Como a menina falou, Deus me livre de CCLT, eu quero ser autônoma. Ninguém nunca viu americanos tentando entrar no país, no Brasil, ilegalmente para ter CLT. Mas tem um monte de brasileiro querendo entrar nos Estados Unidos, onde não há nenhuma proteção ao trabalho.
Muitos desses jovens que agora não querem ser CLT, eles se vem como uma espécie de revolucionários. E uma das coisas que matou o sistema econômico socialista soviético foi justamente o fato de que não importa o quanto você trabalhava, você ganhava todos a mesma coisa. A segurança amarra minha vida, faz eu engolir sapo em troca da ideia de que eu terei uma vida segura na empresa, quando hoje todo mundo sabe que não exatamente assim: Tua empresa pode ser comprada, demite um monte de gente.
>> Ao longo dos últimos anos, jovens têm apresentado uma certa revolta contra a CLT. O tão desejado emprego de carteira assinada virou sinônimo de fracasso. Que pode explicar essa versão a CLT?
>> Olha, acho que são muitas questões juntas. Primeiro, uma questão de moda nas redes, né, de viralizar gente falando que não estudou, nunca teve carteira sem nada e tá muito feliz, ganhando dinheiro. Isso acaba criando uma espécie de modelo.
Mas acho que há elementos mais amplos. Primeiro, um sentimento de que ah você subir na carreira numa empresa é muito difícil. Os salários estão achatados, como de fato estão.
Os jovens olham para isso e tem impressão que você vai conseguir ganhar algum dinheiro quando tiver 120 anos. Ao lado disso, você tem toda uma gama de trabalhos que você pode ter, serviços que você pode prestar, principalmente depois da pandemia, em que o mundo digital surgiu como um novo universo de relação com o trabalho. E, portanto, eu acho que no mínimo você tem esses três fatores agindo, mas sem dúvida nenhuma é uma dessas bodas da das redes sociais.
>> Falou das redes sociais, né? Tem exemplos lá de frases como se tudo der errado, eu viro CLT ou então sai para lá o CLT palavrão, né? Vira.
>> É como xingamento, né? >> É. Então eu acho que tem também uma coisa, tipo assim, o CLT é como se ele fosse careta, né?
Tipo gente que paga boleto >> por seguir regras assim nesse sentido. >> Regras, ter chefe, hierarquia, tipo assim, Andresa, ficar sonhando com o FGTS que virá depois de 80 anos, certo? Ah, você está sempre a mercê dentro de hierarquia de chefes às vezes abusivos que tem muito por aí, situações estressantes.
E é normal que as pessoas, inclusive os jovens, sonhem como uma situação de trabalho em que ele não precisa esperar tanto para conseguir ter retorno, entendeu? Mesmo que há um grau de ilusão nisso, em alguns casos, isso pode acontecer. >> É isso que eu ia perguntar.
Qual o tamanho desse há esse grau de ilusão, né? É, há um grau de ilusão enorme, como há em tudo. Ah, na empresa, no mundo corporativo, só alguns de fato atingem o topo do percurso, né?
E nesse âmbito da liberdade, digamos, em que todo mundo é empreendedor de si mesmo, como se fala, você tem muita ilusão, mas sem dúvida nenhuma tem pessoas que conseguem avançar sozinhos e criar negócios e ter bons resultados. E há uma coisa na no trabalho, quando você não tem chefe, que eu escuto de muita gente que tem essa experiência, que é assim: "Se um dia eu não quiser trabalhar, eu não vou. Se eu não quiser trabalhar, eu não vou, eu vou arcar".
Na realidade é é uma função, uma função não, é uma condição que demanda uma enorme maturidade. >> A CLT foi criada durante o Estado Novo com propósito de garantir direitos até então inexistentes e mesmo usada por Getúlio Vargas como instrumento político, ela se tornou um símbolo de estabilidade e dignidade. >> Não, sem dúv nenhum o histórico é muito claro.
Quando você fala da industrialização e, digamos assim, a migração crescente da população rural para pro mundo industrial, a CLT ela cumpriu uma vocação que era muito típica nessa época, inclusive na Europa, de você criar a proteção para trabalhador na medida em que às vezes mal sabia ler, mal sabia escrever, não entendia nada do que tava acontecendo na vida dele. Então, a CLT servia para você criar algum tipo de parâmetro para que a exploração não fosse tão enorme. Tanto é que no pequeno documentário que a gente viu, aparece o tempo inteiro a mão assim, né?
Essa mão é a mão do movimento socialista, né? Assim como também foi do fascista, né? Essa ideia de unidos venceremos.
Há um caráter defesa do trabalho no mundo fascista muito grande também. Movimento de trabalhadores, os trabalhadores apoiavam isso. Então eu entendo que naquele momento, sem dúvida nenhuma, foi importante.
Até hoje ela tem uma função, principalmente quando você pensa em trabalhos que são muito precarizados, né? Agora, como tudo na vida, há ambivalências. A pergunta final, muita gente sente que o trabalho da CLT, primeiro para quem emprega, o trabalhador custa o dobro, sei lá, mais ou menos assim, né?
Isso faz com que o empregador pense 10 vezes antes de contratar alguém. Então isso sem dúvida nenhuma, impõe amarras. Veja bem, ninguém nunca viu americanos tentando entrar no país, no Brasil ilegalmente para ter CLT.
Masve ter um monte de brasileiro querendo entrar nos Estados Unidos onde não há nenhuma proteção ao trabalho, certo? Então a relação não é tão evidente assim, porque o que a gente sabe é que quando você protege demais o trabalho, você amarra a economia. Essa é uma coisa que nunca tem solução.
>> Agora a gente vê hoje assim um mercado muito marcado por individualismo, por competição. Aí nesse sentido, essa proteção coletiva também perde força? perde, acho que perde, perde todo que tem um caráter coletivo, digamos assim.
E é interessante, Andesa, porque mesmo no âmbito da esquerda, tá, onde normalmente se associa a CLT, apesar que na origem não era exatamente isso, mesmo no âmbito da esquerda, os historiadores da esquerda reconhecem que a esquerda perdeu a força coletiva e se tornou um tanto movimento individual ou de grupos específicos. Então, sim, o mundo mais individualizado, mais voltado para interesses eh individuais de de pessoa, sua carreira, a CLT tende a perder fôlego, porque o o a pessoa acaba eh no final do dia, em nome de um direito trabalhista que ele tem, na verdade, ele tem menos força de conseguir fazer a sua própria vida e correr atrás das suas próprias vantagens, entre ser empregada no salão de beleza como manicure, ah, que de repente nem existe mais. Ela prefere ser uma empreendedora de esmaltes e cílios, como tem por aí hoje.
É o ambiente corporativo de trabalho que faz com que pessoas escolham não ir para esse universo, né? E sei lá, ser empreendedor de mobilidade, dirigir Uber, tipo assim, né? eu ser o empreendedor de mim mesmo e assim eu escolho quantas horas eu quero trabalhar.
Isso tá muito no universo dessas pessoas que optam por isso. O fato é que esse âmbito de trabalho sem CLT é o âmbito onde o capitalismo se sente melhor, porque ele produz riqueza, porque você trabalha feito um louco, você tá o tempo inteiro, você não pode descansar, né? Agora, em certos ambientes de trabalho hoje em dia, de empresas, isso também acontece.
Por quê? Porque de repente você tem o profissional A e o profissional B. O profissional A ele aceita trabalhar muito mais para além do que ele seria obrigado, digamos assim, do que o B.
Resultado, a empresa prefere o A, porque o B é visto como alguém que, tipo, na metáfora que se fala nos Estados Unidos, quando chega a 5 horas larga a caneta. Então esse esse problema ele tem a ver com o indivíduo, ele tem a ver com novas gerações que são muito digitais e que tem sim uma utopia de ser dono do seu próprio negócio >> do imediatismo também dessa questão assim, é, não vou esperar para crescer na empresa, não tô gostando, não vou ter paciência, ponto acabou, parto para outra. >> É porque inclusive as empresas não são necessariamente confiáveis, né?
Inclusive hoje, né? Você, por exemplo, você pode acreditar que você investir numa empresa e você vai fazer carreira lá. Não necessariamente.
Talvez quando você chegar lá pelos 37, 41, ó, tchau é bção. Dependendo do negócio no qual você tá inserido, né? Então eu acho que há de fato uma tendência.
Bom, isso foi apontado pelo Balman no começo do século XX. Zeg Balman, o sociólogo, há uma tendência de se abrir mão de segurança em nome de liberdade. Entendeu?
como fator. Então, a segurança amarra minha vida, faz eu engolir sapo em troca da ideia de que eu terei uma vida segura na empresa, quando hoje todo mundo sabe que não é exatamente assim. Então, a empresa pode ser comprada e aí vem a nova empresa, desmantela tudo, demite um monte de gente, né?
E aí o sujeito pensa: "Não, eu vou ser livre, vou trabalhar como eu quero". Mas é evidente, se ele ficar doente, ele tá lascado. >> O linhas foi às ruas saber o que a CLT representa para diversos trabalhadores brasileiros, desde motoboys até os que estão no mundo corporativo.
Faz vantagens e desvantagens. >> Você gosta de trabalhar como autônomo? Ah, no caso, autônomo não é uma oportunidade que você tem quando você não encontra um CLT, um serviço registrado e autônomo, a gente consegue com a bicicleta, com uma bike elétrica, sempre tem um jeitinho de poder pagar as contas e se manter de pé no dia a dia.
>> Trabalho como autônoma. Eu trabalho como motoboy tem um mês e meio mais ou menos. E eu gosto muito, na verdade eu sou autônoma há uns do anos mais ou menos que eu Ai gente, CLT não dá para mim.
Você gosta de trabalhar com carteira Senada? >> Gosto. É o que paga as contas, é o que eu consigo levar sustento paraa minha família.
Então eu sou muito grato assim com isso. É óbvio que nem tudo são flores, né? Não são não tem tantos benefícios assim, mas eu acredito que você que é melhor do que trabalhar de forma autônoma hoje no hoje no Brasil.
>> É uma garantia. Você tem você sempre vai ter um valor fixo ali no final do mês. Se caso aconteça, se você sair, você tem aquele valor de FGTS e tudo mais.
Quais são as vantagens, as desvantagens de trabalhar como autônomo? >> O bom é a liberdade, né, de querendo não de escolha, né, de tempo, você ter oportunidade de estudar, ter tempo de livre arbítrio, de escolher sua hora de carga horária, quea não ajuda. >> E se hoje você tivesse a oportunidade de trabalhar com carteira assinada, você trabalharia?
>> Bom, já tive algumas propostas, né? Eu sou formado em logística e tenho pós-graduação e também sei falar inglês. Então, já tive umas propostas razoavelmente, eu não aceitei por ganhar menos.
Gente, não sinto falta nenhuma de CC CLT e eu não pretendo voltar. Eu quero muito, não vou ser motoboy para sempre, né? Quero muito abrir minha empresa.
>> Esse é um universo sociologicamente muito claro, né? Assim, primeiro a gente tem que pensar que não necessariamente é uma disputa que a sociedade não comporte as duas formas de trabalho, entende? Não é necessariamente uma disputa.
Pode ter pessoas que preferem, como como mostrou aqui, pessoas que entendem que é bom ter uma garantia. Um deles falou: "Tem um FGTS, né? Eh, então preferem a CLT e tem algumas outras pessoas que não preferem".
Então o que eu quero dizer é o seguinte, apesar das redes sociais, muita gente fica tirando sarro, não há que polarizar esse assunto, >> porque tem a ver com o perfil da pessoa também, né? >> Exatamente. É perfil, a história dela, as experiências que ela teve.
Uma pessoa que escolhe CLT, normalmente ela tá escolhendo uma forma de segurança, né, que é a ideia do negócio, né? Uma pessoa que, como a menina falou, Deus me livre de CCLT, eu quero ser autônoma, né? Ela tá olhando a vida como alguma coisa que deve se desdobrar a partir do esforço único dela, porque tem uma característica também no trabalho autônomo, né?
Ou seja, liberdade ve segurança. Voltando a história do Balman, no trabalho da liberdade, é que muitas vezes as pessoas sentem que o que elas vão ganhar é fruto do esforço delas. Quando você trabalha numa empresa, tudo bem que você tem um salário, né?
Mas muito do que você faz não é exatamente fruto do seu esforço. Você pode se esforçar e no final nem por isso você ganha mais do que um sujeito que não faz nada, entende? Então, de um lado, eu acho que o perfil que você falou é muito importante nisso daí e a história.
De repente você vê seu pai, sua mãe trabalhou a vida inteira e ganhou mal e não teve oportunidade, o seguro saúde era péssimo. E a o jovem, porque a gente tem que lembrar que o jovem é alguém que tá cheio de hormônio, tem vários anos de vida pela frente, é mais impossível, ele olha impulsivo, não impossível, ele olha pra vida, ele diz: "Eu vou conquistar esse negócio". É explodão da história.
Pode ser que o filho tenha olhado pros pais e eles foram se al e foi uma vida dura ou então foi a forma que eles encontraram de comprar a casa própria? >> Sim, porque eles tiveram salário fixo. Só que o autônomo ele acredita, veja a menina de novo, eu não vou ser motoboy a vida inteira, né?
Eu pretendo um dia ter a minha empresa. Então, a a eu o que eu acho importante nessa história é entender que isso não significa uma polarização dentro do país. Você pode ter pessoas que só falta essa, né?
Você pode ter pessoas que t um temperamento mais autônomo, que querem construir sua vida a partir do seu trabalho. Um dia não quer trabalhar, um deles falou: "Eu sou livre, eu escolho". E você pode ter pessoas que ingressam na carreira da CLT e tudo bem.
Agora, entre esses aí que tm essa desconfiança em relação à CLT, isso pode ter relação também com o ceticismo em relação à sociedade? >> Eu acho que sim. Eu acho que sim.
Sabe porque esse ceticismo que você falou em relação à sociedade, ele tá muito presente, ele é um dos componentes que constrói a noção liberal, que essa moçada tá dentro da posição liberal, né? Em termos de política e economia. H a um ceticismo de que a sociedade muitas vezes te amarra, não é muito confiável, a empresa não é muito confiável, então tem sim.
E esse ceticismo que ele tá ele tá enraizado na posição liberal que sempre olha pro estado, pra instituição, hum, né? Vou ter que engolir muito sapo, vai mandar na minha vida, as pessoas não são de confiança, então eu prefiro confiar em mim, naquilo que eu sou capaz de fazer. Tente sim.
A promessa de estabilidade proposta pelo regime CLT parece distante. E para muitos jovens, ficar preso a um chefe, obedecer ordens ou aceitar rotina fixa soa como falta de liberdade. É uma característica da geração Zondé.
>> Eu acho que é, né? E assim, eh, é muito comum se apontar na geração Z com todos os cuidados para esse conceito de geração e tudo mais, mas assim, é meio, digamos assim, generalizador demais, mas é uma característica, tipo não ter paciência para esperar os resultados, ah, olhar com desconfiança o fato de que a avaliação do resultado do que você faz tá na mão de outro, certo? você tem que passar por um, digamos assim, por uma hierarquia de opiniões e avaliações, né?
A o o desejo de tá fazendo uma coisa aqui, mas querer fazer outra coisa lá, certo? por tanto de pegar três frilas ao mesmo tempo. Isso tudo tá dentro de uma ideia de networking, né, enorme, né, de que o o a a própria vida dentro da rede vai gerando trabalho, gerando oportunidade.
E isso, me parece muito ao encontro de muita coisa que se fala do jovem da geração Z. Então, e muita gente aplaude, tipo, jovens da geração Z buscam formas de vidas afetivas que não levam em conta a norma tradicional. Por exemplo, é assim, o jovem da geração Z não aceita a autoridade pela simples autoridade.
Isso é uma discussão da filosofia do século X7, tá? Mas tudo bem, agora aparece isso. Quer dizer, por que que eu tenho que aceitar a autoridade simplesmente que é autoridade, né?
E isso tudo é muito aplaudido muitas vezes. Por isso que eu vejo como uma coisa um tanto harmônica, é uma coisa que tá ligada com a outra. Quer dizer, tem tudo a ver com esse comportamento que se identifica em muitos jovens e se identifica como busca de liberdade.
E como eu disse, muito bem, eles estão procurando liberdade. O que que significa liberdade na relação capital trabalho? Eu não quero patrão.
Muitas das pessoas que aplaudem esse comportamento da geração Z querendo liberdade, não aplaudem aqui do lado da economia, entendeu? Mas são as contradições da vida. Agora, as redes quando elas vendem esse discurso aí da CLT como algo antiquado, isso convence os jovens que pensam, tem essa rejeição pelo passado?
>> Há uma ideia de que assim, por que que eu tenho que respeitar o que se fazia antes, do jeito que se fazia antes, né? Por que que não pode ser revolucionário? Muitos desses jovens que agora não querem ser CLT, eles se vem como uma espécie de revolucionários, entende?
Por isso que se fala de revolução liberal popular no país. Eles se vem como revolucionários. Não, eu vou pra vida com o que eu sei fazer.
E aí eles vêm casos de pessoas que deram certo fazendo isso, entendeu? E aí, claro que as redes sociais influencia, porque as redes sociais influencia tudo, até p, >> mas o que não dá certo também tá nas redes sociais? >> Provavelmente não, né?
ou tá mentindo, que é muito comum, provavelmente não tá, porque normalmente você só faz propaganda daquilo que dá certo. Na CLT, não importa o quanto você trabalha, você ganha a mesma coisa. Porque a gente sabe que uma das características do enriquecimento dentro do modelo capitalista é a ideia de que se eu trabalho mais, eu ganho mais, né?
E uma das coisas que matou o sistema econômico, socialista soviético foi justamente o fato de que não importa o quanto você trabalhava, se ganhava todos a mesma coisa. Então, me parece que de novo é possível. São dois dois objetivos de vida, assim como também você pode trabalhar se ele ter um certo momento, juntar uma grana, como todo mundo faz, e virar autônomo.
Ou numa situação um pouco mais dramática, você pode chegar aos 45, 49 anos de idade, CLT, a empresa dá um pé em você, como acontece, você pega sua grana e você vai virar autônomo, né? Porque você não vai conseguir emprego mais em lugar nenhum por causa da tua idade, certo? E aí se você juntou uma grana, aí o FGTS pode fazer uma diferença.
Você pega a grana, abre o negócio para você. Então há lugar pros dois modelos dentro da sociedade. >> O sociólogo Ricardo Antunes no livro O privilégio da servidão, escreveu: "O trabalhador de aplicativo é o símbolo da servidão moderna.
Acredita-se livre porque não tem patrão, mas é comandado por um algoritmo. Onde é? É, ele é comandado pelo algoritmo porque na realidade primeiro tem que ter, ele tem que ter, ele tem avaliação, certo?
Tem avaliação, né? Ele depende do da área do que ele tá entregando, certo? Depende da empresa para a qual ele pr porque ele tá prestando serviço para uma empresa, apesar de que ele é autônomo, né?
E a a grande crítica que se faz a esse tipo de exercício é que ele tem que produzir o tempo inteiro. Se por um lado ele não trabalha se ele quiser, pelo outro lado ele não ganha nada se ele não trabalhar. Então o que na CT em tese também não seria, mas ele tem alguns direitos.
Mas ele tem que trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar e o exercício dele vai ser avaliado por algoritmos mesmo. >> Igrejas pentecostais também incentivam esse empreender, inclusive por meio de palestras motivacionais. Quem tem fé, trabalha duro, prospera.
É papel da igreja apresentar esse caminho aí pro fiel. >> Olha, a igreja tem inúmeros papéis, né? Ela é uma instituição social que agrega pessoas, tem culturas internas, né?
Então, assim como na Igreja Católica, você tem um em muitas igrejas um viés que vai mais no sentido do coletivo, né? Inclusive na história do Brasil, as comunidades eclesias de base, há, sem dúvida nenhuma, um viés próoliberal, digamos assim, nas igrejas pentecostais, inclusive uma espécie de liberalismo popular. O liberalismo individualista, ele costuma gerar muita riqueza historicamente.
Tanto é que um cara chamado Max Weber relacionou o espírito do capitalismo justamente ao protestantismo. E por outro lado, Andresa, tem aí uma questão de fundo, digamos assim, de cauda longa, como se fala. que é o fato de que a ideia de que se você trabalha muito, se você se esforça, aquilo que no protestantismo se chama redenção intramundana, você se salva pelo esforço, pela dedicação, pela concentração.
Você não fica pedindo para cima, você vai, você trabalha. E se você teve resultado, isso pode ser indicativo de que você é um predestinado, que você pode ter a graça, certo? que você tá na companhia do Espírito Santo e aí, portanto, retroalimenta a sua fé.
E não se fala por aí que quem tem fé vai mais longe, mesmo que não seja religiosa? E a gente tem que levar em conta, como você me perguntava logo no começo da nossa conversa hoje, a mudança das ferramentas de trabalho tendem a pressionar a CLT, porque a a a as mudanças digitais criam chances de você fazer coisas por si mesmo, muitas vezes. Mas sem dúvida nenhuma, eu acho que a gente tem que entender que faz parte da cabeça desses jovens.
a ideia de que eles vão poder ter uma vida diferente, assim como eles vão ter relações afetivas diferentes, assim como eles vão ter posturas políticas diferentes, assim eles querem ter uma relação com trabalho diferente. E eu acho que é uma onda que veio para ficar. >> O liberalismo promete liberdade, mas quem garante aposentadoria digna?
>> Olha, eu acho que tem duas formas, né? O liberalismo ele pode garantir a aposentadoria digna se você trabalhar muito e dê sorte para juntar dinheiro. Eu quero dizer quando você não trabalhar mais.
A ideia é de que num sistema mais protegido em termos de leis trabalhistas ou o que for, você poderá ter uma aposentadoria mais segura. Agora veja, assim como grande parte das pessoas que vão pelo liberalismo não conseguem, um país como o Brasil, que tem muita proteção de leis trabalhistas, os aposentados são lascados, não tem nenhuma proteção. No.