[música] Oi, oi, gente. Sejam muito bem-vindos ao meu canal. Eu sou a Leandra e eu conto relatos todos os dias aqui para vocês de segunda a sexta. Se por um acaso você caiu de paraquedas, aqui eu também conto relatos mais curtos no meu TikTok, no meu Instagram e essas redes sociais estão aqui embaixo na descrição do vídeo. Se por um acaso você tiver aí algum relato sobrenatural para me Enviar, ou nem precisa ser sobrenatural, mas relato sobre histórias de vida, enfim, histórias que você acha interessante e queira ver eu contando aqui no canal, é só
enviar pro e-mail que já fica aqui embaixo na descrição do vídeo também, assim como o link lá pro Spotify, porque para quem não sabe, todos os conteúdos postados aqui estão disponíveis por lá também. Bom, gente, eu não gosto de enrolação, então já já vamos para o relato de hoje, até porque É um relato um pouquinho grande, mas antes não se esqueça de se inscrever no canal, caso você ainda não seja um inscrito, de curtir esse vídeo agora no início, porque ajuda muito a divulgar o vídeo aqui na plataforma e rpar o vídeo se tiver aparecendo
essa opção aí para você. Bom, agora sim, recadinhos dados, vamos ao nosso relato que se chama A herança do Trauma. Um relato sem sobrenatural, mas que é pesadão. Ela colocou entre parênteses. Então, vamos Lá. Eh, oi, Liandra linda e povo do canal, tudo bom? Bom, o meu relato é gigantesco, mas como eu também gosto dos relatos longos, eu decidi contar a minha história. Todos os nomes, bem como os locais que apareceram no relato, estão trocados. O meu relato também contém gatilhos de violência, violência psicológica, abuso e etc. Apesar de não gostar de enrolação, assim como
a Leandra, eu preciso dizer uma coisa, galera. Procurem terapia. Muitas pessoas aqui dos relatos trazem relatos que facilmente seriam resolvidos numa escuta profissional e qualificada. Não existe vergonha nenhuma em fazer terapia ou então precisar tomar remédios, essas coisas. Vocês não são fracos por isso. E se não fizerem por vocês, façam pelos filhos de vocês. E a minha história, ela é um pouco sobre isso, sobre como os traumas vão passando de geração em Geração, sem nosso conhecimento, sabe? Sem nossa vontade, sem entendermos muito bem. O amor ele cura, mas a terapia liberta. Verdade. E pior que
ela tem razão em tudo isso que ela falou. Bom, vamos lá. A herança do trauma. Minha história começa lá atrás. Dizem que o meu tataravô era um latifundiário, filho de pai português e de mãe espanhola, dono de escravizados. E é crucial usar essa forma, sabe? Essas pessoas não eram escravas, mas sim estavam num sistema Que as escravizou. Mas continuando, que entrou em declínio. Dizem também que era uma pessoa de gênio muito ruim, grosseiro e extremamente abusivo. E essa toxicidade, infelizmente, foi herdada por sua filha, minha bisavó, junto com um pequeno sítio que sobrou de seu
latifúndio, onde ela viveu com seu esposo e criou 12 filhos. Meu bisavô, segundo minha avó, era uma pessoa maravilhosa, gentil, amável, honesta e muito dedicada aos filhos, mas Por medo de sua esposa, igualmente omisso. Minha avó era a terceira filha, a mais velha dentre as mulheres. Por isso, todas as responsabilidades da casa e dos filhos mais novos recaíram sobre seus ombros. Aos 4 anos de idade, ela usava um tamburete, que era um pequeno banco de madeira, para poder dar altura na pia para assim lavar as louças. Eles eram muito pobres e a minha avó, Que
aqui chamarei de Zuleide, dizia que carregava os materiais escolares em sacos de arroz, que naquela época eram feitos de algodão. Quando iam à escola, tiravam os sapatos e caminhavam durante todo o trajeto descalços. recolocando-os quando chegavam à escola para que não se gastasse tanto os solados. E isso é só para vocês entenderem de que tipo de pobreza estamos falando. Por serem da roça, nunca lhes faltou comida, mas tudo que precisasse de dinheiro era Extremamente escasso e contado. O maior sonho da minha voz, o Leade era estudar, mas por morar na zona rural de uma cidade
do interior e ser muito pobre e ser mulher, esse sonho lhe fora negado. Pois mulher que estuda vira puta", dizia-lhe sua mãe, uma digníssima senhora cristã. Vovó contava que só estudou até a terceira série e que chorava ao ver as outras crianças indo pra escola. Mesmo que quisesse estudar ali na cidade Dela, só haviam escolas públicas até a quinta série. E aí depois disso era só particular, que como todos devem imaginar eram caríssimas e isso a obrigou a conformar-se. Voz contava que nunca teve uma boneca. Naquela época eram bonecas de porcelana. E sua tia, irmã
da minha bisavó, fazia umas bonecas lindas com sobras de tecido, usando crochê para fazer, tipo, as unhas da boneca e a lã para fazer cabelos. E aí ela e as irmãs brincavam com essas bonecas escondidas, mas todas as vezes que a peste de sua mãe descobria as bonecas, ela partia para a calçada com todas as bonecas, meio que fazia ali uma fogueira, dizendo que as tais bonecas eram tipo bruxas, entre aspas, pois é assim que ela se referia a esses brinquedos e as queimava. Bom, para conseguir algum dinheiro, minha avó criava galinhas e vendia os
ovos. E mais tarde, quando seus irmãos Se tornaram rapazes, ela e a irmã, um ano mais nova, cobravam para lavar, passar e engomar os ternos de linho branco. E isso dava uma sensação e isso, perdão, era uma sensação dos baes da juventude, sabe? É essa essa vestimenta no caso. Até que uma vez sua irmã queimou um dos ternos e minha avó assumiu a culpa. Seu irmão a bateu com uma vara de tocar bois, um instrumento semelhante a uma bengala. E quando ele terminou de bater nela, ela precisou de Um banho de sal moura, preparado ali
com arnica, saião e sal grosso para poder ajudar na cicatrização das feridas. Voz leide disse que ficou quase uma semana de cama e com febre e quando se restabeleceu, sua mãe lhe deu uma trouxa de roupas acumuladas ali de uma semana de toda a casa e ela queria que ela lavasse aquilo tudo sozinha no rio. E o que minha avó fez, né, para não apanhar novamente. E isso lhe custou mais meia semana de cama E febre. E assim a pequena Zuleide foi crescendo. Aos 15 anos, ela conheceu um rapaz no culto de domingo e ele
havia se mudado há pouco tempo para a cidade e ninguém conhecia sua família, de onde vinha e para onde ia, como dizia minha avó. E foi quando lhe pareceu uma excelente oportunidade de sair daquele inferno, sabe? Mas tadinha, lê do engano. Pedro era um homem negro, claro, caminhoneiro ali de Minas Gerais, que procurava se Casar e estabelecer uma família. Ele tentou se engraçar para as moças da igreja, mas minha avó foi a sua vítima. Sua mãe implorou-lhe para que não se casasse com Pedro, dizendo que ele tinha cara de safado e que ninguém conhecia o
seu passado e nem a sua família. Mas por sua mãe ter sido um demônio de saias a vida inteira, Vozuzu ignorou os alertas pensando ser apenas racismo. E de fato, assim, havia um pouco disso também. Então, aos 16 anos, casou-se de Velgralda e flores de laranjeira, como costumava dizer. E todas as vezes que me contava isso, ela lamentava profundamente por não ter ouvido a mãe. As últimas palavras que voz ouviu antes de sair de casa foram: "Eu amaldiçoo este casamento. Corto os meus laços de mãe e filha com você. Os filhos de Pedro não serão
meus netos. Espero, Zuleide, que você não se arrependa desta decisão, pois se você precisar, estará a partir de hoje na Rua. Enquanto isso, seu pai chorava, pedindo para sua esposa não fazer isso. E Vozum mudou-se para uma cidade que ficava aproximadamente uns 45 km de distância, num município vizinho. Pedro trabalhava fazendo ali as suas viagens e não demorou muito, veio a minha tia Graça. Ele ficou radiante. Todas as vezes que estava em casa, eles dividiam ali as tarefas domésticas e também dividia ali o cuidado com a Filha. Vozosu conta que ele adorava cozinhar. Também era
muito atencioso com ela e bem carinhoso com a filha, muito caprichoso também e extremamente aciado. E logo vovó estava grávida novamente. Vovó contava que desejava muito um menino, mas sua segunda filha foi a minha tia Nate. Não demorou muito e vó, Zu e Pedro começaram a brigar por conta de uma vizinha, a Maria. Nessa altura, minha avó estava eh estava Grávida já da terceira filha, a tia Rosa. E antes de Pedro sair, os dois tiveram uma briga feia. Bom, o motivo ela nunca me contou, mas tudo indica que Pedro estava se engraçando para Maria, a
vizinha. Essa viagem durou mais que o costume. O dia deos pari se aproximava quando seu pai chegou em casa. Minha avó contava que ver o pai naquele momento foi como ver o sol, um milagre. Ela não tinha mais o que comer em casa, Estava sozinha e com medo de Pedro não voltar. Seu pai então pediu que a irmã Denise fosse para a casa de Zuzu para ajudá-la, né, com a Graça e com a Nate. Até que um dia, no final da tarde, minha avó sentiu as dores do parto e entrou no quarto. Com a ajuda
de Denise, pariu minha tia Rosa sozinha. Depois disso, minha avó ficava feliz quando ele demorava pelas estradas, pois cada vinda dele resultava em uma nova Gravidez. E ela já achava que era o suficiente, né? E a partir daí as viagens começaram a ficar mais frequentes e cada vez mais longas. Até que num belo dia, Vozuzu pegou Pedro cheirando as calcinhas de Denise, que estavam penduradas ali no banheiro para secar. Foi então que minha avó foi procurar saber, né, o que estava acontecendo. E conversando com Denise, ela confessou que Pedro a molestou algumas vezes Durante a
noite. Zuzu não sabia o que fazer, mas acreditou na irmã. Mandou Denise de volta para casa e em seu lugar vieram os dois irmãos mais novos da minha avó, Miguel e Lucas. E até onde eu sei, Pedro nunca tentou nada contra os meninos. Com a ausência prolongada ali do marido, Zuzu começou a passar fome. Miguel e Lucas roubavam galinhas e frutas ali das vizinhanças para que não passasse Necessidade. E quando Pedro chegava, a casa era reabastecida. Voz dizia que ele era bastante farto. Mas como demorava meses, tudo acabava rápido, sabe? Neste inteirm, minha avó acabou
engravidando novamente e aí veio a minha mãe Carmen. E durante o resguardo de Carmen nova gravidez, Lúcia. Só que Pedro não chegou a a conhecer Lúcia. Minha tia Graça, embora pequena, lembra-se de seu pai se despedindo. Vozos o conta que algo aconteceu entre Pedro e a mãe dela, mas ela própria nunca soube o que. E minha bisa morreu com esse segredo, nunca contou para ninguém. O fato é que ela nunca mais o viu em vida. Ela conta que parece que ele foi sugado pela terra, como ela mesma dizia. Assim, Zuzu e as cinco filhas ficaram
desamparadas, sem trabalho, sem perspectiva, esperando Pedro retornar. E seu pai, indo com frequência ajudava, né, da forma que Conseguia. Vendo a filha e as netas naquela miséria, ela pegou o Zuzu pelas mãos e a trouxe de volta para casa. E esta decisão foi assim o ponto crucial da minha história. Eu acho muito injusto que a minha história tenha sido decidida antes mesmo de meu nascimento. Mas é assim que as coisas funcionam, né? Fazer o quê? Bom, Zuzu foi recebida pela mãe com gargalhadas. No mesmo dia, a bisavó anunciou na Igreja que estava dando as crianças
a quem quisesse criar. Sim, como se fossem filhotes de cachorrinho. Zuzu, afundada nas dívidas ali, deixada por Pedro e completamente desamparada, viu as filhas serem levadas uma a uma. A única coisa que conseguiu foi eh foi proteger Lúcia, a recém-nascida, enviando uma carta ao seu padrinho, pedindo que ele cuidasse da filha, pois ela tinha medo do que poderiam fazer a uma criança tão pequenina. Graça foi para a casa do segundo irmão de Zuzu para servir de empregada. Neid foi adotada por uma família da capital e desapareceu. Inclusive, minha avó chorava muito por não saber se
a filha passava fome ou frio. Rosa foi adotada por uma família ali amiga da minha bisavó, mas nunca quis contato com Zuzu. Foi muito bem criada e rodeada de amor, carinho e proteção. A primeira da família a possuir um diploma universitário. A Carmen foi adotada por uma outra família que também a tratou como empregada. E Lúcia foi a única que continuou ali de certa forma na família e ao mesmo tempo a fugir desse destino. Viveu até os 6 anos com o padrinho de Zuzu. Quando ele faleceu, Lúcia foi enviada à casa de duas tias solteironas
da minha avó para terminar de ser criada. Lúcia também cresceu rodeada de amor e cuidado. E minha avó sempre comprava Lindos vestidos para ela e a visitava sempre que podia. Bom, Zuzu foi para a capital para trabalhar e pagar umas dívidas. foi empregada, babá, cuidadora de idosos, até que finalmente conseguiu uma vaga de copeira num consulado. E foi assim que conheceu Roberto, o motorista baiano com quem foi casada até a morte. Vovô Beto era uma pessoa difícil, mas foi um avô maravilhoso para mim. Tratava as filhas de Zuzu melhor Que os próprios filhos e cuidou
dos sogros até a morte. No entanto, ele não era tão bom assim para Zuzu, que o via como um salvador e ficou com ele muito mais por gratidão do que por amor. Carmen foi adotada ali por volta dos 2 anos, sendo a última a sair de eh sendo a última a sair ali da casa da avó. A mãe de criação ali de Carmen era uma maledite e a chamarei aqui de Matilda, uma viúva com quatro filhos, Respectivamente Denis, Josefa, João e Isaque, todos já adultos, com exceção de Isaque, que era 6 anos mais velho que
Carmen. Isaque e Denis, os filhos mais novos e o mais velho de Matilda, eram os únicos a tratá-la como parte da família. Matilda a criou exatamente como sua mãe Zuzu foi criada, sem amor, sem cuidado, sem carinho, sem brinquedos, sem amigo, sem poder ser criança, como um peso, sabe? E Carmen descobriu sobre sua adoção no seu aniversário de 9 anos, Quando pediu uma bicicleta de presente à sua irmã mais velha, Josefa, e a resposta foi: "Por que você não pede a sua mãe, Azuzu?" Tadinha, gente. Bom, Denis, técnico mecânico numa grande empresa de tecnologia, sempre
trazia pequenos presentes. Estes, quando não eram confiscados por Josefa, eram jogados fora por Matilda. E como Denis vinha somente uma vez por mês, ele não ficava sabendo de nada. Isaque era um arteiro e ele e Carmen viviam aprontando e apanhando juntos. Isaque fazia muito sucesso com as meninas ali da igreja e vivia trocando de namoradas. Carmen amava demais Matilda e cuidou dela com todo o amor e carinho a vida toda. Mas em troca, Matilde davia com desprezo e ódio. E um breve importante parêntese sobre Matilda. Ela era uma mulher linda, de longos cabelos negros e
olhos azuis como o céu. Era considerada Lindíssima por todos e foi criada apenas por seu pai, pois sua mãe morrera ao dar a luz à irmã mais nova. Casou-se velha demais, entre aspas velha, né? Pois ela se casou aos 26 anos e casou obrigada pelo pai. esperava que seu grande amor voltasse da capital com as alianças de compromisso, mas ele retornou justamente no dia de seu casamento. Ele morreu pouco tempo depois de desgosto, entregando-se à bebida. Dizem que ele morreu chamando Por Matilda. E Matilda, por sua vez, morreu velha, mas também chamando por ele. Matilda
adotou outra menina, a Olga, que tinha a idade de Josefa, e nascera com má formações nos braços e nas pernas. O marido de Matilda abusou de eh de Olga, que engravidou aos 13 anos. Foi feito um aborto através de chás e banhos. E depois disso, Alga foi enviada para a capital e seu nome virou um tabu na família. E o marido de Matilda morreu Um pouco depois. Ela tinha por volta de 43 anos de idade quando ele faleceu e agradeceu a Deus todos os dias por isso. Muitas vezes, Matilda confessou a Carmen que só permitiu
que Josefa a trouxesse porque o marido já estava morto. Caso contrário, não teria permitido. Pois Matilda temia que algum de seus filhos tivesse herdado os maus hábitos do pai, mas nenhum deles, até onde sei, fez algo parecido. Estou dizendo isso Porque Matilda sempre vigiava os filhos com Carmen e seu medo era totalmente justificável. Muitos anos mais tarde, quando Matilda estava doente e acamada, minha mãe perguntou sobre essa vigilância e aí a Matilda lhe contou tudo. E depois dessa conversa, tudo ficou muito claro na cabeça de Carmen. Quando Carmen tinha por volta dos 11 anos, Denis
se casou com uma prostituta de beira de estrada. Foi literalmente Isso, sem exageros. E com ela ele teve sua única filha, Carolina. Matilda era uma senhora já não tinha condições de criar Carolina após sua mãe fugir com o amante. E nessa mesma época, Josefa descobriu que não poderia ter filhos. Sendo assim, Carolina foi criada por Josefa como uma filha e nunca lhe faltou nada. E isso, de alguma forma ressentiu muito Carmen, que era criada como um cachorro. Mas Carmen amava muito Carolina e as Duas são muito unidas até hoje. Mamãe fala que Carolina foi o
primeiro bebê que ela cuidou. Quando Carmen tinha por volta dos 13 anos, João e Isaque casaram. João se casou com Joana, a quem Matilda se referia com humor e com o humor ácido como frutapão. Meu Deus. É, embora eu ache esse bullying engraçado, Joana é tão desprezível quanto a maioria dos personagens dessa história. Enfim, Joana foi bem desprezada por toda a família Por não conseguir segurar os filhos. E guardem essa informação, pois ela será útil mais adiante. E Isaac se casou com Gabriela, filha de um artista plástico e uma filha ali de um artista plástico
e uma e uma socialite decadente, cuja família tinha uma longa tradição nas Forças Armadas. E enquanto isso, Carmen era trancada para fora de casa o dia inteiro, todos os dias, sem comida ou eh ou água. E quando eu digo que era tratada como um Cachorro, não é exagero. Os cachorros eram bem mais bem tratados do que isso. Carmen, assim como Zuzu, não pôde estudar para não se tornar uma [ __ ] e também chorava ao ver as crianças indo para a escola. e também foi tirada da escola na terceira série, assim como sua mãe. Mas
ao contrário de Zuzu, ela não se casou para fugir do inferno. Isaque iria resgatá-la, mas não fiquem felizes ainda, porque não é agora que ela vai ser resgatada. Bom, Carmen deixou de frequentar a igreja porque Lúcia ao azoava, dizendo que ela era rejeitada e que Zuzu não a amava. Lúcia mostrava-lhe os presentes que Zuzu trazia em todas as visitas e Carmen se revoltava. O mesmo ressentimento aconteceu com Rosa e talvez seja por isso que ela nunca perdoou a minha avó, Azuzu. Para Carmen não ficar largada ali na sarjeta, enquanto sua mãe, entre aspas, ali fazia
As visitas do círculo de oração, ela aproveitou para pedir emprego na casa do pastor, que prontamente a contratou. Então, aos 13 anos, Carmen era empregada doméstica na casa do pastor. Logo, a primeira filha de Isaque e Gabriela, estava a caminho e com isso, Isaque conseguiu levar Carmen com ele para a capital. Matilda não queria que isso acontecesse de forma alguma, mas com a bebê a caminho, ela não pôde negar ao filho a Sua escrava doméstica, pois era isso que a minha mãe era na cabeça de Matilda e Josefa. Chegando à capital, Isaac não permitiu que
Carmen fosse tratada como empregada. Deu-lhe roupas, pois as que ela trazia eram trapos, né, feito ali de restos de saco de algodão ou então restos de retalhos, né, de roupa e tals. E assim, não era bonito, né, de se vestir. Então, Isaque deu roupas novas. Isaque também não permitiu que ela dormisse no quarto De empregada, como era o desejo de sua esposa e sogra. E a minha mãe conta que dormia lá por conta própria, pois preferia a privacidade a dividir o quarto com Amanda, que era filha do casal. Mas enfim, Isaac conversou com um sogro
que usando ali os contatos da esposa, conseguiu uma vaga para Carmen num dos colégios mais tradicionais do estado, onde ela conseguiu concluir o ciclo ali do fundamental um, a época chamado de Primeiro colegial. Isaque fazia faculdade de direito, que era paga ali por Joseph e pelos sogros. E minha mãe disse que este foi o período mais feliz de sua vida, pois foi a primeira vez que teve amigos e uma casa normal para viver. Aos 14 anos, Carmen conheceu Ítalo, um homem de cerca de 30 anos, divorciado. E a minha mãe até pesquisou e descobriu que
ele havia ficado estéril devido a uma cachumba que desceu. E aí o divórcio Ocorreu porque a esposa, sem saber da impossibilidade dele de ter filhos, engravidou, revelando então uma traição. Mas enfim, não demorou para Carmen e Itítalo se envolverem. E por causa da grande diferença de idade, o romance foi mantido em segredo. E Italo era um burguês. E quando eu digo burguês, não estou falando de dono de hamburgueria ou tabacaria que se diz empresário, sabe, para se achar importante. Não, eu falo de burguês com B maiúsculo mesmo. Ele Era dono de um aras de indústrias
têteis. E isso tudo na Inglaterra, nem aqui no Brasil era. E tudo é eh e tudo isso era uma herança paterna. E ele também era dono de fábricas de cerâmicas na França, que aí já foi herança materna, ou seja, ele era muito rico. Sua família era amiga da família de Gabriela e aí, por conta dos negócios da família, ele passava apenas 3 meses no Brasil por ano, já que era filho único e administrador de todos esses Empreendimentos. E aqui eu preciso fazer mais um comentário, um absurdo. Ítalo era para mim um Jack, [risadas] como nos
que é como nós eh nos referimos a a pedófilos, né? Pois independente do que eu pense, este foi o segundo ponto crucial da minha história pessoal, mais uma vez, sem eu nem tero ainda, por isso eu fico revoltada. Mas enfim, voltando, com o romance secreto, Ítalo começou a ficar cada vez mais no Brasil e tratava A Carmen como uma princesa. Amanda, filha de Isaque, nasceu primeiro e alguns meses depois nasceu Mateus, filho de João. Com o nascimento de Mateus, começaram as pressões para que Carmen retornasse ao interior e cuidasse do filho de João, já que
Joana, coitadinha, não conseguia segurar os filhos. E o teor irônico é meu. Mas assim, a pressão para que Carmen voltasse era exatamente essa. Bom, João começou a ameaçar Isaque para Que mandasse Carmen de volta e Isaque a defendeu, proibindo-a de visitar a família na tentativa de impedir o seu retorno àquela vida, porque Isaque conhecia bem e sabia como todo mundo a tratava. João então ameaçava invadir a casa, mas sabendo da influência da família de Gabriela, que só para lembrar era de uma casta de longa data nas Forças Armadas. Então assim, por essa história se passar
na década lá de 70, né, período da Ditadura, obviamente ele nunca se atreveu ficando só na ameaça. Só um comentário, vocês estão entendendo que ele ele tava querendo entrar dentro da casa para roubar uma pessoa como se fosse proprietário da pessoa para ela poder trabalhar. Enfim, mas é aquele ditado, né? Alegria de pobre dura pouco, e a alegria da minha mãe só durou até o divórcio de Isaque. Gabriela resolveu fazer um cruzeiro com Amanda e a Mejera, mãe, a Sogra de Isaque. Isaque pediu que Carmen fosse junto, mas Carmen não poderia ir, pois sua adoção
nunca fora legal. E ela não sabia o paradeiro de Zuzu, né, para conseguir a autorização. E foi nessa época que Carmen reencontrou Lúcia, pois aos 13 anos de idade, a Lúcia havia fugido ali da casa daquelas tias solteironas da minha avó. E com a fuga ela foi para a capital sozinha. Fora que não sabemos até hoje como ela conseguiu entrar no ônibus sozinha e sem Documento, mas ela conseguiu. Aparentemente, Lúcia aprendeu a costurar com as tias e, por isso, começou a cobrar por pequenos consertos de roupas que fazia para as pessoas da igreja. Nisso ela
juntou o dinheiro. Então em uma madrugada ela pulou a janela e fugiu. Ela conseguiu descobrir sozinha onde Zuzu morava e no dia seguinte finalmente chegou até a casa dela, da Zuzu. Enquanto todos estavam como loucos, a bisavó estava sentada na Varanda dizendo: "Hum, não esperava menos da filha de Pedro. Ela não presta assim como o pai. Mas enfim, depois de se restabelecer ali com Zuzu e Roberto, Lúcia então partiu em busca de Carmen e Rosa e encontrou ambas. Então foi nesse momento que ela reencontrou ali com Lúcia. Bom, Isaque, que fazia faculdade de direito, foi
atrás da documentação ali de adoção, já que agora eles tinham encontrado Zuzu. Então, com a ajuda de Lúcia, regularizou a situação de Carmen para tal viagem. Isaque fez João e Josefa assinarem os papéis. Denis havia sumido a essa altura e assim minha mãe virou a filha dos irmãos. Agora a Carmen podia viajar de cruzeiro e é aqui que começa o inferno da minha mãe. Durante a viagem, Gabriela se envolveu com outra pessoa. Amanda viu e ao chegar em casa, contou ao pai. Gabriela, porém, pensou que Carmen havia denunciado o romance clandestino. Bom, o resultado foi
o divórcio entre Gabriela e Isaque. Isaque saiu à procura de um apartamento para dividir com Carmen e o plano era os dois trabalharem e dividirem as contas até que pudessem se restabelecer para que não tivesse que voltar para o interior. A mejera mãe, a ex-sogra de Isaque, a essa altura, se juntou com a Josefa e Começou a fazer a cabeça de Isaque contra Carmen. E como complô não surtia efeito, Gabriela usou um gravador para conversar com Carmen, induzindo a revelar o romance com o Ítalo. E assim aconteceu. E bem, aqui a história fica ainda pior.
Isaque exigiu que Carmen comprovasse que ainda era virgem. Josefa agarrou a força e a mejera mãe comprovou que ela não era. E Isaque a agrediu. Matilda, João e Josefa a colocaram para fora de casa. Um antigo namorado da igreja que minha mãe teve antes ali de ir pra capital a encontrou desacordada num valente desfigurada enquanto retornava ali do serviço para casa. Ele então a levou para a Santa Casa de Misericórdia e nessa época o SUS ainda não existia. A polícia então foi chamada. Minha mãe fez ali o exame de corpo e delito e Formalizou uma
denúncia contra Isaque por tentativa de homicídio. Antes que Isaac fosse autuado, minha mãe fugiu e isso ocorreu com a ajuda do ex-namorado e eles fugiram para a casa dele, pois estavam temendo que a família invadisse o hospital e a matasse. Lá, ela foi cuidada com muito carinho pela ex-sra e pelo ex-namorado, que na época já estava noivo de outra. E Carmen permaneceu sumida por mais de um mês. Mas como assim? Lá ela foi cuidada com Carinho pela ex-so e pelo Ah, tá. Porque eles haviam sido namorados antes. Ah, entendi. E aí nessa época que ele
ajudou, ele tava noivo de outra já também. Ah, agora entendi. Vamos voltando. Nessa altura todos já sabiam do ocorrido, pois era uma cidade pequena. Zuzu estava feito uma louca procurando Carmen e acionando os seus contatos ali no consulado contra Isaque. Já Josa, Matilda e João tentavam fazer com que Carmen retirasse a queixa contra Isaque, alegando ser para não destruir a sua vida, como se a culpa fosse dela, né? E Carmen, por sua vez, estava escondida na casa desse ex. Então, ninguém sabia que ela estava lá. Até que Matilda se lembrou dele e resolveu ir com
os outros para meio que fazer uma busca na casa dele. Minha mãe ficou escondida na casa da vizinha até que eles fossem embora. Carmen sabia que não poderia ficar ali por muito tempo, mas o que fazer? Para Onde ir? E Carmen sem saber, né? enfim, do seu do envolvimento ali de Zuzu e que sua mãe estava pronta para ajudá-la, viu-se sem alternativas e Itítalo estava numa viagem de negócios e não retornaria nem tão cedo. Carmen não tinha dinheiro para contatá-lo, então ela fez a única coisa possível. Ela foi à delegacia e retirou a queixa e
implorou a Matilda que a aceitasse de volta. Tadinha. Ai, mas enfim. Bom, com a queixa Retirada, Matilda aceitou, mas não aguentava mais olhar para a cara de Carmen. Foi então que arrumou um emprego de doméstica na casa de seu sobrinho. E a princípio foi apenas isso. O que Carmen não sabia, contudo, é que Matilda a havia vendido para ele. Isso mesmo, vendido. Não, fica pior. Calma aí. fica pior. Ela foi vendida ao meu pai. Bom, e é assim que começa a minha História propriamente dita. José era um homem de 57 anos e Carmen tinha quase
17. Eu sei, é asqueroso. José era um homem casado, tinha sete filhos ali com a esposa e mais seis com uma amante que morava num sítio da família ali fora da cidade. José se aproximou aos poucos e Carmen era simpática, pois ela é assim com todo mundo, mas sempre manteve distância. Ela trabalhou por quase um ano lá, mas aí ela só trabalhava, pelo que eu Entendia, que ela não morava. Mas até que um belo dia, a Matilda arrumou uma mudança enquanto a Carmen estava lá trabalhando e foi embora, deixando-a sem escolhas. Então, provavelmente aí ela
começa a morar com José. Enfim, nisso, o José apareceu como um salvador e Carmen não teve o que fazer. José então entrou com um pedido de divórcio ali com a esposa, alugou uma das casas do marido de Josefa e foram morar juntos. E eu eu sou fruto de um Estupro e isso me violenta de tantas formas que seria impossível de descrever. Eu fui planejada e muito amada pelo meu pai. Talvez por isso minha mãe me odeie tanto. Mas enfim, quando nasci, Carmen tinha 19 anos e o meu pai 59. Quando eu fiz seis meses, Ítalo
apareceu depois de contratar alguns detetives e finalmente encontrar minha mãe. E segundo minha mãe, mas eu não acredito muito, ela diz eh o seguinte: "Bom, eu contei tudo a Ele, no caso, a mãe dela, como se fosse a mãe dela contando, né? Eu contei tudo a ele, tudo que aconteceu, e ele ficou profundamente desesperado por não ter estado ao meu lado. Ele se apaixonou por você e me pediu para fugirmos juntos. Disse que ele te trataria como se fosse o seu pai. E você ainda não tinha certidão de nascimento, [música] pois na época homens casados
não podiam registrar filhos fora do casamento. E eu não Queria pai desconhecido na sua certidão. Então eu estava esperando sair o divórcio para te registrar. Ou seja, fugir com ele seria fácil e ele te registraria e você seria filha e herdeira dele. Mas eu não quis te separar do meu pai. Bom, independente se é verdade ou não, o que eu sei é que eu nasci. Eu era uma criança extremamente calma, como se soubesse desse trauma. Eu não saía do lugar, não comia, enfim, se não Me oferecesse, se não me oferecessem ou permitissem, eu não comia.
Eu era muito articulada desde cedo, falava muito bem, sabe? Eh, eu pareci um adulto em miniatura, tipo a Maissa do SBT, sabe? Mas também eu era muito reservada, sempre gostei de escrever. E escrever era como tirar um peso dos ombros. Sempre foi assim. Era o único lugar onde eu sentia que eu podia ser eu mesma. Então, eu aprendi a escrever Muito cedo e sozinha. Minha mãe conta que quando eu entrei na alfabetização, eu já sabia de tudo. Sabia ler, escrever, contar, fazer contas. Eu acho que eu acabei criando um refúgio na minha cabeça. Bom, depois
do meu nascimento, Matilda pareceu se arrepender e tentou bancar a avó, mas eu sempre a achei estranha. Não demorou muito e a saúde dela começou a se deteriorar, né, por causa do Parkson e do Alzheimer. Aos poucos ela Perdeu a mobilidade e aí João e Josefa contrataram ali, entre aspas Carmen para cuidar de Matilda. Bom, José ficava furioso por saber que a minha mãe cuidava da velha. Era assim que ele se referia a sua tia Matilda. Logo depois, cerca de uns dois anos e meio, meu irmão nasceu. Meu pai não queria ele e pior, minha
mãe teve que fazer estereectomia. E foi logo depois, porque o médico disse que uma nova gravidez seria fatal. A Carmen não sentia dor de parto e nem Tinha passagem para parto normal. Tanto que eu passei ali três dias e no parto do meu irmão, ela ainda teve eclâmpsia, mas pelo menos um sonho ela realizou que foi ter um casal de filhos. Eu chorava todos os dias querendo ir pra escola. Então a minha mãe me matriculou mais cedo do que deveria. E quando eu passei pra primeira série, a escola queria me segurar só para eu ficar
no nível da turma. Mas a orientadora pediu para minha mãe me botar numa escola Particular, senão eu ia perder o interesse. Super a minha cara. E foi aí que o meu inferno começou. O meu pai arcava com a mensalidade da escola e os custos dali da casa com o básico, mas todo o resto era por conta da minha mãe. E para manter a casa, Carmen não tinha descanso. Cuidava da Matilda de manhã, fazia faxinas à tarde e de noite ainda lavava e passava a roupa para fora. E enquanto isso, meu pai, já aposentado como funcionário
Público, dedicava eh dedicava-se à sua verdadeira paixão, o sítio. Ele plantava, criava galinhas, porcos, bois, cavalos, patos e perus, e até fazia queijo e vendia leite. A família tirava uma renda, uma renda extra com o abate ali de animais e outras propriedades. E o meu pai complementava vendendo frutas da estação ou então gato. Por isso passamos pela crise do leite, da carne, pela imperiflação ali do governo Sarnei, sem grandes apertos. Ele era o sustento prático, mas a minha mãe era um motor que fazia a roda girar. E aos domingos ele ia à rinha de galo.
Eu tentava fugir para ir atrás dele, para dar um beijinho ali da sorte, mas eu sempre era expulsa, já que era uma atividade legal e era só para homens. Bom, como filha de pobre, curiosamente não nos faltava nada. Minha mãe roubava ali, entre aspas, um pouco do dinheiro do meu pai para comprar roupas da moda para mim e pro meu irmão, garantindo que Andássemos como filhos de rico. No entanto, o custo disso era a exaustão dela, trabalhando de segunda a segunda sem descanso. O mais triste é que ela não fazia isso por prazer pessoal, mas
sim pelo desejo de parecer bem para os outros. Ela queria evitar que falassem mal dela como mãe, sabe? E por conta dessa pressão social, minha mãe começou a nos exigir notas altas e nos proibia de brincar ou ter qualquer atividade normal de Criança. Ficávamos trancados dentro de casa, olhando pela janela as outras crianças da rua. E eu era responsável pelo meu irmão, e qualquer desavença resultava em surra para mim. Nossa única distração era a noite, quando começaram a passar desenhos ali na extinta manchete, como o Cavaleiro do Zodíaco e Jaspion, não sei se é assim
que pronuncia. Bom, na escola o bullying vinha de todos Os lados, funcionários, diretora, professores, alunos e por aí vai. Como eu era filha da fachineira ali das mães dos meus colegas, era me dito na cara e sem filtro que eu não tinha o direito de estar ali. Eliandra, para você e seus seguidores terem e assim terem uma ideia do nível de crueldade, no meu primeiro ano, aos 4 anos de idade, eu fui acusada de roubo. O João, que viajava como representante comercial, havia comprado um lindo kit De banho para o meu irmão recém-nascido. E uma
das toalhas ali de mão do kit eu usava para embrulhar a minha merenda, pois eu tinha nojo de comer na mesa ali da escola sem ela. E aí uma colega que tinha uma toalha igual e que tinha perdido a dela me acusou de ter roubado a toalha dela. Minha mãe foi chamada à escola e teve que levar o kit inteiro para provar a minha inocência. Detalhe revoltante. Mesmo depois de provar que eu não fiz nada, eu levei uma Surra em casa por ter me metido em confusão. É complicado. Em casa, minha mãe me ameaçava me
mandar para Febem, que era a Fundação estadual para bem-estar do Menor e para menores infratores. E a qualquer erro que eu cometesse, ela fazia essas ameaças. Teve uma vez que eu fui expulsa de casa aos 5 anos de idade por ter sido acusada pela professora de chamar a minha Coleguinha de classe de piranha. Acontece que essa coleguinha me deu um papelzinho com a tal ofensa escrito e eu, como era uma criança boba, que não sabia o que estava acontecendo, eu entreguei o papel à professora. Então, já sabe, né? Eu fui levada à coordenação, chamaram a
minha mãe na escola e quando eu cheguei em casa, minha mãe me deu uma surra, sabe? Com aqueles cintos de couro grosso dos anos 80, que o cinto chega quebrou de tanto Que ela bateu, né, ele em mim. Bom, depois disso, minha mãe me colocou para fora com meia dúzia de roupas e um saco de supermercado. Disse que eu estava expulsa de casa e fechou a porta. Eu sentei na calçada ali do lado de fora e chorava muito e chorava pensando: "Quando meu pai chegar, ele vai me ajudar a resolver isso". E enquanto isso, ela
ficava lá olhando pela janela do quarto dela, que dava em frente aonde eu estava e se Acabava de rir de mim. Ela até chamou uma das vizinhas para ajudar a a me ridicularizar. E eu só consegui voltar para dentro de casa quando estava próximo do horário ali do meu pai chegar. E aí ela me colocou para dentro, mas eu fui proibida de contar a ele sob a ameaça de ser expulsa de verdade dessa vez. E essa não é a pior história da minha infância, nem a única, mas seria muito exaustivo enumerar todas aqui. E foi
por volta dessa época que eu conheci Zuzu e Leandra do Céu. Ela era a mulher mais linda que eu já tinha visto em toda a minha vida. Baixinha com um corpo esbelto, Zuzu tinha cabelos pretos, finos e ondulados que pareciam até poeira. O cheiro dela era a coisa mais maravilhosa que eu já senti na vida. Ela usava unhas longas e vermelhas, vestia roupas super alinhadas e um escarpã branco. Um ícone da moda nos fins dos Anos 80 e início dos 90. Ela fumava um cigarro assim longo e tinha uma voz incrivelmente agradável. E o primeiro
encontro foi na casa de Lucas, seu irmão mais novo, que era tio avô da minha mãe e nosso vizinho. Quando eu a vi, eu fiquei paralisada pela sua beleza. Sério, ela parecia uma atriz da Globo, mas acho que não fui só eu quem ficou paralisada. Ela me olhou, apontou e perguntou: "Lucas, quem é essa menina linda com Olhos de jabuticaba?" E aí ele respondeu: "É tua neta, filha de Carmen? Zuzu se ajoelhou aos meus pés sem conseguir dizer uma palavra. Ela apenas chorava e me abraçava como se a vida dela dependesse daquele momento. Ela me
abraçava, beijava meus cabelos, o meu rosto, olhava para mim e agradecia a Deus. me abençoava assim tudo ao mesmo tempo. Eu não entendi o que estava acontecendo, pois eu só tinha ido brincar com a minha melhor amiga. Mas Leandra, posso dizer que naquele instante nós não nos conhecemos, nós nos reconhecemos. Eu nunca amei ninguém como eu amei Zuzu. Talvez só José o meu pai, mas eu amei mais ela. E assim eu fui o pivô da reconciliação entre Carmen e Zuzu. O vovô Roberto também se encantou por mim de imediato e pouco tempo depois a embaixada
onde eles trabalhavam deixou o Brasil e ele se aposentou. Com o dinheiro da indenização, eles compraram uma casa perto da nossa e a partir daí Eu passei a ter um refúgio. Toda sexta-feira ele me buscava para passar o fim de semana lá. Férias, feriados, qualquer tempo livre, eu me enfiava na casa dos meus avós. Vovó Zuzu dizia que eu era a primeira oportunidade que ela teve de ser mãe de verdade depois de ter parido cinco filhas. Nossas idas ao mercado eram show à parte. Ela pegava um carrinho para o essencial, eh, para o essencial, né?
arroz, feijão, macarrão. Enquanto eu e Vovô Beto enchíamos um segundo carrinho com todas as guloseemas, sorvete, peito de peru ali da Turma da Mônica, chiclete, iogurte, chocolate, tudo isso. E ela me ensinou a a arte do dominó e do carteado e sempre passeávamos pelos eventos da cidade. Vovó também frequentava as biroscas, que eram aqueles bares mais simples que vendiam ovos coloridos. Eu fazia graça e os frequentadores, né, os bebuns pagavam cerveja para ela. Eu me sentia uma uma Macaquinha de circo rindo. E lembro, eu lembro-me daquele filme da sessão da tarde que roubava todo mundo.
Ah, tá. Eu entendi o que ela quis dizer. Eu me sentia uma macaquinha de circo rindo, lembrando eh lembrando-me da daquele filme da sessão da tarde que roubava todo mundo. Eu entendi. Enfim. E no fim de cada bebedeira, Zuzu sempre chorava pela vida triste que havia levado. Ela me contava sobre Pedro, a mãe, o pai, sobre a vida de boemia ali nos bairros Cariocas, as [ __ ] os bandidos, os malandros e as gays que ela foi conhecendo ao longo desse tempo. O mais importante é que ela me mostrava quem havia sido gentil com ela,
as pessoas à margem. Enquanto as pessoas da igreja que a viram crescer nunca ajudaram, a comunidade da Birosca acolheu, cuidou de sua dor e a preencheu de carinho e aceitação. Com Zuzu, eu aprendi uma lição poderosa. Estranhos podem ser mais gentis do que as pessoas que cresceram conosco. Depender da ajuda de um estranho pode ser uma boa opção na aflição, mas claro, essa é a minha história e pode ser diferente para outros. Bom, voltando à realidade da escola, aos 6 anos eu consegui vencer um concurso de redação realizado às cegas. Minha redação descrevia como a
minha experiência na escola era excruciante. No entanto, a alegria durou pouco. Retiraram o meu prêmio, alegando que algum adulto havia escrito por mim. A partir daí, minha professora, que apelidávamos de Lelé da Cuca, começou a me perseguir. Ela fazia de tudo para que eu repetisse de ano. Chegaram até a inventar que eu havia fumado na escola o que não era verdade. E isso me rendeu longos 4 anos de apelidos, ações e xingamentos. Me batiam e eu revidava, mas o peso emocional e físico da perseguição Começou a ficar pesado demais. Eu era a filha do velho
e a faxineira que não tinha o direito de frequentar os mesmos espaços que eles. Apesar disso, eu nunca tive vergonha de quem eu era, dos meus pais e da minha família. Aos 8 anos, ela estava com 8 anos, né? Minha tia Lúcia, que tinha um histórico ali caótico para dizer o mínimo, segue o histórico. Ela tinha acabado de largar um traficante, roubou a embaixada onde a minha avó trabalhava. também Apontou uma arma para o vovô Beto e se prostituía no cabaré da irmã dele, que ficava em um outro estado. É o currículo do ser humano.
Enfim, nessa época ela apresentou o seu novo companheiro, o Jair. As histórias dela não acabavam e eu tinha que dar o braço a torcer. A bisa realmente tinha razão. Ela não prestava como Pedro, seu pai. Tadinha. Não, gente, eu fui obrigada a rir. Tipo, tá doido a mãe, gente, ela apontou Uma arma na cabeça da pessoa. Ela roubou. Eu acho que ela se prostituiu e o ex-traficante é o de menos do restante. Só que eu tô achando graça que olha só, as histórias dela não acabavam e eu tinha que dar o braço a torcer. A
minha bisa realmente tinha razão. Ela não prestava como Pedro, seu pai. Mas enfim, Jairí havia acabado de se divorciar da esposa para ficar com a Lúcia, que era até então sua amante, deixando para trás Seus dois filhos. Lúcia o enfiou lá em casa e foi nesse momento que Jair começou a me molestar. Ai gente, ele me ameaçava, ameaçava os meus pais e eu tinha muito medo, então me calei. Eu suportava a situação pensando que o martírio era temporário. Afinal de contas eles só vinham nos visitar na época do carnaval, ou seja, era apenas um mês
no ano. E aí eu ficava: "Ai, eu aguento, eu aguento, eu repetia isso Para mim mesma". Então assim, eles não moravam lá. Eles vinham no carnaval e passavam uma época, né? Entendi. Bom, Carmen nunca me deu um beijo, nunca me abraçou, nunca me tratou com carinho ou consideração. Meu pai era o meu herói, sempre me carregando para lá e para cá. Ela não cansava de jogar na minha cara a sentença. A a sentença. Gabriel era dela e eu era do meu pai. Gabriel, no caso, o irmão. Na cama, ela dormia comigo e com o Gabriel,
enquanto José dormia sozinho no outro quarto. Quando os dois brigavam, ela despejava tudo, que nunca o escolheria, que fora vítima das artimanhas dele e de Matilde, que odiava a vida que levava e o odiava. E eu ouvia tudo. Por eu ser dele, ela me odiava também, mas nunca teve coragem de admitir para si mesma. E ainda hoje não tem. Eu sempre fui o aborto da família, A estranha, a que ninguém queria por perto. As outras tias, a graça que tinha um amor doentio por Zuzu, minha mãe e Gabriel, aí tinha a Rosa que era distante
e a Neid assumida, não mudavam essa sensação de ser o aborto da minha família. Enfim, no entanto, perto de Zuzu e de José, eu era mais aceita, eu era celebrada, era como se eu fosse um pequeno milagre. E José e Zuzu se referiam assim a minha uma vez, né? E eu Guardo esse momento com muito carinho até hoje. Com a ajuda de Zuzu, eu fiz um plano. Eu cresceria, trabalharia e estudaria muito para que nós duas pudéssemos viver a boemia juntas. Quisera Deus que eu pudesse ter realizado isso, mas a vida tinha outros planos para
mim. Aos 9 anos, a vida começou a mudar com o reaparecimento de Denis, que Carolina finalmente conseguiu reencontrar. Denis foi o terceiro anjo que pousou na Minha vida e com a ajuda dele e de Mateus, filho do João, conviver com a outra família da minha mãe se tornou menos ruim. Mateus era 7 anos mais velho e eu sempre o amei como irmão mais velho que nunca tive a oportunidade de ter. E ao saber de toda a história que havia acontecido com Carmen após sua partida, Denis se sentiu na obrigação de ajudar. Ele vendeu tudo que
tinha e comprou um apartamento para ele e outro para ela e A deu o apartamento. Esse apartamento era grande. Apesar de ser apenas um quarto, sala, cozinha e banheiro, era grande. Era em um prédio que tinha sido construído para ser um apartel. E aí declararam falência e ocupado pelos antigos trabalhadores como forma de pagamento. Enfim, aos 10 anos voltei de férias que passei na casa da filha da melhor amiga da minha mãe. Uma amizade que vinha da época em que minha mãe morava com Matilde. E ao chegar em casa, eu encontrei assim tudo jogado no
quintal, minhas tarefinhas, roupas, uns pedaços de móveis. A casa estava completamente vazia. Eu achei que eu havia sido abandonada e corri para a casa dessa amiga. E foi lá que eu descobri a notícia. Minha mãe havia se separado do meu pai e viria me buscar assim que conseguisse e ela veio somente no final de semana. Nesse momento começou a manipulação de Carmen, que me pressionava para declarar que queria ficar com ela e não com meu pai. Vendo a situação, Denis obrigou Josefa a pagar um advogado para cuidar da situação de Carmen, dizendo que era o
mínimo que ela poderia fazer depois de tudo. Josefa não se negou e foi assim que descobrimos o maior segredo dela. A grande verdade é que há anos Josefa se ressentia de Carmen por ser apaixonada por José, meu pai, que nunca a quis. E por diversas vezes, Josefa tentou tomar a guarda minha e de Gabriel, mas nunca foi adiante, porque José sempre a impedia. Ele sempre batia o pé. Eu criei 13 filhos e não vou criar esses dois. Por quê? Vou criar sim. Carmen saiu da casa de José para morar em sua primeira casa de verdade,
levando Gabriel e iniciando uma vida com Artur, primo da vizinha com quem ela tinha um caso extraconjugal. Eu assim nunca a recriminei por isso. Já José, por sua vez, finalmente assumiu a mãe de seus seis filhos, aquela que ficava, né, lá na na fazenda, na chácara, que foi sua amante por mais de 25 anos. Ela era uma boa pessoa, Artur também. Ambos estavam em busca, né, da própria felicidade. E um novo parênteses importante aqui. Artur não foi o único. Minha mãe teve outros dois casos eh extras conjugais Também. Dá do irmão gêmeo, de um amor
ali de infância ali, pera aí, de uma outra vizinha. E também Antenor, que é um amigo de Zuzu e Roberto que tinha problemas com bebida. Inclusive esse eu mesma flagrei, mas fui coagida a me calar. Enfim, até onde eu sei, ela só teve esses, mas como eu disse acima, eu nunca recrimino por isso. Acho que se eu vivesse naquele inferno, eu não faria diferente. No entanto, o que sentimos não é Controlável e comigo não foi diferente. Esse foi o meu primeiro episódio de depressão que durou longos 2 anos. Enquanto eu lutava contra a doença, o
abuso continuava. Agora, não apenas com Jair, que continuava a visitar, mas também com o Júnior, o meu meio irmão mais velho, que era filho dessa amante, que agora era esposa oficial do meu pai. O mantra de sobrevivência se repetia. Eu aguento, eu aguento, eu aguento. E eu continuava a dizer isso para mim mesma. Nesse período eu era uma pré-adolescente sem amigos que vivia apenas lendo, escrevendo e ouvindo ali o meu alcan depois, né, foi substituído por um disquim que eu ganhei do vovô Beto. Bom, eu não ria, eu não falava, minha única bússola era um
um assim um pensamento que eu tinha que era vou entrar pra faculdade, realizar meu plano de boemia com a Zuzu e vai dar tudo certo. Bom, a única luz foi ter ingressado na melhor escola pública da cidade, uma Instituição de período integral e técnica. Na despedida da minha escola, houve um concurso de música que ganhei em primeiro lugar. Carmen e Artur me acompanhavam, pois ficavam bastante longe da minha casa e a rua assim era à noite, né? Então, como era muito escuro, eles me acompanharam. No meio da apresentação, Carmen brigou com Artur por causa de
uma colega de trabalho dele que visivelmente estava a Excluindo. Carmen foi embora me deixando sozinha com Artur. Essa atitude ali da Carmen cortou completamente o clima. Então eu fui embora e só soube que havia recebido o prêmio de primeiro lugar quando as minhas amiguinhas e vizinhas me entregaram. Inclusive, a música vencedora foi feita para o tio de uma delas, meu amor platônico da pré-adolescência, já que ele era 13 anos Mais velho que eu. E até hoje em Carmen se acha certa por essa atitude. Bom, o falecimento da nova esposa do meu pai quando eu tinha
13 anos causou o primeiro grande bac na nossa relação, pois os filhos dela tentaram fazer parecer que eu e Gabriel havíamos feito macumba. Meses depois, meu pai casou-se novamente com uma maledite. Essa mulher, sim, de fato, destruiu a minha relação com ele. Mas a minha perda mais profunda mesmo Veio de Zuzu. Quando eu contei para ela o que Jair fazia comigo, eu achei que ela ia me acolher e ia fazer alguma coisa, mas não. Ela me pediu para ficar calada, justificando que o vô Roberto havia perdoado Lúcia há pouco tempo e permitido que ela voltasse
a frequentar a casa. Daí o meu refúgio de aceitação desmoronou com um seu pedido ali de silêncio. Bom, com a separação de meus pais, Lúcia E Jair passaram a ficar mais tempo na casa de Carmen quando vinham pro Natal, perdão, pro carnaval. Lúcia então descobriu o que o marido fazia e preparou uma armadilha cruel. Ela me convidou para viajar com eles para Minas Gerais e eu fui depois da viagem como uma forma de assim meio que de me desmascarar como se eu tivesse contando alguma mentira. Eh, eu fui e contei, né, a verdade, o que
Jair fazia. Só que foi aonde ela virou e falou: "Se Jair realmente a molestasse, você viajaria conosco?" Porque assim, ela sabia, já tinha, né, chegado no ouvido dela que eu estava falando, né, que eu havia contado que o Jair tinha feito isso, só que ela fez o convite justamente para usar esse convite para desmascarar. Enfim, finalmente, um tempo depois encontramos Nate, a que vivia numa situação Deplorável com seus três filhos. Minha mãe, em um ato de generosidade, deu nossa casa para ela e fomos morar de favor na casa de Josefa. Josefa, temendo ali que Carmen
herdasse, começou a passar todos os seus bens para Camila, fruto de seu casamento com um velho lá que estava à beira da morte. já que Carmen é sua filha adotada. Camila começou a dilapidar tudo que Josefa levou anos e muitos desaforos para poder acumular, inclusive a casa em Que morávamos. E aí essa instabilidade nos forçou a mais uma mudança, só que desta vez para a casa de Artur, o meu padrasto. Bom, eu morava com meu pai durante a semana e nos finais de semana eu viajava para a casa da minha mãe, que agora ficava a
2 horas de distância e cerca de 110 km. Aqui eu já estava com 15 anos e foi quando eu perdi totalmente o freio. Eu saía, bebia, beijava muito na boca e Passava madrugada na rua. Enquanto isso, a Maledite fazia a cabeça do meu pai contra mim e eu também não ajudava nem um pouco, vamos combinar. Mas se ele não queria passar por isso, né, por isso tudo, não tivesse filho velho. E foi o que eu lhe disse quando ele veio reclamar comigo certa vez. E assim chegaram os meus 16 anos e foi quando eu voltei
a morar com a minha mãe totalmente. Carmen me proibiu de ir à minha Formatura, que foi inclusive paga com o dinheiro do meu pai. E aqui foram mais dois anos de depressão, sem emprego, não conseguia entrar numa faculdade, não tinha nenhuma perspectiva, não tinha amigos, tinha acabado de terminar com o meu namoradinho da época, que inclusive foi um dos grandes amores que passaram pela minha vida, o Gustavo. E no meu primeiro dia dos namorados longe do Gustavo, eu acabei indo parar Numa boate gay. E foi a primeira vez que eu vi um beijo gay na
vida e que também fui cortejada por uma mulher. Mas infelizmente eu não deu em nada porque infelizmente eu sou hétero. Mas na volta eu fiz amizade ali com uma galera do rock e eles eram iguais a mim. E aí eu passei a frequentar o mesmo lugar em que eles costumavam se encontrar. E a essa altura eu passei de vagabunda, né, de não fazer nada a [ __ ] nas palavras de Carmen, porque como ela mesmo dizia, Parecia uma cadela no cio, cheio de macho em volta. Sim, era assim que ela se referia a mim e
aos meus amigos. Bom, aos 18 anos, eu comecei a trabalhar em uma creche em regime de meio período e o meu sonho de entrar na faculdade estava extinto. Eu vivi apenas um dia de cada vez. Uma amiga e sua mãe insistiam em me dizer o quanto eu era inteligente e que eu deveria tentar novamente. No entanto, eu já não via mais sentido Naquilo, nem na minha vida. E foi nesse período que eu cheguei a comprar chumbinho com a intenção de tirar a minha própria vida. Mas felizmente essa amiga me fez desistir da, né, dessa, dessa
terrível ideia e com o apoio de sua mãe conseguiu, eh, eu consegui ali uma vaga no pré-vestibular social da faculdade federal da minha cidade. E lá eu conheci Marcelo. Eu tinha acabado de completar 19 anos e ele 28. Deixei o emprego na creche e fui Trabalhar no McDonald's. Saía de casa às 5:30, né? E durante o dia trabalhava como uma louca. E ao sair do trabalho, eu ia direto para o curso e eu só chegava em casa mesmo por volta das 11 da noite. Marcelo era meu professor e também aluno da faculdade, recebendo uma bolsa
de magistratura por lecionar no prévestibular. Acabamos nos envolvendo e desse envolvimento aconteceu uma gravidez. Nós só tínhamos meses de namoro. Eu não Poderia me arriscar. Então, antes que alguém percebesse, eu conversei com Marcelo e realizei um aborto. Isso ocorreu numa clínica de forma totalmente segura, mas as consequências psicológicas pesaram demais para mim. Mas, sinceramente, eu não me arrependo. Depois disso, eu conheci a família dele e ele a minha. Marcelo se tornou o meu salvador. E até hoje eu não sei onde a minha mãe estava com a cabeça de me deixar namorar Com um cara de
28 anos e eu com 19. É muita loucura, sinceramente. Quer dizer, eu sei, né? Ela queria era se livrar da responsabilidade sobre mim, que inclusive vocês vão entender em breve do por esto. Mas enfim, voltando. A família de Marcelo vinha da roça, assim como eu, e tinha um histórico de classe média alta em decadência e totalmente disfuncional. Eu fui a primeira namorada que ele levou para conhecer a família e ele era o mais Novo de três filhos e era de fato um cara legal. Mas totalmente mimado, sabe? A mãe manda e ele obedece. Até que
entre muitas idas e vindas, porque todas as vezes que eu terminava com o Marcelo, o meu irmão e a minha mãe, né, faziam da minha vida um inferno na terra para voltar. Então, acabou que ficamos namorando por mais de 5 anos. Agora, com 23 anos, eu acabei engravidando. Acabei engravidando da minha gordinha. Eliandra, algumas considerações importantes. Eu cresci ouvindo a minha mãe dizer que queria ter uma filha para que ela fosse a sua amiga, mas ao mesmo tempo ela jamais investiu qualquer esforço para tentar se aproximar de mim. Ela tem o ego bastante inflado, sabe
de tudo, entende tudo, mas é uma falsa moralista que vive com os dedos apontados, pronta para julgar qualquer um. Minha mãe nunca se deu ao trabalho De tentar entender o porqu eu agia da forma que agia. Ela me rotulou de fraca, de imaginativa, né? Quando eu contei ali sobre o Jair e sobre o Júnior, enfim, ela, tia Graça e Vovó Zuzu não fizeram nada porque eu era a imaginativa, entre aspas, né? e a mentirosa. Mas enfim, foi durante a minha gravidez que eu pude me aproximar de Carmen e pela primeira vez na minha vida entender
o que é ter uma mãe. Eu pude ser amiga, sabe? amiga que ela cobrava de mim, mas Que ao mesmo tempo não dava espaço para que eu fosse. A mãe de Marcelo, dona Mercedes, mais uma digníssima senhora cristã, fez da minha vida um verdadeiro inferno. Ela dizia que eu teria eclâmpsia, que eu estava gorda demais, que pegaria dengue, chicungunha, enfim, ela achava que eu ia morrer. E enquanto isso, Marcelo ficava ali do meu lado, sabe, falando: "Calma, amor". Mamãe só tá preocupada. Calma. Mas enfim, aos 5 meses e meio de Gestação, o pai dele nos
expulsou da casa, o que, claro, refletiu na minha pressão. Na época eu trabalhava como operadora de telemarketing e Marcelo, já formado, estava em um excelente emprego. Então, Marcelo e Carmen foram atrás de uma casa para alugarmos e então finalmente fomos morar juntos. El Leandra, você acredita que depois os dois ainda vieram conhecer o nosso apartamento? Assim como se nada tivesse acontecido. E Marcelo sempre ficava ali do lado da família dele dizendo que eu era implicante, sabe? Enfim, e que ela queria decidir o médico com quem minha gordinha iria nascer, como eu guardava as roupas de
Marcelo no armário, ela queria dar pitaco na disposição dos móveis, o sabão que eu lavaria a roupa, a comida que eu fazia na casa, ela queria mandar em tudo. E aí uma vez eu perguntei, sabe, se ela queria colocar o membro do filho dela em mim também no Nosso momento de intimidade? Eu daria tudo para ver a cara que essa velha fez na hora que você perguntou isso. Sério, mas enfim, ela não deve ter respondido nada, né? Ai, gente, muito bom. Mas enfim, quando minha gordinha nasceu, a coisa só piorou. Eu tinha brigas estratosféricas com
o Marcelo por conta da intromissão da família dele ali no nosso relacionamento. E quando eu trabalhava com o Telemarketing, o prédio ficava em frente à faculdade. E aí eu fiz amizade com o chefe de segurança e por isso ele me autorizava a ir a a ir fumar no terraço. E lá eu ficava olhando e imaginando um dia que o dia nem que eu realizaria aquele sonho. Marcelo me incentivou a tentar o vestibular mais uma vez e quando a minha filha tinha um ano, eu finalmente passei. Meus documentos estavam na casa de Mercedes. Para quem não
lembra, Mercedes é a mãe dele, de Marcelo, pois ela morava em um lugar mais acessível para as entrevistas de emprego e também por conta da expulsão repentina acabou que os documentos ficaram por lá. Quando eu descobri que havia passado, Marcelo pediu para que Mercedes os levasse, né? Pois eu precisaria dos documentos para fazer a inscrição da faculdade, mas ela esperou o prazo de inscrição encerrar para entregá-los. Chegando ali na minha casa, tirou o envelope em mim, contendo ali os tais documentos. Ela riu e disse o seguinte: "Você está querendo o quê? ser melhor que o
meu filho. Eu nunca vou permitir isso. Ah, gente, [risadas] ai, meu Deus. Quando ela finalmente saiu, eu caí no chão e chorei como criança. Marcelo chegou do trabalho e me vendo naquele estado, perguntou o que tinha Acontecido. E quando eu contei, ele simplesmente disse que era mentira, pois mamãe nunca faria uma coisa dessas. Enfim, mas Leandra, com a força dos meus guias, eu consegui entrar no segundo período com a reclassificação. Minha filha tinha um ano e meio e ficaria com o Carmen e eu era finalmente uma universitária. Nessa época, Marcelo já não queria mais intimidade
comigo, pois ele era viciado em conteúdo adulto. Eu me sentia gorda e Feia até que finalmente pedia a separação. Durante esse um mês separada, eu envolvi-me ali com outra pessoa, mas não foi nada sério. Minha mãe veio à minha casa para me dar ali uma surra e me obrigar a voltar com Marcelo. A surra eu não permiti, mas eu acabei voltando para ele. A partir de então, a minha bússola seria me formar, conseguir um trabalho digno e sustentar a minha filha sozinha. A violência psicológica exercida por eh por Marcelo se instalou ali em nossa rotina.
Todos os dias ele me abordava com uma retórica cruel, afirmando que eu faria mal à minha filha e que o meu dever era pensar no bem dela. A sutileza das palavras mascarava a intenção clara. Ele estava me induzindo a cometer suicídio. Em um momento de profunda fragilidade e esgotamento emocional, eu executei o ato. Entrei na cozinha, abri a caixa de Remédio com uma vasilha de plástico, que era uma vasilha ali de plástico enorme que fica em cima da geladeira e tomei todos os remédios que estavam ali. Depois eu me sentei no sofá, liguei a TV
e disse que realizaria o desejo de Marcelo. O desespero de Marcelo ao presenciar a situação não era por mim, como eu cheguei a pensar na época. E felizmente eu sobrevivi e o desprezo de Carmen, que já era presente aumentou Consideravelmente após o ocorrido. Guardem essa informação. Em 2016, eu perdi o segundo grande amor da minha vida, Zuzu. Ela morreu em decorrência de um câncer de pâncreas extremamente agressivo, pois graça não levou os exames ao médico. Zuzu, antes de morrer, me fez dar uma grande festa de aniversário. Ela disse que queria passar os últimos dias dela
comigo, a filha dela. Mas minhas tias e Carmen a mandaram para casa de Lúcia e quando ela Voltou não durou mais que três meses. Eu consegui me despedir deus em sonho e foi uma das maiores dores que eu já senti na minha vida. Mas eu sei que ela está bem e de vez em quando ela vem visitar a minha gordinha e eu sinto o cheirinho dela no quarto. Em 2017 eu perdi o grande amor da minha vida, o José. Ele faleceu de infarto fulminante aos 90 anos de idade. E o que me consolou foi que
na última vez que nós eh que nós nos vimos, né, eu estava dando banho na Gordinha, no tanque de cimento no quintal da casa dele. Enquanto conversávamos, ele estava muito emotivo. E aí, quando eu acabei de cuidar ali da gordinha, ajoelhei do lado dele. estava sentado em uma cadeira de praia. Abracei-o bem forte e fiz exatamente o que fazia quando eu era criança. Acari os seus cabelos branquinhos, finos e ralos e beijei no rosto e falei: "Ai, eu vou chorar. Pera aí. Ah, calma aí. Vou chorar não, porque não dá. Tenho Que terminar esse relato
porque ele tá muito grande, então eu tenho que terminar. Não dá para pausar. E eu falei: "Eh, eu te amo muito, te amo mais que tudo. Você é o amor da minha vida." E ele chorou muito. E essa foi a despedida que eu dei ao meu paizinho. Depois desses dois golpes, né? Eu fiquei deitada no sofá por dois anos, sabe, sem conseguir me levantar. Eu quis tirar a minha vida outra vez, mas nem forças para isso eu tive. A única coisa que me ajudou foi a minha gordinha, que me pedia, né, para ficar boa logo
e também a terapia. Eu senti muita raiva do meu pai, eu senti muita raiva do e da Zuzu, eu senti muita raiva de Carmen, mas principalmente eu sentia muita raiva de mim mesma. A terapia me ajudou a organizar os meus pensamentos e prioridades, me ajudou a conseguir reunir forças ali para me levantar, sabe? E nesse mesmo período eu Me separei eh ali de corpos, como assim? De corpos do Marcelo. Ah, tá. Eu me separei de Marcelo e ainda que vivíamos sob o mesmo teto. Enfim, em 2020 veio a pandemia. Eu estava tomando remédios para depressão
e também para dormir, pois eu não conseguia dormir mais que duas horas por dia. Numa daquelas chamadas, numa daquelas videochamadas com amigos, eu acabei bebendo e Marcelo me estuprou. Eu não lembro de nada, mas eu apaguei ali De roupas e acordei sem elas. E como só havia eu, ele e a gordinha em casa, se eu não se eu não tirei a roupa, quem tirou, né? E para quê, né? E o mais estranho foi acordar naquele estado e ele ficar rindo, me chamando de bêbada e debochando da situação. Foram 10 anos de correria entre emergências hospitalares
e sala de aula. Minha gordinha nasceu com a uretra muito curta, o que causava refluxo na bexiga e infecção urinária persistente, além de Infecções oportunistas como garganta, ouvido e etc. Minha mãe tomava conta dela, mas a responsabilidade era toda minha. Então assim, as internações, essas coisas mais graves, né? Era eu que resolvia tudo sozinha, porque Marcelo não podia largar o trabalho para cuidar eh para cuidar disso. Foi muita luta, Leandra. Mas em 2022, no finalzinho da pandemia, eu consegui me formar. Depois que eu terminei, eu ainda não consegui encontrar, né, um emprego e fiquei meio
desalentada, sabe? Mas uma amiga começou a fazer a minha cabeça para que tentássemos o mestrado. Eu tive algumas crises de pânico, depressão, estudei dia e noite e fui aprovada em primeiro lugar. E Marcelo dizia que eu não iria conseguir. E quando eu dei a notícia, ele ficou ele ficou desbundado, como dizia Zuzu. Mas precisamos retroceder um pouco nessa linha do tempo. Em 2021, após a morte de Vozuzu, Lúcia foi morar com Jair na casa do vovô Beto. Lúcia abriu uma loja de roupas infantis na cidade e contratou um advogado para tentar herdar a casa de
Zuzu e Roberto sozinha. Até que num belo dia Jair foi trabalhar em Minas Gerais e demorou muito. E quando retornou estava com a cara toda quebrada. Todos acharam estranho, mas tia Lúcia dizia ter sido uma briga de Bar. Nesse intervalo, tia Graça me ligou e pediu que eu fosse a sua casa. Quando eu cheguei lá, ela se desculpou comigo e eu perguntei o que havia acontecido. Tia Graça então me contou o que havia acontecido com Jair e disse que sabia o motivo dele estar com a cara toda quebrada. Jair foi pego estuprando uma menina de
apenas 4 anos de idade. A avó da menina ligou para a tia Graça e disse que isso Já estava acontecendo há do anos. Quando o pai da menina descobriu ele que fazia parte do movimento, o que que Ah, tá, acho que é do tráfico, acho que é isso. Tentou matá-lo, mas aí conseguiu fugir. Eu ouvi tudo atentamente quando tia Graça, assim, quanto tia Graça se desculpava porque ela tentou falar isso. Ah, não, perdão. Ouvi tudo isso atentamente quando tia Graça se desculpava porque parece que ela tentou falar isso a outras pessoas da família e Fora
desacreditada. E aí eu só respondi: "É, eu precisei muito de você naquela época, mas vocês não fizeram nada por mim. Agora eu sei me defender e eu não preciso mais de você, nem da Carmen, nem de ninguém. E eu espero que você não enfie Lúcia e Jair na sua casa, tá? para que isso não aconteça com as suas netas também. Vocês se lembram da minha tentativa de suicídio assistido ali, né, incentivado por Marcelo? Foi naquela mesma época que Minha tia Graça me relatou o desespero da minha mãe, Carmen. Carmen chegou à casa da tia chorando
copiosamente e contando uma história completamente distorcida. disse que eu havia enlouquecido, saído nua pela rua e tentado suicídio. O relato era totalmente diferente da realidade. E até hoje eu me pergunto: essa foi a versão que Carmen ouviu de Marcelo ou ela inventou essa história para minha tia para encobrir a vergonha E ao mesmo tempo, reforçar a sua antiga narrativa de que eu sou estranha e imagino coisas? Bom, eu acho que eu nunca vou saber. Lúcia se casou com o vô Roberto. Ué, gente. Gente, essa história ela não para de ficar ruim e estranha, não. Ruinha
não de que é uma história ruim, mas ruim de tipo de maldade. Não para mais não. Já estamos chegando no final, gente. É hora dos refrescos, das coisas boas. Cadê? Lúcia se casou com vô Roberto, tipo, meu Deus, que família. Enfim, só que aí um tempo depois, Vô Roberto morreu e Lúcia está com câncer. Essa foi a última notícia que eu tive deles. Denise teve uma vida extremamente triste e morreu de câncer no útero, nos braços de Zuzu. Ou seja, ela faleceu antes da avó Zuzu. E a avó, né, Zuzu, nunca abandonou. Isaque hoje é
coach e sofre com o vício de Amanda em jogos de azar. João e Joana estão assim caducos e é Mateus que cuida deles. Denis se suicidou e Camila e Carmen jogaram suas cinzas ao mar escondidos da escondidas para a fiscalização ambiental não as pegarem. Bom, Matilda, mesmo com o Alzheimer, só reconhecia Carmen e só morreu depois que Carmen a deu seu perdão. Josefa é cuidada por Carolina e parece que ainda vai viver muito, infelizmente. Ela botou, infelizmente. Étalo nunca mais apareceu e Lucas e Miguel morreram. Bom, eu estou aqui terminando o meu mestrado, juntando os
meus caquinhos. O que me motivou a enviar este relato foi que eu encontrei todos recentemente no chá de bebê dos filhos de Gabriel. Sim, eu sou tia de um casal de gêmeos lindos. E todos esses traumas passaram pela minha cabeça como um filme, sabe? Estar na presença de todos eles é muito desconfortável e eu evito ao máximo. Hoje eu e Carmen nos falamos muito pouco E por telefone. E eu só faço isso porque ela é uma avó maravilhosa para minha gordinha, ainda que ela nunca chegue aos pés de Zuzu. Apesar de entender a vida difícil
de Carmen, eu não sou capaz de perdoá-la e agir como se nada tivesse acontecido. aconteceu e eu me lembro de tudo e pretendo levar todas essas lembranças até a minha morte. Eu não pretendo ser canonizada, sou humana de carne e osso. Não tenho obrigação nenhuma de perdoar Quem me fez mal. Mas retornando, Carmen é uma boa avó, mas o Zu sempre foi a minha cúmplice. Se eu chegasse para ela e dissesse: "Vó, matei alguém", ela certamente me responderia: "Onde a gente esconde o corpo, hein?" Essa era a minha amada vozu. Ninguém nunca será como ela.
Todos os abraços, perdão, todos os dias eu abraço a minha gordinha e digo o quanto a amo e que ela é muito importante e o quanto eu tenho orgulho dela. Minha maternidade tem Muito mais a ver com o Zuzu do que com o Carmen. Recentemente Carmen disse a minha filha que ela foi um acidente. o que eu respondi e quem no Brasil não é. Quando soube disso, me veio a memória do quanto ela gostava de repetir que eu era fruto de um estupro e todo o tempo eu me odiei muito por isso. Então depois eu
conversei com a gordinha. Eu disse sim, ela foi um descuido, mas que ela é muito amada, sabe? Muito mesmo. E que a forma Como ela foi concebida não determina quem ela é. Bom, eu ainda procuro construir uma boa base financeira, né, para que eu e a gordinha possamos realizar o meu sonho de boemia em homenagem a Zuzu. Mas é tão difícil que às vezes acho que nunca vou conseguir. Eu ainda Ah, não. Eu ainda vivo com Marcelo, já fazem 20 anos, mas só continuo aqui porque se sair não terei como levar adiante o sonho do
doutorado. Sim, eu vou fazer Doutorado. Antes de Zuzu morrer, ela me pediu para que eu largasse Marcelo, pois o Zu nunca gostou dele. Mas eu acho que ela vai entender a demora para isso acontecer. Mas minha decisão está tomada desde 2014. Eu não quero continuar com Marcelo, nunca vou perdoá-lo. Mas eu não sou uma pessoa inconsequente, até porque Carmen é contra a separação e disse que não me ajudaria em nada. E como eu não tenho contato com a minha família, a minha situação se torna ainda mais Difícil. Mas eu vou sair daqui em nome de
Xangu. Não estou seguindo nenhuma casa de aché no momento, mas o meu coração é dos meus guias. Pena que eu só os descobri recentemente em 2023. As terapias me ajudaram com as ideiações suicidas, mas o que me segura na existência é o trabalho que faço com jovens que t um histórico familiar e de vida tão ruins ou piores que que o meu. E a cada jovem sem perspectiva que eu consigo salvar, botar numa faculdade, Devolver o sonho e os sorrisos, eu sinto que a vida vale a pena. Eu sei que o relato ficou enorme, mas
eu espero que você e o pessoal do canal gostem. E se você tiver algum conselho, serei todos ouvidos. Eh, um grande beijo a todos com carinho. Fulaneia, [risadas] você já falou seu nome lá no início, não falou não. Ai, meu Deus. Acho que não. Mas, ó, um beijo, muito, muito, muito obrigada. Então, eh, essa questão de conselho, assim, fica muito difícil a gente dar um Conselho, no caso, eu aqui dar um conselho, porque você já tá fazendo terapia, eh, você tá estudando para sair, né, eh, assim, dessa situação, que é o que importa. tive aquela
aquela reação ao assim ao ler que você ainda está com ele, mas por mais indignada que eu tenha ficado de você ainda estar com ele, eu entendo que você não tem rede de apoio. Então assim, a sua mãe também não ficaria com a criança. Então eu eu entendo. E querendo Ou não eh você terminar o mestrado, doutorado, você não falou a área, né? Mas provavelmente isso vai te trazer um retorno financeiro muito maior, né? Então você tá pensando a longo prazo, você tá pensando na sua filha, então eu acho que nem tem muito o que
dizer, porque você tá no caminho certo para você sair dessa situação, né? E assim, eu concordo com o que você falou sobre não perdoar, eu também não perdoaria. E muitos, né, já faleceram, então não são Todos da história que ainda estão vivos, que você ainda tem que, né, se relacionar, se comunicar. E eu acho que tá tudo bem você não perdoar, você se manter o mais longe, o mais distante possível. E assim, gente, eu fico assim pensando, né? Tem alguns relatos que eu recebo aqui que realmente você vê que a falta de amor, a falta
de carinho lá na infância vai transformando os adultos em adultos ruins. Só que aí sei lá, vou ser bem sincera, diante dessa história em Específica aqui, eu não consegui sentir a empatia pelas outras pessoas da história, a não ser pela menina que enviou o relato, por ela, sabe? Eh, teve até uma que eu contei, eu acho que deve ter um ou dois dias, que assim, você via que a pessoa ela se tornou uma pessoa ruim porque cresceu sem amor, sem afeto e tudo mais. E acho que além da menina que envia, que, né, escreve o
relato, a avó, a Zuzu, porque ela, eu senti assim que ela foi Muito injustiçada também, né, eh, né, eh, super maltratada, teve os filhos distribuídos, ela meio que não teve assim tanto controle, meio não, ela não teve controle nenhum sobre a vida, sobre as atitudes que ela se viu ali obrigada a tomar. Então, até que da voz, eu também eu assim tive um pouco de compaixão, um pouco de empatia, mas me deu uma certa antipatia dela da questão do abuso, do abuso, né? Então assim, enfim, em partes eu entendo, tenho Empatia por ela em partes,
mas do restante das pessoas não. principalmente a mãe da menina daqui do relato, porque eu fico imaginando, tá beleza, você, né, cresceu sem amor, cresceu sem carinho, uma vida difícil, uma vida complicada, mas a sensação, sério mesmo, de coração, a sensação que me deu é que todas essas pessoas, lógico, tirando a voz do Zu e tirando a moça que nos envia o relato, são pessoas ruins, não são pessoas que cresceram sem amor. Espero que esteja Dando para entender o que eu tô querendo dizer. Elas são pessoas ruins de de coração, de alma, de caráter ruim
e não pessoas que se tornaram amargas por falta de amor, por falta de carinho e de cuidado. Eu acho que não, porque você pode ver que muitas dessas pessoas que aparecem no decorrer do relato tinham uma vida boa, tinha uma vida de privilégios, mas elas escolhiam ser ruins. Então, toda a compaixão do mundo, a menina que Enviou o relato e assim em partes a avó. E acho certíssimo você não querer perdoar e querer ter o máximo o máximo de distância possível. E assim, você bem sincera, eu ainda acho que você faz muito em manter contato
com a sua mãe, porque ai gente, não, acho que tudo tem limite. Tudo nessa vida tem limite. Eh, o do rapaz é Marcelo, né? Eu assim, eu entendo pela questão de que ela tá esperando se formar para dar um pé na Bunda dele e sumir. Agora a mãe, ai gente, não. E e a sua sogra também, eu acho que você deveria ter dado uma coça nela, né? Mas tá bom. É isso. Esse relato já foi muito grande, então não vou me estender aqui. Então assim, ó, muito obrigada por ter enviado. Espero muito eh que dê
tudo certo na sua vida. E olha, eu fico aguardando aqui o dia que você concluir o seu mestrado, o seu, eu acho que o mestrado você já concluiu, agora você Vai partir pro doutorado, né? Eh, tanto eu quanto todo mundo aqui que assiste o canal, nós vamos ficar aqui aguardando o dia que você concluir. E eu quero fotinha, tá? Eu [risadas] quero fotinha mostrando aí que você eh conseguiu, que você deu a volta por cima e você sentando o pé na bunda desse desse desse encosto aí que eu esqueci o nome dele, é Marcelo, do
encosto do Marcelo. Então eu espero muito um dia você voltar Aqui, né? Não aqui, né? Mas assim, no meu e-mail contando essa novidade maravilhosa pra gente. E é isso, gente, ó. Um beijão. Tchau tchau.