Olá, moçada! Tudo bem? Sejam bem-vindos de volta a mais um dia de reflexão estóica.
Hoje, com o Tales de Mileto. Na meditação passada, eu chamei: "Tales, vem cá! " Ele ficou deitado como a estrelinha que ele é.
Agora, ele é chatonildo. Eu não sei se eu quero aparecer todas as vezes que tem aqui na sua orelha. Meu filho tem um carrapichinho.
Você não vem me, não, rapaz! Eu tô fazendo isso daqui é pro seu bem. Se é moleque, depois eu tiro.
Então, tudo bem, gente! Espero encontrá-los todos em paz, tocando tranquilamente, estoicamente, vossas vidas. Eu sei que nem sempre é fácil, mas é exatamente por não ser fácil que é bom.
Quando a gente conquista, vamos para mais uma meditação! Hoje, dia 24 de março. O mês vai acabando, tá?
Já tá no seu fim! 24. Daqui a pouco, a gente bate 100 meditações históricas!
Já nós estamos no. . .
Essa deve ser a octagésima alguma coisa. Daqui a pouco batemos 100. 24 de março, com uma meditação.
Você vai ficar lambendo o braço do papai. Que que foi? Tá com sabor sorvete?
Sabor sorvete? Papai, desce daí, moleque! Vai fazer uma meditação de Epicteto intitulada "Ó, que bonito!
" Esse título, dado pelos autores: A filosofia em tudo. A filosofia em tudo! Cito Epicteto: "Come como um ser humano, bebe como um ser humano, veste-te, casa-te, tem filhos, torna-te a ti, sofre ofensas, paciente com um irmão, pai, filho, vizinho ou companheiro teimoso.
" Mostra-nos essas coisas para que possamos ver que tu realmente aprendeste com os filósofos. Nossa Senhora, que meditação linda, que reflexão bonita essa! Vive pro mundo, casa-te, tem filhos, veste-te, coma!
Esteja no mundo para que eu possa ver, quando você faz essas coisas, o quanto você é filósofo, o quanto você aprendeu de filosofia. Olha, como para os estóicos, a filosofia não deve ser um conhecimento teórico puro e simples, mas a filosofia deve ser algo para trazer para as nossas vidas. Eu sempre falo isso pro pessoal da Sociedade da Lanterna: não adianta a gente estudar filosofia e termos comportamentos e ideias como pessoas vulgares, como pessoas intelectualmente inferiores.
Ai, Denis, você não acha isso muito aristocrático? Claro que acho! Nós estamos estudando filosofia para sermos "aristoi" no grego, os melhores naquilo que nós fazemos.
Pensar! Se for para eu estudar 30 anos de filosofia, aprender língua estrangeira e frequentar as mais altas mentes do ocidente para eu depois falar assim: “É o modo como eu penso, é igual ao de todas as pessoas”, então desculpa, eu vou pro bar encher minha cara de cachaça! Não!
As coisas da filosofia são para eu ser melhor naquilo que eu faço, para não ser um homem vulgar, para ser um homem culto e para ser um homem que vive aquilo que estuda, que vive aquilo que aprende. Do contrário, serve para quê? No comentário dos nossos autores, Plutarco, um biógrafo romano e admirador dos estóicos, só iniciou os seus estudos dos grandes da literatura romana tarde na vida.
Como muitos de vocês que me escrevem assim: “Denis, eu. . .
puxa, eu comecei tarde na filosofia. ” Que pena! Não existe isso, moçada!
Não existe isso, porque no momento em que você começa a absorver as coisas da filosofia, muitas vezes a vida que você levou já vai servir de substrato até para você colocar isso em prática com muito mais inteligência, com uma articulação muito maior do que uma pessoa jovem que não viveu nada, que não experienciou nada. Alguns dos melhores alunos de filosofia que eu tenho na universidade estão lá em segunda graduação, terceira graduação, gente que já passou dos 60, dos 70, gente que é madura nas coisas da vida e que sabe muito mais aplicar aquilo que aprende no seu cotidiano. Mas como Narra na biografia sobre Demóstenes, ficou surpreso com a rapidez com que absorveu tudo, mesmo tendo começado velho.
Ele escreveu: "Não foram bem as palavras que me levaram a uma plena compreensão dos eventos, uma vez que de algum modo a experiência pessoal que eu já possuía me permitiu acompanhar de perto o significado delas. " Olha que legal! Você tá aprendendo intelectualmente e as balizas da realidade você já tem!
Moçada, eu morro de medo, por exemplo, do que nós fazemos na nossa sociedade. Vamos lá, o sujeito pode se tornar juiz de direito com 20 e poucos anos, 20 anos, 22 anos. Com essa idade, você não sabe praticamente nada da vida e você vai tomar decisões.
Você não pegou ônibus, você não sofreu com desemprego, não viu gente sofrendo na rua, não sofreu você mesmo, não foi morar fora da casa dos seus pais para ver o que é lavar uma cueca debaixo do chuveiro e pôr para secar na janelinha. Enfim, é muito perigoso, gente, na vida política: muito jovem, muito cedo. Nossa, que talento!
Não, não tem a vivência necessária. A juventude é um perigo nesse sentido. Tem que viver as experiências para entender o que acontece.
É isso que Epicteto quer dizer sobre o estudo da filosofia: estude, sim, mas vá viver a sua vida também. Vá se colocar em jogo e seja exemplo da filosofia que você estuda. Seja integridade, seja coerência.
Essa é a única maneira de você, de fato, compreender o que significa tudo isso. E, mais importante, somente pela observação das suas ações e escolhas ao longo do tempo será possível verificar se você levou a sério alguns dos ensinamentos. Eu posso ler um manual completo sobre como pilotar um Fórmula 1.
Se eu não sentar minha bunda no Fórmula 1 e começar a pilotar, sentir como faz curva, sentir como reage nas retas, como eu paro para abastecer, como eu paro pro pit stop, não adianta nada ler manuais e manuais sobre isso. Eu preciso ir pro mundo. Por isso que eu dei o exemplo do menino muito novo, juiz, menino muito novo, político, porque.
. . Às vezes, leu um bom manual e atingiu um certo grau de uma certa condição na sociedade, mas não vivenciou o suficiente para colocar em teste aquilo que aprendeu.
Esteja ciente disso hoje, quando estiver a caminho do trabalho, indo para um encontro, decidindo em quem votar, telefonando para os seus pais à noite, cumprimentando o seu vizinho, dando uma gorjeta para o entregador, dizendo boa noite para alguém que você ama. Tudo isso é filosofia, tudo isso é experiência que dá sentido às palavras. O modo como você faz essas coisas, das mais simplórias às mais complexas, diz o tipo de filosofia que move a sua vida, e eu espero que seja um bom tipo de filosofia que te dê orgulho e que inspire as pessoas que estão ao seu redor.
Não se esqueçam de comentar as suas experiências, seus problemas, as suas dificuldades. Ah, em todas as meditações aqui do devocional mais racional que existe, provavelmente no mundo, que são aqui os nossos cafés com o Pai. Denão, beleza?
Eu vou começar a fazer igual. Parece que tem um padre aí que acorda às 4 horas da manhã para fazer devocional, e eu tô achando que eu vou fazer às 4 horas da manhã para ver o que vai dar. Conflito?
Mentira, que eu não vou fazer isso, não vou fazer. Não esqueçam, mesmo porque nós sabemos que no mundo, entre a fé e a razão, não querendo desmerecer quem tem a sua fé, mas entre a fé e a razão, quem tem mais apelo? Quem ganha nesse jogo?
Nós já sabemos. A nossa luta daqui é uma luta bem, bem, bem, bem mais complexa. Beijão para vocês, até amanhã, a gente se encontra por aqui.