Salve pessoal, tudo bem? Como é que vocês estão? Gente, trazendo o queridíssimo professor Leonardo Trevisan de novo pra gente conversar um pouco, aquelas nossas conversas semanais ou a cada 15 dias, o Trevisã me dá a honra de poder ouvi-lo, de poder refletir junto com ele a respeito desse novo mundo que surge e de todos os desafios que a gente tá vendo aí, né, Televisã?
Obrigado, querido, por aceitar mais um convite, convite do canal pra gente bater esse papo. Eu é que agradeço porque a conversa é muito boa. A conversa é conversa que faz a gente faz a cachola funcionar.
É isso que eu agradeço. Muito obrigado. Obrigado, querido.
Não, eu eu vou começar com uma pergunta bastante aberta, porque eu quero te ouvir. Qual é a tua avaliação, considerando o atual estado de coisas da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã? Como é que você vê o que tá acontecendo nesse momento?
A gente sabe que houve a os Estados Unidos estão tão tomando um calor que eles não esperavam. caiu o avião. Acho que ontem ou antes de ontem morreram outros seis soldados estadunidenses.
A base estadunidense em em Bagdá, acho que foi alvo de um míssel agora a pouco. Eu queria que você fizesse um arrazoado de como é que você entende esse momento atual da guerra, querido. Por favor.
São duas situações. A primeira situação é aquilo que o mundo inteiro está percebendo, principalmente aquele que não deveria perceber. Observe o silêncio da China.
A China ficou absolutamente em silêncio. Por o que o mundo inteiro tá percebendo uma de uma forma óbvia, né? E aí o verbo no gerúndio tem todo sentido, né?
Percebendo e continuando é que não há plano algum, né? Essa guerra foi iniciada pelos Estados Unidos sem qualquer plano. A gente pode fazer alguma discussão sobre porque foi feita, quais eram interesses imediatos, mas a guerra não tem plano.
Guerra sem plano é algo que a humanidade conhece há bastante tempo. Ela sempre termina igual, né, nessa mesma situação que nós estamos aí. A segundo quadro que nós temos, não é, é o alerta dado por um analista especialmente experiente, Gilantet, não é?
Viveu muitos anos nos Estados Unidos, cobriu cobriu o Oriente Médio por muitos anos, não é? e no Financial Time. E ele fez um alerta que eu acho que é uma resol com perfeição.
Trump, arruma esta bagunça que você criou. Só você criou essa bagunça. Arruma essa bagunça, né?
É o título do do artigo dele de primeira página do Financial Shuttime, se não me engano, de quinta-feira, né? Então, eh, e ele faz uma uma análise que eu acho bem interessante, é bem bem presente mesmo, é a análise de quando não há aluno, quando não há adulto na sala, como já é consagrado. Ele diz pro Trump, uma das primeiras coisas que o Jardim da Infância ensina tanto no primário, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, que todas as professoras ensinam para as crianças, é, arrume a sujeira que você fez, limpe a sujeira que você fez.
Parece brincadeira, né, que você olha Não, não é brincadeira não. Eu acho que o Gilantet foi no ponto exato, né? Esta bagunça foi criada exclusivamente pelos interesses do senor Trump e do senor Netano.
Sabemos lá quais são, né? Sejam eles quais forem, né? Só que tá arrastando o mundo para uma outra matéria que o Financial Time fez e o New York Times completou no dia seguinte sobre os custos da guerra.
para o mundo inteiro, a começar das potências médias, né, principalmente para Europa. Europa e Ásia, o petróleo explodiu. O petróleo sexta-feira, com tudo que aconteceu, o petróleo fechou a $ e é o inimaginável na segunda ou na terça, se os se o quadro continuar desse jeito, né?
Então, é nessa situação que nós temos que olhar para isso. Quanto aos aspectos operacionais da guerra, não adianta a gente também fazer de conta que não está vendo, né? Primeiro de tudo, né?
Os Estados Unidos tm poder, tem, podem fazer muito, podem. tá ficando muito caro para eles. Como o New York Times bostou, escancarou, como o próprio o Pentágono avisou, olha, nós estamos consumindo os estoques todos de Tomar Rock, isso tem custo.
Cada Tomar Rock desse custa alguns milhões de dólares. Não, não é para fazer essa festa para sem sentido. Segundo a constatação que é óbvia para entender o quadro, não é?
Ao contrário do que nós imaginamos, quem tem a chave do cofre é o Irã, não é os Estados Unidos. E ele tem poder para se fazer, para fazer valer sua chave do cofre, que é Ormouso. Vamos prestar atenção no que te chamou atenção também, o ataque à Bagdad com míssil de precisão, em outras palavras, né?
Seja a China que deu, seja a Rússia que deu, o os iranianos aprenderam a fazer, esse é o fato, né? E guardam poder de fogo, inclusive para cima de Israel. Está ficando também caro paraa área Israel manter um nível de proteção.
Tanto é assim que ontem, né, no vamos pegar no nosso horário aqui Brasília, no final da manhã, Raifa, que é é uma cidade importantíssima e ultra defendida, né, em no norte de Israel, foi com muitas vítimas civis. Vítima civil é vítima civil, tanto faz o lado. A definição de civil é gente que apenas quer viver.
Um soldado fez uma escolha, civil não fez. Civil fez outra escolha. Eu quero continuar vivo.
Seja ele branco, preto, amarelo, seja quem for, né? Então, eh e eh a gente tem que chorar os civis iranianos, tem que chorar os civis israelenses, porque o que eles pedem é: "Eu quero continuar vivo, né? Essa guerra não me pertence.
Eu duvido muito que os que quando cai um míssil em cima da de uma casa de família o que o sujeito de dentro do queera eu queria essa guerra de jeito nenhum, né? Então esse quadro de alguma forma deixa assim evidente, hum que esta guerra saiu do controle, César, né? E e saiu do controle pelos seus próprios proponentes, né?
Aí a gente pode fazer uma análise de o que é que o que é que interessava para Netaniarro, o que é que interessava para Trump nesse momento no fingir dos ovos, que eu já falei muito, no frigir dos ovos, né, que eu acho que é o mais interessante. O que é que fica claro dessa guerra? Talvez o objetivo maior dela seja bem minúsculo e típico de um rei da comunicação como é o senor Trump.
Eu queria que os americanos e o mundo parassem de prestar atenção que eu perdi nas tarifas. Eu queria que o mundo parasse de prestar atenção de que a inflação tá chegando e eu não sei o que fazer com ela. Hã, se eu arrumei uma guerra para resolver esse problema, OK, só que ele arrumou a guerra no lugar errado, né?
Talvez seja a zona mais tensa do mundo. Foi foi provocar. Vale para sempre aquilo que nós vínhamos, você, eu, todo mundo vinha anotando.
Irã não é Venezuela, vai devagar, né? Então, portanto, eu acho que nós estamos colhendo aquelas consequências. Na verdade, sabe, César, quem entende mesmo de tudo isso que nós estamos falando era o velho e falecido vice-presidente Marco Marciel, que ensinava a todo mundo com muita calma.
Olha, atenção, viu? as consequências vêm depois. Presta atenção nisso.
Uhum. Ô Travisão, e aí eu eu queria eu queria te fazer uma proposição e e ver o que que te parece. De muitas maneiras, quando você entra num conflito dessa magnitude, sem ter uma resolução clara do que que você quer, você nem sabe exatamente no Exato.
E o que que você vai chamar de vitória? Como é quando que você vai poder declarar a vitória? considerando que você não tinha um objetivo inicial, claro, mas me parece que conforme a coisa foi andando, hoje, pelo menos essa é a minha impressão, eu quero te ouvir a respeito disso, essa é a provocação que eu te faço, me parece que a coisa se resumiu em alguma medida ao controle do estreito de Ormus, que como você muito bem diz, é por onde passa 20, 30% do petróleo do mundo, gás e esse tipo de coisa.
Me parece que tem aí agora um ponto muito claro para definir quem é que que manda na parada. Porque se os Estados Unidos e os seus aliados forem capazes de desobstruir o estreito de Ormus, aí me parece que o Pit Heget tá certo em dizer que a a Marinha, a aeronáutica, os sistemas de defesa e e de proteção territorial iranianos foram neutralizados. E a o o Trump vai ter uma carta fortíssima na mão para poder chamar de vitória, para poder dizer que ele obteve uma vitória.
Agora, o próprio Macron, presidente francês, falou que iria escoltar os navios. Ele falou que teria que abrir o estreito de Ormus. E os iranianos disseram: "Venha abrir, vamos ver se vamos ver se vocês conseguem abrir".
Aí ele já adotou uma postura muito mais comedida. Vamos dialogar. Vamos construir consenso.
A Melone na Itália disse: "Não, não, eu não. A gente não participa e não quer participar". Os canadenses disseram: "A gente não participa e não quer participar".
E me parece que a coisa, o caldo engrossou nesse sentido, porque até aqui a coisa continua, o estreito de Ormus continua fechado, o Irã continua mandando petróleo pr pra China a despeito de ter a a sua a ilha, eu esqueci o nome, bombardeado, acho que nesse a ilha de CAC. Exatamente. Isso, isso, isso.
Como é que você avalia isso, Televisão? Primeiro de tudo, primeiríssimo de tudo, eu acho que você toca no ponto exato. O Irã pode ser destruído, pode colapsar o Irã.
O Irã é Cuba, porque Cuba tá, né? Cuba não tem uma gota de petróleo. O Irã é Cuba, né?
Não, o Irã não é Cuba, o Irã não é Venezuela. Primeira coisa sobre o Irã, né? Eles têm um cimento social que a gente devia prestar mais atenção.
Para nós ocidentais, isso tem um sentido, para eles tem outro, que é a fé religiosa. Cuidado com isso. Cuidado.
A oposição iraniana. Observe que o primeiro primeiro chamadinho do novo Mojitab, do novo líder, foi cesso às discordâncias internas. Lembra do texto, né?
Ele tá falando com a oposição. O Financio Otávio fez uma matéria impressionante. Ele só foi consultar gente que tinha estado nas manifestações de janeiro.
O que ele ouviu de ponto médio na matéria, né? A matéria saiu quarta, quinta-feira. Quinta-feira.
Já já eu lembro o nome do repórter, do articulista, para ficar fácil de achar no Google. Mas quinta-feira tem o valor, o valor traduziu um pedacinho. Tem muito mais no no no Financial Time.
O que que essa matéria mostra? Eles entrevistaram várias pessoas da oposição que disseram o seguinte: "Nós entramos nessa guerra odiando o Aatolá. Quando o Aatolá morreu, nós achamos que tínhamos feito alguma coisa de bom.
Eles são a oposição. Atenção, quando nós olhamos a violência da destruição, quando nós olhamos atacar o Grambazar de Terã, isso é simbólico, nunca foi feito, nem os iraquianos fizeram. Nós agora temos uma causa maior.
Agora não é hora da gente discutir o Irã. Agora, desculpe, agora não é hora da gente discutir o poder do Aeto lá. Tá no Financial Time.
Vai ler lá o que é que isso quer dizer. aquilo que era o objetivo, pretenso objetivo maior. Eu vou trocar o regime.
Os bombardeios fizeram o contrário, provocaram exatamente o contrário, segundo o fato sobre o Irã. Então, portanto, imaginar que o Irã tem distensões, que cuidado, não é bem assim. Segundo fato, militarmente falando, César, esse é o ponto mais sensível.
A indústria iraniana é uma indústria calcada principalmente sobre a simplicidade. Os mísseis charred tem eh uma tecnologia que é possível de ser repetida por meninos hábeis de 20 anos de idade pelo Irã inteiro. O míssel custa 3.
000 nas versões mais comuns. Eles têm fábrica por todo canto do Irã. É é impossível.
Só se você pulverizar o Irão, os armas nuclear, porque senão eles quer chegar, eu queria chegar nisso. Que bom, que bom que você tá, porque senão eles vão continuar a fabricar míssil, produzindo. Uhum.
Produzindo míssil, infernizando. Dois, do ponto de vista militar, fecharmus não é exercício sofisticado. Atenção aos almirantes todos que já avisaram um comando noturno em Omus.
Enche aquilo de mina submarina que custa 4 5. 000 cada uma. Você vai pôr o teu petroleiro que custa 100 milhões de dólares para ser estourado por uma mina que você não sabe onde tá, que encheu o o em certos trechos, tem 10 km.
Presta atenção nisso. Então, portanto, é militarmente, eles continuam produzindo. Militarmente não é uma tarefa impossível fechar o músculo.
A guerra de 1980 mostrou isso. Então, portanto, desculpe, né? Quando você olha paraa cola institucional dentro do Irã e os erros que os bombardeios provocaram, fizer mais bombardeio, vai ter mais cola.
Quando você olha para a situação militar da descentralização, você olha para aquilo, sem contar um fato que convém a gente prestar atenção. A morte pro ocidental significa o fim. A morte para um xiita significa um martírio no caminho de Alá, de ser bem recebido, de ser Observe o que aconteceu com oí.
O comeini procurou o mesmo fim do Iman Hussein lá do século VI que criou o Xita, ele fez questão de morrer no seu local de trabalho. Isso para nós, [risadas] né? É, é, é outra cabeça.
Então, quando, quando você olha para esse quadro, você tem que entender que, de fato, a, primeiro de tudo, a unidade de propósitos que tem no Irã não tem nos Estados Unidos. Observa o movimento maga, que são trumpistas desde criancinha, né, desde antes do Trump. Hum.
Todos eles estão dizendo: "Olha, nós votamos em você porque você prometeu não iniciar nenhuma guerra, né? Do que nós estamos falando. Então, nesse ponto de vista, nós estamos com uma equação que está desequilibrada.
E desequilibrada não é curioso isso, desequilibrada não para aqueles que têm um PIB de 30 trilhões. Os fatos não são assim. né?
É preciso ouvir o presidente Obama do acordo de Minsk de 2015 e porque ele não entrou na Síria do jeito que entrou quando aconteceu tudo que aconteceu, a famosa linha vermelha disse: "Olha, eles bombardearam, a família Assad bombardeou civil com arma química. É linha vermelha, mas nós não vamos fazer nada porque vai piorar". Exatamente.
Agora, uma coisa é a cabeça racional de Barack Obama, outra coisa é a cabeça comunicativa, né? Onde a última coisa que você pode pedir para, a última coisa que você pode pedir paraa Trump é coerência. Não, não peça isso, porque ele tá ele, ele tá movido por outros espíritos.
Então, de algum modo, quando se olha para esse quadro, talvez, né, a gente tenha que ver que serenidade e de propósito e principalmente alcance de objetivo tá mais pro lado iraniano, por incrível que pareça, do que pro lado americano. Uhum. Outra vez, não, ao longo das nossas conversas nos últimos anos, você pontuou que o objetivo central de Washington seria, digamos assim, ocidentalizar o o Oriente Médio, né, e at sobretudo através de de negócios com as monarquias do Golfo.
E a gente tá vendo o Irã bombardear as monarquias do do lá atacando todo tipo de de grande estrutura do capital ali naquela região. Você acha que isso de alguma forma interfere no relacionamento dessas monarquias com os Estados Unidos e com Israel? A gente viu os acordos de Abraão naquela ocasião.
Como é que você sente que a guerra mexe nesse contexto que é o objetivo central dos Estados Unidos? Essa pergunta é fantástica porque ela nomeia pra gente, ela faz a gente pensar, ô César, em duas realidades que são essenciais. A primeira delas é o que que significa a nova geopolítica dentro do Oriente Médio.
Nós temos que olhar primeiro para isso. Tem uma nova geopolítica, né? Essa nova geopolítica foi proposta no primeiro governo Trump, né?
em que ele já descordinou essa possibilidade. Qual era essa geopolítica? Os acordos de Abraão, o Oriente Médio, uma nova geração de líderes no Oriente Médio, principalmente o Mohamed bin Salman.
Você pode gostar dele, não gostar. Ele ele ele ele e separou em pedacinhos o o cacoche e tudo isso, tá? É verdade.
Hum. Só que é uma nova geração. E é uma nova geração que olha com clareza de que o petróleo é uma opção energética com problemas.
Para não dizer que ela tem dias contados, ela tem problemas, né? E e eles vão se e eles vão aumentar, né? Eles não vão diminuir, né?
Então o a opção renovável é muito cara. É, mas a opção petrolífera tá dando muito problema, né? Então a eles olham para isso.
Vai chegar um dia que a nossa riqueza ela pode ou acabar porque acabou, ela é finita, né? Ou ela não tem mais sentido. Então essa nova geração quer preparar o Oriente Médio rico para uma outra escolha de futuro.
Olhou para Israel e disse: "Em vez da gente brigar com Israel, vamos nos aproveitar daquilo que Israel também pode nos oferecer. tecnologia. Então eles se aproximaram, eles quem, né?
Toda todas aquelas monarquias que se costumou chamar de moderadas, né? De moderadas elas não têm nada, né? [risadas] Massacram suas populações no melhor estilo.
Mas é deles desde o século VI. Não adianta a gente querer consertar isso, né? Então, quando você tem e é essa realidade, o primeiro ato dos acordos de Abraão é um bom negócio pros dois lados.
Israel tem investimento, tem possibilidade e eles redesenham o Oriente Médio. Redesenhar o Oriente Médio é fazer do Oriente Médio inteiro o modelo do Bay, né? Que é o que tá naquele desenho de a que o Trump fez sobre o que que ele queria em Gaza.
Lembra? fez um ressorte, ele desenhou como é que vai ser alta tecnologia, etc. tinha um probleminha nisso aí, o a maravilha, a a o grande a grande sacada, a grande criação que o Trump prescrutou e negócios imobiliários maravilhosos, botou o genro dele lá, botou o o Steve Itkov, que é um cara de de imobiliária lá como grande articulador, porque ele desenhou, só tinha um problema.
O que é que você faz com os palestinos e com os chiitas? Porque os xiitas não concordam com os sunitas. Eu uma vez eu ouvi de um professor francês de origem árabe uma observação para mim que eu nunca esqueci mais.
César, quem é que disse para você que se o Irã tiver uma arma nuclear, o primeiro alvo é até lá vive? Da onde você tirou isso aí? O primeiro alvo pode ser re.
Presta atenção. Presta atenção, né? Então, é nesse contexto que eu acho que a gente precisava pensar um pouquinho se esse se o maior inimigo desses acordos de Abraão, né, são só e exclusivamente o que fazer com os palestinos, né?
É o que fazer com o Xita também. Hum. Só que nesse contexto uma eh aquele pessoal dos Olinhos puxado olhou para isso aí, né, e disse: "Tá aí um bom negócio pra gente entrar.
Oriente Médio é é eixo do mundo. Olha para ali, você vê direitinho, né? Uma um uma visão bastante importante, né?
Né? para aquele eh para para aquela ideia, né, de Heartland, qual é o coração da Terra. Quando você olhava que antes era Europa, tá aqui, né, não só por petróleo, olha a posição estratégica.
E a China começou a entrar. E é óbvio que a China não entrou pelo lado árabe. A China árabe sunita.
A China entrou pelo árabe shiita. Pra gente entender o quanto isso tudo tá em risco, eu convido a quem tá me ouvindo a dar um Google numa foto de 2022, agosto de 2022, em que o senhor Xigin Ping em Pequim está de pé e estão sentados os dois chancelerires, o chanceler da Arábia Saudita e o chancelheiro do Irã. E ele dá uma olhada feia, os dois levantam e se dão a mão.
Presta atenção nisso. Procura no Google a foto, que a foto é maravilhosa. Hum.
Você põe lá a foto, vai aparecer. Ela te mostra direitinho que a China também ofereceu vantagens pro lado sunita. Atenção, senão ele não estaria na foto.
Hum. E e não adianta brigar com a foto. A foto é a foto, né?
Eh, Pequim lá com o palácio, o o o Xijin Ping de pé olhando com aquela cara feia pros dois e os dois se dando a mão. É Xita e Sunita, chanceler dos dois lados, do Irã e da Arábia Saudita. Então, quando nós olhamos paraa equação de poder no Oriente Médio, a gente tem vetores que a gente não atribui o peso que eles têm que ter, né?
Isso que você acabou de me falar sobre os acordos de Abraão é um vetor fundamental pra gente entender. Dois, quem é que é contra os vetores o acordo de Abraão? Três, que tipo de acordo a China propôs paraa Arábia, para pros países árabes moderados?
e prositas que pode vir a ser mais vantajoso que o dos americanos. Esse quadro faz a gente olhar para essa realidade do Irã, do da questão Irã, com uma dimensão muito maior do que o que a gente imagina, né? Porque é Heartland, é aonde tá sendo decidido o o de algum modo no espaço do continente certas decisões geopolíticas fundamentais.
Eu ousaria te dizer que hoje o Oriente Médio, ousaria, não tenho certeza, ouso te dizer que o Oriente Médio hoje representa mais ou menos aquilo que a Europa do Leste representava no começo do século XX para as ambições alemãs, inglesas. Então, é mais ou menos a mesma coisa. É o fiel da é o fiel da balança, é isso que você diz?
É o fiel da balança territorial, né? Então, é eh eh eh é é fundamental pra gente entender o movimento, né? E e ao entender o movimento, a gente começa a perceber que é nesse contexto, quando a gente olha para essas dimensões múltiplas, é que é nesse contexto que a gente vê que Trump está a quem do seu tempo.
Você me entende? Entendo perfeitamente. Teve quem a quem ele ele ele não tá compreendendo porque ele mandou embora de perto dele, inclusive o pensamento de direita civilizado, né, que tinha essa dimensão.
Você acredita que Regset é capaz de entender isso que nós estamos falando? Eu acho que não, não, não é um imbecil completo. O próprio Trump outra vez na míia.
Nesse quadro é difícil da gente olhar o papel de Trump porque ele sequer tá entendendo as variáveis de equação todas. própria posição. É, saiu um relato de de generais que interagiram com ele, não nessa ocasião, acho que no fim do primeiro mandato, que disseram: "O Trump afirmou não saber a diferença entre Irã e Iraque.
" Esse é o nível desse sujeito. Isso ele não sabe a diferença entre as duas coisas. Ele disse: "Para mim só tem Israel.
O restante é é tudo mais do mesmo". Eu queria te perguntar o seguinte, ó. Eh, ele tá dizendo que se o Irã não desobstruir o estreito de Ormus, ele vai usar 20 vezes mais força do que foi usado até aqui.
Agora, até aqui ele já usou os B2, ele tem o USS Geral Ford, ele tá usando F35, ele tá no limite do que ele pode usar de armas não nucleares. Você acha que isso pode evoluir pro uso de arma tática nuclear? Como é que você vê essa possibilidade?
Primeira coisa que eu acho isso, sabe o que eu penso disso? A tua pergunta excelente, que eu me já me atormentei com ela também. Eu acho que o pessoal que estudou o West Point, que estudou em West Point, o Trump pode não ter nenhuma compreensão disso.
O pessoal que estudou em US Point tem. E eles, os generais americanos, foi o alerta, a única coisa que o Dan Kane, que era um general escolhido pelo Trump, que substituiu todos os outros, um general ideológico da turma do Trump, o que é que o Danke disse pro Trump? A única coisa que transpareceu, a única coisa que ele fez questão que a imprensa ouvisse.
Um país com 90 milhões de habitantes não é tomado pelo ar. Esquece quem falou isso não fui eu, nem você, nem o Trump, nem o Macron. Quem falou isso foi o Dan Kan, que é o general comandante do chefe do Estado Maior das Três Forças Americanas.
Eu acho que ele tem poder. E e e de alguma forma o alerta foi exatamente no teu sentido. Vai adiantar destruir tudo.
Os militares de West Point estudam as viabilidades sociológicas do terreno. Quando se isso eles estudam, tá? Eu já tive na mão uma apostila disso.
Imagina que eles só estudam destruir, não. Eles eles fazem uma pergunta: que e como? Uhum.
Né? Uhum. E no para que e no como fica mais ou menos claro aquilo que nós estávamos comentando no início da nossa conversa.
Quanto mais bombardear, quanto mais destruir, mais cola, mais eles se juntam, mais eles se aproximam. É a matéria do financiável. presta atenção, é outra cabeça.
Então, quando você quando você olha para isso, a possibilidade é de que fica muito de que fique muito difícil você efetivamente dominar o Irã apenas pelo exercício bélico. Hum. Ah, então nós vamos tirar o Irã da dessa jogada, separar o Irã dessa jogada.
Hum. Eu vou descrever um outro cenário completamente diferente que vale a pena e vale tudo na tua pergunta, que é uma pergunta absolutamente fundamental. Os Estados Unidos poderiam usar armamento nuclear?
No final de 2019, pré-pandemia, né? Um comandante do a do Pacífico Sul no da do da Marinha americana, um almirante, ele saiu do comando em maio, em dezembro. Ele escreveu: "Quem quiser checa lá que tá lá, né?
no no no é a bimestralidade de novembro e dezembro da Foreign Affa de 19 de 2019, ele publicou um artigo, esse almirante é Harris o nome dele. Agora escapou o primeiro, já eu lembro. Esse esse almirante publicou um artigo dizendo o seguinte: "No atual contexto no atual contexto h você imaginar que nós, tô, ele tá falando em dezembro de 2019, hoje uma batalha no mar do sul da China entre a marinha chinesa e a marinha americana por métodos convencionais, esquece a marinha, a marinha chinesa vai ganhar.
" Isto resultou numa série de análises do da marinha americana toda pensando nisso. É almirante Harry Harris, não é televisão? Exatamente.
Exatamente. Obrigado. Esse esse almirante despertou uma discussão interna nas Forças Armadas Americanas.
Essa discussão provocou um contato dos militares americanos. Atenção a isso, ao longo de 2020, um contato dos militares americanos com os militares chineses para deixar bem claro, sabe o estilo do telefone vermelho que existia entre o Kuchov e o Kennedy? Mais ou menos isso.
Eles criaram uma fonte de comunicação entre os militares. Por quê? A, porque o a opção nuclear foi absolutamente deixada de lado, descartada no contexto porque desapareceria o planeta com a resposta chinesa.
A China já tem poder para esse tipo de coisa. Então, quando a gente olha para isso, você diz assim: "Ah, mas para que que você tá falando isso? " Eu tô falando isso que os militares americanos estudaram um pouco de história ou muito de história e e de certa forma vão olhar pro Trump e falar: "Não vai usar energia nuclear mesmo no Irã".
Você não tem nenhum controle sobre isso? Uhum. Se a gente quiser ver o quanto esse alerta já foi dado, pensa na eficiência da frase do Putin: "O primeiro soldado europeu que pisar na Ucrânia, eu aperto o botão.
" Algum soldado pisou? Nenhum, né? Então, como eu eu penso que a dissuasão nuclear, ela ainda tem uma eficiência, sabe, César?
Uhum. Uhum. Tá.
Para conter os espíritos, né? Como é o exemplo com a Marinha americana, o exemplo do Putin, né? e e outros de que você não avança.
Pra gente ter uma ideia da eficiência desse contato entre os militares chineses e americanos, para ter uma ideia desse eficiência, quando a Nancy Pelose naquela cena dela, Pelos Pelos é outra, né? Ela queria, ela queria palco para ela, ela tava saindo de cena e cismou de visitar a Taiwan sendo presidente da Câmara americana, né, do da Câmara de Representantes. A China reclamou.
China, a situação foi acomodada num contato entre os militares, chineses e americanos. Os chineses fizeram uma manobra, os americanos aproximaram um navio sem atrapalhar e e mantiveram dupla orientação para que não ocorresse nenhum incidente. Em outras palavras, né?
Eh eh os dois lados têm formas de conversar, né? Então eu eu esse é o e é essa mentalidade que eu acho. Olha que coisa maluca.
São os senhores da guerra que freiam a guerra. É isso que eu tô dizendo. Uhum.
Dada a violência que tem, né? Então eu imagino que o alerta que o New York Times fez vindo do próprio Pentágono de que já estava se gastando demais com a você viu isso, né? Na no você comentou, né?
11 bilhões, né televisão 11 bilhões de dólares nos seis primeiros dias. Ele ele dizendo, olha, toma rock custa muito caro, não é para isso, porque não muda nada. Você joga um toma rock lá, destrói a mesquita e eles continuam rezando.
Não desiste, né? Então, de alguma forma, eh, esse alerta vindo do mundo militar é um é um certo controle do que pode ser feito, do que a gente tem para discordinar sobre Irã, que é ter isso, é que é uma área mais grave, é que é território de confrontação, Estados Unidos, China, tudo isso é verdade. Agora, os militares americanos e chineses têm a exata dimensão de que precisam manter a cabeça no lugar.
Ô Trevisã, e aí n uma última pergunta pra gente encerrar contigo. Eh, na medida em que os Estados Unidos não consigam a vitória que eles eh talvez acharam que eles iam conseguir, né, com base no que aconteceu na Venezuela e tal, eles devem buscar um outro objetivo mais fácil para eventualmente conquistar uma vitória. existe a leitura de que talvez Israel se volte pro resbolar, né, porque seria seria um grupo infinitamente mais fácil de se combater do que lutar contra o Irã inteiro.
E nesse contexto a gente se pergunta se os Estados Unidos não vão se voltar pra América Latina, consequentemente pro Brasil, que é o maior país da região. A gente viu recentemente o Alexandre de Moraes autorizar a visita do do enviado trampista Beat, né? Isso.
Para para conversar com Jair Bolsonaro. Aí depois o governo Lula disse que não é a coisa ganhou um outro caráter. Bolsonaro agora tá no hospital com bronco pneumonia.
Mas ao que tudo indica, o processo de ingerência estadunidense no nosso pleito presidencial já começou de uma forma muito agressiva. Como é que se avalia isso? Até onde isso pode ir?
Quais tipos de expedientes podem ser utilizados nesse processo? Trevisando, eu noto duas coisas nesse expediente que me chamou muita atenção, como a você. Os Estados Unidos mudaram o tom.
O, e a, a, o que mais me chamou atenção foi o silêncio da diplomacia brasileira. A diplomacia profissional brasileira ficou de boca fechada sentindo o tamanho do problema. E o único que falou foi o presidente Lula dando um tom para cima.
Você percebeu que ele subiu o tom, né? Ele subiu o tom, né? Ele já tinha subido o tom ao fazer um comentário sobre o Irã na semana passada e agora disse: "Não vou receber esse sujeito".
E e fixou termos. Eu tenho uma desconfiança, eu não tenho nenhum fato para provar isso. Eu tenho uma desconfiança apenas porque outros momentos também ocorreram isso.
Eu tenho uma sensação de que está mais difícil organizar aquela visita do presidente Lula ao salão oval. Não pela visita, não pela agenda, pelo tema, pelo que vai ser tratado. A diplomacia brasileira quer um efetivo controle dos limites, como aconteceu na Malásia.
Lembra que o Trump tinha um controle? A diplomacia brasileira tinha controle do tema. Hum.
Eu acho que o Trump tá numa situação de tensão que nesse momento ele não consegue controlar o tema. E eu acho que o Brasil fez uma escolha. Presidente Trump, presidente Lula, o Brasil fez uma escolha de que com Trump você não precisa ceder, você precisa não ceder muito, porque se você ceder muito, ele vem para cima.
Uhum. Uhum. Então eu eu tenho uma sensação que nós estamos num momento com arestas, mas provavelmente não sou capaz, não tenho nenhuma bola de cristal.
A minha tá totalmente enferrujada, mas provavelmente, né, o Mauro Vieira fará uma visita que nós só vamos ficar sabendo depois que ela aconteceu ao Marco Rúbio, nos próximos dias, provavelmente, né? Porque e aí como foi feito no auge das tarifas, né? Então aí aí uma uma conversa mostrando aos americanos, ao Trump e ao resto a relevância que tem o Brasil no contexto geral, até de defesa do Atlântico Sul para os americanos, a proximidade e tudo mais.
Eu acho que isso é um é um ponto que a gente deve levar em conta, né? Tá tenso. O Brasil fixou seus limites e deixou as arestas aparecerem, né?
porque quer quer fixar limite em relação a Trump e não ceder demais, né? Eh, o meu maior medo, eu pensei até que você ia comentar sobre isso, o meu maior medo se para manter as manchetes fora da crise financeira, da crise da inflação nos Estados Unidos, se o Irã não se prestar mais a isso, o meu maior medo é que isso seja dirigido à pobre Cuba, né? Porque Cuba está numa situação bastante difícil, né?
Ela não, ela não tem petróleo, né? Nós já falamos disso várias vezes. A, a invasão, entre aspas, da Venezuela foi exatamente para cortar petróleo de Cuba, porque aí tá em jogo a cena política interna americana com as pretensões do Marco Rúbio, com o fato de que não me pergunte por que eu não consigo saber, né?
Porque que o imigrante latino nos Estados Unidos vota à direita? Não, não me pergunte porquê, né? Mas ele vota, né?
Ele uma Se hoje os Estados Unidos conseguirem, entre aspas, colapsar a Cuba, esse imigrante vai ser um voto certo em Trump. Eu eu não entendo porquê, mas o fato real é que isso é uma as pesquisas indicam isso, gerem isso e tudo mais. O Marco Rúbio acho que aposta nisso tanto para novembro como para se catapultar.
Ele pretende, né, ao candidato preferencial de Trump na sucessão. Ele pretende esse esse essa esse salto, né? tá fazendo tudo isso nessa direção.
Então, é bastante provável que se o Irã sair de cena, lamentavelmente Cuba ocupe o espaço. É muito chato. Eu eu ficaria bastante triste com isso, mas o fato real é que isso pode acontecer sim.
Travisão, obrigado, genial, como sempre, obrigado por pelo teu tempo, pela tua humildade, pela eloquência, pelo teu conhecimento e e sigamos. De fato, não é? Sigamos, meu amigo.
Sigamos, César. Nós temos que nada mais garantir o nosso posto de observador. A gente observa, observa e observa.
É o melhor a fazer. É, é, é, é, é, é o melhor e a única coisa a fazer. Eu acho que é o melhor pra gente fazer mesmo.
Muito obrigado. Abraço para vocês. E, ó, tchau.
Tchau, gente. Ótima conversa. Ótima conversa.
Boa, boa, boa troca de ideia. Um abração, um beijo. Tchau, gente.