Eu gostaria que falasse sobre o quê o espiritismo diz sobre os transgêneros. Grata! Muito bem, os transgêneros são todas as pessoas que tomam a decisão de inverter o gênero em que nasceram.
Então, a pessoa nasceu na condição do sexo masculino e decide uma mudança para o sexo feminino e vice-versa. Esses seriam os transgêneros. O que o espiritismo tem a colocar sobre isso?
A gente muitas vezes observa muito essa questão como se isso fosse uma perda da encarnação, como se isso fossem os únicos erros que o ser humano pudesse cometer no processo reencarnatório. Essa é a mesma coisa que acontece quando a gente lê o evangelho e diz que havia uma mulher, uma pecadora, uma mulher de uma vida, uma prostituta. Nós temos uma tendência muito grande de colocar o sexo como sendo um problema terrível para a humanidade, como se isso fosse a cruz mais pesada que o ser humano pudesse carregar.
Mas nós nos equivocamos no processo reencarnatório em diversas áreas. E se eu disser, por exemplo, que ninguém renasceu para separar as pessoas? Junto, aí meu Deus, e agora?
Pois é, segundo aquilo que o planejamento reencarnatório nos aponta, a gente não renasceu para uma separação. Não é separar. Mas o que eu vou fazer?
Eu apanho. Então, o que você quer fazer? Se você está em uma circunstância que você vê como um baú maior, você vai para o mal menor.
Esse é o de você ser morto, ser mutilado, viver uma vida de opressão. É mais vantajoso que a gente faça uma separação do que você enfrentar um relacionamento conjugal extremamente tóxico, como acontece em muitas circunstâncias. Então, a gente às vezes erra quando cometemos um crime, assaltamos, matamos, abandonamos filhos, tomamos decisões que não estão inseridas na questão do amor ao próximo.
Todas essas são situações que nos fazem sair de um planejamento inicial colocado. Mas isso não significa dizer que a encarnação está perdida. Às vezes, eu me programei para casar com A e acabei engravidando de B, mas não era o previsto.
E aí vou ter uma história com esse bebê quando, na verdade, a minha programação era o mar. Quando aparece, estou envolvido com essa pessoa. Então, você tem muitos dramas que a existência possui; isso é muito doloroso.
Mas nenhum deles significa dizer que se você pegou uma rota aqui que não era a original, você está perdido. Nosso planejamento espiritual é parecido com o GPS do carro. Quando você traça a rota, o GPS te dá o caminho que é o melhor caminho: casar com fulano, ter essa profissão, fazer isso.
Esse é o melhor caminho. Mas quando a gente vai andando na trilha com o GPS ligado, a gente perde uma curva, perde uma entrada, esquece de entrar no viaduto. O que o GPS faz?
Ele vai alterar o destino. O destino vai ser sempre o mesmo: a felicidade. Mas ele programa a rota.
A rota será melhor. Não, a rota será sempre a biópsia. Essa sempre mais longa porque a rota ideal era aquela; era a rota mais curta.
Você perdeu a entrada, então ele vai reprogramar. Você vai ter um tempo maior, mas vai chegar ao mesmo destino. No caso específico da questão da sexualidade, o maior problema que a gente pode ter é a promiscuidade.
A promiscuidade pode ser heterossexual, homossexual ou transgênera, mas a promiscuidade é o problema mais complicado, que para resolver demora mais tempo. Agora, muitos de nós, quando enfrentamos um retorno para a vida física, assim como a gente não se adapta com uma família, profissão ou cidade em que nasceu, não nos adaptamos a uma série de circunstâncias externas a nós. Também podemos não nos adaptar em relação ao corpo.
Não aceito o corpo que eu tenho, faço uma plástica, tenho um nariz horrível, vou mexer no meu nariz. Então nós temos essa dificuldade de corrigir e isso que acontece não é negativo. É positivo para que a pessoa possa se aceitar melhor.
Existem circunstâncias em que o indivíduo não aceita a sexualidade que ele traz. E aí ele vem, ele não se ajusta e não se organiza de maneira psicológica no corpo que ele recebe. Muitos dos companheiros tomam a decisão de alterar sua sexualidade, e essa programação não seria a programação de princípio.
Uma vez que eu nasci em um determinado corpo, o esperado era que a gente caminhasse dentro dessa perspectiva. Mas quando a gente não aceita, a gente reprograma o GPS e pega outro para nós. E agora?
Agora peguei outro caminho, mas eu perdi minha encarnação. Não, você vai fazer uma outra história. Só que assim, todas as provas que a gente foge são provas que voltarão amanhã.
Então se a gente toma uma decisão dessa, o indicativo é que essa experiência se repete. Porque como a gente desistiu da prova, ela vai voltar amanhã em outra circunstância. Mas a gente viverá outras experiências.
De repente, se eu seguisse naquele caminho, eu teria um conjunto de experiências. Eu peguei outra rota e vou ter outro conjunto de experiências. Aí eu morava no Nordeste, saí do Nordeste e fui para o Sudeste.
Eu tenho outras experiências. Eu não vou até lá. Então, aqui eu tenho um jeito e cresço de outro.
Quando eu tomo decisões, eu vou alterando meu planejamento espiritual e aquilo do que eu fujo é um indicativo de que retornará a mim. Mas nós não podemos, a pretexto de olhar esse fenômeno por essa via, entender que esta pessoa é um pervertido, um desequilibrado do ponto de vista de ser uma pessoa execrada pela ótica espiritual. E por que isso não é o indicativo?
Às vezes, é mal uma que sofre uma como instituição muito grande em função do corpo que ela recebeu. Ela não está conseguindo lidar com isso e está fazendo uma opção que, às vezes, é criticada por pessoas que estão em piores condições que ela e que não mudaram de sexo. São pessoas promissoras que se prostituem, que têm uma série de práticas profundamente equivocadas na área da afetividade, que, se forem comparar com o outro que diz: "Não, eu quero ter alguém para viver comigo, eu quero viver uma vida com outra pessoa", é muito mais harmônico do que o processo de promiscuidade que a gente possa viver.
Sendo que, volto a dizer, a experiência desisti dela; ela provavelmente deverá retornar para um novo aprendizado. Faz parte do nosso crescimento e, por fim, só para encerrar, eu sugiro a leitura do Capítulo 26 do livro "Vida e Sexo", "À Margem do Sexo". É o último capítulo do livro e em que manda uma análise ao fato de que nenhum de nós, mas nenhum de nós mesmo, tem autoridade menor que seja para criticar o que quer que seja, a conduta sexual de quem quer que seja.
Nós somos almas comprometidas na área da sexualidade e não temos a menor autoridade para levantar a voz criticando a conduta de outras pessoas. Porque, segundo o demônio ao serviço do amor, nenhum de nós escapou. Portanto, ele, Jesus, escolheu essa área para ser aquela que ele deixou a sua lição mais importante em termos de misericórdia, que é o caso da mulher adúltera, em que ele disse: "Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.
" Todos nós temos conflitos na área da sexualidade; uns maiores, outros menores. Portanto, nenhum de nós tem autoridade para a precisão de quem quer que seja. Nós entendemos o que acontece; fazemos a leitura do ponto de vista técnico daquele que seja um fenômeno, mas nunca devemos olhar para alguém e dizer: "Essa é uma alma perturbada; esse é um espírito desequilibrado", porque eu não sei os porões tenebrosos onde existem dragões horríveis da minha área da afetividade.
Se eu não tivesse a educação que tive ou se eu vivesse numa sociedade isolada, o que sairia de dentro de mim se eu vivesse em um lugar diferente do seu?