Vamos conversar agora com o Gabriel Crops. Ele é sócio fundador da Cergaz. Ele vai mostrar pra gente um pouquinho a evolução do mercado de GNV para transporte pesado.
[Música] Gabriel, obrigada por mais uma vez estar com a gente aqui. Gabriel, você participou de uma um painel agora de manhã, um fórum, né, para falar sobre o GNV do transporte pesado. Conta o que que foi apresentado lá.
você tava me falando sobre a evolução desse mercado, como é que foi isso? Bom, a ideia foi a gente trazer representantes de toda a cadeia do GNV para transporte pesado. Então, a gente teve as montadoras, os fabricantes de veículos pesados, tanto caminhões quanto ônibus, uma empresa de transporte aqui da Bahia, que já tem caminhões a gás há alguns anos, inclusive uma das primeiras empresas a adotar o Gás Natural nas suas operações.
Eh, e também a própria Bahia Gás dando esse panorama. Tivemos também a participação do professor Edmar Almeida, que trouxe uma apresentação muito interessante sobre esse panorama de GNV no Brasil e particularmente na Bahia também. E como é que tá?
A gente tem uma uma questão com GNV para transporte pesado, né, já de muito tempo, dificuldade de autonomia de de caminhões, né, de de troca da frota. Como é que isso avançou? Foi muito interessante porque as montadoras trouxeram as experiências que elas têm em outros países, né?
E o pra gente ainda é uma coisa nova, né? Mas como assim GNV para caminhão, para ônibus? É uma coisa recente.
Lá fora, todas elas trouxeram essas experiências. Tem décadas, 20, 30 anos que se utiliza o GNV para o transporte pesado. Então, pra gente é uma coisa nova, né?
Mas a tecnologia é uma tecnologia que tá estabelecida muito consolidada. O que que é a novidade? Quando a gente lançou os primeiros caminões, eles vieram com uma autonomia menor, na faixa de 400 km.
Isso hoje já tá resolvido. Você tem modelos de 600 até 700 km. Tem até projetos com caminões de 1000 km de autonomia.
Então esse problema tá superado. Outra questão é a rede. O professor Edmar mostrou muito interessante, os Estados Unidos tem 175.
000 1000 caminhões a gás, a gente tem 1600, mas nos Estados Unidos tem 1300 postos, a gente tem 1700 postos. Nós temos mais postos a GNV do que os Estados Unidos. Qual é a diferença?
É que os nossos postos foram feitos para veículos leves, carro de passeio. Esses postos, claro, estão sendo adaptados para poder também atender esse mercado de veículos pesados. Adaptação requer um bico de injeção mais rápido, com maior vazão.
Como é isso? Esse é um outro mito, né? Ah, é o bico de alta vazão, como se fosse simplesmente você trocar ali a tomada, né, que você liga lá o carrega o seu celular, né?
Não é isso, né? Tem isso também. O bico de abastecimento é um bico muito maior.
Muita gente chama do engate rápido também. Eh, e ele tem uma vazão muito maior, mas não adianta só você pegar o posto normal de veículo leve e trocar só o bico. É como se você tivesse realmente trocando a tomada de um fio, mas aquele fio fininho, não vai adiantar nada.
você tem que realmente fazer toda a troca da infraestrutura que tá por trás daquele bico, das mangueiras, da parte interna do dispêncer, eventualmente da rede interna do posto e talvez até do próprio compressor do posto, mas para você ter realmente esse ganho e esse redução no tempo de abastecimento. Mas você não precisa fazer tudo de uma vez, a gente sempre fala o seguinte: primeiro a gente começa, depois a gente melhora, tá certo? E em termos de fontes de gás, né, a gente, bom, falando do mercado, ele não cresce algum tempo, né?
O mercado de GNV também nessa mesma nessa mesma linha. Eh, de onde poderia vir o gás ou que tipo de gás? O biometano, algumas distribuidoras já estão implantando seus corredores.
Explica como é que é isso. Bom, nós estamos na Bahia. Então, a Bahia ela é um caso emblemático no Brasil em que mais de 50% do suprimento de gás da distribu da distribuidora de gás aqui da Bahia, que é a Baia Gás, vem de empresas independentes.
São chamadas novas fontes de gás. E que fontes de gás são essas? A gente tem sim a produção de gás offshore, ou seja, em plataformas de de petróleo e gás em alto mar, mas a gente tem no Nordeste e particularmente na Bahia muita produção de gás em campos terrestres, também chamados os campos maduros, eh que são representam uma oportunidade incrível, não só de uma nova fonte de gás, mas muito importante.
tem um aspecto, inclusive social importante, porque esses campos eles estão localizados longe dos centros urbanos e você leva investimento, você leva uma nova economia, você cria toda uma economia ao entorno dessas unidades de produção de gás no interior do país, suprindo essa necessidade energética que a gente tem tão grande. Além disso, tem também o biometano, que já é uma realidade em vários estados. E a Bahia, apesar de ainda não ter biometano na sua rede de gás canalizado, a Bahia já tem vários projetos que estão em desenvolvimento e em breve vamos ter mais essa fonte de gás, não só competitivo, mas também 100% renovável.
E os motores também não precisa adaptar nada para usar biometano. O biometano ele é exatamente a mesma coisa que o gás natural. Eu brinco sempre que o seguinte, o que a natureza demora 400 milhões de anos para fazer lá debaixo da terra para produzir o gás, o biogás ele é feito em duas semanas num biodigestor, mas a molécula é absolutamente a mesma.
Então, todo equipamento preparado para gás natural ou GNV pode usar indistintamente o biometano que não tem problema nenhum. Que que falta? Então, você falou, primeiro a gente faz, depois a gente melhora, mas como é que faz para dar esse passo?
incentivo, eh, estímulo fiscal, sei lá, alguma alguma sugestão. Foi muito bacana a discussão que a gente teve no painel e com essas várias visões a gente chegou num consenso. Quer dizer, a primeira coisa importante, o Gás Natural e o GNV, eh, ele tem uma cadeia muito fragmentada, então não tem uma empresa que faça tudo do, como a gente diz, do poço ao posto.
É uma cadeia fragmentada. São muitas empresas na produção, no transporte, na distribuição, no fornecimento da tecnologia. Então é muito importante que esse mercado trabalhe em unísono, que trabalhe de uma forma coordenada e isso, eventos como esse ajudam muito.
Isso tá acontecendo. Mas a outra coisa que é muito importante também são políticas públicas de longo prazo. A gente viu aqui o caso dos Estados Unidos, da China, vários países da Europa ou aqui mesmo na Argentina do nosso lado, que tem uma política pública de incentivo ao uso do gás na mobilidade.
Há décadas. Um caso que a gente tem no próprio Brasil é o estado do Rio de Janeiro, que desde os anos 90 incentiva o uso do GNV primeiro no transporte leve, mas agora também migrando pro transporte pesado. Então esse tipo de política pública de longo prazo, ele dá segurança pro empresário, pro industrial de que não só o gás é uma opção competitiva hoje, mas que ele vai continuar sendo uma opção competitiva.
não vai faltar gás, o gás não vai ficar mais caro, não vai ter alguma mudança estrutural na economia que de repente o gás vai deixar de ser competitivo. Então essas políticas públicas dão tranquilidade e segurança para o mercado de que isso é realmente uma coisa perene. Pro transportador ainda seria mais caro do que o diesel.
O veículo em si hoje ele tá quase no mesmo preço. O que vai variar é o número de cilindros. Então, de acordo com a rota do caminhão ou do ônibus, você pode precisar de mais cilindros, uma armazenagem maior ou não.
Então, isso é o que vai variar o preço. Mas se você for comparar maçã com maçã, é o mesmo preço praticamente do diesel de um caminão moderno, sendo que o caminhão GNV, ele já nasce com tudo que tem de mais moderno na tecnologia, não só em termos de emissão, em termos de redução de ruído, em termos de conforto pro motorista. E no caso dos ônibus, conforto também pros passageiros.
Ou seja, não existe ônibus a gás velho, né? Todos são modernos e já saem de fábrica, já nascem com toda essa tecnologia. Então, de novo, comparando com veículos da mes do mesmo nível tecnológico, o preço é muito parecido, mas a vantagem do preço do gás é muito grande.
Aqui na Bahia a gente tem o GNV mais competitivo do Brasil em relação aos outros combustíveis, mas na grande parte dos estados o gás sempre vai ser competitivo com os combustíveis fósseis. Alguns estados essa essa competitividade é maior, outras nem tanto, mas sempre vai ser um benefício, que a gente sempre fala na casa entre 20 e 30% de redução na conta de combustível para uma empresa de transporte, isso é sangue, né? É direto na veia ali da na da empresa para para essa redução de custo.
Então não só você tem a redução de emissões, mas você tem também a redução de custo operacional. Isso aí. Obrigada, Gabriel.
E eu que agradeço.