[Música] Marcos, capítulo primeiro. Nós vamos ler a partir do versículo 9 até o verso de número 20. A palavra de Deus diz assim: "Naqueles dias veio Jesus de Nazaré da Galileia e foi por João batizado no rio Jordão. Logo, ao sair da água, viu os céus rasgar em si e o espírito descendo como pombas sobre ele. Então foi ouvida uma Voz dos céus: Tu és o meu filho amado, em ti me comprazo. E logo o espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu 40 dias sendo tentado por Satanás. Estava com as feras, mas os anjos
o serviam. Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: "O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho." Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: "Vinde após mim e vos farei pescadores de homens." Então eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Pouco mais adiante viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes, e logo os chamou, deixando
eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus. Até aí, meus irmãos e irmãs, a leitura da palavra de Deus. Vamos orar mais uma vez pedindo iluminação do Espírito Santo. Senhor, a tua palavra está diante de nós. Nós temos toda confiança nela, toda certeza de que ela é a tua palavra inspirada, inerrante, infalível, uma espada capaz de adentrar profundamente no coração de cada um de nós para fazer a tua obra perfeita em nós, Senhor. Mas nós que somos os instrumentos da transmissão e da recepção dela, somos falhos, somos limitados, Não podemos
fazer nada por nós mesmos. Precisamos de Ti, Senhor. Precisamos do Teu Espírito Santo, tanto nos instruindo quanto abrindo os nossos ouvidos, abrindo o nosso coração para que possamos receber a tua palavra como de fato ela é, e assim também experimentarmos os frutos poderosos da atuação do teu espírito mediante a tua palavra nas nossas vidas. É isso que nós te pedimos nesta hora e oramos em nome do Senhor Jesus. Amém. Meus irmãos, o relato de Marcos, por ser breve, né, às vezes, é claro, ele nos deixa com aquela sensação de quero mais, quero entender mais coisas.
Vocês vejam aqui, né, observem, nós temos nesse texto que nós lemos poucos versículos, são vários eventos, muitos eventos. Por isso também é que vieram depois os outros evangelistas justamente para completar o que Marcos, que foi o primeiro a escrever o evangelho, deixou de informar. Então, se você pegar, por Exemplo, aqui esses essas quatro cenas que eu separei aqui para expor nesta noite, a cena do batismo de João, né? João batizando Jesus, a cena da tentação no deserto, a cena depois do retorno paraa Galileia para iniciar a pregação do evangelho e a na sequência, então, o
chamado dos discípulos. Cada um dos outros evangelistas, Mateus e Lucas, principalmente, né? João aqui ele só vai narrar a cena do batismo. As demais ele não narra, até porque sendo ele João o Último a escrever, já tinha consciência de que os três anteriores tinham feito longas descrições sobre isso. Mas cada uma dessas descrições nos evangelhos eh relativos aqui, no caso Mateus e Lucas, são grandes, né? Porque obviamente quando chegou a vez de Mateus e Lucas narrarem esses fatos, eles trouxeram muitos detalhes porque perceberam que Marcos tinha sido muito sucinto. Mas o fato de Marcos ser
muito sucinto não é ruim em hipótese Alguma. Por quê? Porque ele nos ajuda a ver a conexão entre esses eventos. Nós podemos perceber que não se tratam de cenas isoladas, de momentos isolados, mas que se tratam realmente de uma sequência. E esta sequência também nos transmite, nos comunica grandes verdades a respeito de Jesus. Os estudiosos dos evangelhos têm percebido que se há um lugar onde nós podemos encontrar uma certa cronologia mais exata da da vida de Jesus, é Marcos. Os outros evangelistas não tiveram grandes preocupações cronológicas sequenciais. As preocupações deles foram mais teológicas e de
exatamente fazer narrativas mais completas. Mas é Marcos quem podemos dizer vai seguindo o curso da história de uma perspectiva mais cronológica e não apenas lógica, também cronológica. E assim nós encontramos ligação entre esses eventos aqui. Quem não acompanhou as duas mensagens anteriores, onde eu falei sobre quem é Marcos, sobre qual o propósito desse evangelho ou também o início da pregação aqui de João Batista, eu recomendo fortemente que assista depois as pregações que estão gravadas. Porém, não significa que se você não assistiu as anteriores, não pode assistir essa. Pode também. Cada mensagem tem uma certa unidade,
mas pegar o texto no todo sempre é melhor. Então, se possível, eu Sempre enfatizo, sempre recomendo, né, que quem vai assistir depois assista desde o começo. Veja todas as mensagens. Aqui nós temos exatamente o quê? quatro grandes momentos do início do ministério de Jesus, que por um lado, eles nos resumem o todo, tudo que Jesus veio para fazer, basicamente, e também nos mostram elementos de grande importância desse ministério de Jesus, dessa missão De Jesus, o que ele veio fazer aqui de fato. Por isso eu disse, né, no sermão anterior que Marcos não se preocupou muito
em narrar a infância de Jesus, em narrar aqueles primeiros momentos. Ele quis logo apresentar a pessoa de Jesus. E ele apresenta a pessoa de Jesus como uma pessoa de um grande rei que acabou de chegar, um rei conquistador, um rei vitorioso, um rei que veio para trazer o reino. Veja que ele já eh eh a primeira Fala de Jesus que Marcos registra aqui é justamente essa, né? O tempo está cumprido, o reino chegou. Por que o rei não chegou? Porque o rei chegou, porque o rei está ali e ele traz consigo o reino. As relações
de Jesus aqui com Vamos então olhar essa essas quatro cenas. Primeiro, com a sua família. Família aqui é quem? o Pai e o Espírito. É a primeira cena que aparece no batismo, o Pai e o Espírito Santo. Ali juntos há Uma relação entre eles e nós devemos então abordar essa relação. A segunda relação que o texto aqui acrescenta, essa não é boa, essa não é uma relação familiar, é a relação com o inimigo, com Satanás. Já depois do batismo, ele imediatamente é levado para o confronto com Satanás. Então aqui tem uma relação importante que tem
que ser entendida. Aliás, Marcos é dos quatro evangelistas aquele que mais eh mostra os confrontos de Jesus Com os poderes das trevas. Mas curiosamente, no caso aqui da tentação, ele foi muito inxuto, ainda assim bem preciso. Na sequência, então, a relação de Jesus com o mundo de uma forma geral. Ah, ele vem então e e prega e anuncia e faz um anúncio genérico para todos e qualquer um. É o anúncio do reino. E finalmente, quando é que as coisas se tornam mais particulares, mais individualizadas, a quarta cena nos leva para a beira do mar. onde
Jesus vai Chamar os seus primeiros discípulos, os quatro primeiros discípulos dele. E aqui então nós temos uma relação particularizada, individualizada. Então são esses essas quatro fases aqui iniciais com a trindade primeiro, com o Satanás em segundo, com o mundo em terceiro e com os seus discípulos em quarto lugar. Ce é a sequência que nós vemos aqui. Agora vamos para os detalhes. Vamos olhar a narrativa e tentar extrair dela lições e também Informações que nos ajudem a entender mais tudo isso daqui e também a recebermos, né, a bênção do Senhor através da sua palavra. Então, João
já tinha anunciado, olha, tá vindo aí o homem. O homem tá vindo aí e ele é incomparável. Eu não sou nem digno de me prostrar diante dele para desamarrar as sandálias dele. Lembram-se, né? Eu falei na última mensagem, essa expressão de João é muito interessante, porque João Batista é considerado o maior dos Profetas e o próprio Cristo disse que ele era o maior dos nascidos da mulher, o, portanto, o maior homem que já existiu. Sim, é verdade que Cristo também disse que no reino de Deus o menor de todos é maior do que ele, mas
tem a ver com a nova aliança, com o novo patamar que a nova aliança leva todo o povo de Deus. Deixando isso de lado, Jesus deixou bem claro que ninguém foi maior do que João Batista. E aquele que foi o maior de todos, maior do que Abraão, maior do que Davi, maior do que Moisés, maior do que Elias, o maior de todos, disse: "Eu não posso sequer me abaixar diante dele para desamarrar as suas sandálias". Lembra? Eu disse: "Olha, na cultura judaica, um mestre podia pedir um monte de coisa pros discípulos: "Me traga água, me
traga papel para eu escrever alguma coisa, vá buscar alguma coisa". Ele podia pedir um Monte de coisa para um discípulo, mas um mestre não podia pedir a um discípulo que desamarrasse as suas sandálias, porque essa era uma atitude extremamente humilhante, porque era uma atitude própria de um escravo. Só um escravo podia se prostrar diante de outra pessoa, do seu senhor, no caso, para desamarrar as sandália, tirar dos pés aquela sandália empoirada, suja daqueles dias. João podia ter dito: "Olha, eu perto Dele, eu sou só o máximo que eu posso fazer é me abaixar e desamarrar
a sua sandália". Se ele tivesse dito isso, já seria muito forte, né? Já seria uma comparação impressionante. O maior dos homens que já existiu, que já viveu, estaria dizendo: "Olha, eu sou perto dele só um escravo. O máximo que eu sou é um escravo. Eu posso só me abaixar e desamarrar as suas sandálias." Mas olha o que ele disse: "Nem isso eu Posso fazer. Nem isso eu sou digno de fazer. Então, perto dele, eu sou muito menos do que um escravo. Eu sou muito menos do que a pessoa mais insignificante que possa existir aqui nessa
terra. Isso para fins de comparação, porque João queria mostrar a grandeza da pessoa, do rei conquistador que tava chegando ali. E então ele chegou, chegou o rei e aí ele foi batizado por João. O texto diz aí no versículo 9, naqueles dias veio Jesus, o rei, né? De onde? De onde se esperava que viesse o rei? De Jerusalém. De onde? De alguma grande capital. de Roma, talvez. Mas de onde ele vem? De Nazaré. Ele diz Nazaré da Galileia. Galileia já é ruim. Nazaré é pior ainda. Lembram daquele ditado que até é rememorado alguns momentos de
Nazaré pode vir alguma coisa boa? Nem os discípulos dele botavam muita fé do tipo assim, pera aí, mas essa cidade aí, né, Uma cidade insignificante, uma cidade lá no meio do nada, lá no fim do mundo, lá onde Judas perdeu as botas, pode vir alguma coisa boa de lá. São os contrastes, né, do ministério de Jesus. Ele está chegando, mas ele chega de Nazaré. Nazaré da Galileia, o todo poderoso rei, diante de quem o maior dos homens disse: "Eu não posso sequer me abaixar diante dele para desamarrar as sandálias". E na sequência Ele então é
batizado. João o batiza. Lembra? Tem uma discussão aqui. Marcos não narrou isso. Os outros evangelistas fizeram questão de marcar que João não quis batizar numa primeira vista. Então, pera aí. Eu tô batizando os homens para prepará-los para o Senhor. Então, não faz sentido eu batizar o Senhor. Se alguém tem que ser batizado, é o Senhor que tem que me batizar. E sempre há uma dúvida, né, histórica entre os cristãos. Afinal de contas, se O batismo de Jesus, ou melhor, se o batismo de João era para tirar pecados, era um batismo para o arrependimento, para mostrar
arrependimento, para que pudesse haver remissão, tirar os pecados, por que Jesus se batizou, hein? sendo que ele não tem pecados, sendo que ele não nasceu com o pecado original e não cometeu nenhum pecado ao longo de sua vida. Então, afinal de contas, por que Jesus de fato se batizou? E a resposta é: bom, na verdade, ele tinha pecado, sim. Não os dele, mas os nossos. Ele carregou os nossos pecados. E não foi apenas na cruz que ele carregou os nossos pecados. Ele carregou os nossos pecados durante toda a sua vida. Porque ao longo de toda
a sua vida, ele esteve aqui para ser o nosso substituto diante de Deus. E ele tinha que nos substituir diante de Deus, tanto no sentido ativo, positivo, quanto no sentido passivo negativo. Ativamente ele precisava cumprir toda a lei, nunca tropeçar, nunca quebrar nenhum dos pontos, senão ele não poderia oferecer um sacrifício perfeito pelos outros, morreria apenas por si mesmo. Então ele precisava cumprir isso. Mas passivamente ele também precisava sim então essa segunda parte se oferecer como um cordeiro que vai tirar o pecado Dos outros. É por isso que ele fala, João, põe água aí, rapaz.
É isso que ele disse. Pode me batizar. Nós precisamos cumprir toda a justiça. O batismo de Jesus também tem um aspecto, usando aquela palavra eh substitutiva, vicário, um aspecto vicário, porque ele precisa nos representar diante de Deus em todas as instâncias necessárias, em todas as instâncias das esferas Jurídicas que o Senhor exige que seja feito. O que é mais interessante aqui, então, é o momento mesmo do batismo. E notem uma coisa também bem interessante aqui também, é o que não é mencionado. E o que não é mencionado aqui é que tipo de batismo Jesus recebeu.
Afinal de contas, ele afundou na água. Afinal de contas, João pegou água e derramou na cabeça dele. João, afinal de contas, João pegou uma esponja, como às vezes os rituais de purificação Eram feitos no Antigo Testamento, molhou na água e jogou um monte de água em cima de Jesus. Qual foi o modo de batismo? E simplesmente o texto oculta, omite isso. A expressão saiu da água não quer dizer que ele estava afundado na água e saiu. Ele podia estar dentro do rio e saiu do rio. Apenas isso. Então o texto não nos diz o modo
de batismo de Jesus explicitamente. Já não é uma informação importante para que nós percebamos que isso não é importante, Que isso não é decisivo, não é a coisa mais importante. É triste quando as pessoas brigam, né, por causa da quantidade de água que é usada no batismo. Ou quando se fem, se separam, se dividem por causa da quantidade ou da qualidade da água que é usada no batismo. simplesmente uma coisa que não está ali para causar divisão. Então, não apenas o que João, o que Marcos relata, mas o que ele deixa de dizer também é
importante. Aliás, não é Só Marcos que não relata a forma de batismo. O mesmo fazem Mateus e Lucas, nenhum deles e João, nenhum deles diz explicitamente como foi. Isso já é altamente significativo no meu entendimento. O que que é de fato pontuado aqui, marcado aqui com todas as letras? A manifestação da trindade. No momento do batismo de Jesus, nós temos O que podemos dizer a única ocasião em toda a história em que a trindade de alguma maneira comparece. de forma visível, ainda que uma parte que seja só audível, né? Ninguém viu o Pai. O pai
não assumiu nenhuma forma, mas o pai falou, falou dos céus. Então o filho está ali encarnado na pessoa de Jesus de Nazaré, o verbo eterno, filho de Deus, o que a gente Costuma chamar a segunda pessoa da trindade. Isso só é uma convenção, isso também não é tão importante. Está ali também o Espírito Santo vindo dos céus e pousando sobre o Filho. Aqui sim, com uma forma extraordinária, visível. O Espírito Santo raramente assume alguma forma visível, mas aqui ele assume uma forma visível, uma forma de pomba. Porque será, né? Estranho, né? O Espírito Santo, pomba,
porque uma pomba, afinal de contas, um passarinho, Uma pombinha, um passarinho. Por que que ele assumiu esta forma? E o pai de quem se ouve apenas a voz, não se vê nenhuma forma. Na verdade, o pai nunca assume nenhuma forma. Nunca. O pai sempre é o invisível. Ele não pode ser visto. O máximo dele que pode ser, se pode tomar conhecimento, é ouvir. É a sua voz dizendo: "Aqui está o meu filho amado, em quem eu me comprazo." Isso, claro, é porque você vai dizer: "Mas espera aí, como é que o pai nunca não pode
ser visto se ele apareceu tantas vezes no Antigo Testamento? assumindo formas visíveis e externas. E eu digo, bom, nunca foi o pai, sempre foi o filho. Porque todas as vezes que Deus aparece materialmente, visivelmente, tem que ser o filho, porque essa é é a função do filho. Na ordem da trindade cabe ao filho seram Relações públicas, ser aquele que aparece e se comunica. E claro, deste modo não significa que o pai não está junto, né? Não é que o pai ficou lá no céu escondidinho, não quer aparecer. Na verdade, o pai se revela através do
filho. Por isso Jesus disse com todas as letras: "Não dá para ver o pai. Não dá, Felipe. Não adianta insistir. Não dá para ver o Pai. Mas você pode me ver e me vendo, Você vê o Pai. É assim que você vê o Pai olhando para mim. Nunca, nunca, em hipótese alguma, sem chances, olhando diretamente para o Pai. Não é possível olhar diretamente para o Pai. Isso equivalia a derreter, isso equivalia a ser extinto, ter sua vida extinta. Esse seria um olhar terrível. Por isso o pai sempre é visto mediado, Mediado pelo filho que se
apresenta e diz: "Pode me olhar. Olhe para mim e enxergue o Pai através de mim". E aqui estão os três, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A respeito do momento em si, vejam, os céus se rasgaram. É forte a expressão que Marcos usa um rasgo no céu. O céu se partiu naquele momento. O que será que vai descer, né? Se estivesse lá naquele dia vendo o filho ali sendo batizado. E naquele momento João fala: "Você está batizado, Jesus?" E aí os céus se rasgam, se abrem. Uma cena extraordinária, frequentemente associada a uma de
duas coisas. Quando os céus se abrem, quando o céu se rasgam, ou Deus vai derramar muita graça, ou vai derramar muita ira, ou vai derramar muito juízo sobre quem está embaixo. Mas nesse abrir-se dos céus, o que que vem de lá? Um passarinho, Uma pombinha, uma simples pombinha desceu do céu. Você percebe como as coisas são muito contrastantes? Chegou um rei, tá vindo da onde? De Nazaré. Abriu o céu, rasgou o céu. O que que vai descer? Fogo. Vai descer não. Uma pombinha. Desce. E não quer dizer que o Espírito Santo ali era uma energia
parecendo uma pomba com as abertas. Se fosse isso, ele seria uma águia, ia ser uma coisa muito Maior. Não era um passarinho mesmo. Uma pombinha desceu e provavelmente pairou em cima de Jesus. E por que que o Espírito Santo assumiu esta forma inusitada? Bom, em princípio isso já tá fica, fica claro, é porque para mostrar os contrastes, para mostrar grandeza e ao mesmo tempo simplicidade. Mas o que não representa isso é o que todo mundo geralmente pensa. Todo mundo Pensa: "A pomba é o quê? É o símbolo do quê? Da paz. Em qualquer lugar, menos
na Bíblia, pode ser o símbolo da paz. Tem nada de símbolo da paz em pomba. Na Por isso o pessoal solta as pombinha branca por aí, né? símbolo de paz e tal. Bom, esquece isso. Não tem relação aqui com o texto. A pomba, no caso aqui, especificamente, é um símbolo de sacrifício. Um símbolo de sacrifício. Vocês se lembram quando Deus ordenou que sacrifícios fossem feitos por causa de pecados, para tirar pecados? Qual era o animal emblemático? Qual é o animal principal? Todo mundo sabe de ponta da língua, né? O cordeiro. O cordeiro é o animal
emblemático, especial, essencial do sacrifício. E Jesus foi identificado como cordeiro. Aliás, foi João. Quem disse? João, o Batista quem disse? Ele é o cordeiro de Deus. o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Então, ele é identificado com o cordeiro. Mas lembre-se que o cordeiro é o animal chave do sacrifício, mas é um animal caro. Ou seja, não dá para o sujeito toda vez que cometer um pecado ir lá no templo e levar um cordeiro para ser sacrificado, porque senão o cara vai falir o tanto de pecado que as pessoas têm, Né? Toda
vez oferecer um cordeiro, já pensou? Sacrifício caro. Por isso também havia a previsão legal, jurídica, na lei de Moisés. de que não havendo recursos para comprar o cordeiro, ou seja, se você precisa oferecer um sacrifício pelos seus pecados, mas não tem dinheiro porque talvez já gastou tudo nos outros cordeiros do passado, então você podia oferecer uma pombinha, Um pombinho, um passarinho. Você podia sim oferecer um passarinho. Esses passarinhos, essas pombinhas, elas estiveram também lá no momento em que Abraão fez a aliança com Deus. Naquele momento, Deus disse: "Eu quero um animal grande, um touro, né,
uma coisa grande. Eu quero um médio também. Eu quero um cordeiro, um carneiro. E eu quero um pequenininho também. Uma pombinha, dois, na verdade, um passarinho e uma pombinha. Eu quero Esses dois também. Então, um grandão, um médio, um pequeno. Corte-os ao meio, separe as metades. E então Deus fez a aliança passando pelo meio dos pedaços. Estava ali a pombinha. Então eu entendo que quando o Espírito Santo desce sobre Jesus em forma de pomba, ele já está dizendo, já está mostrando qual é a missão de Jesus. Ele é o cordeiro, mas também é a pomba.
Ele é o sacrifício para quem pode pagar, Mas também é o sacrifício para quem não pode pagar. Ele é a provisão de Deus para todo o seu povo, para todos os pecadores, para todos os que se arrependem e creem no evangelho, como ele próprio vai anunciar na sequência, dizendo, quer ser salvo, quer experimentar o reino, arrependa-se e creia no evangelho. Na sequência, a voz do Pai também confirma isso quando ele diz, o texto diz: "Então, foi ouvida uma voz dos Céus: Tu és o meu filho amado, em ti me comprazo." O testemunho do Pai em
relação ao filho revela muita coisa. Por um lado, sim, revela essa intimidade que há entre as três pessoas da trindade, essa intimidade, esta comunhão inabalável, esta família perfeita que o próprio filho vai dizer na oração, lá no finalzinho do seu ministério na terra. E João relata isso, capítulo 17 do seu evangelho dizendo: "Olha, pai, eu Quero voltar, eu quero retornar para aquele lugar onde eu estava com o Senhor antes que houvesse mundo." Então, um aspecto é este: comunhão, intimidade, família perfeita é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esse é um aspecto. Seja, meu
filho amado. Aqui nós percebemos que não foi só o filho que pagou o preço dos Nossos pecados. Não foi só o filho. Em geral, nós pensamos, né, Jesus foi, carregou, ele é o cordeiro, ele é a pomba, ele é o sacrifício, ele é a vítima. Mas não é só quem morre que efetivamente paga esse preço. Quem perde também paga esse preço. Quem entrega também perde esse preço. E é por isso que lá na aliança com Abraão, tempos depois, Deus quis que Abraão sentisse um pouco disso também. Deus quis que Abraão sentisse. Abraão, pega teu filho,
teu único filho a quem amas. Essa expressão tá muito clara. Deus fala isso para Abraão. O filho que você ama leva ele e mata ele lá no alto do monte e queima ele depois no fogo. É isso que Deus mandou Abraão fazer. Deus quer que Abraão experimente um pouco, sinta um pouco o que significa entregar o filho amado. Claro, no último instante Deus recua e Diz: "Não, Abraão, não precisa. Não é você que vai fazer isso de fato. Deus não recua. Nem mesmo quando o filho pede. Vejam, Isaque não pediu. Isaque só deu uma sugerida,
né? Enquanto Abraão tá levando o Isaque, o Isaque fala pro Abraão: "Papai, tá faltando alguma coisa aqui, né?" Por que, meu filho? Porque nós estamos Indo oferecer um sacrifício. Eu tô vendo a lenha. para queimar. Eu tô vendo a faca para sacrificar, mas não tô vendo um cordeiro. Cadê o cordeiro, papai? O Senhor proverá, meu filho. O Senhor proverá. Deve ter sido doloroso para Abraão ouvir isso. Ainda que Isaque não tinha dito: "Papai, o Senhor vai mesmo me matar. Sou eu mesmo No jardim do Getsemane. O filho pede, pai, se possível, passa, passa de mim
esse cálice, o meu filho amado. Mas o pai não recua e nem o filho. E por isso os dois vão até o fim. o pai oferecendo o filho. Compra prazo aqui a expressão da ideia de prazer. Eu tenho total prazer nele, ou seja, ele me agrada inteiramente. E isso tem uma perspectiva não apenas do relacionamento íntimo que há entre o pai e o filho, já destaquei isso, mas também tem um aspecto de legalidade aqui, tá? A pessoa que de fato faz tudo o que é legal, vai até o fim em cumprir o que é Necessário.
Então, esta aparição aqui das duas pessoas da trindade junto com aparição do espírito, voz do pai, junto com o filho, já é um modo de dizer, de mostrar para que ele veio. Ele veio para agradar o Pai, oferecendo um sacrifício com o auxílio do Espírito. Mas o propósito de tudo isso não é diretamente para nenhuma dessas três pessoas, nem o Pai, nem o Filho, nem o Espírito Santo. Nenhuma delas é beneficiada com nada disso. Todo o benefício. todo o benefício é pra gente que muitas vezes não tá muito interessado sequer nisso. Para muita gente que
sendo beneficiado amplamente por tão grande salvação, nem sempre valoriza, louva e vive intensamente aquilo que ele conquistou. De certa maneira, meus irmãos, o em ti me comprazo, em ti me comprazo agora Também se aplica a nós, todos nós, contudo, sem que nós tenhamos feito qualquer coisa para ganhar ou merecer isso. Deus sente prazer em nós também hoje, mas é tudo por causa daquele que ofereceu o sacrifício para rico e o sacrifício para pobre. ofereceu o sacrifício definitivo para salvar a todos. Agora vejam como a próxima cena se liga. Verso 12. E logo o espírito o
impeliu Para o deserto, onde permaneceu 40 dias sendo tentado por Satanás. Estava com as feras, mas os anjos o serviam. Há uma ligação direta entre esses dois momentos. Os outros evangelistas vão também nos completar aqui algumas informações, né? É interessante que na narrativa de Mateus e na narrativa de Lucas, eh, a primeira tentação que o diabo lança contra Jesus é um questionamento direto à fala do Pai. O pai acabou de dizer: "Aqui está o meu filho amado, em quem eu me comprazo." E a primeira fala do diabo para Jesus lá no deserto foi: "Se és
filho de Deus". Interessante que o pai aqui diz, aqui está o meu filho amado. Tu és o meu filho amado. É, é, é específico, é singular, é o direto. Você é o meu filho amado. E o diabo já distorcendo isso diz: "Se és filho, quase como se dissesse um filho, Se és filho de Deus. manda que essas pedras se transformem em pães. Como eu disse, Marcos, é bastante econômico na descrição da tentação primeira aqui de Jesus, mas será muito prolixo quando ele narrar os encontros de Jesus com os subalternos do diabo. E nós vamos ver
isso nas outras exposições. Ainda assim algo de grande destaque que é mostrar justamente que foi o primeiro encontro de Jesus pós Unção, pós reconhecimento público de que ele é o Cristo, né? Porque o batismo de João, o batismo não exatamente a água, né, que João derramou ou se eventualmente ele afundou Jesus ali, isso pouco importa, mas não exatamente a água é a unção. A unção de Cristo é a descida do Espírito em forma de pomba. O espírito descendo sobre Jesus, ele está ungindo Jesus. Então, tecnicamente, é nesse momento, é desse momento em diante que ele,
Jesus, é o ungido, É o Messias, porque a palavra Messias significa ungido. É dali pra frente que a sua missão começa, como o Cristo, como o ungido, o separado, o escolhido, aquele que veio para cumprir a missão divina de salvar os pecadores que Deus ama. E então o seu primeiro, eu falo sempre falando o primeiro apontamento da agenda pública de Jesus como rei que chegou, rei que chegou é com o diabo. É, é um pouco estranho Isso também. Não deveria ele, sei lá, fazer alguma outra coisa? Por que que o primeiro encontro? E aqui os
três evangelistas são unânimes nesse sentido, dizendo, olha, foi isso mesmo. E mais, não é que Jesus simplesmente saiu lá das dos arredores do Jordão e caminhou e foi até algum lugar lá ao sul de Jerusalém, de Judá, onde havia mais desertos. Para mim, eu eu tenho uma convicção muito forte de que esse local aqui foi ali nas Proximidades do mar. morto, nas prximidades do mar morto. Porque João estava batizando Jesus no Jordão, um pouco para cima do Mar morto e, claro, bastante para baixo do mar da Galileia. Você deve ter o mapinha aí na sua
cabeça, né, da terra de Israel. Deve ter, senão você não estudou na escola dominical quando era criança. Você sabe que o rio Jordão ele vai ligando desde o mar da Galileia, lá o lago de Genesaré. Ele vai descendo, descendo, descendo até Chegar no Mar Morto. Quase que não chega nada lá no Mar Morto, porque como já diz o nome, é Mar Morto. Hoje muito mais morto do que era naqueles dias. Já se passaram uns 2000 anos, mas já naqueles dias era um mar morto. Eh, o local mais a depressão mais profunda da Terra que se
se conhece, né? O ponto mais fundo deste mundo todo é o Mar Morto. Se o inferno é para baixo, é o lugar mais perto, né, que se pode chegar desta, né, sem ir para o fundo do mar. Evidentemente, claro, é só um simbolismo, mas esses simbolismos de ir para as profundezas e ir para os lugares ermos e ir para esse deserto terrível é algo a se considerar também. É algo de importância que o texto marca. Jesus não foi para aqueles lugares desérticos lá, mais para o sul, próximo ao Mar Morto, assim, por vontade própria. Ele
não disse: "Bom, agora eu preciso sair aqui que eu tenho um encontro marcado, né? Me desculpe, mas eu tenho que ir lá Conversar com uma pessoa." O texto diz que o espírito o impeliu. E essa palavra impeliu, ela é muito forte. Era uma palavra que denota até uma certa pressão. Não é só assim dizer e eh por exemplo, se você precisa que alguém saia da do da sala, da casa, vá para fora, você diz: "Olha, você poderia, por gentileza, se retirar?" Isso é um pedido de retirar-se. Mas se você vai até ele, pega a pessoa
pelo braço e diz: "Eu vou Te levar para fora agora". Isso é impelível. Quando você realmente carrega alguém, queera se alguém queira ou não, ele vai ser conduzido para fora. Jesus fez isso com os discípulos, né? O mesmo termo que aparece inclusive quando ele multiplicou os pães e queriam coroá-lo o rei. Ele disse: "Vocês não entenderam nada? Entrem no barco e vão para o outro mar, o lado do mar." E diz que ele os impeliu e ali parece Que ele realmente foi empurrando eles. Vamos, vão, entra, entra, entra para dentro do barco, atravessa para outro
lado. Acabou, chega, tchau, anda. Boa noite. Tinha pressa em fazer eles saírem daquele local. Tinha pressa de ir para o monte, estar a sós com o seu pai. E aqui é o espírito que o impele, o leva, o conduz fortemente para o deserto para que ele esteja a sós Com o diabo, para que ele tenha o seu primeiro confronto com o grande adversário, o grande inimigo. disso nós temos que concluir que era encontro marcado. Encontro marcado. O diabo estava lá no lugar certo, na hora certa, esperando que Deus cumprisse esse ponto da agenda. Uma vez
que Jesus é o segundo Adão, ele é de fato o segundo Adão. Ele vem para Fazer o que Adão não fez, porque se ele quiser salvar pecadores, ele tem que cumprir o que Adão não fez. É parte da sua obediência ativa. Então, uma vez que Adão e Eva foram tentados por Satanás, Cristo também tem que ser tentado por Satanás. E aqui os contrastes, mais uma vez são grandiosos para o bem e para o mal. Evidentemente, há o aspecto aqui de que, bom, Adão e Eva foram tentados num jardim E Jesus é levado para o lugar
mais terrível do mundo. Há um aspecto de que Adão e Eva estavam fartos ali, podiam comer de todas as árvores do jardim, como ela própria afirma isso pro diabo. Não, a gente pode tá franqueado aqui, é eh totalmente free, né? As árvores, podemos alimentar do que nós quisermos. Só tem uma que a gente não pode. E Jesus está 40 dias e 40 noites sem se alimentar. Então, há um lado que mostra Que a pressão sobre Jesus naquele momento é muito maior do que a pressão que havia em relação a Adão e Eva. Mas também tem
o outro lado. Jesus está muito mais preparado para isso. Ele está ali como uma pessoa divina e humana ao mesmo tempo. Em alguns sentidos, nós temos que admitir que a tentação só alcança os aspectos humanos, né? Porque Tiago diz que Deus não pode ser tentado pelo mal. Então não podemos dizer que a Tentação tenha alcançado a pessoa divina de Jesus. A que se ter cuidado nessas distinções que nós não queremos virar aqui nestorianos, não queremos separar, né, as pessoas de Cristo, a pessoa divina, a pessoa humana. É um terreno difícil de entender. Há muito mistério
aqui envolto, mas ainda assim a natureza da tentação de Jesus é real, é crítica, é terrível. Ele tem que ser o segundo Adão. Ele é Testado. Sim, ele também não tem as inclinações internas para o pecado. Há um aspecto em que nós devemos dizer que para nós seria muito mais difícil resistir a qualquer tentação do diabo ali. Porque nós não teríamos apenas o tentador externo falando para nós: "Que é isso? Eu te dou?" Nós também temos sempre neste confronto a nossa própria natureza inteira dizendo: "É isso que eu quero. É Exatamente isso que eu quero".
E no caso de Cristo, esse aspecto interno estava ausente. Porque se estivesse ausente em algum grau isso já é pecado. Então Jesus já estaria pecando pelo simples fato de desejar alguma coisa. Portanto, Satanás encontrou aqui um sujeito difícil de dobrar. E Marcos quer sim que nós entendamos dessa maneira. Ele está mostrando a chegada do rei e é Um rei conquistador. Não é um rei que vai ceder. Não é um rei que vai ser derrotado por qualquer um ou por qualquer coisa. E nem mesmo o pior de todos os adversários, nem mesmo o pior de todos
os inimigos, conseguirá qualquer coisa com ele. Conseguirá obter o mínimo de vantagem. É por isso que ele nem sequer narra as três etapas da tentação e já vai direto dizendo: "Não funcionou. o que quer que seja que O diabo tenha tentado ali. Parece até que Marcos sugere que o tempo da tentação foram todos os 40 dias, né? Porque observe, ele fala assim: "Onde permaneceu 40 dias?" E também isso é emblemático, né? Lembra dos 40 dias de Moisés? Lembra dos 40 dias de Elias? Há uma, essa quarentena aí não deixa de ser interessante também, é repleta
de simbolismo, porque é um simbolismo de teste, é um simbolismo de eh estar diante de um Deus justo, né, no caso de Moisés, ou estar diante de uma nova fase da revelação, o caso de de Elias nos seus 40 dias para o Orébio. Os dois foram pro mesmo lugar, né? Elias e Moisés para Oreb. Mas vale também lembrar que eles foram para onde Deus se manifestou e Jesus tá ali no meio do deserto só com o diabo. Pode ser que ele foi tentado mais do que três vezes. Portanto, a gente tem o relato das três
tentações Em Mateus e Lucas. Marcos não não narra nenhuma delas, mas parece sugerir que não foram só essas, que de fato ele foi tentado por 40 dias. Quando se completaram os 40, é que então vieram aquelas três estacadas, né, estocadas finais do diabo. De um jeito ou de outro, ele foi vitorioso. Ele conclui dizendo: "Estava com as feras. Isso nenhum dos outros dois narram. Estava com as feras aqui. É Bestas. Bestas é o mesmo termo usado lá para as bestas do apocalipse, mas não sabemos o que que significa. Pode só significar realmente que eram animais
selvagens. E de fato os desertos naqueles dias eles eram habitados por chacais, por hienas, escorpiões, serpentes e uma série de animais, leões até. em alguns casos. Pode ser que seja só isso, pode ser que seja alguma coisa mais maligna mesmo, Pode talvez representar Satanás e seus demônios, mas na sequência já nós temos também o outro lado, os anjos. Os anjos o serviam. O que se destaca aqui é que não tem participação humana nenhuma, nada. Todo esse ambiente ele é essencialmente do mundo espiritual. E Jesus tá passando por essa etapa antes de ir para público e
de dizer: "Estou aqui e vamos começar esse trabalho de Uma vez por todas." É o que vem na sequência. Então, após passar no teste inicial, o texto liga mais uma vez no verso 14 falando: "Depois de João ter sido preso, o João que no começo anunciou que ele viria e já o batizou, parece que Jesus respeitou o tempo de vida de João, o pelo menos o tempo de ministério público de João. Jesus não quis se sobrepor ao período de João. Ele esperou Esperou que João terminasse o seu trabalho. E Jesus entendeu, claro que isso havia
terminado quando Herodes prendeu João e depois o executou, o decapitou. Jesus aqui mostra mais uma vez a sua deferência para com João Batista. Ele espera pacientemente João terminar. Ele já está equipado, já está preparado para fazer a obra. O Espírito já desceu sobre ele. Ele já foi batizado, ele já tá ungido como Messias. Ele já passou no Teste inicial. Ele já enfrentou o Satanás, já derrotou o Satanás na no primeiro confronto com o inimigo. Outros virão, mas esse primeiro confronto já foi definitivo, já foi decisivo, eu diria. Não definitivo, mas decisivo. Ele tá pronto para
tudo, mas ainda assim ele respeita a cronologia. Depois que João foi preso, foi Jesus para a Galileia. E outra vez, ele não escolhe a capital, Ele não escolhe a Jerusalém, o centro político, econômico, cultural, religioso. para começar o seu ministério, ele volta lá pras regiões insignificantes da Galileia e vai começar lá no norte de Israel a maior de todas as obras, a maior de todas as, me perdoem usar a palavra, aventuras que esse mundo já viu. Ele vai começar Justamente lá no meio do nada, no lugar chamado lugar nenhum. E a de lá, como ele
fez questão de dizer exatamente que é o reino como uma pequeninha semente de mostarda insignificante, que começa no lugar mais insignificante, mas de repente alcança o mundo todo. Então Jesus vai paraa Galileia pregando o evangelho de Deus. Note, Marcos falou no começo, evangelho de Jesus. Primeiro versículo diz: "Evangelho de Jesus, agora evangelho de Deus. Tanto faz. É o mesmo evangelho. O do Pai e o do Filho e o do Espírito. Todos estão comprometidos com as mesmas boas novas. O anúncio de salvação para pecadores. E não é só um anúncio. O anúncio vem acompanhado das garantias.
As garantias de salvação. É fácil dizer: "Vou te salvar". O difícil é salvar. O fácil é dizer: "Tá uma boa notícia." O difícil é fazer a boa notícia se tornar Realidade. Mas aqui está quem não apenas pode anunciar, aqui está também quem pode fazer acontecer a boa nova, o evangelho, dizendo: "O tempo está cumprido". E o que ele quer dizer com isso? Ele quer dizer, João já acabou sua tarefa. Ele já me batizou, eu já passei no teste, tá na hora, já cumprimos o tempo. Todas as etapas iniciais já foram Ticadas aí, todas. Podemos agora
ir para os fatos, para os acontecimentos. E então ele dá o grande anúncio, o reino de Deus. está próximo. Reino esse que, de acordo com o próprio Jesus, não seria exatamente o reino que os judeus esperavam. Eles queriam reino literal, terreno, humano, recheado de Vantagens, confortos, vitórias terrenas. E Cristo estava trazendo um reino muito maior do que isso, muito acima de tudo isso. Eles estavam querendo alguém que pudesse derrotar César e estava ali quem tinha acabado de derrotar Satanás. muito maior do que César nunca sequer imaginou que pudesse ser. Ainda assim não foi o bastante
para Eles. Ainda assim não foi o suficiente para eles. Porque quando as pessoas estão apegadas exageradamente às questões físicas, mesmo que chegue-se com uma um caminhão de bênçãos espirituais, ela diz: "Não, isso não quero. Eu quero aquilo ali. Eu quero, o que eu posso tocar, o que eu posso ver, o que eu posso sentir, o que eu posso provar. Escolha errada, péssima escolha dos Homens. Mas o reino estava próximo, próximo porque o rei estava ali. Então, o reino chegou próximo porque o rei iria estabelecer o reino em poucos dias. 3 anos. Em cerca de 3
anos. o reino estaria estabelecido. Quando ele morresse, a pombinha tinha que ser sacrificada. O cordeiro tinha que ser sacrificado quando ele ressuscitasse e quando ele voltasse para aquele lugar de glória nos céus. Agora, não só para retomar o Passado, mas para desvendar o futuro, ao se assentar à destra de Deus, se tornando Senhor dos céus e da terra, ou na linguagem do apocalipse, rei dos reis e senhor dos senhores. Mas a mensagem do grande rei é a mais simples e mais básica de todos. Arrependei-vos. Tudo começa com isso. Arrependimento. Não há maneira de alguém participar
do reino de Deus. Não há forma, não há modo De alguém usufruir das benéces do Cristo que derrota o diabo, do Cristo capaz de trazer o reino do que através do reconhecimento dos próprios pecados. A coisa mais óbvia e a mais difícil de todas. A coisa mais óbvia, porque não há nada mais óbvio do que nós do que nós do fato de que nós somos pecadores, mas a coisa mais difícil é a gente realmente reconhecer a dimensão disso, Porque a nossa tendência vai ser sempre minimizar. Sou pecador, mas não tanto assim. Sempre que nós tentamos
justificar os nossos pecados, seja diante de Deus, seja diante dos outros, em geral nós fazemos isso, né? Não, o que eu fiz não foi tão grave assim, não foi tão ruim assim, não. E não, não foi a minha intenção, não, não é o que eu quis dizer, não, não é o que, não foi o que eu fiz, não, não foi bem assim. A gente sempre utiliza recursos para suavizar, para diminuir a ruindeza mesmo dos nossos atos, a maldade mesmo dos nossos atos. E por isso Jesus aqui não teve meio termo. Ele disse é se arrepender.
Arrependei-vos e crede. Salvação só é alcançada quando essas duas coisas acontecem. Quando alguém se Arrepende e crê. E claro, um é o lado, lado negativo, outro é o positivo. Outra vez. O arrependimento é mesmo a tristeza, a dor, a lâmina entrando no coração. Isso é o arrependimento. Aquela expressão que Lucas usa para descrever a sensação, o sentimento daquelas pessoas que estavam em Jerusalém no primeiro sermão dele em Atos 2, depois do Pentecostes, quando Pedro disse para eles, vocês mataram Jesus, vocês o mataram. Vocês são os culpados. E era o mesmo ali, não era uma coisa
apenas teológica, do tipo assim, eh, todos nós matamos a Jesus porque a gente peca e ele teve que carregar nossos pecados. Portanto, não, ali era porque eles estavam lá no dia e na hora em que Pilatos trouxe os dois para a frente, Cristo e Barrabáis, E perguntou: "Quem vocês querem?" Quem vocês querem que eu solte? E e Pedro repete isso no capítulo 3 de Atos outra vez. Vocês pediram para que ele soltasse um homicida e mataram o autor da vida. Quando Pedro falou isso com todas as letras, o texto diz: "Compungiu-se lhes o coração". A
expressão compungiu-se, quer dizer, uma lâmina Entrou rasgando, rasgando o coração deles. Arrependimento, meus irmãos e irmãs, é uma lâmina entrando, rasgando os nossos corações diante de Deus, por entendermos a gravidade dos nossos pecados. Quer eles sejam escabrosos, quer eles sejam pecadinhos de estimação, pequenas mentirinhas contadas aqui ou ali, pequenos momentos em que o sim não é sim. Como Jesus disse, seja sim, sim. Não, não. Quando o sim não é sim. Pequenas olhadinhas para cá ou para ali. Quando Jesus disse, quem olhar para a mulher com intenção impura, pequenas falazinhas insignificantes do tipo: "Seu bobo, seu
tolo, seu burro, seu louco." Jesus disse: "Isso é quebrar o mandamento que diz: "Não matarás". Porque para nós os pecados que importa são só os bem grandões e cabeludos. A gente se preocupa só com esses. O restante é insignificante, né? Vamos levando. Não é tão grave, não é tão forte, não é tão mal, é grave, é forte, é mal. Todo pecado, todo pecado é grave, é forte, é mal. E por isso só há uma atitude, lâmina entrando no coração. Arrependei-vos. A tristeza pelo pecado é a primeira parte da salvação. Não para aí. Tem que ver
o outro lado. Crede no Evangelho. Porque só arrependimento sem fé é só desespero. É puro desespero. A salvação não vai ser completada porque faltou a fé. Podemos dizer que Judas experimentou o arrependimento. A tristeza pelo ato ele experimentou profundamente. Mas faltou o quê? O outro lado, Faltou a esperança do perdão e faltou a alegria do perdão. Quem só experimenta o desespero pela culpa, no máximo tira a própria vida. E isso não representa a salvação. A salvação é completa quando há o arrependimento verdadeiro e intenso pelos pecados, mas há também essa explosão de esperança, essa explosão
de alegria e de fé Pela certeza do perdão. É Pedro voltando, Pedro voltando pra casa, Pedro voltando pra igreja, Pedro voltando para o grupo depois de ter traído Jesus tão intensa e miseravelmente quanto Judas. Chorou amargamente, mas não foi. Se matou. Voltou sim, com o rabinho entre as pernas. Sim. voltou, não voltou batendo no peito, dizendo: "Tô aqui para retomar meu lugar, eu sou o primeiro dos apóstolos". Voltou e ficou esperando, aguardando Jesus dizer: "Pedro, agora nós temos que ter uma conversa só nós dois". Jesus deu uma judiada em Pedro ali. Demorou um pouquinho, sabe?
Vamos comer primeiro. Preparou o peixe. Ficou um tempão ali e o Pedro parado ali. Comeram. Acho que Pedro não comeu. Terminou o jantar. Vamos lá, Pedro, nossa vez de conversar. Tu me amas. Tu me amas. Tu me amas. Por isso Pedro fala de alegria indisível e cheia de glória. Porque ele experimentou isso. Ele experimentou o que se chama alegria indisível e cheia de glória. É a certeza do perdão, a certeza de que ele não tinha motivo nenhum para me perdoar e não precisava em hipótese alguma fazer isso. Mas ainda assim, ainda assim ele diz: "Eu
te perdoo e não vou mais me lembrar dos seus pecados. Se por um lado, meus irmãos, eu acho que parece haver poucas conversões hoje em dia. Parece haver poucas conversões. Eu não sei, alguns anos atrás parece ser mais frequente mudança de vida mesmo, aquela coisa radical. Hoje você quase não vê isso. É muito raro. A as pessoas elas vão às igrejas, elas frequentam as igrejas, elas enchem as igrejas, mas elas não mudam. Elas, em geral continuam exatamente as mesmas, só com alguns pequenos retoques. Elas recebem a maquiagem cristã e ficam com um rosto mais apresentável.
com aparência piedosa um pouco melhor, mas é só maquiagem. Há pouca mudança verdadeira. E eu acho que o problema está justamente na falta de chamado de arrependimento, porque não se vê isso também. O grande movimento evangélico brasileiro não fala em arrependimento nunca. Porque ele se apresenta como uma solução para os problemas. Ele se apresenta como aquele que vai trazer o que tá faltando, aquele que vai dar a alegria que tá faltando. Mas não tem como experimentar A verdadeira alegria sem antes chorar e sofrer pelos pecados. Por isso, toda alegria que uma igreja pode oferecer para
alguém que não é fundamentada inicialmente no arrependimento dos pecados, será falsa, será fake, será superficial, em hipótese alguma será duradoura. A sementinha caiu na terra, Jesus disse, mas que foi sufocada pelos pelos espinhos. Ele disse, Tinha alegria no começo. A pessoa recebe com alegria, mas a raiz não consegue crescer porque tem pedra demais embaixo, mas a planta não consegue crescer porque tem espinho demais em volta. E por isso, no final não sobra nada. Sem arrependimento, sem tristeza verdadeira pelo pecado, não há alegria completa pela salvação, Porque essas duas coisas são necessariamente interligadas. A última cena
eu só introduzo, falarei mais sobre ela ao longo dos próximos sermões. Depois disso, Jesus então vai chamar os seus soldados. Ele é o rei, né? Ele é o rei. Ele acabou de chegar. Ele já mostrou seu poder. Ele já foi reconhecido pelos céus. Ele já foi reconhecido pelos infernos também. Aqui um sentido simbólico apenas na pessoa de Satanás. Ele já se apresentou para o mundo e disse aqui, veio. Estou aqui para dizer o reino chegou. Arrependimento e fé é o único modo, é o único caminho, mas ele quer soldados. Curioso ele querer soldados porque ele
não precisava. Não faz falta. Ele pode fazer tudo sozinho se ele quiser. Ele pode simplesmente fazer o que ele quiser E mesmo assim ele vai chamar soldados para estar com ele e chamou os quatro primeiros aqui. E claro, Jesus sempre revoluciona aqui, né? Porque ele não vai lá dentro do exército romano escolher alguns guerreiros. Não, não vai lá entre os elotes, que são os grandes lutadores da época, são os soldados judeus, revolucionários, Gente armada, gente capacitada, gente que pode lutar e quer lutar. Aliás, os elotos vão se rebelar no ano 70, proclamar independência Jerusalém, vão
ser destruídos por Roma. Ele não vai nesses lugares. Ele vai buscar quatro pescadores. Primeiro, nota que ele não busca desocupados. Em geral, as pessoas dizem assim: "Olha, eu não Tenho tempo para nada". Eu falo: "Então é esse cara que que Deus quer? Você é o cara que Deus quer. Eu não tenho tempo para servir. E você é a pessoa certa. Porque Deus não chama quem tem tempo de sogra". Deus sempre chama a gente que trabalha, que já tá ocupada, porque era muito mais fácil, né? E aqui, exatamente, os caras estavam trabalhando, tinham passado a noite
trabalhando. Sabemos pelos outros evangelistas que é Verdade que o trabalho não deu muito resultado, mas não foi por falta de trabalho, por falta de dedicação. O Senhor sempre chama a gente ocupada. Ele sempre tirou gente de postos de trabalho. Levi tava lá cobrando imposto. Tudo bem, não era um trabalho lá muito grande coisa, mas estava trabalhando. Jesus, vamos. Ele quer soldados. Ele quer compartilhar a sua missão com gente disposta a lutar Por ele. Não pega a gente pronta, não pega a gente top, não pega a gente da mais alta elite, não. Nada disso. E disso
já significa, meus irmãos, que ele realmente pode usar qualquer um. De modo que não há desculpa nenhuma. Bom, essas desculpas já deram para Deus, né, muitas vezes. Senhor, eu não posso porque eu nem sei falar direito, disse Moisés. E Deus disse: "Cria vergonha, pega o Cajado, rapaz, vai trabalhar e eu vou te mandar o seu irmão junto para te ajudar a falar se precisar". Desculpas já foram dadas aos montes. Jeremias disse: "Senhor, eu sou só uma pequena criança. Não passo de um jovem inexperiente. Deus fica só assim: Próxima, próxima. Desculpa, eu sou só um pescador
eetrado, insignificante, mal sei ler e escrever. Mas você é Pedro e eu vou usar você como parte do fundamento da minha igreja, da minha estrutura, do que eu vou fazer, do que eu vou construir. Não há desculpas. O Senhor quer trabalhadores, o Senhor quer soldados. Ele quer súditos. Ele é o rei. Ele quer ser servido. Ele quer ser obedecido. E quando ele faz isso, ele não quer ouvir desculpas. Ele não quer ouvir coisas do tipo, eu vou, Senhor, mas primeiro eu tenho que fazer um uma coisinha ali. Primeiro eu preciso me despedir lá de casa.
Primeiro eu preciso sepultar o meu pai. Ele não quer ouvir essa palavra, essa palavra, esse termo aplicado a qualquer coisa que não seja ele. Primeiro, Primeiro, porque primeiro é o primeiro mandamento. É só Deus, ninguém diante dele. Não tereis outros na minha frente, diante de mim. Eu sou o Senhor. Só eu sou o Senhor. O Senhor não quer ouvir desculpas, não quero ouvir justificativas, não quero ouvir Protelações. Ele quer que os seus escolhidos, seus soldados façam aquilo que esses caras aqui fizeram. Verso 18. Então eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Marcos, na sua
economia de palavras, mas ele também põe umas palavras que nós não estamos acostumados com os outros, né? Não quer dizer que eles deixaram os seus pais Desabrigados. Ele faz questão de dizer aqui no caso de Tiago e João, que também estavam lá consertando as redes, ele os chamou, ele diz, deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados. Esse com os empregados não aparece nem em Lucas, nem em Mateus, mas Marcos faz questão de dizer, ou seja, não deixaram ele sozinho, não deixaram jogado as traças, porque o discípulo tem responsabilidade também com os
seus familiares e ele não Vai abandoná-los desta forma, porém primeiro é só Jesus. Esse essa qualificação não pode ser aplicada a ninguém mais. E assim, irmãos, nós temos então esses quatro grandes momentos. Relações de Jesus iniciais do seu ministério com a trindade, com a voz do pai, com o espírito como pomba, com o diabo. Primeiro confronto, primeiro desafio, primeira luta. Eu vou Ter muito a falar sobre isso nas outras passagens onde ele eles vão aparecer de novo com o anúncio ao mundo. O caminho é esse, o reino tá aqui. Arrependimento e fé. É isso, é
assim que funciona. E com seus discípulos que ele quer com ele, com ele. Ele não quer que se encontrem com ele ocasionalmente para fazer alguma coisa. Ele os quer sempre e quer que eles que eles venham sem Desculpas, sem protelações, com entrega total, com disposição total. Assim o texto conclui dizendo: "Seguiram após Jesus". Que privilégio é esse? Há um anúncio genérico pro mundo. Arrependam-se, creio. Mas que coisa especial são aqueles que ele diz: "Venham, vocês, eu quero comigo, do meu lado". E eles então seguem a Jesus. O supremo Privilégio dessa vida é seguir o rei.
Vamos orar. Santo e amado Deus, nosso Pai, te damos graças pela revelação da pessoa e da obra de Jesus Cristo, nosso Senhor. Como somos, ó Deus, bem-aventurados. por percebermos que todas essas coisas benditas foram por nossa causa, pelo teu amor para conosco mesmo. Te louvamos, ó Deus, pelos privilégios Imensos que nos foram concedidos através de teu filho Jesus Cristo. Dá, ó Deus, que valorizemos isso ao extremo nas nossas vidas e que vivamos, de fato, como soldados. Deus, dispostos a te seguir onde quer que seja. Oramos, ó Pai, em nome de Teu filho e com a
presença do Teu Espírito. Amém. Louvem. [Música]