Narrativas Compartilhadas tem o prazer de trazer hoje para nós conversarmos um pouco, com muito prazer, né? O João Paulo Ergueszel, ou Gesel, né, Paulo? Quem é?
Tem que instalar! Eu lembro que eu via na universidade, mas depois eu vi você falando "Legezel". O João Paulo é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguagens, Mídia e Arte da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Ele foi nosso aluno no curso de Letras da Universidade de Sorocaba e tem toda uma história aí até chegar naquilo que ele está hoje, né? Como doutor em Comunicação pela Universidade do Anhembi Morumbi, mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba, licenciado em Letras Português e Inglês pela Universidade de Sorocaba. De 2019 a 2020, realizou estágio de pós-doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Uniso, ampliando sua formação acadêmica com cursos de segunda licenciatura e especialização.
É membro do grupo de pesquisa "Entre Discursos, Sujeito e Linguagens" da PUC de Campinas e mantém parceria com os grupos de pesquisa "Inovações e Rupturas na Ficção Televisiva" e "Narrativas Midiáticas". O Niso e CNPq são vinculados à Rede Brasileira de Pesquisadores em Ficção Televisiva, à Rede Ibero-Americana de Investigação em Narrativas Audiovisuais e à Rede de Pesquisa em Comunicação e Infâncias e Adolescências. É sócio da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação, da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual e da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil.
Desde 2021, ele coordena o Grupo de Estudos Interdisciplinares de Televisão no Congresso Internacional Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais, promovido pela Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação Interdisciplinares e Sociais. Publicou artigos em periódicos científicos de alto e médio impacto, como "Comunicação e Educação", "Comunicação e Inovação", "Comunicação e Sociedade", "Contracampo", "Em Texto", e "Revista da A Like", entre outros. É autor dos livros acadêmicos "Até Lipo: Ética nas Produções do SBT", "Mídia Narrativa", "Estilo: Narrativas Midiáticas Infantis e Juvenis", entre outros.
Recebeu prêmios como Menção Rosa no Segundo Congresso Brasileiro Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Menção Honrosa no Primeiro Congresso Brasileiro Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Premiação por Orientação de Mestrado da PUC Campinas, Indicação ao Prêmio Luiz Beltrão na categoria Líder Emergente pela Intercom, entre outros. É membro correspondente de Academias de Letras em variadas regiões do país no segmento artístico. Escolheu livros literários de roteiros para audiovisual, recebendo prêmios como reconhecimento pelo histórico de realizações em literatura pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Prêmio Barco a Vapor, Desafio dos Escritores da Câmara dos Deputados, Concurso Monteiro Lobato de Contos Infantis pelo Sesc do Distrito Federal, Prêmio Ganimedes José de Literatura Infantil, entre outros.
Dedica-se à pesquisa interdisciplinar sobre narrativas e estilos, especialmente em produtos literários e audiovisuais, e à produção literária, sobretudo no segmento infanto-juvenil. Atualmente, desenvolve projetos no campo dos estudos televisivos. Ora!
O João tem atualmente 30 anos e já publicou 32 livros. Quer dizer, um poema não dá, porque não dá para ele escrever um ano de idade e menos ainda, né? Mas depois ele vai nos contar tudo isso.
Dentro deles, acho que em torno de 23, aquele "Estilista Cibernético" foi o TCC, né? O trabalho de conclusão de curso de graduação de Letras, orientação nosso querido professor Luiz Fernando Gomes. Depois também teve "Estilista".
Então, porque aplicada websérie o estilo SBT de comunicar, Mídia Narrativa, Estilo, Literatura, Cinema, Videoclipe, Telejornal, com a nossa querida também professora Miriam Cris Carlos, que foi a sua orientadora no mestrado, né? Brilhante professora também. Narrativas Midiáticas Infantis já falei.
Aí eu tenho os livros da principal Literatura Infantil, depois tenho "Anilina Zig Zag". Desirée, me diverti muito com ele! Aproveita, Julieta!
São poemas e coisas que quero ler alguns para vocês conhecerem um pouco da linguagem do João Paulo. "A Vaca Presepeira", quer dizer, na infância ele teve uma vaca de papelão à qual deu o nome de Jerimunda. E olha o nome, Jerimunda!
Rogério imunda, batendo o jogo de palavras que vai dando. . .
Por isso que eu entendo um pouquinho que a editora dele é um jogo de palavras, né? Esse jogo em palavras é o que ele costuma fazer muito dentro dos livros, e assim como ele se diverte fazendo isso, nós, como leitores, nos divertimos demais, demais mesmo! Com tudo isso, revolta dizer um perfume chamado "Dr".
Quem disse que não te entendo pode beijar a noiva! Beijos de chocolate branco, um gato caolho com rabo comprido, criaturas de linguagem, nectarinas, espinafres e girafados pelo amor de da parafina. Esse "Girafados", eu acabei lendo, sabe onde?
Em "Girafados", eu li. Eu estava numa clínica, né? Para quem não conhece, eu estava numa clínica lendo.
Levei e falei: "Deixa eu aproveitar esse livro! " E aí, eu comecei a dar risada, e o pessoal não entendia; estava dando risada sozinho. Aí, depois que eu percebi que eu estava dando risada toda hora, eu ria e não adiantava eu rir.
Aí, depois que o pessoal percebeu, né, que eu estava rindo, e eu percebi que eles estavam me vendo e olhando, eu falei: "Não estou nem aí! Continue, continue! " E esse aqui também me diverti demais, adorei!
Inclusive a ilustração dele tá linda, né? E aí, você vai contar depois um pouco para nós, né, essa questão da ilustração e os projetos de ilustração que você fez com mais pessoas, inclusive, pelo que eu sei um pouco, né? Eu não sei se é isso ou em geral faz.
Você fez com alguns alunos, né, da PUC mesmo? Não foram lá porque foram de outras instituições, mas vai contar! É bom, aos oito anos, o João já escrevia seus primeiros versos rimados e, a partir disso, passou a escrever crônicas, contos, publicar em jornais e participar também de concursos, ganhando várias classificações, sim, outros, né?
E eu vou fazer o seguinte: senão, vou começar só eu a falar! Então, eu vou fazer assim, eu vou agora passar para o João. Começar a contar um pouco dessa história toda de vida dele e, depois disso, eu vou dando umas entradas, né?
Mas antes de qualquer coisa, olha, eu tenho aqui mais ao meu lado. Não localizei todos agora, porque eu tô fazendo uma troca aqui em casa. Então é estilística cibernética, né?
Anilina! E também tem aqui a vaca presepeira. Aproveita, Julieta!
Depois eu vou falar para vocês por que tem esse nome. Pode contar, Ju! Fica à vontade.
Ai, a chuva. . .
Delícia! Eu ri muito bem também. Bom, João, vai lá!
Conta para nós um pouquinho agora da sua história, dessa formação sua, né? Onde nasceu, onde você fez a sua escola, os primeiros anos, a sequência, como foi surgindo essa vontade de escrever, né? Ler e escrever.
E vamos caminhando na nossa conversa. Vamos lá, João! Fica à vontade.
Primeiro, quero dizer muito obrigado por você estar aqui também. Eu que agradeço o convite. Assim como você mencionou, né?
Vou fazer 30 anos, então nasci em julho de 1992, em Sorocaba, mesmo. Sou sorocabano. Mas, a partir do segundo dia de vida, já estava morando em Alumínio, que é uma cidade muito próxima, né?
Pouca gente conhece. É uma cidade de média, 18 mil habitantes. Não é uma cidade grande, né?
É uma cidade bastante industrial, né? Criada ao redor da fábrica e da Companhia Brasileira de Alumínio. E toda a minha infância e adolescência foi nessa cidade, né?
Então, todo meu estudo, as escolas que eu estudei foram em Alumínio. Nesse início de infância, antes mesmo de entrar para a escola, eu sempre me vi como uma pessoa que gostava de inventar as coisas, né? Eu não me contentava em saber que o sofá era apenas um sofá.
Por exemplo, na minha mente, aquele sofá poderia falar, ele poderia voar enquanto eu estava dormindo, ele poderia passear na feira, comprar abacate e voltar para casa. Sabe? Eu sempre tive uma mente assim de querer observar os objetos inanimados para além daquilo, ou até mesmo para olhar para as pessoas e tentar entender ou tentar criar histórias que essas pessoas pudessem ter, superpoderes, pudessem ter uma vida secreta, né?
Pudessem ter alguma coisa a mais do que aquilo que elas demonstravam. E eu acho que o início escolar, né? A fase da pré-escola, né?
Que eu fiz a chamada segunda fase na época, né? Depois já fui direto para o ensino fundamental. E esse início de ensino fundamental também colaborou bastante nesse sentido de estimular a imaginação, né?
Então, com a literatura infantil, já nessa época, sendo apresentada, seja por meio das histórias orais que as professoras contavam, seja por meio dos livros mesmo, nessa fase de alfabetização e letramento, eles ajudavam bastante a estimular a imaginação, que eu acho que já era um pouco criativa, né? E aí, quando eu aprendi a escrever de fato, não apenas a ouvir, a inventar e ler, mas também a redigir as primeiras palavras, eu percebi que eu poderia registrar tudo que eu imaginava, que eu inventava, no papel. Sou de uma época ainda em que o caderno prevalecia, né?
Nos anos 90, não tinha computador em casa, mas o caderno ali servia para contar histórias. Então, eu criava diálogos imaginados, ali escritos, entre a porta e a janela do quarto, entre uma barata que apareceu ali, onde aquela barata vivia, se ela pagava aluguel ou não, para quem que ela pagava esse aluguel, né? De onde que ela veio, para onde que ela vai.
. . Enfim, eu começava a tentar criar ali caminhos, universos, ações, nesses pequenos elementos que faziam parte do dia a dia.
E aí, amadurecendo a vida, né? Estudei em escola pública a vida inteira. Então, o ensino fundamental inteiro foi numa escola municipal.
Foi também nessa escola municipal, nos anos finais do ensino fundamental, que eu acabei aprendendo língua portuguesa meio que na marra, porque, sendo bem sincero, no início, não entendia por que eu tinha que saber o que era objeto direto, o que era oração subordinada ou coordenada. Daí eu vivia em conflito com uma professora: "Por que eu tenho que saber essas nomenclaturas todas? Eu gosto de escrever, gosto de ler.
" Coisa assim. E aí, meio que aprendendo na marra a gramática, eu acabei me encantando por aquilo ali, me encantando pelo funcionamento da língua, né? Porque não era apenas a língua portuguesa, mas sim como é que ela funcionava, como ela se estruturava, como é que aquilo auxiliava na comunicação, seja comunicação oral, comunicação escrita.
E também entender esses mecanismos todos me ajudava a produzir histórias mais consistentes, né? A escrever com maior conhecimento da norma culta, com maior domínio da linguagem. Isso acabou sendo, assim, bastante prazeroso para mim.
Também foi quando descobri que aquela matéria que me dava um pouco de raiva de ter que decorar nomes e memorizar como é que funcionava a nossa sintaxe se tornou uma paixão, né? E aí eu falei: "Pronto, é isso que eu quero para minha vida, é estudar a linguagem, seja ela escrita, seja ela oral, ou seja, na gramática, seja na linguística, seja na literatura. " Enfim, eu queria mesmo era me aventurar com a língua.
E também foi nessa fase, né? Como você comentou, que eu tinha uma vaca de papelão. De fato, houve uma proposta, numa dessas aulas de língua portuguesa, que era meio que montar uma peça teatral na escola, né?
O teatro na escola sempre presente. E aí, uma das personagens da peça que a gente inventou era uma vaca. Obviamente, não, ela vai levar uma vaca para dentro da escola.
Então, a gente criou uma vaca de papelão. E aí eu acabei dando um nome para ela, de Jerimunda, né? Tem essa brincadeira com imunda; tem um mundo no meio da palavra, né?
E aí, eu acho que o carinho com a vaca. . .
Foi tão bacana que ela passou a frequentar as aulas. Então, não apenas da atividade específica naquela atividade específica ela estava presente, como ela estava presente em outros dias ao longo do ano letivo, né? E aí a gente acabou criando, junto com os colegas, o esposo da Jerimunda.
A gente criou os Filhos de Mundos, fizemos batizados na escola, enfim, foi uma coisa bem da pré-adolescência mesmo, mas que, vamos dizer assim, poderia ser visto por alguns como excesso de loucura, mas que foi uma loucura que as pessoas foram comprando. E depois que eu me tornei adulto, fui saber que uma das professoras da época chegou a falar para a diretora que era para convencer meus pais a me levarem no psiquiatra, porque possivelmente eu não tinha visto. E aí, depois que eu me tornei colega de trabalho dessa professora, ela me contou isso.
Ela falou: "Eu acho que você ainda precisa". Essa questão também é muito tênue, né? Então, a loucura e a arte, a criatividade e a esquizofrenia.
. . Não sei, mas assim, a princípio nunca fui diagnosticado com nada que passasse por esses eixos, né?
Mas eu sempre tive essa mente muito criativa, muito de querer brincar, de ser lúdico, né? Eu acho que isso me ajudou bastante também a escolher o caminho que eu queria para o meu futuro profissional. Daí, quando saí do Ensino Fundamental e fui para o Ensino Médio, eu fui obrigado a sair da escola municipal, que não tinha mais o ensino médio, para uma escola estadual.
De tudo era novo. Eu já cheguei nessa escola de Ensino Médio sabendo que eu queria fazer algo relacionado à literatura, relacionado às línguas, relacionado ao teatro, relacionado às histórias, né? E aí, acho que magicamente, a lógica seria encaminhar para o curso de Letras.
Durante os três anos de Ensino Médio, foram os anos em que eu continuei escrevendo, continuei produzindo e percebia que o meu diálogo com as disciplinas de Língua Portuguesa e Literatura se dava muito mais do que com outras disciplinas. Então, assim, por mais que a família, amigos, etc. , falassem: "Ah, mas engenharia dá dinheiro, medicina dá dinheiro", essas coisas de colocar o capitalismo acima de qualquer outra coisa, eu falava: "Tá, mas eu não me identifico com as disciplinas de ciências exatas, eu não me identifico com as disciplinas de ciências biológicas".
Tô passando por elas, tô conhecendo o funcionamento de cada uma dessas áreas, mas onde eu me sinto bem, onde eu me sinto atraído, é dentro da Língua Portuguesa, dentro da Literatura. Aí a gente até ouve questões do tipo: "Ah, então vai fazer jornalismo, publicidade é mais renomado", como se Letras fosse assim a profissão mais descartada, né? E aí eu pensava: "Poxa, gente, mas tanta gente fez Letras, né?
Por que eu não posso fazer Letras? " Inclusive, professores formados em Letras chegaram a me falar: "Sai dessa, não vire professor, não faça Letras". Só que assim, eu acho que ser guiado por essa ideia de que "Ah, isso vai dar dinheiro, isso não vai dar dinheiro, essa profissão é reconhecida no mercado, essa profissão é mais difícil", enfim, isso não funcionava para mim, né?
Então, assim, eu meio que ignorei esses conselhos do "faça outras coisas que não sejam Letras" e contei com o apoio do meu pai e da minha mãe, que eles falaram: "Não, se você gosta de Letras, a gente vai te dar o apoio para fazer Letras". E foi no último ano que eu comecei a conhecer, então, universidades da região que tinham um curso de Letras. Foi quando eu me deparei com a Uniso, né?
Eu acho que foi uma paixão à primeira vista ali, porque foi uma época em que estava acontecendo o curso Literário de Poemas da Uniso. E eu, ainda no Ensino Médio, participei com um poema e cheguei a final, né? Então a minha primeira entrada na Uniso foi antes de ser aluno, foi participando dessa cerimônia, né, de finalistas ali de poemas, algo assim que me fortaleceu bastante, não apenas na decisão de que eu estava no caminho certo, quanto na decisão de escolher aquela Universidade.
Conhecer a estrutura, conhecer os professores, conhecer a magia que habitava o campo do gelo me fez ter a certeza de que era ali que eu queria prestar o vestibular e que era ali que eu queria estudar a magia do campo da cirurgia. Então, a magia do tanto surgiu. .
. Imagina, né? Porque ao longo do curso de Letras a gente fez várias coisas mágicas ali também, né?
Desde peças teatrais, encenações, oficinas. . .
Enfim, nós aprontamos poucas e boas ali, que eu acho que ficaram marcadas, né, em registros não apenas fotográficos e em vídeo, mas também na memória, no coração. Esses dias, eu estava comentando, né, que me veio à memória todas aquelas peças que a gente fazia, de quando eu fui Peter Pan, de quando eu fui bêbado, de quando eu fui louco, enfim. .
. Isso foi algo que também modificou bastante a minha vida, porque quando eu entrei no curso de Letras, não sei se você vai lembrar, mas eu não era uma pessoa tímida. Eu não abria a boca para nada.
Eu estava ali na frente, fazia minha atividade, né? E assim, era o estereótipo do nerd. E saí da faculdade que nem uma MA voadora, que fala mais do que tudo, né?
E que se apresenta e que não tem medo do público e que gosta de dar palestra, que gosta de dar entrevista, que gosta de dar aula, né? Porque parece que houve uma transformação muito grande. E eu acho que grande parte disso se deu com as práticas, né, de Literatura, com as práticas teatrais, né, com as atividades propostas ali que, mais do que meramente serem leitura e escrita, nos colocavam esse desafio de apresentação da linguagem corporal.
Mas até do que oral, né? Essa linguagem corporal e aí, conhecendo o próprio corpo, ter noção do que é um palco, ter, né, essa noção do público, é quando falar mais alto, quando falar mais baixo, quando olhar para frente, quando olhar para trás. Me ajudou bastante nesse relacionamento social, né?
E, sobretudo, em sala de aula, né. Eu entrei dizendo que eu não seria professora; o que eu queria era trabalhar com a editora. Trabalhar com.
. . E logo no segundo semestre estava em estágio em sala de aula.
Terminei o curso como professora titular de um colégio. Hoje, eu sou professora universitária e não me vejo fazendo outra coisa; foi algo ali transformador mesmo. Entendi.
Quer dizer, você achou que essas atividades auxiliaram bastante para você sair daquela timidez que você tinha? Quais peças que você participou? Você lembra em quais disciplinas?
Eu acho que a primeira que eu fiz foi na disciplina de, ou teoria da literatura ou literatura. Até esse contexto foi no segundo semestre, que foi quando a gente teve aula juntos, que foi quando eu recitei "Esmaga". Eu acho "Esmaga".
Foi, foi teoria da literatura. Mas, depois disso, teve literatura portuguesa, que eu fui "bêbado" do Fernando Pessoa, né, como um todo, porque as outras salas eram assistidas no curso de pedagogia, curso de história. Foi "No País da Melodia", em que a gente cruzou a história de "Alice no País das Maravilhas" com "Peter Pan".
Foi na disciplina de literatura infanto-juvenil, né? Nós pegamos esses dois clássicos e colocamos a Alice dialogando com os personagens do Peter Pan, a Sereia, o Capitão Gancho, né, e o Peter Pan dialogando com os personagens da Alice, o Lagarto Cozinheiro. E fizemos esse cruzamento de histórias, e que, de certo modo, foi aí uma das peças que nos marcou mesmo no curso de letras.
E você que auxiliou a fazer a adaptação do texto. Geralmente, o roteiro cai na minha mão, né? Então, esse foi o seu também, é isso também.
Então, assim, óbvio que a gente contou com a ajuda dos colegas, opiniões e tudo, mas eu acho que o grande esqueleto mesmo, diálogos, né, acabaram ficando na minha mão. É a parte que eu mais gostava, não tá? Roteiro.
Depois teve uma outra experiência, foi na última literatura da Literatura 3, né? Que a gente falou sobre Clarice Lispector. E aí eu peguei um pouco do brasileiro, eu peguei os contos da Clarice e daí cruzei esses contos também, né?
Então a personagem de uma ia na história da outra. Também foi uma experiência bem legal, muito bacana de ter sido feita. Você lembra o nome da montagem?
Era "As Clarices de Clarice". Então, assim, cada conto a gente considerou na primeira pessoa. Então, a gente caracterizava uma personagem chamada Clarice, e aí tinham as histórias.
Eu lembro que tinha uma parte da peça em que as cinco Clarices se juntavam, né? Que era uma adaptação do conto "A Quinta História". E uma das Clarices, inclusive, era o Cristo.
Não sei se você lembra, né, do Cris? Até se emocionou em fazer papel de Clarice, né? Acho que ele estava nesse processo de identificação e tal.
Foi muito especial também nesse sentido. E vocês fizeram também com inglês, sim, a professora Daniela. A gente fez um tigre numa das peças, né?
Então, teve uma que foi de poemas, né? Então, eu recitei um poema do Alto Ritmo, que era, se eu não me engano, que era "Tiger" ou "Tigre", uma coisa assim. E aí eu fui um tigre de fato; coloquei uma roupa laranja e tenho a cara de laranja com isso.
Enfim, marcou bastante. Foi quando a gente fez a peça de Shakespeare, "A Tempestade", que eu fui o Ariel, né? O espírito do Próspero, né?
Então, assim, nós tivemos uma adaptação, Próspera, né? Então era uma figura feminina ali, forte, marcante, e eu era o espírito que aconselhava. E eu acho que foi bem interessante também, né?
A gente teve pouco tempo de preparo, porque era praticamente ali, final do curso, tinha TCC, tinha um monte de coisa acontecendo, mas a gente conseguiu fazer a coisa fluir. Entendi. Então, você chegou a aplicar essas coisas na escola depois como professor?
Então, quando trabalhei como professora de Ensino Fundamental e Ensino Médio, a gente tinha no colégio, né, no final do ano, uma feira de ciências, assim vamos chamar, Acressentes de Artes, em que os alunos apresentavam algum tipo de trabalho com os pais, né? E aí, na Língua Portuguesa, que era junto com mais dois ou três professores ali de Língua Portuguesa, a gente sempre acabava indo pelo caminho do teatro. Óbvio que os alunos acabavam querendo tecnologia, aquela coisa toda.
Então, a gente meio que juntava a questão teatral com o audiovisual. Então, teve um ano que a gente fez uma websérie adaptando Vinícius de Moraes, né? Então a gente pegou poemas do Vinícius, trouxe isso para uma narrativa ali, né, com roteiro, tudo, filmamos, editamos e transformamos em uma série.
E, em outro ano, a gente fez com poemas africanos, né? Porque o que aconteceu foi um ano em que cada professor tinha que assumir um grupo. E aí, uma professora pegou literatura brasileira, outra pegou literatura portuguesa e falou: "Se você pegar o que?
JP, falei: 'Bom, vamos pegar então literatura africana e língua portuguesa', porque parecia que era esquecida, né? Há um apagamento, ninguém se fala hoje; acho que tá um pouco mais sendo discutido, mas era uma época que pouco se falava da literatura africana, que é tão importante, né? " E aí a gente foi fazendo, então, vídeos mesclando fotografia, audiovisual e literatura a partir de poemas moçambicanos e poemas cabo-verdianos em língua portuguesa.
Agora, na universidade, ainda não, porque, digamos assim, ainda não tive oportunidade de estar com uma disciplina que tivesse esse viés mais. . .
Artístico esse viés mais cultural, né? Eu acabo ficando com umas disciplinas muito mais profissionais, mercado de trabalho, né? As relações da publicidade.
. . A editoração então acaba que não se encaixando no plano de ensino.
Mas, né, quem sabe futuramente a gente não traz isso até para a universidade. Mas é uma intenção sua, né? Também, né?
Você tem essa intenção, né? Conhece aqui? Ó, nossa, essa daí foi nomes, né?
Que foi uma adaptação do Veríssimo. Tá vendo? É uma das fotos que eu achei.
Depois eu vou procurar mais para passar para você. Ah, muito obrigado! Agradeço.
Essa é uma das que acabamos de localizar, mas depois, me diga só os anos em que você esteve lá, porque facilita para eu encontrar. Essa eu entrei em 2010, né? Eu acho que a primeira peça foi no segundo semestre e saí em 2012, então a última peça foi no segundo semestre de 2012, 2012.
10 a 12, tá bom? Das fotos para você também e para, né, pessoas que estão com certeza esperando também. Vários colegas com certeza querem essas fotos e vídeos, e tem história aí, né?
Quanta história boa, com a história bonita, né? Mas eu sinto que você participou bastante coisa e se divertiu bastante, né? Com certeza.
Eu acho que, assim, mais do que fazer por obrigação, do aprendizado, alguma coisa nesse sentido, a gente tem que se divertir, né? Com uma atividade que a proposta. .
. Eu acho que nisso a gente conseguiu fazer algo muito bacana. E o que vende aprendizado de literatura no meio?
Você acha que vem alguma coisa no momento em que a gente vai adaptar, né, a obra para peça teatral? A gente acaba tendo que conhecer um pouco da história da literatura, procurar biografia do autor, um pouco dos efeitos e sentido que se tem naquele texto. Então, não apenas questões da história, da crítica, da teoria literária, mas até mesmo questões da estilística, da linguística criativa, obviamente.
Então, é assim, é uma atividade que eu acredito que seja bastante interdisciplinar, né? Ela é parte da lite e, a partir da literatura, a gente acaba discutindo outros elementos. Muito bem, ótimo!
Nós vamos dar uma pequena pausa e depois nós continuamos. O segundo bloco é quando o João Paulo vai encontrar um pouco das atividades dele enquanto escritor, né? A produção dos livros, enquanto editor, e depois continuamos por aí.
Tá bom? Então, até daqui a pouco! Logo, logo então, nós estaremos voltando novamente.
Muito obrigado! Até já!