Aos amigos, tudo, os favores, aos inimigos, a lei. Essa frase frequente aos amigos, tudo, os favores, aos inimigos, a lei. Essa frase frequentemente atribuída a Maquiavel reflete uma máxima da política brasileira, o uso parcial e seletivo do poder público, favorecendo aliados enquanto aplica rigorosamente a lei contra opositores.
Nas eleições de 22, o Brasil viu uma postura muito dura em relação ao Bolsonaro, declarado inelegível por abuso de poder político e uso indevidos meios de comunicação durante a reunião com embaixadores, que foi realizada em julho de 22 no Palácio do Alvorada e abuso de poder político e econômico nas comemorações do bicentenário da independência no 7 de setembro. E nessa ocasião, após o encerramento do desfile cívico militar, depois das comemorações, ele discursou para as pessoas que ali estavam. Podíamos também lembrar de outros casos, outros fatos, como a proibição de veiculação de documentários como do Brasil Paralelo, críticos ao seu oponente, hoje presidente da República, o que na época não foi considerada censura prévia, mas proibição de veiculação de conteúdo com caráter eleitoral.
Aí detalhe, baixar o documentário era um ato voluntário, individual. Documentário não ia ser veiculado na TV aberta. Perceberam a diferença?
Pois bem, se o desfile de ontem não foi propaganda antecipada, o que será então? Porque não haverá o mesmo rigor agora e não havendo, quanto elásticas serão as interpretações a partir desse momento. No Sambo, havia um refrão com trecho do Dingo usado pelo PT em quase todas as campanhas pós redemocratização.
Além disso, menções à bandeiras de campanha do atual governo com direito à entrada do mandatário na avenida. Lamentavelmente, a sára, a ironia, a pesquisa histórica, as homenagens e até a crítica que sempre marcaram os carnavais deram lugar a propaganda política descarada, ao desrespeito aos evangélicos, ao discurso divisionista. Tá valendo tudo.
E nesse vale tudo, quem é que perde? Perde o Brasil. Perde a oportunidade de investigar o motivo da nossa estagnação.
Perdem-se oportunidades uma atrás da outra. Cada vez mais ficamos distantes de estabelecer uma visão consensual acerca do país que queremos. Assim, não conseguimos caminhar na direção do futuro.
É o país dos amigos, do patrimonialismo, da captura do orçamento público, da desigualdade não resolvida. Um país que não discute a qualidade da sua liderança envelhecida, com um processo de substituição muito lento, que não discute a questão da produtividade, que é tão importante, que não discute a qualidade das suas distções. Aliás, não há como sermos fortes sem instituições fortes, com sistema de freio e contrapesos que funcione, com o mercado mais competitivo que busque a inovação.
É necessário ter um bom diagnóstico da história para pensar o futuro. que temos alguns nichos de excelência aqui e por tanta coisa ainda assim dá errado. A disfuncionalidade institucional está nos trazendo sérios problemas.
Temos uma crise fiscal contratada. E aí, quem tá discutindo isso? O PT vai entrar numa nova disputa presidencial e aí, quais as ideias que vão pra mesa?
O estado sobre PT tá capturado, não cuida das pessoas e não constrói as bases com desenvolvimento consistente. Aliás, todos sentimos falta no desfile de algumas alas. Por exemplo, a ala os Correios faliram e o Lula não viu, ou quem sabe a ala de prai para filho ou de volta à cena do crime, ou quem sabe ainda a ala dos roubados do INSS.
Também faltaram alusões ao mensalão, ao Petrolão, a ST Brasil, Rombo do Postales, ao caso Abril e Lima, a operação acrônima e por aí vai. O que não falta é escândalo. Um verdadeiro carnaval com o nosso dinheiro.
Tá na hora de acordar.