que eles que que eles desejam fazer vencer e aí com ainda a implantação do procon
em que nem que começou este ano e aí a gente vê é alunos e estudantes que não bolas na medicina é na farmácia na pedagogia na geografia na química na física matemática né e na arte então assim na engenharia então assim são diversos os cursos eles estão lá então assim ele sonho sonho é em ir fora da comunidade sair da comunidade para trabalhar nem sair da comunidade para estudar nos finais de semana eles estão ali os filiados estão ali junto das suas famílias o sonho é muito forte é do mesmo modo que a identidade também
é muito fonte né ea gente conversa muito de que essa com essa identidade eu converso muito com eles nós conversamos professores conversar muito com eles e que essa identidade tem que tá muito fortalecida mesmo e nós enquanto embora temos que estar visíveis para esta sociedade você dá tem que nos conhecer a sociedade tem que saber quem nós somos essa cidade tem que nos respeitar e tem que entender que nós somos sujeitos de direito e que é dever do estado do município da união do distrito federal - garantir né políticas públicas para que nós tenhamos essa
vida digna nem é tenham anos é qualidade de vida né e isso a gente passa para esses estudantes né e esses estudantes é eles são os multiplicadores né e o ingresso é não só no mato grosso como em outros estados desses estudantes na universidade pública eles saem de lá e multiplico toda essa vivência deles com relação à vida acadêmica enquanto quilombola e sua vida acadêmica na comunidade mas a gente percebe que eles não não perdem essa identidade embora sabemos que existe os conflitos emocionais os conflitos sociais os conflitos geográfico os conflitos de terra embora a
gente sabe que existe mas a gente procura trabalhar a autoestima dessa criança e também trabalhar para combater o racismo eo preconceito a intolerância porque nós somos muito desrespeitado ainda infelizmente mas a gente é diante de todas essas esses fatos de racismo e preconceito a gente tem que continuar sim lutando nem para que a gente consiga combater um pouco desse racismo resistir existir sempre fiquei fã da benedita além do trabalho na avenida de trazer recebê-las hoje aqui muito obrigado foi muito bom programa muito obrigada viu neneca décimos muito nessa oportunidade vão ter sempre sim sim o
salto para o futuro de hoje vai ficando por aqui agradecemos as presenças da rita potiguar a diretoria de políticas de educação do campo indígena e para as relações étnico raciais da secad que é a secretaria do mec e da benedita rosa da costa professora da educação básica de comunidades remanescentes de quilombos em cuiabá no mato grosso quer ver fotos e vídeos de bastidores e os principais destaques da nossa programação é só seguir o instagram da tv escola lá você também fica sabendo quais os temas das nossas próximas edições e pode mandar perguntas para os nossos
convidados a dinâmica é a mesma do facebook.com barra tv escola a nossa equipe divulgou os temas e você deixa as perguntas nos comentários no twitter é só mandar a sua pergunta com a hashtag salto para o futuro pelo instagram pelo facebook ou pelo twitter não importa o importante é que você participe e faça o programa com a gente dar o salto para o futuro de hoje fica por aqui até o próximo programa a gente se ver aqui na tv escola o canal da educação tchau [Música]