[Música] Olá eu trago a análise do poema tabacaria tabacaria é um poema veloz repleto de imagens e emoções e de um sujeito que se sente assim perdido mergulhado nas suas reflexões pessoais os versos apresentam um redemoinho de informações que vão sendo transmitidas para o leitor assim de forma rápida numa velocidade que não deixa muito espaço para aquele que recebe a mensagem respirar fazendo com com que o o o o leitor eh se sinta invadido assim pelo excesso de questões que vão sendo avançadas pelo poeta em questão Álvaro de Campos que é um heterônimo de Fernando
Pessoa é o autor dessa eh magistral obra prima da literatura portuguesa e porque não dizer da literatura Mundial né então assim esse ritmo Frenético é muito compatível com o período histórico vivido por Fernando Pessoa aí e no tempo dele de 1888 a 1935 e nessa ocasião as cidades se modernizam num ritmo ímpar e a Europa e o Portugal numa numa escala menor se transformava rapidamente por isso está muito presente Especialmente na poética de Álvaro de Campos a imagem das cidades da velocidade da transformação das Idas e Vindas e das angústias que esse excesso trazia eh
e com essa dinâmica acelerada nós vemos então o emprego de muitas imagens que como são superadas rapidamente parecem caóticas mas transmitem a atmosfera de um tempo assim pro pro leitor pro espectador pro ouvinte e em termos de formato tabacaria é um poema tipicamente moderno que possui Versos Livres sem rima né é um é um poema longo e de criação poética profundamente descritivo tanto do que se passa no mundo interior como no exterior do do do autor em questão Então vamos lá mas antes eu vou deixar um recadinho você vai encontrar e eh essa análise completa
completíssima mesmo no blog a casa do poeta que eu vou deixar a descrição vou deixar aí na descrição o link e você já é levado direto lá onde está essa essa análise né E E não esqueça né deixe o seu like eh inscreva-se comente é muito importante o seu comentário e e vamos então ao A análise e eu vou trazer aqui principais trechos do poema tabacaria assim explicado tá E na descrição também vai vai constar lá o nome da da da professora do site tal onde foi pesquisado tudo isso tá bom eh é não sou
nada nunca serei nada não posso querer ser nada já na apresentação tabacaria ficamos conhecendo um pouco sobre quem é o sujeito retratado no poema numa primeira abordagem reparamos que esse homem não nomeado eh apresenta já sucessivas negações para tentar se definir ele é sobretudo aquilo que não é e o que nunca foi nem nunca será E ele também não tem nenhuma ambição esse tipo de oração negativa pessimista também aparece pontualmente ao longo dos versos denunciando a depressão e o vazio com que o sujeito e encara a vida a descrença também a descrença não surge só
em relação a si mesmo mas também com relação àquilo que está ao seu redor com tudo que está ao seu redor com com todo o meio ambiente as pessoas e tudo mais o personagem criado por Álvaro de Campos corajosamente se desnuda na frente do leitor mostra o seu lado frágil cheio de dúvidas deixando evidente a sensação de um ser fracassado falhei em tudo como não fiz propósito nenhum talvez tudo fosse nada a aprendizagem que me deram desci dela pela janela das traseiras da casa mas fui até o campo com grandes propósitos mas lá Encontrei só
ervas e árvores e quando havia eh gente era igual a outra saio da janela sento-me numa cadeira e em que he de pensar vemos como esse sujeito não nomeado se sente fracassado um vencido sem energias e sem ambições para lutar na vida se no presente Ele lê a sua história pessoal como uma derrota é porque ele olha para o passado e vê que não alcançou nenhuma espécie de realização amorosa ou profissional a princípio ele observa que falhou em tudo o que de certa forma ainda pode ser encarado como um breve olhar positivo afinal ele tinha
um plano mas acabou não conseguindo ser bem-sucedido mas logo no verso a seguir Álvaro de Campos destrói a própria ideia de que tinha um plano tudo Afinal é nada porque ele nem sequer tinha um propósito na vida fica Claro nesse trecho de tabacaria o sintoma de cansaço e o tédio como Se Tudo Fosse repetitivo e o sujeito fosse incapaz de viver a vida ou de ter projetos eh ele até tenta fugir desse estado de espírito sabe eh mas rapidamente percebe que não não há saída possível eh nem sequer no campo ele encontra um propósito ao
longo dos versos vamos observando que o sujeito busca uma verdade mas uma verdade que seja uma espécie de de âncora não temporária mas permanente eterna algo que eu Norte e que o encha encha a sua vida de sentido há um excesso de consciência da sua condição pessoal e o sujeito vê a a a felicidade como uma hipótese impossível janelas do meu quarto do meu quarto de um de milhões do mundo que ninguém sabe quem é e se soubessem quem é o que saberiam dasis para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente para uma
rua inacessível a todos os pensamentos real impossivelmente real certa desconhecidamente certa com o mistério das coisas por baixo das Pedras e dos seres tabacaria é ao mesmo tempo um retrato pessoal individual de Álvaro de Campos eh mas simultaneamente coletivo também como observamos no no no trecho acima né ele se refere a ele ao seu íntimo mas também ao coletivo né ao todo que lhe rodeia em diversas passagens do poema o sujeito fala de si mas fala do outro reconhecendo haver um sistema de de de partilha eh algo comum que reúne os seres humanos imersos nas
suas dúvidas existenciais e nos seus problemas que Afinal são sempre os mesmos as suas janelas são como as janelas de outros quartos e o mistério também permeia todos os ser que assim como ele se veem também perdidos is tem muito da gente também em determinados momentos e afinal ele é um sujeito comum como todos os outros com quais conseguimos nos identificar e com quem partilhamos as mesmas inquietações filosóficas mas sou e talvez Serei sempre o da mansarda que não more nela Serei sempre o que não nasceu para isso Serei sempre só o que tinha qualidades
mansarda quer dizer sótão nesse trecho Álvaro de Campos fala da sua sensação de ser um permanente deslocado um desajeitado alguém que vive na parte que não vive na parte principal de uma casa que não está à altura dos outros esse trecho é importante porque fala do Estado de Espírito do sujeito da sua autoimagem da sua autoestima e de como se conhecia também a ponto de evidenciar com tanta precisão as suas falhas de caráter e de personalidade ele sabe que não é nada que nunca fez nada que nunca obteve sucesso que deixará o mundo como a
maioria de nós anônimos sem qualquer grande feito que sei eu do que serei eu que não sei o que sou ser o que penso Mas penso tanta coisa e há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos diante da imensidão de possibilidades proporcionada pela vida moderna o sujeito parece perdido no num Manancial de hipóteses esse esse esse trecho fala da sensação de estarmos diante de muitos caminhos e do sentimento de nos percebermos paralisados com tantas escolhas isso nós sentimos atualmente muito mais né porque com o advento da internet e tudo mais
né Eh aí já o próprio aquele filósofo o Sartre né na na na sua filosofia existencial já diz que o angústia do homem é é escolha tem que escolher né E são tantas as opções eh apesar de nos dias de hoje nos relacionarmos também com esses versos eh se encaixam também na nossa A Realidade Atual a verdade é que esse sentimento de existir em múltiplas possibilidades está intimamente relacionado eh ao tempo histórico vivido lá por Fernando Pessoa quando Portugal se industrializava fortemente e a vida passou a apresentar uma série de escolhas que antes não eram
possíveis de se ter a sociedade se transformou muito depressa e Álvaro de Campos sentiu na pele eh e registrou também essas mudanças sociais e pessoais sente-se no no nesses versos portanto a sensação de desamparo de instabilidade emocional como se o poeta estivesse atônito diante dos caminhos que lhe foram apresentados então sem planos e sem futuro possível ele desaba com o leitor da sua inaptidão para a vida né perdoe-me não é desaba desabafa né seria o termo exato desabafa com leitur aqui come chocolates pequena come chocolates Olha que não há metafísica no mundo senão chocolates Olha
que as religiões todas não ensinam mais que a come pequena suja come pudesse eu comer chocolate com a mesma verdade com Que comes mas eu penso e ao tirar o papel de prata que é de folha de estanho deito tudo para o chão como tenho deitado a vida um pouco dos momentos otimistas desse poema onde o sujeito esboça alguma alegria acontece quando ele vê das sua janela uma menininha comendo chocolates alheia aos problemas existenciais dos adultos a inocência da criança fascina e e deixa o Álvaro de Campos em estado de digamos de inveja a a
felicidade simples encontrada pela garotinha numa mera barra de chocolate parece ser impossível de ser alcançada por ele o sujeito eh ainda tenta embarcar no caminho da felicidade é inaugurado pela pequena mas rapidamente volta ao seu estado inicial de tristeza logo ao tirar o papel de prata que ele constata ser D estanho Quando quis tirar a máscara estava pegada a cara quando a tirei me via O espelho já tinha envelhecido a sensação de desamparo é ainda maior porque o sujeito Não Sabe aquilo que deseja e também não sabe propriamente aquilo que é e nessa passagem fica
bem claro eh nessa passagem importante de tabacaria Álvaro de Campos fala da presença de uma de uma máscara e levantando a questão da procura da identidade um tema frequente na poética de Fernando Pessoa e muito frequente eh da nossa vida cotidiana aqui fica evidenciado também a a necessidade humana de querermos parecer aquilo que não somos para nos enquadrarmos socialmente e para agradarmos os outros depois de tanto tempo usando a máscara o personagem que escolheu representar na vida coletiva Álvaro de Campos e enfrenta a dificuldade ao ter que retirá-la quando consegue percebe que o tempo passou
e como envelheceu enquanto aparentava ser outra coisa O mundo é para quem nasce para conquistar e não para quem sonha que pode conquistá-lo ainda que tenha razão tenho sonhado mais que o que Napoleão fez o sonho é apresentado por Álvaro de Campos em alguns trechos de tabacaria como uma possibilidade de fugir da realidade concreta e dura que ao longo do poema é representada por elementos físicos a saber as janelas as pedras as ruas as casas o poeta revesa momentos de extrema Lucidez fazendo menção a esse mundo concreto exterior com imagens do seu inconsciente fantasias e
sonhos né eh Há uma mistura intencional no poema portanto desses elementos reais com passagens reflexivas interiores versos onde vemos filosofias pensamentos devaneios sonhos Álvaro de Campos Analisa as profundezas do seu ser as emoções que o movem a apatia que se aloja dentro dele e aponta o sonho como um espaço de descanso uma espécie de abrigo em meio a um temporal e aí sobre o o título do poema tabacaria é um tipo de estabelecimento comercial que como todos conhecem vende tradicionalmente produtos ligados ao tabaco e que o sujeito do poema frequenta e é também a loja
que ele vê da janela da sua casa é na tabacaria que ele encontra vida assiste as visitas habituais corriqueiras dos compradores dos conhecidos do proprietário apesar de não mencionar nenhuma data específica nem sequer o ano é reconhecemos pelos versos a ver a presença de traços dos Tempos Modernos as tabacarias são também estabelecimentos bastante característicos desse tempo histórico então ficamos por aqui acompanhe lá no blog Casa do poeta abraços Muito obrigado