para falar sobre a educação bilíngue vou chamar ela que é mestre em lingüística aplicada e estudos da linguagem pela puc em são paulo é doutora em lingüística aplicada pela unicamp professor de cursos de bilingüismo educação bilíngue e coordenadora da pós graduação educação bilíngue e desafios e possibilidades no instituto singularidades de são paulo ela antonieta megale [Música] olá acho que é boa tarde já né bom dia boa tarde estou muito feliz de estar aqui hoje falando com vocês e pra começar nossa conversa que é isso que eu me proponho hoje é que a gente faça uma
conversa eu vou contar uma história pra vocês que pra mim foi muito impactante e determinou muito do meu futuro profissional então a história é a seguinte em uma escola regular é na qual toda a instrução era ministrada em português uma família isso há muito tempo atrás procurou essa escola uma família de origem alemã com uma criança de 4 anos que só falava alemão que na escola não a gente não tinha crianças que falava que falavam alemão e essa mãe muito angustiada né e mas como é que vai ser será que ele vai conseguir por várias
questões familiares não havia outra possibilidade ali para aquela família e a gente vive a angústia ansiedade a culpa dessa mãe que o que eu faço até hoje quando eu também estou com muitas dúvidas eu falo calma vai dar tudo certo né o que a gente pediu ali foi pra que essa mãe tentasse de alguma forma não passar toda essa angústia para a criança é para que não ficasse ali todos os dias há como é que foi entendeu você conseguiu brincar com alguém que ficou sozinho no intervalo perguntas para quem trabalha em escola que as mães
e famílias se fazem muito para as crianças de alguma forma essa família ouviu a escola e de alguma forma retê vi toda essa ansiedade essa angústia e essa criança tem 4 anos e uma coisa que a gente sabe é que brincar não tem língua as crianças brincam ponto né e as crianças geralmente são e ainda bem muito melhores do que nós adultos eu sei que esse ano se passou essa criança estava super integrada conseguia se comunicar com os colegas é aprendeu a linguagem da sala de aula a criança a professora falava criança entendia as coisas
funcionavam deu tudo certo né na última reunião de pais ao falar com essa família então essa mãe relata o seguinte que de fato ela ouviu nem os nossos conselhos iniciais e não ficar ali todo dia perguntando pra criança e aí deu certo como é que foi só conseguiu brincar e que já tinha se passado todo esse ano e que daí ela se sentiu muito à vontade para perguntar mas fala pra mim filho como é que foi isso né se entendia a sua professora como é que foi ea criança dá uma resposta que pra mim foi
muito impactante e me fez pensar muitas das relações que a gente tem na escola a o menino responde o seguinte mãe foi difícil começo a professora fala errado mas durante o ano ela foi aprendendo eu já entendo tudo o que ela fala então eu acho que é uma história muito boa porque a gente na educação é óbvio também me incluo nesse a gente a gente tem muitas verdades né são discursos produzidos e reproduzidas historicamente que é que a gente mantém então o olhar da criança muitas vezes e na maioria das vezes não é nosso criar
né e muitos dos discursos que circulam a gente tem que questionar a gente tem que duvidar que a educação bilíngue que a gente pode considerar um facto um fenômeno relativamente recente ela é cheia dessas verdades e é um pouquinho nessa linha que eu quero fazer essa conversa para tentar desconstruir duas grandes verdades que são discursos produzidos e obviamente esses cursos não são neutros eles foram produzidos por que hein essa muita gente produzir esses discursos mas que a gente repense né que a gente comece a olhar para a educação bilíngue com um olhar menos ingênua mais
informado e mais crítico então o primeiro grande discurso é que o brasil é um país monolíngüe eu acho que a gente que trabalha com educação bilíngüe a gente tem o dever ea missão de combater esse discurso primeiro porque são faladas mais de 350 línguas no brasil línguas indígenas línguas de imigrantes e outras línguas que surgiram do encontro com outras línguas e quando eu falo que elas são faladas no brasil eu não falo que elas são faladas por imigrantes elas são faladas por brasileiros que já são a segunda e terceira geração desses imigrantes então sim são
línguas brasileiras né e muitos contextos é o português vem depois só na escola ea gente não precisa ir tão longe que muitas vezes quando eu falo isso as pessoas falam as etapas angular de um lugar muito distante não centro de são paulo hoje em dia a gente tem escolas nas quais 65% dos alunos são bolivianos eu chamo de bolivianos porque eles são filhos de bolivianos mas nasceram aqui no brasil são brasileiros né e é claro que esse mito do monolíngüe smo ele foi produzido por quem interessa a muita gente porque língua e aí que eu
acho que tá toda a força da educação bilíngue línguas poder se eu tiro a sua língua se eu não reconheço a tua língua eu tiro de você a possibilidade de participar da sociedade na então foi um discurso produzido e reproduzido que interessa a muita gente e pouca gente sabe por que esse discurso também não circula que a gente já tem no brasil e todo esse movimento começou com a constituição de 1988 19 municípios que já sofreram um processo de co oficialização de línguas então a gente já tem 16 línguas com oficiais no brasil línguas indígenas
línguas como tália que é uma derivação do italiano no como comer ano então sim vivemos num país multilingue ea nossa educação bilíngue o que fará contribuirá para o acréscimo de outras línguas que também serão nossas porque uma vez que a gente começa escolarizar tantas crianças eu acho que todos vocês têm acompanhado o desenvolvimento ea flores sempre tenho dificuldade com essa palavra proliferação das escolas bilíngues a gente também está criando uma geração que está sendo também educada por meio de uma outra língua línguas que serão nossas também né o inglês o espanhol serão nossas línguas ouso
dizer que de certa forma já são e com todo esse movimento a gente tem as escolas bilíngües que crescem desenfreadamente e temos também outros movimentos que já estão bem mais estabelecidos como escola bilíngue para comunidades indígenas para surdos e pra comunidades emigrantes então eu acho muito importante que a gente entenda o nosso contexto entenda a força eo poder de quem trabalha com língua porque como eu já disse anteriormente língua poder é a língua que você fala as línguas que você fala que proporcionam na ação no mundo eu acho que é para isso que a escola
serve né para potencializar isso ea segunda grande questão é que a existência da escola bilíngue se justifica pela necessidade que a gente tem de produzir falantes de língua está dicionarizada ou línguas estrangeiras é e claro quando a gente fala de línguas adicionais línguas estrangeiras a gente está falando essas línguas no nosso contexto adicionais e estrangeiras línguas de prestígio inglês praticamente isso a gente tem que repensar e eu acho que é muito importante que a gente repense isso porque senão a gente deste na escola bilíngüe é um lugar que é muito ruim porque se eu perguntar
aqui pra vocês hoje e eu vou falar do inglês que é a língua de maior circulação são no mundo atualmente quem aqui fala inglês por favor levanta a mão desses que levantaram quem aqui que levantou a mão aprendeu inglês na escola bilíngue uma pessoa ali aprendeu na escola bilíngüe duas é a minoria néné então a gente pode pensar que se a escola bilíngue existe só para ensinar a língua não sei se ela precisa existir é muito pouco há muitas formas de aprender a língua agora é claro que eu não estou dizendo que a escola bilíngue
não precisa ensinar a língua é óbvio que ela precisa mas se essa for a grande função dela a gente errou porque daí a gente errou no significado e no entendimento que a gente tem desse conceito língua né a língua não é só um código ela não veículo que utiliza para me comunicar com o outro apenas lingote constitui se faz ser quem é a gente enxerga o mundo o mundo é pra nós categorizado a partir das línguas que a gente fala e daí a gente tem muitos exemplos né se a gente for pensar numa língua que
têm por exemplo três géneros masculino feminino feminino e um outro agente pode chamar de neutro já tem uma categorização ali que é diferente por exemplo do português né então essa língua ela te possibilita e também obviamente restringe eu acho que a escola é tem a função primeira de aproximar alunos a outras narrativas para além daquelas que ele vivencia no ciclo círculo imediato agora a escola bilíngüe ela tem um poder para isso porque ela já está trabalhando necessariamente com outra matriz linguística e cultural ou deveria estar né então a partir de 10 desse entendimento de línguas
que a gente pode pensar nesse trabalho nessa missão que arriscam escola bilíngüe deveria ter que é aproximar esse meu aluno a outros cursos há outras formas de pensar a outras formas de entender e de categorizar esse mundo para que a gente construa e produz alunos com o outro repertório com outro olhar para o outro né eu acho que essa é a grande questão e para mim o ponto mais interessante da escola bilíngue porque é muito tem sido dito do trabalho com cultura e trabalho com cultura gente não é trabalhar com funding festivals trabalho com cultura
trazer para esse aluno outros discursos possíveis outras grandes verdades outras possibilidades de entender fenômenos diversos que eu acho que é isso que a escola bilíngue tem que fazer e para além disso é a partir desses outros discursos que a gente começa a entender qual é o nosso lugar no mundo eu preciso do outro para que eu entenda o meu discurso porque o nosso discurso a partir de um certo momento ele é um discurso automático que eu reproduzo porque foi assim que eu aprendi porque é esse o discurso que circula agora quando eu me deparo com
outros discursos imediatamente e comece a pensar o meu então o convite que eu faço sempre é a gente tem de pensar a escola bilíngue para além da língua a gente pensar a escola bilíngüe como uma possibilidade que a gente tem de formar sujeitos diferentes que têm um outro tipo de posicionamento que chequem para além das grandes economias de certo e errado de verdadeiro e falso do sim e do não e se toda a escola deveria fazer isso a escola bilíngue tallinn com as duas línguas que necessariamente deveriam dar pra esses professores para essa comunidade maior
possibilidade de acesso a bens culturais maior possibilidade de fruição de obras artísticas eu acho que é se essa é a nossa grande missão com a escola bilíngue e acredito também que a partir do momento que a gente consegue olhar para esse outro agente também consegue se entender né agora isso a escola bilíngue pode fazer porque a língua simplesmente estando ali não significa que ser feito né eu sempre brinco eu posso ter ali uma educação infantil na qual a única aproximação que eu faço a partir dessas línguas pode ser por exemplo podem ser por exemplo as
princesas da disney está tudo bem com as princesas da disney a questão é o meu aluno não precisa de mim para conhecer as princesas da disney então é esse o convite que eu acho que a educação bilíngue é que a gente deve fazer todos os dias trabalhando com a educação bilíngue e para concluir minha fala eu gosto muito de uma frase de um professor dinamarquês que ele fala o seguinte eu preciso do outro para que eu me entenda porque é no reflexo que aumente onde enxergo nos olhos do outro que eu consigo me reconhecer então
eu acho que essa ideia pra gente pensar como é que eu trago esse outro pra dentro da minha escola acho que é isso obrigada gente