E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou a Alana Nijar, sou psicóloga especialista em terapia cognitivo comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano e eu tô aqui toda terça-feira com um novo conteúdo para te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais inteligência emocional. Se você tá aí no YouTube, já se inscreve, deixa o seu like, isso me ajuda muito.
Se você também tá me ouvindo no Spotify ou outra plataforma de streaming, lembra de seguir o podcast, deixar a sua avaliação, comentar. Inclusive, quero agradecer todos os comentários de vocês que têm me mandado parabenizando pelo mestrado. Vocês que são atentos e detalhistas, perceberam que a introdução mudou, né?
Eu adicionei eh ao meu currículo essa esse novo título. Estou muito feliz. Foi uma grande conquista desse ano, como falei em outros episódios, né?
Quase desisti algumas vezes, tive bebê no meio do caminho, mas deu tudo certo e e agora o comprometimento, né, ainda maior de trazer sempre para vocês um conteúdo científico. Vamos lá, então. Hoje a gente vai falar de algo que atravessa a história de quase todo mundo, mas poucas pessoas conseguem nomear a diferença entre pertencer e se encaixar.
E eu quero começar te fazendo uma pergunta. Quantas versões de você mesmo existem? A versão do trabalho, aquela versão que fala mais sério, a versão da família que talvez diminui um pouco os sonhos ali para não parecer ambicioso, ambiciosa demais?
Ou aquela versão dos amigos que faz piada de si mesma para não demonstrar vulnerabilidade. A versão do namoro que aceita coisas que te ferem para não incomodar. a versão que você apresenta talvez na internet, né, cuidadosamente ali filtrada para não desagradar ninguém, mas exista também aquela versão que você guarda só para você e que quase ninguém conhece de verdade.
Tem uma uma autora, uma pesquisadora chamada Brin Brown, já citei ela várias vezes, eh, ela é referência mundial no estudo sobre vulnerabilidade, coragem. Se você ainda não conhece, vale a pena. tem eh um tipo uma palestra dela na Netflix, tem eh também um TED Talk muito conhecido dela no YouTube.
Você pode eh parar um pouquinho depois e assistir para complementar o que a gente vai falar aqui. E ela fala, né, que esse essa tentativa de feing in ou de pertencer, de se encaixar, na verdade, né, o ato de se encaixar, ele é o maior inimigo do verdadeiro pertencimento. Vamos começar falando sobre o que que é se encaixar, tentar se encaixar e por que isso machuca tanto.
Tentar se encaixar é quando você muda quem você é para ser aceito. É quando você lê o ambiente, percebe o que que aquele grupo valoriza e aí você se adapta. Não é ser você de verdade, é você editada, digamos assim.
Se encaixar é quando você pensa, eu preciso ser de um jeito específico para eu me encaixar nesse contexto, para que as pessoas gostem de mim aqui nesse contexto. Por fora, isso parece uma estratégia social, mas por dentro, se isso é feito com frequência, isso destrói a autoestima, né? O encaixe ele é condicional, ele funciona assim: eu só sou aceita se eu agir como esperam.
Eu só recebo afeto se eu performar de tal maneira. Eu só pertenço se eu abrir mão de partes de mim. Isso é muito perigoso, né?
E como é que isso aparece no dia a dia? Talvez você acabe concordando mesmo quando discorda. Você força interesse em conversas que não te representam.
Muda o teu estilo, a tua fala, o seu jeito para chamar atenção. Ou então fica se desculpando o tempo inteiro por coisas que nem são culpa sua, recalculando a tua personalidade, dependendo da companhia. E o mais triste, quanto mais você tenta se encaixar, mais sozinha você se sente.
Porque não é você que tá sendo amada, é esse personagem que você criou. E aí você precisa saber disso e guardar uma frase pra vida. Pertencimento verdadeiro só acontece quando você pertence a si mesmo.
Primeiro, pertencer não é ser igual, não é concordar com tudo, não é se moldar ao outro. Pertencer quando você pode ser quem você é, com os teus defeitos, com os teus medos, com os teus limites, com as tuas vulnerabilidades e ainda assim ser visto como digno de amor, de respeito. Pertencer é leve, se encaixar acaba sendo pesado, mais cansativo.
Pertencer te aproxima, se encaixar te esvazia. Pertencer amplia enquanto se encaixar encolhe. Sabe?
O pertencimento verdadeiro, ele só existe quando você não precisa se esconder. E existe um ponto muito importante aqui, talvez o mais importante desse episódio inteiro, que é você só consegue pertencer a algo, uma relação, um grupo, um propósito, quando primeiro você pertence a si mesmo. Não existe pertencimento verdadeiro sem consciência de quem você é, sem saber quais são os seus valores, o que que você acredita, o que que você não acredita, o que que você tem a oferecer, onde você é forte e onde você precisa de ajuda.
Muita gente busca pertencimento lá fora enquanto vive desconectado do lado de dentro. Eu quero uma amizade profunda, mas eu não sustento uma profundidade nem comigo mesmo. Eu quero um relacionamento seguro, mas eu nem sei o que eu sinto.
Não quer, você quer, na verdade, você quer ser vista, mas vive se escondendo. Você quer ser amada, mas você não se ama. Você não se conhece.
Você quer um lugar no mundo, mas não ocupa nem o próprio corpo. Pertencer exige coragem, mas também essa raiz interna exige que você saiba quem você é. inclusive os teus defeitos, né?
eh as partes difíceis, as tuas inseguranças, o temperamento, os teus limites, as falhas no percurso que você, né, vem a cometer. Então, só consegue pertencer de verdade quem já não tá traindo a si mesmo. Porque quando você se pertence, você não fica negociando a tua identidade para ser aceito.
Você não fica implorando amor. Você não fica se diminuindo, se moldando aos outros a qualquer custo. você não vira várias versões de si mesmo para agradar, né?
É claro, gente, que é importante a gente ler os ambientes, a gente vai se adequar, né, aos aos lugares. Eu não tô falando que isso não deve ser feito. A gente lê ali, né?
Ah, esse ambiente é um ambiente em que eu posso ser tão expansivo, é o ambiente que exige um pouco mais de seriedade. Isso é uma coisa. Outra coisa é você ter que se moldar e fingir ser algo que você não é para ser aceito, tá?
Isso é é uma nuance que a gente precisa perceber. Então, pertencer começa nesse íntimo, como eu tava falando, pertencer quando você consegue, então, estar consigo mesmo sem precisar fugir da tua própria presença. E é justamente porque muitas pessoas não têm essa base interna que elas acabam vivendo nesse mundo só de ficar tentando se encaixar.
E por que que a gente aprende a se encaixar? Qual que é a origem desse problema? Vamos aprofundar um pouquinho, até porque você não acordou adulta e aí decidiu: "Agora eu vou ficar me encaixando e me moldando a tudo".
Você aprendeu isso provavelmente desde cedo com uma forma de sobreviver emocionalmente. Pessoas que vivem se encaixando, elas geralmente cresceram ouvindo, para de ser dramática, você é muito sensível, não faz isso, vão achar feio. O que que as pessoas vão pensar?
se comporta. Menina direita. Não age assim não.
Se você continuar desse jeito, ó, ninguém vai gostar de você. Você já ouviu alguma dessas coisas na tua vida? E aí você aprendeu que mostrar as tuas emoções é um risco, que você falar o que você pensa é arriscado.
Ser espontâneo, desagradar, ocupar espaço, isso tudo é arriscado. E aí, qual foi a estratégia do teu cérebro emocional? Eu preciso me ajustar para eu poder sobreviver.
Isso se encaixar pode ter te protegido mesmo lá atrás, mas hoje não tá funcionando mais desse jeito, tá te machucando. O encaixe, essa tentativa, ela mata a tua autenticidade. E a autenticidade, a gente já falou aqui antes, é a base da nossa autoestima.
Quando você abandona a parte de si mesmo para ser amado, a mensagem que você tá comunicando para você mesmo é que você não é suficiente do jeito que você é. E isso vai correndo a tua identidade, vai aumentando a ansiedade, abre portas para relações desequilibradas. Então eu quero agora que você preste atenção aqui, tá?
Porque talvez essa seja uma parte que mais dói e também a que mais liberta. Você sabe qual que é o perigo de viver tentando se encaixar? É que existe uma hora, gente, que todo mundo conhece você menos você mesma.
Ou então você pode estar cercada de pessoas e ainda assim sentindo uma solidão profunda, porque o mundo inteiro convive com essa tua versão editada, mas quase ninguém conhece a versão verdadeira. Esse encaixe, ele cobra um preço alto e o mais perigoso é o que ele cobra em silêncio. Ele não explode de uma vez, né?
Vai desgastando, vai corroendo, até que um dia você percebe que você tá exausta, você tá desconectada, tá vivendo no automático. Então vamos conversar um pouco agora. sobre os principais impactos emocionais de você viver tentando se encaixar.
Então, primeiro que a gente falou agora tem a ver com a solidão que ninguém vê. E não é a solidão de não ter pessoas por perto. Muitas vezes é uma solidão pelo fato de nunca poder aparecer de verdade, aparecer inteira.
As pessoas então até convivem com você, mas elas convivem com essa versão controlada, filtrada, calculada. Ninguém tá te rejeitando porque também ninguém te conhece. Esse tipo de solidão, ela dói muito mais do que tá sozinha, tá?
Então esse é o primeiro grande perigo. O segundo é aquele cansaço que não passa, sabe? Aquela pessoa que descansa, dorme bem, até tem um tempo ali, viaja de lazer, alguma coisa, mas continua cansado, porque o corpo descansa, mas o personagem não.
Viver tentando se encaixar cria um desgaste emocional enorme. É como atuar 24 horas por dia e nunca poder tirar a fantasia, tirar aquela aquele personagem. Tem gente que não tá cansado de viver, mas tá cansado de ficar fingindo, de interpretar algo que não é, de fingir emoções que não são verdadeiras, de ter que estar com uma cara feliz quando na verdade não tá feliz.
E isso cansa. O terceiro perigo tem a ver com a autoestima que vai sendo corroída. Então, quando você se comporta como espera que as eh as como as pessoas esperam que você se comportasse, né?
E aí você espera que as pessoas gostem de você, não por quem você realmente é, mas você tá por aquilo que você tá performando ali. A mensagem interna vira: "Eu só sou amado quando se eu deixar de ser eu mesmo". E isso destrói a autoestima, isso desgasta a confiança, isso te coloca num ciclo eterno de busca por validação, porque você nunca acredita que a tua versão verdadeira é suficiente.
Isso é muito sério. Um quarto perigo, um quarto sintoma, que são relações superficiais e vínculos frágeis. Então a verdade ela é simples, não dá para ter profundidade escondendo quem parte de quem você é, metade de quem você é, o todo, né, ou tudo sobre você.
Relações construídas em performance, elas não sustentam intimidade. Você pode ter muita gente ao teu redor, mas pouca intimidade, pouca verdade, pouca conexão, muita convivência, mas pouca conexão, muita conversa, mas é uma conversa vazia, sem profundidade. Então isso é um perigo.
Se você tá percebendo essas questões na tua vida, vai anotando aí porque calma que a gente vai falar sobre como sair disso. E aí, indo pro quinto, um medo crônico de rejeição. Quanto mais você tenta se encaixar, mais medo você sente de ser descoberto, porque lá no fundo tem esse pensamento.
Se eles conhecerem quem eu realmente sou, eles vão embora. O encaixe, ele te coloca numa posição de alerta constante, como se você tivesse sempre a um passo de perder tudo, se escorregar ou se você aparecer demais. E aí isso gera uma identidade confusa, que seria um próximo ponto aqui, o sexto ponto da dessa lista que a gente tá falando essa da entidade confusa de quem eu sou quando ninguém tá olhando.
Esse é um dos sinais mais silenciosos, né? Você muda tanto, dependendo do contexto que em algum momento você perde a referência de quem você é mesmo. Você sabe o que o mundo espera de você, mas você não sabe mais o que você mesmo espera de você.
Essa ruptura interna, ela dói e ela acontece aos poucos, quase sem você perceber. E aí isso vai levando pro sétimo ponto, que é o autoabandono. É uma ferida mais profunda.
O autoabandono é quando você escolhe todo mundo menos você mesma. É quando você se diminui para não incomodar. É quando você tolera o que te machuca para não desagradar.
É quando você silencia as tuas necessidades para não ser um peso. E aí você passa a vida pedindo permissão para existir. E esse é o impacto mais devastador do encaixe.
Ele em algum momento você para de procurar lugares para pertencer e começa a procurar lugares onde você caibe. Pera aí. e começa a procurar lugares onde você cabe.
No curto prazo, se encaixar parece resolver. Você se dobra um pouco aqui, vai diminuindo um pouquinho ali, se quebra em pedaços para caber ali nos lugares, nos grupos, nas expectativas. E por alguns instantes até funciona, né?
Você até sente que tá pertencendo, sente que tá incluído, mas a verdade é que quando você precisa se quebrar para caber, o que sobra de você não é você inteiro. E aí no fim, mesmo cercado de gente, você continua se sentindo sozinho. Eu sei que é pesado bastante coisa, né?
Mas vamos processando isso aqui juntos. vai me contando aí nos comentários se tá fazendo sentido para você até aqui. E aí a gente vai falar sobre como sair desse cenário do encaixe e construir um pertencimento saudável.
Então, primeiro observa onde você se encolhe, tá? Você faz essas perguntas. Em que ambientes eu tô me diminuindo para caber?
No trabalho, na família, nos meus relacionamentos, na internet? Anota isso. Segundo, identifica que que é esse teu eu editado.
Quem que você finge ser para não desagradar os outros ou para ser aceito pelos outros? Quem é essa pessoa? O que que você precisa mudar sobre você mesmo para que as pessoas te aceitem, gostem de você?
Quem é esse seu eu editado? E aí você vai precisar começar a fazer pequenos atos, né, de de autenticidade, praticar pequenos atos de autenticidade, começar a dizer: "Olha, na verdade eu penso diferente. Admitir que você não tá tão bem, parar de rir quando você não achou graça, não inventar desculpas para não ir, simplesmente dizer a verdade sobre porque você não vai, se afastar de pessoas que você percebe que não tem mais a ver, que não agregam, que não lugares, ambientes que você não se sente bem e você poderia não estar lá, poderia estar fazendo escolhas diferentes.
Faça essas escolhas, comece dar pequenos passos. E aí você vai precisar nesse processo aprender a tolerar o desconforto que essas novas escolhas vão te trazer. Porque autenticidade, se é autêntico, assim como quando a gente fala de colocar limites, de enfrentar os seus medos, isso tudo é desconfortável no começo, dói.
E não porque é errado, mas porque é algo novo e a gente não tá, a gente não quer mudar. Mudar gera, né? É gasto de energia.
Mudar requer esforço. Mudar é difícil, mas mudar muitas vezes é o único caminho possível pra gente construir a vida que vale a pena ser vivida, construir a pessoa que a gente quer ser. Então a gente vai precisar aprender tolerar o desconforto emocional nesse processo e depois disso focar em construir relações onde você não precise performar.
Ambientes que estimulem a vulnerabilidade, que te permitam ser vulnerável, presente, né? consciente, que tenha coerência, pessoas com quem você pode ser inteiro e não editado, né? Talvez você já tenha experimentado estar num relacionamento, um namoro, por exemplo, é bem comum, já ouvi várias vezes em terapia isso, né?
Nossa, eu eu não percebia como naquele namoro eu tava sendo outra pessoa. Eu não podia ser tão engraçada quanto eu era. Eu não podia ser tão espontânea, não podia ser tão divertida, porque ele não gostava.
E aí eu me tornei uma pessoa séria, só percebi depois. E aí quando você finalmente se relaciona com alguém e você consegue ser você mesmo e você é celebrado por isso, você percebe nitidamente a diferença. A mesma coisa numa amizade.
Às vezes parecia que tava tudo bem, mas aí você conhece uma outra pessoa em que você consegue acessar versões de você tão autênticas e você fala: "Nossa, então é assim que é poder ser eu mesma, né? " Isso aqui eu tinha esquecido como eu gostava de falar, falar sobre esse assunto, de ser assim, de fazer esse tipo de atividade, esse tipo de hobby. Então, essas relações que permitem que a gente pertença, que permitem que a gente seja quem a gente é, são o tipo de relação que a gente quer nutrir.
E aí você vai começar a perceber a diferença. E essas relações onde você estava tentando se encaixar ou esses contextos onde você tentava se encaixar, é, você começa a se posicionar diferente, começa a ser você mesmo e você é rejeitado, né? É criticado, você sofre punições por isso.
Então, tá bem claro que o fim daquele aquilo precisa ser colocado um fim, né? Ou pode ser que você se surpreenda, pode ser, mas é necessário que você enfrente alguns desconfortos nesse processo, tá? E aí uma coisa bem importante, se você se identificou, se você percebe que você passou a vida inteira tentando se encaixar, existe uma chance enorme de que você nem saiba mais quem você é de verdade.
Isso não se descobre do dia pra noite, não se descobre com frases motivacionais. Isso muitas vezes não vai não vai se curar sozinho. A terapia é um espaço onde você pode, pela primeira vez existir sem precisar performar.
É onde você vai aprender a identificar as tuas crenças, a desconstruir o medo da rejeição, a colocar limites, a reconstruir a tua autoestima, a voltar a pertencer a si mesma, a viver sem se encolher. Então eu quero deixar aqui o convite na minha clínica na PS do futuro. Você encontra psicólogas especialistas seguras, preparadas para caminhar com você nesse processo, né, para sustentar a e e poder honrar quem você é.
Então, se você tem esse desejo, se você sente que tá no teu momento, o link para marcar a tua sessão tá aqui na descrição, tá? E antes de terminar, eu quero te lembrar o seguinte: se encaixar, te cobra um preço que pertencer jamais cobraria. Se encaixar exige somente que você se assuma.
Existe uma vida inteira esperando pela versão sua que você escondeu para sobreviver. Já parou para pensar nisso? Então, se esse episódio fez sentido para você, compartilha com alguém que precisa ouvir isso e me conta aqui nos comentários.
Não deixa de me dar esse feedback, de compartilhar com mais pessoas essa mensagem. Muito obrigada por ouvir até aqui. Segue o podcast para que a gente possa continuar buscando e caminhando juntos nessa vida mais leve.
E a gente se vê na semana que vem. Um beijo.